Sem rumo.
14 Capítulo 14
Notas iniciais
TOBIAS EATON
Ter gritado com ela foi um erro, mas ir atrás agora não é a melhor alternativa. Ao invés disso, poucos minutos depois dela voltar pro seu quarto, eu saio. Passo pelo saguão e ignoro todas as garotas que arriscam olhar pra mim. Não tô com cabeça pra isso. Quando estou fora do hotel, penso em pegar o carro, mas vejo que não é a melhor alternativa também, então eu apenas caminho em direção ao bar mais próximo. Sento-me próximo ao balcão e peço um copo de uísque puro.
– Começando cedo, não acha? – o garçom brinca.
– Se vocês estão abertos e estão servindo bebidas já, então não é cedo. – eu digo sem emoção na voz.
O garçom apenas me dá um sorriso amigável e desliza a bebida sobre o balcão. Não é tão cedo assim. São onde da manhã. Dou o primeiro gole e penso no quanto estou sendo covarde. Esse não é o comportamento mais adequado para se lidar com a morte de um pai violento, porém foda-se. Cada um enfrenta a dor do jeito que bem entende.
Penso em Tris. Deixei-a sozinha no hotel por volta das nove. É estranho o fato de não termos trocado nossos números um com outro depois desse tempo, mas acho que não era necessário, já que estávamos sempre juntos. A essa altura, ela deve estar pirando. Deve estar pensando no que estou fazendo. Ela já deve ter ido ao meu quarto e deve estar se perguntando se eu vou voltar. Aposto que está se lamentando por não ter meu telefone. O visor dele está estilhaçado, mas a droga ainda funciona. Eu queria que não funcionasse, já que Zeke, Johanna e Evelyn não param de me ligar.
Vou voltar pro hotel, mas somente pra pegar minhas coisas e dar o fora o mais rápido possível. Eu nunca deveria ter deixado isso ir tão longe, caramba. Ela não merece isso. Estive tão obcecado por meus sentimentos proibidos em relação a ela que quase esqueci que não posso levar isso adiante. E poderia dar certo. As coisas poderiam dar certo com Tris. Vou deixar o quarto pago por mais uns dois dias, junto com passagem de avião pra Chicago e dinheiro pra táxi. É o mínimo que eu posso fazer por ela.
Bebo mais uns dois copos de uísque e pago a conta. Não bebi pra ficar bêbado, apenas pra me acalmar, sabendo que seria necessário eu beber a porra da garrafa inteira pra isso acontecer.
Saio do bar e caminho pelas ruas de Tallahassee, parando em uma praça meio deserta e me sentando em um banco de cimento. O dia tá bastante ensolarado e eu me sinto frustrado por isso. Seria um belo dia para passear com Tris. Fico parado no banco, perdidos nos pensamentos e esperando o tempo passar. As horas se passam lentamente, mas passam. Nesse tempo, Zeke é o único que continua a me ligar. Olho no relógio do celular e são quase quatro da tarde.
Me levanto e caminho mais um pouco, sentando à margem do rio central da cidade e fico observando os barcos irem e voltarem. É relaxante. E no momento são minha única companhia, até que duas garotas se aproximam de mim. Provavelmente são turistas.
– Pretende ficar observando os barcos pra sempre? – a morena brinca, enquanto as duas se aproximam de mim. – Eu sou Molly e essa é a Veronica.
A outra morena, “Veronica”, sorri timidamente pra mim, com aquele jeito que bastava eu pedir pra ela me dar, e ela daria. Minha única reação as garotas é acenar com a cabeça, tentando ser educado, mas não dizendo meu nome.
Elas não se incomodam com minha atitude e resolvem se sentar ao meu lado. Molly senta ao meu lado e Veronica ao lado dela. Vejo que Molly é quem parte pro ataque, enquanto Veronica apenas concorda.
– Então, vai pra alguma balada hoje a noite? – ela parece animada.
– Não, não vou. – respondo sem interesse algum, mantendo os olhos fixos no rio, deixando por isso mesmo.
Já esqueci o nome das duas.
– Você devia vir com a gente. Vai ser legal. Tem bastante coisa divertida lá no d.b.a., e você parece bem entediado.
A voz dela me lembra uma hiena. É irritante e ela não para de tagarelar. Ela se aproxima mais, fazendo com que o short branco curto suba, deixando suas pernas ainda mais nuas.
Tris fica melhor num short assim.
– Não, eu tô legal. – digo.
– Então podemos fazer algo lá no hotel, só nós três. Uma coisa mais reservada. – ela se aproxima e fala bem próximo ao lóbulo da minha orelha. Acho que está tentando me seduzir.
Eu fico em silêncio e a outra finalmente resolve falar.
– A gente quer muito que você vá. Vai ser divertido. – ela sorri.
Penso na proposta. Eu poderia sair com elas. Arranjar um quarto e comê-las até me cansar, já que pretendo ir embora e nunca mais ver Tris. Aposto que como as coisas estão indo, as duas transariam na minha frente. Já passei por situações como essa várias vezes e é algo que nunca cansa.
Eu me viro pra poder encara-las e a tagarela roça os lábios nos meus. Não são quentes como os de Tris. Por que eles não são quentes como os de Tris?
Eu volto a encarar a margem do rio e decido falar.
– Sei lá. – digo. – Eu tava esperando alguém.
– A gente é companhia melhor. – a que está mais próxima de mim diz num tom sedutor, repousando a mão na minha coxa. Ela fala num tom sedutor e imagino que já é experiente em transas de uma noite só.
Transas de uma noite só. O pensamento me leva a Tris novamente e eu sorrio. A inocência por baixo daqueles lindos olhos é algo que tem me fascinado desde o momento em que a conheci. Eu posso considerar a proposta dessas garotas, afinal, Tris e eu não temos nada, exceto uma amizade interessante. Mas não posso aceitar. É como se tudo isso parecesse... errado.
Tiro a mão da garota da minha coxa e saio caminhando para longe, ouvindo os protestos delas atrás de mim. Ignoro-os com um sorriso. Tô pouco me fodendo com o fato de terem sido rejeitadas ou não. Daqui a uma hora estarão sentadas no pau de outro cara que nem se lembrarão que conversaram comigo.
Paro em um café expresso com acesso a internet e uso o computador pra comprar uma passagem aérea para Chicago. Anoto o número do voo e o código da passagem e saio. Depois, passo no caixa eletrônico e faço um saque do dinheiro mais do que suficiente pra corrida de táxi do hotel pro aeroporto, e do aeroporto de Chicago até a casa dela.
Vejo o dia se passar e logo escurece. Decido voltar pro hotel, torcendo pra que Tris já esteja dormindo. Ao entrar no saguão, eu caminho até a recepção e peço uma folha, um envelope e uma caneta. A recepcionista me atende rapidamente e me dá sorrisos mais do que gentis. Forço um sorriso pra ela, tentando ser amigável, e me sento no sofá da recepção. Respiro fundo e começo a escrever um bilhete.
Beatrice,
Desculpa por ir embora dessa forma, mas eu sei que não conseguiria partir dizendo adeus cara a cara. Pode me achar um cretino por isso, mas isso não importa. Espero que se lembre de mim, mas se esquecer for mais fácil, eu aceito isso também.
Nunca se limite, Beatrice. Tenha a certeza do que quer e nunca pare de dizer o que está sentindo, quer isso seja bom ou ruim. Não dê importância ao que os outros pensarão de você. Foda-se o resto. Você está vivendo pra você, não pra eles.
Sei que existe uma garota determinada dentro de você, que apenas eu tive a oportunidade de conhecer completamente e fico feliz por isso, mas não se importe em mostrar as pessoas o seu verdadeiro eu; saiba que ele é incrível.
O código no fim é o que você precisa informar no aeroporto pra pegar seu avião pra casa. Você só precisa da identidade. O avião sai amanhã de manhã. O dinheiro é pro táxi.
Obrigado pelos melhores dias da minha vida e por ter estado ao meu lado quando eu precisei.
Tobias.
KYYBPR
Releio o bilhete pelo menos cinco vezes até me dar por vencido. Coloco-o dentro do envelope, junto com o dinheiro e sigo pro elevador, torcendo para que Tris já esteja dormindo. O último obstáculo agora é sair de fininho. Por favor, que ela esteja dormindo. Posso ir embora sem vê-la, mas se ela me vir... Não. Foda-se. Eu consigo fazer se isso acontecer também.
E vou fazer. Isso acaba hoje.
Nunca devia ter deixado isso ir tão longe. Nós dois sabíamos que isso um dia chegaria ao fim, então não vai ser tão difícil. Ela vai ficar bem. Nós nunca dormimos juntos e nunca dissemos um ao outro aquelas três palavras malditas que só complicariam ainda mais as coisas... Mas ela vai ficar bem.
Aliás, ela nunca cedeu pra mim. Basicamente deixei tudo claro ao entregar os pontos: Só poderei dormir com você quando você me deixar possui-la de corpo e alma. Se isso não é um convite descarado, eu não sei o que é. Não é romântico, mas é o que é.
Saio do elevador quando ele chega ao nosso andar e caminho pelo corredor iluminado até chegar ao meu quarto. Quando passo pelo dela, tento fazer o menor barulho possível, temendo acordá-la. Há uma placa pendurada na maçaneta dela com o aviso NÃO PERTUBE. Sinto um aperto no peito e um embrulho no estômago. A última vez que eu usei esse aviso eu estava dentro do quarto transando. A ideia de Tris estar sendo comida por outro cara...
Foco. Preciso me concentrar. Cerro os dentes e passo pela porta dela. Dá pra ser mais neuroticamente patético? Ela nem é minha e eu acabei de ter uma crise louca de ciúme.
Passo o cartão-chave no sensor e entro no quarto. Está exatamente como eu o deixei: as roupas jogadas no canto, o violão encostado na parede, em baixo do abajur e a cama desarrumada. Ando pelo quarto, recolhendo e enfiando tudo na mochila, até mesmo as roupas sujas.
Tris teria dobrado pra mim...
Afasto a loira da cabeça e tento me concentrar. Então quando acho que acabo, vejo o carregador do celular ligado a tomada do banheiro. Quase o esqueço. Caminho até lá e o pego, colocando dentro da mochila, juntos com a escova de dentes e de cabelo que estavam lá.
Quando volto pro quarto, paraliso. Tris está de braços cruzados na porta, encarando a mim.
– Tobias, você está bem? – ela pergunta, semicerrando os olhos e se aproximando, fechando a porta atrás de si.
Sua expressão é cansada. Ela estava preocupada comigo. Permaneço em silêncio, colocando a mochila perto da cama e a fechando. Tris se aproxima mais e eu peço mentalmente pra que ela se afaste. Por que ela tem que tornar tudo mais difícil?
– Tobias, fala comigo. – ela pede com uma voz doce e suplicante. Sinto um aperto no peito. – Por favor... você me deu um puta susto. – ela diz delicadamente. – Eu sei que você precisa ir ao enterro, mas tive medo de que você me deixasse sozinha. Eu posso voltar pra casa. A gente pode se falar...
– A questão não é o enterro nem meu pai, Beatrice. – eu a interrompo. Vejo que consegui a atingir.
– Então qual é? – ela semicerra os olhos mais uma vez.
Eu apenas permaneço em silêncio, enquanto ela leva seus olhos ao redor do quarto. Me viro e finjo mexer na mochila novamente, somente para despista-la. Então é nesse momento que ela nota o envelope no bolso da minha calça e o retira. Me viro para encara-la e não consigo evitar a tensão no meu corpo.
– Beatrice... – começo.
– O que é isto? – ela pergunta, lendo seu nome e abrindo o envelope.
Eu espero. Ela se senta na cama e abre-o, retirando o bilhete, ignorando o dinheiro que tem ali. Ela tá magoada. Fico esperando até que ela termine de ler tudo. Não consigo definir o significado das suas expressões. Vejo os olhos dela se encherem de lágrimas. Acho que é a primeira vez em que vejo Tris chorar. Não sei se isso é bom.
– Eu só tô adiantando as coisas. Sabíamos que esse dia chegaria, gata. – eu digo, tentando quebrar o silêncio.
– Não me chama assim. – ela praticamente cospe as palavras em mim. – Se vai embora, você não tem mais esse direito.
– Tudo bem. – eu concordo. Ela está certa.
Vejo ela amassar o bilhete e joga-lo no chão do quarto, ignorando o fato de ter o código da passagem ali dentro. Ela caminha até o canto da janela e cruza os braços. Eu só fico parado, esperando sua explosão. Não quis magoá-la, mas sei que o fiz. Vejo ela respirar fundo várias vezes, então ela se vira pra me encarar. Seus olhos estão vermelhos e ela engole o nó na garganta repentinas vezes. Acho que não quer chorar na minha frente. Seu rosto está consumido pela ira e mágoa.
– Se você estivesse indo embora desse jeito por causa do seu pai, porque precisava ficar sozinho, e ao invés da porra de um código estivesse o seu número de telefone, eu poderia entender. – as lágrimas estão rolando pelos olhos dela. Ela está chorando. Puta que pariu, Tris nunca chora e eu fui cruel o bastante para conseguir fazer isso. – Mas ir embora por minha causa e fingir que nada aconteceu entre a gente é cruel... Magoa. Porra. – ela soluça. Agora suas palavras me feriram e me deixam com ira.
– Fingir que nada aconteceu entre a gente? Que porra você tá falando, Beatrice? – explodo, claramente irritado com suas palavras. – Quem foi que disse que eu consigo fingir que nada aconteceu? – sinto meu maxilar tremer. Jogo a mochila na cama e me aproximo até ela. – É exatamente por isso que eu tô indo embora. Eu nunca vou conseguir esquecer nada, Beatrice! Por isso não consegui encarar você! – grito.
Ela dá um passo pra trás, tentando manter distância entre nós. Não posso culpa-la. Vejo que ela está furiosa, e imagino que parte dessa fúria seja pelo fato de não conseguir parar de chorar. Não gosto de vê-la assim. Vejo pensamentos passarem em volta dos seus olhos, mas ela os ignora e caminha em direção a cama, pegando o envelope com o dinheiro e atirando-o nos meus pés.
– Tá. Vai embora, então. Mas eu pago minhas coisas. – ela grita, soluçando e me encarando.
Está prestes a falar algo, mas muda de ideia. Ela caminha apressadamente pra saída do quarto. Está fazendo aquilo de novo. Porra. Quantas vezes eu vou ter que dizer pra ela falar o que está sentindo? Eu preciso que ela fale o que tá sentindo.
– Continua com medo. – eu digo alto, caminhando atrás dela.
Ela para e se vira pra mim.
– Você não sabe porra nenhuma! – cospe.
Minha visão se embaça devido às lágrimas que se acumulam nos meus olhos. Lágrimas de fúria e mágoa. Tris ignora tudo que eu falo e bate a porta do quarto, poucos segundos depois de eu conseguir alcança-la.
Mais uma vez ela não disse o que sente.
E isso me deixa furioso.
– Beatrice, porra! Diz o que você tá sentindo! – eu grito batendo repetidas vezes na porta com os punhos cerrados.
Ela me ignora. Sei que ela não quer que eu vá embora, mas preciso ouvi-la dizer isso. Preciso saber o que se passa dentro dela. Preciso saber do que ela sente. Caralho, por que ela continua com medo?
– Por que você continua com medo? – minha voz é abafada por um nó que se formou. – Porra, me diz o que você tá sentindo! – eu volto a falar alto. Silêncio. – DIZ O QUE VOCÊ TÁ SENTINDO! – imploro.
Ouço os soluços dela do outro lado da porta. Respiro fundo, zelando a pouca paciência que tenho. A última coisa que Tris precisa nesse momento é de alguém gritando com ela.
– Abre essa porta. – eu peço encostando a testa na madeira. – Por favor, abre essa porta. – soo desesperado. – Por favor, Tris. – eu digo num suplico.
Deve ter mexido com ela de alguma forma, pois escuto o som da trava sendo aberta e quando a maçaneta gira, eu entro com tudo no quarto. Ela ainda não conseguiu parar de chorar. Eu agarro seus braços e ela olha pra mim. Sei que quer me dizer algo.
– Beatrice! – estou desesperado. – Diz o que você tá sentindo, seja o que for! Não me importa se é perigoso, idiota, doloroso ou ridículo. DIZ O QUE VOCÊ TÁ SENTINDO! – eu fito seus olhos e a balanço, desesperado. Quando vejo que ela ainda não vai falar, continuo. – Seja honesta comigo. Seja honesta com você mesma! BEATR...
– Eu quero você, porra! – ela grita. Sinto o impacto das palavras dela sobre mim. – A ideia de nunca mais te ver me rasga por dentro. – ela soluça e se solta de mim, dando dois passos para trás. – Eu quase enlouqueci quando fiquei sem você o dia todo. Não quero mais viver sem você, Tobias! Não quero!
– Fala. – eu digo exasperado – Putaquepariu, Beatrice, fala de uma vez!
– Eu quero que você me possua de corpo e alma! – ela diz e as palavras me atingem em cheio.
Sinto minhas pernas amolecerem, mas não cedo ao impulso de cair. É como se todo ar tivesse sido retirado de mim quando finalmente Tris admitiu. Caralho, estou com tanto tesão que já sinto meu pau latejar dolorosamente. Quero joga-la na cama e transar de todas as formas possíveis. Meu Deus...
– Repete, Beatrice. – eu digo me aproximando dela. Ela permanece parada, olhando pra mim ainda com os olhos cheios de lágrimas. Quero enxuga-las, mas não o faço. Tenho que provar que isso não foi um delírio. – Repete, porra.
– Eu pertenço a você... – ela soluça e olha pro chão. Quando eu estou perto o bastante, pego seu queixo e o levanto, forçando-a me encarar. – Não me deixa... – ela diz num sussurro.
Isso é o suficiente. A puxo pra mim e afundo minha língua na sua garganta. Tris corresponde o beijo na mesma intensidade, enlaçando as mãos no meu pescoço e aprofundando, me deixando louco. Acho que nunca nos beijamos tão desesperadamente. Eu a quero. Ela me quer.
A empurro em direção à cama e a deito sobre ela. Tris se separa ofegante, pondo as mãos na barra da minha camisa e a puxando. Puta que pariu, ela tá tão sexy assim. Ela tira minha camisa e seus olhos correm todo meu peito. Vejo o desejo neles. Ela passa seus dedos delicadamente pelo meu abdômen e pacientemente eu deixo.
Ela se inclina e beija a área definida, dizendo:
– Você é tão lindo.
Suas palavras me surpreendem. Achei que ela diria coisas safadas, que estimulariam nosso sexo, mas não. Ela diz um elogio simples, puro e doce. Sua inocência me deixa maluco por ela. Caralho, que garota incrível.
Eu me curvo sobre ela e a beijo novamente. Ela envolve as pernas na minha cintura e suas mãos alisam minhas costas. Tiro sua blusa e admiro seus seios. Acho que vou gozar se eu ficar olhando-a por muito tempo. Tiro seu short e sua calcinha num único movimento e vejo o quanto ela já tá molhada por mim.
– Prometo que vou ser um bom menino. – eu sussurro no seu ouvido, depois de me livrar de todas as minhas roupas.
Ela apenas fecha os olhos e assente, já envolvida no prazer. Não quero ser um bom menino. Quero foder com Tris violentamente. Quero ouvi-la implorar por meu nome. Acho que nunca quis tanto algo assim como quero isso. Mas posso me controlar por ela. Acho que esse momento vai significar pra nós e eu não quero foder tudo. Quer dizer, foder eu quero...
– Não precisa... – ela sussurra, ainda de olhos fechados. Pisco algumas vezes antes de compreender realmente o que ela quis dizer. – Apenas entre dentro de mim... Eu preciso de você dentro de mim... – ela suplica.
– Você quer que eu te foda? – pergunto confuso, colocando meu pau na sua entrada completamente molhada e inchada. Caralho. Tris apenas assente. – Meu Deus, vou te foder com tanta força... Sério. Você não faz ideia. – eu digo, enquanto minhas mãos passeiam por todo seu corpo. – Vou entrar devagar primeiro, está bem? – eu pergunto. Nunca fui de fazer perguntas durante o sexo, mas tenho que ser cuidadoso com Tris. Ela apenas assente para minha pergunta.
Eu coloco suas mãos acima da sua cabeça, segurando seus dois pulsos. Minha outra mão livre aperta seu seio e o massageia, fazendo-a gemer de prazer. Então, bem lentamente, eu vou entrando dentro dela. Vejo-a fechar os olhos e fazer uma careta de dor. Ela é tão apertada. Meu Deus, se eu não soubesse, acharia que ela era virgem. Quando meto tudo dentro dela, ela arqueia as costas e geme alto.
Espero até ela se acostumar com o tamanho até meter novamente. Meus movimentos são devagar no início e eu forço Tris manter os olhos abertos me encarando. Prendo seu lábio inferior entre os dentes e depois uso minha língua para contornar seus lábios.
Quando Tris se acostuma, eu a penetro. A penetro de maneira dolorosa; forte. Ela choraminga e geme a centímetros da minha boca, me deixando louco de tesão. Continuo entrando nela, cada vez mais rápido e forte, enquanto ela implora por mim, me deixando ainda mais determinado.
Tris consegue soltar os punhos das minhas mãos e as leva até minhas costas, cravando as unhas nela. Eu gemo de dor e prazer. Sei que amanhã estarei marcado por ela e isso, de algum modo, me fascina.
Quando vejo o corpo dela tremer e ela gemer, indicando que terá um orgasmo, eu paro e gozo junto com ela. Dentro dela. Meu líquido preenche todo seu corpo e nossas respirações estão ofegantes. Depois que meus tremores cessam, eu me deito na cama, puxando Tris para junto de mim. Ela enrosca as pernas nas minhas e aninha a cabeça no meu peito. Eu passo meus dois braços pelo seu corpo, abraçando-a de forma possessiva. Suas mãos vão para minhas costas novamente e seus dedos começam a tocar as cicatrizes e os arranhões que ela provocou em cima delas. Tá ardendo, mas é gostoso.
Quando seus dedos começam a contornar minha tatuagem, ela olha pra cima e me encara. Seus olhos cansados, sua testa suada, o cabelo bagunçado... Linda.
– O que ela significa? – ela continua contornando os símbolos com os dedos.
Com um sorriso, eu me coloco em cima dela novamente, apoiando meu peso nos cotovelos, facilitando pra ela. Ponho uma mão minha em cima da sua e a guio, explicando o significado.
– É mais um mito, como o de Orfeu, a única diferença é que esses são a base para se viver bem na sociedade. – sorrio gentilmente e me perco nos seus olhos verdes determinados. – Coragem. – eu contorno o círculo com seu dedo. – Altruísmo. – contorno agora o terceiro círculo. – Honestidade. – desço para o penúltimo círculo e o contorno também. – Inteligência. – repito o mesmo movimento no último círculo. – Gentileza. – solto da mão dela e acaricio seu rosto. – São coisas que eu não posso me esquecer de ser. Nunca.
Ela me encara admirada. Seus olhos têm um brilho incrível e eu me perco mais uma vez na intensidade deles. Me inclino e a beijo suavemente. Ela sorri e diz entre os meus lábios:
– Você é maravilhoso.
– Tá apaixonada por mim, Beatrice Prior?
– Ainda não... – ela sorri e me olha. – mas tô quase lá.
– Você é uma baita mentirosa. – eu sorrio.
– Eu sei. – ela fecha os olhos, envolvida pelo cansaço. – Eu sei.
Ficamos assim, abraçados um no outro, sem falar absolutamente nada. Quero falar várias coisas pra ela, mas temo assustá-la. Conheço Tris o suficiente para saber que as coisas tem que acontecer com calma. Enquanto espero que ela descanse um pouco, eu beijo cada centímetro do seu corpo.
Vinte minutos depois, nós recomeçamos. E quando está no fim da madrugada, eu já transei com ela de todas as maneiras que ela poderia imaginar. Na maioria delas, eu fui bastante agressivo, mas ela pareceu não se importar com isso. Pelo contrário, Tris demonstrou ter aproveitado cada minuto da experiência.
Observo-a pegar no sono e me deito ao seu lado, deixando minha mão sobre sua barriga. Afago meu rosto nos seus cabelos, e ao contrário dela, eu demoro um século pra conseguir dormir. Temo que esse momento nosso acabe e não quero perder um momento dele um segundo sequer.
Quando os raios solares atravessam as janelas e eu abro os olhos, acordo Tris com vários beijos carinhosos, ignorando o fato de não termos escovado os dentes. Ela sorri e me beija, e antes de pegarmos no sono novamente, eu faço amor com ela.
Tris e eu infringimos todas as regras. Me pergunto se nossa amizade vai permanecer intacta depois do que fizemos. Acho que vai. De qualquer forma, eu não me importo com isso. Aliás, eu tô pouco me fodendo pro resto do mundo quando estou com ela. E agora, envolto em seus braços, eu poderia morrer e nem perceberia que morri.
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