Sem rumo.

2 Capítulo 2


Notas iniciais
E aí babys, como vocês estão?! Bom, o capítulo tá MUITO baseado em Entre o Agora e o Nunca. Ele não ficou extremamente convincente porque ainda é apenas o começo de tudo. Enfim, espero que gostem e não esqueçam de comentar!! Prometo que vou responder todos assim que der. Beijinhos e obrigada por lerem! Boa leitura! Twitter: @poxamalec LINK DA ANTIGA FIC: http://fanfiction.com.br/historia/497329/Um_novo_comeco/

TOBIAS EATON

Vou para o meio do ônibus de olho em duas poltronas que estão vazias atrás de uma loira lindinha que eu tenho certeza de que é problema. Estou com meu violão e uma mochila nas costas. Muitos diriam que o que estou fazendo é loucura, mas eu não acho. É arriscado, loucura não. Porém, minha mãe sempre me disse que você só vive uma vez. Eu só vivo uma vez. Por quê não aproveitar a vida do meu jeito?

Me aproximo da loira e noto que ela põe sua mochila ao lado da sua poltrona para que eu não me sente ao seu lado. É engraçado. Ela é bonita, não nego isso. Muito bonita. Mas o que faz ela pensar que eu me sentaria ao seu lado? Tem mais de dez lugares vazios nesse ônibus, o que significa que pegarei duas poltronas vazias para eu me esticar do jeito que eu bem quiser.

Suspiro e me ajeito confortavelmente nas poltronas. Coloco um fone de ouvido e ponho uma música aleatória. Fecho os olhos e tento dormir.

Bem, as coisas nunca acontecem como planejamos. Já escureceu e eu ainda não consegui pegar no sono. Estou com os olhos vidrados na janela e com o fone no último volume. A loira da frente já dormiu fazem mais ou menos uma hora e caramba, ela fala demais enquanto dorme. Cansei de ouvi-la falando coisas sem sentido e até que eu não ligo para isso. Sinto como se eu estivesse bisbilhotando sua vida.

Depois de algum tempo, eu consigo pegar no sono. Sou acordado com alguém batendo na minha perna. Abro os olhos e encaro a figura loira na minha frente. Ela é bem linda, mesmo com o cabelo todo bagunçado e metade do rosto no escuro. Aparenta ter 16 anos, o que torna-se um problema bem grande. Problema, Tobias. Lembre-se disso.

Tiro o fone de ouvido para poder escuta-la.

– Pode abaixar o volume um pouco? — ela me pergunta gentilmente, mas sei o quanto está furiosa com isso. — Eu não consigo dormir com isso. — ela aponta para meu fone.

– Você estava ouvindo? — eu pergunto já sabendo a resposta. Não vou contrariar ela. Sorrio por ela pensar que meu fone que a acordou.

– Sim. Tá bastante alto. — ela fala educadamente.

Dou de ombros e abaixo o volume. Ela me agradece com um meio-sorriso e se ajeita em sua poltrona. Vejo que há um homem de uns 40 anos a observando desde que eu subi no ônibus. Ela pareceu não notar e ele também não notou que eu o estou observando. Não quero nem imaginar no que ele está pensando enquanto a observa. Não é minha obrigação, mas vou ficar de olho nele até o fim da viagem, só por prevenção mesmo.

O homem se levanta e caminha até o fundo do ônibus. Ele entra no banheiro e eu me debruço para a poltrona da loira. Quero que ele pense que estou tentando algo com ela, para que ele desista. A loira me olha com indiferença e eu me perco naqueles olhos. São verdes e muito, muito intensos.

– Com licença…? — ela arqueia as sobrancelhas.

– O quê? — sorrio.

– Essa poltrona já está ocupada. — ela encara meus olhos.

– Por uma mochila? Sério? — pergunto incrédulo.

Vejo que o homem volta para seu assento, mas não olho para ele. Não quero que ele desconfie que eu o estou observando. Mantenho meus olhos sob os da loira e espero que ela continue nossa conversa.

– Há alguma regra contra isso? — ela me pergunta.

– Depende. Se está perguntando se há uma regra que diz que eu posso me sentar em qualquer lugar que eu desejar, eu respondo: sim, há essa regra.

Ela revira os olhos e suspira. Perdeu a discussão. Vejo que ela não sabe muito de ônibus, porque eu menti para ela e ela sequer percebeu isso. Ela continua me observando e eu gosto disso. Gosto de pensar que eu estou incomodando ela.

– Pra onde você está indo? — eu pergunto esticando meus braços e bocejando.

Vejo que ela hesita antes de responder e isso me alivia. Sou um completo desconhecido e seria bastante imbecil da parte dela me dizer logo de cara. Ela desvia o olhar do meu por uns segundos e depois volta a me encarar.

– São Francisco. — ela pausa. — Visitar minha mãe.

Sei que ela está mentindo para mim, mas não vou admitir isso para ela.

– Você é de Chicago e sua mãe de São Francisco? — falo incrédulo. — Não é meio longe?

– Talvez. — é só o que me diz.

Ficamos em silêncio até que ela finalmente me pede para sair. Gostei dela. Ela é diferente de todas as outras garotas que pude conhecer. Ela não mexeu no cabelo para falar comigo. Ou retocou a maquiagem. Ou ficou perdidamente apaixonada pelo meu físico. Ela não fingiu para me agradar. Ela foi ela mesma. Nesse curto diálogo que tivemos já posso perceber que ela é um desafio. E eu sempre gostei de desafios.

Volto para minha poltrona e afundo nela. Posso sentir que o homem está me encarando furioso por ter sentado no lugar que ele gostaria de estar. Sorrio para mim mesmo. Depois, quando eu finalmente chegar ao meu destino, se ele der sorte, ele sai ileso. Se não, vou enche-lo de pancada até perder a consciência.

Espero a loira cair no sono para poder aumentar o volume do fone. Ela não demora muito e eu o faço. Deixo a música relaxar a tensão dos meus ombros e adormeço. Eu devo ter dormido por muito tempo, pois acordo quando o motorista fala que faremos nossa primeira parada para comer.

– Vocês terão 30 minutos. Nem a mais, nem a menos. Caso não estejam aqui até lá, o ônibus partirá mesmo assim. — ele fala.

Estico meus braços, minhas pernas e bocejo. Me levanto e uma fila se forma no corredor. A única desvantagem de sentar no meio é essa. Você tem que esperar todas as pessoas da sua frente descerem.

Por fim, eu desço e caminho até a lanchonete. Há uma máquina de bebidas geladas. Enfio uma cédula na máquina e meu refrigerante cai. Eu o pego e me dirijo até o balcão. A balconista sorri para mim e eu peço um sanduíche. Ela assente e eu espero. Eu a encaro e ela dá umas risadinhas enquanto me pega a observando. Ela é bonita e seria fácil leva-la para cama. Ela me entrega o pedido e deixo pensar que flertei com ela. Pisco um olho para ela e saio. Posso sentir que ela comentou isso com sua colega de trabalho.

Mulheres são todas assim. Já perdi as contas de quantas eu já transei simplesmente por ter encarado. Elas são fáceis e me pergunto se ainda restam aquelas que se dão o valor.

Caminho para saída, mas vejo que a loira está com problemas com a máquina. Ela dá uns tapas de leve na máquina e espera. Nada. Tenta chutar, mas ela não tem força. Isso tá extremamente engraçado. Me aproximo dela e dou um soco na máquina. A embalagem do suco de uva cai e eu sorrio.

– Obrigada. — ela me dá um sorriso torto.

– Você é daquelas que é cem por cento saudável? — pergunto observando a lata de suco ao invés de uma de refrigerante.

– Talvez. — ela me responde com a mesma palavra.

– Você adora um "talvez". — afirmo sorrindo.

–Talvez. — ela sorri. — Gosto de usar essa palavra quando não quero responder as perguntas.

Essa doeu. Ela caminha até o balcão e eu me dirijo para fora da lanchonete. Caminho até a grama do estacionamento e me sento. Por sorte, não está chovendo. Parou de chover em alguma hora que estávamos no ônibus. Começo a comer e bebo meu refrigerante. Penso no que estou fazendo da minha vida. Eu não sei nem ao menos onde eu vou parar com essa viagem. Talvez seja loucura.

Afasto esse pensamento e suspiro. Tenho tudo que preciso comigo e realmente tenho que fazer isso. É a única oportunidade que eu tenho. Não vou desperdiçar.

A loira sai da lanchonete e caminha até o ônibus. Está escuro e é perigoso que ela volte para o ônibus. O tarado que a observa desde que saímos de Chicago entrou lá sozinho. A chamo e depois de uns minutos tentando convencê-la, ela se senta comigo no gramado.

– Qual seu nome? — pergunto.

Ela hesita por uns segundos, talvez pensando se deve ou não ser honesta comigo. Por fim, ela suspira.

– Sou Tris. — ela diz.

– Só Tris? — eu pergunto. Isso não pode ser um nome.

– Beatrice. — acho que ela confia em mim.

– Bom, eu sou Quatro. — estendo minha mão para ela.

– Isso não pode ser um nome. — ela semi-cerra os olhos e diz meu pensamento em voz alta.

– Não importa. — eu digo com um sorriso e com a boca cheia de comida. Ela faz uma expressão de nojo e vejo o quanto está constrangida. Sorrio e ela finalmente aperta minha mão, embora que ainda esteja receosa.

O vento sopra forte e bagunça seu cabelo. Ela fica linda ao natural. Seu corpo pequeno me atrai. Porra, Tobias. Ela tem 16 anos. Fique longe ou é chave de cadeia na certa. Ela põe uma mecha de cabelo atrás da orelha e me encara.

Ficamos em silêncio. Ela está tímida.

– Então, quantos anos você tem? — ela me pega de surpresa. Não imaginei que ela estaria interessada em conversar comigo.

– Vinte anos. — respondo. Ela arqueia as sobrancelhas. — E você? — e de repente eu prendo a respiração, receoso de sua resposta.

– Dezoito. — encolhe os ombros.

De repente, uma onda de alívio percorre meu corpo. Penso em sua resposta apertando os lábios e não sei se acredito nela. De qualquer forma, tenho tempo para descobrir isso na viagem. Estou indo para Los Angeles, na California. Tenho bastante com ela, já que ela realmente está indo para São Francisco.

Conversamos mais um pouco e ela é interessante. Tem 18 anos, cursa psicologia — ou cursava, porque teve que parar para viagem — e está indo visitar a mãe que está doente em São Francisco. Essa história não é convincente, até porquê — pelo que eu observei — ela fica tensa quando está mentindo. E ela estava exatamente assim quando conversou essa parte comigo. Fora isso, ela pareceu ser sincera em tudo que me falou. Sinto atração por ela, e o fato dela ser um desafio só me deixa mais fascinado. Ela não flertou comigo em nenhum momento, mas vi que ela analisava cada parte do meu corpo enquanto conversávamos. Talvez aja atração de ambas as partes, e isso é bom. Pelo menos eu acho.

Voltamos para o ônibus e cada um afunda em sua poltrona.

– Boa noite, Quatro. — ela me diz bocejando.

– Boa noite, Tris. — eu respondo.

A observo pegar no sono e me pego sorrindo. E então eu lembro do motivo que me fez viajar. Não posso fazer isso com ela. Ela é uma boa pessoa e não merece isso. Mas aí penso que só ficaremos juntos até Los Angeles, então… Por que não?

Coloco meus fones e ponho no aleatório. Ponho o volume no máximo e tento não pensar na merda que está acontecendo. Suspiro e fecho os olhos. Penso na loira — que agora sei que é Tris — e de alguma forma eu adormeço.

Problema, Tobias. Lembre-se disso.

Notas finais
E então?? O que estão achando??!! COMENTEM COMENTEM COMENTEM!! Bem, de Chicago até São Francisco são aproximadamente 3.000 km então Tris e Tobias ainda vão ter muito o que conversar, não acham? E nessa viagem… Bem, pode acontecer muita coisa HUAHAUHAH Vamos aguardar o próximo capítulo! Espero vocês lá e não esqueçam de comentar esse aqui! Beijinhos! Twitter: @poxamalec LINK DA ANTIGA FIC: http://fanfiction.com.br/historia/497329/Um_novo_comeco/