Sem rumo.

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Olá guys, como estão? ♥ Quero me desculpar por não ter postado antes, mas tive alguns problemas de saúde e realmente não deu. Enfim, sorry. O capítulo ultrapassou as 4.000 palavras novamente e eu peço desculpas por isso HAUAHAUH Bom, a boa notícia é que temos novidades vindo por aí, e com novidades eu quero dizer que uma nova fic está pra ser lançada!! Isso mesmo, nova fic de Divergente!! Espero encontrar todo mundo lá, viu? Adoro o apoio que recebo de vocês ♥ Well, espero que gostem do capítulo e não esqueçam de comentar jamais! Boa leitura a todos! Twitter: @poxamalec P.S.: PROCURO POR ALGUÉM QUE SAIBA FAZER CAPA E TRAILER DE FICS, TANTO PARA ESSA, QUANTO PARA A QUE ESTÁ PARA SER LANÇADA! (Se souberem de alguém e possam me ajudar, se pronunciem nos comentários!)

BEATRICE PRIOR

Sinto os lábios de Tobias nos meus novamente e mais uma vez, ele me acorda com beijos, provando para mim que ele nem sempre é agressivo. Sorrio e o beijo também.

– Bom dia. – eu digo ainda sonolenta.

– São quase três da tarde, Beatrice. – ele diz com uma voz rouca incrivelmente sexy, próximo ao meu ouvido. – Acorda, vai. – ele pede e me beija suave.

Hmm... – murmuro e abro um dos olhos. Ele está sorrindo pra mim. – Não podemos dormir o dia todo? – pergunto.

Ele arqueia as sobrancelhas e faz uma expressão pensativa.

– Não. – então aponta com o dedo indicador para mim. – A não ser que você queira passar o resto do dia fazendo outras coisas nessa cama. – sorri maliciosamente.

– Sem chances, Tobias. – ele me olha desapontado. Eu sorrio. – Estou fora de combate. Pelo menos até amanhã de manhã.

– Tá falando sério? – ele põe uma mão na minha bochecha e acaricia. Parece preocupado.

– Tô. – eu continuo sorrindo pra ele e beijo seu polegar. – Não falo isso pra aumentar teu ego sexual, mas você me quebrou mesmo, amor. Me fodeu, literalmente. – eu solto um palavrão e vejo seus olhos brilharem.

– Repete. – ele acaricia meu queixo e seus olhos estão na minha boca.

– O quê? – eu pergunto envergonhada. – Que você me fod...

– Não isso. – ele me interrompe e sorri. – A parte que você me chamou de amor.

Eu beijo a ponta do seu nariz e aproximo minha boca próximo ao lóbulo da sua orelha.

– Você me quebrou, amor. – repito sussurrando.

Ele sorri e puxa minha boca para sua. Nos beijamos suavemente e nossas línguas serpenteiam juntas uma a boca do outro. Ele finaliza com beijos suaves e passa a língua no meu lábio inferior. Ele está sendo romântico. Tão romântico que não sei se consigo me acostumar com isso.

– Vou te beijar até cansar. – ele diz e eu sorrio.

– Vai com calma, você vai enjoar de mim.

– Talvez. – ele semicerra os olhos e diz a palavra que eu costumava usar. Caio na gargalhada.

– Preciso escovar os dentes. – eu digo e me arrependo de tê-lo beijado com meu bafo. Por incrível que pareça, não foi tão ruim quanto eu esperava.

– Precisa mesmo. – ele se afasta e pega a cueca box preta que tirou ontem e a veste. Eu o olho surpresa. Foi tão ruim assim pra ele? Quando estou prestes a falar algo, ele se vira e uma risada gostosa sai da sua boca. – Estou brincando, Beatrice.

Eu sorrio pra ele e fico o observando trocar de roupa. Ele veste a mesmas roupas que estava ontem e quando penso em perguntar se ele não vai tomar banho, me dou conta de que nenhuma de suas roupas está aqui. Estamos no meu quarto.

Quando tento me levantar, percebo o quanto estou dolorida lá em baixo e reprimo a dor numa expressão.

– Tá tudo bem? – Tobias diz vestindo a camisa e se virando, vindo até mim e sentando-se a beira da cama. Eu apenas assinto. – Deixa eu ver. – ele puxa a coberta da cama cuidadosamente e eu abro um pouco as pernas, afinal não há nada que aqui que ele já não tenha visto. – Caralho, você tá inchada. – ele arregala os olhos pra mim e depois sorri nervoso. – Não é nada sério, é? – eu fecho as pernas e olho pra ele.

– Não. – eu sorrio diante a preocupação dele. – Só tá assim porque eu nunca fodi tanto uma vez só. – ele arqueia as sobrancelhas e sorri pra mim.

– O que achou? – ele coloca a mão no queixo.

– Incrível. – eu digo e os cantos da minha boca se curvam pra cima. Ele revira os olhos.

– Tá, tá. – ele se levanta e me pega nos braços. Cruzo minhas mãos envolta do seu pescoço e sorrio. – Vou te mimar até o fim do dia, começando com um relaxante banho na banheira.

– Com direito a espuma? – a empolgação é nítida no tom da minha voz, que subiu umas duas oitavas. Ele sorri do meu entusiasmo.

– Você pode até escolher a cor. – dou vários beijos por todo seu rosto. – Não se acostuma, amor. Eu não sou romântico. – sinto meu coração palpitar mais forte ao ouvir como ele me chamou.

Ele me guia no banheiro e me coloca em cima do mármore da pia. Vejo-o ligar as torneiras da banheira e despejar loções que o hotel oferece. O cheiro de rosas logo invade o local e fico grata pelos produtos serem de boa qualidade.

– Tenho que comprar algumas coisas hoje, mas não consigo andar. – eu digo olhando pra ele. Ele se aproxima de mim e segura meus braços com suas mãos se movendo para cima e baixo. Ele beija o topo da minha testa e sorri gentilmente.

– Eu compro pra você. O que você quer?

– Xampu, condicionador, sabonete em líquido, óleos... – começo a tagarelar e ele sai do banheiro. Junto as sobrancelhas e quando estou prestes a resmungar, ele volta com um pequeno bloco de notas.

– Tá, eu só ouvi até a parte do condicionador. – ele diz e não consigo parar de sorrir. Ele anota algo na folha e lê pra mim. – Xampu, condicionador...

– Sim, mas não aqueles que são xampu e condicionador. Compre-os separados e de preferência da L’Oréal. – vejo-o anotar tudo e espero até que ele olha pra mim de novo. – Sabonete em líquido.

– Daqueles que têm nos banheiros dos restaurantes, né?

– Não. – dou um sorriso ao ver sua confusão. – Não desses. É daqueles que... Enfim, você vai saber do qual é. – vejo-o anotar e espero. – Óleos Johnson’s. – ele rapidamente arqueia as sobrancelhas.

– Óleos Johnson’s? Tá pensando em alguma coisa? – ele semicerra os olhos e sorri maliciosamente.

– Não! – digo de imediato e sinto o rubor nas minhas bochechas ao perceber o que ele pensou. Cruzo os braços e noto que ele olha pro meu peito balançar, mas não deixo saber que o flagrei. – Não é pra isso que você tá pensando.

– Tá. – ele balança a cabeça sorrindo e anota. – Mais alguma coisa?

– Não... Eu acho. – digo pensando se estou esquecendo algo.

– Se precisar você me liga, tá? – ele diz e me entrega meu telefone. Arqueio as sobrancelhas ao saber que ainda não trocamos os números. – Já gravei o meu aí. – ele diz, parecendo ler meus pensamentos.

Deslizo meu dedo sobre a tela e desbloqueio. Vou na agenda eletrônica e procuro pelo nome dele. O encontro na letra T e vejo que ele salvou com um tipo de emoticon apaixonado ao lado do seu nome. A foto que ele pôs no contato é uma beijando a minha bochecha enquanto durmo. Provavelmente ele tirou essa foto esta manhã.

Sorrio como uma idiota e pressiono o botão de ligar. Observo ele sorrir e pegar o celular no bolso e atender.

– Bela foto. – eu elogio com o telefone pressionado na minha orelha, mas olhando para ele.

– Obrigado. – ele sorri e fala ao telefone não desviando os olhos dos meus. – Eu volto logo.

– Promete dessa vez? – eu brinco, mas lá no fundo é verdade. Meu maior medo tornou-se ficar sem ele.

Vejo a tensão nos ombros dele, mas logo a vejo sumir. Ele é ótimo em disfarçar as emoções. Vejo que seu sorriso diminuiu um pouco, mas não sumiu por completo. Ele se aproxima de mim e cola os lábios levemente nos meus.

– Prometo.

Assinto e ele sorri para mim. Então, antes de sair, ele me pega nos braços novamente e me põe na banheira, saindo logo em seguida e fechando a porta. Talvez tenha levado a sério quando eu falei que não conseguia andar. Tá dolorido lá em baixo. Bastante, aliás. Mas sou perfeitamente dramática para fazê-lo acreditar em algo assim.

Sorrio e passo algum tempo na banheira, pensando em tudo que aconteceu nas últimas horas. Tobias e eu dormimos juntos. Meu Deus, isso realmente aconteceu e digo sem hesitação alguma que foi o melhor sexo da minha vida.

Então, o pensamento se torna algo que eu sempre soube e que me deixa apavorada no momento: o sexo sempre muda tudo. É como se você estivesse vivendo dentro de uma bolha onde tudo é seguro, só paquera, e muitas vezes previsível. Uma atração pelo tipo certo de pessoa pode durar para sempre quando o mistério de intimidade é mantido intacto, mas assim que você dorme com alguém, a segurança, a paquera e a previsibilidade costumam se transformar nos seus opostos. A atração vai acabar agora? Ainda vamos nos desejar tanto quanto nos desejávamos antes de fazer sexo? E será que um de nós não está pensando secretamente que cometemos um grande erro e deveríamos ter deixado tudo como estava? Não. Sim. E não. Sei disso porque sinto. Não é excesso de confiança nem o sonho iludido de uma jovem inexperiente e insegura. É um fato óbvio: Tobias Eaton e eu tínhamos que nos encontrar naquele ônibus em Chicago.

Coincidência é só o nome que os conformistas dão ao destino.

Rapidamente um sorriso se abre diante minha certeza e eu decido sair da banheira antes que eu pareça uma ameixa de tão seca. Me seco e saio enrolada numa toalha, notando que Tobias ainda não chegou. Vou até minha mochila e retiro um vestido branco simples florido que vai até minha coxa e um conjunto de sutiã e calcinha. Me visto e escovo meu cabelo, fazendo a trança que sei que Tobias ama.

Caminho até a sacada do quarto e abro a porta, deixando que o vento invada o cômodo. Coloco meu celular em cima da mesinha que há ali e coloco minha playlist pra tocar no aleatório. A primeira música a tocar é Hold On, da Colbie Caillat. Sorrio com a ótima escolha do aleatório e começo a cantar alto, amando o fato de estar sozinha no quarto.

Quando vai chegando ao refrão e a parte agitada da música começa, eu danço e rebolo de olhos fechados, sorrindo ao ver que minha afinação jamais se comparará a dela. Então quando me viro, solto um grito ao me assustar com a figura masculina que me encara encostada na borda da porta.

– Pra quem tá dolorida você até que tava rebolando bem essa sua bunda. – ele arqueia as sobrancelhas e um sorriso travesso toma conta dos seus lábios.

Eu já tinha até esquecido da dor que sentia lá em baixo.

Pego meu celular e pauso a música, travando-o no momento seguinte. Deixo em cima da mesinha e volto pro quarto, pegando as sacolas que Tobias trouxe e ignorando o fato dele não ter tirado nem os olhos de mim e nem o sorriso.

Coloco as sacolas em cima do colchão e abro-as, retirando tudo que ele trouxe. Não consigo evitar a risada ao ver a embalagem enorme que ele me trouxe de Óleo Johnson’s.

– Sério? – eu pego a embalagem e a levanto, de modo que ele consiga ver. – Sério isso? – o sorriso se intensifica ainda mais quando ele sorri.

– É só por prevenção. – ele mente e pisca pra mim.

Balanço a cabeça e volto a retirar as embalagens. Ele acertou em tudo, até mesmo no sabonete líquido. Então eu tiro um tipo de loção íntima e arregalo os olhos. Será que ele acha...?

– Por que comprou isso? Tem alguma coisa errada comigo... lá em baixo? Você não gosta do meu chei...

– Não é isso, amor! – ele me interrompe claramente nervoso. Não consigo deixar de sorrir. É tão automático. – É que eu achei que fosse ajudar, sabe. Na irritação. – ele revira os olhos e suspira. – Não é fácil ficar em frente um monte de produtos que você não faz a menor ideia de quê pra serve.

Deixo a embalagem no colchão e me aproximo dele, segurando suas bochechas e sorrindo.

– Eu tô brincando, Tobias. Não vai ajudar na irritação, mas o que vale é a intenção. – eu fico na ponta dos pés e o beijo suave. – Obrigada.

Vejo a tensão em seus ombros relaxarem e ele sorri pra mim.

– Por que nunca contou pra mim que sabia cantar? – ele junta as sobrancelhas e eu me afasto dele, me sentando na cama.

– Eu não sei cantar. – digo envergonhada e me sento na cama, evitando olhar pra ele.

– Não mente pra mim, Beatrice. – ele diz calmo. – Eu ouvi você.

– É feio bisbilhotar, sabia? – eu arqueio as sobrancelhas e o encaro. Ele está de braços cruzados com um sorriso cafajeste no rosto. Tenho a impressão de que seus olhos estão brilhando mais.

– Não foge do assunto. – ele adverte. – Já pensou em fazer isso em público? Tua voz é linda.

Eu me engasgo com o ar ao ouvir a palavra “público”. Não é como se eu nunca tivesse escutado Christina me incentivar a cantar nas várias vezes em que ela me flagrou, mas eu nunca levei a sério o assunto. E pensando agora, a ideia de várias pessoas me observando me deixa em pânico.

– A música não é tão difícil, então não demoro pra conseguir aprender ela. – ele diz como se pensasse distante e se senta ao meu lado.

– Tobias... – começo.

– Não, Beatrice. Não lembra da regra número quatro? – eu junto as sobrancelhas, só deixando ainda mais claro que eu esqueci. – Regra número quatro: topar tudo que eu disser. E pelo o que eu me lembre – ele aponta pra mim – você aceitou essa regra.

– Você me ameaçou! – eu sorrio.

– Regra é regra. – ele dá de ombros.

– Vai mesmo me forçar a fazer isso na frente de todo mundo? – eu o encaro e há um medo na minha voz.

– Não. – ele coloca a mão na minha bochecha e acaricia. – Só tô fazendo isso porque quero que você se sinta como eu me sinto quando estou no palco. É incrível, Beatrice. Promete pra mim que um dia você vai experimentar? – ele junta as sobrancelhas e me olha com expectativa.

– Prometo. Mas você promete pagar a fiança na delegacia depois que todos me denunciarem por minha voz? – ele solta uma risada, mas assente. – Ótimo.

Então ouço meu celular tocar e me levanto, indo até a sacada e o destravando. É Christina. Reviro os olhos e volto pro quarto, deslizando o dedo pela tela e atendendo a chamada.

– O que você quer? – eu pergunto num riso.

– Estou com saudades também, Tris! – ela diz chateada do outro lado da linha e eu gargalho ainda mais. – Não é engraçado, sua vaca! – ela me xinga, mas logo cai na risada também. – Como você tá?

– Estou ótima e você? – eu digo, feliz até demais.

Uau, o que ele deu pra você? – ela brinca. – Quando você volta? – mordo meu lábio inferior e hesito na resposta. Não sei se vou querer me separar de Tobias e voltar e não sei se ele está disposto a voltar comigo. – Você já tá fora há semanas! – só se passaram semanas? Parece que conheço Tobias há anos! – Estou maluca com todo o lance do casamento e queria que você estivesse aqui para me ajudar! Você vem pro casamento, não vem? Beatrice, nem ouse...

– Chris, você tá tagarelando sem parar. – eu a interrompo. Detesto quando Christina faz isso, apesar de saber que eu também faço. – É o seguinte, eu vou estar no seu casamento, tá legal? – noto que ela suspira de alívio. – Quando eu sair da Flórida eu vou direto pra Chicago e nós faremos tudo que você quiser, tá?

Você é a melhor amiga do mundo! – ela surta e eu sorrio. Tobias está de braços cruzados me encarando com um sorriso enquanto eu converso com Chris ao telefone. – Ele vem com você?

– Não sei. Ainda vamos falar sobre isso. – eu admito. Apesar de termos dormido juntos, não significa que ele tenha mudado de ideia sobre não ultrapassar a Flórida.

Tá, tá. Ele é o maior gato.

– Você já disse isso, Chris. – reviro os olhos.

– Tá, tá. – sei que ela também revira os dela. – Preciso te contar algo. – noto a hesitação no seu tom de voz.

– O que foi dessa vez? – pergunto receosa.

Will convidou Caleb pro casamento. E ele vem. – ela diz de uma vez e suspira, provavelmente esperando a minha reação.

– Caleb?! – grito. – Caleb, Chris?! – não consigo esconder a descrença no meu tom de voz.

Tris, você sabe que ele e Will cresceram juntos. Eles são amigos. Eu não tive como dizer não. – bufo irritada. Caleb e eu não nos falamos desde alguns meses depois que minha mãe morreu. Ele me culpou durante todos esses anos.

Tá. – suspiro. – Consigo lidar com isso.

Obrigada, Tris. De verdade. – sinto que ela está sorrindo. – Agora eu preciso voltar. Will está me esperando na cama e ele me prometeu que me foderia contra a parede, então não posso desperdiçar isso.

– Christina! – eu a repreendo horrorizada, reprimindo o riso que sei que ela não pode enxergar.

Até logo, Tris! – ela cantarola. – Não demore pra me ligar, por favor. Eu amo você. – ela encerra a chamada antes que eu possa responder.

Travo o celular e o coloco na mesinha do quarto. Sorrindo, eu volto e me sento ao lado de Tobias, que permanece de braços cruzados e me olha com curiosidade, não deixando seu sorriso transparecer.

– Christina? – ele arqueia as sobrancelhas.

– A mesma. – eu respondo sorrindo. – Ela tagarela sem parar, mas é uma boa pessoa. Você vai gostar de conhece-la no casamento... – então me dou conta de que não tenho certeza se ele vai.

– O convite ainda tá de pé? – ele sorri pra mim. – Ainda posso ser seu acompanhante?

– O lugar sempre foi seu. – eu digo e ele passa o braço por meu ombro, me abraçando de lado e me puxando para si. Encosto minha cabeça em seu peito e suspiro. – O que acontece depois da Flórida? – eu levanto a cabeça e o olho.

– Não sei, mas a gente decide isso lá, pode ser? – ele pergunta. Eu assinto e ele me beija levemente nos lábios. – Quero te levar pra jantar hoje e você parece conseguir andar. – ele sorri semicerrando os olhos e segurando meu queixo.

– Quero ficar nesse quarto até irmos pra Flórida. – faço bico.

– Beatrice, não aja como se tivesse nove anos. – ele revira os olhos sorrindo. – Vou te levar pra jantar e ponto final. Agora vá se trocar enquanto eu trago minhas coisas para cá.

– Já estava na hora de não dormirmos mais em quartos separados. – eu sorrio.

– Como quiser. – ele sorri e beija a minha testa. – 10 minutos. – ele repete como sempre e sai do quarto sorrindo.

Me levanto e vou até minha mochila, escolhendo dessa vez mais um vestido mais justo. Ele é azul escuro, quase preto, de manga comprida apenas do lado direito e seu comprimento vai até minhas coxas. Passo um pouco de rímel e batom neutro, lembrando-me do fato de que Tobias diz que fico melhor ao natural, então não exagero na maquiagem. Por fim, eu calço minhas sandálias de saltos preta e aperfeiçoo a trança. Coloco um pouco de perfume e encaro o reflexo no espelho.

Estou pronta.

Quando caminho até a mesinha do quarto pra pegar minha bolsa, Tobias entra e coloca suas coisas no canto do quarto, como sempre faz. O violão está encostado na parede e o vejo colocar ali cuidadosamente.

Ele se vira pra mim e sorri, me analisando dos pés a cabeça sem se importar em ser flagrado.

– Você está incrível nesse vestido. – ele diz pousando a mão no queixo e alisando a barba que está por fazer. – E pelo que percebo vai ser bem fácil tirar ele depois.

– Tobias, não começa. – eu sorrio. – Eu falei sério em relação a amanhã de manhã. – ele caminha até mim e encosta a boca no pé da minha orelha.

– E se eu der um beijo, passa? – ele pergunta e solta uma risada rouca. Esse é o Tobias que eu conheço.

– Vai ter que esperar até amanhã. – faço bico e ele o morde de leve.

– Não faz esse biquinho. – ele diz entre meus lábios. – Eu fico com vontade de te colocar contra parede e foder você até que implore que eu pare.

Sorrio ao me lembrar de Christina falando esse mesmo pensamento em relação a Will.

– É algum sonho de todo homem? Foder contra parede? – ele se afasta um pouco de mim para que seus olhos encontrem os meus.

– Não. – ele sorri. – Mas é gostoso pra caralho. A gente pode experimentar qualquer dia desses. – ele pisca pra mim e pega sua jaqueta de couro preta.

Eu adoraria. Penso e sorrio com meu pensamento tão pervertido.

Pego minha bolsa e passo a alça por cima do ombro, colocando o celular e a carteira dentro, mesmo sabendo que Tobias não me deixará pagar nada. Quando saímos do quarto e caminhamos pelo saguão em direção a saída, eu noto os olhares que ele recebe das mulheres aqui. Não posso julgá-las dessa vez. Ele está absurdamente lindo hoje. O jeans escuro preto, a camisa básica branca justa destacando seus músculos e mostrando a ponta da sua tatuagem, o all star e a jaqueta preta... Tudo colabora para que ele esteja irresistível.

Entramos no carro e ele dá a partida, parecendo conhecer cada rua deste lugar. E talvez ele até conheça. Seguimos nosso caminho conversando, até que o telefone de Tobias toca e ele atende.

– Fala, Zeke. – ele diz com um sorriso. – Eu tô ótimo... Sim, ela tá aqui comigo... Não, cara, desencana dessa... Puta que pariu, Zeke, você quer me foder?! – ele está irritado, mas tenta manter o tom de voz não muito alto. – Não enche... Porra, você não era assim... Quê que tá pegando?... Inferno! – ele ruge. – Vá se foder, seu imbecil. – então ele encerra a chamada e coloca o celular no apoio do carro.

Vejo Tobias continuar a dirigir com os nós dos dedos todos brancos de tanto apertar o volante. Ele não fala nada e eu temo que se eu falar alguma coisa possa estragar tudo de uma vez, então me contento com o silêncio até chegarmos ao restaurante.

Ele desliga o carro e suspira, com a cabeça encostada ao volante, então abre a porta e sai, dando a volta para abrir a minha para mim. Eu sorrio gentilmente e tento amenizar o clima entre nós, segurando sua mão. Ele sorri e a leva até seu rosto, beijando-a delicadamente.

– Desculpe por isso. Ele está me deixando maluco. – sei que se refere a Zeke.

– Tudo bem. – eu sorrio torto. – Nós podemos conversar sobre isso lá dentro, se você quiser.

Ele apenas assente e caminhamos de mãos dadas até estarmos dentro do restaurante. Tobias entrega a chave ao empregado que está encarregado de cuidar dos carros e nós entramos. O lugar é chique e refinado e imagino que jamais poderia pagar por uma refeição aqui, a menos que eu estivesse com Tobias.

Nós somos acompanhados por um garçom que nos leva até uma mesa para dois, no canto do restaurante, próximo a uma enorme janela que tem uma vista incrível. Tobias puxa a cadeira para que eu me sente em um gesto cavalheiro e eu o agradeço oferecendo um sorriso gentil.

Ele se senta a minha frente e analisa o cardápio, pedindo nossa refeição acompanhada pelo melhor vinho da casa. O garçom assente e sai.

– Vai ter que me deixar pagar a metade com você. – talvez se dividirmos não saia tão caro assim.

– Beatrice, já deixei claro que não discutiremos sobre isso. – ele revira os olhos e repousa sua mão sobre a minha, acariciando-a com seu polegar. – Eu tenho dinheiro pra viver bem até o fim da minha vida e agora que meu pai acaba de morrer, a fortuna dele também ficou pra mim. Eu não tenho a menor ideia do que fazer com tanto dinheiro, então pelo amor de Deus, me deixe ao menos pagar as coisas pra você. – ele diz exasperado.

Respiro fundo e permaneço em silêncio por alguns segundos, antes de ceder.

– Tá, mas só até chegarmos à Flórida, está bem? – ele revira os olhos e assente.

– Caleb é aquele seu irmão, não é? – ele pergunta desviando totalmente o assunto e eu semicerro os olhos em sua direção, apenas assentindo receosa para sua pergunta. – Ele vai estar no casamento?

– Sim. – suspiro. – Foi ideia do Will e Chris não pôde rebater.

– Vocês já foram próximos? – ele pergunta.

– Sim. – suspiro mais uma vez. – Quando crianças nós éramos inseparáveis; até mesmo na adolescência, que normalmente é quando os irmãos começam a brigar. Caleb e eu nunca brigávamos. Claro que algumas vezes nós discutíamos e ele implicava comigo por vários fatores, mas nada que fosse sério. Eu o amava tanto. Mas então minha mãe morreu e a única forma de conseguir lidar com isso foi me culpando. Desde o acidente que tudo mudou. Ele sempre me xingava e gritava comigo, mas eu não o culpo. Acho que tenho minha parcela de culpa sim. – digo, sentindo um nó na garganta se fechar. – Depois ele ganhou uma bolsa de estudos e está se formando em Medicina. Ele não mora mais conosco, então parou de falar comigo.

– Ele é um babaca. – Tobias bufa.

– Não sei se tô pronta para vê-lo no casamento. – admito. – Não sei qual será a reação dele, nem a minha e temo que ele faça algum tipo de cena e estrague tudo.

– Não se preocupe com isso. Eu vou estar lá com você. – ele sorri e beija minha mão.

– Obrigada. Meu pai também vai estar lá, você vai gostar dele.

– Vai me apresentar ao seu pai? – ele arqueia as sobrancelhas e sorri maliciosamente.

– Não seja idiota, Tobias. – reviro os olhos – Às vezes você não faz jus aos seus vinte anos, sabe? – sorrio.

– Isso vai ser interessante porque quando estivermos voltando pra Chicago, passaremos na casa de Evelyn. Ela quer conhecer você. – ele sorri e se encosta na cadeira, com uma expressão divertida.

– Evelyn?! – arregalo os olhos – Tá falando da sua mãe?! Você falou de mim pra ela?! – tento ignorar o meu nervosismo com a hipótese de conhecer a mãe dele e torço pra que ele não esteja falando sério. – Tobias, por favor, diga que não está falando sério. Juro que eu não conseguiria... – começo a tagarelar.

– Não seja estúpida, Beatrice. – ele revira os olhos e continua numa imitação da minha voz – Às vezes você não faz jus aos seus dezoito anos, sabe? – ele arqueia as sobrancelhas.

– Eu não falo desse jeito. – semicerro os olhos.

– Foda-se. – ele dá de ombros e ignora os olhares das pessoas. – Você vai conhecer minha mãe assim que voltarmos da Flórida e espero que esteja preparada, Beatrice.

Mostro a língua pra ele e tento disfarçar o nervosismo, mudando o assunto da conversa. O clima entre nós está leve e eu gosto dele assim. Gosto de estar com Tobias, pois todos os pensamentos escuros que tenho desde a morte de Peter não me assombram mais. É como se Tobias fosse a luz que faltava na minha vida.

Nossa comida chega e nós jantamos, conversando na maior parte do tempo. Pergunto sobre Zeke, mas Tobias me responde com respostas vagas. Talvez ele não esteja tão confortável comigo ao ponto de compartilhar todos os segredos. Dou de ombros. Seja o que for, ele não quer que eu saiba e isso me incomoda, mas eu consigo lidar.

Quando terminamos de jantar, Tobias paga e voltamos para o carro, seguindo em silêncio até o hotel. Ele tira minha roupa e eu deixo, sabendo que não estou em condições de fazer nada hoje.

Nos deitamos e ficamos abraçados, ele apenas de cueca e eu com lingerie. Conversamos sobre mais algumas coisas, como exemplo o fato de partimos amanhã para Flórida e também sobre o casamento. Tento investir no assunto de Zeke, mas novamente ele me dá respostas vagas e desvia o assunto.

Tobias tem um segredo e está escondendo de mim.

Nós adormecemos abraçados e eu repouso minha cabeça no seu peito. Antes de dormir, tento não pensar no segredo dele que tanto me incomoda. Não estou curiosa ao ponto de ligar para Zeke e pergunta-lo. Eu só temo que isso possa – de alguma maneira – nos separar, porque eu não conseguiria sobreviver sem ele.

Nós já estamos envolvidos demais para isso.

Notas finais
E então amores, o que acharam? Comentem comentem comentem ♥ Quero dizer que eu achei bem clichêzinho e bem meloso, mas prometo que não vou deixar que as coisas se tornem tão monótomas. Próximo capítulo teremos Flórida, música, encontros e uma visita inesperada!!! Quem vocês acham que será?! Lembrando que nova fic está chegando e espero encontrar vocês lá, okay? Comentem o que acharam e o que vocês gostariam do que acontecesse na Flórida! Adoraria saber a opinião ♥ Beijinhos e até logo! Twitter: @poxamalec P.S.: PROCURO POR ALGUÉM QUE SAIBA FAZER CAPA E TRAILER DE FICS, TANTO PARA ESSA, QUANTO PARA A QUE ESTÁ PARA SER LANÇADA! (Se souberem de alguém e possam me ajudar, se pronunciem nos comentários!)