Sem rastros
2 O desaparecimento
Notas iniciais
3 ANOS ANTES:
Junho de 1998
Dois meses. Era o tempo que faltava, que a separava de realizar um sonho que jamais achou que seria o dela. Sara Sidle, 27 anos, contava os dias para se unir em matrimônio com o amor de sua vida, seu colega de trabalho, Gilbert Grissom.
Sara se examinava criticamente no espelho de seu apartamento após sair do banho. Ela não era mulher de se preocupar com essas coisas, mas também nenhum dia fora tão importante quanto o que se aproximava. Era imprescindível estar em seu mais perfeito estado para seu noivo.
A jovem acabava de lavar seu rosto quando Gil saiu do chuveiro e a abraçou, envolvendo a amada pela cintura e beijando de seu pescoço até o rosto dela.
—Bom dia, honey.
Sara respondeu e virou o rosto para beijar o noivo. Como sempre, seus beijos foram escalando até Gil tentar tirar a toalha de Sara.
—Gil!- ela segurou a toalha, tentando se manter modesta- Não podemos, se não vamos nos atrasar!
—Honey... honestamente, ninguém se importa se chegarmos um pouco mais tarde...
—Nosso chefe pode- ela tentou, mais uma vez, dissuadi-lo.
—Do chefe cuido eu!
Sara poderia, mas quem ela era para discordar daquele homem, seu futuro marido?
No fim, o casal se dirigiu ao trabalho no mesmo carro, com pouco menos de 15 minutos de atraso. Ao chegar ao laboratório, o casal passou de mãos dadas pela recepção, dando um bom dia para Judy. A recepcionista era só sorrisos com aquela cena, afinal era raro ver o casal sendo tão aberto com seu relacionamento. Naquele dia, porém, nada podia abalar a paixão deles. Ou era assim como eles se sentiam.
Na sala de descanso já se encontravam seus colegas de trabalho. Catherine, Nick e Warrick estavam sentados à mesa de vidro, tomando café e conversando. Ao perceberem o casal, os amigos começaram com as brincadeiras de praxe. Desde que assumiram um relacionamento os amigos começaram com a palhaçada.
—Boa noite, achei que vocês começariam a lua de mel mais cedo, do jeito que demoraram! — Cath disparou.
Antes que Gil pudesse responder, James Brass entrou na sala com a papelada na mão. O ex-capitão de polícia chefiava a unidade havia 6 anos. Antes disso fora colega de trabalho de Gil e os dois se consideravam grandes amigos. Ele seria um de seus padrinhos de casamento, ao lado de Gustav, seu amigo de faculdade e Albert Robins, o legista do laboratório de Vegas.
— Ótimo, estamos todos aqui. Então, vamos começar com os casos em aberto. Alguma novidade sobre o caso Walters?
A noite prosseguiu tranquilamente, com os CSI fazendo seu trabalho de praxe. Foi um pouco antes do fim do turno que Sara começou a sentir uma mudança no ar. Ela e Nick estavam periciando os pertences de seu último caso quando a morena percebeu uma movimentação do lado de fora. Ela viu quando seu noivo passou pela porta acompanhado de um homem de terno. Os dois pareciam com pressa e iam em direção a saída. Uns segundos depois Gil apareceu na sala e, sem se importar que Nick estava lá, deu um beijo espetacular em sua noiva. Quando terminou ficou ainda com as mãos no rosto dela, acariciando-a.
—Gilbert! Mas o que deu em você hoje?- Sara estranhou a atitude do noivo. Ele não era dado a rompantes desse tipo.
—Não posso beijar minha noiva? — o homem quis saber- Honey, surgiu uma abertura em um caso antigo, vou sair agora e devo demorar. Não me espere para ir embora, ok?
—Que caso?
—Um antigo, você nem estava aqui quando ele surgiu...- Gil deu mais um beijo na noiva e se afastou, mas antes de partir trocou uma palavra com Nick- Nicky, não a deixe trabalhar muito, não a quero cansada tão próxima ao casamento.
—Pode deixar, Griss!
Gil saiu então da sala, deixando um Nick risonho com a atitude do chefe e uma Sara com o coração apertado. Ela não tinha como saber, mas seria a última vez que ela veria seu noivo por muito tempo.
CSI
—Gilbert, sou eu de novo. Isso já está ficando chato. Ninguém sabe me dizer onde está, ou em que caso está trabalhando. Por favor, me liga! Amo você!
Já era a décima quinta mensagem que Sara deixava no celular de seu noivo. Ela não o via desde o fim do turno, tendo ido para casa sozinha como ele havia pedido. Sara ainda tentou esperar acordada, mas acabou adormecendo. Quando acordou, umas 6 horas depois, e não viu o noivo na cama tentou não se assustar. Afinal, era normal eles trabalharem dobrado. Mas algo em seu íntimo dizia que aquilo não era um bom sinal.
Após bombardear Judy de perguntas Sara foi a procura de Jim Brass. Se ele não soubesse onde Gil estava ela não saberia mais a quem procurar. Dando uma batida na porta do escritório, a morena esperou para que Jim respondesse. O chefe abriu sua porta rapidamente, como se estivesse esperando alguém, e pediu para que Sara entrasse.
— Estava te esperando, Sara.
—Onde ele está, Brass? Que caso é esse que ninguém sabe qual é?- ela saiu bombardeando o chefe, mas este não iria se deixar intimidar.
—Sara, preciso que se acalme, sente e me escute, ok?
—Eu estou calma!- ela vociferou, mas se largou no sofá ao qual Brass apontara.
O chefe se acomodou a seu lado, respirou fundo e pensou em como daria aquela notícia.
—Sara... ontem à noite o FBI esteve aqui.
—Aquele homem engravatado que eu vi saindo com Gil?
—Sim, ele mesmo. Aquele rapaz é Gustav Hill...
—Gustav? O padrinho do Gil? Do FBI?!
—Sim, querida... ele veio pedir nossa ajuda com um caso antigo... não posso dar detalhes da missão...
—Mas...Gil odeia o FBI! Por que ele cooperaria com eles?
—Ao que parece seu noivo não pode dizer não. É um caso de desaparecimento de 3 menores... todas meninas... e você sabe como Gil é com casos de crianças...
—Mas por que ele não retorna as minhas ligações? Ele disse que estaria comigo hoje...
—Sara... na última vez que falei com ele Gil disse que ficaria incomunicável por um tempo... que não quis te ligar e acordar... eu realmente não sei o paradeiro dele agora... mas tenho certeza de que quando ele puder dará notícias.
Sara agradeceu e disse que iria até a sala de descanso esperar o resto da equipe chegar. Mas antes passou no banheiro para jogar uma água no rosto. Por dentro ela era só raiva daquela situação. Brass não a ajudara em nada, e agora Gil estava brincando de gato e rato com algum sequestrador, e o pior, não se dignara a avisar a ela. Algo não estava certo ali, e ela só esperava que nada de ruim acontecesse a seu noivo.
Durante todo aquele turno a morena não se separou de seu celular. Sempre que ele tocava ela parava tudo para atende-lo, mas Gil continuou desaparecido. Quando mais um fim de turno chegou e ela não teve notícias Sara resolveu agir.
—Brass- ela apareceu na sala do supervisor novamente- Eu quero informar que meu noivo está desaparecido.
Brass também carregava no rosto sua preocupação. Gil não era de não os manter informados sobre os casos. O máximo que ele ficara sem notícias dele durante o trabalho foram quatro horas, quando Gil trabalhava em uma cena no deserto. Mas ao mesmo tempo o supervisor precisava manter a calma. Não podiam emitir um alerta de desaparecimento sem ter se passado 48 horas do fato. Com o coração na mão foi isso que ele informou a Sara.
—É isso? Você sabe muito bem que algo de errado aconteceu! Meu Deus, Brass! Ele pode estar precisando de ajuda e você vai ficar se escondendo por detrás dessas regras estúpidas?!
—Sara, você sabe que Gil está em uma missão com o FBI. Qualquer coisa que ocorresse tenho certeza de que nos manteriam informados. Além disso, eles são treinados para situações de risco.
—Aí que está, Brass!- ela se preparou para sair, mas tinha que ter a última palavra-Gil não é do FBI, estamos falando do homem que foi atrás de um serial killer sem sua arma...
Brass viu Sara sair de sua sala com os ombros caídos, mas os passos determinados. O supervisor estava de mãos atadas por conta das políticas, mas ela não iria deixar que isso a parasse. Brass tinha fé em Sara.
Fale com o autor