Sem rumo.
16 Capítulo 16
Notas iniciais
TOBIAS EATON
Quando estamos na entrada de Miami, Tris finalmente acorda. Ela capotou desde que saímos e têm sido apenas eu e o som. E os telefonemas de Zeke. E os da minha mãe também. Tenho ignorado todos eles, porque simplesmente estou de saco cheio sobre todos me dizendo o que fazer. É minha vida, porra! E eu estou vivendo o melhor momento dela agora, com Tris ao meu lado, e temo mais que o inferno que algo possa foder nossa relação.
– Já chegamos? – ela pergunta sonolenta se esticando no banco do passageiro.
– Sim. Estou procurando um hotel bom. – eu digo, enquanto dou seta para a direita e dobro no sinal verde. – Você dormiu bastante, amor.
– Desculpa. – ela abre um dos olhos e boceja. – Quer que eu dirija agora?
– Quando nós finalmente chegamos? Tá falando sério? – desvio o olhar e finalmente olho pra ela. Reprimo uma risada ao encarar seu rosto. – Eu juro que tentei não deixar você dormir naquela posição. – eu aponto.
– O quê? – ela semicerra os olhos e encara as três listras vermelhas que se formaram no lado direito. – Obrigada. – seu tom está repleto de ironia e frustração.
– Você continua linda, amor. – eu apelo pra forma carinhosa. – Com ou sem listras.
– Não acredito que na minha primeira vez em Miami eu estarei com listras vermelhas na bochecha. – ela revira os olhos.
– Relaxa. Daqui a pouco isso some. – eu olho pra ela mais uma vez e depois volto minha atenção para o trânsito.
– Pode parar em qualquer um. – ela se refere ao hotel. Reviro os olhos. – Você sabe que eu não me importo com o luxo, amor. Qualquer coisa barata está ótima.
– Beatrice, já conversamos sobre isso. – eu a advirto. Ela revira os olhos. – Pare de revirar os olhos, droga.
– Você fez a mesma coisa! – ela acusa, desta vez os semicerrando para mim.
– Tá. – eu bufo e suspiro. – Vamos ficar no melhor hotel dessa porcaria e sem discussão. Acha que eu vou foder você em qualquer merda barata aí? E se a cama quebrar? E se quando estivermos no maior clima uma aranha ou barata aparecer? – eu reprimo uma careta só de imaginar.
Posso sentir que Tris está ruborizada.
– Você não conseguiria quebrar uma cama. – ela diz num tom meio duvidoso. Eu solto uma gargalhada.
– Você não sabe do que eu sou capaz, Beatrice. Já me viu em ação. Sabe como eu costumo agir.
– Me diz uma vez, então. – ela se vira pra mim e arqueia as sobrancelhas. Volto a olhar o trânsito e viajo nas lembranças.
– Tá, mas que fique claro que já houve várias. – ela revira os olhos e sorri. – A mais constrangedora de todas foi quando eu resolvi ir pra um motel barato depois de beber com Zeke. Ele conseguiu traçar uma gata, já eu não tive tanta sorte. Naquela noite eu dormi com uma de 41. – seu queixo cai e eu abro um largo sorriso. – Não foi tão ruim quanto eu pensei. Apesar de ser mais velha, ela sabia dar conta do recado. Sabia tão bem que conseguimos quebrar a cama. – eu olho rapidamente pra ela e pisco.
– V-você dormiu com uma mulher de 40 anos? – ela pergunta um tanto constrangida. Falar de sexo é algo que a deixa com um forte rubor nas bochechas.
– Na verdade, 41. – eu corrijo.
– Cacete, que nojo! – ela faz uma expressão incrédula.
– Não é tão ruim assim, Beatrice. Ela não era nenhuma deusa de beleza fácil, mas seu corpo era bem cuidado. Acho que a idade não importa quando a mulher sabe se conservar.
Ela fica em silêncio por alguns segundos e depois volta a falar.
– Tobias, quantas transas você já teve? – ela pergunta apoiando o cotovelo na borda da porta, claramente envergonhada.
– Tem certeza que quer falar sobre isso, amor? – pergunto receoso, mas o sorriso não abandona meus lábios.
– Tenho. – diz convicta.
– Bom, eu não sei. – admito. – Nunca parei pra contar não. Mas te garanto que já foram muitas.
– Eu imagino. – ela revira os olhos e então vejo um pensamento passar por eles. Levo alguns segundos para realmente entender.
– Beatrice, não. – eu digo sorrindo. – Amor, se é isso que você quer saber, tenha a certeza de que você foi a melhor transa da minha vida.
– Diz isso porque sou a atual. – ela cruza os braços na altura do peito e semicerra os grandes olhos brilhantes pra mim.
– Eu falo sério. – tiro minha mão direita do volante e seguro a dela, a beijando suavemente. – Juro. Foi diferente contigo, amor.
– Diferente como? – ela tenta disfarçar o sorriso e a curiosidade desviando o olhar.
Nem fodendo que eu direi primeiro.
– Diferente... – penso nas palavras. – Diferente bom; único.
Vejo um rastro de decepção passar por seus olhos, mas ele vai embora tão rápido quanto veio. Consigo achar um hotel cinco estrelas beira-mar e me convenço de que esse é ótimo. Estaciono na frente dele e dois funcionários abrem as duas respectivas portas do carro. Um me cumprimenta com um aceno de cabeça e o outro oferece a mão a Tris e a ajuda a descer do carro. Entrego a chave e nós dois seguimos para o saguão do hotel.
– Nossas malas... – Tris começa.
– Eles vão cuidar disso. – eu digo, passando o braço ao redor de sua cintura e seguindo até a recepção. Ponho meu óculos aviador preto pra esconder as olheiras e me aproximo da recepcionista, que nos oferece um sorriso gentil.
– Boa tarde, em que posso ajuda-los?
– Um quarto de casal para não fumantes. De preferência com a vista pro mar. – falo, enquanto Tris confere algumas mensagens no celular.
– Preencham este formulário enquanto eu pego as chaves. – ela me entrega algumas folhas e uma caneta, e então se afasta, caminhando até a área das chaves. Preencho tudo com meus dados e Tris preenche com os dela, ainda um pouco hesitante com a escolha do hotel. – Aqui está. – a recepcionista nos entrega dois cartões-chave e novamente sorri para nós. – Divirtam-se e bem-vindos a Miami.
Sorrio pra ela e seguro a mão de Tris, a guiando até o elevador. Nunca gostei de elevadores, mas tento ignorar meu pânico quando estou com ela. Não quero parecer um veadinho marica. Aperto o botão com o número 9 e espero, abraçando Tris por suas costas.
– Eu sempre quis conhecer aqui. – ela suspira, encostando a cabeça em meu ombro. – Fico feliz que tenha sido você que tenha me trazido.
Inclino um pouco a cabeça o suficiente para conseguir beijá-la. Selo nossos lábios suavemente, deixando os meus nos dela por alguns segundos. Não falo nada, porque temo que eu seu falar, possa foder tudo.
As portas se abrem e um casal de idosos entra. Eu ponho minha mão na porta a impedindo de fechar, enquanto pacientemente o idoso conduze sua esposa a entrar, acompanhados por uma bengala. Observo na ternura e gentileza em que ele a trata e me pergunto se um dia chegarei a ficar assim com Tris.
Seguimos para nosso quarto e passo o cartão no sensor, abrindo a porta logo em seguida. Um funcionário chega logo atrás de nós e coloca nossa bagagem cuidadosamente no canto do quarto. Dou sua gorjeta e ele sai do quarto.
– Cinco minutos pra pôr o biquíni, Beatrice. Nada a mais que isso. – falo, enquanto desabo na cama.
– Cinco minutos, amor? Sério? – ela faz biquinho e se aproxima, deitando-se por cima de mim e se inclinando para que sua boca esteja próxima a minha. Ela precisa descer de cima de mim agora ou... – E o que eu tenho que fazer pra ganhar mais dois minutinhos a mais? – sua voz é manhosa e arrastada, e ela rebola um pouco em cima de mim, me olhando fixamente nos olhos.
– Amor... – eu digo ofegante, enquanto ela rebola lentamente em cima do meu pau, que agora está latejante e duro como pedra.
Ela ignora meus protestos e se antes eu estava sonolento, agora eu estou completamente desperto e alarmado. Tris começa a morder o lóbulo da minha orelha enquanto afunda seus dedos nos meus cabelos. Depois ela traça uma linha de beijos do meu pescoço até a minha barriga, levantando minha camisa para beijar meu peitoral.
Suspiro e jogo a cabeça para trás, afundando-a no colchão da cama. Então quando Tris chega a pequena parte que há entre o umbigo e meu pau, ela para. Junto as sobrancelhas e levanto a cabeça, me deparando com um sorriso malicioso e um olhar sedutor.
– Não vou continuar. – eu semicerro os olhos. – Esse é seu castigo por ser tão controlador. – ela pisca e caminha em direção ao banheiro.
É somente quando ela fecha a porta que minha ficha cai.
Ela não vai mesmo me pagar um boquete.
Levanto atordoado e bato repetidas vezes na porta.
– Amor, estamos com um problema aqui. – eu digo, sentindo minha excitação incomodar de tanto latejar. Escuto sua risada do outro lado da porta, mas ela não se move para abri-la ou falar algo. – Beatrice, você não vai me deixar desse jeito, vai? – pergunto incrédulo. Mais silêncio. – Beatrice!
Ela abre a porta e passa por mim, desfilando com seu biquíni minúsculo azul. Eu arqueio as sobrancelhas e encaro seu corpo. O biquíni lhe caiu perfeitamente bem, conseguindo valorizar e mostra-lo de uma maneira que não seja vulgar. Faço um gesto com a mão para que ela dê a volta e ela obedece, girando o calcanhar e ficando de costas para mim. Consigo ter uma visão completa de sua bunda e caralho, como ela é linda. O biquíni cobre menos do que eu gostaria, mas não é extremamente nu e não posso ter um ataque possessivo aqui.
– Você tá bastante gata. – digo quando ela se vira pra mim. – E saiba que saindo vestida desse jeito não ajudou em porra nenhuma com meu probleminha aqui. – olho rapidamente para meu jeans.
Tris solta uma gargalhada e se aproxima de mim, envolvendo meu rosto com as mãos e beijando meus lábios com ternura.
– Obrigada. – ela sussurra. – E desculpa por não poder ajudar. Ainda tô dolorida, mas prometo que a noite a gente dá um jeito. – ela pisca pra mim e eu sorrio.
Ela se afasta e pega seu celular dentro da bolsa, discando um número, enquanto eu me dirijo ao banheiro, pretendendo tomar um banho gelado. É disso que eu preciso no momento: um bom banho gelado.
Tomo o meu banho e espero impacientemente o meu pau voltar ao estado normal. Nem fodendo que eu baterei punheta pensando nela. Não sou mais um moleque virgem louco por sexo.
Quando termino, caminho até o quarto e pego uma cueca e uma bermuda branca com xadrez azul e cinza. Não me lembro a última vez em que usei uma sunga. Me visto e pego uma regata branca, colocando-a por cima do ombro, já que pretendo-a vestir somente quando sairmos do mar. Por fim, pego meu óculos aviador e o coloco nos olhos, colocando no bolso da bermuda meu celular e o cartão de crédito.
Tris desliga o telefone e sai da sacada, voltando para o meio do quarto. Seus olhos correm por todo meu corpo e eu arqueio as sobrancelhas, esperando que seus olhar encontre o meu. Ela cruza os braços e sorri pra mim.
– Elas vão olhar pra você. – dá de ombros e veste uma saia branca curta. – Vamos?
Eu assinto e nós saímos do quarto. Entramos no elevador e descemos até a área de lazer do hotel, que tem seu acesso para praia. Tento ignorar todos os caras que olham para que ela não perceba o quanto estou com ciúme. Ouço-a tagarelar sobre o clima, a vista, o mar, as pessoas e até mesmo sobre um cachorrinho que ela achou bonitinho.
Quando seus pés tocam a areia, ela fecha os olhos e suspira. Observo o vento bater em sua trança e alguns fios soltos loiros se agitam. Sorrio enquanto ela permanece sentindo a brisa da praia.
– Exatamente como imaginei que seria. – ela suspira mais uma vez e olha pra mim com carinho. – Só que dessa vez bem melhor.
Sorrio e ela corre em direção ao mar. Ela fica mais jovem assim. Como uma adolescente que acabou de florescer e está conhecendo o mundo. Ela não tem mais aquela preocupação, nem a angústia, nem as muralhas me impedindo de atravessa-la. Ela tá livre. Ela tá leve. O alívio é nítido em suas ações e só consigo pensar no quanto essa viagem a mudou. No quanto essa viagem foi necessária pra ela e no quanto eu tô orgulhoso por ter sido o responsável. Caramba, não quero nem imaginar no que aconteceria se eu não a tivesse conhecido. Se ela tivesse pego um ônibus qualquer ou até mesmo se aquele tarado tivesse-a seduzido. A ideia de alguém tocando-a...
Saio dos pensamentos quando a vejo parada na areia do mar, molhando apenas os pés. Me aproximo dela e abraço sua cintura, ficando atrás dela.
– Você não vai entrar? – pergunto.
– Não sei. – ela diz, um pouco insegura. – Eu tenho medo.
– Do mar? – junto as sobrancelhas.
– De morrer afogada. – ela diz, enquanto encara as ondas.
– Eu sou claustrofóbico, se isso muda algo. – revelo.
– E como você faz quando entra nos elevadores? – ela se vira pra mim.
– Encaro o medo. Não é simples, mas funciona. – sorrio pra ela. – Vem, eu entro com você.
Ela hesita no início, mas depois põe sua bolsa e sua saia na areia. Ponho a carteira e o celular na sua bolsa, colocando depois a camisa na areia também. Seguro a mão de Tris e pacientemente a espero caminhar até a água. Quando o mar bate pouco acima do seu tornozelo, ela aperta minha mão e fecha os olhos.
– Sabe que eu não vou deixar nada acontecer a você, não sabe? – eu digo, sorrindo de orelha a orelha.
– Ok, vamos acabar logo com isso. – ela abre os olhos e respira fundo.
Entramos mais na água e ela solta alguns gritinhos extremamente agudos – embora baixos – sempre que uma onda bate nela. Eu reúno todas as minhas forças para não soltar uma gargalhada.
Quando a água está batendo na altura da nossa cintura, eu a abraço e ela enlaça meu pescoço com as mãos. A melhor recompensa que eu poderia ganhar dela seria o sorriso que agora tomou conta dos seus lábios, iluminando toda sua face angelical.
– É incrível. – ela diz, maravilhada.
– Podemos avançar mais um pouco, se quiser. – eu digo, sorrindo pra ela.
Ela apenas assente e eu a guio mais para frente, parando somente quando a água bate em nosso peito. Acho que aqui está bom. Paro e deixo que ela me solte e aproveite o mar. Ela hesita no começo, mas quando dou conta, logo já está mergulhando e deixando o corpo flutuar sobre a água. Eu observo tudo aquilo maravilhado e devo estar babando por ela com um idiota.
– Amor! – ela grita e isso me tira do transe. Quando olho, ela aponta para uma onda média que está vindo em nossa direção. Me aproximo dela e seguro sua mão.
– Quando eu disser três, você mergulha, tá bom? – eu pergunto e ela assente.
E quando a onda está perto o suficiente, eu grito três e nós afundamos, permitindo que ela passe por cima de nós. Voltamos pra superfície e Tris solta uma gargalhada que me dá vontade de comê-la aqui mesmo.
– Oh meu Deus, isso foi demais! – ela diz, sorrindo de orelha a orelha. – Quero fazer de novo! – a vejo nesse momento como uma criança quando acaba de ganhar um doce.
– Tá amor, a gente faz de novo. Só precisamos esperar a onda certa. – eu a abraço e a beijo. O gosto salgado misturado com seus lábios doces é interessante.
Aproveitamos o máximo que pudemos dentro do mar e apesar de estar bastante cansado, eu deixo que Tris permaneça o tempo que ela quiser e só saio quando ela diz que vai encolher depois de tanto tempo na água. Eu a beijo diversas vezes em que estamos dentro do mar, curtindo cada momento que tenho certeza de que são únicos. Ela me fala sobre sua experiência com a água e de como adquiriu o medo do afogamento, enquanto eu escuto e a admiro ainda mais.
Saímos e voltamos para areia, onde ela deita por cima de mim e me beija inúmeras vezes, sem se importar com todas as pessoas da praia que aparentemente nos olham desde que chegamos.
– Obrigada. – mais um beijo. – Obrigada. Obrigada. Obrigada. – ela me agradece, me beija uma última vez e sai de cima de mim, sentando-se ao meu lado e pegando o protetor dentro de sua bolsa.
Ela começa a passar o produto por todo seu corpo e eu a observo como ela é linda em todas as partes. Caralho, eu tenho uma puta de uma sorte por tê-la em minha vida. O peito dela balança toda vez que ela mexe os braços e eu tento desviar o meu olhar, não querendo que ninguém note minha excitação em plena praia. Ela sorri, parecendo entender meus pensamentos e pede para que eu me vire, para que possa passar protetor em minhas costas. Eu faço o que ela pede e ela começa a deslizar sua mão e tenho a certeza de que continua admirando a tatuagem. Daria tudo para saber quais são seus pensamentos agora.
Ficamos até as duas da tarde na praia, quando decido que já foi tempo o suficiente e nos dirigimos a um restaurante próximo ali. Nunca gostei de comidas de hotéis.
– Tobias, eu detesto peixe. – ela diz, enquanto eu seguro sua mão e nós caminhamos até o restaurante.
– A gente come outra coisa. – eu digo, esperando que ela entre na minha frente e caminhamos até uma mesa.
– Salada? – ela pergunta, enquanto se senta na cadeira.
– Sem chances. – eu respondo com um sorriso irônico, mas me sentindo culpado ao ver o olhar esperançoso dela murchar. – Tá, só dessa vez.
E antes que ela possa falar alguma coisa, o toque do meu celular interrompe nosso diálogo. Ela o tira da sua bolsa e me oferece.
– É Zeke. Ele ligou enquanto você estava no banho.
– Você atendeu? – pergunto, tentando recuperar o ar que de repente me faltou enquanto temo por sua resposta.
– Não. Não achei que devesse. – ela me dá um sorriso nervoso, porém sincero.
– Obrigado. Eu já volto.
Me levanto da mesa enquanto Tris faz seu pedido ao garçom que se aproximou para nos atender e caminho até o banheiro masculino, deslizando o dedo pela tela e atendendo no quarto toque.
– O que você quer? – meu tom de voz é duro.
– Você sabe, Tobias. Para de agir assim, porra! Eu tô tentando falar com você há dias! Puta que pariu, não percebe a merda que você tá fazendo?
– Zeke, a vida é minha! – grito e reviro os olhos. Estamos entrando na famosa discussão que tem sido a única desde os últimos oito meses.
– Sua mãe não para de me ligar. Ela tá preocupada pra caralho. Todo mundo aqui tá preocupado pra caralho enquanto você tá pouco se fodendo comendo uma vadia qualquer.
Meu sangue ferve e eu dou um soco na parede.
– Escuta aqui, seu filho da puta desgraçado, se você falar dela assim mais uma vez eu juro que mato você. – digo, enquanto cerro meus dentes, tentando não fazer nenhum estrago.
– Foi mal, cara. Eu não quis dizer isso. – ele diz nervoso, claramente arrependido. – Só tô preocupado, porra. Você sabe disso. Já falou com o Kang?
– Zeke, você é meu melhor amigo, mas eu te juro que tô perdendo a paciência com você. Pare de querer controlar minha vida! Eu tô puto por isso e você sabe, porra!
– A gente só quer o melhor pra você, seu ingrato! – ele grita.
– Eu sei o que é melhor pra mim. – digo furioso. – Agora vou desligar.
– Vá se foder! – ele grita e eu encerro a chamada.
Respiro fundo e passo a mão no cabelo diversas vezes antes de voltar para mesa, onde Tris espera pacientemente, com o queixo apoiado na mão, que tem o cotovelo sob a mesa.
– Desculpe a demora. – digo.
– O que realmente tá acontecendo entre vocês? – ela arqueia as sobrancelhas.
– Só brigamos muito. – eu dou de ombros e pego o cardápio, temendo de que se eu olhar pra ela possa foder tudo.
– Você tá mentindo. – ela acusa.
E vou continuar fazendo isso.
– É sério, amor. A gente só tá passando por uma fase complicada. Zeke se tornou um completo idiota. – sinto uma pontada de culpa no peito, mas tento ignorar o máximo que posso.
– Eu não o acho idiota. – ela semicerra os olhos.
– Você não o conhece. – um sorriso se forma no canto da minha boca.
– Se você diz. – ela dá de ombros e suspiro aliviado por ela deixar de lado o assunto. – Chris me ligou pra falar sobre o casamento. Você não vai me dar o bolo, vai? – vejo que ela ainda está receosa.
– Não esquenta com isso. Eu vou estar lá. – eu a asseguro, embora haja dúvida em meu coração.
– Ótimo. Ela quer que voltemos o quanto antes. – ela revira os olhos. – Acha que precisamos comprar roupas que combinem.
– Eu vou adorar isso. – digo enquanto o garçom volta com a salada dela e eu peço um filé a parmegiana. – Me fala dessa sua amiga.
– Oh-oh, você não iria querer conhece-la. – ela diz, rindo. – Ela é extremamente irritante. Manipuladora. Uma verdadeira ninfomaníaca. – ela revira os olhos e parece se perder em lembranças. – Uma vez estávamos em um bar. Peter, eu, ela e Caleb. Ela ficou alta demais e acabou transando pela primeira vez com Will no banheiro do bar. Depois de uma discussão, ela acabou beijando uma garota na frente dele, para fazer ciúmes, mas acho que não deu muito certo, já que ele ficou excitado e os três foram pra um motel. Ela havia acabado de conhecê-lo. Foi um tanto constrangedor.
– Ela parece ser legal.
– Ela é. – ela assume. – Apesar de todas as loucuras, ela foi essencial na minha vida. É uma boa pessoa. O pior defeito é que ela não tem vergonha na cara.
– Vou gostar de conhecê-la. – admito com um sorriso.
– Eu espero. – ela sorri. – Meu pai também ligou. – engulo em seco. – Depois de tanto tempo, ele finalmente me ligou. E advinha só: está noivo. – ela revira os olhos e abaixa a cabeça, respirando fundo e fechando os olhos.
Ficamos em silêncio e eu resolvo falar.
– O que você acha disso?
– Sinceramente? É um tanto estranho. Não imaginei que ele fosse substituir minha mãe tão rápido assim.
– Não foi rápido, Beatrice. Quanto tempo faz que sua mãe morreu?
– Vai completar cinco anos.
– Não foi tão rápido assim. Meu amor, o que seu pai está tentando fazer é lidar com a dor. – eu a aconselho. – A vida nos danifica, Beatrice. Mas uma coisa que aprendi é que podemos ser consertados. A noiva dele vai o ajudar a se consertar.
– Você é bem filosófico. – ela me dá um sorriso triste.
– Eu sei, mas não se apaixone. – eu brinco.
Ouço ela murmurar um “tarde demais”, mas finjo que não ouvi nada e começo a comer o filé com um sorriso que não me abandona. Nós conversamos sobre o casamento e sobre os planos de Tris pra ele. Ela está surtando porque ainda não comprou um presente de casamento adequado e não faz a menor ideia do que dar. Eu penso em aconselhá-la, mas lembro que não levo jeito nenhum para porra alguma desse tipo.
Nós saímos e voltamos para praia, onde Tris insiste que eu volte para o quarto para pegar a câmera. Eu sugiro que tiremos algumas fotos no celular, mas ela recusa. Eu não insisto muito, já que meu amor pela fotografia sempre costuma falar mais alto. Ela permanece deitada na areia, enquanto eu volto pro saguão do hotel e caminho até o elevador.
Entro e sou acompanhado por mais duas garotas, que cochicham ao me ver. Reviro os olhos por baixo do óculos escuro e me pergunto qual das duas vai partir primeiro.
– Bonita a tatuagem. – a morena peituda diz e seus olhos correm pelo meu peitoral nu. Apenas sorrio em resposta, tentando ao máximo ser educado.
– Você tá passando as férias por aqui? – a loira pergunta.
– Só dando uma volta. – eu digo e quando a porta do elevador se abre, eu aceno com a cabeça e lhes dou uma piscadela.
Saio ouvindo as risadinhas delas atrás de mim.
Tão fáceis. Penso.
Abro a porta do quarto, passando o cartão no sensor, e entro. Pego a câmera que Tris me deu de presente e saio, voltando para o elevador e seguindo do saguão até a beira do mar ignorando os olhares das mulheres. Tenho quase certeza de que elas estão secando minha tatuagem, sem ao menos saber o significado.
Volto para a areia e me aproximo de Tris, mas paro ao ver uma figura masculina conversando e rindo com ela. Semicerro os olhos e continuo a caminhar, me aproximando dos dois.
– Você tá uma gata. – o moreno diz.
– Tá mesmo, cara. – eu digo e me sento ao lado de Tris.
– Al, este é Tobias. Tobias, este é Al. Um amigo de infância. – Tris diz um tanto receosa.
– Melhor amigo. – ele corrige com um sorriso convencido e me estende a mão. Eu a ignoro.
– Eu estava conversando com Tris sobre como é uma coincidência nos encontrarmos aqui.
– Realmente. – eu forço um sorriso e me volto para Tris. – Você tá legal?
– Tá tudo bem, amor. – ela enfatiza e olho de relance para Al, que acaba de revirar os olhos. Ótimo, ele já deu conta do recado.
– Bom, eu já tô indo. Foi um prazer revê-la, Tris. Você continua adorável. – ele se levanta e ajuda a Tris a se levantar. Eu me levanto também. – Foi um prazer conhece-lo, Tobias. – ele oferece a mão e dessa vez eu a aceito, dando um aperto mais forte que o normal. Ele solta minha mão e dá um abraço de urso em Tris, a levantando do chão. – Nos vemos no casamento! – ele acena e sai.
– Não posso sair da sua cola por um minuto que os imbecis já caem em cima de você. – eu sorrio para ela.
– Al é só um amigo. – ela diz envergonhada e se abaixa para pegar bolsa. Consigo uma visão adorável de sua bunda desse jeito.
– Ele vai estar no casamento? – pergunto receoso.
– Sim. – ela passa a alça da bolsa por cima do ombro e bate a areia do corpo. – Mas você não precisa ficar preocupado com isso.
– Vou manter os olhos nele de qualquer jeito. – eu pisco para ela, que sorri e segura minha mão. – Você não quer mais ficar aqui? – junto as sobrancelhas em confusão.
– Não. – ela me dá mais um sorriso. – Chega de praia por hoje. Meu corpo tá começando a arder.
– E o que você quer fazer agora?
– Não sei. – ela pensa. – Talvez a gente possa ficar no quarto. – ela levanta as duas sobrancelhas.
– No que você tá pensando, Beatrice? – semicerro os olhos e ela me dá um sorriso malicioso.
– Acho que já tô melhor.
– Tem certeza?
– Tenho.
Sorrio para ela e a guio até chegarmos de volta ao hotel, passando pelo saguão e seguindo em direção ao elevador. Quando as portas se fecham, eu a empurro contra a parede e esmago minha boca na sua. Ela crava seus dedos nos meus cabelos e solta um gemido rouco dentro da minha boca de forma enlouquecedora. Quando as portas se abrem, eu a puxo para nosso quarto e estou tão ansioso que mal consigo passar o cartão-chave no sensor. Tris solta uma risada e faz o trabalho por mim e quando a porta se abre, eu ataco sua boca novamente e fecho a porta atrás de nós.
Empurro-a de forma brutal na cama, enquanto minhas mãos correm para sua saia e eu a tiro, junto com a calcinha do seu biquíni. Observo-a inclinar a cabeça para trás e logo me desfaço da parte de cima do biquíni e das minhas roupas também. Num único movimento, eu entro duro nela.
– Ainda tá dolorida? – pergunto, minha respiração ofegante afetada pelo tesão que sinto no momento.
– N-não. – ela respira rápido. – Assim está bom. Muito bom.
– Ok. Não fale mais nada agora, está bem? – eu digo.
Quando ela assente, eu saio e entro nela duro novamente. Ela geme e crava as unhas nas minhas costas e a medida que começo a penetra-la, ela me arranha. Quando sinto ela se apertar dentro de mim e gemer loucamente, eu saio de dentro dela. Ela choraminga em protesto.
– Agora não. – eu digo recuperando o fôlego. – Vire-se pra mim, Beatrice.
Ela assente e se vira, ficando de costas para mim. Dobro os seus joelhos e ponho suas duas mãos acima de sua cabeça, a impedindo de se mover. Vejo que ela é do tipo que gosta de ser dominada e confesso que isso enche meu pau de tesão. Tô ficando louco.
E então, quando ela está de quatro para mim e eu consigo ter uma visão incrível de sua bunda, eu meto por trás, fazendo com que ela grite e geme ao mesmo tempo. Ponho a mão direita no apoio da cama e a penetro, cada vez indo mais fundo. Os movimentos se tornam mais depressa quando sinto que ela se aperta contra mim e vejo seu corpo tremer. Quando ela goza, eu invisto mais quatro vezes antes de também chegar ao ápice e tiro antes, fazendo com que minha porra se derrame na bunda dela.
Ao ver meu líquido branco em toda sua bunda, eu estremeço e meu peito se enche de orgulho. Isso é meu. Ela é minha.
Desabo ao seu lado na cama, enquanto ela enrosca as pernas nas minhas e beija meu queixo. Eu passo o braço por seu corpo e a abraço, levando-a para mais junto de mim. Inclino a cabeça para baixo e a beijo suavemente nos lábios.
Ficamos em silêncio por um tempo, apenas absorvendo a energia que um passa para o outro. Então, quando eu penso que ela pegou no sono, escuto sua voz.
– Estou com medo.
– Medo do quê, amor? – pergunto, levantando seu queixo para que ela me encare.
– O que a gente faz depois do casamento? Você vai voltar para Los Angeles, não vai? – me surpreendo com sua pergunta porque eu ainda não pensei no assunto.
– A gente pode prolongar essa viagem. – sugiro. – Posso te levar para mais lugares que você quer conhecer.
– Sério? – seus olhos brilham de entusiasmo.
– Sério. – sorrio para ela. – Nosso lugar é na estrada, Beatrice.
– E quando a gente se cansar?
– A gente para. Podemos morar em Chicago, pra você ficar perto da família e amigos. Ou qualquer outro lugar que você queira.
– Tem certeza de que quer fazer isso comigo? – há dúvida em seu olhar.
– Tenho, amor. Tudo que eu quero é ficar ao seu lado.
Ele sorri e envolve meu rosto com ambas as mãos, me dando um beijo demorado. Acaricio seu cabelo e ficamos conversando até pegarmos no sono. Pretendemos viajar amanhã cedo, já que o casamento se aproxima e quero apresentar Tris a Evelyn. Ela está nervosa, mas empolgada com a ideia.
Tris insiste em perguntar e perguntar, principalmente sobre Zeke, mas eu continuo mentindo para ela, desviando o assunto sempre que posso. Quando consigo contar uma mentira um pouco convincente, ela dá de ombros e ignora, adormecendo nos meus braços.
Beijo o topo de sua testa quando vejo que sua respiração tornou-se regular. Acaricio seus fios loiros e a observando dormindo, sentindo uma enorme culpa por mentir tanto para ela.
– Eu queria te contar, mas eu não posso. Tenho medo de estragar tudo dessa vez e não posso arriscar perder você, nem que as coisas aconteçam diferentes. – eu digo sabendo que ela não pode me ouvir. – Estou apaixonado por você. – sussurro, porque temo que se eu disser em voz alta possa acorda-la.
E de todas as coisas que eu já disse para ela, essa é a mais verdadeira.
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