Semântica
23 Sopesa
Notas iniciais
Quando eu o encontrei diante da porta do apartamento, com a mochila jogada sobre as costas, eu mal podia distinguir sua forma. Ainda apoiada desajeitadamente sobre aqueles muros, eu busquei o ar que já quase não havia em meus pulmões para chamar sua atenção.
Assim que sua cabeça se virou para mim, eu não era mais a única que mal podia respirar. Franzindo o cenho, você chamou meu nome — duas, três vezes. Eu só podia devolver-lhe o olhar, em resposta.
Destrancando a porta e jogando a mochila para dentro, você caminhou em minha direção com passos cuidadosos — como se achasse que eu fosse desmontar com qualquer ação brusca.
Talvez eu fosse.
Sinceramente, eu odiei ver-te tão preocupado comigo. As noites mal-dormidas e o álcool pareciam embriagar-me em loucura.
Mas, nunca havia me sentido tão lúcida.
Ainda assim, eu não mais podia medir em sopesa o certo a se fazer. Minhas mãos largaram por terra qualquer medo, qualquer incerteza — só para poder segurar você de volta.
E num turbilhão de palavras inundando minha mente em explicações vazias, a linha vermelha em seu pulso respirou em meus pulmões as únicas palavras que eu precisava.
— Vinte segundos. Me dê vinte segundos.
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