Semideuses do Zeyggterasu
20 Um Presente Envenenado de Grego
Notas iniciais
Piort começou a berrar a plenos pulmões. Não alcançaria ninguém mesmo se corresse, eles se espalharam, não sabia quem pegar primeiro. Eles eram como o vento. Menos uma delas, mas, mesmo assim, não ia conseguir pegar nenhum deles de imediato.
—Seus filhos de uma puta! – Ele berrou primeiro. – Requenguela mal paridos! Ignóbeis, repugnantes! Espero que morram! Envenenados! Mutilados! Esquartejados! – Piort bateu o pé com força no chão e se perdeu nos xingamentos quando era para focar nos garotos e garotas correndo cada um para um lado; lembrou que logo sua mãe chegaria da cidade.
Ele se virou, sua casa estava bem pior dessa vez, a entrada, os muros; tudo. Ele não entrou em pânico, mais berrou de uma forma que todos do bairro puderam ouvir. Independentemente de onde estivessem. Todos sabiam que era Piort, por isso que ninguém ousou colocar a cabeça para fora.
E em seguida ele ainda soltou mais algumas frases em um idioma que não era conhecido. Trümper usou todo seu ódio dessa vez berrando e xingando. Não conseguiria limpar tudo a tempo, não sozinho. Não fazia ideia de onde aqueles diabos estavam se escondendo, não daria para pegar um por um, e em seguida obriga-los a limpar tudo. Ninguém iria ajuda-lo, ele não era muito amável, claro que não. Porém, ele ouviu sorrisos e uma conversa serena.
Havia uma exceção. Na verdade haviam duas.
Então após refletir por cinco ou quinze segundos, e evitando a começar jogar pedras nas pessoas; ele se dirigiu para a casa de Mikaele, e já estava bem furioso; e era de frente pra casa dele, parecia simples. Porque ela não impediu as irmãs? Olhou em volta e não a viu.
Isso porque na verdade, ela não estava no seu lugar de sempre, assistindo a destruição; estava no quintal do vizinho... Piort deparou-se com ela e Alois deitados sobre a grama, cada um deitado para um lado diferente, (um pro sul, outro pro norte; as cabeças estavam juntas, “se um deles tiver piolho, o outro vai pegar”, ele pensou) e ambos liam livros diferentes, estavam visivelmente despreocupados, rindo de algo; talvez que estivesse no livro.
O maior então deu um assobio demoníaco que os assustou.
—Piort? – Mikaele o encarou.
—Trümper? – Alois disse em seguida. Ambos ainda deitados na grama.
Os dois ficaram encarando o garoto que estava todo colorido. Muito colorido, mais do que um arco-íris, mais do que todas as cores existentes no Paint de um computador.
—Eu odeio fazer isso... – Ele colocou uma mão na cintura e esfregou os olhos com a outra mão, tentando aliviar o estresse, e diminuir o seu ritmo cardíaco. – Mas, agora eu quero que minha casa esteja limpa, já que as suas irmãs vandalizaram tudo e.
—Problema da minha mãe! – Ela voltou para a sua leitura. – Não é responsabilidade minha. Não sou sua empregada!
—E eu não sou bonzinho! – Piort respondeu furioso.
—Mas, está aqui implorando nossa ajuda. – Mikaele debochou do outro que se descontrolou.
Piort se aproximou dela tentando enforcar Mikaele, e Alois interveio.
—Okay. Calma! Respira! – Ele se sentou, ajudando ela a se levantar e olhou para Mikaele. – Podemos ajudar; mas, não somos seus empregados! – Começou Alois tentando não demonstrar medo. – Então, você terá que esperar um pouco...Porque estamos lendo.
—Um pouco quanto? – Piort coçou a cabeça com raiva.
—Até eu terminar de ler esse capítulo. – Respondeu Mikaele tranquilamente. – E você Alois?
—Quando o capítulo dela terminar!
—Vocês só podem estar brincando comigo! – Piort avançou em direção aos dois, e depois voltou para trás colocando as mãos no rosto, furioso. Repensando, só tinha a eles para pedir ajuda. Grande parte dos vizinhos estavam viajando. E seu grupo, morava longe demais. – E tem quantas páginas esse “capítulo” aê? – Ele perguntou furioso, porém, se controlando. Mikaele deu uma risada seguido de Alois.
—Exatamente (...) 25 páginas. – Ele parou.
—Não... – Iria demorar muito, Piort não tinha esse tempo, nem paciência. – Porque estão fazendo isso comigo?
—O que? – Ela riu. – Fazendo o que exatamente?
—Me fazendo de idiota!? Suas irmãs estavam bem ali; de frente para a casa dos dois e nenhum dos dois sequer as impediu! Não é possível que vocês não viram nada.
Os dois se viraram para a casa de Piort e ficaram surpresos.
—Uau! – Exclamou Mikaele. – Eu não estava esperando por essa!
—Ah! Você quer que nós te ajudamos a limpar toda essa bagunça?
—A troco de que? – Mikaele perguntou.
—QUE?
—Bom, como disse, não somos seus empregados. O que ganhamos se ajudarmos a limpar tudo?
—Eu não sei! – Ele exclamou a ponto de explodir. – O que dois imbecis como vocês querem? – Os dois se olharam e riram. – O que?
—Não somos imbecis.
—Nos dê opções... – Falou Alois rindo.
—Dê coisas que são valiosas para você! – Alois se assustou e encarou a garota. – Não é lógico?
—Opções? Eu não tenho tempo para opções!
Os dois se levantaram do chão e estralaram as costas. Organizaram os livros, o que deixou Piort um pouco mais aliviado.
—Eu vou pegar um... – Alois olhou para a casa de Piort por um tempo. – Uns removedores, uma mangueira e uns produtos de limpeza (...) Aquilo vai ser difícil de tirar.
—Eu te ajudo.
—Não precisa; eu vou rapidinho. – Ela então encarou Piort.
—Certo, porém, não vai sair de graça. Vamos querer algo de valor em troca! – Mikaele disse apontando o dedo na cara dele; que só deu uma risadinha.
—Você não está querendo me desafiar né?
—E se eu estiver? – Ele ia retrucar, mas, respirou fundo.
—Sua sorte é que eu estou extremamente concentrado em outra coisa. – Ele se virou para a sua casa e berrou novamente. Mikaele quis rir, mas, se conteve esperando Alois. –Qual a razão das suas irmãs fazerem isso?
—Não sei... Tédio? – Ela deu ombros com um sorriso na cara. – Eu não sei.
—E cadê o Dillard? Ele disse que ia ser rapidinho! Cadê o rapidinho? Eu não tô vendo rapidez aq.
—Se você continuar reclamando nós não te ajudamos. – Resmungou Alois se aproximando dos dois e entregando dois baldes para Mikaele, alguns produtos para Piort, enquanto ele estava segurando uma mangueira visivelmente potente; com a força de jogar algo longe.
—Tá, tá bom! – Ele gritou batendo o pé e indo em direção a própria casa.
—O que nós vamos pedir? – Mikaele olhou para Alois que estavam acompanhando Piort.
—Eu não faço ideia. Eu não faço acordos com ele. Nem bom dia eu dou. – Ela o encarou.
—Mentira... – Mikaele disse chocada, o quão tenebroso esse vizinho era?
—Olha, vai por mim, sair vivo e sem ferimento. Já vai ser uma recompensa e tanto.
—Mas, ainda precisamos pedir recompensa! – Ele já achava ela doida, agora sim, confirmava que ela era maluca.
Ao se aproximarem da casa dava para ver o estrago por completo. Parecia uma cola pegajosa, papel pegajoso, tinha plástico e lantejoulas, Mikaele ficou boquiaberta e travou.
—Mas, como a gente vai limpar tudo isso? – Alois perguntou colocando a mão na cintura, observando o estrago; haviam casas decoradas; mas, aquela era o centro da atração. O garoto mordeu os lábios. – O lado bom é que... Não tem lado bom. Tu tá na merda mesmo1 – Então ele se encolheu esperando o soco; que não veio.
—Como. – Antes de Piort se aproximar, Mikaele o impediu colocando a mão em seu peito. Alois entrou em estado de alerta.
—Você; Drag Queen, relaxa aí, pois, o trabalho vai ser pique grande! – Ela olhou para Alois. – Por onde começamos?
—(...) – Alois respirou fundo. – Primeiro jogamos água. O que não sair, nós esfregamos! É o único plano que tenho depois de ver o estrago.
—É um bom plano! – Mikaele respondeu rindo. – Liga a água rapaz! – Piort odiava receber ordens, mas, apenas pelo fato dele precisar de ajuda não o colocava em posição de retrucar. Então ele girou a torneira, e ligou a mangueira que tinha força pra arrancar a tinta fora.
—Se eu fosse vocês eu me afastava! – Exclamou Alois.
—Eu odeio as suas irmãs! – Ele estava olhando a casa quando virou para Mikaele, que fez um sinal de joia. – O que isso quer dizer?
—Que eu não ligo... Mas, respeito o seu ódio.
*
Grande parte da tinta, e das lantejoulas saíram com a água; porém, em alguns pontos da casa não saiu, e Piort não deixou Alois jogar água na porta porque tinha medo de sair a cor. Traduzindo, eles iam esfregar.
—Qual sua música favorita? – Mikaele perguntou para Alois enquanto estavam esfregando o telhado.
—Que?
—Música!
—Você sabia que não tem como uma pessoa ter uma música favorita?
—Não?
—Um pouco antes de você enjoar da música, seu cérebro diz “preciso ouvir outra música antes que eu enjoe dela”.
—Sério?
—Não sei. Eu penso assim. Mas, eu gosto daquela do Avicii, The Days! – Ela deu um sorriso.
—Gosto dessa música também. Tipo, não de ser minha favorita, mas, gosto dela.
—O que? Que música pode ser mais legal que Vai me dizer que você tem uma música mais legal que the days!
—Gosto de Cheap Thrills da Sia!
—Aah, eu gosto da Sia! – Os dois começaram a rir.
—Eu gosto quando os dois estão em silêncio! – Piort berrou, estava embaixo, limpando a porta, as janelas e a varanda.
—Pelo amor de Deus cara! Deixa a gente conversar! Primeiro que nem era pra gente estar te ajudando... Então se estamos ajudando, ao menos, deixa a gente conversar!
—Mas.
—De novo? – Alguém gritou.
—(...)
—(...)
—Argh. – Resmungou Piort batendo a mão na porta com força.
—Vai ser sempre essa bagunça? Arruaça? Nojeira? – A mãe de Piort se aproximou do portão da casa, mas, não entrou. – E olhe só para você... Está deplorável, pior que um desfile brasileiro de carnaval! E eu achei que Piort Trümper era um jovem bem competente... Estou ficando decepcionante com que você deixa acontecer por aqui. Na sua própria casa!
Alois e Mikaele se olharam. De todo o jeito, se precisassem descer, iam passar pela senhora Trümper, então se ficassem em silêncio seria menos ruim.
—Alguém te viu assim? Desse jeito? – Mikaele e Alois viraram para o outro lado, eles não fizeram nenhum barulho, porém, Jeanne olhou para cima. – Arh!
—Aan... Boa tarde senhora Trümper!
—Já é de noite!
—Boa noite senhora Trümper! – Mikaele falou rapidamente. – Nós nem reparamos e.
—Devem estar bem cegos para não repararem... Nisso. – Mikaele abriu a boca para dizer algo, mas, a voz sumiu com o olhar da mulher. – (...) – Qual é a explicação? – Ele deu ombros. – Piort Trümper! Responda-me! Agora!
—O que quer eu te responda Senhora Jeanne? – Mikaele fez um gesto para Alois; ela tinha esquecido o nome da mãe dele. – Que eu deveria montar uma guarda contra os demônios que correm mais que o vento? Você acha que eu não tenho nada para fazer? – Ele começou a berrar. – Eu explodiria a cara deles se pudesse! Posso? Não! Quero! E muito! Você vai ajudar? Não! Então, não me irrita! Porque eu arrancaria a sua cabeça se não fosse ilegal.
Alois colocou a mão na boca. O pânico tomou conta de seu corpo
—Uau. – Ela disse fria. – Eu espero que seja mais rápido do que eu arrancando seu coração. – E um baque foi ouvido. Quem estava no telhado não pode ver, mas, a mãe de Piort havia o empurrado contra a porta com tudo. – Seu pai vai adorar ouvir essa sua frase... – Ela abriu a porta. – Te vejo no inferno.
—Você já está vivendo em um!
—E eu não sei?
Mikaele se aproximou de Alois se agachando, e tentando manter o equilíbrio para não cair.
—Isso é normal?
—Não... – O outro cochichou. – Eu não sei. Mal vejo ela.
—E o pai dele? Você já viu?
—Eu... – Alois mordeu os lábios. – Bem... Eu evito.
—Eu tô ouvindo muita falação e nenhum trabalho.
—Mas, estam. – Alois tampou a boca de Mikaele e fez um sinal de negativo, para ela não falar nada.
—Estamos mudos! – Ela revirou os olhos, e se afastou para poder voltar a limpar de onde estava.
Com três pessoas, foi muito mais fácil limpar a casa de Piort. Mesmo que depois ainda precisaram novamente jogar água, estava mais do que perfeito. E estava muito melhor do que antes da pegadinha do grupo; porém, em um ou outro canto ainda tinha um pouco de purpurinas e tintas misturadas, mas, era muito pouco. Piort acenou, não agradeceu, nem disse nada, parecia mais irritado que antes de pedir ajuda.
—Eu preciso de um descanso. – Alois disse se espreguiçando sobre sua cerca. – Com certeza de um banho longo!
—Concordo. Porém, acho que ele deva ter ao menos agradecido. – Mikaele disse estralando as costas
—Ele nunca nos agradeceu... – Alois foi sincero. – Porque agora seria diferente?
—Isso é um trabalho escravo e não estou percebendo? – Ela perguntou com sarcasmo.
—O padrão é tão cruel... – Os dois começaram a rir. – Mas, não tanto quanto a mãe dele!
—Credo que mulher! – Ela o encarou. – Seus pais são nervosos também? – Alois negou.
—Realmente, eu preciso de um banho. – Ela acenou dando espaço para ele passar Com licença
—Toda. – Cada um se dirigia a porta de sua casa quando Alois parou de antes.
—Pede para suas irmãs nunca mais fazerem isso! Por favor! – Ela riu. – Sério! Quando eram só Juan e Gavin não envolvia ninguém! Tipo; eu.
—Vou tentar falar com elas. Não garanto nada.
—Mas, na próxima a gente some!
—Numa boa. – Eles começaram a gargalhar.
*
Depois de um banho e do jantar, Mikaele se sentiu tentada a sentar-se do lado de fora. Elas ainda estavam sem televisão, sem sinal de telefone, e ainda por cima com muito tédio. Jaqueline e Vitória estavam no quintal da vizinha da casa 5, Natalie, a que participou da “brilhante pegadinha”; enquanto se divertiam, ela foi obrigada a terminar de o livro que estava lendo quando Trümper os abordou.
E de repente alguém entrou no seu quintal. Ela sentiu a presença de alguém.
Ela deu uma olhada, era Piort!
Deviam arrumar um portão.
—Mas, o que você quer dessa vez? Já está de noite e.
—Eu vim agradecer... – Disse Piort revirando os olhos e olhando para o lado.
—O que? – Mikaele inclinou a cabeça.
—Agradecer. – Ele repetiu.
—O que?
—Eu. Vim. Agradecer.
—Veio o que? – Ela fechou o livro que estava vendo, não lendo, eram apenas imagens.
—Eu vim agradecer por você e o Dillard me ajudarem a limparem a casa.
—Ah sim... – Mikaele riu. – Eu ouvi da primeira vez.
—Então porque ficou falando “o que”? – Ele esbravejou.
—Para ter certeza que eu estava ouvindo direito. – Ele revirou os olhos e respirou fundo olhando para o alto, como se não quisesse olhar diretamente para ela.
—(...) Minha mãe. Disse que eu tenho que agradecer vocês dois. – Piort ainda olhava para o alto.
—Mamãe mandou foi?
—Que?
—Quero dizer que ela é uma mulher inteligente! – Ela disse colocando o livro do seu lado perto da porta.
—Hunf... – Ele olhou para o lado. – Com o Dillard eu me entendo depois. Ele é homem. Mas, você é uma menina! Foi o correto a se fazer. Pedir... Desculpas pessoalmente. – Mikaele começou a rir.
—Olha! Engraçado isso; você percebeu isso agora? Porque quando estava quase deslocando o meu pescoço nem tinha isso na cabeça... – Ele passou a mão na cabeça e apertou a própria nuca.
—Eu estava nervoso!
—Ou queria me mat.
—Eu vim agradecer! – Ele gritou se aproximando dela com tudo; foi tão rápido, como um soco. – Certo? – Ele rangeu os dentes. – Por isso fui eu que fiz...
Piort colocou algo no rosto dela.
—Você quem fez? Uau!? – Ela estava confusa.
—Aan; toma! – Ele entregou um pote com um bolo, Mikaele ficou realmente surpresa.
—Oh; obrigada!? (...) – Ela pensou um pouco. Talvez muito. Piort empurrou o pote em suas mãos. – Um pedido de desculpas cairia muito bem agora.
—Desculpas!?
—É! Por quase ter me matado. – Ela disse rindo, e se levantando.
—Eu já disse que estava nervoso!
—Hãn! Por isso mesmo, deve ter ao menos uma desculpa né; meu querido...?!
—Não!
—Como não? É tipo: desculpa, por favor, com licença, obrigado... As palavrinhas mágicas. – Piort revirou os olhos.
—Você é igualmente irritante ao Dillard. – Ele mordeu os lábios com força, como se fosse conter a raiva, que era o que estava fazendo. – Porém, se fosse um tempero seria pimenta de tão evitável. – Ela já estava sentindo o soco, um murro, um enforcamento, porque Piort se aproximou muito dela. E pelo breu da noite, e a luz da lua; morte certa. – Você é insuportável de doer a espinha!
—Eu imagino que (...) – Então se aproximou, e a segurou pela nuca com menos força do que segurou em seu pescoço naquele dia; e colocando a outra mão na sua cintura, a aproximou dele. Fazendo seus lábios se juntarem em um beijo; fazendo Mikaele se arrepiar de surpresa e medo. Era a última coisa que ela imaginou que Trümper faria.
Um beijo!
Ele estava beijando ela e mesmo com um pouco de força, tinha calma e raiva nele. Quando ele se afastou ela ficou meio desnorteada. – (...) sim... Erh. Aan. Somos irritantes. – Cada pelo do corpo da garota se arrepiou. Ela respirou fundo olhando para o chão. Até que ele tocou em seu queixo e o ergueu na altura do seu rosto.
-Eu odeio cozinhar para outras pessoas! Então, Agradeço se apreciar e comer ele inteiro.
—Então.... – Ela ia dizer “porque cozinhou então? ” Mas, estava tão desnorteada, desestabilizada que não conseguiu dizer algo. Ele se virou para ela.
—Ia dizer algo? – Ela negou com a cabeça. Ele sorriu fechando a cerca bem devagar. – Que pena; seus lábios são (...) interessantes... Adoraria que falasse mais alguma coisa. – Mikaele respirou fundo. – Kalinihta.
—Aan?
—Boa noite. – Ele deu aquele sorriso de malicia, misturado com ódio no coração.
E do mesmo jeito que apareceu entrou de casa batendo a porta com tudo.
Mikaele ainda se mantinha incrédula, de boca aberta e sem reação; até que se viu obrigada a sentar na varanda e processar tudo o que acabara de lhe acontecer. O agradecimento, o bolo, o beijo, Trümper...
(...)
Porque? Ela precisava se recuperar, tomar consciência. Se estabilizar.
Enquanto esperava viu suas irmãs entrarem correndo dentro de casa, estavam rindo e com algo nas mãos. Talvez fosse para a próxima pegadinha. Ela devia falar com elas, mas... Mas, naquele momento não, ela estava tentando entender o que havia acontecido. Simples, Piort a beijou.
Depois de quase tê-la enforcado várias vezes.
O cara era um sadomasoquista de primeira.
Um tempo depois, de se sentir completamente estranha, viu Alois abrir a porta de casa e olhando para a casa ao lado da sua. Ele ia chamar o Jared Zhang, Mikaele se levantou rapidamente e se aproximou da carca.
—Eih Alois! – Ela chamou. – Tudo bem?
—Oi Mika... Mikaele. – Ele inclinou a cabeça para o lado, estava descalço, por isso quase escorregou na madeira da varanda. – Estou bem sim, e você? Tudo bem?
—Olha quem fez bolo! – Ele ergueu uma sobrancelha.
—... Você?
—Não. O Piort!
—Oi? O que? – Expressão de surpresa. – Como? – Confusão. – Está inventando!
—Não estou não. – Ela riu. – Não inventaria uma coisa dessas, porque essa é a última coisa que eu imaginaria que ele fosse fazer! – Ela foi para o seu quintal.
—Céus! Ele se aproximou. – Vejo não acredito! Imagino e reflito não creio! É sério isso?
—Bom; ele disse que é em agradecimento por ajudar a limpar a casa; que também é para engolir tudo, então.
—É bem a cara dele dizer uma coisa assim. – Alois colocou a mão no queixo. – Tem certeza?
—Ele dividiria um bolo que a mãe dele fez para ele?
—O destruiria. Jogaria fora...
—Significa...
—Que ele realmente fez. – Alois estralou a língua na boca. – Inacreditável.
Mikaele acenou positivamente.
—Quer dividir comigo? – Perguntou sorrindo.
—Hãn; tem que ver se não tá envenenado primeiro. – Eles olharam para o bolo por alguns instantes.
—De fato. Mas; eu acho que não... – Alois sentou no muro da sua varanda e a convidou a se sentar também.
—Já ouviu falar do leve termo “Presente de Grego”?
—Sim. Algum presente que trará prejuízo? Certo? – Ela se sentou. – Tipo, o que aconteceu na Guerra de Tróia não é? – Ele concordou.
—Então você entende de referências.
—Vou mais pela mitologia grega. – Alois riu.
—E eu vivo a mitologia diariamente. – Ele disse olhando para cima.
—Vive? – Alois passou a mão no rosto e em seguida se espreguiçou por completo.
—Eu estou com sono. Desculpe.
—Não peça desculpas por estar com sono. Mas, já?
—Digamos que Piort mora do outro lado da rua! – Ele apontou para casa e os dois começaram a rir. – Como se consegue dormir? Quanto mais cedo eu dormir, mais eu durmo!
—A gente vai comer o bolo ou não? – Ele fez um bico.
—Quem fez?
—Piort disse que foi ele!
—Ouh. – Ele fez uma expressão de surpresa e medo. – Eu não sei se ele realmente fez... – Parecia tão incomum. – A gente experimenta; certo?
—Certo.
—Espera só um minuto que eu vou pegar uma faca. (...)
Alois entrou dentro de casa, depois de pouco tempo voltou com uma faca e havia colocado meias soladas; dando totalmente o ar de um garoto que podia deitar em qualquer lugar e iria dormir. –Se estiver bom; o que eu duvido, será uma surpresa. Já se estiver ruim(...)
—É compreensivo!
—Isso.
—Mas, antes, eu preciso ver se está envenenado.
—E dá para ver assim, só de olho?
—Dependendo do veneno. Se for um que faz efeito depois de um mês, ou uma semana, não dá. – Quando eles abriram o pote ficaram surpresos. Pois, não era um bolo comum como imaginavam. Era um bolo com racheio e mousse. Uma coisa muito caprichosa, no estilo de um confeiteiro profissional. Alois encarou Mikaele.
—Se me falassem eu não acreditaria! – Disse Mikaele notando que havia confete no mousse.
—Eu vendo não acredito! (...) Agora sim, é mais perigoso porque, foi num cavalo gigante de madeira que os gregos entraram em Tróia. – Ele se virou para a garota encantada com o capricho e perfeição do bolo. –Tem certeza que ele quem fez?
—Certeza eu não tenho. Mas, ele disse que “não fazia bolo pra qualquer um” – Alois estreitou os olhos. Tirou um pouco do mousse e cheirou. Esperou por um tempo.
—Vamos esperar uns minutos. Na pior das hipóteses... – Ele voltou para dentro de casa e um tempo depois, voltou. – Bom, acho que podemos comer.
—Você acha?
—Não tem nenhum cheiro diferente ou cor diferente... Apenas é, surpreendente.
—demais.
—O que foi que ele disse mesmo? Que não cozinha para ninguém? – Ela acenou positivamente. – Que tal, só de pirraça, a gente dividir ele com as suas irmãs? – Mikaele pensou um pouco, e riu.
—Acho que seria uma ótima ideia! Mas, e se realmente estiver envenenado? – Alois tirou oito pequenas ampolas do bolso.
—Antídoto. – Mikaele olhou surpresa.
—Como você tem isso?
—Piort é meu vizinho. Eu tenho que estar preparado.
—Lutar seria uma boa ideia, não?
—Para perder meus dentes? Nem pensar.
~>
As irmãs Lueffe se reuniram na varanda de Alois, cada uma com um pedaço de bolo na mão, rindo porque além de estragar a casa do Trümper, estavam comendo um bolo que ele fez.
—Então, sua mãe trabalha no que? – Jaqueline perguntou.
—Minha mãe é neurologista. Agora, ela está trabalhando com a Força Aérea.
—UUUUH.... –As irmãs falaram.
—Que chique.
—Então você é rico. – Vitória falou e ele negou.
—Minha mãe é. Eu não.
—E seu pai? – Alois engasgou com o bolo, a pergunta foi inesperada.
—Aan... Bem, ele também é neurologista. Só que, a especialidade é.... – Ele pensou um pouco. – Verificar o sono das pessoas. – Ele quase morreu para falar isso. – Mas, e os pais de vocês? No que eles trabalham?
-O pai é engenheiro. A mãe, pediatra. – Jaqueline começou dizendo. – Ao menos, eles eram; agora, eles arrumaram um trabalho super secreto.
—Porque?
—Obviamente, somos foragidos da justiça! – Vitória exclamou.
—E agora estamos morando e morrendo nesse meio do nada, nesse fim de mundo.
—Hey! Eu moro nesse fim de mundo! – Alois reclamou. – O que não é tão ruim... É só... Aan. Vocês duas estão se divertindo! – As duas se olharam. – De todo não é tão ruim assim...
—De fato, é péssimo! – Exclamou Vitória. – Apenas zoar com o branquelo é divertido.
—Até porque não são vocês que limpam a casa dele. – Mikaele reclamou.
—E vocês limpam? – Os dois ficaram quietos. – Vocês são trouxas! Eu deixaria como estava... – Falou Jaqueline.
—Mas, aí não ganharia bolo! – Falou Mikaele.
—Que pode estar envenenado....
—De fato. – Alois disse entregando uma ampola para as garotas. – Não tem gosto ruim; qualquer sensação diferente deve ser avisada.
—E se nós formos envenenados? – Jaqueline perguntou.
—Eu tenho números de emergência. Amigos da medicina!
—E que tipo de amigo você é? – Vitória perguntou.
—Amigo do sono! – Ele disse rindo. – Ou da sobrevivência. O que ocorrer no momento.
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