Sem Me Controlar
2 Algo foi roubado
Notas iniciais
Dois anos depois...
Ano de 2012
Então dois anos se passaram. Digamos que muita coisa mudou nesse tempo. Eu virei o capitão do time e eu estava cada vez mais perto de conseguir o que eu queria. Pedro Lucas , Thomas e Lucas se tornaram meus melhores amigos e também tinha a Camila... ela era minha vizinha, um ano mais nova que eu, mas desde que eu me mudei ela se tornou minha melhor amiga, com ela eu sabia que poderia contar sempre. E ah, eu estava namorando. Fazia um tempinho já, o nome dela era Vitória. Ela era linda, um pouco possessiva, talvez. E Bia ... bem, depois daqueles dois meses ela sumiu. Ela parou de ir na escola e nós não recebemos mais notícias dela. Ninguém.
Era primeiro dia de aula do último ano do ensino médio. Os caras e eu sempre costumavámos chegar mais cedo para ver quem tinha saído, quem era novo por ali. Nós ficamos no banco que tinha ali no pátio da entrada do colégio, sempre ia alguém nos cumprimentar. Quando o sinal estava quase para bater nós nos levantamos.
– Cara, olha quem tá vindo ali. — Pedro Lucas disse, apontando com a cabeça em direção ao portão.
Segui em sua direção e foi ai que eu a vi. Não havia mudado nada. Estava perfeita. Seu olhar parecia um pouco triste, o corpo um pouco mais desenvolvido, cheio de curvas. Estava com o cabelo preso, com a pequena franja batendo em seus olhos devido ao vento fraco. Eu a seguia com os olhos, a cada passo que ela dava até a entrada. E não foi só os meus olhos que ela conseguiu atrair, a maior parte das pessoas que encontravam-se naquele local foram hipnotizados por ela, que passou pela entrada sem falar com ninguém. Há dois anos atrás eu demorei um tempo para tirar aquele rosto da minha cabeça, em questão de segundos tudo voltou.
Durante uns três meses nós não trocamos sequer uma palavra. Ela ficava quieta o tempo todo, sempre sentava na primeira mesa, sempre abria a boca para responder coisas que ninguém sabia na aula e nunca deixava a biblioteca. Eu deixei isso quieto, continuei meu namoro, continuei a levar a vida que eu levava antes dela voltar. Mas não vou negar, as vezes os caras me pegavam olhando para ela. As provas bimestrais começaram e bem, eu e os rapazes não somos lá de estudar. Além do mais, o treino nos consome.
– E então, você vai ou não vai? — Thomas me perguntou.Tinhamos combinado que um de nós entraria na sala do diretor essa noite para roubar o gabarito da prova de física. Nós sorteamos e pro meu azar, eu que teria que fazer.
– Não acham que é melhor pergarmos um livro e estudarmos? — eles me olharam e balançaram a cabeça.
– Você sabe muito bem que mesmo quando nós estudamos não conseguimos uma nota decente, incluindo você. — Lucas falou.
– Já tá com tudo pronto? — Thomas perguntou.
– Sim, eu sei o que vou fazer.
– Cara, estamos nessa juntos. Se você for pego, nós também seremos. — ele completou, batendo em minhas costas — A gente espera você aqui.
Dei as costas pra eles e fui até a porta. Entrei facilmente. Tudo estava completamente silencioso, prova de que não tinha ninguém aqui. Tentei não fazer barulho, subi as escadas devagar, segui pelo corredor até a última porta, que era exatamente onde eu deveria chegar. Para minha sorte ela estava aberta, era só achar o gabarito e sair correndo dali.
Eu não achava por nada o maldito gabarito. Isso estava muito bem escondido. Já tinha procurado por toda a sala. Só faltava a gaveta principal. E ali estava. O gabarito da prova de física. Sorri triunfante, depois de tanto esforço. Mas meu sorriso não durou por muito tempo. Quando escutei o ranger da porta, meu sangue gelou.
– Mas o que você pensa que está fazendo aqui? — ao ouvir uma voz fina, meu corpo relaxou.
– Bia! O que está fazendo essa hora aqui?
– Ora, Pedro. Eu é que te pergunto. Por que você está na sala do direto? — ela perguntou desconfiada — O que é isso em suas mãos? Está tentando roubar algo?
– Roubar? Você acha mesmo que eu preciso roubar? — dei um sorriso irônico.
– Não sei, mas é o que parece. — ela me respondeu com um tom de voz mais baixo.- Estava aqui até essa hora estudando?
– Isso não te importa.- Você tem razão. Mas o diretor vai adorar saber o que o senhor Lanza estava fazendo aqui.
– Ele nem está aqui, Beatriz.
– Claro que está, Lanza. Eu tive que ficar até mais tarde para tirar algumas dúvidas com a professora de física. O diretor teve que ficar aqui.- e foi a vez dela, me deu um sorriso debochado — Acho que alguém está bem ferrado.
Eu não podia acreditar nisso. Ela estaria mentindo ou falando a verdade? Minha comunicação com ela era bastante limitada e eu não sabia se ela estava sendo sincera ou não. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, comecei a ouvir vozes vindo do corredor.
– Seu fim está próximo, Lanza.
Eu estava perdido. Não tinha a mínima idéia do que iria fazer. Agindo por instinto, a peguei pelo braço e a levei para trás de um dos armários que havia na sala. Como o espaço era pequeno, deixou nossos corpos colados. Ela não parecia nada confortável naquela situação.
– Dá pra você me soltar? — eu balancei a cabeça — Eu vou gritar, Pedro. Me solta.
– Você não quer fazer isso, Beatriz.
– Quer apostar?
Eu a mirei com cara feia e percebi que ela iria mesmo gritar. O diretor estava ali na porta, falando com alguém. Antes que ela gritasse, juntei meus lábios aos dela. Foi a única maneira que eu encontrei para mantê-la calada. Seus lábios eram quentes e macios, bem melhor do que eu imaginava. Assim que percebi que o diretor tinha saído dali, me separei dela. Meus olhos encontraram-se com os dela, ela me encarava assustada. Me lembrei do que Pedro Lucas tinha me falado há dois anos atrás: O último que tentou ficou com a marca de cinco dedos marcados na cara por quase uma hora. Eu não quis saber se ela me bateria ou não, apenas queria beijá-la de novo e eu o fiz. Não sabia o que estava fazendo, eu tinha namorada. Sem pedir permissão, colei meus lábios nos dela outra vez. Logo o beijo foi se intensificando, apertei mais ainda meu corpo contra o dela e senti suas mãos entrelaçarem minha cintura, enquanto eu continuava a acariciar seu rosto, não querendo perder aquele contato nunca.
Ouvimos de novo um barulho e ela apartou o beijo assustada, abaixou o rosto e saiu daquele pequeno espaço, indo em direção à porta. Saiu praticamente correndo dali. Eu estava totalmente confuso. Fiquei mais ainda, quando ela saiu correndo pela porta, como se eu a tivesse feito algum mal. Aquela garota havia mexido comigo antes. Será isso o que faltava para eu me apaixonar de vez por ela? Logo acordei dos meus pensamentos e saí de lá. Os rapazes estavam me esperando na praça que tinha ali na frente do colégio. Quando os encontrei entreguei o gabarito.
– Cara, por que você demorou? — Lucas perguntou.
– Foi mal. Eu estava ocupado beijando a Beatriz.
– O QUE? — Os três gritaram, me deixaram quase surto.
– Eu beijei a Beatriz.
– Cadê? Onde está? — Pedro Lucas perguntou, segurando meu rosto e eu o olhei estranhando.
– O que?
– A marca da mão dela na sua cara, ué. Onde ela te deu o tapa?
– Não teve tapa nenhum. Ela correspondeu o beijo.
– É, claro que correspondeu. — Thomas disse, fazendo os outros gargalharem.
– Ei, caras. Eu estou falando sério. Depois ela fugiu.
Eles ficaram me zuando até eu chegar em casa. Eu não consegui dormir pensando nela, naquele beijo. Eu queria mais. Só que eu tinha namorada, Vitória. Estava completamente perdido.
Fale com o autor