Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

30 Capítulo trinta - Como viver sem você?


Notas iniciais
Benjamin sai desesperadamente atrás do seu melhor amigo após a discussão que tiveram em sua casa. O menino está tão preocupado com Yuri que não dá a mínima atenção ao seu estado emocional ou sua condição física após beber. A tensão entre estes dois amigos é tanta que outras pessoas acabam envolvidas. "Ahhh! Nyx Valetin, AMEI sua RECOMENDAÇÃO: quer dizer que você lia a fic de forma "clandestina"? kkkk AMEI TER SAÍDO DAS SOMBRAS! Eu fiquei muito contente com cada palavra lá escrita. ♥ O meu amor é poder escrever pra vocês! ♥ E a recomendação me deixou animado, já que ME DECEPCIONEI com meus "leitores fantasmas" - são muuitas dezenas de pessoas q leem a fic e não me presenteiam com suas palavras (JÁ DISSE: não precisa escrever muito se tem vergonha ou não se acha apto pra isso, mas um "simples, nossa, isso aconteceu!" - já levaria o autor à estratosfera). Também meu muitíssimo obrigado a todos os fofos que me escrevem regularmente. Não deixe de me escrever e eu não deixo de escrever pra vocês!" — Por favor, responda a enquete no final do capítulo!!!!! beijão, amores

Benjamin já estava trafegando pela BR 101 há quase meia-hora. Decidiu pegar o carro e ir atrás do amigo um tempo depois de ele desaparecer do prédio sem querer atender as suas chamadas.

O de olhos verdes estava mais preocupado com a segurança do oriental do que com a sua própria ao assumir o controle de seu automóvel após os dois ingerirem juntos um certo volume de vinho.

O trânsito estava fluindo muito bem até aquele momento, mas, de repente, o tráfego nas duas pistas começou a se convergir na pista da esquerda – isso gerou certo caos entre os motoristas.

Um pequeno engarrafamento se formou às duas e meia da manhã. Bem na frente do carro de Benjamin tinha um ônibus de viagem comercial e atrás, alguns carros menores e vários caminhões.

Onde o afunilamento das pistas foi preciso, havia quatro policiais federais com seus carros parados atrás dos cones naquela pista bloqueada.

Ele fez sinal para o Ben abaixar a janela e parar brevemente. A sorte dele era que o fluxo estava lentíssimo, então obedecer aos policiais não faria a mínima diferença.

Agora fodeu! Eu serei pego numa blitz no meio da madrugada. Meus pais tomarão o meu carro e a minha carteira de motorista, disso, eu não tenho dúvidas.

— Jovem, estamos pedindo para que os motoristas trafeguem pela pista da esquerda até onde o trecho bloqueado se estende. Isso porque aconteceu um grave acidente na pista da direita.

— Obrigado, senhor! – agradeceu Benjamin, dando graças a Deus por ele não ter suspeitado de nada. Ele também não estava caindo de bêbado ou algo do tipo, só para você saber, nem o tom da sua voz se alterou.

Continuou em baixa velocidade, Dali onde estava já dava para ver as luzes da ambulância parada mais à frente junto com mais dois carros de polícia. A correria dos profissionais da saúde e de segurança envolvidos era grande.

Cem metros à frente, havia um carro prateado capotado. As luzes dos faróis permaneciam acessas. Aparentemente não tinha nenhum outro automóvel envolvido no acidente. No espaço entre o carro e a ambulância, os socorristas atendiam a vítima.

O coração do menino de olhos verdes quase saiu pela sua boca ao ver que a caminhonete capotada era uma Toyota Hilux prateada – o mesmo modelo de carro do Yuri. Enquanto continuava a dirigir, não tirou os olhos do automóvel.

O teto do carro praticamente se contorceu até a metade da altura original da Toyota. Ben conseguiu ver que as rodas dianteiras foram engolidas pelo assoalho do carro e que o pedaço da porta do motorista e da lataria prateada foram cortadas como se fossem parte de uma latinha de sardinha, possivelmente para que os socorristas tirassem a vítima das ferragens amassadas.

Assim que seu carro passou totalmente pela dianteira do automóvel contorcido, o menino fez um esforço tremendo para conseguir ler a placa do carro. Essa leitura só foi possível graças à luz emitida pelo caminhão dos bombeiros.

O seu carro deu uma brecada, naquele mesmo segundo, na pista ao ver que as letras e os numerais correspondiam aos mesmos do carro do Yuri.

— Meu Deus! É o carro do Yuri – gritou, quase abrindo a porta e saindo correndo em direção aos socorristas. Ao invés disso, jogou seu carro para a pista da direita, interditada pelos policiais, logo atrás dos bombeiros. Obviamente, os bombeiros começaram a gritar para ele não estacionar ali. Contudo, ele ignorou as intervenções e saiu do carro desesperado e já chorando muito. – Ele é o meu melhor amigo... O cara envolvido neste acidente é o meu amigo – gritou contra os caras, disparando na direção do tumulto em torno da vítima.

Benjamin teve certeza de que era mesmo o carro do amigo quando reconheceu o adesivo da atlética de medicina da UFSC colado na traseira da caminhonete.

— Menino, o que está fazendo aqui? – perguntou uma policial assim que Ben chegou perto da vítima e dos socorristas.

— Meu Deus, ele é o meu melhor amigo – gritava o de olhos verdes enquanto chorava e chacoalhava a cabeça apoiada em suas mãos.

— Calma, por favor, calma! – pedia a mulher, segurando no ombro dele.

Deixaram ele se aproximar mais um pouco, foi aí que ele viu os socorristas terminando de prender o colar cervical no pescoço de Yuri. Realmente era ele, a sua camiseta e casaco rasgados estavam encharcados de sangue além do seu rosto branco e cabelos.

Yuri mantinha os olhos abertos e a respiração bem acelerada.

— Pelo amor de Deus, me traga de uma vez aquelas miligramas de epinefrina. A pressão do garoto está caindo muito rápido por causa do sangramento – gritou um socorrista.

— O que você está fazendo aqui? – perguntou um dos socorristas ao ver o menino de olhos verdes logo atrás deles em pranto. Pensava que era daqueles curiosos que se amontoassem em torno dos acidentados como urubu em torno de carne podre.

— Ele é o meu amigo, cara. Ele vai ficar bem? Pelo amor de Deus, salve a vida dele.

— Qual o nome dele? Precisamos saber para adiantar o atendimento no hospital enquanto os meus colegas tentam encontrar a carteira dele – perguntou a policial.

— Yuri Takashi Neto. Ele mora em Florianópolis com seus pais e tem dezoito anos. Acho que o tipo de sangue dele é A positivo. Pelo amor de Deus salvem a vida dele.

O japonês pôde reconhecer a voz do amigo em meio à multidão que corria de um lado para o outro. Ele tentou encontrar o amigo com os olhos, já que sua cabeça estava imobilizada pelo colar cervical, mas sua visão estava turva. O japa sabia que estava perdendo a consciência.

— Por que estão demorando tanto tempo para levá-lo ao hospital?

— Calma, moço, eles só podem levá-lo quando estabilizarem o seu amigo para não correr mais risco de vida – respondeu a policial, muito educada.

Ben se apavorou ainda mais quando a ouviu dizer: risco de vida. Ele não podia nem sequer imaginar a morte do seu melhor amigo. O garoto viu os socorristas aplicarem uma injeção com epinefrina diretamente na veia do oriental.

— Ele ficou inconsciente, vamos nos apressar. Prepare logo a máquina de oxigênio, teremos que entubá-lo dentro da ambulância mesmo a caminho do hospital, caso contrário não vai resistir.

Assim que os outros socorristas ouviram aquela que parecia coordenar toda a equipe, levantaram a maca com o Yuri e se apressaram em direção à ambulância. Benjamin não conseguia aceitar a ideia de ver seu amigo desacordado e saindo da cena de um grave acidente em que foi o protagonista. Isso era a pior coisa que o menino já vivenciou até agora.

— Aonde estão levando o meu amigo? Para qual hospital?

— Moço, qual o seu nome? – perguntou a mesma policial.

— Benjamin – disse com a voz trêmula.

— Eles estão levando o seu amigo para o hospital municipal da nossa cidade. Primeiro, precisaremos da sua ajuda para fazer o registro da vítima em nossos sistemas para que possamos também contatar os pais do garoto.

— Em qual cidade estamos, por favor?

— Balneário Camboriú. De onde ele estava vindo e para onde seguia? E você me disse que ele mora em Florianópolis, correto?

Ben não respondeu de imediato, viu a ambulância sair do local com as sirenes acessas e tocando. Os policiais ajudaram na saída dela pela rodovia, bloqueando a passagem de outros carros.

— Ele vai ficar bem, não se preocupe, vai ser bem atendido. Agora, por favor, Benjamin, responda o que te perguntei.

— Bem! Ok! Me desculpe! O Yuri estava vindo da minha casa, lá em Blumenau, e indo para Florianópolis mesmo. E sim, ele e eu somos naturais de Floripa. Sabe me dizer o que aconteceu aqui?

— Uma testemunha, que nos ligou assim que o acidente aconteceu, relatou que ele estava em alta velocidade e que parece que perdeu o controle, batendo naquela mureta, o que acabou impedindo que seu carro voasse sobre a rua de acesso à cidade debaixo desse viaduto. O acidente poderia ser pior se tivesse caído da pista.

— E aí o carro dele capotou e se arrastou alguns metros até parar ali – continuou outro policial que acompanhava a conversa.

— Quando chegamos aqui, ele estava preso e sangrando muito entre as ferragens da caminhonete. Tentamos retirá-lo de lá, mas como o teto do carro amassou as portas, não conseguimos abri-las. Tivemos que chamar os bombeiros para cortar a lataria do automóvel.

— Meu Deus, que horror! Que horror! Ele não pode morrer pelo amor de Deus. Ele não pode...

— E não vai. Já vimos acidentes piores onde as vítimas sobreviveram.

O menino de olhos verdes deu todas as informações solicitadas pelas autoridades antes de pegar seu carro e seguir para o hospital. Como não sabia onde ficava o lugar, a viatura da policial simpática foi à frente do seu carro.

Benjamin desceu tão depressa do carro que se esqueceu de agradecer aos policiais pela ajuda. A sala de espera da emergência estava lotada de pessoas, ele se dirigiu ao atendimento para obter informações.

(...)

— Yuri Takashi Neto? Aqui no meu registro só tenho a informação de que ele chegou agora pouco e foi encaminhado para o atendimento emergencial. Não consta nada mais por enquanto. Infelizmente, eu terei que pedir para aguardar ali na sala de espera junto com os outros.

Ele se sentou em um banco desocupado, que ficava perto de uma máquina de bebidas e de outra, com guloseimas.

Benjamin já tinha conseguido controlar o seu choro quando pegou o telefone para ligar na casa do amigo, não sabia se os policiais já tinham feito contato, porém sabia que não podia contar com a sorte.

Alô, é você, Yumi?

— Alô, aqui é o Benjamin...

Meu Deus, como isso foi acontecer, menino? Me diga pelo amor de Deus como ele está. — É, a Sra. Nara já tinha recebido a notícia. Dava para perceber que a mulher chorava esmagadoramente.

— Eu não estava com ele na hora do acidente. Agora, estou aqui no hospital municipal de Balneário Camboriú. A única informação que me deram aqui foi a de que ele está sendo atendido na sala de emergência.

Que horror, ele está sendo atendido em um hospital público? Espere aí, Benjamin, eu e o Yuri estamos indo agora mesmo para Balneário. Vamos ter que transferi-lo de hospital depressa. Não quero que meu caçula perca sua vida.

A mulher desligou na cara do garoto assim que ele concordou em esperá-los no mesmo lugar, até porque ele não deixaria aquele lugar por nada neste mundo todo. Benjamin sabia que a família do amigo tinha muito dinheiro, mas esnobar o atendimento público já era demais, entretanto ele simplesmente quis ignorar o que ouvira. A mãe do garoto estava em total desespero, era até compreensível.

— Alô, mãe! Tudo bem com você? – cumprimentou Ben. O de olhos verdes ligou para o celular de Marisa naquele horário.

Benjamin, o que aconteceu para tu estares me ligando quase às seis horas da manhã?— A mulher estava com a voz carregada de preocupação. A doutora levou um susto assim que seu celular começou a tocar e viu o nome do seu filho na tela.

— Mãe, eu estou aqui no hospital de Balneário Camboriú...

Quê? Santa Maria, o que lhe aconteceu? Que faz em Balneário?— gritou a mulher, se sentando na cama, totalmente desesperada. Sabia que ele viria para casa naquela manhã, então já concluiu que o filho tinha se envolvido em algum acidente na estrada.

— Calma, calma, mãe, tu não me deixou explicar primeiro. Não aconteceu nada comigo, mas o Yuri sofreu um gravíssimo acidente na BR101 enquanto voltava da minha casa para Floripa nesta madrugada.

A mulher pôs a mão na testa aliviada, porém assustada com a notícia.

Meu Deus, como isso foi acontecer? Ele está bem?

— Não sei como ele está, mãe. Os médicos estão atendendo ele agora mesmo lá dentro. O carro dele capotou na mureta da rodovia e se arrastou por alguns metros. A Toyota do Yuri ficou quase irreconhecível, tiveram que cortar o assoalho do carro para tirá-lo de lá. Parece que ele perdeu muito sangue, eu ouvi os paramédicos dizendo na hora que precisavam aplicar epinefrina diretamente na veia dele e, de repente, ele desmaiou.

Calma, Ben. Fique calmo, se não vai ter um ataque – pediu a mulher, que já tinha se levantado para lavar o rosto.— Eles devem ter aplicado epinefrina na veia para estimular os batimentos cardíacos do Yuri, já que deve ter perdido muito sangue pelo trauma. E isso fez sua pressão cair abruptamente e levou a perda de consciência. É uma resposta automática do organismo para preservar o cérebro devido à baixa circulação sanguínea.

O coração do menino de cabelo castanho voltou a acelerar. Não tinha entendido toda aquela aula de biologia, porém entendeu que Yuri corria risco de vida. Sentia suas mãos tremendo e estava suando muito graças ao nervosismo.

— Não consigo me acalmar, mãe. O meu melhor amigo está dentro de um hospital e pode morrer. Será que a senhora pode me entender?

É claro que te entendo, né, filho? Mas eu sou médica e já vi muitos familiares e amigos das minhas pacientes passarem mal enquanto aguardavam na recepção do hospital. Estou apenas preocupada com o meu filho.

— Cadê o pai? Deixa eu falar com ele, por favor.

Ele está fazendo plantão no HU. O Manoel só vai chegar depois do meio-dia, assim que ele pisar o pé em casa, eu conto o aconteceu e faço ele te ligar. Ok? Mas agora me diga, já avisou aos pais do japa sobre o acidente?

— Os policiais rodoviários ligaram para eles. Agora, estão vindo para cá.

Ainda bem que Balneário fica bem pertinho de Floripa. Posso imaginar como a pobre Nara está se sentindo neste exato momento. Se fosse contigo ou com o Miguel, eu morria no mesmo minuto que me contassem. Tu vais ficar aí até eles chegarem?

— Mãe, eu não tenho a mínima ideia de quando vou sair daqui. Vou ficar até que ele esteja fora de perigo e acordado, não quero nem saber. Pode ligar daqui a pouco para a mãe da Bárbara e avisar o que aconteceu para ela entender o porquê não vamos ao treino de hoje.

Mas é claro que eu posso, meu amor. Me ligue mais tarde para me contar as novidades sobre o caso dele. Beijo, Benjamin.

— Tchau, mãe.

Benjamin acordou assustado assim que seu telefone começou a tocar escandalosamente. Ele tinha cochilado sentado no banco por uma hora, mais ou menos. As pessoas olhavam para ele com raiva, afinal estava em um hospital, ali não era o lugar para que o toque de seu telefone permanecesse num volume tão alto.

– Alô. – Ele atendeu sem olhar quem estava ligando.

Ben, aqui é a Yumi, tudo bem com você? Não me diga que também se machucou?— A voz da menina estava aflita. A japonesa ainda estava chorando ao falar com o amigo.

— Não estava no mesmo carro que o Yuri. Eu cheguei depois ao local do acidente. Foram seus pais que te contaram?

Foi, sim! Eles me ligaram não faz nem meia hora — dizia, soluçando e tentando controlar a respiração. – Me disseram que tu está aí no hospital. Tu tem alguma notícia a respeito do meu irmãozinho?

Ele voltou a chorar ouvindo-a em prantos do outro lado da linha. Também pôde ouvir o namorado da menina falando algumas palavras para mantê-la tranquilizada.

— Infelizmente, não tenho mais nenhuma notícia. Acho que eles só vão dar outras noticiais aos seus pais. E por falar neles, sabe me dizer se já estão chegando aqui?

Sim, sim, a minha mãe me disse que estavam chegando a Balneário. Logo, eles chegarão ao hospital, acredito. Eu estou indo agora mesmo para o aeroporto e pegarei o avião das oito e meia para Floripa, depois, vou de carro para Balneário me encontrar com vocês. Está bem?

— Tudo bem, minha quiridá. Estou aqui esperando por você. Faça uma boa viagem. Beijos.

Beijos.

Meia-hora depois, o de olhos verdes viu os pais do amigo entrarem à todo vapor no hospital. Ele foi ao encontro dos dois, Nara abraçou-lhe enquanto o marido ignorou o amigo do filho e foi diretamente ao balcão de atendimento.

Logo atrás foi a esposa, que também foi seguida por Benjamin.

— Sim, o Yuri é o meu filho – confirmou após a enfermeira perguntar a ele a relação com o paciente que pediu informações. – Que atendimento horroroso ele deve estar tendo aqui – comentou em alta voz para a mulher, que torceu o nariz.

Ben viu a enfermeira suspirar bem forte para não ser grossa com os dois japoneses.

— Os médicos estabilizaram o quadro inicial dele de parada cardíaca e encaminharam o seu filho para a sala de cirurgia. Eles estão operando uma perfuração na cavidade pleural do Yuri – informou a mulher após ler aquilo no seu computador.

Benjamin quase caiu de costas ao ouvi-la dizer: quadro inicial de parada cardíaca. Quer dizer que seu melhor amigo estava tendo uma parada cardíaca? Ele começou a sentir mais medo de perdê-lo para sempre.

— Ai, meu Deus! Cadê o meu filho! Eu quero vê-lo, quero vê-lo – começou a berrar a japonesa, escondendo o rosto nas mãos. – Pelo amor de Deus, menina, me leve lá para dentro e deixe-me falar com o médico.

— Senhora, eu peço um pouquinho de paciência. O Yuri está na mesa de operação neste exato momento, não há como a senhora falar com ele ou com o médico agora. Assim que sair de lá, prometo a vocês que os levo para terem uma conversa com o médico responsável.

— Mas nos diga pelo menos se o quadro dele é muito grave? Nós temos alguma chance de perdermos o nosso caçula? – implorou o senhor Yuri. Benjamin nunca tinha visto aquele homem tão abalado ou atingido por qualquer coisa que fosse.

— O quadro dele infelizmente inspira cuidados precisos. Ele perdeu muito sangue até chegar aqui e isso nunca é bom para nenhum indivíduo. Tivemos que entubá-lo na chegada, afinal o aumento da pressão nos seus pulmões por causa do sangramento interno bloqueou as suas vias respiratórias. A cirurgia que ele está enfrentando agora é muito importante para reverter este quadro. Estas são as únicas informações que temos registradas no sistema.

— Santa Maria dos céus, ele sofreu um acidente muito grave, Yuri... O nosso filho não pôde morrer, vamos, eu quero que mexa os céus e a terra para tirá-lo daqui e levá-lo para um excelente hospital. Seja no Brasil ou fora dele, mas quero o meu japinha vivo e forte novamente.

Depois disso, ela desabou no chão. Isso mesmo, não conteve sua forte emoção e desmaiou diante de todas aquelas pessoas na recepção. Benjamin ficou ainda mais assustado depois daquilo. Agora, ao invés de uma, seriam duas pessoas para se preocupar?

As enfermeiras da recepção ajudaram-na a se recompor, aferiram sua pressão e trouxeram um copo d’água com açúcar para aumentar a PA (pressão arterial) da mãe aflita.

Benjamin gostou de ver a agilidade daquelas profissionais para provar aos Takashi que um hospital público mesmo com todos os seus defeitos podia ajudá-los numa hora tão delicada.

O rapaz já tinha perdido o costume de ver todo o autoego dos pais do melhor amigo, é impressionante como os filhos não puxaram nada daquilo dos pais. Inclusive, ele estranhou o fato do pai do amigo se retirar para fazer uma ligação bem na hora em que as enfermeiras e ele socorriam a mulher desacordada.

— Benjamin, obrigado por estar aqui com a gente. A amizade de tu e do meu filho excede o amor de tantas outras e juro que isso é lindo demais. O Yuri é um menino prodígio, não é? Não sei o que farei da minha vida caso ele nos deixe aqui sozinhos...

Ela voltou a chorar copiosamente, então o menino de olhos verdes abraçou-a com amor e deu um beijo no rosto da japonesa. Ben sabia que nunca tinha feito aquilo na vida já que Nara era bem reservada, mas o momento exigia um ato de ternura.

— Por favor, não pense nisso, quiridá. O Yuri é muito forte e vai sair dessa, tu vais ver. Confio muito no meu melhor amigo. Ele é realmente um menino prodígio, por onde passa, leva muito amor, honestidade e determinação. Souberam muito bem como educá-lo.

Aquela última parte ele mentiu, sabia muito bem que o Yuri e a Nara foram pais ausentes em todo o tempo da vida dos filhos. Yuri Neto e Yumi adquiriram maturidade suficiente antes mesmo de aprenderem a andar de ônibus pela ilha da magia e indiretamente foi graças aos pais relapsos e ausentes.

O garoto teve que ser forte para não chorar ali mesmo. Ele queria se manter confiante diante dos pais do amigo, embora não estivesse muito agora. Também estava morrendo de medo de perder a paixão da sua vida.

Sabia muito bem que se não tivesse dado um beijo em Gustavo, nada daquilo teria acontecido. Ele não julgava o fato do amigo estar bêbado como o principal determinante do acidente. Sem dúvidas, o fator emocional foi o principal responsável e isso era culpa sua.

— Tu me dás licença? Preciso atender a ligação – pediu ele, vendo que a Bárbara estava ligando.

Benjamin, tudo bem contigo?

— Sim, sim. Eu não estava no carro do Yuri – disse aquilo passando pela porta do hospital. O Sr. Yuri estava a alguns metros, sentado num pequeno muro e chorando.

A cena cortou o coração de Ben.

Tu está aí ainda, Benjamin?

— Oi, me desculpa, eu estou. O que estava me dizendo mesmo?

Sabe me dizer como aconteceu o acidente e por que o Yuri não esperou amanhecer para vir embora?

— Calma, uma pergunta de cada vez, ruiva. O carro dele capotou na rodovia, ele ficou preso dentro das ferragens e perdeu muito sangue no acidente. O japonês não quis esperar porque eu e ele brigamos depois do jantar.

Vá se foder, Benjamin! Brigaram de novo? Mas qual é o problema de vocês?

— Eita, Bárbara, vá se foder você. Primeiro que isso não é problema seu, entendeu? Deixa que eu e ele cuidamos da nossa relação, me entendeu? Não perguntei pra ti qual o problema teu e do teu namorado ou perguntei e me esqueci?

A garota respirou bem fundo para não ser má educada e brigar de vez com ele. Aquele não era o momento de se dividirem e sim, de juntarem as suas forças.

Me perdoe, meu amigo. É que estou muito abalada com o que aconteceu ao nosso japinha. Ele está fora de perigo?

— A enfermeira nos disse agora pouco que o Yuri está sendo operado porque parece que sofreu uma hemorragia no peito e perdeu muito sangue. Ele teve uma parada cardíaca quando chegou ao hospital, pelo menos, foi o que ela disse. E pra piorar, eles tiveram que fazer uma entubação no Yuri para que pudesse respirar.

Que horror! O nosso amigo não está conseguindo respirar sozinho? Uma parada cardíaca? — A garota entrou em pânico ao imaginar aquelas coisas. – Não, ele não pode morrer. Não vou aguentar perder mais um amigo e que ainda só tem dezoito anos. Eu vou para aí, vou comprar uma passagem para Balneário agora mesmo.

— Ligue para o celular da Yumi, ela ia pegar um avião de São Paulo para Floripa às oito e meia, e agora já são quase meio-dia. Talvez, consiga pegar uma carona com ela. Acho que a Yu vai pegar um carro dos seus pais para vir aqui.

Melhor ainda, eu vou ligar pra ela agora mesmo. Às vezes, o seu avião já posou. A viagem de lá para cá leva cerca de uma hora. Nos falamos depois, amor.

— Tudo bem, Báh. Até daqui a pouco. – E desligou.

O pai do japa passou por ele e deu uns tapinhas nas suas costas. Até parece que só tinha visto o menino agora. Ben começou a chorar ao abrir o Instagram do Yuri e começar a fuçar em suas fotos.

Reparou algo que nem tinha se tocado até agora, o japa não tinha apagado nenhuma das suas fotos com a Bruna Santori. Inclusive aquela onde a menina estava deitada sobre o corpo nu do oriental, tampando com sua cabeça o pênis do rapaz.

Ao contrário do que aconteceu na primeira vez que viu aquela mesma foto, ele começou a rir. A rir da cara da ex-namorada do Yuri, sabia que o menino tinha terminado com ela só para poder ficar com ele.

— Tu teve o que mereceu, menina. Agora, o japa é só meu e de mais ninguém – sussurrou, como se ela pudesse ouvi-lo. Mas logo, ficou pensativo. – Quero dizer, se ele puder me perdoar pelo o que fiz. Precisará me perdoar duas vezes agora. Como pude ser tão filho da puta com o japa?

Benjamin atravessou a rua para ir a uma padaria, onde comprou algumas coisas para comer e um café com leite. Lá, atendeu a ligação de casa, dessa vez, era o seu pai. O doutor Manoel parecia muito preocupado com o estado do amigo do filho, ainda mais depois do Benjamin repetir aquilo que ouviu da enfermeira.

Manoel se propôs a operar o Yuri caso ele necessitasse de algum procedimento cardiovascular. Ele tentou confortar o filho dizendo que enquanto Yuri estiver respirando pelos aparelhos não existe risco para o cérebro e para o coração do menino.

Ben aceitou aquilo como uma coisa boa. Então veio a pergunta mais complicada de se responder:

Por que ele estava voltando no meio da madrugada para Floripa? Por que não posou na sua casa já que este era o plano de vocês?

O menino não respondeu.

Já entendi, filho! Brigaram de novo, não foi? Quem estava com ciúmes de quem dessa vez?

— Por que ciúmes, pai? Só brigamos mesmo e ele não quis dormir lá em casa depois da discussão e saiu no começo da madrugada.

Vocês dois têm que aprender a viver em paz. Meu filho, vocês são amigos desde quando eram crianças ranhentas. Passaram por tantas coisas juntos, depois de ele sair dessa e sei que vai, quero ter uma conversa com os dois.

— Pelo amor de Deus, pai, não faça isso. Que mico ter o meu pai se metendo nas minhas amizades para corrigir as minhas brigas. Não te perdoaria se fizesse isso comigo. É sério mesmo, doutor Manoel. Pode deixar que vamos nos acertar de novo. Sempre foi assim, não é mesmo?

Tens razão, mas não vou pressioná-los a nada, eu juro.

— Não quero que tenha nenhuma conversa com a gente, pai.

Ok! Ok, menino! Respeitarei o seu pedido, mas está na hora de crescerem. Chega de brigar como o seu irmão e a namorada dele, né?

Ben sentiu seu peito disparar. Aquela comparação lhe pareceu um pouco suspeita, até parecia que seu pai queria insinuar que os dois estavam namorando ou coisa do tipo. Porém preferiu ignorar aquilo para não piorar as coisas.

Filhão, o pai precisa dormir um pouco, mas precisando de alguma coisa, me ligue na hora. Se precisarem de um cirurgião cardíaco, vou até o hospital daí ou onde ele for. Fique calmo, respire fundo, que logo, logo, o seu melhor amigo estará novamente nas ruas contigo e com a turma toda.

— Pai, tu sabes que te amo demais?

Saber até eu sei, porém é muito gostoso ouvir isso da boca do meu filhão. O pai também te ama muito. Tu e o Miguel são a minha vida e a tua mãe também. — Só acrescentou a esposa quando ela cutucou a sua cabeça com a vassoura. Beijo, tchau!

— Tchau!

Ao desligar o celular, juntou as suas coisas, pagou pelo café e comida e até comprou dois cafés expressos para levar aos pais do Yuri. Tinha começado a chover para o azar do garoto.

O pai do Yuri estava novamente ao telefone, mas por conta da chuva, teve que ficar perto da porta de vidro da emergência. Nara ficou surpresa pela gentileza do menino de olhos verdes e aceitou o café. Quando Yuri voltou, recusou a bebida quente trazida pelo Benjamin – até parecia que desconfiava de que ela estivesse envenenada ou coisa do tipo.

— Vocês são da família do Yuri, certo? – perguntou a mesma enfermeira que socorreu Nara.

— Sim, somos nós! – respondeu o senhor Yuri.

— Podem me seguir que vou levá-los para falar com a doutora Bianja.

Os três se levantaram e seguiram a mulher. Benjamin não deixaria para ter as notícias mais frescas sobre o quadro de Yuri mais tarde, não.

A doutora lhes recebeu dentro do seu consultório. Ela era loira, olhos azuis, com uma pele superbemhidratada e devia ter seus um metro e oitenta, fácil, fácil. Benjamin não dava mais do que trinta anos para a médica.

— Me chamo Bianja Zanetti, sou cirurgiã torácica. Fui responsável pela cirurgia no tórax do seu filho.

— Doutora, me diga que tem boas notícias. Não suportaria perder o meu filho caçula – suplicou a mãe desesperada.

— Graças a Deus, mãe, o seu filho está vivo, mas ainda corre risco de vida.

— Como assim? Não acabaste de operá-lo?

— Senhor, eu o operei, sim. Me deixe explicar o sensível quadro de seu filho. O Yuri chegou ao hospital mais cedo com vários traumas ocasionados pela colisão do automóvel. Ele perfurou a bacia, o abdômen, o tórax e quebrou o antebraço esquerdo em dois pontos.

Benjamin arregalou bem os olhos, apavorado com a situação do amigo. Ela era bem pior do que podia imaginar. Nem se fala de como os pais do garoto ficaram ao ouvir aquela declaração da médica.

Yuri, tu precisa ficar bem, meu amor... não posso perdê-lo para sempre! Me perdoe! Eu te amo demais, tu és o meu grande amor. Prometo pedi-lo em namoro assim que sair daqui e vamos assumir o nosso amor para todos os nossos amigos e familiares. Eu prometo pra ti, contudo preciso que sobreviva. Seja muito forte agora! Forte, me entendeu?

Benjamin começou a chorar silenciosamente ali mesmo. Nara não só chorava como também estava em prantos.

— Então como ele perdeu muito sangue devido a esses traumas – a médica continuou depois de dar uma pausa para absorverem a informação –, ocorreu uma severa hipoxemia, que nada mais é do que uma baixa saturação de oxigênio no sangue, o que leva a problemas cardiovasculares seguidos da falência de órgãos vitais.

Falência de órgãos? – gritou Ben, estava nem aí para o que os pais do amigo pensariam. – Ele teve algum órgão comprometido?

— Ainda não teve nenhuma falência porque fomos muito agressivos contra as lesões. Mas esta hipoxemia levou a um quadro inicial de parada cardiovascular, que foi contida rapidamente pelo nosso cirurgião geral, já que o cardiologista do hospital estava de folga e demoraria demais até chegar aqui. Não precisamos fazer nenhuma cirurgia no coração, ainda bem. Foram apenas administradas algumas medicações e quatro transfusões sanguíneas tiveram que ser realizadas para ajudar o coração a bombear corretamente o sangue para todo o corpo. Esta hipoxemia se deveu principalmente pelo quadro nos pulmões do paciente; houve o rompimento das pleuras e de algumas artérias satélites, a cavidade em torno dos pulmões onde não deveria haver nada além do que o líquido pleural se encontrava inundada por muito sangue, que acabou aumentando a pressão intrapleural, comprimindo várias vias aéreas e levando a uma insuficiência respiratória.

A médica fez mais uma pausa, avaliando a expressão de pavor estampada no rosto de cada um dos três.

— Foi aí que eu tive que atuar rapidamente, primeiro, contive a hemorragia naquelas artérias rompidas e, depois, drenei todo o sangue misturado com o liquido pleural da cavidade em torno dos pulmões e apliquei bronquiodilatadores para abrir as vias respiratórias novamente. Por isso, seu filho continua a respirar com a ajuda dos aparelhos, mas assim que as pleuras voltarem a fabricar o líquido pleural perdido e ele restabelecer a pressão intrapleural na cavidade, o Yuri naturalmente voltará a respirar por conta própria. Mas por enquanto o seu quadro pulmonar continua muito delicado.

— Graças a Deus! E os outros traumas, já os operaram?

— Somente pudemos drenar o excesso de sangue das cavidades intrínsecas às perfurações. Não temos nenhum cirurgião gastrointestinal para operar o jejuno-íleo do Yuri e nenhum neurocirurgião aqui no hospital. Teremos que levá-lo às pressas ao HU da UFSC, lá em Florianópolis.

— Por que neurocirurgião? Não mencionaste nenhuma lesão no cérebro dele – vociferou Yuri. – Por que o meu garoto precisa de um neurocirurgião?

Benjamin percebeu que a doutora se sentiu ofendida pela forma rude como o senhor Yuri se expressou.

— Senhor, não houve nenhum comprometido ao cérebro. Só que a lesão no abdômen do seu filho levou a um quadro de hemorragia interna na região lombar da sua coluna vertebral. Ela precisa ser operada com a máxima urgência para evitarmos uma sequela permanente no Yuri.

— Santa Luzia, o que vamos fazer? O nosso filho precisa ser mais bem amparado, Yuri. Agora mesmo homem! – gritou a mulher.

— Senhora, fizemos tudo que estava ao nosso alcance. Infelizmente não temos todos os recursos num hospital municipal. O único público da região que terá esta assistência toda será o HU.

— Vou levar o meu filho para o Sírio Libanês imediatamente. Nara, eu vou lá fora telefonar para um amigo meu que é dono de uma agência de aluguéis de helicópteros.

— Senhores, devido ao quadro sensível do seu filho, será tarde demais até chegarem em São Paulo. Já que podem pagar um hospital, recomendo que o levem para o mais próximo daqui.

— Yuri, vamos transferi-lo para o Hospital Caridade na nossa própria cidade. Acha que dá para levá-lo até lá, doutora?

— Em Florianópolis?

— Sim.

— Se forem de helicóptero não levarão nem meia hora. Além de que o hospital é um dos melhores do estado. Recomendo que liguem no hospital de lá e peçam para cederem uma enfermeira e os aparelhos de respiração e monitoramento dos sinais vitais. Eu sei que eles podem fazer isso em casos iguais a este.

Yuri saiu correndo do consultório para realizar os telefonemas.

— Podemos ver o meu anjinho? – perguntou a mãe, sem forças para fazer qualquer escândalo igual ao marido.

— Senhora, permitirei que os dois entrem na UTI, mas não poderia fazer isso agora, porém abrirei uma exceção.

— Muito obrigada, doutora – agradeceu Nara.

Ben e a mãe do amigo saíram atrás da médica, que os levou até a UTI do hospital. O lugar era imenso, porém com muitos leitos compartilhados.

— Inclusive verão que a UTI do Caridade é bem melhor e o seu filho permanecerá em um apartamento exclusivo dele – confidenciou Bianja, sorrateiramente. – Ali está o teu filho, pode ficar aqui por cinco minutos, nada mais do que isso. Eu já volto!

O Benjamin e a Nara voltaram a chorar quando se aproximaram do garoto acamado. O rosto dele estava todo inchado e com hematomas terríveis, o seu braço que fora quebrado na colisão estava engessado. Um pequeno tubo entrava diretamente pela boca do menino e a máquina que mantinha-o vivo estava do lado da cabeceira da cama.

Como Ben podia aceitar que ontem o garoto estava todo alegre, trocando beijos apaixonados com ele e que, agora, estava sendo mantido vivo por uma máquina de respiração artificial? Isso chegava a doer na alma do de olhos verdes.

Novamente, voltou a se culpar pela situação do seu melhor amigo. Sabia que se Yuri morresse, não apenas sofreria como sofreu com a morte de Pedro, mas também ficaria de luto por toda a vida, afinal assumiria toda a culpa para si e provavelmente entraria numa depressão.

— Olhe só para ele, Benjamin. Olhe como o meu anjinho está todo machucado e deve estar sentindo muita dor – lamentou Nara com a voz embargada. A mulher segurava na mão daquele braço que estava quebrado.

Benjamin limpava as lágrimas dos seus olhos e mordia os lábios. Queria poder dar um beijo na boca do amigo. Só que aquela máscara de respiração cobria todo o seu lábio, caso contrário, não sei, não, mas ele daria aquele beijo na frente da mulher mesmo.

Ele segurou na outra mão do acamado e começou a alisar o braço de Yuri. Não teve como não se lembrar daqueles braços fortes comprimindo seu quadril naquele beijo que trocaram no quarto do Ben no dia em que voltara de Curitiba e eles estavam de mal um com o outro. No mesmo dia em que o Yuri quebrou o silêncio e declarou o que sentia por ele.

No momento em que a Bianja voltou para buscá-los, Benjamin extrapolou todos os limites e beijou a bochecha do amigo e sussurrou em seu ouvido:

Eu te amo muito, gatão! Por favor, resista e saia desta. Por favor, não ouse me deixar aqui sozinho. — Depois, deu um beijo na testa do amigo.

A mãe do garoto sorriu sem mostrar os dentes após ver o carinho demonstrado por Ben, obviamente, não desconfiara de nada e muito menos tinha conseguido ouvir o que o rapaz cochichou no ouvido do japa.

Antes de sumir no corredor, ele deu uma última olhada no leito onde estava o Yuri através do vidro da porta. Ele refutou o pensamento de que poderia ser a última vez que via o melhor amigo com vida.

— Vamos, mocinho – disse a médica, voltando. Nara já tinha desaparecido no corredor. – Percebi o quanto ama aquele menino. Ele vai ficar bem e vocês vão poder ficar juntinhos de volta.

— Quê? – perguntou perdido.

— Eu também tenho uma namorada que eu amo muito. Tenho certeza que o Yuri deve ser seu namorado. Te vi olhando para ele da mesma forma como olho para ela.

Ao dizer aquilo, Bianja abraçou o menino, que voltou a chorar.

— Não posso perdê-lo, doutora. Não quero aprender a viver sem o meu japinha.

— E não perderá, ele estará em boas mãos lá em Floripa, eu te garanto. Agora, preciso que se retire daqui antes que o chefe da UTI venha mijar na gente.

— O.K! Muito obrigado pelo que conseguiu fazer por ele – agradeceu se afastando da médica.

Notas finais
Meu "corassaum" não resiste a tanta tensão e tristeza! (No words after this chapter). Hei, deixe as suas melhoras pro japinha, ou quer vê-lo sofrer sem suas "good vibes"? ENQUETE: —Vocês realmente acham o Ben culpado?