Semideuses do Zeyggterasu
3 Noite com um Final Ruim
Notas iniciais
Entre meia noite, e uma hora da manhã, no Salão da Yggdrasil, os quatro voluntários se apresentaram para Thomas e Peter; Alicia não estava mais lá, até porque Thomas não deixou. Já estava bem tarde.
—Obrigado por(...) – Antes de Thomas terminar a resposta, um garoto de olhos claros e de cabelos loiros o interrompeu irritado.
—O obrigado é só o mínimo que você poderia começar a dizer; você me acordou, me fez sair nesse breu de escuridão para que eu saia da escola e vá para as ruas? Você só pode estar louco mesmo. O obrigado é só o mínimo.
—E o que você quer que eu diga? Valeu? É sua obrigação ajudar porque gente da sua Sessão também está morrendo, e vamos honrar a memória deles e proteger os que estão vivos? – Gritou Thomas irritado. – Me desculpe se eu não sei o que dizer nessas.
—Você não sabe mesmo o que dizer. – Falou Peter sentado em um banco o interrompendo novamente, naquele salão haviam vários bancos e algumas mesas, era como um centro de descanso e de estudos; e agora era para dar ordens á um grupo em missão.
—Cala a boca Peter! – Berrou Thomas. – Então, eu preciso (...) Aan, qual é o nome de vocês mesmo? De quem são filhos? (...) Tem algo errado aqui.
—Cedric Harrington. – O loiro respondeu. – Monitor da Ala de Netuno. – O Romano, Thomas pensou e se arrependeu de ter pedido um romano. Ele nem se dava bem com romanos.
—Zachariay Uchimura; Monitor da Ala de Izanami. – Um filho de deus japonês; ele era um garoto de cabelos castanhos escurecidos e olhos prateados, ele era alto e tinha palavras japonesas tatuadas em volta do seu pescoço como se fosse uma gargantilha. E as palavras, ou frases estavam em seus braços, dedos, em uma boa parte do seu tórax.
-Taboo Harding; Monitor da Ala de Njord. – O garoto tinha os cabelos naturalmente prateados e olhos castanhos claros, possuía assim um piercing no lábio inferior e um arpão tatuado atrás da orelha.
—Jhon Leno Guevara; Ala de Nice. – Ele era um garoto magro, muito magro, dava para contar seus olhos, ele possuía um cabelo curto castanho e olhos castanhos claros, ele era um estilo militar; só que desnutrido aparentemente.
—Só? – Perguntou Thomas. – Eu queria um egípcio!
—Então... Você queria um Egípcio? – Começou Cedric. – Você sabe que egípcios não saem no escuro, não saem á noite, e obviamente eles não vão se arriscar, porque Rá, está lutando contra Apep. Nenhum viria.
—Discordo de você Cedric. – Falou Peter. – Acabou de passar um egípcio aqui na maior tranquilidade.
—É? Quem?
—Eu não sei o nome dele (...) Beg, Begn. – Peter olhou para baixo tentando pensar. – Uma coisa assim. Thomas passou a mão no rosto. – Mas, se chamassem ele...
—Begpep? – Perguntou Jhon Leno e Peter acenou. – Ah; ele não sai da escola; ele anda pela escola e.
—Chega! – Berrou Thomas fazendo um barulho de trovões ecoarem por todo o salão os assustando de imediato. – Calem a boca agora! Eu vou falar agora! Não quer que me interrompam a não ser que eu pergunte. Porque mandaram você Guevara? Você não é Monitor!
—Bom, nenhum outro Monitor quis vir, então me escolheram. – Thomas estralou o pescoço.
—Certo. Escutem e prestem atenção; nós falamos com uns Oráculos, e depois de muito estudar, achamos e temos uma pista, uma enorme pista. E se o Quadro estiver lá, alguma força vai protege-lo; se conseguirem passar pelas forças e recuperarem o Quadro, serão recompensados. – Zachariay deu uma risada. – Pois não Uchimura?
—Porque vocês não vão atrás do Quadro vocês mesmos? Se vocês acharam e tal?
—É mesmo Thomas; porque nós não vamos atrás do.
—Cala a boca Peter! — Dessa vez, raios emanaram de suas mãos e seus olhos escureceram ao som que mais trovões iam aumentando. – Porque já fomos! Nós já fomos! Todo mundo tem que contribuir com alguma coisa! E essa é a hora! – Ele olhou irritado para os quatro voluntários. – Casa nº 7; bairro grego. É pra lá que vocês vão!
—Mas,
—Só vão! – Thomas se sentou em cima de uma mesa para respirar depois daquilo tudo; ele consumiu muita energia utilizando o que foi para eles poucos raios e alguns trovões, mas para Thomas era uma dosagem grande. Eles tomaram uma distância razoável quando Cedric se virou para dizer alguma coisa e Thomas só levantou a mão. – Taboo é o Líder da missão.
-Droga! – Exclamou Jhon Leno. – Eu sou grego!
—Problema é teu! – Nessa hora Peter respondeu sorrindo e foi ajudar o primo. – Você está bem?
—Acho que sim.
—Não foi outro pulmão agora não é? – Peter cutucou seu tórax, e Thomas deu um tapa em sua mão.
—Não. – Ele se deitou em cima da mesa. – Eu acho que não.
—A gente devia ir com eles, não é? – Peter se sentou ao seu lado e começou a fazer carinho nos cabelos de Thomas, mas dessa vez recebeu um choque. –Eih!
—Para, eu estou bem. E eles vão ficar bem, tem muitos Semideuses de recesso, e qualquer coisa eles vão ajudar. – Peter riu. – O que foi?
—Você sabe quem teve recesso? – Ele olhou para o primo deitado no chão.
—Brenton?
—Também; mas, ele foi nós quem demos recesso para ele. Falo da Aspen; Van Aspen. – Thomas se corou e se levantou imediatamente. – Para! Ela merece.
—Merece... – Ele riu maliciosamente e Thomas enfiou os dois dedos em seus olhos. – Auh. Porque você é tão mal comigo?
—Porque temos trabalho a fazer; laboratório de Hefesto, vamos vigiar eles e você está me irando do caminho. – Peter riu e se levantou, ajudando o primo, ele era bem distraído, mas também era muito alegre. Thomas estralou os dedos. – Hoje a gente consegue e não me distraia com coisas fúteis.
*
O quadro aparentemente estava em uma casa, dita e taxada como abandonada, conhecida como a casa de nº7, no bairro grego; porque o número dela era esse, e o 7 é o número muito forte também.
Estava bem escuro, e aparentemente, a passagem entre o Mundo dos Vivos com o Mundo dos Mortos já estava ativa á um tempo e simplesmente entrar na casa não seria uma tarefa fácil. Mas, não era impossível. Era exatamente por isso, que as Sessões, exceto a Grega mandaram Semideuses que eram Monitores; pois, eram mais experientes, bons de luta, rápidos, com um ótimo reflexo, fortes e corajosos, mas, mesmo assim, a noite não era agradável para todos.
— Tudo bem, se Jhon Leno, Cedric e Taboo não entrarem em uma ordem de ataque, eu não vou ficar aqui, não vou ajudar ninguém mais, não sou obrigado! Não preciso disso. Não quero uma katana de prata, eu não quero nada! – Zachariay assim como os outros, saiu do colégio, e foi descendo a rua do barirro grego enfrentando alguns monstros da noite, ele empunhava uma Kodachi e vestia um quimono roxo que estava rasgado e ensanguentado. E para ter sangue na sua veste nem tinha saído dos arredores do colégio. - Pela morte; por favor, me ajude! – Ele resmungava irritado.
—Calma Zack! – Berrou Cedric que segurava um tridente, também possuía a roupa ensanguentada e estava machucado no rosto. Esse machucado deu tempo de ser feito na encruzilhada entre os bairros. Um pouco longe do colégio.
— Calma nada! Calma você! – Retrucou Zachariay.
— Eu? Tô tentando te ajudar seu idiota.
—Convenhamos que os romanos são os mais idiota aqui né? – Cedric mudou o rumo para ir direção á Zachariay. Eles já estavam bem perto da casa 7.
— Calem a boca vocês dois. Quero ter uma noção do que fazer... (...) – Taboo segurava um arpão na mão esquerda e olhou para Jhon Leno de relance, ele era o único rapaz que tinha a roupa limpa. – Filho da Vitória... – Ele chamou. – Pode se importar só um pouquinho com essa missão? – Ele tinha uma espada na cintura e estava de braços cruzados sem se importar se estavam em uma batalha ou não, e estranhamente não estava nem um pouco machucado; muito menos sangrando.
— Verdade... Para que? Porque? Qual a utilidade disso mesmo? O Líder é você né?
Taboo respirou fundo.
— O quadro. Precisamos do Quadro Inacabado. Que provavelmente está na casa 7 desse bairro aqui!
—Claro... Mas, não temos muita certeza né?
—Nós temos uma pista, e é o que importa. E não podemos joga-la fora. – Ele olhou para a rua e sentiu um vento gélido os cercando, como se os impedissem de sair dali; agora provavelmente estavam presos.
O céu estava escuro, praticamente preto sem nenhuma estrela ou foco brilhante no céu para os guiar, eles sabiam ler as estrelas, eles sabiam lutar, guerrear, eles conseguiam se organizar, mas, naquela noite estavam confusos; ao chegarem perto da casa de nº7, uma tensão os invadia e ao mesmo tempo os incomodava. Mesmo estando muito perto da entrada eles não estavam conseguindo avançar, nem entrar em uma simples casa velha, de madeira, que naquele instante estava bem protegida por energia de mortos emanadas por aparições, ou seja eram almas de mortos, porém eram tateáveis. E foi por isso que Zachariay gritou.
—Mas, o que foi isso? – Perguntou Cedric rindo. – Você é um japonês e tem medo de projeção astral que mata? – Houve um silêncio entre eles. – Se bem que a parte de morrer; ignora! Me ignora!
—Com prazer... – Disse Taboo segurando seu arpão em forma de ataque empurrando o que vinha para cima dele enquanto ele caminhava em direção á porta de entrada. – Formação: “Rosa-dos-Ventos”. – Todos acenaram com a cabeça, menos Jhon Leno que revirou os olhos irritado. – Norte! – Ele disse colocando o dedo na testa, simbolizando qual ele havia escolhido.
—Sul! – Disse Cedric formando uma espécie de proteção ao grupo se afastando;
—Leste! – Falou Zachariay.
—Oeste?! – Disse Jhon Leno segurando sua espada em modo de ataque. – Foi o que sobrou não é? – E eles foram se aproximando da entrada da casa.
A casa não tinha uma cerca como as outras, não tinha muros, era como um terreno baldio; na verdade, da casa 1, até a 10 tinha mais espaço, um quintal grande e terreno enorme; mas do que as casas 11 pra cima, então a distância das casas 9 e 5 para a 7 era enorme. Cabia um exército naqueles quintais. E era exatamente isso que eles encaravam. Um exército de mortos, em projeção astral. Obviamente antigos Semideuses que foram mortos além das barreiras de proteção daquele lugar. Como em uma missão em outro país.
Quando Jhon Leno se afastou um pouco para tomar impulso a oeste e poder atacar, alguma coisa no chão agarrou seu tornozelo e ao mesmo tempo o seu pescoço de uma forma que pareceu dilacerar sua carne apenas com o toque.
—Mas. – Ele gritou.
Taboo se virou para trás por alguns segundos para observar o barulho que vinha atrás dele, na sua esquerda, mas, um assobio distante que foi se aproximando o fez olhar para frente e não ver o tapa violento que disparou no rosto de Zachariay. Antes que o japonês pudesse se defender usando a sua katana; ele foi jogado no chão de repente e não conseguiu se levantar, e quanto mais se esforçava, parecia que algo estava em cima dele o impedindo de sair, algo pesado, como mãos que o empurrava contra o asfalto; toda vez que ele tentava se levantar, mais o seu corpo era jogado e ferido no impulso que sofria.
Vendo os companheiros sofrerem na mão de forças invisíveis e malignas, Cedric foi indo para trás para poder escapar daquilo; porém, de repente algo o chicoteou o fazendo ser jogado no ar, a uma longa distância que quando tocou no chão acabou batendo no muro de uma casa o deixando inconsciente.
Mesmo ferido Jhon Leno estava de pé, não podendo seguir nem recuar, pois, sempre que tentava sua pele era rasgada. Taboo após um tempo paralisado pode chegar perto da porta, mas, antes de tocar na maçaneta a voz de uma mulher surgiu da porta falando a seguinte frase:
“O que vocês fazem aqui? Não deviam estar pisando nesse solo, nem neste lugar. ”
Em um rápido movimento Taboo foi sugado, puxado para o chão; como que se duas mãos embaixo da terra pegassem seus pés e puxasse para baixo da terra também, deixando suas mãos e tórax para fora da terra. E de repente inúmeros insetos começaram a entrar no seu corpo, na parte que estava soterrada. Isso deixava ele tonto e assustado. Ele estava em pânico. Cedric foi arremessado á metros de onde ele estava agora, e nem podia mais vê-lo, Zachariay estava “quase” afundando no chão, Jhon Leno estava preso, e estava começando á entrar em desespero, mas, não tão desesperado quanto Taboo que sentia que sanguessugas estavam em seu corpo.
—Eu mato o Cainan por não vir! Eu mato o Thomas por essa missão! – Berro Jhon Leno irritado.
Taboo começou a tremer com o pânico que se instalou no grupo. Ele tentava sair, mas, quando tentava sair, ele era mais puxado, e nisso acabou ficando até os ombros, foi aí que ele ouviu um osso sendo quebrado.
—Hey Jhon, Jhon! Zack; Zack! Se a. – Taboo tentou olhar para trás para auxiliarem mas, não conseguia. Foi aí que o espectro de um ser encapuzado parou em frente ao rosto de Taboo e pisou em sua cabeça, fazendo força com a perna o soterrando por completo. Ele deu um gemido e sua cabeça foi parar embaixo da terra junto com seu corpo.
—Taboo! – Gritou Zachariay com o corpo sendo pressionado no chão com mais força toda vez que gritava ou se mexia.
“O que vocês ainda fazem aqui? Não deviam estar pisando nesse solo, nem neste lugar! ”
—Jhon... – Chamou Zachariay. – Eu estou com dor (...) Estou com(...) – Ele não terminou a frase.
—Não! – Gritou Jhon Leno. – Não fica com medo. Nós vamos matar aqueles burgueses. Vamos matar o Thomas e o Cainan, lembra?
Nisso Jhon Leno tremeu e soltou um grito como se algo estivesse entrando em seu paeito como uma facada, ou uma flecha, talvez um tiro; fazendo-o cair no chão tendo uma parte da sua pele arrancada e a outra rasgada, ficad jogado no chão, imóvel e coberto de sangue.
—Ah não, o Jhon! Só ficou eu. – Berrou Zachariay se contorcendo freneticamente para tentar sair daquela armadilha, que agora parecia uma pedra; ele afundava contra o asfalto e um osso seu quebrou o fazendo entrar em desespero.
Foi aí que um silêncio absoluto pairou sobre o local, como se o som não existisse mais, o som não sai de sua boca para pedir ajudar e um barulho ensurdecedor rondou o ar e pareceu tocar seu corpo só para dar mais agonia a ele. O deixando sem a visão, sem o tato, sem os movimentos do corpo, deixando-o jogado no chão, até Cedric que estava metros longe foi atingido, Zack não sentia quando era cada vez mais empurrado contra o asfalto, não sentia seus ossos quebrando, seu pânico foi sentido até ele perder a consciência como todos.
em algum momento alguém deve ter tocado em algum deles, alguém dever ter gritado: “Vai ficar tudo bem”, “Não dá para pegar o Quadro, porque não existe”. Até que não dá para pegar o que não existe.
Mas, era óbvio que jovens tão preciosos não ficariam largados no chão, em um bairro tão perigoso, no meio da noite de uma lua crescente.
Era óbvio mas, não significaria que seriam salvos, já que estavam, exceto Cedric, perto da casa de nº7, no bairro grego; em uma noite escura como o breu.
E agora por todo bairro grego não havia som, não havia como emitir barulho, e nem podia-se ouvir nada. Até porque, não tinha como pedir ajuda.
*
Passou um bom tempo em que não era possível ouvir ou reproduzir nenhum som. E começou a ficar angustiante, foi como se o tempo tivesse parado;mas apenas para o som, pois, os movimentos eram os mesmos.
Alguém tirou as mãos dos ouvidos depois de quase uma hora no mais puro silêncio e tentou falar alguma coisa.
—Mãe?
O som saiu de sua boca e foi se ecoando na casa. Ao mesmo tempo que ficou feliz se assustou com o tempo em que ficou no estado mudo. O céu continuava escuro, mas, a vibração estanha ainda pairava por qualquer lugar.
—Tudo bem! Alguém está me ouvindo? — Uma garota ruiva, com exatamente onze brincos em cada orelha, de olhos castanhos claros e uma beleza estonteante fazia perguntas e falava sozinha. Não exatamente sozinha, mas, sim com a mão nos brincos, como se eles fossem comunicadores. Na verdade, eles eram. — Vocês estão me ouvindo? Alguém? Eu não acredito nisso. Algo aconteceu, e ninguém está me ouvindo? Mas, o que aconteceu?
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