Sempre Contigo.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Acordei e Pedro não estava mais lá, nem suas roupas estavam pelo quarto, nem as minhas. Pensei que tudo aquilo poderia ter sido apenas um sono. Me levantei e vi que ainda estava nua. Havia uma mancha de sangue no lençol. Respirei fundo, e fui tomar um banho rápido, me troquei e vi que tinha uma mensagem no meu celular.
“Pequena, a essa hora já devo estar em São Paulo. Vou sentir sua falta, muito mesmo. Sempre que precisar é só ligar. Eu te amo, muito. A nossa historia jamais irá acabar, sempre estarei contigo.”
Quer dizer que ele já tinha ido embora? Ele avisou que iria, mas não achei que era logo de manhã. Como eu vou viver sem ele? Ele é a minha vida. A melhor parte de mim. Senti lagrimas escorrendo, como eu tinha me apegado tanto assim a ele em dois dias? Tudo aconteceu tão rápido...
4 de setembro de 2012 – terça feira.
Meus pais já haviam voltado da viajem a mais de um mês, Bruno continuava morando em casa e eu havia perdido contado de Pedro desde aquela manhã, por idiotice –vergonha de ligar-. E ele também não ligou, não deve estar sentindo a minha falta realmente. Eu não andava feliz desde sua partida. Era como se eu não estivesse realmente completa. Hoje, alem de fazer exatamente dois meses depois do show que mudou a minha vida, também é meu aniversario de 16 anos. Bruno iria passar a tarde na casa de um amigo, e meus pais estavam no trabalho como todo dia. As meninas iriam para casa depois da escola para comemorarmos só nós três mesmo. Fiz macarronada para almoçarmos.
- Mais Nicollie? Você já comeu 3 vezes.
Camila disse preocupada.
- Ué, eu to com fome. – Respondi em um tom de voz totalmente diferente do dela.
- Já chega Nicollie. Eu to achando uma coisa tem uns dias e..
Camila disse, mas não terminou a frase, apenas olhou para Gabriela.
- Agente acha que você ta grávida.
Por mais estranho que pareça essa “conclusão” delas, parecia realmente verdade. Nos últimos tempos eu ando comendo muito, sinto nause e vomito sem parar. Olhei para elas e Camila tirou uma embalagem da mochila.
- Toma, vai la no banheiro e agente ta te esperando no seu quarto.
Fui ao banheiro com a cara manhosa e fiz o teste. Não quis olhar, iria esperar chegar no quarto. Entreguei o teste a Camila, que fez a pior cara possível, e Gabriela foi confirir.
- E..?
- Você está grávida, Nicollie.
Gabriela disse com a voz falha. Nesse momento meu mundo desmoronou. Fiquei sem reação. E agora? Oque seria da minha vida? Eu acabei –literalmente- de completar 16 anos, em pouco mais de 3 meses eu iria terminar o terceiro ano. E o pior de tudo. Pedro. Não sei como ele iria reagir, não sei como as fãs iriam reagir. Ele tem uma carreira, que acabou de estourar pelo mundo. Comecei a chorar desesperadamente. Gabriela e Camila me abraçaram, ainda mudas.
- Vai ficar tudo bem, calma.
Camila disse tentando me controlar. Eu chorava execivamente.
- Como eu vou ficar calma? Eu estou grávida, e tenho 16 anos! E o pai é o meu ídolo. Vocês não estão entendendo.
- Vamos ligar pra ele, Ni.
Gabriela disse. E pegou o telefone.
- Liga você.
Empurrei o telefone pra ela.
- Você está grávida, você fala.
Bufei e peguei o telefone, ainda em lagrimas e digitei o numero. Logo ele atendeu.
- Nicollie? — Ouvi sua voz doce, quase pude ver um sorriso do outro lado da linha. – Você ta chorando ou é impressão minha?
- Pedro, eu estou grávida.
- Não era assim que era pra falar, era pra você conversar antes. – Gabriela disse.
- Foda-se, eu não to sem paciência.
Senti mais lagrimas minhas caindo, Pedro respirou fundo e disse com a voz meio falha.
- Eu sou o pai? Certeza?
- Pedro, eu só transei com você, esqueceu?
Continuei a chorar.
- Não chora, Ni. Agente vai enfrentar essa barra juntos.- Quase sorri.- Eu estou com a semana vaga, vou pegar o primeiro voo que tiver pra ir hoje tá?
Concordei e desliguei o telefone.
- Ele ta vindo pra cá.
Disse as duas e continuei a chorar. Poucas horas depois, precisamente 4 horas, Pedro desceu do taxi na porta de casa, agradeci a Deus por ainda ser 3 horas e meu pai chegar somente daqui a quatro horas. Gabriela e Camila nos deixaram a sós com Pedro no meu quarto.
- Foi aqui que tudo começou. – Ele disse sentando na beira da cama, ao meu lado. – Nicollie, você não ta bem né?
Ele disse, também sem conseguir sorrir.
- Não, Pe. Eu estou grávida, tenho só 16 anos e meus pais vão me matar.
- Sobre isso, fica tranquila. Eu vou conversar com eles.
- E a Tia Leni e o Tio Mauro?
- Tios? – Ele me olhou e me deu um meio sorriso.
- Costume de fã. – Retribui o sorriso. – Mas você não me respondeu.
- Sim, eu falei pra eles. Eles reagiram melhor do que eu pensava. E eles falaram que como meu apartamento irá ficar pronto no final do ano, é minha responsabilidade te chamar pra morar comigo.
- E você? Concorda com isso? – Respirei fundo. Isso tudo era novo de mais para mim.
- Claro. Não só por causa do meu filho – ele riu. – é estranho dizer meu filho, mas também por que te amo.
Pela primeira vez no dia, havia conseguido sorrir. Ele se aproximou de mim, e selou nossos lábios. Ah, como sentia sua falta. Terminando o beijo, ele me envolveu em um abraço, bem apertado.
- Eu te amo como nunca amei ninguém.
- Eu também te amo, Pe.
Ouvi a porta do carro do meu pai se fechando, Camila e Gabriela entraram no quarto correndo.
- Seus pais chegaram.
Fudeo.
- E agora? Oque eu faço? Ele vai me matar.
- Deixa que eu converso com ele, amor.
Camila e Gabriela se entreolharam com o esse “amor”, e eu apenas concordei com a cabeça e ele desceu.
Foram os 30 minutos mais agoniantes de toda a minha vida. Voltei a roer a unha e andava de um lado para o outro, sem parar.
- Se quer abrir um buraco no chão é? Se quiser avisa que eu ajudo.
Revirei os olhos e continuei andando. O grande problema: Quando eu ficava ansiosa de mais, eu vomitava. E ainda mais grávida. Sai correndo para o banheiro. Senti uma mão tocar minhas costas ao lavar o rosto. Me virei e vi quem era. Minha mãe, como os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela não disse nada, só me abraçou forte. Depois de um longo tempo abraçadas, resolvi dizer alguma coisa.
- Me desculpa, mãe? Eu fui irresponsável. Mas eu e Pedro iremos arcar com as consequências e cuidar do seu netinho.
Ela se afastou e colocou a mão em minha barriga.
- Ele me disse que assim que você se formar, você ira morar com ele. Em São Paulo. É verdade?
Ela disse com a voz falha. Nunca tinha visto ela assim antes, me doía ver aquilo. Ela estava..frágil. Apenas acenti com a cabeça e nós saímos do banheiro. Camila nem Gabriela estavam mais lá. Mas no lugar dela, estava meu pai e Pedro. Abraçei-o como nunca tinha o abraçado antes.
- Não importa oque aconteça, você sempre será minha pequena.
Ele disse me dando um beijo na testa e me fazendo desabar em lagrimas.
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