Semideuses: A coroa Perdida.
12 A ilha de Zeus e Hera.
Notas iniciais
Capitulo doze: ilha de Zeus e Hera.
A imagem sumiu e eu desabei atrás de David chorando, não sei o que eu poderia fazer, era fraca e nem sei aonde eles estavam, não conseguiria enganar David mais uma vez, porém ele se abaixou do meu lado e sorriu.
– David vai te ajudar – falou. eu encarei aquele seu olho castanho desconfiada.
– vai mesmo? Se você me ajudar seu pai vai te brigar.
– meu pai não é ele, meu pai é o deus dos mares – falou – posso te ajudar.
– David – consegui sorrir – que incrível, faria isso por mim?
– David é bom.
– sei disso.
Eu me levantei, minhas roupas estavam secas, a blusa estava um tanto amassada e rasgada em alguns pontos, não me importei vestir a blusa e a calça jeans, enfiei o meu tênis e arrumei meu cabelo mais uma vez, David me deu uma aljava de flechas novinhas que tinha na caverna, o anel ainda estava em meu dedo.
Depois de prontos, David segurava uma espada grande para mim e em um tamanho bom para ele, vamos partir para um lugar perigoso, eu insistir para que ele colocasse uma armadura, como não havia nada para mim tive que ir desprotegida.
Odeio o arco, não sou muito boa de mira. Percebi isso enquanto navegávamos em um barco igual um de pirata para algum lugar deixando a ilha para trás. Não demoramos muito ali ate chegarmos em um porto velho e acabado de uma ilha belíssima.
Já estive ali uma vez, mas não pessoalmente, em um sonho, a ilha de Zeus e Hera. Aquela praia de areia branca que vi em meu sonho não era a mesma, a areia estava escura, as árvores lindas cheias de vida estava mortas, algo ali não prestava, caminhei sempre na frente de David com uma flecha presa no arco mesmo não sabendo como usa isso.
Qualquer movimento eu apontava a flecha. Subimos as escadas que levam ate a casa, e ela estava mais acabada do que qualquer ruinas, sem teto os vidros quebrados e tudo no chão, fotos e estatuetas copos em milhões de pedaços, a piscina seca cheia de limo, como se tivesse passado milhões de anos ali e ninguém nunca cuidou.
– o que aconteceu aqui? – perguntei pegando uma estatueta de Hera que estava no chão – eu vi isso aqui nos meus sonhos, estava tudo bem...
– as vezes os sonhos mostram o passado – disse David – passado.
– isso é impossível – falei – será que o fim do mundo já começou? Quer dizer Hera me disse que a coroa dela pode causar isso...
– David não sabe sobre isso – disse o ciclope coçando a cabeça confuso – David apenas saber aonde seus amigos estão.
– me leve ate eles – falei.
Continuamos andando ate o topo do vulcão adormecido atrás da casa, bem, quase adormecido, olhei para a larva lá do fim, aquilo borbulhava se cair ali com certeza vou virar churrasquinho. Tentei não pensar na hipótese de cair. David pegou uma estaca de ferro e bateu no chão e amarrou uma corda nela, em uma ponta amarrou uma pedra bem mais pesada do que ele e atirou no vulcão, a corda não se partiu, podemos descer.
– Davi vai na frente – disse para mim – você ficar atrás caso algo acontecer você luta por mim também.
– David... – não acredito no que ele estava fazendo por mim, meu coração ficou apertado e eu quase desabei em lagrimas, tentei ser forte e sorrir para ele – eu vou te proteger também.
– David gosta muito de Debby.
– Debby também gosta muito de David.
Descemos, fui percebendo que havia plataformas de metais dentro do vulcão, todas estava vazias, chegamos perto de uma e pulamos da corda para ela, chequei se a área estava limpa, fiz sinal para que David me seguisse. Corremos para dentro de um corredor aonde havia uns monstros em forma de foca que estava ocupados de mais com seus tabletes que nem nós viram passar.
Depois de um tempo foi David que me guiou ate uma área mais alta e quando vi aquela cena meu coração parou, vi Chie, Rick e o treinador, amarrados e em baixo deles estava larva ardente do vulcão, cada vez mais eles desciam, tinha que fazer alguma coisa.
A única coisa que chegava perto deles era uma plataforma que no fim ficava redonda e havia um pilar baixo e em cima dele uma coroa. Julguei tudo muito fácil, salvar meus amigos posso usar uma corda e os ajudar e a coroa pegar depois, algo dentro de mim gritava “não vá”.
Me abaixei e olhei bem o lugar, o piso era meio desnivelado, uma armadilha, se pisar em algum lugar errado aquilo se abre e eu vou morrer queimada, preparei uma flecha e mirei nas correntes do meus amigos, também não poderia fazer isso, não havia nada que fosse os segurar de cair para morte e a culpa seria minha.
– o que vamos fazer? – perguntei para David.
– andar, pegar a coroa e seus amigos, depois ir embora – respondeu.
– é uma armadilha, se der um piso fora do lugar isso vai se abrir e caímos para a morte.
– David saber como desarma-la.
– como?
– fique aqui.
Ele se levantou e correu ate um painel que ficava na parede, mexeu em alguma coisa e a plataforma fez um barulho e soltou fumaça, uma luz verde se ascendeu no teto e ele voltou sorrindo.
– pode andar.
Fiquei na duvida, mas depois que ele jogou uma pedrinha e nada ocorreu corri ate o fim da plataforma e olhei para meus amigos, aquelas correntes eram automáticas, nada que David não posso resolver. Ele achou mais uma caixa de controle e mexeu mais uma vez nos vários botões em números gregos, eu lembrei do de alfa e beta, não sou muito boa com símbolos.
– é mais complicado – disse David – há um sistema muito complicado.
– você consegue grandalhão – falei tocando em seu ombro, pois ele estava abaixado – eu confio em você.
– David é bom.
– sim, David é muito bom.
Ele voltou a se concentrar nos números, letras sei lá o que eram, eu me voltei ao meus amigos que estavam desacordados, tentei chamar a atenção deles atirando pedras que batiam nas paredes, mas eles ainda estavam dormindo.
– Chie! – gritei, ela se mexeu e abriu os olhos, quando me viu ficou em pânico – Chie! Acorde os outros, vamos tirar vocês daqui!
– não! Saía daqui! É uma armadilha! Saía!
Não sei muito bem o que aconteceu depois, o teto rugiu e uma pedra caiu partindo o chão eu caí para a morte na certa. Tudo ficou escuro e uma risada terrível ecoou pelo lugar.
Acordei em um lugar estranho, estava em uma cama, tudo ao meu redor estava em ruinas, furacões pariam para o mar, as águas estava inquietas, o vento era forte, na minha frente estava a deusa, seus cabelos estavam voando por causa do vento, mas ela nem se quer se sentia incomodada por isso, ela me olhou severamente.
– faça seu dever – disse Hera.
Acordei e vi que realmente estava amarrada por heras que saíram das paredes e me salvaram, um metro abaixo de mim estava a larva do vulcão, tomei coragem para tentar subir tudo de novo. Olhei para cima e vi Rick, Chie lutando para se soltarem e o treinador estava dormindo, vi duas coisas se movendo na plataforma, uma delas era gigante usava apenas uma calça social e segurava um machado gigante e a outra era menor, cabelos e olho castanhos segurava uma espada e bloqueava os golpes do outro ciclope.
– David! – gritei, o ciclope me olhou e sorriu, nesse momento foi golpeado pelo outro e virou pó – DAVID!
Meu coração se pariu em pedaços, David se foi, ele tinha feito tudo para mim e se foi? Comecei a chorar, não tinha mais forças para lutar, me deitei na rede de hera e esperei a minha morte quando uma voz veio na minha cabeça, conhecia aquela voz, David...
“lute por mim”
A voz dele ecoou pela minha cabeça e eu consegui me levantar, agora eu tinha muita raiva, havia uma única flecha na minha aljava, puxei ela e prendi no arco, não sei usar aquilo, mirei na cabeça do ciclope que andava em direção dos meus amigos, vou acabar com ele, mirei na cabeça e soltei a flecha que o acertou e ele virou pó.
– ninguém mexe com meus amigos – eu comecei a subir usando as heras e finalmente cheguei no topo, na plataforma. Lembrei do que Apolo havia dito para mim “use a sua luz” dentro de mim algo explodiu e quando percebi no meu arco havia uma flecha feita de luz, eficiente como uma flecha comum, mirei na corrente que prendia meus amigos e os soltei.
Mais uma ver Hera me ajudou, segurou meus amigos e os trouxe para a plataforma, quando vi Chie e Rick os abracei, um abraço triplo demorado e gostoso, apesar de todos estarmos suados e ensanguentados, aquilo foi fofo.
– nunca, nunca mais vamos ficar longe uns do outro – falei para eles – temos que sair dessa juntos.
– esperava que você fosse dizer isso – comentou Chie com um sorriso no rosto – mas para isso temos que pegar as nossas armas.
– e voltar para casa – completou Rick – treinador! – ele cutucou o velho bode que se remexeu e acordou.
– hã? O que foi? Já acabou? – perguntou o velho bode. Eu, apesar de as vezes o achar irritante e nojento eu o abracei – Hilton, o que é isso?
– um abraço, demonstração de afeto e carinho, ainda bem que você está vivo – respondi sorrindo – agora vamos, temos uns monstros para chutar o traseiro.
– maravilhoso – o treinador riu – cadê meu taco de baseball? Fukai, Osment, o que vocês estão esperando, vamos logo! Isso não é um treino nem uma simulação!
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