Semântica
20 Enleada
Notas iniciais
Eu não sei em que momento, exatamente, eu te encontrei naquele caos. Culpo essa forma qual eu encontrava-me constantemente gravitando em sua direção.
— Você já tem meu tempo, performance e sobriedade. — corpo jogado sobre o sofá, como se fosse o dono do mundo, embora sua voz denunciasse um mártir. — O que mais quer de mim, Ó roteirista?
— Sua atenção, meu bem. — a gravidade tornou o impacto do meu corpo sobre o dele maior do que ambos esperávamos. Nenhum de nós reclamou.
Não resguardo da bebida o seu papel, mas minha trajetória a você nunca dependeu da embriaguez.
— Isso é novidade pra mim. — ergui a visão para a garrafa de vodca vazia no canto do sofá, denunciando-a — como se ele já não o soubesse. — Amém, Rússia.
Você irradiava luz e calor, e eu era como um girassol, sempre virando-me para ti. E você não parecia se importar – com os olhares trocados, os afagos sutis. Éramos um diálogo discreto de dedos e carícias, mãos que se buscavam quando não havia mais ninguém.
Ou, simplesmente, quando ninguém mais importava.
O álcool tinha essa propriedade não dita: borrar linhas que antes achávamos tão bem definidas numa enleada particular.
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