Sem rumo.

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Olá babies, como estão? ♥ Quero agradecer porque vocês continuam comentando e me incentivando. Não postei o capítulo ontem porque houveram alguns imprevistos e fiquei sem tempo. Hoje mesmo estou indo viajar, mas prometo postar amanhã -se bem que a fic é atualizada uma dia sim e um dia não, mas farei isso por você AHUAHUAHAH Bom, o capítulo ficou extremamente grande e tive que cortar algumas partes que só estarão disponíveis no próximo, pois ele passaria de 5.000 palavras e ficaria cansativo pra vocês. Espero que gostem e não esqueçam de comentar!! Beijos e boa leitura ♥ Nos vemos nos comentários! Twitter: @poxamalec P.S.: Não revisei o capítulo, então vocês poderão encontrar alguns erros e gostariam que me alertassem nos comentários. Me desculpem por isso e agradeço a compreensão.

TOBIAS EATON

Abro os olhos e encaro a figura loira que dorme angelicalmente sobre mim. Estico meu braço e pego meu celular. Confiro a hora e vejo que já devo levantar. Tiro Beatrice de mim cuidadosamente, para não acorda-la agora. Caminho até o banheiro e tomo um banho gelado. De manhã, nós já acordamos, bem, digamos que com uma leve excitação, mas isso deixa de ser leve quando se tem Beatrice Prior dormindo na mesma cama com um pijama minúsculo. Não nego que me sinto atraído pela minha melhor amiga.

Saio do banho e vou até o armário. Pego uma cueca, um jeans e uma camisa preta básica. Elas são as minhas favoritas. Olho de relance para cama, receoso de que Tris esteja acordada. Ela não está, então deixo a toalha cair e me troco. Vou até a janela e abro as cortinas, deixando os raios solares entrar. Tris se remexe na cama e abre apenas um olho. Cruzo os braços e sorrio pra ela.

– Bom dia, raio de sol. – digo.

– Bom dia. – ela diz sonolenta. Seu cabelo está bagunçado, seu rosto está amassado e sua blusa está na metade da sua barriga. Meu Deus, ela tá um tesão.

Ela se dá conta de que está quase sem blusa e a abaixa rapidamente. Suas bochechas ficam vermelhas e ela desvia o olhar do meu. Viro meu rosto um pouco de lado, para que ela não perceba que eu estou sorrindo.

Tris se levanta e vai ao banheiro. Não consigo tirar os olhos da sua bunda nem por um segundo e torço para não ser pego. Ela fecha a porta e eu respiro fundo. Passo as mãos nos cabelos e desço para preparar algo. Vim pra cá já sabendo que a casa estaria vazia. Jeanine, minha madrasta, está para se separar do meu pai; deve ter algo a ver com o tumor.

Chego na cozinha e penso no que Tris gostaria de comer. Suspiro ao ver que eu não sei preparar nada saudável. Foda-se. Vou deixar que ela experimente o melhor hambúrguer do universo. Preparo dois, um para mim e o outro para ela, e faço suco de laranja. Apesar de não ser fã de suco, consigo fazer um esforço por ela.

Assim que acabo, escuto passos delicados pela escada. Sorrio e ao me virar vejo Tris. Seu cabelo está trançado de um lado só. Ela veste uma simples camiseta amarela e uma saia branca que está acima do joelho, deixando suas belas pernas a mostra. Ela não está com maquiagem, apenas com um batom natural. Ela está muito sexy.

– O simples é sexy. – eu pisco pra ela.

Ela sorri e caminha até a mesa. Se senta e seus olhos param em mim novamente.

– O que temos pra comer?

– Suco – eu sirvo seu copo e recebo um olhar aliviado. – e... – eu pego o prato com seu hambúrguer – o melhor hambúrguer do mundo!

Vejo que o olhar aliviado já a deixa, sendo substituído por arquear de sobrancelhas e uma expressão receosa. Reprimo uma risada ao ver que essa reação é apenas por comer carboidrato no café da manhã.

– Você não vai morrer. – eu a asseguro. – É apenas um hambúrguer, Beatrice. Você consegue!

Ela olhou para o hambúrguer, depois para mim, e depois para o hambúrguer novamente. Tomou um gole de suco e pegou cuidadosamente o hambúrguer do prato. Eu acompanhava cada movimento seu com um brilho nos olhos, esperando por sua reação ao morder o hambúrguer. Depois de alguns segundos, Beatrice dá uma mordida. Quando ela consegue saborear, ela arqueia as sobrancelhas.

– Caramba, isso está maravilhoso! – ela elogia e eu sorrio orgulhoso.

Me sento e começo a comer também. Tris solta gemidos de satisfação enquanto come, e nada me deixou mais satisfeito. Não é exibição da minha parte, apenas reconhecimento de que consigo fazer o melhor hambúrguer da história. Terminamos de comer e eu ponho a louça na pia. Sigo de volta para o quarto e Tris me acompanha. Chegamos lá e ela pega sua mochila, colocando a roupa suja em um saco plástico. Vou até o armário e pego uma mochila nova. Pego também pares de roupas que eu separei ontem para viagem e coloco na mochila, sem me preocupar em dobrar e organizar. Coloco perfume, desodorante e escova de dentes. Termino. Tris ainda está organizando a sua e isso me deixa impaciente. Eu detesto esperar.

– Só coloca na mochila e pronto. – eu bufo.

– Não pode estar falando sério. – ela me olha incrédula. – Acabei! – ela diz satisfeita com a perfeita organização.

– Ótimo. – eu digo irritado. – Podemos ir agora? – ela olha para mim e depois para si mesma.

– Se vamos ver o seu pai, eu não posso ir vestida desse jeito. Não está apropriado. – ela diz e pega sua mochila para abrir. Eu a impeço.

– Nem ouse, Beatrice. Não demoraremos nem dez minutos lá e você está ótima. – ela cruza os braços e bate o pé no chão. – Não vai funcionar. – ela permanece com sua posa birrenta e eu bufo. – Estou no carro, não demore. – digo e saio do quarto.

Pego minha mochila e meu violão e ponho na mala do meu Zagato Roadster. Beatrice vai fazer birra pelo modelo do carro, eu a conheço o suficiente para saber disso. Eu vi o jeito que ela encarou o carro de Marcus e até achei engraçado. Ela é uma graça quando está brava.

Minutos depois, ela desce e eu suspiro. Ela está de jeans dessa vez, a mesma blusa simples de alça amarela, sendo que está vestida com uma jaqueta curta. Seu cabelo continua trançado e ela não passou maquiagem. Ela está sem salto, o que a deixa muito pequena. Tenho que colocar meus óculos escuros para olhar para aquelas pernas e bundas modeladas no jeans sem que ela me perceba.

– Estou melhor? – ela me pergunta colocando seu óculos de sol.

– Adorável. – eu respondo com um sorriso e ela caminha até mim, mas para ao ver o modelo do carro. Beatrice, sempre previsível.

– Não vou viajar nisso. – ela aponta incrédula.

– Claro que vai. – eu abro a porta pra ela. – O que está esperando?

– Quatro, nós chamaremos atenção desse jeito.

– Beatrice, eu não vou trocar de carro por uma simples viagem. Por favor, não me atrase mais. – eu imploro.

Ela suspira e entra. Fecho sua porta e dou a volta no carro, abrindo a minha e sentando no banco. Fecho a porta e dou a partida. Acelero e passo nos sinais amarelos sempre. Tris está assustada, mas conforme o vento bate em seu cabelo, posso sentir que ela se sente bem. Ela se sente livre. Estaciono o carro quando chegamos ao hospital, então minha ficha cai e o nervosismo já toma conta de mim.

Saio e vou abrir a porta para Tris. Ela me agradece e eu fecho. Respiro fundo e passo a mão nos meus cabelos. Maldito tique nervoso. Suspiro e cerro os punhos, tentando manter a calma. Tris parece notar meu nervosismo, então ela entrelaça sua pequena mão na minha, me passando segurança. Não posso negar que ameniza. Cacete, Tris consegue amenizar minha tensão em questão de segundos. Respiro fundo uma última vez e caminhamos de mãos dadas até a recepção.

– Bom dia, Sr. e Sra...? – a recepcionista pergunta.

– Eaton. – eu digo. – Estamos aqui para visitar Marcus Eaton.

– Aguardem um segundo. – ela procura na lista de pacientes. – Quarto 604. Está autorizado a visita.

Eu aceno com a cabeça para ela e nós vamos até o elevador, ainda de mãos dadas. Tris aperta o botão de número seis e a porta se fecha. Conforme vamos subindo o andar, meu nervosismo aumenta. É a primeira vez que verei Marcus depois de 4 anos. Minhas mãos estão suando e posso ouvir as batidas do meu coração. Não sei como vou encara-lo. Não sei como reagirei. Depois de tantos anos, pela primeira vez na vida, eu não vou saber o que fazer.

O elevador para e a porta se abre. Hesito por alguns segundos, até finalmente começar a caminhar pelo corredor. Muitas pessoas circulam por aqui, a maioria de branco. Nunca gostei de hospitais. Eles me deixam depressivo e eu não gosto disso.

Por fim, nós encontramos o quarto 604. Suspiro e bato na porta de leve. Com a mão livre, eu giro a maçaneta devagar. A porta se abre e nós entramos silenciosamente. Vejo a figura de Marcus sobre a cama do hospital e há vários aparelhos médicos que estão ligados a ele. Tris se senta na poltrona no canto do quarto e pede para que eu me aproxime dele. Relutante, eu me aproximo do meu pai. Ele está acordado, mas é somente depois de alguns segundos que ele sente a minha presença. Seus olhos se assustam a me ver.

– Filho? – ele pergunta sem acreditar.

– Marcus. – eu digo e lamento por minha voz sair fria. Quero fazer as coisas direito dessa vez.

– Filho, você veio! – ele suspira aliviado e seus olhos marejam. – Quanto tempo.

– Bastante. – eu digo sem querer investir no assunto.

– Como você está?

– Bem. – suspiro. — E você?

– Morrendo. – ele brinca e me dá um sorriso torto. – Filho, você não sabe do quanto eu me arrependo...

– Marcus, não. – eu o interrompo. – Não comece de novo.

– Só quero que saiba que eu sinto muito, meu filho. – ele diz e vejo que está cansado. Talvez ele não pudesse fazer muito esforço.

– Eu sei. – eu digo. – Mas não vim aqui para isso. Só quero saber se você está bem, Marcus.

– Nós dois sabemos que eu não estou. – ele sorri. – O que o fez mudar de ideia e vir até aqui? – subitamente, meus olhos se desviam para o reflexo de Tris no espelho e Marcus me acompanha. Ele sorri ao ver Tris, que está nos observando de longe. – Ela é tua Eurídice?

Olho para Tris e é impossível não sorrir ao pensar que ela poderia ser minha Eurídice. Permaneço em silêncio e Marcus deve ter entendido que eu não falarei sobre isso com ele.

– Se achar que ela vale a pena, meu filho, lute por ela. – ele diz cansado. – O maior erro que eu cometi foi não ter lutado por você e sua mãe, as pessoas que mais valiam a pena para mim.

Era por isso que eu não queria vir. Sinto bem lá no fundo do meu peito uma pontada de compaixão por ele. Ele está morrendo, em cima de uma cama de hospital, aonde o tumor vai tirando sua vida aos poucos. Eu tento não sentir pena dele me lembrando de tudo que ele já me fez passar, mas não adianta. Eu posso ter o seu sangue, mas o caráter não.

– Tenho que ir. – eu digo e me afasto um pouco dele.

– Eu amo você, Tobias. – ele diz isso quase num sussurro. — Eu me arrependo do que fiz e não mereço seu perdão.

– Mas ainda assim, eu acho que o perdoei. – eu digo e nós permanecemos em silêncio. – Adeus, pai.

Saio de perto da cama e me junto a Tris, que ainda está sentada, mas dessa vez ela não estava nos encarando. Ela se levanta e assente. Abro a porta e ela sai na minha frente. Sinto um alívio ao sair do quarto e como se tivesse retirado uma carga enorme de mim. Caminhamos até a saída do hospital e entramos no carro. Ponho minhas mãos no volante e encosto a cabeça. Solto um longo suspiro e vejo que Tris está me olhando. Viro meu rosto para poder encara-la.

– Como você está? – ela me pergunta aflita.

– Bem. – é só o que eu digo.

Dou a partida e saímos do estacionamento. Tris inclina a cabeça no banco do passageiro, deixando que o vento tome conta dela. Gosto de observa-la assim, quando ela está distraída. Ela é linda. Saímos de Los Angeles e eu peço para que ela pegue o mapa. Ela o pega e abre. Eu começo a mostrar nossa rota.

– Nós iremos por aqui. – eu aponto para uma linha que eu mesmo tracei. – Passamos por Phoenix, Tucson, Juárez, San Antonio, Mauston, Lousiana e finalmente Flórida. Lamento informa-la, Beatrice, que sua linda bunda ficará quadrada. – eu digo com um sorriso sem tirar a atenção da pista.

Beatrice solta um longo suspiro. Não sei se ela está surpresa com a distância ou pelo fato de eu ter elogiado sua bunda em voz alta. Ela permanece em silêncio, perdida em seus pensamentos.

– Pode me dizer a verdade agora? – eu digo calmamente e olho para ela tempo o suficiente, voltando depois minha atenção para estrada.

– Não estou pronta ainda. – ela diz e eu suspiro. Vou respeita-la e sei que quando ela achar que é a hora certa, ela me dirá.

Ficamos em silêncio e eu ligo o som do carro. Começa a tocar Still Loving You, dos Scorpions. Aumento um pouco o volume e deixo a música entrar nos meus ouvidos. Acompanho o ritmo batendo com os dedos de leve no volante. Balanço a cabeça e começo a entoar a letra. Sinto os olhos de Tris em mim o tempo todo. Vejo que ela tenta mudar a música, apertando no botão do som, mas eu a impeço dando um tapa fraco em sua mão.

– Meu carro, meu som. – eu digo e olho pra ela. Abaixo o volume para que ela me escute. – Teremos que impor algumas regras para essa viagem, Beatrice. E a minha primeira regra é essa: meu carro, meu som. – ela revira os olhos. – Não vamos daqui até a Flórida escutando a porra da Lady Gaga. Por favor, Beatrice, você é melhor do que isso. – eu aponto pra ela rapidamente.

– Sendo assim, eu tenho minhas regras também.

– Ah, mas eu ainda não acabei. – eu digo a interrompendo. – Eu estou no comando da viagem. Eu entendo de estrada melhor do que você, então eu decido onde vamos parar, onde vamos comer, onde vamos dormir...

– Vamos parar pra dormir? – ela me pergunta surpresa.

– Claro que sim. Ou você acha que eu passarei 36 horas exatas dirigindo sem ao menos descansar? – eu respondo incrédulo.

– Não, mas...

– Regra número três, Beatrice: não me interrompa quando eu estiver falando.

– Isso está parecendo um tipo de ditadura. – ela diz me interrompendo novamente. Não consigo prender o sorriso dos meus lábios.

– Tsc tsc. – eu digo e balanço a cabeça negativamente. – Você já está desobedecendo as regras, Beatrice.

– Você já acabou? – ela cruza os braços.

– Creio que sim. Quem sabe no decorrer da viagem eu pense em mais alguma coisa, mas por enquanto é só.

– Ótimo. – ela diz um pouco sem ânimo. – Bom, agora eu dito as minhas regras. – eu assinto e espero ansioso para o que ela tem a dizer. – Regra número um: você não vai me comer. – eu solto uma gargalhada. – Estou falando sério, Quatro. Em nenhuma hipótese isso irá acontecer, entendido?

– Como quiser, Alteza. – eu brinco e continuo a gargalhar.

– Ótimo. – ela passa as mãos nos cabelos e vejo que está pensando em mais alguma coisa. – Regra número dois: quando sentirmos que essa viagem está tomando outro rumo, nós paramos, está bem? – eu olho de relance pra ela.

– Outro rumo? – eu finjo que estou confuso. A verdade é que sei do que ela está falando.

– Outro rumo, Quatro. – ela respira fundo. – Quando a gente sentir... Bem, que isso... – ela gesticula. Solto mais uma gargalhada ao vê-la se atrapalhando para explicar. – Você entendeu! – ela diz e sei que apesar de furiosa, ela está sorrindo.

– Mais alguma coisa, senhorita? – eu pergunto.

– Eu acho que não. – ela pensa mais um pouco. – Se eu conseguir pensar em mais alguma, eu falo.

Assinto e aumento o volume do som novamente. Dessa vez, está tocando You and I, dos Scorpions novamente. Sorrio e me pergunto se o rádio está me tirando uma. Acompanho o ritmo com a cabeça e observo Tris encosta a cabeça na janela. Vejo que o rock clássico a deixa um pouco estressada, então para o bem da humanidade – inclusive o meu – eu mudo a estação. Paro na estação que está tocando Photograph, do Ed Sheeran. Aumento apenas um pouco, e quando a melodia começa, vejo o alívio no olhar de Tris. Sorrio aliviado por ela ter um bom gosto musical. Deixo a música preencher o espaço que há entre nós. Mantenho a atenção na estrada e vejo que Tris fecha os olhos lentamente. Provavelmente, ela deve estar com um puta sono. Me lembro que ontem ela não para de gritar por um nome. Peter.

Me pego pensando no que esse cara deve ter feito pra ela. Não é questão de ciúmes, apenas curiosidade. Quero atravessar Tris de maneira que eu consiga desvendar todo seu mistério. Depois de alguns minutos, vejo que a respiração dela está lenta e calma. Ela está dormindo. Resisto ao desejo de ficar olhando pra ela, notando como parece delicada e inocente, o que me deixa muito mais primitivo, mais protetor. Quando eu a vejo assim, sinto que devo voltar atrás. Não posso fazer isso com ela. Ela não merece isso. Mas foda-se. Sou egoísta o bastante para deixa-la ir novamente.

Depois de quase cinco horas de estrada, nós finalmente chegamos a Phoenix. Já está praticamente escuro. Estaciono o carro no motel mais próximo da estrada, o que fica afastado de todo o estresse da cidade e mais perto para seguirmos na viagem. Vejo que Tris acorda no instante em que paro o carro.

– Primeira parada: Phoenix. – eu digo sorrindo para ela. Ela me olha sonolenta e retira o cinto de segurança.

Eu desço do carro e pego nossa bagagem. Ponho o violão nas costas e nós dois vamos até a recepção. A recepcionista olha pra Tris e depois pra mim. Ela abre um sorriso sedutor ao me ver. Em uma outra ocasião, eu pensaria em comê-la. Ela é bem bonita. Seu cabelo é liso preto indo até pouco abaixo de seus ombros. Seus olhos são azuis e ela usa um batom vermelho que só a deixa mais sensual.

– Dois quartos conjugados para não fumantes. – eu digo.

– Lamento senhor, mas não há mais quartos conjugados disponíveis. – ela me diz.

– Então apenas dois quartos para não fumantes. – Tris responde um pouco impaciente.

– Claro. – a recepcionista preenche nossa ficha com os dados necessários e nos entrega as chaves. – Quartos 703 e 704.

– Obrigado.

Saímos da recepção e vamos até o elevador. Um funcionário do motel vem nos ajudar com a bagagem, mas eu o dispenso. Não trouxemos muita coisa. Entremos no elevador e Tris aperta o número 7. Um casal entra conosco e se beija desesperadamente. Eles parecem não notar nossa presença ou notaram e não se importam. O homem devora a mulher. Ele a encosta na parede do elevador e aperta sua bunda fervorosamente. Olho para Tris e vejo que ela está segurando um riso. Abaixo minha cabeça tentando reprimir o meu também. Finalmente chegamos ao nosso andar e saímos depressa. Quando a porta se fecha, Tris e eu caímos na gargalhada.

Caminhamos pelo corredor até nossos quartos. Eu entro primeiro no dela e ponho suas coisas no chão. Tris olha ao redor e permanece parada. Vou até sua cama e retiro o lençol que a forra. Inúmeras coisas acontecem nesse lençol e não quero que Tris se deite nessa porcaria impura.

– Vou pedir pra recepção trocar. – eu digo quando vejo que seu olhar ainda não está aliviado por completo. Pelo visto, Tris parece ter TOC de limpeza e organização.

– Não precisa. – ela diz tentando parecer menos incomodada. – Acho que dá pra dormir assim.

– Tem certeza?

– Sim. – ela diz e vai até o banheiro, inspecionar a limpeza. Ela volta e se senta na cama. – Parece que está tudo em ordem.

– Então ótimo. – eu digo. – Tris, você tem meia hora exata para se trocar. Nem um minuto a mais, nem a menos. Lembre-se, eu estou no comando. – eu pisco pra ela e ela me olha confusa. – Não se preocupe, eu só quero te levar a um lugar. – ela arqueia as sobrancelhas e me olha desconfiada. – Você não confia em mim? – eu dou um sorriso e arqueio uma sobrancelha também.

– Você é estranho, mas confio em você. – ela diz e depois sorri.

– Meia hora. – eu digo saindo do quarto.

Com um sorriso, eu jogo minhas coisas no quarto e fecho a porta. Tiro minhas roupas e entro debaixo do chuveiro. Lavo meu cabelo e todo meu corpo. Termino um bom banho em dez minutos e visto uma roupa. Uma camisa básica vermelha, um jeans preto e um all star. Passo perfume e arrumo meu cabelo. Estou pronto. Pego as chaves do carro e o violão e saio do quarto, indo para o de Beatrice. Passo a chave reserva no sensor e entro. O chuveiro ainda está ligado, o que significa que ela ainda está no banho. Suspiro impaciente e me sento na cama. Depois de muitos minutos, Tris sai apenas enrolada na toalha. Meu olhar cai logo para suas pernas nuas me causando um arrepio. Olho pra ela e ela finalmente se dá conta de que eu estou no quarto. Ela grita.

– O que diabos você está fazendo aqui? – ela aperta a toalha contra si. Reprimo uma risada.

– Esperando por você. – eu digo e me jogo na cama.

Estou torcendo para que ela não se troque aqui no quarto, porque eu com certeza espiaria. Ela pega um par de roupas e corre de volta para o banheiro. Tenho certeza de que ela passou ao menos meia hora trancada lá dentro. Impaciente, eu me levanto e bato na porta.

– Ande logo com isso, Beatrice.

– Estou pronta. – escuto sua doce voz do outro lado da porta.

Me afasto da porta e ela se abre, revelando a maravilhosa Tris. Ela está de calça jeans, com uma blusa creme de alça grossa, com um decote nada vulgar na frente. Tento desviar os olhos dos seus peitos antes de ser pego. Seu cabelo está trançado novamente para o lado e eu sou apaixonado por esse detalhe. Ela está maquiada, mas não de forma exagerada. Seus olhos estão destacados e ela usa um batom de cor natural. A sapatilha só a deixa ainda mais delicada. Quero colocar Tris dentro de uma caixinha e guarda-la pra mim.

– Como estou? – ela pergunta se olhando e depois seus olhos repousam nos meus.

– Linda. – é só o que consigo dizer e ainda acho que o elogio não é o suficiente.

Vejo suas bochechas se avermelharem um pouco e ela abaixa o olhar com um sorriso. Ela pega sua bolsa e coloca a chave do quarto e o celular dentro. Eu observo cada movimento seu e me prometo que vou tentar não me apaixonar por ela essa noite. Eu não posso fazer isso. Não posso me apaixonar pela minha melhor amiga.

Saímos do quarto em silêncio e vamos até o estacionamento. Entramos no carro e eu dou a partida.

– Pra onde estamos indo? – Tris pergunta se virando pra mim.

– É surpresa. – eu digo sorrindo.

Tento não olha-la muito e manter minha atenção na estrada, mas essa tarefa é quase impossível. Acho que nunca a vi tão linda. Quando ela se virou pude notar que as costas da blusa são nuas, o que me deixa nervoso. Beatrice me dará bastante trabalho hoje e juro que se algum engraçadinho tentar chegar nela eu faço dele pedacinhos.

Notas finais
Então? O que acharam? Comentem comentem comentem ♥ Não pude estender a conversa entre Marcus e Quatro porque iria ficar muito longo. No próximo capítulo teremos Uriah, Zeke, Hana e muitas surpresas! Teremos música e a explicação do "Eurídice" que Marcus cita para Tobias. Será um capítulo bem fofinho e amizade de Fourtris se intensificará. Quem sabe o que pode acontecer? AHUAHAUHAUHA Quem está ansioso para o próximo capítulo? Se vocês forem gentis e comentarem, prometo que postarei amanhã o mais cedo possível! Vamos lá people, responderei a todos muito em breve! Beijos e até logo! ♥ Twitter: @poxamalec