Semideuses: A coroa Perdida.
13 Quem Roubou?
Notas iniciais
Capitulo treze: Quem roubou?
Não foi nada fácil três semideuses cansados e um sátiro lutarem contra vários monstros para piorar a situação a coroa que eu coloquei cuidadosamente dentro de uma mochila que David me deu, essa coisa é incrivelmente pesada. Corremos cerca de uns 200 ou 300 metros para longe daquele lugar de torturas aonde estávamos ainda pouco.
Mas os alarmes gritavam e vários monstros surgiam para nos atacar, Chie já devidamente armada com sua espada de um metro e meio de comprimento cujo ela apelidou de “mão leve” que leve não tinha nada.
A menina podia ficar mais lenta carregando aquilo, mas aquela espada cortava uma cabeça com a maior facilidade e era uma bela extensão de seu braço, quando ela girava com aquilo transformava vários monstros focas em pó.
– isso está ficando chato – disse Chie abaixando a espada no chão e arfando — quanto tempo vamos demorar para sair daqui.
– aguente mais um pouco – falei preparando uma flecha de luz e apontando para uma fileira de focas estranhas – falta mais uns milhos de monstros ate chegar na nossa saída.
Soltei a flecha que nem precisou encostar em um monstro, eles viraram pó só por causa de um vácuo criado pela flecha. Abaixei o arco e começamos a correr, Rick ia atrás acertando monstros que ainda sobraram, o treinador ia na frente gritando palavras de incentivos como “seus bundas moles, vamos logo” e acertava a cabeça das focas com um bastão de ferro que encontrou.
– não é meu taco, mas é muito eficiente – comentou acertando mais um golpe no mesmo monstro que derrubou antes – vamos crianças! Temos que ir logo.
– se ele gritar mais uma vez “vamos crianças” vou enfiar esse bastão em um lugar muito desconfortável – comentou Chie partindo no meio uma foca que tentou morde-la.
– disse algo Fukai? – perguntou o treinador.
– não senhor! – gritou pulando por cima do bode velho e matando um monstro diferente esse parecia mais com um golfinho em corpo de castor e dentes de tubarão – o que são essas coisas?
– quimeras – respondeu o treinador – existem de vários tipos.
– ótimo! Agora vamos ter que derrubar um golfinho-castor-tubarão? – perguntou Rick acertando mais um.
– vamos apostar quem derruba mais? – perguntou o treinador.
– eu vou ganhar de você velho bode – respondeu Rick sorrindo.
– é o que vamos ver!
Os dois começaram a acertar tudo quanto é tipo de monstro que viram pela frente, não sabiam nem o que eram, eu olhei para Chie e corremos atrás deles rindo e matando o que havia restado, no fim chegamos ate a corda por onde eu e David descemos, me deu um aperto no coração em lembrar dele.
– ele morreu como um herói – disse o treinador tocando no meu ombro – não se preocupe ele vai para o lugar que merece.
– obrigada – sorri, agarrei a corta e comecei a subir, mas algo me fez olhar para baixo vi um rosto saindo da larva quente do vulcão. Olhei para aquilo e fiquei sem ar, um rosto humanoide com barba e cabelos sorria.
“semideusa você que irá me vingar, vingue-me”
Um jato de larva voou, mas não era muita larva, um peno pingo acertou meu tornozelo e queimou ate eu gritar, a dor da queimadura foi tremenda que eu perdi as forças e caí, sorte que Rick me segurou firme mesmo estando em péssimas condições.
– Debby aguente firme! – gritou para mim. Consegui ignorar a dor e olhei para ele.
– não vamos conseguir, depois de tudo vamos morrer aqui?
– não diga bobagens – gritou Chie embaixo de Rick – agora vamos, temos que sair dessa juntos e vivos!
Ela estava certa uma coisa que eu consegui entender dessa missão foi que se um dia você cair, seus amigos vão te ajudar a subir, Rick, mesmo cansado, me segurava com firmeza, Chie empurrou meu pé e ele me puxou, consegui agarrar a corda e voltei a subir.
No fim chegamos ate a abertura do vulcão e dei uma olhada para meus amigos. Rick com o rosto sujo e cheio de cortes, sua roupa estava amassada, molhada de suor e rasgada havia algumas manchas de sangues, Chie estava com seus cabelos ainda presos, porém estava bagunçados, seu rosto suado e sangue que escorria do corte em sua testa, havia uma ferida em seu ombro e com certeza havia deslocado alguma coisa fazendo uma força sobre humana com aquela espada, fora isso ela só tinha ferimentos por todo seu corpo, mas nada serio. O treinador era o que menos estava ferido, nada, absolutamente nada, apenas um corte no braço.
Eu devo está com uma cara horrível, meus cabelos devem está um horror, meu corpo já não se movia, meu tornozelo ardia ainda, meu corpo estava todo dolorido e minha cabeça latejava, graças a coroa na mochila minhas costas estavam doloridas. Mesmo assim sorrir para todos os meus amigos que sorriram de volta. Fui a primeira a ficar em pé, respirei fundo e olhei para a casa de Zeus e Hera lá em baixo, tínhamos um longo caminho a seguir ate lá.
– vamos, ainda temos muito chão para andar – falei me espreguiçando.
– ah! Ainda bem que tudo acabou – comentou Chie se jogando no chão – não vejo a hora de voltar para casa.
– a questão é como voltar para casa – disse Rick – não temos mais o veleiro e não há nenhum barco por aqui... alguém mais está sentindo cheiro de queimado?
Logo que ele comentou comecei a sentir um cheio de folhas secas se queimando, olhei para toda a ilha e localizei o incêndio, vinha de uma parte da floresta, olhei desanimada para eles que me devolveram o olhar, somente o treinador ficou feliz.
– vamos ainda temos um traseiros de monstros para chutar! – disse animado.
– o que vocês acham? – perguntei sorrindo para meus amigos.
– é para já – concordou Rick – ainda tenho um pouco de gás.
– eu ainda quero socar caras de focas por me deixarem acorrentada – comentou Chie tirando da bainha que ficava presa nas suas costas a sua espada.
– então vamos – falei.
Descemos a encosta do vulcão e corremos pela floresta sempre preparados para qualquer tipo de ataque ate que chegamos perto do incêndio, era uma fogueira enorme, algo me dizia que isso não era nada bom, fechei os olhos e não sei porque vi a imagem de Clarisse minha colega de chalé lá do acampamento. Demos meia volta pela grande fogueira de folhas secas e corremos para a praia aonde vimos uma menina que estava sentada em um tronco mexendo em um isqueiro, brincando de ascender e apagar.
Aquela camiseta eu reconheci, usava a mesma que eu, Rick e Chie, uma camiseta laranja que chamava a atenção de todos, depois de um tempo usando só aquilo eu comecei a gostar dela. A menina usava um short jeans sujo de tinta verde, rosa e roxo, seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo e ela tinha uma espada dentro da bainha ao seu lado.
– Clarisse? – perguntei espantada ao vê-la – o que faz aqui?
– não é claro? – perguntou olhando para mim – vim aqui para acabar de vez com vocês.
– porque? – perguntei recuando. Ela foi uma das primeiras pessoas com que conversei quando cheguei no acampamento.
– porque você está atrapalhando meus planos – ela respirou fundo – eu sabia que uma filha de Apolo ia aparecer e acabar com tudo, só não sabia que seria você. Sinto muito, mas sua vida termina aqui.
Ela sacou uma espada que era toda de metal, uma espada de verdade que feria as pessoas de verdade, me lembro de Chie me falar que nossas armas eram feitas de bronze celestial que feria apenas os monstros. Quando vi a espada de Clarisse entrei em pânico.
– o que...? – perguntou Chie erguendo sua espada – não vou te deixar sair viva daqui.
– você é corajosa filha de Atena, mas cuido de você depois – disse Clarisse – depois que eu cuidar de Debby.
– o que você ganhará matando Debby? – perguntou Rick se metendo na minha frente.
– além da vida eterna, vou ter o prazer de matar meu pai – respondeu Clarisse – por ter me enrolado todo esse tempo.
– deixe de ser ridícula, você nem sabe quem é seu pai – zombou Chie. Era muito ruim não saber quem era seu pai, eu me sentia abandonada, entendia muito bem a dor de Clarisse.
– ele me proclamou uns dias atrás – retrucou Clarisse – sabem que dia é hoje? O solstício é hoje, não posso deixar vocês passarem.
– saía da nossa frente! – gritou Chie partindo para cima de Clarisse que bloqueou o ataque de Chie mesmo tendo muitas desvantagem sobre o tamanho das espadas – se sabe quem é seu pai diga! Anda!
Chie tentou rodar suas espada para acertar as pernas de Clarisse, mas a menina pulou e se esquivou muito bem de todos os golpes de Chie que já estava ficando irritada, sua força de vontade para lutar é maior quando está com raiva, mas a filha de Atena estava cansada de mais e seus golpes começaram a ficar mais lentos.
– Tânato – gritou Clarisse – deus da morte! Agora vou mandar todos vocês falarem com ele.
Ela foi rápida e quase acertou Chie em cheio com a ponta da espada, sorte que todos os olhos de Atena conseguem ler os movimentos do adversário e Chie se esquivou, salvando sua pele de um golpe fatal, mesmo assim teve um corte na sua lateral.
– foi você quem pegou a coroa de Hera? – perguntei saindo de trás de Rick – não foi?
– não, isso foi trabalhado de um dos servos mais leiais do nosso senhor. Aquele ciclope que você matou, ele mandou uma de suas servas seduzirem Zeus, o que não é difícil, para poder descobrir aonde estava a coroa de Hera – respondeu.
– e quem é seu senhor? – perguntei, aquela voz vinda do vulcão me fez ter uma ideia de quem seja, era o maior inimigo de todos os tempos, aquele que ate hoje deseja vingança de seu filho por ter feito o que fez com ele.
– Urano – respondeu Clarisse – agora para morte!
Ela correu em minha direção. Me odeio ate hoje por isso, rapidamente uma flecha de luz surgiu e eu a prendi em meu arco e mirei no peito desprotegido de Clarisse. A menina desacelerou, parou de correr e caiu de joelhos no chão. Sua espada estava caída do seu lado, ela olhou para seu peito e viu uma flecha comum encravada nele, depois os olhos se voltaram para mim.
– acho que é meu fim – falou caindo morta no chão. Rapidamente uma poça de sangue se formou na areia da praia.
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