Sem rumo.
9 Capítulo 9
Notas iniciais
BEATRICE PRIOR
Uma luta está acontecendo dentro de mim. Já está na hora dele saber a verdade. Espero que ele ainda não esteja dormindo. Respiro fundo e finalmente crio coragem para abrir a porta. Estou encarando a figura de Tobias deitado na cama, vestindo apenas uma cueca. Meu olhar cai para seu abdômen definido e é impossível não deseja-lo. Desvio o olhar e me concentro no que irei falar, antes que eu o agarre novamente.
– Tudo começou quando minha mãe morreu. – eu suspiro e fecho a porta. Tobias se senta na cama, sem se importar de cobrir o seu corpo ou não. Ele bate no colchão, me chamando para se sentar ao seu lado. Eu não hesito e me sento ao lado dele. Respiro fundo e volto a falar. – Estávamos voltando das férias em família. Caleb e eu discutíamos no banco de trás. Papai estava em uma conferência. Mamãe se virou para reclamar comigo e então perdeu o controle do carro. – sinto um nó se formando em minha garganta quando me lembro da imagem do acidente. – Aconteceu tudo muito rápido. Minha mãe morreu na hora. Eu consegui sair do carro e Caleb também. Eu lembro que eu chamava por ela. – respiro fundo e engulo o nó. – Eu a chamava, mas ela não me respondia. – eu digo isso de forma vazia. Seca. Não consigo chorar. – Ela não me respondia, Tobias.
Tobias me olha atentamente, analisando cada expressão minha. Sei que ele está me entendendo. Sei que ele consegue me ler. E é isso que tanto me fascina nele. Ele consegue me entender como ninguém.
Ele tira uma mecha do meu cabelo e coloca atrás da orelha. Eu o encaro e volto a falar:
– Ela morreu e meu irmão, Caleb, me culpou por isso durante toda minha vida. Desde meus 14 anos eu sofro com a culpa. – faço uma pausa e Tobias e eu permanecemos em silêncio. – Depois da morte dela, a única pessoa que conseguiu me ajudar de verdade foi meu namorado. Peter, o nome dele. Crescemos juntos, mas só começamos a namorar quando eu fiz 15. Peter esperou 1 ano pra transar comigo. 1 ano. Quem esperaria tanto tempo assim? – Tobias concorda com a cabeça. – Ele foi meu primeiro namorado e a primeira pessoa que eu consegui amar depois da minha família e minha melhor amiga. Ele também foi a única pessoa com quem eu transei na minha vida. – suspiro e passo minhas mãos nos joelhos. – Então, no meu aniversário de 17 anos, quando eu estava no meu quarto me trocando pra jantar com ele, Christina chega com lágrimas nos olho. E aí ela me conta o que aconteceu. – respiro fundo. – Ele sofreu um acidente quando estava a caminho da minha casa e morreu na hora.
– É muito fardo pra uma pessoa. – Tobias diz me puxando pra um abraço. Eu aninho minha cabeça em seu peito nu e sinto ele acariciar meus cabelos. – Então, quando você perdeu Peter, você perdeu seu parceiro do crime? – ele me pergunta.
– É, basicamente isso. – eu digo.
– Caralho, Tris, é muita coisa pra uma pessoa só. Perder duas pessoas importantes na vida em pouco tempo. Agora eu entendo porquê você é tão triste. Quando você tá em silêncio, distraída, você está pensando nele? – ele pergunta.
– Sim. Na maioria das vezes, sim. – suspiro. – Não que eu não sinta falta da minha mãe. Eu sinto muita. Mas com ele é diferente. A gente planejava fazer tanta coisa junto. Ele era a única pessoa que conseguia me entender. Quando eu falei que tinha um sonho de sair pelo mundo sem destino fixo, apenas pra conhecer todos os lugares possíveis, meu pai e minha melhor amiga acharam que a depressão estava afetando meus neurônios. – solto um sorriso ao lembrar das inúmeras discussões que tivemos. – Então eu falei pra Peter, e sabe o que ele me falou? “O que ainda estamos fazendo aqui? Arrume sua mochila que sairemos hoje a noite.” – eu digo exatamente do jeito que ele me disse. – Nós faríamos essa viagem juntos, Tobias. E quando a gente se cansasse daqui, nós sairíamos do país. Itália, Inglaterra, França, Portugal, Brasil... Nós queríamos conhecer todos.
– Mas quando ele morreu, você se viu sozinha. – Tobias completa.
– Exatamente.
– Porra, Beatrice, por quê você não me contou isso antes? – ele me afasta do seu peito para que eu possa encará-lo.
– Olha pra sua vida, Tobias. Você teve um pai que te batia todo santo dia e agora ele está morrendo de um tumor. Sua mãe te abandonou quando você ainda era adolescente. Você teve que aguentar muita coisa durante muito tempo e tudo isso sozinho. Acho que eu tive receio do que você pensaria de mim. Comparado a sua, eu não sofri quase nada.
– Isso é sério?! – ele me afasta um pouco mais e fica de pé. Tento manter minha atenção na conversa, mas isso torna-se praticamente impossível quando ele veste somente uma cueca. Concentre-se, Tris. – Você tava comparando dor, Beatrice?! – sua voz se eleva mais um tom, mas ele não grita.
– Talvez. – eu digo encolhendo meus ombros. Estou envergonhada.
– Nem me vem com “talvez”. Só porque o problema de uma pessoa é mais traumático que o da outra, não significa que deva doer menos. – ele diz e se aproxima de mim. Se agacha e fica na altura dos meus olhos. Ele acaricia minha bochecha e diz: — Dor é dor, gata. – então ele beija minha bochecha e eu assinto.
Ele se levanta e se senta ao meu lado novamente. Toda vez que ele me chama de gata meu coração acelera. Ele tem esse poder sobre mim.
– Por isso que não foi difícil te convencer a fazer essa viagem comigo. – ele afirma sorrindo.
– Isso. – eu concordo. – Ela meio que já estava planejada. Só mudou o acompanhante. – eu lhe dou um sorriso gentil.
– Espero que não tenha atrapalhado seus planos.
– Não atrapalhou. – eu sorrio novamente pra ele. – Era só isso. Essa é a verdade.
– Estou feliz que tenha me contado. – ele responde e se ajeita na cama, deitando-se nela.
– Boa noite, Tobias. – eu digo me levantando.
– Boa noite, Tris. – ele sorri.
Então eu começo a caminhar em direção a saída, mas aí eu paro. Sei que o que estou prestes a fazer é mais loucura que beijar Tobias de surpresa, mas preciso perguntar. E aliás, eu quero isso.
Me aproximo novamente dele e encosto minhas costas no armário, ficando de frente pra ele e encarando-o. Ele usou o cobertor para cobrir seu corpo até a cintura, deixando seu peito totalmente nu e visível. E desejável. Respiro fundo e desvio meu olhar, olhando pra seus olhos intensos.
– Tobias, você já teve uma transa de uma noite só? – eu pergunto curiosa.
– Algumas. – ele diz sem rodeios.
– Você acha que uma garota que faz isso é uma vadia?
– Não. – ele se ajeita na cama e se senta, apoiando suas costas na parede. – Depende. – corrige. – Se uma garota faz demais, sim. Isso a torna uma vadia. Mas algumas vezes não faz mal.
– Você me acharia uma vadia se eu fizesse isso? – minhas mãos estão suadas e eu estou nervosa. Nunca disse tanta coisa que penso de uma vez só.
– Não. – ele pausa e semicerra os olhos pra mim. – Onde quer chegar, Beatrice?
– Não sei direito. Eu... – eu me arrependo de tudo que eu disse e começo a falar rápido. – Desculpa por isso, eu não sei o que aconteceu comigo, ai meu Deus, você deve me achar...
– Beatrice, pare. – Tobias diz gentilmente. Eu me calo no mesmo segundo. – Você estava prestes a me falar algo, mas então se arrependeu por medo do que eu iria achar? Nós já conversamos sobre isso. – ele revira os olhos impaciente. – Seja mais clara e tente de novo, dessa vez sem enrolação, entendido? – eu assinto.
– Eu só queria saber se você... Queria saber se nós... – tento procurar a melhor palavra pra usar, mas não consigo. Estou nervosa demais. Tobias sorri gentilmente e coloca a mão na barba rala, de forma pensativa.
– Você quer ter uma transe de uma noite só comigo? – ele completa pra mim.
– Talvez. – eu digo, mas assinto pra sua pergunta.
– Desculpa, mas eu não tô interessado em você dessa maneira. – ele diz.
Sinto como se todo meu ar tivesse sido tirado e eu tivesse levado um soco dele no estômago. Essa foi a pior humilhação que eu já passei em toda minha vida. Sem esperar, eu corro pra meu lado do quarto e fecho a porta interior. Vi que Tobias se levantou e veio atrás de mim, mas consigo bater a porta a tempo. Deslizo pela porta e me sento no chão, abraçada aos joelhos. Escuto as batidas de Tobias na porta.
– Beatrice, abre isso. – ele diz e bate mais duas vezes. Eu permaneço em silêncio e imóvel. – Beatrice, porra, dá pra me ouvir?! – ele grita.
Eu respiro fundo e me levanto. Passo a mão no cabelo, o pondo para trás. Suspiro e ponho a mão na maçaneta. Giro-a devagar e quando a abro, corro para a cama e me sento. Tobias entra no quarto — ainda de cueca — e fica de pé na minha frente.
– Eu falei que não tava interessado em você desse jeito. – ele começa e aponta pra mim.
– Por que? – eu pergunto. – Tem algo errado comigo?
– Não é isso, Beatrice. – ele se afasta um pouco e anda de um lado para o outro. Então ele para e olha pra mim. – É que você é a garota que eu não conseguiria dormir apenas uma vez. – ele suspira e isso me pega de surpresa. Ficamos em silêncio por um tempo e quando acho que ele vai sair do quarto, ele volta a falar: — Eu não posso dormir com você, mas posso te dar prazer, se você quiser. – eu o olho confusa. – Prometo que amanhã será como se nada tivesse acontecido.
Eu analiso sua expressão e tudo que ele acabou de falar. Como ele pode me dar prazer sem dormir comigo? Aliás, por quê ele não pode dormir comigo?
– Por que você não pode dormir comigo? – eu digo me levantando e cruzando os braços.
– Eu só vou dizer uma vez e você não vai poder comentar sobre isso, está bem? – ele está com um meio sorriso nos lábios. Eu assinto. – Só poderei dormir com você quando você me deixar possui-la de corpo e alma. – ele diz e de repente eu fico sem fôlego.
Eu sei o que ele quer dizer, mas eu ainda não estou pronta pra isso. Eu nunca esqueci Peter. Não posso amar uma pessoa pensando em outra. Tobias é bom. Não posso fazer isso com ele. Não é justo.
– Isso não me parece justo. – eu digo não me referindo ao comentário dele, e sim ao prazer. – Não posso fazer nada por você? Nem um boquete ou algo assim?
– Beatrice, eu falei pra não comentar. – ele diz sorrindo e balançando a cabeça negativamente. – E não, você não pode fazer nada.
– Não é justo, Tobias. O que você ganha em troca? – eu pergunto me sentindo culpada.
– Eu quero fazer isso, Tris. Se eu quero fazer, com certeza ganharei alguma coisa. – ele diz e se aproxima de mim. O bastante para conseguir sussurrar em meu ouvido: — Agora fique quieta. – ele sussurra e eu já sinto um calafrio me percorrer.
Ele me puxa pra junto dele e cola nossos corpos. Fecho os meus olhos e posso ouvir as palpitadas do meu coração. Já sinto um tremor nas minhas pernas. Ele segura meu rosto com uma mão e com a outra ele desce pela minha cintura e aperta minha bunda. Eu suspiro e deixo que ele faça o que quiser. Então ele aproxima sua boca do meu pescoço e começa a beija-lo. Eu inclino minha cabeça para trás, dando mais acesso a ele. Ele beija e lambe, me fazendo soltar gemidos fracos.
Ele me empurra gentilmente para a cama e me deita, deitando-se por cima de mim. Abro os olhos e encaro os dele. Só consigo enxergar meu desejo dentro deles. Fecho os olhos quando ele começa a beijar meu pescoço novamente, descendo para meus seios. Ele puxa a barra da camiseta do meu pijama e a tira. Eu não coloquei o sutiã e estou totalmente exposta pra ele. Não me permito abrir os olhos com medo da vergonha que estou sentindo. Tobias se afasta um pouco e logo depois sinto sua boca no meu seio direito. Ele lambe, morde e chupa um, enquanto massageia o outro. Sinto arrepios e estou tão excitada que sinto que vou explodir a qualquer momento.
Ele começa a beijar meu corpo novamente, descendo agora pela barriga. Solto suspiros e continuo de olhos fechados. Então sinto ele puxar meu short e minha calcinha. Abro os olhos e o vejo jogar longe. Ele coloca as mãos em cada coxa e olha pra mim. Eu o olho também.
– Abra as pernas pra mim, Beatrice. – ele diz com sua voz casualmente rouca e tão sexy.
Eu afasto um pouco minhas pernas uma da outra, extremamente tímida. Ele sorri e abre o máximo que consegue. Dobro meus joelhos e continuo aberta. Ele me olha e enfia o rosto no meio de minhas pernas. Eu fecho os olhos novamente e inclino a cabeça para trás.
– Agora, me diga o que você quer. – ele me provoca.
Então ele dá um beijo na virilha e eu solto um gemido rouco. Estico minha mão e agarro seu cabelo, o forçando a começar a me chupar. Ele hesita e sinto seu sorriso.
– Beatrice, uma mulher que sabe o que quer no sexo dá um puta tesão. Você vai ter que me dizer o que quer. – ele diz e usa sua língua pra lamber minha vagina.
Estou queimando por dentro, querendo-o logo. Agarro a coberta da cama e a aperto. Sinto o tremor das minhas pernas e minha respiração está totalmente descompassada. Não acredito que Tobias me fará dizer coisas sujas.
– Tobias, por favor... – eu sussurro.
– Fala. O. Que. Você. Quer. Senão. Eu. Não. Dou. – ele diz e lambe mais uma vez. Eu levanto a cabeça e me apoio nos cotovelos, para que eu possa vê-lo.
– Caralho, Tobias! Me chupa de uma vez, porra! – eu grito.
E então eu vejo o sorriso mais perverso se abrir em seus lábios e ele afunda a cabeça nas minhas pernas. Ele começa a me lamber devagar, mas logo sinto sua língua dentro de mim. Ele se afasta um pouco e começa a lamber minha coxa, enquanto roça seu polegar em meu clitóris. Sinto meu corpo tremer e então sua língua volta. Ele roça ela e lambe todos os possíveis cantos. Grito, gemo e choramingo o mais alto que posso, sem me importar com nada. Jogo minha cabeça para trás e grito de prazer. Tobias continua me estimulando. Ele beija e lambe minha barriga enquanto seus dedos me penetram. Eu gemo seu nome e isso o estimula ainda mais. Agarro seu cabelo e mordo meu lábio inferior.
Fecho minhas pernas, implorando para que ele pare, pois sinto que não vou aguentar de tanto prazer. Ele abre minhas pernas de um jeito brutal e sorri entre elas. Sua língua hábil continua trabalhando em mim e sinto que vou gozar a qualquer momento. As contrações em meu ventre são inevitáveis.
Então, em questão de segundos, eu solto um gemido alto e longo. O tremor de todo meu corpo só comprova que cheguei ao meu ápice. Levanto meu quadril do colchão e fecho os meus olhos. Tobias me lambe uma última vez e se levanta.
Me deito sobre o colchão e coloco a mão na testa. Estou tão atordoada com o que acaba de acontecer. Ainda sinto o tremor nas minhas pernas. Esse foi de longe o melhor orgasmo que eu já tive.
Tobias se aproxima de mim e afasta meu cabelo do rosto. Estou completamente suada. Ele se curva e beija minha testa, sorrindo para mim.
– Como se nada tivesse acontecido. – ele afirma o que disse mais cedo e pisca pra mim, antes de voltar pra seu quarto e fechar a porta interior.
Olho para meu corpo e sorrio. Então percebo que a luz do quarto nunca foi apagada e que eu nunca fiquei tão exposta para alguém em toda minha vida. Eu também nunca havia chamado palavrão daquele jeito. E também nunca havia implorado para ser chupada. Tobias está me enlouquecendo. Ele está mexendo comigo. E não importa quais sejam as intenções dele, eu não quero que ele pare.
Reprimo uma risada ao analisar o que ele falou. Como se nada tivesse acontecido. Claro, Tobias Eaton. Você não é bom o suficiente pra isso.
Caminho para o banheiro e escuto o chuveiro do outro lado. Tobias está tomando banho também. E eu arrisco que esse seja um banho gelado. Não consigo parar de sorrir. Tomo meu banho e coloco apenas uma camiseta e uma calcinha. Tiro o primeiro lençol da cama e me deito. Não demoro muito pra pegar no sono e mais uma vez eu consigo dormir. Sem pesadelos.
Acordo com batidas na porta e uma voz me chamando.
– Bom dia, Beatrice. – ele diz entrando no quarto e afastando as cortinas, permitindo que os raios solares penetrem a janela.
– Bom dia, Eaton. – eu digo sorrindo.
– Acordou de bom humor? Isso é bom. – ele diz cruzando os braços e olhando pra mim. – Isso é muito bom, aliás, já que daqui até Houston são oito horas de viagem.
– Quanto falta pra Flórida? – eu pergunto. Sinto tristeza ao pensar que será nosso último destino.
– Depois temos Houston, Louisiana e finalmente Flórida! – ele se senta na ponta da cama e eu afasto um pouco meus pés. – Qual lugar da Flórida você quer ir, especificamente? – ele alisa minha perna.
– Miami. – eu respondo. – Sempre tive vontade de conhecer.
– É uma ótima escolha. – ele sorri. – Agora vá se trocar.
Eu sorrio pra ele e me levanto. Saio da cama, mas antes de ir ao banheiro, eu pego um par de roupas e passo por Tobias, dando-lhe um beijo na bochecha. Ele sorri e finalmente fecho a porta. Tomo meu banho e escovo os dentes. Me olho no espelho e encaro meu reflexo. Estou parecendo uma adolescente apaixonada. Desde ontem que eu não consigo parar de sorrir.
– O simples é sexy. – eu repito as palavras de Tobias para meu reflexo e começo a me trocar.
Tranço meu cabelo para o lado e visto a roupa. Um shorts preto simples e uma regata florida. Passo um batom natural em meus lábios e suspiro. Solto um pouco de perfume pelo corpo e saio. Deixo que meu cabelo seque naturalmente. Saio do banheiro e Tobias está sentado na cama. Toda nossa bagagem já está pronta no canto do quarto.
– Como estou? – pergunto e dou uma volta.
– Gostosa. – ele responde sorrindo com malícia. – Simples. Sexy. Acho que vou ter um orgasmo se continuar olhando pra você. – eu solto uma risada e abro a porta.
Nós saímos e vamos até o saguão. Tobias acerta a conta e paga. Não discutimos mais sobre isso. Aliás, já tenho outros planos para o dinheiro que eu usaria pra isso. Espero por Tobias e saímos, indo até o estacionamento e entrando no carro.
– Não vamos comer? – eu pergunto quando ele dá a partida.
– Claro que vamos. Só não no hotel. – ele faz uma expressão de nojo. – Eu nunca fui fã de comida de hotel.
– Então você prefere aqueles enlatados?
– Não! – ele diz sorrindo. – Mas comida de hotel é ruim pra caralho. Vou te levar pra algum restaurante bom.
– Ou podemos comer um hambúrguer qualquer e jantamos quando estivermos em Houston. – eu proponho.
– Você tá falando sério? – ele tira um pouco sua atenção da estrada e olha pra mim. Ele me olha incrédulo e ao mesmo tempo maravilhado. Sorrio e afirmo com a cabeça. – Você é demais.
– Talvez. – eu digo e nós rimos.
Então meu celular toca. Eu nem lembrava mais que eu o tinha. Respiro fundo, temendo que seja uma ligação do meu pai me dando um sermão. Nós conversamos antes de sair e eu falei que precisaria de um tempo. Ele achou ter algo a ver com a depressão então concordou. Só espero que ele não tenha mudado de ideia.
Respiro fundo e ao virar o celular eu suspiro aliviada. É Christina. Então eu analiso melhor a situação e percebo que um sermão de Christina seria muito pior que o de Andrew.
– Você não vai atender? – Tobias pergunta.
Deslizo meu dedo sobre a tela e atendo. Já posso sentir meus neurônios explodindo com a voz irritante de Christina.
– Você é uma vagabunda! A pior melhor amiga de todas! – ela me diz irritada, mas sei que isso não é verdade.
– Desculpa ter saído sem me despedir. Eu precisava fazer isso. – eu digo respirando calmamente.
– Isso não significa nada, Beatrice. Como você pôde fazer isso comigo? No que você se meteu? Pra onde você tá indo? – ela começa a me encher de perguntas e não me dá tempo de responder. – Tem um cara envolvido nisso, não é? – nesse momento eu olho pra Tobias, que está concentrado na estrada. Eu sorrio e não respondo. – Eu sabia! Por isso não quis ligar antes! Eu sabia! – ela diz entusiasmada. – Quantos anos? Como ele é? Bom de cama? – não consigo reprimir o riso. – Beatrice, eu perdoo você, mas somente se você me enviar fotos dele. Acha que consegue fazer isso por sua amiga?
– Tentarei. – eu respondo sorrindo.
– Ótimo. Espero que estejam usando camisinha! Eu sou muito nova pra ser titia. – ela diz.
– Vá se foder, Christina. – eu digo de repente e só depois percebo que chamei um palavrão. – Desculpe, ele tem a boca suja.
– Imagino que ele seja um belo de um fodão. – ela diz e eu sorrio. – Eu preciso desligar. Will está me esperando e transaremos até que eu saia incapaz de andar. – eu solto uma gargalhada e sei o quanto ela está falando sério. – Eu te amo, Tris. Estou com saudades. – ela diz um pouco triste.
– Eu também amo você. Prometo que te ligo logo. – eu digo.
– Não esqueça das fotos! – ela diz e eu desligo.
Tobias me olha curioso e quando penso nas coisas que minha melhor amiga disse, não consigo evitar a gargalhada.
– O que é tão engraçado? – ele pergunta com um meio sorriso.
– Minha melhor amiga acha que estamos transando. – eu digo. Tobias solta uma risada incrivelmente gostosa.
– E o que você disse? – ele olha um pouco para mim.
– Eu não disse nada. – eu digo me ajeitando no banco e virando pra ele. – Deveria ter dito algo?
– A verdade. – ele sorri.
– Qual é a verdade? – eu pergunto receosa da sua resposta, embora eu já saiba qual seja.
– Que somos só amigos. – ele diz e isso me atinge, mas eu tento disfarçar.
–É. Só amigos. – eu aponto pra ele.
– Não somos? – ele parece estar se divertindo.
– “Amigos” – eu faço as aspas com os dedos – não fazem o que fizemos ontem.
– E o que fizemos ontem? – ele se faz de desentendido. Eu rio.
– Esse lance de “como se nada tivesse acontecido” não vai funcionar comigo. Eu sei o que aconteceu. Você sabe o que aconteceu. – eu aponto novamente. Ele sorri.
– Eu não ia tocar no assunto. – ele diz.
– Eu sei que não. – nós ficamos em silêncio. – Jura que não tem algo que eu possa fazer por você?
– Beatrice, nós já conversamos sobre isso. – ele diz revirando os olhos e suspirando. – Eu não sou aquele o Sr. Chupe meu pau por 500 dólares. – ele me lembra do tarado do ônibus. Nós gargalhamos.
– Obrigada. – eu digo e acho que ele entende o que eu quero dizer.
E então nós seguimos nossa viagem, parando para comer e conversar. Observamos o pôr-do-sol juntos e esse será um momento que eu nunca vou esquecer. Tobias liga o rádio durante a estrada e canta as músicas que ele conhece. Sinto que eu já posso morrer, porque pela primeira vez eu me sinto realizada.
Depois de exatas oito horas de viagem, nós finalmente chegamos a Houston. Tobias escolhe o melhor hotel da cidade e se encarrega de fazer a hospedagem. Ele conversa com a recepcionista e consigo perceber os olhares que ela o lança. Eu reprimo uma risada. Tobias parece provocar isso em todas as mulheres.
Chegamos nos quartos e dessa vez eles não são conjugados. O hotel está lotado e os únicos quartos disponíveis eram o 504 e 507. Não é muito longe, mas eu queria que tivéssemos ficado em quartos colados. Gosto de ouvi-lo tocar durante a noite.
Nós entramos no meu quarto e ele coloca minha bagagem ali.
– Beatrice, você tem trinta minutos para tomar banho e colocar uma roupa. Não vou esperar mais do que isso e você sabe. – ele aponta pra mim e fala sério.
– Pra onde nós vamos? – eu pergunto.
Ele se aproxima de mim, beija minha testa e diz:
– Um lugar especial. – ele sorri e antes de sair, ele me lembra: — Trinta minutos!
Eu sorrio e me lembro da última vez que fizemos isso. Fomos ao bar de Hana, Zeke e Uriah e lá ele se apresentou. Imagino que faremos algo parecido hoje, então corro para o banheiro e tomo um banho. Lavo meu cabelo e todo meu corpo.
Saio do banheiro e me arrumo. Escolho um vestido preto, de manga comprida apenas do lado direito. Ele é justo e vai até minha coxa. Escolho um salto-alto preto e coloco um batom vermelho. Não exagero na maquiagem, pois sei o que Tobias prefere. Deixo meu cabelo solto, ignorando a trança que sempre faço. Ponho um colar delicado, onde há um pingente com um corvo simples. Me olho no espelho e suspiro. Fiz um ótimo trabalho.
Quando termino, escuto Tobias bater na porta. Olho para o relógio e vejo que se passaram exatos trinta minutos. Sorrio e abro a porta. Os olhos azuis me fitam assim que ela se abre, então ele me analisa. Seu olhar vai dos meus pés até minha boca. Ele suspira e finalmente me encara novamente. Seus olhos brilham.
– Caralho, Beatrice. – ele diz sério. – Ca. Ra. Lho.
Eu apenas sorrio. Ele está absurdamente lindo. E gostoso. Ele está de camisa azul escura. Ela se ajusta perfeitamente ao seu corpo, valorizando seus músculos. Calça jeans preta e um all star. Sua jaqueta está em seu braço e imagino que ele só a colocará quando estivermos lá fora.
– Vamos? – eu digo quando termino de babar por ele.
Ele apenas sorri e nós saímos. Passamos pelo saguão e noto os olhares femininos que ele recebe. Todas querem devorá-lo. É até engraçado. Nós seguimos para o estacionamento e Tobias abre a porta para mim. Ele entra e antes de seguirmos, ele diz:
– Temos um problema.
– Qual? – pergunto receosa.
– Juro que se algum imbecil olhar pra você hoje eu o quebro na porrada. – ele diz e não consigo evitar o riso.
Nós seguimos e eu o observo o caminho todo. Ele é incrivelmente lindo. E não falo apenas por sua aparência extremamente tentadora. Eu me refiro ao que ele é por dentro. Me refiro a sua alma boa. Minha vida não é a mesma desde que ele entrou nela e eu gosto dela assim. E eu quero que ela fique assim.
Não estou apaixonada por Tobias Eaton.
Mas eu estou quase lá.
Fale com o autor