Sem rumo.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
TOBIAS EATON
Acordo com uma terrível dor nas costas. Abro os olhos e me estico, então percebo que Tris ainda dorme em meu colo. Me castigo mentalmente por não ser cuidadoso. Baixo meu olhar para ela e a observo dormindo. Ela é linda, ainda mais quando dorme. Quando não há aquela tristeza em seus olhos, aquele mistério na sua alma. Quando ela está completamente relaxada e despreocupada do que está acontecendo ao nosso redor. Ela fica linda assim.
Suspiro e volto meu olhar para janela. Acaricio o cabelo de Beatrice e observo a paisagem lá fora. Estamos chegando a Phoenix, nossa última parada juntos. Pensar em deixa-la viajar sozinha me dá um aperto no coração. É tão arriscado, tão perigoso. Ela está me deixando louco. Só a conheço a alguns dias e sinto que quando a deixarei, um enorme vazio se formará em meu coração. Penso que eu poderia acompanha-la até a casa da sua mãe em São Francisco. Claro que eu poderia. Mas não farei isso. Algo me diz que ela não irá visitar sua mãe. Ela inventou essa história toda e isso só me deixa mais determinado para desvendar todos os seus mistérios.
Sou arrancado dos meus pensamentos quando sinto Beatrice se remexer em meu colo. Olho para ela e a vejo abrir seus lindos olhos verdes lentamente. Ela boceja e seu bafo é quase tão terrível quanto o meu, mas ela continua linda. Incrivelmente linda.
– Bom dia, raio de sol. – eu a cumprimento, ela me olha e rapidamente ela põe a mão na boca. Reprimo um riso em meus lábios.
– Desculpe. Me dê dois segundos. – ela levanta e pega sua bolsa. A observo caminhar até o banheiro e encosto minha cabeça na poltrona.
Dois segundos. Vinte minutos depois, Tris retorna. Seu cabelo está trançado em um lado só e isso a torna angelical. Noto que ela passou maquiagem; seus olhos estão destacados com um lápis preto, suas bochechas mais rosadas e o batom que ela passou é quase neutro. E ela está linda assim, porém eu ainda a prefiro natural.
Ela passa por mim e se senta em sua poltrona. Não consigo parar de olha-la. Eu poderia ficar aqui pelo resto da minha vida, apenas admirando sua delicadeza. Suspiro, pego minha mochila e vou até o banheiro. Escovo meus dentes e lavo meu rosto. Um dos pontos negativos de se viajar de ônibus é que nós não podemos tomar banho, exceto nos banheiros das estações e até agora eu não tive a oportunidade. Por sorte, meu cheiro não está ruim.
Saio do banheiro e me sento ao lado de Tris. Ela está com a cabeça apoiada na janela e tão perdida nos pensamentos que mal nota quando eu chego. Gosto de observá-la quando ela está assim, mas sinto que estou invadindo algum lado de sua vida que ela ainda não mostrou a ninguém. Quando eu a vejo assim, eu só sinto mais vontade de conhecer a verdadeira Tris.
Ela me pega a observando e se vira para mim, dando um sorriso gentil. Eu retribuo e nós ficamos em silêncio. Seus olhos estão em mim o tempo todo e eu não desvio o meu deles.
– Por que psicologia? – eu pergunto. Ela parece ser pega de surpresa pela minha pergunta. Ela respira fundo e sinto que é mais uma coisa que ela ainda não contou a ninguém.
– Eu não sei. – ela respira fundo e continua. – Na verdade, eu acho que sei. – eu sorrio e ela também. – Bem, primeiro foi para tentar me entender, sabe? – eu concordo com a cabeça mesmo não sabendo. – Escolhi psicologia porque queria entender o que acontecia dentro de mim.
– E funcionou? – eu pergunto curioso. Quero poder entender o que acontece dentro dela também.
– Não. – ela sorri. – Eu estava entrando em conflito comigo mesma, então eu desisti.
– Do curso?
– Não! – ela quase grita e eu comprimo meus lábios para não gargalhar. – Não do curso. Eu desisti de me entender. – ela suspira e me olha. Ficamos em silêncio novamente, até que ela o quebra. – E você? Por que administração?
– Não foi por puro gosto. – eu dou um sorriso torto. — Fui forçado a cursar pelo meu pai. – eu digo e logo suspiro ao me lembrar de Marcus. Ela murmura um “hm” e eu torço para que ela não insista nesse assunto. Eu nunca conversei sobre Marcus com ninguém.
– Entendi. – ela parece entender não só o que eu falei, mas também o fato de eu estar desconfortável ao falar do meu pai. – Então, o que você gosta?
– Música. – e automaticamente os cantos da minha boca se curvam para cima.
– Não, não isso. – ela sorri também. – Diga outra coisa que você gosta.
– Fotografia? – eu me pergunto e vejo que falei em voz alta. Tris me observa com um brilho nos olhos e eu arqueio as sobrancelhas para ela. – Já pedi para parar de me olhar desse jeito. – eu digo isso de forma séria, mas não consigo prender o riso.
– Não estou paquerando você! – ela me dá um empurrão. – Só estou admirada.
– Comigo? – eu levanto apenas uma sobrancelha e prendo meu olhar no seu.
– Talvez. – ela diz e eu sinto vontade de batê-la. Eu detesto quando ela me responde assim, mas não consigo detesta-la nem por um segundo.
– Beatrice... – eu a repreendo.
– Tris. – ela me corrige impaciente.
– Como quiser. – eu levanto minhas duas mãos em sinal de rendição.
– Por que “Quatro”? – ela me pergunta.
Sinto que não devo contar para ela. Nós só ficaremos juntos até Los Angeles, então eu a pouparei disso. Ela não merece isso. Ao ser lembrado do motivo por essa pergunta, eu sinto que não deveria estar fazendo isso com ela. Ela não merece alguém como eu. Ela é tão boa e tão frágil. Eu não quero quebra-la ainda mais.
Agradeço mentalmente pelo ônibus ter feito sua parada e chegarmos a Phoenix. Suspiro e sorrio para ela, tentando não deixar transparecer o alívio na minha expressão.
– Parece que chegamos ao nosso último destino juntos. – eu digo e vejo que ela tem uma tristeza em seu olhar, mas que rapidamente ela consegue disfarçar. Se eu não fosse tão bom observador, eu não teria notado.
– Parece que sim. – ela me dá um sorriso não muito convincente.
Deixo que a passe em minha frente, não apenas no ato de cavalheirismo, mas também porque gosto de olhar sua bunda. O jeans que ela usa modela seu corpo de forma tentadora. Parece pervertido da minha parte e meu subconsciente me lembra disso todo momento, mas eu simplesmente não consigo evitar. Beatrice me atrai de forma inexplicável e juro que se eu tivesse mais tempo com ela eu investiria sem pensar duas vezes.
Descemos do ônibus e nos sentamos em um banco da estação de Phoenix. Como sempre, teremos trinta minutos para esticar as pernas e voltar praquela lataria. Suspiro e vejo que Tris está me observando. A encaro também e ela tanta permanecer séria, mas logo falha.
– Estamos parecendo dois adolescentes. – ela diz em meio ao riso.
– Então você tem mesmo 18? – eu pergunto curioso.
– Claro que sim! – ela ri.
– Desculpe, é que hoje não dá para diferenciar 20 de 14. – eu reprimo uma risada ao me lembrar de uma história. – Uma vez eu dormi com uma garota que disse ter 20 anos e eu descobri que na verdade ela tinha 16. O pai da garota quase retira minhas bolas. Acho que é alguma coisa que o governo está pondo na água.
Tris cai na gargalhada e eu me perco em sua risada. É um som absurdamente gostoso de se ouvir. Pretendo faze-la rir até o fim dessa viagem. Rio junto com ela e depois de alguns segundos conseguimos parar.
– Isso foi pedofilia! – ela me acusa com um sorriso nos lábios.
– Eu não sabia! – me defendo. – A garota não tinha corpo de 16 e muito menos gemia como uma de 16. – Tris me olha perplexa e eu não contenho o riso. Ela me dá vários tapas no braço, mas sei que está rindo disso também.
– Não acredito que disse isso! – ela põe a mão na boca para esconder o riso.
– O quê? QUE ELA GEMIA TÃO FORTE QUANTO... – eu começo a gritar e as pessoas da estação nos olham.
– Quatro! – Tris me interrompe e põe a mão na minha boca. Sinto o cheiro do seu hidratante.
Murmuro algo e ela cai na gargalhada. Ela tira a mão da minha boca e se inclina de tanto rir. Eu sorrio junto com ela. Ela encosta a cabeça em meu ombro e não minto ao dizer que fico surpreso. Passo meu braço por cima do seu ombro e a abraço de lado. Ela suspira e ficamos em silêncio, como se sentíssemos que tudo isso está chegando ao fim. De todas as pessoas que já foram embora da minha vida, Tris de longe é a que eu mais sentirei falta.
Vejo que é hora de voltarmos ao ônibus e nós caminhamos lado a lado. Ela teve uma troca repentina de humor e isso me deixa maluco. Tris não está mais sorridente. Ela agora está séria, olhando para o nada, perdida nos seus pensamentos. Na maioria das vezes eu sinto vontade de invadir sua mente e entender o porquê de tudo isso. O porquê de tantos mistérios.
Entramos e sentamos em nossas poltronas. O homem que tara a Tris ainda não tirou os olhos dela. Juro que se ele ousar fazer algo com ela eu quebro todos os seus dentes. Não quero imaginar os pensamentos podres que ele está imaginando com Tris. Ela não merece isso. Ela é angelical demais para isso. Quando passamos por ele eu sinto vontade de soca-lo até deixa-lo inconsciente. Mas não farei isso. Apenas se ele descer em Los Angeles. Aí sim, vou enche-lo de pancada.
– Quatro? – Tris me chama.
– Sim?
– Nós não comemos e a próxima parada é só em Los Angeles.
– Droga. – murmuro mais para mim mesmo.
Pego minha mochila e começo a procurar alguma coisa. Antes de sair, minha mãe colocou algo aqui dentro para comer. Coisas de mãe. No fundo da mochila consigo achar um saco de amendoim e um suco em lata. Mais uma coisa de mãe: tudo cem por cento saudável. Pego o lanche e entrego a Tris. Ela arqueia as sobrancelhas para lata de suco e eu apenas dou de ombros. Vejo que ela receia em tomar o suco na própria lata, então eu pego mais lenço antisséptico e a limpo. Ela me agradece e ainda um pouco hesitante bebe o suco. Ela me oferece, mas eu recuso. Vou deixar que ela coma algo. A última coisa que quero me preocupar é com a saúde dela. Ela termina de comer e põe o lixo em uma sacola plástica e a coloca dentro de sua bolsa.
Mais uma na lista de coisas que deverei agradecer a minha mãe: o lanche.
Tris se levanta e vai até o banheiro. O tarado tá comendo ela com os olhos. Cacete, eu vou enfiar meu punho em seus dentes. Suspiro e olho para janela, tentando me acalmar. Não dá pra me acalmar sabendo dos riscos que Tris corre se esse merda continuar na viagem. Respiro fundo e Tris volta com um sorriso triste no rosto. Não gosto de vê-la assim.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas sentindo a presença um do outro. Depois, Tris solta uma gargalhada incrivelmente diferente e todos no ônibus olham para nós. Olho para ela e não consigo prender meu sorriso. Ela fica uma graça quando ri. Pare, Tobias. Pare com isso. Que papo de veadinho é esse?
– Qual a graça? – pergunto, quando todas as pessoas não estão mais nos encarando.
– Tem pelo menos quinze mulheres nesse ônibus que já me odeiam por estar sentada com você.
– Você não pode estar falando sério. – eu inclino minha cabeça para trás de tanto dar risadas.
– Eu estou! Sério. Estou recebendo olhares mortais desde Denver. – ela ri e suas bochechas estão vermelhas.
Penso em falar do tarado para ela, mas não quero preocupa-la. Vou poupa-la, afinal eu estarei aqui ao seu lado para cuidar disso. Nós conversamos mais um pouco e ficamos em silêncio novamente. Quero ter assunto com ela. Ela é minha melhor amiga, talvez minha única amiga de verdade. Está escurecendo e Tris muda seu humor. Ela não está mais sorridente. Ela está séria, calada. Sinto como se pudesse enxergar sua alma e não me conformo com o que vejo. Ela está vazia. E eu gostaria muito de saber o motivo.
– Quanto tempo temos até Los Angeles? – Tris pergunta me fitando com aqueles lindos olhos verdes.
– Umas três horas e meia, no máximo. – eu respondo. Não quero deixar transparecer minha tristeza ao deixa-la.
Ela se mexe um pouco inquieta e vejo uma expressão triste em seu rosto. Ela levemente encosta a cabeça em meu ombro e eu passo meu braço por cima dela, a abraçando de lado. Ela fecha os olhos e suspira.
– Calma, não é tão ruim assim. – eu minto, lançando um sorriso fraco. Ela olha para cima e eu continuo encarando a minha frente. Não quero olhar em seus olhos agora. Não quero me render a ela.
– Por que sinto como se nunca mais fosse te ver novamente? – sua voz sai quase um sussurro. Dessa vez eu curvo minha cabeça e encaro seus olhos verdes. Não há lágrimas neles, mas há uma tristeza profunda.
Beijo sua testa engolindo um nó que eu nem sabia que estava preso na minha garganta. Suspiro e ficamos em silêncio por muito tempo. Tanto tempo que chego a pensar que ela dormiu no meu ombro. Encaro a janela e começo a pensar no quanto as coisas seriam diferentes se tivéssemos mais tempo juntos. Seriam melhores.
– Quatro? – ela me traz a realidade.
– Sim? – digo, ainda olhando para o lado.
– Cante para mim. – ela pede.
Surpreso com seu pedido, eu encaro seus olhos. Eles estão olhando para mim, numa mistura de tristeza com expectativa. Não posso negar nada quando vejo esse brilho. Por Deus, eu seria maluco se negasse algo a alguém como ela. Sorrio e acaricio seu cabelo. Eu me lembro de quando cantei para ela. Parece que aconteceu há tempos. Eu me senti tão intenso, tão leve. No início, minha intenção era apenas distraí-la, mas isso funcionou para mim também. Eu me senti de uma forma inexplicável. Nem que eu cantasse para uma multidão de um milhão de pessoas; nada se compararia ao que eu senti quando cantei para ela.
Suspiro e encosto meu queixo em sua cabeça. Penso em alguma música. Respiro fundo e falo baixinho:
– Pode ser na estação de Los Angeles? Eu já tenho a música, só preciso do violão. – ela faz que sim com a cabeça e eu a abraço mais forte, mas não ao ponto de machuca-la.
Não quero deixa-la.
A respiração dela se torna constante e vejo que ela conseguiu pegar no sono antes de mim. Gosto de observa-la dormindo. Sinto meus olhos pesando, mas não serei burro ao ponto de dormir. Não vou desperdiçar minhas últimas horas com ela nem fodendo.
Conforme o ônibus avança, eu vou sentindo uma pancada no estômago. Torço para que a viagem se estenda ou que o ônibus quebre ou algo assim, mas infelizmente –ou felizmente- isso não acontece.
E a hora que eu mais temi, chega. Estamos na estação de Los Angeles. O motorista anuncia a parada e os passageiros se levantam, formando uma fila no corredor. Olho para Tris que ainda dorme em meu ombro. Por que essa droga tem que ser tão difícil?
Solto um suspiro longo e a chamo, acariciando seus cabelos. Ela abri os olhos sonolentas, mas logo sua expressão muda ao se dar conta de onde estamos.
– Chegamos, não é? – ela pergunta se levantando do meu ombro e me encarando.
– Sim. – é tudo o que eu respondo.
Ela assente e pega sua bagagem. É pouca coisa. Apenas uma mochila e uma bolsa. Pego meu violão e minha mochila. Me levanto e deixo que Tris passe na minha frente. Acho que devo dar uma última olhada na bunda dela, certo? Não se torna pervertido sabendo que essa é a última vez que farei isso.
Descemos do ônibus e suspiro. O ar fresco inala meus pulmões e não há sol. Hoje vai chover. Sempre chovem quando tudo fica ruim. Caminho até o banco da estação e me sento. Tris se senta ao meu lado e eu preparo o violão, sabendo que seu olhar está sobre mim. Quando o violão está bom, eu sorrio para ela. Então eu começo. Erro os dois últimos acordes. Estou nervoso. Mas que merda, eu nunca fico nervoso.
Quando começo a pegar o ritmo da música, eu começo a cantar. Mantenho os meus olhos sobre os dela, não me permitindo desviar o olhar nem por um segundo. E então a letra simplesmente começa a sair.
(Essa é a música, caso alguém queira ouvir)
Shut the door, turn the light off / Feche a porta, apague a luz
I wanna be with you / Eu quero estar com você
I wanna feel your love / Eu quero sentir o seu amor
I wanna lay beside you / Eu quero estar ao seu lado
I cannot hide this even though I try / Eu não posso esconder isso mesmo que eu tente.
Heart beats harder / Coração bate mais forte
Time escapes me / O tempo foge de mim
Trembling hands touch skin / Mãos trêmulas tocam a pele
It makes this harder / Isto se torna difícil
And the tears stream down my face / E as lágrimas escorrem do meu rosto
If we could only have this life for one more day / Se nós pudéssemos ter essa vida por mais um dia
If we could only turn back time / Se nós apenas pudéssemos voltar no tempo
You know I'll be / Você sabe que eu serei
Your life, your voice / Sua vida, sua voz
Your reason to be my love / Sua razão parar ser meu amor
My heart is breathing for this / Meu curacao está respirando por isso
Moments in time / Momentos no tempo
I'll find the words to say / Eu acharei as palavras pra dizer
Before you leave me today / Antes que você me deixe hoje.
E eu apenas continuo tocando, pois não consigo mais cantar. Não consigo ao ver tanta tristeza nesses olhos. Sei que não é apenas por mim. Há algo por trás desses olhos. Essa tristeza profunda não é apenas por minha causa. Gostaria muito de descobrir o que a deixa tão triste, mas isso ficará apenas para uma outra vida. Se eu der sorte, posso encontra-la lá. Torço para encontra-la.
Suspiro e então paro de tocar. Tris tem os olhos sobre mim. Ela sequer piscou enquanto eu cantava. Ela desvia o olhar e encara a estação. Respiro fundo e guardo meu violão. Ponho minha mochila nas costas e me levanto. Tris se levanta também e me abraça. Deixo o violão sobre o banco e a envolvo nos meus braços. Ela deita sua cabeça em meu ombro e eu beijo sua testa. Não quero solta-la. Não quero perde-la de vez.
Enquanto estamos abraçados ela fala:
– Foi bom te conhecer.
– Foi bom te conhecer. – eu repito suas palavras e sinto um sorriso em meu peito.
Ela se afasta e eu pego meu violão. Beijo sua testa e caminho até o ponto de taxi sem olhar para trás. Se eu olhar, eu não vou conseguir deixa-la. Entro dentro do táxi e a tentação é maior. Fecho a porta e suspiro. Olho pela janela do táxi e sussurro “se cuida” quando vejo que Tris ainda me olha. Ela parece ler meus lábios e assente com a cabeça. Ela está sorrindo.
Digo ao motorista o endereço e ele dá a partida no carro. Vamos deixando a estação e sinto como se eu deixasse a minha melhor amiga ir embora. A mulher da minha vida ir embora.
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