Semideuses do Zeyggterasu
10 Intrigado com a Noite
Notas iniciais
No colégio já não havia mais tantas pessoas; grande parte dos Semideuses tinham ido pra casa, alguns em grupos, principalmente os vencedores; eles estavam animados, fariam festas em comemoração ás vitórias; grande parte estava banhada em ouro de tantas medalhas e prêmios que haviam ganharam; e não tinha mais ninguém nos dormitórios, nem nos corredores, pátios, templos arenas ou estábulos. Mais; ainda tinha Begpep transitando naquele lugar; já estava escurecendo e ele estava indo em direção ao edifício egípcio onde mais cedo havia ocorrido a reunião do Conselho. Ele precisava daquilo.
Ele passou pelo salão onde ocorreu a reunião e começou a andar no escuro, pelos corredores do edifício. Ele deixou seus globos oculares pretos e acendeu sua chama azul na mão direita. E se dirigiu pelos corredores no escuro com a chama e assim desceu alguns degraus, e ao chegar em uns três andares abaixo saiu empurrando pedra sobre pedra que estavam no seu caminho, na verdade escavando; assim surgiu um enorme buraco onde ele pulou nele e escorregou andares e andares abaixo, ele contava baixinho entre pausas, e quando chegou ao 22, desviou e caiu em um lugar onde parecia uma câmara mortuária, lá havia inúmeros sarcófagos ao seu redor, e á sua esquerda havia um salão com pilares de pedra que sustentavam o teto, inúmeros desenhos pelas paredes, hieróglifos escritos pelo chão; com tesouros por todo o lado, grande quadros, e por cinco enormes paredes, estavam repletas de "Joia Escaravelho Alado"; que é um adorno que traz a representação do deus Rá como um escaravelho alado, cujo corpo é formado pela joia translúcida amarelada. Parece com o disco solar e em suas patas traseiras há um símbolo shen que representa a eternidade; e em baixo de cada símbolo tinha um nome; era o nome de um Semideus Egípcio que havia morrido; e talvez agora descansassem na eternidade.
E eram muitos nomes, Begpep poderia parar para ler nome por nome; mas, naquele momento ele estava mais apressado a ir para o salão. Chegando no salão decorado e bem bonito, com inúmeros tronos de ouro que estavam colocados em forma de círculo; ele entrou no meio do círculo, respirou fundo e se sentou no chão. Quando se sentou no chão, tochas acenderam e queimavam sobre colunas, antes poderia ser um breu iluminado apenas pela chama de Begpep, agora tudo estava iluminado por várias tochas. Ele colocou a cabeça entre as pernas e as mãos sobre a cabeça. Fez alguma prece e esperou um tempo.
Quando terminou de respirar e levantou a cabeça, lá estavam eles sentados nos tronos de ouro, olhando para ele.
—Ora! – Ele exclamou feliz. – Mas se não é a deusa Bastet... Ah, minha doce tia Bastet! – Ele se levantou e foi em direção a uma mulher que tinha o corpo de mulher, mas, a cabeça era de um gato, ela usava uma coleira dourada em seu pescoço, ela era linda, seu corpo era atraente, ela estava sentada em um trono a sua esquerda, quando ele foi em direção dela que se levantou e a abraçou. – Estou tão feliz em ter ver, você não saber o quanto estou feliz. – Ele a abraçou com força e ela o abraçou de volta. – Huum... Que cheiro de papiro... – Ela ronronou quando ele apertou ela.
—Está cheirando a orvalho da manhã.
—Estou? – Ele olhou pra ela que deu um sorriso e fez carinho embaixo do seu queixo como se faz carinho em um gato. Ele sorriu.
—Claro que está; e está mais alto, tão lindo. – Ela passou a mão em sua bochecha. – Não acredito que você está tão grande. – Ela apertou as suas bochechas. – E fica cada vez mais bonito.
A deusa felina tinha uma postura muito formal, mas, ela estava sendo muito carinhosa com Begpep, como uma pessoa é carinhosa com o seu gatinho; só que ao contrário. Por um bom tempo eles ficariam ali abraçados, ela quem fazia os carinhos nele, como atrás da orelha, no pescoço, e ele riam se encolhia sobre seus braços, se corava, estava feliz.
—Eu não estou mais bonito.
—Sim. Quando eu segurei você pela primeira vez, cabia na minha mão, igual a um filhote de gato.
—Um filho de coiote... – Ele disse olhando para ela. – É o que quis dizer...
—Afs. – Ela respirou fundo e revirou os olhos. – É mais ou menos isso. Bem pequeninho. – Ele sorriu e voltou a olhar nos seus olhos. Seu rosto era de uma mulher; mas suas orelhas ainda eram de um gato preto. – Mal anoiteceu; o que houve? – Ela segurou em seu queixo e se sentou á altura do seu rosto.
Bastet era enorme, um deus era magicamente enorme; mas, eles podiam ficar do tamanho de um humano normal; que só ocorreu quando ele a abraçou. Ela era dócil, carinhosa, amável e comunicativa com Begpep; por ele, ela tinha um carinho extra especial.
-Querem que eu vá pra casa. – Ela pareceu surpresa. – É no Bairro Grego. – Ela pareceu mais aliviada, e concordou com ele. – Mas, eu não quero ir pra lá.
—Querido, então não vá. Você não pode ir para um lugar que outros querem, á força. Ninguém pode te obrigar. – Ela o convidou a se sentar no trono ao lado, mas, ele se recusou dando um passo pra trás e sentando no chão.
—Não quero sentar no lugar de Set. Desculpa. – Ela sorriu e sentou no chão ao seu lado, fazendo carinho na sua cabeça. – Mas, eles querem que eu vá.
—Eles?
—Shelly deve ter te avisado. Shelly Towsley. – Ela o observou. – Os egípcios ganharam o Torneio Mitológico.
—Ah! Sim! Ela me avisou. – Ela sorrindo ronronando. – Ganhamos! Somos fantásticos! O que tem?
—Querem que depois desse feito eu vá pra casa, vai ser melhor e tal. Eles não gostam que eu fique aqui sozinho. Mas, ele não sabe que eu fico aqui com você e os outros deuses.
—Ele não sabe? – Ela virou a cabeça dele em sua direção. – Ele quem Pep? – Ela deu um sorriso. – É por “ele” que você veio aqui conversar? – Begpep mal ia pra casa, por vários verões ele ia pra
-Aan... Acho que sim. – Ele deu um sorriso sem graça.
—Mas, é o que você quer?
—Não. – Ele passou a mão na cabeça. – Sim. – Ele respirou fundo. – Eu não sei exatamente. Talvez... (...) Duas garotas falaram gentilmente comigo.
—Falaram? O que disseram?
—Uma me chamou de Beg. Porque viu que eu não gostava do meu nome. – Bastet riu. – E a outra me defendeu. E nem eram egípcias.
—E quem gosta desse nome? É meio Bastet com Apep, Geb. – Ela passou a mão no cabelo dele de novo. – Anúbis é criativo; sempre quis o melhor pra você. E eu também.
—Ah! Meu cabelo também ficou azul! Hoje.
—Depois de tanto tempo? – Ela sorriu pegando em seus cabelos que não estavam azuis. – Contou pro seu pai?
—Não... – Ele recebeu carinho bochechas. – Eu não desci depois da câmara mortuária. Vim pra cá. – Ela apertou as bochechas dele que sorriu. – Eu sempre venho pra cá primeiro. Foi uma escolha minha sabe?
– Ela sorriu.
—E não ir pra casa? É uma escolha sua? – Ele ainda estava com seus globos oculares pretos, e assim podia ver Bastet perfeitamente. Ele suspirou incomodado. – Está nervoso?
—Se eu for; eu não vou poder trazer o nome dos que morreram esse ano e colocar na parede da Joia do Escaravelho Alado. – Ele colocou a mão no peito. – E...
—Pep... – Ela chamou esfregando a sua bochecha na dele. – Você não precisa se preocupar... Fazemos isso depois. Mas... Tem um porém.
—Um porém? – Ele perguntou enquanto recebia o carinho. Ela basicamente era mais maternal com ele, do que seu próprio pai. Qualquer um era mais carinho do que Anúbis.
—Tem que decidir... Você quer ir ou não? Precisar ir ou não?
—Eles querem que(...)
—Eles. Mas, e você? – Ela apertou as bochechas dele que levou um susto. – Você quer ir? Fofinho?
—Faz tempo que eu não vou... – Ele falou abaixando a cabeça. – E se eu me sentir sozinho? Se eles zombarem de mim? Ou.
—Pep; você nunca está sozinho, e todos te adoram; se me chamar, eu vou aparecer, e te fazer companhia. – Ela colocou a mão na boca e pensou um pouco. – Igual as pessoas que querem que você vá pra casa, acha que elas não vão acompanhar você?
—Eu não sei...
—É se você quiser. – Ela fez cafuné nele. – Lembre-se que, os verões com você aqui sempre são maravilhosos. Mas, com seus amigos(...) depois de tanto tempo vão ser magníficos. Eu acho. –Ele abraçou Bastet com força. – E se me chamar, eu apareço para te fazer companhia... Só que, eu acho que você é um menino bem grande e não precisa da minha companhia. Você tem ótimas companhias. Não tem? – Ela fez carinho no nariz dele.
—Bem...
—Se quiser ficar, será bom; e se ir, será ótimo. Mas, novamente; se me chamar... Eu estarei contigo, aqui ou lá; não precisa ter medo. – Ambos deram um sorriso e um abraço; ele simplesmente amava a companhia de Bastet, já que ela basicamente viu ele nascer, cuidou dele e tal; não tinha conselho melhor do que pedir á deusa felina na qual ele chamava carinhosamente de “tia Bastet”. Foi daí então que seu cabelo começou á ficar azul; de repente.
—Hey, pequeno! Seu cabelo! Está azul! – Ele segurou em seu cabelo e sorriu.
—Está? Então eu estou feliz.
*
Todos os Bairros que tinham ganhado alguma coisa nos Torneios, Batalhas ou Jogos, escolheram a casa de alguém para comemorar. Havia muita música e algazarra nos bairros Guarani, Africano, Nórdico, Romano e principalmente o Egípcio. Mas, de fato, nem todos os Semideuses aguentavam a algazarra, acabaram de sair de férias, e alguns preferiam entrar na festa na noite seguinte; já que a festa durava umas três noites, e se brincar uns três dias. Mas, para Wilgner era cansativo ir pra festa logo assim que chegava em casa, ele ficou o dia inteiro fazendo relatórios, e ainda por cima tinha se preocupado com Begpep pelo tempo que ele havia demorado. Aquilo o deixou com dor de cabeça e atrasou todos os relatórios que tinha para fazer para Rá; seu pai.
Estava feliz que todos estavam comemorando, mas, naquela noite ia descansar a coluna e depois talvez ir para lá; por volta de umas 3horas dar uma passada na festa, que esse ano era na casa de Naomi. Ela morava em uma mansão no número 6; então ela fechou a rua a partir da casa 13. Ou seja; o show naquela noite, era deles.
Durante o som das batidas da festa, as risadas e os gritos das pessoas, ele ouviu alguém batendo na sua porta, hesitou um segundo porque, com certeza era Shelly Towsley atrás dele. A Monitora da Ala de Bastet, ela passou a tarde inteira, desde que saíram do Colégio o chamando para ajudá-la a organizar as coisas. Só que ele tinha que fazer a conta de alunos, os vivos e os mortos; e ler o relatório de cada Monitor das 30 Sessões. Ele respirou fundo, olhou de um lado pro outro e jogou o pescoço pra trás.
—Preguiça viu... – Ele murmurou se levantando da sua cadeira e indo em direção à porta; sua cabeça começou a doer quando ele começou a descer os degraus. Assim que abriu a porta colocou a mão nos olhos. – Shelly; por favor agora não.
—Desculpe; é que não dá para ir pra minha casa. Fecharam a rua. – Wilgner tirou a mão dos olhos e ficou surpreso quando viu quem estava na sua frente. – Eu cheguei.
—Escaravelho!?
—Em carne e osso! – Ele tocou na testa do outro. – Sou eu mesmo...
—Como? Não... Mas; é. – Com uma das mãos no rosto tentou inutilmente cobrir o rubor que se fazia presente pelos seus pensamentos ao tocar a testa de Begpep e ter certeza que era ele.
—Eu preferi pedir conselho do que sair de lá por dúvida. – Wilgner riu baixinho e abaixou a cabeça negando o que estava vendo. Ele estava paralisado. – Sou eu mesmo Reinhart. – Begpep riu. – Pediu pra que eu viesse. Não foi?
—É que eu não tô acredito que tenha vindo mesmo. – Ele apontou pra rua abaixo.
—Não dá para passar. Vão fazer um alvoroço se me verem. – Ele concordou. – Uns 11 anos que eu não venho pra cá?
—Acho que 13 tá bom. – Eles riram. Begpep olhava a rua abaixo, as luzes, o som, e depois olhava para o céu as estrelas, o luar; e ele sorria.
—Will! Quem está batendo na porta? – Begpep imediatamente se assustou e voltou para olhar para seu amigo que sorriu.
—É o Filho de Anúbis da chama azul! – Ele foi bem especifico. – Ele não consegue entrar em casa por causa da festa da Owens. –Ele falava para o andar de cima, depois se voltou para o garoto. – É a minha tia; não se preocupe; ela. Ela é legal!
—E você tá esperando o que para deixar ele entrar? Coloca ele pra dentro! – Ele riu sem graça.
—Sim tia. – Ele segurou no braço do garoto e o puxou pra dentro de casa; ele ficou assustado mais como ele bateu a porta do que como foi puxado. – Pronto! Ele está dentro!
—Que bom querido; então boa noite. Boa noite Begpep! Perdão! Pep! – A senhora se corrigiu rapidamente. – Boa noite pros dois.
Begpep ergueu uma sobrancelha e encarou Wilgner.
—Como ela sabe meu nome ruim; e meu nome bom? – O garoto mordeu o lábio inferior e olhou para os lados.
—Talvez eu tenha falado muito de você. Só talvez. (...) Então; onde você quer dormir? Eu posso pegar um colchão emprestado e...
—No chão. Na sala. – Ele apontou para o sofá e depois para o chão.
—No chão? – Ele o encarou. – Não quer dormir no sofá nem na minha cama? Eu durmo no chão. – Ele passou a mão nos cabelos do outro, que ficou vermelho.
—Não; no chão está bom. Você sabe que eu mal durmo; e sabe que eu vou querer andar e... Vai ficar tudo bem; porque eu vou voltar antes do amanhecer e.
—Pep... Você sabe que não dá para fazer isso pelos bairros. – Begpep discordou.
—Tem a floresta. – Ele se sentou no chão. – E não quero incomodar você nem a sua tia. Sabia que eu não ficaria parado se viesse pra cá. – Wilgner arfou.
—Certo... Eu vou então buscar umas cobertas e uns travesseiros. Vê se não demora; antes do nascer do Sol. – O garoto assentiu.
—Antes do nascer do Sol. Sim Monitor. Não é pra se preocupar. – Ele riu e deitou no chão em seguida.
—Hãn, pelo visto não dá para prender esse pássaro na gaiola. – Ele disse tirando o cabelo de Begpep da testa e beijando. E em seguida beijando a sua bochecha. Então ele começou á subir para pegar o travesseiro.
—Não dá. – Ele respondeu com o rosto queimando.
—Só pra saber... Porque realmente veio pra casa dessa vez? Depois de uma década?
—E se eu tivesse um treco do coração? Quem ia fazer a melhor magia do mundo para acalma-lo; senão você? – Ele sorriu e Wilgner ficou vermelho. – Eu também gosto desses seus beijos com feitiço. Uma baita preocupação comigo.
—Eu queria receber beijos de proteção... – Ele brincou rindo.
-Sério? – Begpep falou sério se levantando do chão em direção á Wilgner. – Porque nunca me disse isso antes? Você reclama das coisas, mas, não pede nada também. – Disse ele dando um beijo na testa e na bochecha do garoto que ficou sem reação. – Só pedir que eu também dou (...) Que foi? Will?
—Coberta! – Ele disse assustado e em seguida subindo as escadas correndo.
E após um sorriso e um suspiro, o seu cabelo ficou azul.
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