Notas iniciais
Olá! Mais um pouco do nosso caso para vocês. Espero que seja do agrado de vocês. Boa leitura!

Julho de 1998

Sara Sidle xingou mais uma vez o computador a sua frente.

—Merda de máquina imprestável!

Desde que seu noivo desaparecera e Brass instruíra a todos para deixarem o FBI fazer o seu trabalho , Sara estava concentrando todas as suas forças em tentar fazer exatamente o contrário. Para isso tinha a ajuda de seus amigos de trabalho. Nenhum deles pareceu engolir aquele conto que Brass vendeu para eles. Era inacreditável pensar que o FBI precisaria da ajuda de um entomologista para resolver um caso de desaparecimento de anos atrás. Então sempre que tinham uma folga Sara, Cath, Nick e Warrick buscavam informações sobre o caso. O que era praticamente impossível, já que nada do caso foi entregue ao departamento de polícia de Las Vegas.

A morena não queria perder as esperanças de encontrar seu noivo, mas a cada dia que passava as chances de o encontrar com vida diminuíam. Sara havia tentado inúmeras vezes contato com o FBI desde o dia que saíra da sala de Brass após este se recusar ajuda. Mas todas suas tentativas eram frustradas. Apesar de reconhecerem que Gustav Hills estava em missão na cidade, o escritório local do FBI continuava a afirmar que não podiam passar detalhes. Até um escândalo Sara fez no local, mas nada que ela fizesse surtia efeito. Ela não tinha nada do caso para procurar, não sabia o número, os policiais envolvidos, a vítima... somente que tinham 3 garotas desaparecidas. Nem nos casos antigos de Gil tinha menção a isso. Seu desespero era tanto que Sara chegou a rezar por qualquer informação do caso, coisa que ela nunca fizera na vida.

Infelizmente, a primeira notícia a chegar para eles não foi a que Sara queria ouvir. Ela estava em casa naquele dia, tendo sido praticamente expulsa do laboratório por Brass, após ter quase quebrado um computador em um acesso de raiva. Para sua surpresa, ela ouviu a campainha tocar e encontrou Brass do outro lado da porta. O homem reparou nos olhos inchados dela, e na camisa masculina que ela usava. Brass não sabia como dar aquela notícia sem quebrar ainda mais o coração de Sara, mas o que ele podia fazer?

—Sinto muito, Sara... mas recebi a notícia agora... Gil e Gus estavam na estrada indo em direção a Parumph... eles seguiam uma nova pista... mas parece que seja lá quem estava por trás disso descobriu e... o veículo de Gus foi encontrado virado no acostamento...

—Gil... onde ele está?!

—Sara... somente Gus foi encontrado, muito ferido... ele foi levado até o Desert Palms e não tenho mais notícias... O FBI não nos deixa chegar perto, diz que a jurisdição é deles e que vão nos manter informados...

—Não, não pode ser- Sara disse o coração acelerado, ela tinha que fazer alguma coisa- Eu vou até lá...

—Sara, não podemos, estamos de mãos atadas...

—E desde quando você deixa o FBI te dizer o que fazer! Meu Deus, o seu melhor amigo está desaparecido e você aí, me dizendo para manter a calma?!

Sara então tentou passar por Brass , querendo pegar seu carro e ir até o local do acidente, mas o supervisor pegou seu braço e a trouxe para perto.

—Sara, me escuta... você não está em condições de dirigir, e querida... – Brass colocou uma mão no rosto dela e olhou em seus olhos- você não precisa ver como ficou o carro...

Aquilo tudo foi demais para Sara. Ao olhar nos olhos de Brass e ver a dor que ele guardava ali, Sara desabou. Até aquele momento, ela conseguia forças pensando que Gil estava tão envolvido com o caso e não tinha como se comunicar. Mas saber que o homem que devia ser seu parceiro foi encontrado naquele estado... as lágrimas mais uma vez jorraram e Sara desabou no chão. Não tinha mais forças para nada além de ficar ali em prantos.

Foi com dificuldades que Brass conseguiu leva-la para dentro e acomodá-la no sofá. O homem nunca fora muito bom em consolar mulheres em pranto, e desejou que tivesse trazido Cath ou Nick com ele, mas os dois estavam ocupados e ainda não ouviram as notícias. Brass então fez a única coisa que podia, abraçou a mulher e ficou quieto, esperando que as lágrimas secassem.

Somente bem mais tarde, após Sara ter se recuperado do susto que ela exigiu ser levada para ver Gustav. Em sua cabeça, ele era o culpado por tudo aquilo. Ele era para ser o padrinho, não o cara que causaria o desaparecimento de Gil. Neste momento, Brass também já havia decidido se inteirar mais na investigação. Se antes ele acatara as ordens recebidas de cima, agora ele precisava agir. Seu amigo estava realmente desaparecido, e ninguém parecia fazer forças para encontra-lo.

Ele não conseguia nem imaginar como daria essa notícia para Betty. Até então a senhora achava que o filho estava viajando a trabalho. Decidiu que precisava de mais informações de Gustav antes de passar a notícia a diante.

Entretanto, como nada daquele caso era fácil, ao chegarem no hospital eles foram praticamente proibidos de ter acesso ao andar onde Gus estava. Os médicos que falaram com eles – pois que nenhuma pessoa do FBI se dignara a aparecer para eles- disseram que o homem estava em coma e não sabiam quando ele acordaria.

Todo dia, porém, Sara batia ponto no hospital. Gustav era o único homem que podia dar a ela alguma informação sobre o noivo. Na última visita ela descobriu que o FBI transferira Gustav para outro hospital, e obviamente, ela não tinha acesso. Assim como não tinha acesso a investigação do desaparecimento de Gil.

O tempo se arrastou, mas passou. Seu vestido de noiva foi entregue, e tudo o que era relacionado ao casamento parecia que sairia de acordo, só o noivo que não apareceu para experimentar o terno. Uma semana antes do casamento Sara começou a cancelar tudo, com a ajuda de Catherine. Apesar de não serem próximas a loira ajudara muito no casamento. Quando Gil anunciou o noivado Catherine ficou muito empolgada com a possibilidade de uma linda festa. Após uma conversa com Sara, entretanto, a loira percebeu que a noiva não parecia ter muita ideia do que fazer. Percebeu também que Sara realmente não tinha família para ajudá-la. Resolveu então que faria as vezes de irmã mais velha. Desde então elas ficaram muito próximas, e nessa hora de luto foi a ela quem Sara recorreu.

Assim, os peritos de Las Vegas foram se acostumando com uma vida sem Gilbert Grissom. Após meses sem notícias, Sara não tinha muita esperança de encontrar o noivo com vida, mas continuou a busca por qualquer notícia do caso. Ela nunca se perdoaria se não encontrasse ao menos uma resposta para o que aconteceu.

No fim de Julho, Sara estava na casa de Betty quando percebeu a campainha soar. Betty pediu licença e foi até a porta. Após um tempinho Sara ouviu um barulho, como se algo tivesse despencado no chão, e foi investigar. Ela somente viu um homem fardado ajudando sua sogra a se levantar, enquanto um outro estava na porta segurando uma bandeira. Aquilo só poderia significar uma coisa...seu noivo fora encontrado. Ou pelo menos, seu corpo.

O dia estava chuvoso, como se até os céus e estivessem de luto. Sara observou de longe o caixão ser posto no local de sua última morada. Seu único consolo era pensar que Betty estava agora do lado daqueles que ela mais amava, seu filho e marido. Sara enxugou as lágrimas que corriam novamente no rosto, com um lenço que a senhora havia presenteado a ela.

Mesmo com a chuva torrencial, muitas pessoas compareceram ao enterro, todas passando para abraçar Sara, considerada agora a última integrante da família Grissom, mesmo ela nunca tendo casado com Gil. Era um momento de dor inconsolável para ela, afinal acabara de perder novamente sua família... era como se Deus zombasse dela, dando um gostinho do paraíso para depois lhe roubar. E nem todos os abraços de todas as pessoas presentes naquela cerimonia podiam acalentá-la. Sua vontade agora era de deitar-se ao lado do túmulo de Gil e dormir, dormir para sempre.

Quando as últimas pessoas se ausentaram, Sara continuou a observar os túmulos a sua frente. Ela podia sentir os olhares pesarosos de seus amigos em si, mas não se importou. Deixou cair o guarda-chuva, querendo sentir a agua gelada batendo em si. Quem sabe assim ela não levaria toda a dor que estava sentindo? Virou o rosto para os céus e ficou ali, sentindo os pingos se misturarem com as lágrimas. Foi quando ela sentiu um arrepio percorrer a espinha, e uma sensação que ela não sentia há muito, que ela associava com Gil. Era quase como um sexto sentido, seu corpo sabia sempre quando Gil se aproximava. Rapidamente Sara passou os olhos pelo cemitério. Poucas pessoas circulavam pelo local, mas nenhuma seria aquela a quem a morena buscava. Nunca mais seria. De repente, uma sombra pairou sobre ela, protegendo-a da chuva. A mão em seu ombro a fez erguer a cabeça para ver quem falava com ela

—Vamos, Sara... eu te levo para casa.

Nick puxou Sara para perto dele, e os dois saíram do cemitério sem olhar para trás. Ninguém percebeu a figura encapuzada que olhava de longe para aquela cena. Sua angústia era sentida somente por ele, mas saber que ELA teria companhia para passar por mais aquilo o confortava. Isso teria que bastar.