Semântica
22 Alabastro
Notas iniciais
— Por quanto você planeja ficar me encarando? — Aquele seu sorriso era o suficiente para aquecer a brisa gelada que envolvia-me na sacada.
— Até você desistir de fugir de mim.
— Eu não estava fugindo de você. — O costume parecia falar mais alto que qualquer bebida. Joguei meu braço sobre a escultura alva ao meu lado, virando-me para você como se tivesse a resposta para qualquer enigma. — Eu só vim aqui fora apreciar esse belo vaso de alabastro.
Erguendo-se da porta corrediça, seu corpo balançava conforme uma gargalhada tomava conta do ambiente — e eu não mais podia ouvir a música que emanava de dentro do apartamento.
— Greda, alabastro. Achei que você fosse escritora, não geóloga.
— Na verdade, eu poderia ser simplesmente uma arquiteta.
— Simplesmente. — Dando as costas para a grade fria, permitiu seu corpo roçar levemente sobre a minha mão. Com o toque repentino, eu recolhi-me em mim rapidamente — tendo que lidar com uma linha do meu casaco presa ao alabastro, arrancando-lhe mais risos. — Algum dia você vai me deixar ganhar?
— Você quer mesmo ganhar tanto assim?
— Honestamente? Sim.
— Mimado. — bufei. — O que posso fazer se apenas um de nós tem bom gosto?
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