Sem rumo.

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Olá babies, como estão? ♥ Bom, quero me desculpar por não ter postado ontem. Eu fiquei sem internet o dia todo, então nem teve como. Me perdoem e sinto muito. O capítulo ficou extremamente grande e eu peço desculpas por isso também, prometo que no outro eu tento amenizar o ritmo AHUAHAUHAUH Quero dizer que estou super feliz com a recomendação que eu recebi ontem da maravilhosa JuliaMarsci. Amei cada palavra e esse capítulo é dedicado a você, viu? Muito obrigada amor ♥ Espero que gostem e boa leitura! Não se esqueçam de comentar! Até as notas finais. Twitter: @poxamalec

BEATRICE PRIOR

Estou ansiosa. Minhas mãos estão suando e eu não consigo parar de balançar minha perna. Não sei para onde Quatro está me levando. Eu devo estar louca. Aceitar viajar com um completo estranho? Quem em sã consciência faria isso? O mais louco de tudo isso é que eu aparentemente não me importo. Acho que eu só quero estar com ele.

Depois de alguns minutos, Quatro finalmente para o carro em um estacionamento um pouco afastado e deserto. Olho pra ele e ele apenas sorri para mim, saindo do carro. Derreto completamente quando ele sorri desse jeito. Como posso negar algo a ele?

Desço do carro e vejo que ele pega seu violão. Ele trava o carro e começa a caminhar. Eu o sigo, caminhando lado a lado com ele. O vento sopra forte e eu me arrependo da escolha da blusa. Sinto a mão quente de Tobias repousar nas minhas costas nuas e tento disfarçar o arrepio que senti por todo meu corpo. Quando saímos do estacionamento eu consigo ver um grande bar. Arqueio as sobrancelhas, mas Tobias continua andando e prefiro não incomodar. Eu disse que confio nele então assim deve ser.

Entramos no bar e ele está lotado de pessoas. Ele não é aquele bar nojento onde há pessoas suadas em um lado e pessoas vomitando no outro. Não. Esse é organizado. Ele tem a quantidade certa de luzes para deixar o local agradável. Todas as mesas redondas desse lugar estão ocupadas. Me pergunto onde Quatro e eu sentaremos. Ele entrelaça sua mão na minha e me guia pelo local. Seu toque me causa sensações estranhas. Por fim, ele me leva até um balcão. Uma mulher está virada de costas para nós.

– Duas vodcas com gelo, por favor. – Quatro diz próximo da mulher e antes que eu o interrompa dizendo que eu não bebo, a mulher se vira para nós assustada. Ela parece reconhecer a voz dele.

– Tobias! – ela grita quando o vê. Ela dá a volta no balcão e praticamente o agarra quando o abraça. Ele se curva para abraça-la, já que ela é tão baixa quanto eu. Ela passa a mão nos seus cabelos de forma bem materna e eu me pergunto se essa não é a mãe dele. – Minha nossa, quanta saudade eu senti de você! – ela se afasta dele e finalmente parece notar minha presença.

– Essa é Beatrice. – Quatro, que agora sei que se chama Tobias, diz. – Beatrice, essa é minha mãe Hana. – vejo os olhos de Hana brilharem quando ele pronuncia a palavra “mãe”.

– Tris. – eu corrijo timidamente. Hana vem até mim e me envolve em um abraço gentil.

– É um prazer conhece-la, querida. – ela diz próximo ao meu ouvido.

– É um prazer pra mim também. – eu digo sorrindo e ela se afasta um pouco para nos encarar.

– Vou chamar os garotos, não saiam daqui. – ela sorri para nós e some de vista.

Olho para Tobias – devo chama-lo assim? – e ele está sorrindo pra mim. Estou nervosa. Estou prestes a conhecer os melhores amigos dele. E se eles não gostarem de mim? Eu vim com a roupa apropriada? Esse decote não está vulgar demais? Maldito tique nervoso. Suspiro e passo as mãos nervosamente no meu jeans. Sinto Tobias aproximar seus lábios do meu ouvido e sinto um calafrio no estômago. Sussurrando, ele diz:

– Apenas relaxe, Tris.

A voz rouca dele é como se aliviasse toda minha tensão. Ela não sumiu por completo, mas sua voz tem o poder de suavizar as coisas. Relaxo meus ombros e respiro fundo. E então eu vejo três figuras se aproximarem de nós. Hana e mais dois jovens. Um aparenta ter mais ou menos a minha idade. Ele é moreno e de cabelos curtos. O outro é mais alto e tem expressão mais séria.

– Tris, esses são Zeke e Uriah. – Tobias aponta para os meninos respectivamente. – Galera, essa é a Tris. – ele diz meu apelido docemente.

Zeke me abraça primeiro de forma amigável e me beija na bochecha. Ele se afasta e cumprimenta Tobias. Uriah me abraça e gira comigo nos braços, levantando um pouco meus pés do chão. Não consigo evitar meu sorriso. Eles são demais. Uriah me solta e me coloca no chão.

– Uriah, não se atreva. – Tobias adverte apontando o dedo pra ele. Não consigo entender o que ele quer dizer.

– Eu não estava fazendo nada. – Uriah diz com um sorriso bonito no rosto e levanta seus braços, em forma de rendição.

– Sabemos o que você está fazendo. – Zeke diz com um sorriso. Bom, eu sou a única que não sabe então.

– Não estou partindo pra cima de sua namorada, Tobias. – ele cruza os braços. Sinto como se todo o ar tivesse sido tirado de mim quando ele pronunciou “namorada”.

– Ela não é minha namorada. – escuto a voz rouca dele e vejo que ele semicerrou os olhos pra Uriah.

– Isso. – eu consigo falar. – Somos amigos. Só amigos. – eu digo sorrindo nervosamente.

– Exatamente. – Os cantos da boca de Tobias se curvam para cima. – Tris é minha melhor amiga, engraçadinho. Ela não é pra você. – tento entender se isso foi um elogio ou insulto.

– É uma pena. Vou atrás de outra gata, então. Foi um prazer conhece-la. – ele pega minha mão e a beija gentilmente.

– O prazer é meu. – eu digo sorrindo.

Ele pisca pra mim e passa por Tobias, parando para sussurrar algo em seu ouvido que eu não consigo ouvir. Tobias o empurra de leve, mas consigo ver que foi algo engraçado, porque ele está com um sorriso idiota no rosto. Uriah some na multidão, sobrando apenas Zeke, Tobias, Hana e eu. Hana volta para o balcão do bar e serve alguns clientes. Zeke nos chama para uma mesa numa área mais reservada. Ela fica na galeria, na parte de cima do bar. Subimos as escadas e sentamos.

– O que vão querer beber? – ele nos pergunta sentando-se conosco.

– Não posso beber, estou de motorista hoje. – Tobias diz se encostando.

– Como se você se importasse com isso.

– Não tenho apenas minha vida em risco. – ele diz e seus olhos caem em mim. Agradeço por ter aplicado o pó, assim esconde a ruborização das minhas bochechas. É inevitável quando ele me olha desse jeito. – Tem espaço pra mim hoje? – ele volta sua atenção para Zeke.

– Você sabe que sempre terá. – ele sorri pro melhor amigo.

– Ótimo. Pode ser agora? Não quero leva-la tarde. – ele aponta pra mim.

– Estou bem, não se preocupe. – eu digo.

– Sem problemas, irmão. Por aqui. – ele e Tobias se levantam. Zeke começa a caminhar em direção a escada e depois não consigo mais vê-lo.

– Você quer beber ou comer algo? – Tobias pergunta levantando meu queixo de forma delicada.

– Não, eu estou bem. – eu sorrio pra ele. – Onde você vai?

– Tocar. Você vai me observar daqui, tudo bem? Não saia. Não quero perde-la de vista. – ele passa o polegar na minha bochecha e acaricia. Assinto e ele me beija na testa.

Então ele desce as escadas também e eu não o vejo mais. Respiro fundo. Da mesa onde estamos eu consigo observar o pequeno palco que há no canto do bar. Há um grupo tocando jazz. Volto a olhar pra mesa e me assusto ao ver Uriah sentando-se na cadeira que Tobias estava sentado a poucos segundos atrás.

– Oi gatinha. – ele diz e sorri. Eu sorrio também. – Então, esse lance de “só amigos” é sério mesmo? – ele faz as aspas com os dedos.

– Sim. – eu digo rápido. – Tobias está me acompanhando até a Flórida.

– Interessante. – ele diz e pega duas taças da bandeja do garçom quando ele passa. Ele me oferece uma, mas eu hesito. – Não vai te embebedar. É apenas champanhe. – ele pisca pra mim. Eu pego a taça e brindo com ele. – A você.

– Obrigada. – eu dou um sorriso gentil.

– Então, o que você faz? – ele se encosta na cadeira de maneira confortável.

– Estudo psicologia na Universidade de Chicago.

– Universitária. Bem interessante. – ele passa sua mão pelo queixo. – Antes que você pense que estou dando em cima de você, quero te explicar. Minha ex-namorada, uma loira que está sentada na mesa da frente, está olhando para cá a cada dez segundos. Bom, ela terminou comigo, então isso é uma tentativa de vingança. Quero que ela pense que estou tentando algo com você. – ele pisca. – Agora finja que eu falei algo engraçado e ria. – Com toda essa história, é quase impossível não rir. Eu solto uma gargalhada discreta e ele me agradece com o olhar.

Então Uriah e eu continuamos conversando. Ele trabalha na oficina mais famosa daqui, junto com Zeke, e a noite eles trabalham aqui. Hana é a dona do lugar. Uriah é gentil, bondoso e muito engraçado. É bom estar com ele. Ele é daquelas pessoas leves, que apesar das dificuldades, está sempre tentando buscar o lado bom das coisas. Eu o invejo. Eu gostaria de ser como ele.

Um zumbido de microfone faz com que todos voltemos a atenção para o palco. Meus olhos acompanham o som e vejo Tobias preparando o violão. Vê-lo assim tão dedicado é extremamente apaixonante. Quando ele termina de afinar o violão, seus olhos azuis logo buscam os meus. Quando ele os encontra, um sorriso doce se forma em seus lábios. Eu devo estar sorrindo como uma idiota, pois faço isso sempre que ele me olha assim.

Zeke faz a apresentação e todo mundo espera em silêncio. Tobias mantém seus olhos em mim, depois ele abaixa e começa a tocar a melodia no violão. Minha cabeça acompanha seu ritmo, mas logo eu fecho meus olhos quando começo a ouvir sua voz.

(Essa é a música)

This is the start of something beautiful / Isso é o começo de algo lindo
This is the start of something new / Isso é o começo de algo novo
You are the one that will make me lose it all / Você é a única que me faz perder a cabeça
You are the start of something new / Você é o começo de algo novo

And I’ll throw it all away / E eu jogo tudo para longe
And watch you fall into my arms again / Vejo você cair nos meus braços de novo
And I’ll throw it all away / E eu jogo tudo para longe
And watch you fall, now / Vejo você cair, agora

Sinto as lágrimas nos meus olhos. Me pergunto porque consigo me emocionar tanto quando ele canta. Respiro fundo e abro meus olhos. Tobias está cantando de olhos fechados, como se conseguisse sentir sua música. Alguns casais estão abraçados, dançando lentamente no espaço que há em frente ao palco. Fecho os olhos novamente e as lágrimas caem.

You are the earth that I will stand upon / Você é a terra que eu pisarei
You are the words that I will sing / Você é as palavras que eu cantarei

And I’ve thrown it all away / E eu jogo tudo para longe
And watched you fall into his arms again / Vejo você cair nos meus braços de novo
And I’ve thrown it all away / E eu jogo tudo para longe
And watched you fall, now / Vejo você cair, agora

And take me back, take me home / Me leve de volta, de volta para casa
Watch me fall down to earth / Me veja cair com os pés no chão
Take me back / Me leve de volta

For this is the start of something beautiful / Isso é o começo de algo lindo

Abro os olhos nesse momento e vejo que Tobias também abriu os dele. Os nossos se encontram e é quase inevitável o frio que sinto em meu estômago quando ele está assim tão intenso. Vejo um sorriso se abrir e então ele canta a última frase.

You are the start of something new / Você é o começo de algo novo.

Quando ele para de tocar, uma salva de palmas toma conta do local. Assobios, gritos de elogios, beijos. Tudo. Tudo está sendo feito no momento. Vejo um grupo de garotas arrumarem o cabelo e retocar o batom quando Tobias sai do palco. Provavelmente elas irão falar com ele.

Respiro fundo e a voz de Uriah me chama.

– Venha, vamos falar com ele. – ele pega minha mão e descemos as escadas.

Uma multidão se formou do canto do bar até o palco, onde Tobias recebe abraços e elogios. Uriah se espreme entre as pessoas e facilita o acesso para mim. Eu estou caminhando bem atrás dele e depois de atravessar um mar de gente, nós finalmente conseguimos chegar até ele. Eu pulo em seus braços, o abraçando assim que o vejo.

– Você foi incrível. – eu sussurro próximo ao seu ouvido.

– Obrigado, gata. – ele diz e meu coração palpita pelo elogio.

Ele me põe no chão e beija minha bochecha. Uriah o abraça e o parabeniza pela apresentação “homossexual” segundo ele. Tobias sorri e dá um tapa leve em suas costas. Vejo que a relação entre Tobias e Uriah é muito mais leve, o que é estranho, já que Zeke sempre foi o seu melhor amigo. Talvez eles estejam passando por algum tipo de crise na amizade. Todo mundo passa por isso.

Vejo o grupo de meninas se aproximar de nós. Respiro fundo e cruzo os braços, enquanto uma a uma abraça Tobias. Ao todo, elas são três.

– Você foi adorável! – uma loira diz.

– Sensacional! – a ruiva concorda acenando com a cabeça.

– Com certeza, Tobias. – a morena diz e seu tom de voz é um pouco mais sensual. Ela está com um vestido curto preto justo ao seu corpo, destacando suas curvas. Ela é o tipo de mulher que todos os homens querem dormir. Suspiro e reviro os olhos. – Você voltou para cá?

– Não. – Tobias diz com um sorriso que posso perceber que as derrete. – Estou só de passagem. No momento, meu destino é a Flórida. – ele olha de relance para mim e pisca. Vejo que as garotas agora finalmente notaram minha presença.

– Namorada nova? – a morena pergunta com um certo desprezo na voz.

– Não, apenas uma amiga. – ele diz.

– Bom, você ainda tem meu telefone, não tem? – ela diz e arqueia as sobrancelhas. – Pode me ligar quando voltar e assim a gente pode marcar pra fazer algo junto. – consigo imaginar o que ela quer dizer. Por sua postura, posso perceber que eles dois já tiveram alguma coisa.

– Desculpa, Nita, mas não costumo repetir a dose.

Ele coloca a mão esquerda nas minhas costas nuas e nós caminhamos até o balcão, ouvindo as reclamações da morena, que agora sei que se chama Nita. Uriah saiu em algum momento em que conversávamos com ela. Paramos no bar e nos sentamos nas cadeiras altas do balcão.

– Você quer ir agora? – ele me pergunta. Assinto. – Vou me despedir do pessoal, já volto. Não saia daqui, tudo bem? – eu assinto mais uma vez e ele sai.

Meus pensamentos são levados de volta para o momento em que ele cantou. Eu posso estar ficando louca e isso pode ser apenas um delírio, mas senti como se ele estivesse recitando a letra para mim. Isso é o começo de algo lindo. Você é o começo de algo novo. Respiro fundo e vejo Tobias se aproximar.

– Pronta pra voltar? – ele está sorrindo.

Apenas sorrio de volta e me levanto da cadeira. Hana se despede com um aceno e eu retribuo. Quando saímos do bar, o vento sopra meus cabelos e meu corpo. Sinto um arrepio e encolho os ombros por causa do frio.

– Está com frio? – Tobias me pergunta.

– Um pouco. – eu dou um sorriso torto.

Vejo a preocupação em seu olhar e ele me abraça. Me aqueço. Não por causa do abraço e sim por causa do contato dos nossos corpos. Sinto um calor dentro de mim e espero que ele não tenha notado. Nós caminhamos abraçados e ele destrava o carro, abrindo a porta para mim. Eu entro e ele fecha. Então ele dá a volta e entra. Suas mãos estão no volante, mas ele ainda não ligou o carro. Ele vira seu rosto, de modo que seus olhos fitem os meus. Há um silêncio entre nós. Meu olhar cai para sua boca e há uma abertura entre ela, como se estivesse esperando pelo encaixe da minha.

– Vou te levar pra comer alguma coisa, está bem? – ele me diz.

Engulo em seco e assinto. Ele coloca o cinto de segurança e dá a partida. Eu encosto minha cabeça na janela e só consigo pensar no gosto que deve ter o seu beijo. E eu gostaria de beija-lo.

– É sua ex? – eu pergunto tentando ocupar minha mente com algum outro assunto.

– Qual? – ele desvia um pouco a atenção do volante e me olha rápido.

– A morena. A que conversava com você no bar.

– Ah, é sim. Nita o nome dela.

– Quanto tempo vocês ficaram juntos?

– Dois anos. – ele diz e por algum motivo isso me surpreende. Ele suspira e continua. – O fim foi mútuo; a gente começou a se interessar por outras pessoas, e acho que chegamos à conclusão de que o amor não era tão grande assim.

– Ou então o amor simplesmente acabou. – eu digo arqueando as sobrancelhas e me virando para ele.

– Não, a gente nunca chegou a se apaixonar mesmo.

– Como você sabe a diferença? – pergunto não conseguindo conter minha curiosidade.

– Acho que o amor nunca acaba de verdade quando a gente ama alguém... acho que quando você se apaixona, quando ama de verdade, é amor pra vida inteira. – ele olha pra mim de novo. – Todo o resto são só experiências e ilusões.

Estou surpresa.

– Não sabia que você era tão filosófico. Preciso te avisar que isso também é romântico. – eu digo apontando pra ele. Um sorriso se forma em seus lábios e ele estaciona o carro.

Saímos do carro e caminhamos até uma pequena lanchonete. Tobias abre a porta pra mim e eu agradeço com um sorriso. Gosto desse lado cavalheiro dele. Nos dirigimos até uma mesa que está no canto da lanchonete e nos sentamos. Uma garçonete chega e nos oferece o cardápio. Vejo que seu olhar está preso em Tobias e ela tenta arrumar sua aparência na medida do possível. Reviro os olhos.

– O que você vai querer? – Tobias me olha com um sorriso.

– Tem salada? – eu pergunto olhando para garçonete. Ouço o suspiro irritado de Tobias. Não consigo reprimir o riso.

– Salada? Isso é sério, Beatrice? – apenas assinto. – Mas que porra! Não te obrigo a comer gordura, mas salada já é demais. – eu cruzo os braços e reviro os olhos. Ele bufa. – Que merda! – eu solto um sorriso e nós fazemos nossos pedidos.

A garçonete sai e eu olho pra Tobias. Ele está sério, mas sei que não está chateado, pois depois de uns segundos ele sorri para mim. Aquele sorriso que acaba comigo. Olho pra ele e penso em um assunto que estou curiosa desde que saímos do hospital.

– O que seu pai quis dizer com “ela é tua Eurídice”? – eu pergunto. Noto que ele se surpreende com a minha pergunta.

– Você ouviu? – ele descruza os braços e os apoia na mesa. Assinto. – Bem, você conhece o mito de Orfeu e Eurídice? – nego com a cabeça. – É mitologia grega. Orfeu era músico. Ele era casado com Eurídice. Ela foi picada por uma ninfa; o veneno a matou, levando-a para o inferno, deixando Orfeu sozinho. Quando ela morreu, a lira dele só tocava músicas triste e em amor dela. Então, um dia ele resolveu descer ao inferno para busca-la. Sua música o livrou de todos os obstáculos que tinham imposto entre eles, encantando assim todos do mundo inferior, até mesmo Hades, que tinha um coração de ferro. Então ele, o deus infernal, permitiu que Orfeu levasse Eurídice de volta a vida, com uma condição: até que eles chegassem lá, ele não deveria, de maneira nenhuma, olhar para trás até deixar o mundo sombrio. Então eles seguiram. E quando estavam já no final, Orfeu olhou para trás, para se certificar de que Eurídice estava o acompanhando. E aí foi quando ele fodeu tudo e Eurídice se foi.

Respiro fundo e absorvo toda história. Estou encantada demais para falar alguma coisa. Como ele pode ser perfeito? Passo as mãos no meu cabelo e finalmente tenho fôlego para falar.

– Então, por que ele se referiu a mim desse jeito?

– Ele deve ter pensado algo de nós. – ele sorri. – Ele fez essa referência porque sabe que sou apaixonado pelo mito de Orfeu. É o meu favorito. Antes de Marcus se tornar o que era, quando eu era pequeno e estava deitado, ele me contava o mito e eu dormia em paz. Marcus mudou, mas minha paixão pelo mito não.

– Ele é maravilhoso. – eu digo num suspiro.

Tobias apenas sorri para mim e a garçonete chega com nossos pedidos. Comemos e conversamos algumas coisas. Não consigo me concentrar. Sei que estou fazendo alguma besteira. Devo parar com essa viagem, porque sei que ela tomará um outro rumo. Mas eu não consigo. Eu não quero. Não quero ficar longe dele. Penso em Peter e no quanto eu posso me machucar com isso, mas eu não me importo. Pelo menos eu acho.

Terminamos de comer e eu insisto em pagar minha conta, mas Tobias não deixa. Discutimos, eu me irrito e saio da lanchonete pisando duro. Escuto as reclamações de Tobias e paro.

– Mas que porra é essa, Beatrice?! – ele grita.

– Eu só quero não dar trabalho! – eu grito também.

– Você está sendo ridícula. – ele sorri cínico. Me ofendo com o xingamento.

– Como é? – eu pergunto com um tom a mais de voz.

– Isso mesmo. Ridícula e está agindo como uma garota mimada, fazendo birra pra conseguir o que quer. – ele gesticula pra mim.

– Mas que droga! – eu bufo e me viro. Sinto sua mão agarrar meu braço.

– Espera, eu não quis ofender você. – ele diz com uma voz culpada.

– Mas ofendeu. – eu digo tentando afastar minha irritação.

– Eu só quero fazer algo por você, Beatrice. Mesmo que isso seja pagar a conta de uma lanchonete. – ele sorri torto.

– Você já está me acompanhando até a Flórida. Eu que devo fazer algo por você, Tobias. – eu digo o seu nome pela primeira vez pra ele.

– Vejo que você descobriu meu nome. – ele sorri e por um momento penso que ele vai mudar de assunto. – E não se preocupe, você já faz por mim.

– O quê então? – eu pergunto com indiferença.

– Mas que inferno! – sua voz está irritada de novo. — Você está me dando a chance de viver um momento único da minha vida! Essa viagem vai ser boa pra mim, Beatrice! – ele está gritando. Então ele passa a mão no cabelo impaciente. — Não só pelo fato de ter a companhia de uma gata como você... – sinto minhas bochechas corarem.

– Você me acha bonita? – estou envergonhada e um sorriso está se formando nos cantos da minha boca.

– Não acredito que está me perguntando isso. – sua voz rouca não está mais alterada. – Você sabe que é. – o sorriso consegue se intensificar ainda mais. – Não sei porquê você tá sorrindo como idiota. – ele revira os olhos, mas posso ver que também está sorrindo.

Abaixo a cabeça e caminho para o carro, com um sorriso de orelha a orelha. Acho que é a primeira vez que ele admite isso para mim. Sei que esse não foi um elogio qualquer, como os que ele dá quando troco uma roupa. Esse elogio foi para Beatrice Prior.

Entro no carro e fecho a porta. Alguns segundos depois, Tobias entra e fecha a dele também. Ele gira as chaves e suas mãos estão no volante. Ele olha para mim e com um sorriso, ele diz:

– Você está me deixando louco, sabe disso, não sabe?

Apenas assinto, não deixando que o sorriso deixe meus lábios. Então nós seguimos de volta para o motel. Seguimos todo o caminho em silêncio e não me incomodo.

Mal sabe ele que quando concordei, a pergunta era retórica. Ele quem está me deixando louca.

Notas finais
E então?! O que acharam?! Comentem comentem comentem ♥ Bom, eu confesso que sou apaixonada pelo mito de Orfeu igual Tobias HAUAHUAH E estou me apaixonando por ele e Tris de maneira linda!! A amizade deles é muito ♥ KAPKSAPKSPAKSPKA Enfim, espero que tenham gostado e no próximo capítulo teremos mais surpresas, incluindo um BEIJO inesperado HAUAHAUHAUAH E quem sabe se algo mais, né? Aguardo vocês nos comentários com palpites do que irá acontecer! As coisas vão esquentar entre Fourtris!! Quem está ansioso? HAUAHUAHAUH Lembrando que o próximo capítulo é ponto de vista do Tobias!! Beijos amores! Comentem ♥ Twitter: @poxamalec