Semideuses do Zeyggterasu

21 Um Desastre Acontece Quando o Último é Esquecido


Notas iniciais
I'm Back. Again.☺ ♠ Não houve "Kathy Day" ou "Kathy Week". Então imaginei, minha maior fã e inspiração poderia ter algumas surpresas. Não estou prometendo um " Kathy Month". Mas, estamos começando o mês com SDZ porque recordar é viver♥ ~Tudo ao redor pode estar sendo horrível, mas você merece.~ Capítulo novo♥


Dizem que somos o que somos. Mas não temos que ser.

Tenho um mau comportamento, mas faço isso da melhor forma.



Quando o sol nascia, a primeira questão era: “em que Bairro o sol nasce primeiro?” No Bairro do Sol nascente, o Nippon? Será que Rá iluminava tudo rapidamente, ou a carruagem do sol fazia a estrela de fogo subir aos céus? Entretanto não importava, era apenas uma pergunta curiosa que muitos faziam. Porém, aquele bairro era conhecido como a terra do “sol nascente”. O Bairro Japonês emanava uma harmonia tranquilizadora por todos os lugares, ao redor, em cada fresta de cada casa; junto com o seu torri da cor vermelha, os talismãs e imagens do Baku onde era comum serem colocados sob o travesseiro para afastar os maus sonhos e maus presságios junto com seus chochin, (as lanternas tracionais feitas de bambu), que decoravam como se sempre fossem novos. Com as palavras de sempre: “Paz, Sinceridade, Prosperidade, Felicidade, Riqueza, Trabalho Duro e Vida Longa.”.

Era comum que os habitantes mais novos saírem cedo para regar as plantas e o jardim, e os que mais velhos varressem as calçadas, era apenas um ritual matinal, comum, simples, para todos os moradores o clima de verão era adorável, sempre uma estação de calma e férias.

Havia uma exceção no bairro.

Em uma casa de três andares visivelmente mais antiga, afastada das casas mais novas e modernas uma frase sobre a porta dizia: “Nunca se pode sair do submundo”. As paredes ao redor da porta continham talismãs, amuletos, inúmeros adereços, uma típica casa japonesa do século 18, mesmo sendo mais antigo, seu visual era agradável, porém não convidativo.

Jae se sentou sobre o colchão e suspirou, passando a mão nos cabelos e olhando para suas mãos as frases escritas nos dedos até os pulsos, os olhos cansados se adaptavam a luz e o ambiente, estava sonhado ou estava acordado? Acontecia muito quando ele tinha entre dois a cinco anos, tudo era muito palpável, sentia e respirava. Dedilhou o indicador, o anelar e o mindinho sobre o tatame, arranhou o tecido resistente e assobiou o que fez o chão tremer levemente. Acordado.

Jae Ronswell estava acordado, sem criaturas demoníacas, sem cheiro de espíritos de fuligem, sem barulhos de torturas e fora do Yomi-no-Kuni (Mundo das Trevas/submundo) um alívio genuíno. Nenhum deus havia removido ele do bairro Nippon.

-Dibun de iyou. Anatawa hitorijanai. (Seja quem você é. Você não está sozinho.) – Elebocejou e se espreguiçou em seguida estralando as costas e pescoço. – Estarei bem se tudo ficar bem. – Ele rasgou o papel que estava sobre a cabeceira com a palavra: “Omamori” (Proteção) e jogou para cima, assim que o fez conseguiu ouvir passos rápidos vindo em algum andar da casa, rápido, devagar, suave e pesado. – Ohayo. Já estou acordado. – Uma lufada de vento o derrubou do futon para o chão, o impacto não foi forte mais o pegou de surpresa.

-Ohayo Nii-San! – O Zashiki Warashi sorria para ele. Ele era o espírito mais forte de sua casa, sendo o espírito que Jae mais interagia. – Do que vamos brincar hoje? Bola? Esconde- esconde? – Antes de Jae responder, sua gata de duas caldas laranja e branca passou pelo seu rosto. – Saí daqui Kaori!

Antes que o garoto pudesse se envolver a gata pulou em cima do espírito aumentando de tamanho monstruosamente; para qualquer outra pessoa seria assustador, mas aquele era o dia-a-dia doméstico de Jae que observou por alguns instantes e depois cruzou os braços.

-Ohayo... – Disse tranquilamente enquanto as duas criaturas brigavam entre si, até que o espírito mordeu o rabo da gata que deu um miado estrondoso. – Kaori, Kaito! – Ele elevou a voz um pouco e se sentou no chão de pernas cruzadas. – Que coisa feia os dois brigando. Eu tenho tempo para os dois..

-Ele começou. – Kaori era uma gata yokai, uma nekomata doméstica, ela era velha para uma gata com seus lindos 47 anos adotando o semideus três anos atrás. – Ele não gosta de mim, então eu não preciso gostar dele. – Jae olhou para o Zashiki Warashi erguendo a sobrancelha esperando ele se retratar.

-Não. Nii-San!

-Por favor, Ototo... – Jae implorou com um tom pacifico, sem se esforçar realmente.

-Não quero!

-Você é um garotinho muito irritante!

Quando os dois voltaram a lutar e discutir com um pequeno sorriso, Jae saiu do seu quarto caminhando até outro quarto mais amplo e distante, onde havia um santuário doméstico, pequenos altares pelas paredes do cômodo. No pequeno altar principal havia a foto de um homem com um terno preto. No outro quadro era de uma mulher com um quimono de outono e o último quadro continha um de 17 a 25 garotos com roupas de década passada. Ele pegou um sino, tocou duas vezes em seguida acendeu uma vela e foi aos poucos acendo os incensos para cada morto junto com uma tigela de arroz. Com o corpo leve se sentou de pernas cruzadas meditando e orando.

Antes das formalidades ele pegou um grande pergaminho havia o nome: “Nishimura” com algumas palavras, que ele não escreveu mais sempre lia.

Eu estou feliz porque você está aqui. O garotinho que estava sozinho procurando gravetos na neve para cozinhar e aquecer a própria casa. O que você planejava fazer? Nada, pelo que você vivia? Por nada. Que desejo você queria realizar? Ser útil pelo seu esforço, recompensado pelas suas lutas internas, sacrificando seus desejos pelo bem estar dos outros. Você abria a boca e sentia os lábios gelados; com seu sorriso quero ainda ver nas flores do amanhecer, a chuva de verão iria te aquecer e bebendo doses de suco você não vai estar sozinho. Na despedida você pode parecer solitário agora está muito bem acompanhado.”


Ele suspirou soltando o peso das palavras sobre os quadros fechando o pergaminho.

-Ohayo Oyabun. Como o senhor está? Eu ainda estou aqui, seu filho adotivo Jae, está sempre aprendendo. Ouvindo, sobrevivendo e vivendo. Agradecendo por ter me acolhido contra a doença de Minamata, nunca poderei retribuir por me acolher... – Houve uma pausa, ele respirou fundo não gostava de lembrar e não queria lacrimejar. – Okasan, a senhora deveria ver como eu estou me saindo, salvei uma vida; claro, pedi ao Paul, mas fui quem o chamou então eu ajudei. Enfim; sinto sua falta, seu espírito acolhedor... (...) Eu ainda sou leal e obediente; porque ninguém valorizava quem eu era de verdade, eu tive muitas coisas graças a vocês e agora eu tenho mais. Obrigado pelo apoio, amor, aparo, ajuda, me tornando forte para ajudar os fracos. Arigato gozaimasu. (Muito obrigado)

Após a oração, ele bateu palmas uma vez e se curvou e antes de se levantar tocou o sino novamente duas vezes pegando a tigela de arroz branco com seus hashis começou a comer. O silêncio na casa ás vezes era bom enquanto outras vezes era incomodo. Naquele cômodo, além do templo doméstico havia proteções extras para nenhum espírito ou demônios; como amuletos de bem-aventurança, talismãs feitos de pequenos pedaços de papel envolto em tecidos com o nome de um dos sete deuses da sorte. Ocasionalmente havia orações para sua proteção, prosperidade, felicidade e a realização de quatro desejos.

1-Não deixar o passado o assombrar.

2-Manter a mente focada no agora.

3- Controlar os espíritos dos sonhos.

4-Passar em uma boa faculdade.

Era incomum se sentir inquieto em sua própria casa, por isso meditou por uma hora, colocando seus pensamentos e obrigações em geral. Quando saiu do quarto, brincou um pouco com o Zashiki Warashi; ele não tinha um nome fixo, todos os dias os nomes mudavam, o espírito criança nunca se lembrava de qual era o seu nome e ter um nome não importava porque ele tinha a Jae. Esse era o nome que a sua mãe decidiu chama-lo de Jae. Susanoo e algumas entidades o chamavam de Katsuo (vitorioso, herói, refúgio da vitória) não deixaria que seus amigos o chamassem assim, ele não queria ser o herói, nem o refúgio para outras pessoas, sua vida já era conturbada o suficiente. Quando terminou seu arroz e agradeceu seguindo sua rotina de verão.

Ele alimentou os yokai da casa os domésticos em cada canto da casa como nas frestas, quartos, quadros, madeiras, nos cantos do seu jardim, nas árvores ao redor de sua casa para cada tipo de espírito para sua sorte ou azar ele conhecia e via todos eles. Era interessante para um semideus como ele. Quando finalmente terminou de alimenta-los começou a organizar seus pertences nos armários e guarda-roupa do outro cômodo, sabia que a casa era grande demais para uma só pessoa morar, mas era do tamanho certo para dezenas de espíritos habitarem.

Quem o estava ajudando era uma bela mulher na verdade uma Jorogumo, uma yokai que é um tipo de aranha sobrenatural que possui habilidades mágicas. Vindo de uma espécie grande e colorida de aranha que ao atingirem 400 anos de idade são capazes de se transformar em belas mulheres para seduzirem homens com sua aparência encantadora. O que não foi o caso de Jae, antes da mulher aranhão atacar, ele selou seu espírito e a colocou como sua ajudante principalmente com suas oito patas e duas mãos.

-Você poderia jogar metade dessas fotos fora. – Jae bufou e riu negando e retirando mais caixas do guarda-roupa. – Você nem se lembra do nome de todos eles...

-Lembro. De uma parte deles. – Ele diz se aproximando do álbum de fotos e apontando para alguns rapazes. – Esse é o Ícaro Lewis morto no Cairo, esse é o Yago Monteiro, sobreviveu ao ataque das duas torres. Pedro Fonseca preso em Bermeja temporariamente. – Seu dedo arrastou para outro rosto. – Esse é o Hendrix, preso na Hy Brazil á uns anos por algumas décadas; esse é o Begpep. – Ele sorriu apontando para o seguinte, um rosto mais animado e sujo. – E na verdade, esse, é essa! Felicity Mc Cormick, do Conselho Egípcio. Ela apenas se vestiu de homem. – A yokai o encarou e ele sorriu largamente.

-Não faça essa cara Maruyama, “Um desastre sempre ocorre quando o último é esquecido.” Não queremos que aconteça outro desastre e eu não esqueço nenhum deles! – Os olhos da yokai o fitaram com uma expressão tensa, cruzou os braços e começou a murmurar:

-Você se lembra dos nomes; mas você realmente se lembra do que aconteceu da última vez? – Ela sussurrou seco. – O desastre não vem de esquecer um nome. O desastre vem do peso de tentar se lembrar de tudo. – Jae ergueu uma sobrancelha sem entender a arrogância.

-O que você quis dizer com isso? O último desastre não foi tão ruim... – Ele olhou para o álbum de fotos mudando as páginas. – Se eu me esquecer deles, pode ser pior. – Era o seu DNA não querer esquecer, era um ciclo de renascimento se lembrar de alguém é um laço mantido enquanto eles ainda estavam e estiverem vivos.

Os olhos dela se estreitaram e o ar ao redor ficou mais pesado.

-“Não foi tão ruim?” – A voz saiu mais baixa, fria se aproximando dele. O que fezsentir o cheiro de incenso e de terra molhada. – “Você não se lembra do gosto de terra e sangue misturados na sua boca? Do peso do lodo na sua roupa? Do frio que te pegou quando a chuva parou e você deitou no chão, exausto?” – Ela se inclinou suas garras tocando de leve uma das tatuagens em sua mão. –“O desastre não é esquecer um nome, Jae. O desastre é quase ser esquecido por ter tentado se lembrar de tudo.”

-Para uma yokai de 500 anos você está muito estressada. – Ele disse em um tom sarcástico tentando aliviar a tensão entre os dois.

-Eu não estou estressada. Só estou te lembrando, Jae. Lembrando-se da última vez que você achou que uma lembrança era o bastante. – Ela disse novamente com um sussurro sombrio, ele revirou os olhos e deu de ombros rindo com um pequeno deboche.

-Estou lisonjeado pela sua preocupação... – Sua voz saiu falsa, não gostava de lembrar suas dores, entretanto se lembrar dos amigos era essencial.

Seu momento de organização, memórias e conversa foi interrompido por batidas incessantes na porta. Jae juntou as sobrancelhas e olhou para a Jorogumo.

-Está esperando alguém? Convidou algum outro yokai?

-Se eu estivesse não bateria... E claro você saberia. – Ele revirou os olhos e foi descendo os degraus dando de cara com Begpep. Paul. Seu rosto foi empalidecendo aos poucos.

-(...) – Ele ficou boquiaberto por um momento.

-Ohayo! Não sei se você já almoçou... Konnichiwa! – Begpep começou a falar, Jae respirou fundo e olhou para dentro de casa sentiu o peito pesar. O japonês levantou um dedo, entrou em casa fechando a porta com força na cara de seus colegas.

-Um desastre não vai acontecer. Pelos deuses! Yo! Mata Ashita! Ittekimasu... (Oi! Até amanhã! Estou indo...) – Houve o barulho de cada espírito e entidades se escondendo e sumindo, deixando um pouco de bagunça, no hall de entrada. Apenas o espírito criança ficou embaixo da escada o observando, Jae fez um gesto para ele ficar tranquilo, enquanto ele colocava uma camiseta leve e calça de verão. Ele suspirou, arrumou o cabelo e abriu a porta com um largo sorriso. – Que surpresa, o que vocês querem? – Perguntou sem demora. O arredor da casa de Jae estava alagado como se transbordasse um rio, mas era o cheiro de água do mar, bem forte fazendo Paul virar o rosto com tudo tampando o nariz.

-Não devíamos ter vindo? – Begpep perguntou sorrindo, o japonês negou e caminhou até o grupo.

-Ao-Sagi-no-hi... – Jae falou calmamente olhando para Begpep e colocando a mão no seu ombro.

-Ao o que? – Armin franziu a testa sem entender.

-Aonosagi. Garça Real do Fogo Azul. É como eu chamo o Begpep... – Ele sorriu tranquilamente de novo. – Na verdade é como o bairro Nippon o chama. O filho de Anúbis que emana fogo azul.

-Obrigada. – Begpep agradeceu colocando a mão sobre o peito como se estivesse em um palco.

-Mas; nessa lenda; essa “garça” – Paul fez aspas com os dedos. – Não foge do contato humano, mantendo sua timidez? – Jae acenou positivamente.

-É que eu sou um Aonosagi diferente. – Begpep riu. Jae olhou para o grupo cruzando os braços. Alexei, Armin, Begpep, Paul, Steffano e os três novatos: Raoni, Edward e Pietro. O único que não se encaixava no grupo era o irmão de Paul que parecia entediado.

-Então por fim, nós estamos juntos; fora dos olhos da lei. – Jae sorriu, quase que maliciosamente ignorando Steffano. – E devo dizer que não nos juntamos á um bom tempo. – Ele mordeu os lábios. – Isso porque nossa garça azul real saiu do seu reino trevoso para nos reunir?

-Podemos dizer que sim. – Begpep falou jogando o cabelo para trás enquanto simultaneamente o grupo tampou o rosto com os braços. – Eu não fiz nada! Não ia enfeitiçar vocês.

-É muito melhor prevenir, do que... Sofrer. – Um rapaz de olhos castanhos claros, cabelos pretos com um coque moicano preso, pele bronzeada quase dourada, e com uma risca azul sobre o nariz disse em tom óbvio. – Nunca dá para saber quando você usa esse maldito charme egípcio maligno. – Esse era Raoni, o semideus Guarani, com um sotaque divertido e uma expressão divertida.

-É muito estranho ver a gente de bermuda, regata, tênis e... – O garoto de cabelos pretos desgrenhados com galhos e folhas de árvore enrolados nos cachos, seus olhos eram verdes claros como a grama, e sua pele sépia; ele começou a apontar para os demais que seguiam seu dedo.

-Begpep do submundo! – Exclamou Armin reparando naquele momento. – Você não tá com calor não? Com essa calça, faixas... Aan...

-Eu sei que todos vocês queriam ver o meu corpinho. – Ele gargalhou. – Mas, não dá pessoal!

-Como vocês chegaram vivos... – Jae parou de falar focando em Steffano. – Você trouxe o seu irmão? – Houve uma pausa. – Isso é sério?

-Ele não sai sem o irmão. – Begpep disse explicando para Edward e Raoni. – Ele é a babá do Paul. – Steffano revirou os olhos.

-Ainda assim Paul? – Jae colocou as mãos em volta do pescoço. – Nem o Rowell veio com aquele guarda-costas insuportável do Seward.

-Fizemos uma baita operação fantasma para isso ocorrer. – Alexei falou com euforia.

-E custou vários atalhos e tempo perdido. – Completou Raoni cruzando os braços.

-Mas, estamos vivos... – Begpep disse com entusiasmo.

-Nem o guarda profissional de Begpep veio. – Armin disse com tom divertido.

-Porque na verdade, Begpep é insuportável! – Pietro finalmente falou, seus olhos âmbar brilhavam com intensidade, seus cabelos ruivos acobreados também brilhavam como se purpurina tivesse sido jogada nele. Nem a pele clara e cintilante parecia estranha para ele. Ninguém estranhou. – Arrastou todo mundo como se fosse um foragido!

-Gente, vocês também não são impossíveis de se aturar. – Falou Begpep com um tom irônico. – Sabiam disso?

-Mas, porque aqui? Na minha casa? – Jae indagou.

-Dois belos motivos. Um: Eles têm medo de você... Como eles te chamam mesmo?

-Kichigai... – Jae falou tranquilamente. – Eu sou um: “louco retardado” mesmo. – Deu ombros. – Eu não me importo. Qual é o segundo motivo?

-Porque na floresta japonesa, não é qualquer um que se atreve a atravessar. Você não se perde na floresta. A floresta é que te perde! – Jae então fez uma expressão curiosa; colocando a mão no queixo e ergueu uma sobrancelha.

-E como vocês o fizeram? – Ele olhou para o lado da floresta. – Oito então...

-Kodamas. Pedi ajuda para chegar aqui. Para mostrarem o caminho; para nos deixarem passar.

-Ah, você fez muito bem. – Houve uma pausa. – Vocês vêm sem me avisar, podiam ter me ligado! E aparecem do nada? E se eu fosse fazer algo hoje? E seu eu já tivesse em um compromisso?

-Sabemos que não ia...

-Não?!

-Lógico que não... – Pietro falou tentando tirar o brilho com corpo. – Você entre nós é o que faz menos coisas aqui.

-Perdão Pietro... – Jae levantou as mãos rindo. – Eu não sabia que você lia o futuro também.

-Você lê? – Perguntou Alexei animado.

-Não; ele não lê. – Houve uma pausa. – Não é?

-Só Armin faz isso aqui. – Falou Paul tranquilamente. – Não é?

-Eu não leio, nem prevejo o futuro!

-E que merda você faz? – Pietro indagou e Steffano ficava revirando os olhos o que incomodou Jae.

-Steffano, eu sei que você não quer estar aqui... – Jae se aproximou do garoto, estralou os dedos e em seguida fez um gesto para Pietro que mexeu os dedos, acompanhando de Begpep como se recitasse um feitiço sussurrado. – Você está entediado, eu diria...

-Pensando em uma semideusa! – Pietro sussurrou o que fez Steffano concordar meio tonto, Paul apenas franzia a testa e antes de retrucar Jae tampou sua boca. – Ela é bela. Muito fora dos seus padrões...

-Katherynne Karlan está esperando você na casa do Thomas Nguyen. – Begpep falou sem parar para respirar. Paul se afastou para negar antes que visse o irmão indo em direção ao bairro Helênico.

-Que porra vocês estão fazendo? – Paul tentou agarrar a regata do irmão mais foi impedido. – Ele vai se perder! Vai morrer!

Raoni revirou os olhos e Edward deu uma pequena risada.

-Ele só vai voltar por onde veio. Calma... – Pietro disse rindo.

-E nem vai se machucar. – Begpep complementou rindo e olhou para Jae. – Ele nem é um de nós.

-Aah. – Jae respirou fundo e passou a mão sobre os cabelos. – Steffano também é um fofoqueiro. Então vou precisar arrumar uma celebração do chá?

Armin acenou mais Edward fez um gesto para ele não concordar.

-Temos muita coisa para conversar... – Begpep deu um passo para frente e bateu a mão fechada na de Jae. – Começa com uma fofoca...

Jae fechou os olhos e mostrou um dedo para eles esperarem. Ele abriu a porta e deu um passo para dentro.

-Tadaima! – Ele exclamou para dentro da casa, esperou um pouco antes de entrar na casa. Raoni estreitou os olhos e olhou para Paul sussurrando.

-Ele não mora sozinho? – O outro confirmou, foi quando Jae entrou em casa e fez um gesto para os demais entrar.

-Não se sintam muito a vontade; eu não queria vocês aqui. Tirem os sapatos coloquem no piso baixo, sem meias e não toquem nos quadros, pilastras, vasos, tapeçarias, não entrem nos quartos, não olhem pelas frestas dos móveis, não encarem os quadros. – Begpep começou a remendar ele enquanto entrava e retirava os sapatos e o outro apontava pela casa e os guiava até a sala do chá, então ele se virou e apontou para o egípcio. – Para com isso!

-É sempre a mesma frase...

-Nii-San? – O Zashiki Warashi estava na sala de chá, tinha acabado de atravessar a parede para a sala quando os semideuses começaram a entrar, o que fez Alexei tremer hiperventilar e antes de dizer alguma coisa desmaiou. Todos se afastaram para a queda.

-Aah Alexei! – Exclamou o grupo e Jae revirou os olhos.

-Diga Ototo. – Jae se aproximou do espírito e recebeu o envelope que ele trouxe e fez um gesto para o grupo se sentar sobre os tapetes acolchoados ao redor de uma mesa baixa de madeira ignorando o corpo de Alexei na entrada da sala. – Obrigado. – O espírito infantil acenou e sumiu pelas paredes, com exceção de Paul e Begpep que não estavam surpresos os demais por outro lado continham o pânico e o medo silenciosamente. – Qual é a fofoca?

-Existem novos moradores na casa helênica 07. – Begpep falou com um leve sorriso no rosto, Jae estreitou os olhos e inclinou a cabeça absorvendo a informação. – Chocante não é?

-Desde quando?!

-Alois me contou depois que o egípcio comentou que poderiam ter invasores na casa. – Paul disse com um tom entediado.

-Não! Havia feitiços naquele lugar o que aconteceu com os semideuses... – Jae começou a falar quando Pietro levantou a mão, como se pedisse permissão para falar.

-Eu verifiquei, foi removida, e não pelo Conselho. – Armin inclinou a cabeça e olhou para Paul.

-Algum deus? Ou então, deuses? – Paul negou enquanto Jae ainda estava em choque passando a mão pelos cabelos.

-Quatro Semideuses quase morreram lá, e tipo agora tem moradores?! – Raoni bateu palmas rindo.

-Acertou! Eeeh!! – O outro franziu a testa pela comemoração. – Ué, você acertou, não quer receber os parabéns?

-Ok Afitomet, o que está acontecendo? – Ele apontou para Begpep que estendeu as mãos.

-Não sabemos, não fazemos ideia. Apenas estamos te informando. – O garoto estralou o pescoço. – Você entrou em contato com o local, algo diferente? Espiritual? – O outro negou.

-Só podem ser Semideuses novos, sabemos como isso funciona. – Edward falou em um tom óbvio. – Sempre que um semideus vai embora, um tempo depois novos semideuses ocupam as casas.

-Não eram crianças. – Beg começou.

-São adolescentes. – Paul deu continuidade.

-Esquecemos algum Semideus que sumiu? – Jae perguntou entre negando e evitando se lembrar do que a Jorogumo havia lhe falado. Argo? Págos?

Houve um silêncio na sala. Jae precisou se levantar para esquentar água porque depois dessa, ele precisava tomar um chá e todos iam o acompanhar.

Quando voltou e ofereceu o chá o assunto continuava.

-A gente tinha que se lembrar daquele insolente? – Armin resmungou ao se lembrar do ruivo Argo, o semideus que andava tanto com os gregos quanto com os romanos.

-Eu preferia me abster; mas, surgiu o assunto do nada. Porque não? – Raoni disse dando de ombros aceitando o chá.

-Porque não é uma boa ideia... – Jae murmurou.

-Por quê? – Beg bateu uma mão na outra e esticou o corpo com um sorriso no rosto gostando do rumo da conversa. – Não do Argo, ele é um nojentinho filho de Hera; mas porque não podemos falar do Págos? Aliás, ele é a carta que falta nesse grupo. Uma das cartas... Porém, não vamos negar que ele é uma das cartas mais essenciais que se existem até então.

-Ele realmente faz falta. – Jae disse se sentando e tomando o chá.

-Falta? A gente só se juntou por causa dele. E de mim, óbvio! – Exclamou Beg, ele era a chave para a criação daqueles Semideuses quem tinham poderes a mais do que seus pais imortais lhe apresentavam.

-E do elemento D! – Jae disse com calma tirando o foco de Beg.

-D? Distúrbio? – Pietro havia feito uma careta pelo nome, mas também porque o chá era amargo e triste.

-Deuteros. – Beg e Jae responderam.

-Segundo? – Perguntou Paul depois de muito pensar. Aliás, era isso que significava em que grego.

-Pelos deuses! Que horrível ter outro Deuteros; um já está bom. De ótimo tamanho... – Os dois riram, entretanto os outros não entenderam.

-Quem é Deuteros? – Raoni perguntou com curiosidade. – Ele é igual ao Bruno? – Apontou para Beg, que era assim que os Guaranis o chamavam. – Tem outro nome?

-Não, ele é um Semideus diferente. Filho de Lýssa, a deusa menor, personificação da loucura.

-Uma deusa menor? E ele é Semideus?

-Ela tinha outra importância na época. – Beg falou estralando o corpo. – Ele tem um jeito de se apresentar... Você se lembra como ele se apresentava?

-Claro. – Jae ficou de pé, em modo de interpretação para começar a falar: — “Deuteros! É meu nome, Deuteros de confusão e breve imaginação, loucura por fim; quem mais eu poderia ser? Dominador de água e fogo? Terra e ventos? Gelo e regeneração? – Houve uma pausa ele tentou se lembrar. – Maldição, Ator, Mestre, Ladrão?Não! – Jae respirou fundo. –Não me confunda. Só há um de mim.” – Ele olhou para o outro continuar.

-“Só um que os confunde agora. Agora e por todo tempo, digo, toda hora. Deuteros, Semideus, Imortal, filho da Loucura, imparcial; obrigado, muito prazer.

Eu adorei lhe conhecer!” – Ele fez uma reverência esperando aplausos, que apenas Pietro e Edward o fizeram.

-Pelos deuses, ele parece um monstro! – Armin exclamou enquanto Jae negava.

-Ele era demais; não “era” ele não morreu só que ele desapareceu por muito tempo... Depois ele apenas surge do nada, se apresenta assim dá uma risada diversificada fica um tempo no Colégio e depois some novamente.

-Então, ele é da Sessão Grega?! – Paulo indagou, mas ficou confuso. – Eu nunca o vi; tipo... Alguém extravagante assim não é difícil de identificar.

-Ele é o Semideus machucado? – Armin perguntou olhando para Beg para conferir, o que foi confirmado. – (...) Paul, é aquele semideus que á uns quatro anos atrás trouxe a filha de Apolo, a Natalie que estava perdida nos arredores de Angkor Wat... Lembra? – Paul negou, foi quando Raoni estralou os dedos como se descobrisse de quem ele falasse.

-É o mesmo Semideus que tirou o Guion o semideus Inuíte, do Triângulo de Michigan! – Raoni exclamou batendo as mãos também. – Ele é tipo um Semideus que resgata outros, some, volta. Cara, ele é maluco!

-Ainda não sei quem é... – Beg encarou Paul que não estava se recordando, lembrava dos resgates, dos semideuses, mas, não dele.

-Foi o Semideus que fez o Thomas surtar com o Conselheiro grego por ele ter pego o Thomas e a Katherynne juntos na sala de recuperação. – Houve uma pausa. – Aí depois do surto Steffano ficou gamado na Karlan e o Deuteros apertou sua mão dizendo..

-(...) – Paul teve um lampejo de memória e seu pescoço virou pela lembrança amarga. – “Fica me devendo dois sorvetes! Agora você tem um guarda costas.” – Paul se levantou com tudo irritado. – É ele? Ele é o Deuteros? Que cara insolente e desnecessário!

-Sim! – Os outros começaram a rir com a reação exagerada do Paul.

-Ele teria tido uma família? – Jae começou a se acalmar, talvez essa fosse a melhor explicação para ter moradores na casa. – E se mudado para a casa 07? – Houve um silêncio enquanto ele refletia. – Ele entrava e saía do Zeyggterasu como um deus ou uma entidade. E ele era mais humano que o Alexei. – Foi quando Alexei levantou a cabeça confuso. – Acordou?!

-Estamos seguros? – Ele perguntou tentando se levantar. – Vocês não viram um... – Todos fizeram sinal para ele ficar em silêncio. – Ah! Ainda bem, que era de verdade.

-Ainda bem? – Raoni indagou.

-É melhor ter sido real do que eu imaginando... – Pietro deu um sorriso e esticou a sua xícara para ele.

-Aqui, toma um chá. – Assim que Alexei bebeu ele engasgou com o gosto amargo, e quando tentou cuspir o olhar de desaprovação de Jae o fez engolir a força.

-Hmm. Adorável. – Alexei mentiu e disfarçou a careta. – O que eu perdi?

-Estávamos falando do Semideus que te resgatou quando te jogaram em Nan Madol. – Beg falou com calma.

Alexei ficou paralisado, se lembrava de quando foi colocado á força por semideuses brutais em uma cidade misteriosa construída sobre pequenas ilhas artificiais ao largo da costa de Pohnpei, na Micronésia. Era uma cidade que servia como centro cerimonial e administrativo para a dinastia Saudeleur. Ou seja, havia tantas coisas que o apavoraram até o momento: cada espírito, agressão, cada luz, cada ritual, cada animal, e então ele foi resgatado foi o melhor momento de sua vida, ele estava seguro. Ele deu um pequeno sorriso.

-Uau! Quem ele trará?

Não era uma coincidência, as fotos do dia, sua inquietação matinal e a surpresa inesperada dos seus colegas, quase amigos, presumidamente tanta novidade assim poderia acabar com a chance de ao menos três dos seus desejos se realizarem e Jae Ronswell odiava não ter controle sobre algo que ele planejou por um ano inteiro.

Notas finais
♪♫•*¨*•.¸¸❤¸¸.•*¨*•♫♪ •.¸¸.•´¯`•.♥.•´¯`•.¸¸.•.♪♫•*¨*•.¸¸❤¸¸.•*­¨*•♫♪ Capítulo abertura do mês ♥ ♥Eu sempre direi; estou aqui para vocês. Lady é o meu nome, e a minha imaginação é extremamente expansiva, criativa e magicamente adorável ♥ ♠Da sua Autora Semideusa criativa Favorita♠ ♣E uma salva de palmas para o nosso NOVO computador ♣ ♪♫•*¨*•.¸¸❤¸¸.•*¨*•♫♪ •.¸¸.•´¯`•.♥.•´¯`•.¸¸.•.♪♫•*¨*•.¸¸❤¸¸.•*­¨*•♫♪ (◡‿◡✿) Sempre acrescentando personagens para não serem esquecidos no churrasco. ♪♫•*¨*•.¸¸❤¸¸.•*¨*•♫♪ •.¸¸.•´¯`•.♥.•´¯`•.¸¸.•.♪♫•*¨*•.¸¸❤¸¸.•*­¨*•♫♪ ~♥~Um Beijo da Autora ~♥~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.