Sem rumo.

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Olá amores, como estão? ♥ Bem, desculpa por não ter postado ontem, mas é que eu viajei AHAUHAUH Enfim, a fic será atualizada a cada um dia, porque não gosto de passar muito tempo sem postar e também porque não é bom pois as vezes acabamos esquecendo o que aconteceu no capítulo anterior, certo? AHUHAUAH Bom, quero dedicar esse capítulo a Duncan Urban, que foi o primeiro a comentar a fic! Eu fiquei tão feliz, sério. Apenas no segundo capítulo, nós já conseguimos uma recomendação! Muito, muito, muito obrigada! De verdade. É isso e espero que gostem. Vejo vocês nos comentários! Boa leitura! Twitter: @poxamalec LINK DA ANTIGA FIC: http://fanfiction.com.br/historia/497329/Um_novo_comeco/

BEATRICE PRIOR

Acordo com uma dor insuportável nas costas. Tenho a plena certeza de que os ônibus não são o melhor lugar para se dormir. Estico meus braços e bocejo. Não abro muito a boca, eu devo estar com um bafo insuportável. Pego minha bolsa menor e caminho. Passo pela poltrona de Quatro e ele está dormindo, completamente esticado. Sorrio e vou até o banheiro. Tranco a porta e lavo meu rosto. Escovo os dentes e prendo meu cabelo em um coque mal feito. Suspiro e me olho no espelho. Vazia. É assim que eu me vejo.

Volto para minha poltrona e me sento. Observo pela janela a paisagem. Meus pensamentos são levados até Peter, e no quanto ele gostaria de estar aqui comigo. Eu gostaria que ele estivesse aqui. Nós pretendíamos fazer isso. Nós iríamos fazer isso. Juntos. Por que a vida é tão injusta?

Sinto as lágrimas nos meus olhos e as enxugo rapidamente. Devo me concentrar no que estou fazendo. Devo me concentrar nessa viagem. Afasto Peter do meu pensamento e tento pensar em coisas boas. Não que ele tivesse sido algo ruim na minha vida. Pelo contrário, ele foi algo maravilhoso e por isso sua perda dói tanto. Concentre-se, Tris. Pense em algo bom. Uma coisa que faz sua vida valer a pena.

Sinto alguém me chamar e me arrancar dos pensamentos. Olho para o lado e Quatro está de pé me encarando com os braços cruzados. Ele tem um sorriso cafajeste em seus lábios, o que só o deixa ainda mais atraente. Meu olhar cruza com o seu e eu arqueio a sobrancelha.

– Você não vem? – ele arqueia as dele também.

Olho para o ônibus e a grande maioria das pessoas já desceram. Deve ser mais alguma parada. Suspiro e me levanto. Quatro permite que eu desça do ônibus na sua frente e fica logo atrás de mim.

Quando descemos, vejo que estamos na estação de Denver. Ainda estamos no Colorado. Suspiro. Me pergunto porquê escolhi justamente São Francisco. Que diabos estava passando pela minha cabeça? Fica a quase 3.000 km de Chicago. Foi loucura. Tudo isso é loucura...

– Tris? – Quatro me olha curiosamente.

– Sim? – digo voltando a realidade. Estamos caminhando lado a lado.

– Mas que droga! – ele explode, mas está rindo. – Eu estive falando sozinho esse tempo todo!

– Desculpe. – espremo os lábios para não rir dele.

– Tudo bem, vamos começar de novo. – ele diz e nos sentamos em um banco da estação.

– Espera, quanto tempo nós temos? – perguntei. Não ouvi nada do que o motorista falou.

– Trinta minutos até que o ônibus saia novamente. Logo depois chegaremos em Phoenix, no Arizona, e finalmente – ele sorri – Los Angeles. Uma das melhores cidades que os Estados Unidos poderia ter.

Sorrio para ele e o observo. Os bíceps se destacam em sua camisa preta quando ele cruza os braços. Ele tem uma tatuagem. Consigo ver as pontas de algo saindo pela gola de sua camisa. Já tive muita curiosidade e vontade de perguntar o que é, mas sinto que estarei invadindo algo dele. Não somos próximos. Mal nos conhecemos. Ele está sendo gentil comigo e isso é bom. Será bom ter uma companhia nessa viagem, pelo menos até Los Angeles.

– Já chega, cansei de falar sozinho. – ele diz e estica seus braços. – Me fale, em que você está pensando?

– Em tudo. – suspiro e desvio o olhar do seu. – Posso te confessar algo?

– Sou todo ouvidos. – ele sorri.

– É loucura minha? – ele me olha curiosamente e me lembro de que menti para ele sobre a viagem. Não estou saindo sem rumo. Ele acredita que estou indo visitar minha mãe em São Francisco e vou deixar que ele pense assim. Não que eu não queria contar a verdade para ele. Eu quero. Mas o que ele pensará de mim depois disso?

– O que é loucura? – ele está sério agora.

– Nada. Bobagem minha. – espanto o pensamento com um aceno de mão e volto meu olhar para ele.

– Por que você faz isso? – ele comprime os lábios e aponta para mim. Junto as sobrancelhas e o encaro sem entender. Ele continua: — Você não fala o que se passa dentro de você por medo do que as pessoas vão achar de você. Isso não importa, Tris. Nada disso importa. – ele fez um gesto indicando o nosso redor.

– Então você age assim, sem ligar para o que todo mundo vai pensar de você? – arqueio as sobrancelhas. – E como fica sua imagem para as pessoas?

– Não importa, Tris. – ele está sorrindo para mim e suas covinhas se destacam. – Você só vive uma vez. – ele me diz como se estivesse recitando algo.

Tento absorver seu conselho. Não entendi sua última frase muito bem, mas sinto como se isso fosse me servir no futuro. O encaro. Em tão pouco tempo, Quatro conseguiu ler minha alma. Ele conseguiu fazer o que nem meu pai, nem Chris conseguiram fazer. Suspiro e olho para estação.

Quatro suspira e se levanta do banco. Ele me olha com as sobrancelhas arqueadas e aponta para mim dizendo:

– Não saia daqui. Quero te mostrar algo.

Ele sai e o vejo caminhar até o ônibus. Olho para baixo e penso no que diabos ele está prestes a me mostrar. Suspiro e quando volto a olhar para frente, ele está vindo. Ele caminha com um violão nas mãos e se senta novamente ao meu lado. O encaro perplexa.

– Mas o que...

– Só cale a boca, Tris. – ele diz. Não de forma grosseira, mas de forma divertida. Seu sorriso é lindo. Ele ajusta algumas cordas do violão e eu o continuo observando. – Agora feche os olhos. – ele pede e eu o faço.

(Aperte o play antes de ler)

Suspiro e lentamente fecho os meus olhos. Aguardo alguns segundos até que ele começa a dedilhar no violão. O som é tão angelical que sinto como se eu estivesse no paraíso. E então ele começar a cantar. Ele está quase sussurrando, como se a música fosse somente para mim. Afasto todos os pensamentos possíveis e me concentro somente na doçura de sua voz.

Ohhh ohhh

Leaves have fallen to the ground / Folhas caíram no chão
And now there's no one else around / E agora não há ninguém por perto
To hear the cry / Para ouvir o grito

Ohhh ohhh

I saw your body / Eu vi seu corpo
I saw your face / Eu vi seu rosto
Loss of presence / Perda de esperança
Loss of grace / Perda de graça
Behind those eyes / Por trás desses olhos

And we break down / E nós quebramos
We lose touch / Perdemos o contato
Sometimes / Às vezes
We are / Nós estamos
Alone / Sozinhos

Enquanto ele canta, eu sinto as lágrimas nos meus olhos. Não me permito abrir meus olhos. Ainda não é momento. Suspiro e a música preenche toda minha alma. Sinto como se Quatro pudesse me entender como ninguém jamais pôde. Ele consegue enxergar através de mim. Consegue enxergar a verdadeira Tris por trás de toda essa máscara que eu carrego desde que minha mãe e Peter morreram. Eu não sei como ele consegue fazer isso. De qualquer forma, eu não me importo no momento. Não estou vazia agora. Sinto como se pela primeira vez eu fosse preenchida.

They're never gonna change you / Eles nunca vão mudar você
They're never gonna change me / Eles nunca vão me mudar
They're never gonna change us / Eles nunca vão nos mudar
We'll always stay the same / Nós vamos sempre ficar na mesma

E então eu não escuto mais sua voz, apenas o dedilhar da canção. Eu conheço essa música. Eu costumava ouvi-la quando eu estava intacta. Há determinação na letra. Sei que é isso que Quatro quer me passar no momento. Segurança de quem eu sou. Segurança de quem eu quero ser.

Ele para de dedilhar e posso sentir que está me observando. Ainda estou com lágrimas nos olhos e temo em abri-los. Não por que tenho medo do que ele pensará de mim, e sim porque não quero que esse momento acabe.

– Pode abrir os olhos agora. – ele diz e eu os abro lentamente.

Encaro ele e ele está sorrindo para mim. Sinto as lágrimas descerem, mas não me incomodo com elas. Suspiro e ele leva lentamente seu polegar até a minha bochecha, como se esperasse minha permissão para aquilo. Fecho os olhos e mais uma lágrima cai, então sinto ele a enxugar. Abro os olhos novamente e dou um sorriso para ele.

– Vamos, temos que voltar. – ele levanta e me estende a mão.

Eu levanto e nós caminhamos lado a lado novamente, em silêncio dessa vez. Não um silêncio constrangedor, ou um silêncio perturbador, apenas um silêncio. É compreensivo. Sei que Quatro está respeitando meu momento, e eu o admiro ainda mais por isso.

Entramos no ônibus e dessa vez ele está mais cheio. Quatro pega sua bagagem e se senta ao meu lado. Fico satisfeita ao saber que já possuímos essa intimidade. Será muito bom tê-lo comigo pelo menos até Los Angeles.

Encosto minha cabeça na janela e tento absorver os últimos minutos. Foi tudo tão incrível. Esses poucos minutos fizeram toda viagem valer a pena. A voz de Quatro ainda está ecoando na minha mente. Tão doce. Tão acolhedora. Tão linda. Estou completamente encantada.

Olho para ele e ele me observa.

– Não me olhe desse jeito. – ele aponta para mim e sorri. Sinto minhas bochechas avermelharem.

– De que jeito eu estou te olhando? – eu desvio o olhar. Estou envergonhada demais para encará-lo.

– Do jeito que todas costumam olhar. – ele solta uma gargalhada.

Dou um tapa em seu ombro e reprimo uma risada também. Paramos de rir e o ônibus dá a partida. Quatro está me observando novamente e dessa vez eu o encaro também.

– Vamos, diga pra mim – ele começa – foi bom ou não?

– Quatro, foi incrível. – eu suspiro e sinto meus olhos brilharem pra ele. Droga, ele deve achar que estou caidinha por ele. – De verdade. Você já pensou em seguir carreira de cantor?

– Não! – ele quase grita e depois sorri. – Eu não nasci pra isso. A música se tornaria um trabalho e tudo que vira rotina é chato.

– Entendo. – eu digo e realmente o entendo. Eu não consegui me manter em nenhum emprego apenas por ter feito parte da mesma rotina. E realmente era extremamente chato.

– Não acha que é meio perigoso viajar sozinha? – ele diz mudando completamente de assunto.

– Talvez. – eu digo e sorrio por eu responder isso na maioria das vezes.

– Nem ouse, Beatrice. – ele aponta para mim com uma expressão brincalhona.

– Tris. – corrigi e ele deu de ombros.

Ficamos em silêncio e ele pega seu iPod e seus fones de ouvido. Ele me oferece e eu faço uma expressão de nojo, mas logo tento disfarçar.

– Você passou a viagem inteira com isso dentro do ouvido. – eu digo apertando os lábios para não rir.

Ele sorri e tira lenços antissépticos da mochila. Ele limpa seus fones e então me oferece.

– Como novos. – ele estende para mim, mas eu ainda os recuso. – Melhor assim, eu não gostaria de ter que curtir Justin Bieber ou Lady Gaga até Los Angeles.

– Eu não curto Justin Bieber. – eu semicerro os olhos e o encaro. Ele parece se divertir com isso. – E Lady Gaga é legal.

– Ah, pelos céus! – ele diz e balança a cabeça negativamente. – Por favor, cale a boca. – ele diz em meio a gargalhada.

Não consigo me manter séria e começo a rir também, e assim seguimos nossa viagem. Conversamos muito, até o anoitecer. Quatro ainda não me disse o motivo de estar indo para Vegas e eu não quis perguntar. Talvez não seja a hora certa para me dizer. Ele é cheio de mistérios. Percebi que ele é um cara reservado, mas se sente a vontade comigo e isso me deixa feliz. Posso ver que há muita coisa escondida por trás desses intensos olhos azuis e se tivéssemos mais tempos juntos, eu juro que lutaria para desvendar todos os seus segredos e o conhecer completamente. Enquanto conversamos eu me pego lamentando por o conhecer a tão pouco tempo e por termos tão pouco tempo juntos.

Percebemos o quanto está escuro e que já deve ser de madrugada. Sinto meus olhos pesarem com o cansaço e não quero dormir. Não quero perder nem um minuto longe dele. Gosto de sua amizade e gosto da forma como ele consegue me ler.

– Amigos até Los Angeles? – ele estende a mão com um sorriso nos lábios.

– Amigos até Los Angeles. – eu aperto sua mão e ele se ajeita para dormir.

Nós agora não temos o mesmo espaço que antes, então ele apenas se ajeita em sua poltrona. O vejo fechar os olhos e tento procurar uma posição para mim. Droga. Não consigo dormir desse jeito. Suspiro e encaro o colo de Quatro. Acho que seria a posição menos ruim para se dormir.

– Se quiser você pode. – ele diz sorrindo, ainda de olhos fechados.

Sorrio e hesito antes de encostar minha cabeça em seu colo. Fecho os olhos e sinto suas mãos acariciando meus cabelos. Não demoro muito até pegar no sono.

E, pela primeira vez, eu não tenho pesadelos.

Notas finais
E então amores?? O que acharam?? Comentem comentem comentem ♥ Espero vocês nos comentários e vamos aguardar o próximo capítulo!! Se tivermos muitos comentários hoje e novos "favoritos" ou recomendações, eu postarei mais um amanhã! Indiquem, espalhem, divulguem a fic e etc HAUAHAUH Beijinhoss!! Twitter: @poxamalec LINK DA ANTIGA FIC: http://fanfiction.com.br/historia/497329/Um_novo_comeco/