Semideuses do Zeyggterasu
11 Verão para Perdedores, Não é Verão.
Notas iniciais
A nova casa numa cidade diferente não melhorava nenhuma das expectativas das garotas, a mudança de cidade foi tão rápida que não deu tempo de levar tudo o que queriam; uma parte das decorações e dos livros da filha mais velha ficaram na outra cidade; e metade das roupas e dos amigos da filha do meio também ficaram na outra cidade, já a irmã mais nova não tinha mais do que reclamar; basicamente, quase tudo que ela queria ficou para trás. De todas, os amigos delas, a vida delas, tudo o que elas conquistaram, ficou para trás; tudo na outra cidade. Não tinham levado tudo porque “depois” pegariam de novo.
Duvidoso esse “depois”.
Parece que saíram fugidas da cidade, do estado, do seu lar, será que saíram do país também? Sem festinha de despedida, sem encontro de despedida, sem compras para viagem, sem nada demais. Só: “peguem o necessário, se arrumem e se organizem, nós vamos viajar; vamos nos mudar. ”
Porque? Se perguntavam.
Se perguntassem o que as três irmãs Lueffe gostariam naquele momento; o que seria muito difícil de perguntarem... A mais velha diria que gostaria de ter trazido livros para passar o seu tempo; mas, fazer isso na cidade em que morava.
Já a do meio diria que gostaria de estar com seus amigos, com a sua tecnologia, ao menos uma festa para se frequentar, na cidade em que morava. Com o detalhe de poder ter a liberdade de fazer essas simples escolhas.
A caçula diria aos prantos que gostaria de estar com seus amigos também, mas, na sua escola antiga; o simples fato de mudar de escola causava repulsa na mais nova. Mas, claro que não iam mesmo perguntar isso á elas; ninguém iria se importar; não se importaram em perguntar se elas queriam ou aprovariam a mudança; então não perguntariam o que elas iam querer naquele momento, a não ser, se “gostariam de arrumar a nova-velha casa. ”. Era isso que poderiam perguntar.
Jaqueline, a filha do meio olhou para a sua casa nova, cercada de mato aparado, pelos seus arredores e de madeira, com uma única árvore quase-morta no quintal, ela esfregou os olhos, só para ver se a casa poderia parecer melhor. A vegetação não estava completamente morta, mas, não estava tão viva quanto á dos vizinhos, parecia que tinha sido arrumada ás pressas.
—Viramos caipiras agora? – Perguntou Jaqueline suspirando fundo e com os olhos inquietos observando e analisando as casas coloridas, com modelos e arquiteturas magnificas, ou algumas simples, com muita vegetação em volta, eram bem diferentes, não tinham exatamente um padrão.
-Parece aquelas casas amontoadas de favela! – A irmã mais velha fez uma demonstração com as mãos. – Uma em cima da outra, literalmente! – Disse Mikaele cruzando os braços e se afundando no banco após ver a casa. As irmãs Lueffe eram muito diferentes.
Mikaele, a mais velha tinha uma personalidade entre irritada e ambiciosa, do temperamento forte, ela tinha seus momentos e uns ataques de raiva semanais; mas, tinha outras confusões de personalidade.
Já Jaqueline, a do meio, tinha uma personalidade alegre, bem humorada, ela era muito comunicativa e dava bons conselhos; e mesmo sendo a pessoa que trazia graça e alegria para sua casa; ela também era de lua, ás vezes cantando, e hoje estava muito chateada, sem nenhum conselho para dar.
Vitória, a caçula, ela tinha lá os seus momentos, vezes feliz, ás vezes esbanjava alegria, e as vezes esbanjava raiva, frustação e tédio; ela era tão nervosa quanto a irmã mais velha, mas, não chegava á ser ambiciosa; ela queria ter a voz da razão, e isso era um fato, meio pacifista, mas, ali; não estava nada pacifista.
Os olhos de ambas eram castanhos claros, mas, o cabelo de cada uma era diferente; a mais velha tinha o cabelo alisado e todo pintado de purpura, a do meio era todo cacheado com mechas, castanho escuro, e a mais nova tinha os cabelos cacheados com duas mechas verdes; e era apenas isso que dava para diferenciar uma da outra, porque do resto não gostavam de muita coisa em comum.
Depois de um bom tempo tentando manobrar no lugar certo, na frente da nova casa, o transporte da mudança, que eram uma Kombi e um caminhão, pararam em frente á nova moradia; Jaqueline abriu a porta, e desceu primeiro.
Na verdade, a casa era estranha aos seus olhos, era velha, de madeira escura, com três andares e o sótão; havia uma chaminé que no topo possuía uma tira de cerca de ferro, que parecia um chapéu muito espalhafatoso em cima do telhado. Parecia que tinha sido pintada suavemente com verniz, mas, sua aparência era de casa velha. E pronto final. Tinha seu valor para caçadores de recompensas. O que elas não eram.
—É péssima! – Disse Mikaele. – A grama é estranha, feia, e está quase morta, a casa é visivelmente empoeirada e com certeza está com a madeira podre, só de olhar dá pra perceber isso. Parece que foi feito uma reforma ás pressas, ou seja, está um nojo! – Ela mexia a perna impaciente. Nervosa.
—Mas, você nunca está satisfeita, não é? – Perguntou a mãe das irmãs com as mãos na cintura.
—Não aqui...
—Vamos lembrar que; os fantasmas e as assombrações preferem as casas grandes, velhas, com esse ar de burguesa. – Disse Vitória. – Isso aí é assombrado! – Jaqueline riu e concordou.
— Não é não! – Falou a mãe das irmãs. – Isso é coisa da cabeça de vocês.
—Claro que é... – Resmungou Vitória. Ela observou a cerca de madeira que não estava pintada, e virou o rosto para as outras casas, que pareciam vivas, suas estruturas magníficas e diferentes, elegantes; o jardim parecia bem alegre e colorido, claro, com exceção da sua nova casa, cinza e vazia. No momento em que virou para a cerca percebeu que alguém analisava a sua casa, se curvava em cima da cerca para ver o que tinha dentro do caminhão, e quantas coisas tinham; mas, quando foi percebido saiu da cerca e se abaixou. Vitória se aproximou da cerca.
—Eu vi você. Não adianta se esconder. Eu te vi. – Ela chutou a cerca e o rosto foi visto novamente. Era um garoto, que estava assustado, ele tinha os cabelos pintados de dourado e os seus olhos cor de âmbar, ele olhava assustado para ela. – Nunca viu gente se mudando não?
—Aan; eu sei que tenho direito á uma ligação. Ok? – Ele falou rapidamente. – Eu não vou responder nada sem um advogado! – Ele correu e entrou dentro da sua casa; eles seriam vizinhos. – Ela não entendeu o que ele quis dizer.
— Para de mexer com os outros. – Jaqueline chamou a atenção da irmã. – Tenta ficar calma. Quer eles pensem que somos loucos?
—Calma? Ele estava bisbilhotando...
—Aparentemente vizinhos novos são raros por aqui. – Falou Jaqueline, Vitória revirou os olhos. – Arruma esses olhos! – Ela não gostou de como Jaqueline a repreendeu, mas, errada, ela não estava.
—Nessa casa, óbvio que sim.
—Eih Mikaele, venha aqui! – Chamou a sua mãe. Mikaele então percebeu que as irmãs e sua mãe estavam na frente da casa, enquanto ela ainda estava na calçada, e o seu pai estava conversando com o motorista na qual pareciam que eram amigos á muitos anos, pelo que entendera ele morava á umas duas ou três ruas acima, em tal Bairro, ou seja, longe dali; ela notou que para o início do verão, as ruas estavam vazias, tinha poucas pessoas em seus próprios quintais, não estavam mesmo aproveitando o verão; que vizinhança mais mórbida. Entediante. Se fosse na antiga cidade, as irmãs iriam á piscina na casa da prima e chamariam as amigas. Mas, não aqui.
Ela se aproximou da casa; precisava subir uma escada de cinco degraus para chegar perto da porta de madeira, ela era de um azul cobalto bem fraco, quase gasto com o tempo; “não deu para pintar ao menos a porta? ” Pensou. As dobras da porta ao menos continuava brancas, era o único traço de pintura que restava, , como é a das outras casas da vizinhança; mas a cor verdadeira da casa estava irreconhecível, entranhada nas frestas e ao redor das dobradiças. Em especial, na porta havia a maçaneta e em especial um gancho com a cabeça de uma mulher encapuzada que ficava bem no meio da porta.
—Ora, não é tão ruim quanto eu imaginava... – Disse o pai das garotas olhando de pero do caminhão, com um sorriso. – É até melhor do que eu imaginava!
—Éh... – Falou Jaqueline com uma cara de desaprovação. – Essa frase “melhor do que imaginava” não ficou bom.
Ela se pós nas pontas dos pés e mexeu no gancho batendo-o na porta, fazendo graça, mas sua mãe não estava prestando muita atenção, pois pediu licença á ela que se afastou com um bico nos lábios. A mãe dela retirou uma chave do bolso e experimentou a grande chave na fechadura, quase invisível girando-a e empurrando a porta fortemente com o ombro. Aquilo causou admiração, tinha uma fechadura!
Assim que a porta rangeu e abriu revelou então um grande saguão meio escuro. Duas enormes janelas estavam á metade da escadaria e suas vidraças manchadas que não foram limpas por dentro deixavam as paredes com uma luz assustadora.
—Está ótimo para nós! – Disse ele sorrindo e feliz, o amigo concordou fazendo um comentário de como era espaçoso.
—Parece uma casa de terror! – Riu Jaqueline olhando para a irmã mais nova que estava paralisada com o tamanho da casa. – Se você realmente quiser ser arquiteta; quando o fazer reconstrua essa casa.
—Parece que é assombrada. No mínimo os últimos donos devem ter saído correndo daqui. Ainda dá tempo de fazermos isso também! – Observou Mikaele quase dando ataque de raiva. Algo incomodava ela, e o comentário de “ser espaçoso” não era nada agradável para quem se mudou á força.
—Com o passar do tempo, a casa vai ser só um detalhe, depois de arrumar aqui, ali, nem vai fazer diferença se incomoda.
—Sério? Um detalhe? – Comentou Vitória.
—Um detalhe! – Ela repetiu. – A mãe olhou para Jaqueline irritada; ela não parecia frustrada, parecia calma, talvez feliz? Sério?
O saguão era realmente grande, podia ser comparado á um hall ou á um salão; e ele conduzia á uma sala de jantar, depois á frente á uma escadaria que se dividia em duas partes indo para lados diferentes e a janela no meio, ao lado uma portinha e talvez uma das portas levassem para o quintal. Uma grande mesa com algumas manchas de água desbotadas fora a única mobília naquela sala de jantar, com quadros por todos os lados. O reboco do forro de teto estava manchado com uma figura de escaravelho egípcio enorme sobre um lustre que balançava pendurado por alguns fios que desprenderiam á qualquer momento. Foi o que Jaqueline imaginou, esperou alguns segundos para ver se ocorria com ela ali.
As paisagens nos quadros chamavam a atenção de Mikaele. Eram imagens de homens alados, florestas, lugares paradisíacos; todos os quadros eram decorados com molduras de ouro puro com alguns brilhantes, talvez valiosos. E mesmo que estivessem ali muito tempo; não estavam manchados.
—Porque vocês... – Apontou para as filhas. – Não começam á trazer as coisas mais leves para cá?
—Para cá? – Perguntou Mikaele soprando a poeira da mesa. – Aqui?
—É, para cá! – Ela afagou os cabelos da irmã mais nova. – Sua tia vai ficar feliz de saber que viemos para cá! – Jaqueline franziu o cenho depois da frase. Que tia ficaria feliz? Tirando as que deixou na outra cidade não existia nenhuma outra... Tinha? – Seu pai não tinha encontrado casa melhor que essa aqui! Tão colorida, bem arrumada essa casinha no interior...
As duas se olharam, mas não falaram nada.
—Colorida? – Perguntou Vitória. – Sério mãe? Ela nem tem uma cor que dá pra distinguir.
—Buscar o mais leve! – Ela ordenou.
—Valeu! – Reclamou Jaqueline.
Mikaele não gostava muito da ideia de se mudar, assim de repente, ali nem de longe seria um lugar que ela gostaria de morar. Sim, tinha parques, umas paisagens legais; mas, aquilo ali não era legal. Até porque não viu uma biblioteca; mas, era o de menos. O que incomodava mesmo, era a mudança repentina.
Jaqueline não se sentia muito feliz, não havia sinal no seu celular, só dava para escutar música; mas, não dava para conversar com seus colegas e amigos, nem fazer um download de músicas novas; já enjoava daquelas. E a frase da “tia fica feliz”, de fato se houvesse uma, ela não conhecia, porque nunca foi mencionada. e isso era a pior coisa que a incomodava; tirando os inimigos, que ela adora atazaná-los. Mas, inimigos não eram piores do que a nova casa.
Mesmo que o trabalho dos pais tivesse mudado para bem longe, Vitória não se conformava, que os seus amigos não poderão vir, nem o novo crush que havia arrumado. Mesmo não sabendo muito sobre amor, sabia sobre amizade, se sentia presa ali, sobre as ordens, e Vitória não gostava muito de seguir ordens; ela estava no mesmo barco que a irmã; sem sinal, sem ter como mandar notícias de onde estava morando.
As irmãs deram um suspiro enquanto a mãe estava para abrir as demais janelas para dar vida á casa, mesmo que não desse certo, talvez não desse mesmo certo; e obviamente que além de moveis, elas precisariam de comida, que foi o que pai se propôs á ir comprar; na verdade, os dois, porque depois de arejar a casa iria, então ele estava a esperando.
Até porque tinham que descarregar a Kombi. Tirar o mais leve era, roupas e suas coisas.
Mikaele seguiu na frente para descarregar a perua junto com as irmãs e com certeza com o pai. Assim que saíram da sala de jantar olharam para um enorme quadro acima da escadaria, era belo e possuía o ponto cruz, extremamente bonito, tudo naquela casa era velho, menos os quadros que brilhavam como novos. Saíram para o hall de entrada e encararam a folhagem quase morta. Tudo estava tão confuso.
Jaqueline se virou para o lado da casa à sua direita; tudo simples e pintada com creme e da cor branca, e bem no último andar tinha um observatório; foi quando viu dois olhos cor de mel por cima da cerca, se virou novamente negando qualquer sinal de vida ali a observando. Mesmo que o mato não estivesse alto, era esquisito, só tinham que caminhar até o veículo e de lá para a casa. O caminho de terra havia sumido e elas tiveram que seguir pelo capim amassado.
—Bom... O pai tem um amigo. Na verdade(...) Mais de um... – Falou Vitória. – Até ele! Conhece gente nesse fim de mundo.
—Acho que essa vizinhança é brega! – Exclamou Jaqueline. – As casas são todas iguaizinhas, todas vitorianas!
—Já imagino que tipo de cidade é essa... Tipo... Eles devem vivem em umas bolhas e tem o mundinho deles! – Mikaele apressou o passo e chegou ao carro. – Tipo Suburgatório sabe? Aquele seriado bem... Igual á esse? – Ela mexeu as mãos como se criasse o cenário com as mãos. Jaqueline acenou com a cabeça positivamente e com o olhar meio chateado e aborrecido. Assim que Jaqueline a alcançou, elas viram que o pai tinha arrumado mais quatro amigos. E era estranho; mas, tudo bem. Não. Não estava tudo bem.
Elas levaram mais tempo organizando as caixas e arrumando as bagagens do que as tirando do veículo. Tanto que, quando tiraram a última mala, seus pais já estavam de saída. E antes que realmente pudessem pegar o carro, Vitória entrou para ir com eles; ou seja, os entregadores faziam o seu trabalho colocando e montando o básico, e as duas ficaram ali, paradas, sozinhas, de costas pra uma casa mal assombrada.
Pelo que viam aquela não seria o melhor lugar do mundo para se morar. Jaqueline arfou e amontoou algumas caixas sobre a calçada; Mikaele pensou que de fato, cinco pessoas, que era seu pai e seus amigos seriam eficientes para guardar muitas coisas. Mas, não pegaram o “pequeno”.
Mikaele pegou uma caixa, e em uma delas que continham alguns livros, ela abriu a caixa mexendo neles livros amontoados rapidamente após ter que sair de casa ás pressas.
—Eu acho que esqueci “A Odisseia”. – Ela tirou um livro e observou os outros que estavam na caixa. – Eu sabia que não devia ter me mudado pra cá! – Ela olhou para a irmã enquanto ia arrumando outras caixas com alguns utensílios de cozinha, como potes. – Não vai me ajudar?
—Aqui não tem sinal! – Falava apertando os botões do celular fixamente buscando sinal. – O que eu faço agora? – Ela olhou para cima suplicante. – Como eu vou ligar para os meus amigos? Oh! – Ela gritava nervosa. – Como eu não acredito! NESSE FIM DE MUNDO! Sem ninguém descente. – Mikaele ergueu uma sobrancelha. – Você não entende. Sem uma casa digna sem nada!
Mal seus olhos puderam focar na irmã, que ela foi literalmente jogada no chão por uma bicicleta azul que a derrubou fazendo o seu celular cair no chão. Mikaele deu um grito assustada. Em seguida, mais duas bicicletas vinham na mesma direção, uma atingiu a caixa de livros, e a outra caiu do lado de Jaqueline, mas não a atingiu. Outra bicicleta vinha atrás, mais pode parar a tempo.
—Garota você está bem? – O garoto que parou á tempo estava sobre uma bicicleta amarela, tinha os olhos verdes claros e os cabelos negros, possuía tatuagens em volta do pescoço em formato de relâmpagos e ossos, eles formavam um colar em toda a extensão do seu pescoço; ele tinha a aparência de mais velho e olhou para Jaqueline no chão e para o amigo que estava se recompondo. Mikaele viu seus livros no chão, mas foi ajudar a irmã.
—Que raios vocês fazem na frente dessa casa? Na nossa frente? – O menino que perguntou tinha os olhos castanhos claros e os cabelos loiros escuros com mechas e luzes vermelhas, também tinha uma tatuagem tribal que parecia ser uma nadadeira e linhas romanas e gregas, dessas que são vistas em pilastras que saia da sua nuca e seguia até seu pulso direito, era forte e parecia ser mais velho que Mikaele. Ele ergueu-se na sua bicicleta da cor vermelha irritado. – A gente poderia ter passado em cima de vocês! Vocês são surdas por acaso? São sei lá; idiotas? O que... Quem são vocês? – O loiro berrava exigindo respostas.
—Machucou? – Perguntou Mikaele ignorando o garoto totalmente, como se ele não existisse; até perguntou se o outro estava bem também. Um garoto com uma bicicleta azul claro, ao lado delas se aproximou.
—Saí da frente Ian! – Ele exclamou.
—Aah! Stryder! – Exclamou o garoto que se chamava Ian e estava na bicicleta vermelha e berrava com as garotas. – Eu estava conversando e... – Ele foi interrompido por uma série de desculpas.
—Nos desculpe por isso! – O garoto tinha os olhos azuis claros e era um loiro platinado com mechas azuis escuras. Ele ajudou o amigo e em seguida ajudou Jaqueline. – Esses meninos que são muito mal educados! Ignorem o Ian, por favor, eu sou Pablo Stryder! Prazer. – Ele se curvou e ajudou á pegar algumas coisas que estavam desorganizadas.
Em seguida, ele ergueu as mãos para cumprimentar as garotas. O rapaz da bicicleta azul se levantou graças ao amigo e se pós na bicicleta novamente as encarando junto com os amigos. Pela cara que eles faziam não estavam felizes.
Jaqueline balançou a cabeça voltando ao presente.
—Cadê meu celular? – Pablo se abaixou entregando á garota o aparelho, depois olhou para o garoto e se apresentou. – Somos as Lueffe, Jaqueline e Mikaele. E sim ignoraremos esse tal de Ian! – Falou irritada. – Muito mesmo, de verdade.
Pablo sorriu.
—Isso é bom! – Ele suspirou. – Deixe-me os apresentar... Não fiquem nervosas. O garoto da bicicleta azul é Liam Tyler. O da bicicleta vermelha é Ian Spears e o da bicicleta amarela é o Guilherme Trance! A gente; nós sentimos muito! Não queríamos fazer nada. Todos nós sentimos muito!
—Eu não sinto muito! – Resmungou Ian cruzando os braços na bicicleta. – Gente sonsa não merece minhas desculpas. Ela nem me respondeu.
—E não vamos responder. – Falou Jaqueline irritada. – Você acha que eu sou o que? Obrigada á falar com você? – Ian iria abrir a boca para discutir novamente quando de repente o seu celular tocou e ele pegou no bolso aceleradamente.
— Alô? Oi... O que? – Mesmo atendendo o celular ele fazia uma cara de irritado. – O senhor está vindo pra cá? Certo! Eu já vou indo! – Ele enfiou o celular no bolso da calça apressadamente olhando para os amigos. – Meu pai veio me visitar! E eu não sei o que é... Mais isso não é normal. – Ele olhou para os garotos. – Vamos sair daqui! – Ele olhou para Pablo e torceu o nariz. – Se você quiser ficar aí Stryder! Boa sorte! Mas, depois não venha atrás de mim.
—Tudo bem. – Ela falou.
Pablo Stryder esperou que os amigos subissem em suas bicicletas para poder ajudar Mikaele e Jaqueline, a organizar o que eles bagunçavam, e as acalmar.
Os jovens o encararam de suas bicicletas e desapareceram pela rua acima. Pablo deu um suspiro e começou a ajudar as garotas, que não negaram, nem disseram nada.
—Quando eu me mudei pra cá, eu também não tive muita sorte, minhas roupas estragaram e grande parte dos meus pertences sumiram. – Ele sorriu. – Não fui atropelado claro; mas, aqui é uma descida, então obviamente algum freio deu falha. – Seu sorriso era bonito e ele era ágil. Ele conseguia fazer mais coisas do que as garotas fizeram em quase todo o tempo em que estavam ali. – Vou ajudar vocês. Para compensar a falta de educação dos garotos. – Ele começou á organizar também.
—Ele parecia bem irritado. – Começou Jaqueline pegando uma mala para levar para dentro da casa. – Mas, creio que estava frustrado. – Pablo riu.
—Não... É que aqui, nós temos um lema; não um lema, de verdade mas, no que acreditamos. Ele é um ótimo jogador; e esse ano ele não ganhou um torneio interescola.
—Sei... – Começou Mikaele. – Entendo. Daí o que houve?
—Ele e o grupo dele não ganhou, ou seja; “Verão para perdedores, não é verão”. Ele fica bem irritado quando perde é competitivo.
—Sei... Eu sou bem competitiva. – Disse Jaqueline.
—Mas, não deixa de ser verão; então não liguem para esse lema que ele inventou. – Ele segurou duas caixas uma em cima da outra e olhou para as garotas. – E qual é a casa de vocês?
—Essa feia aqui. – Falou Jaqueline apontando para a casa á frente. – Número 07. – Pablo ficou boquiaberto porque não tinha percebido ou reparado onde ele estava, nem as garotas. – Feia pra caramba né?
—Feia... – Ele disse quase imóvel, ou mais ou menos assustado, mas, disfarçou. – É bem... Exótica. –Mikaele riu.
—Exótica... Outra palavra para “feia. ”
—Sim; isso mesmo... A casa nº 07. É bem exótica... Bem. Sem palavras. – Ele repetiu ainda ajudando as garotas
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