Notas iniciais
Enleada substantivo feminino Enredo, intriga. Variação de enleaça.

Eu não sei em que momento, exatamente, eu te encontrei naquele caos. Culpo essa forma qual eu encontrava-me constantemente gravitando em sua direção.

— Você já tem meu tempo, performance e sobriedade. — corpo jogado sobre o sofá, como se fosse o dono do mundo, embora sua voz denunciasse um mártir. — O que mais quer de mim, Ó roteirista?

— Sua atenção, meu bem. — a gravidade tornou o impacto do meu corpo sobre o dele maior do que ambos esperávamos. Nenhum de nós reclamou.

Não resguardo da bebida o seu papel, mas minha trajetória a você nunca dependeu da embriaguez.

— Isso é novidade pra mim. — ergui a visão para a garrafa de vodca vazia no canto do sofá, denunciando-a — como se ele já não o soubesse. — Amém, Rússia.

Você irradiava luz e calor, e eu era como um girassol, sempre virando-me para ti. E você não parecia se importar – com os olhares trocados, os afagos sutis. Éramos um diálogo discreto de dedos e carícias, mãos que se buscavam quando não havia mais ninguém.

Ou, simplesmente, quando ninguém mais importava.

O álcool tinha essa propriedade não dita: borrar linhas que antes achávamos tão bem definidas numa enleada particular.

Notas finais
Estamos sempre cercados por fios que nos amarram a uma trama que parece não ter sentido algum. Eu cansei de procurar me livrar dessas amarras. EDIT: perdoe-me aos leitores pela edição do capítulo. Eu havia pedido uma amiga pra postar o arquivo que eu mandei, visto que eu estava sem acesso a um computador esses dois dias - porém, mandei o arquivo errado pra ela. Agora está tudo certinho!