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1 Um dia de cada vez.
Notas iniciais
Todos dizem que a vida não é muito justa, e pode não ser mesmo, mas acho que não vale a pena passar tanto tempo remoendo e se lamentando do modo como às coisas são.
Aprendi cedo na vida que temos que lutar pelo que queremos, meu pai e minha mãe morreram quando eu tinha sete anos e minha irmã Rose quatro, por causa disso fomos morar com nossos avôs por parte de mãe, vovô Jon e vovó Susan, o casal mais velho dos Swan e meus únicos avôs ainda vivos.
Sentia muita falta dos meus pais até hoje, e sei que Rose também, não foi fácil, mas conseguimos de certa forma superar a perda. Vivíamos em uma casa simples na província de New Moon, que era governada pelo rei Carlisle e nossa rainha Esme. E agora com 18 anos, após atingir a maior idade me sentia mais responsável ainda por minha irmã e meus avós que fizeram e faziam tudo para nos dar o melhor que podiam.
– Isabella? – chamou-me vovó da cozinha.
– Sim vovó... – disse indo até ela.
Tinha ido buscar algumas verduras em nossa pequena horta nos fundos da casa, para as tortas que vovó fazia e que eu vendia no centro da nossa província.
– Pode me ajudar a bater estas massas? – pediu gentilmente.
– Claro vovó. – falei já começando a ajuda-la – Onde está Rose?
– Como se não soubesse... Está no quarto dela entretida em seus desenhos. – disse ela.
Rose sempre adorou desenhar e criar roupas para suas bonecas com os pequenos restos de panos que conseguia com Amélia uma das costureiras da cidade que gentilmente cedia-os a ela.
– Deixe-a... Se isso a faz feliz é o que importa... – falei sorrindo para vovó que concordou com um aceno.
Terminamos de preparar a massa colocamos nas formas e depois para assar. Quando estivessem prontas eu iria até o centro e distribuiria as encomendas das tortas nos pequenos mercados que existiam ali, as tortas de vovó Swan eram famosas na província, todos gostavam e elogiavam.
Subi indo ao quarto de Rose e a encontrando como sempre sobre a cama com sua bagunça de papéis e tecidos.
– Toc toc... – falei chamando sua atenção.
– Bella... – disse ela sorrindo.
– Posso entrar? – pedi.
– Claro... – concordou.
Caminhei até a beirada da pequena cama de solteiro dela, sentando em seguida. Peguei alguns de seus desenhos olhando-os, ela realmente tinha talento, seus desenhos eram lindos e suas “criações” eram muito boas mesmo.
– São lindos Rose... – elogiei fazendo-a sorrir.
– São só rabiscos. – desdenhou dando de ombros.
– Você sabe que são mais que isso... – falei tocando sua mão – um dia ainda vai ter vários desses vestidos, eu prometo.
– Não preciso deles Bella, trocaria todos eles pela mamãe e pelo papai... – disse suspirando.
Sei que ela ainda sentia falta deles, mesmo ela sendo tão pequena quando eles se foram.
– Eu sei Rosita... – falei indo até perto dela e abraçando-a.
Ouvi sua risada baixinha ao ouvir meu apelido carinhoso com ela, papai e mamãe sempre a chamavam assim e sabia que era um jeito carinhoso com ela. Lembro que quando papai me deixou entrar no quarto algum tempo depois de mamãe ter dado a luz a ela a primeira coisa que vi foi o cabelo ralo e branquinho dela e depois seu rostinho de anjinho.
Rose tinha uma beleza angelical totalmente diferente da minha, não que eu me achasse feia, mas éramos bem diferentes, Rose era loira com seus cabelos na metade de suas costas, era alta, com apenas 15 anos era quase da minha altura, era magra com olhos azuis e tinha uma cor saudável, digo isso porque eu era branca, na verdade mais branca do que o necessário, era magra, mas não tanto quando ela já que não era provida de muita altura, tinha cabelo marrom meio avermelhado que passavam a da minha cintura e eram meio ondulados, meus olhos eram marrons também, mas meu avô dizia que pareciam como chocolate quente em uma noite de inverno.
– Vai até o centro levar as tortas? – pediu ela com a cabeça apoiada em meu ombro.
– Sim, vovó já as colocou para assar... – expliquei.
– Poderia passar na senhora Amélia e pegar mais retalhos? – pediu ela esperançosa.
– Posso sim, quando estiver voltando passo lá. – falei beijando sua testa e me levantando.
– Faça um destes para mim, sinto falta dos seus desenhos, esta crescendo e me esquecendo... – disse rindo baixinho.
– Faço sim, vai ser o mais bonito... – disse sorrindo.
Desci encontrando vovó embalando suas tortas enquanto cantarolava uma musica conhecida.
Vovó era uma cozinheira de mão cheia, desde pequena a via cozinhar e ajudava-a como podia, assim que entrei na adolescência queria ajudar mais nas despesas da casa, então comecei a fazer doces para vender, vovô dizia que eu tinha dom para aquilo, fazia brigadeiros, tortilhas, quindins e outros doces que também vendia nos mercados.
– Pronto? – pedi pegando a cesta que usaria para leva-las.
– Sim querida... – disse ela colocando-as na cesta.
Dei um beijo nela me despedindo, nossa casa ficava a uns dois quilômetros do centro da província, não era muito perto, mas eu gostava do sossego dali, New Moon era uma província calma, sem muitos conflitos e guerras.
Caminhei pela rua de pedras até chegar ao centro da cidade, cumprimentei as pessoas conhecidas que encontrava na rua e distribui as tortas pelos mercados.
Na volta passei pela costureira e peguei os retalhos para Rose, saia do ateliê quando tropecei em um dos enfeites da entrada da loja.
– Droga... – falei ainda sentada no chão.
– Precisa de ajuda? – pediu uma voz rouca.
– Não... Obrigada! – disse meio zangada pelo meu tombo.
– Caiu? – insistiu a pessoa.
– Não, na verdade eu gosto de ficar sentada na porta das lojas impedindo que as pessoas passem... – falei irônica. [N/B: Nossa Bellinha nem é grossa né. O.o ]
Ouvi sua risada baixa e então levantei meus olhos encontrando os seus, eram verdes como nunca tinha visto antes, ele sorria parecendo achar graça da situação o que me deixou meio sem jeito.
– Posso te ajuda? Mesmo que não precise é claro... – justificou-se rapidamente.
Bufei aceitando sua mão estendida, assim que levantamos pude vê-lo melhor, ele era alto, bem mais alto que eu que apenas alcançava seu ombro, magro, mas na medida certa e seu cabelo era de um loiro estranho, meio cobre.
– Anthony, prazer. – disse apertando um pouco mais minha mão que ainda estava na sua.
– Bella... – falei sorrindo um pouco.
– “Ma Belle” (minha bela) – disse ele sorrindo torto.
– Como? – pedi sem entender o que havia dito.
– Majes... Anthony... – disse um homem de meia idade vindo até nós.
– Sim Marcus... – disse ele se virando para o senhor.
– Esta na nossa hora, sabe que não podemos demorar “senhor”... – disse olhando para os dois lados como se procurasse alguém.
Será que estavam fugindo? Olhei suas roupas bonitas e logo conclui que não. Ladroes não se vestiam tão bem assim, eu acho.
– Foi um prazer conhece-la Bella... – disse ele pegando minha mão e beijando-a.
– O mesmo Anthony... – falei ainda meio confusa.
E então ele se foi, o vi entrar em um carro e sumir pela rua do centro. Suspirei pegando minha cesta que ainda estava no chão e fiz meu caminho de volta para casa.
– Vovô! – disse sorrindo e indo até ele que estava sentado em sua velha poltrona na nossa pequena sala.
– Oi passarinha... – disse ele sorrindo e largando seu livro na mesinha ao seu lado.
Bateu em sua perna em um claro convite para eu me sentar, e foi o que eu fiz. Adorava quando ele me chamava de “passarinha”, ele dizia que eu era como um passarinho, que não importa como esta o tempo nunca deixa de cantar.
– Como o senhor esta? – perguntei beijando sua bochecha.
– Bem passarinha... e a senhorita? – disse apertando meu nariz.
– Estou bem, estava no centro entregando as tortas... – expliquei sorrindo.
– Essa é minha menina... – disse orgulhoso.
– Só ela? – pediu Rose vindo da cozinha.
– Claro que não boneca... – disse ele chamando-a para se sentar em sua outra perna.
– Você, sua irmã e sua avó são minhas eternas meninas... – disse ele beijando sua testa.
– Por falar na vovó, ela esta chamando para jantar – avisou Rose.
– Então vamos lá – falei levantando – há, trouxe seus retalhos...
– Eba! – disse ela saindo saltitando até a cozinha, fazendo eu e vovô rir.
Jantamos como sempre em meio a conversas e risadas, vovô Jon trabalhava como jardineiro em varias casas de membros mais “afortunados” da província.
Rose eu lavamos a louça, enxugamos e guaramos tudo, vovó e vovô já tinham se recolhido para dormir. Despedi-me de Rose e subi indo tomar um banho para relaxar. Vesti minha camisola e finalmente me deitei em minha cama, estávamos na primavera então o clima era gostoso, deixei uma fresta da janela aberta onde entrava uma pequena brisa que refrescava o quarto.
Suspirei fechando meus olhos, imediatamente a imagem dos olhos verdes do desconhecido me veio a minha mente, com certeza ele era o homem mais bonito que eu já tinha visto. Será que ele era novo na província? Afinal nunca tinha o visto por aqui antes. Anthony... Ele não disse seu sobrenome, mas com certeza fazia parte das famílias com melhores condições.
Virei-me na cama puxando o fino lençol sobre mim, precisava dormir, pois amanhã era mais um dia e ficar pensando nele não ia me ajudar em nada.
[...]
O sol estava nascendo e ouvia os passarinhos cantando na árvore ao lado de fora da janela, espreguicei-me levantando da cama, precisava fazer meus doces, amanhã era dia de entrega e alguns levavam mais tempo para ficarem prontos.
Peguei um vestido de alças finas todo florido, calcei sapatilhas e desci a cozinha encontrando vovó já preparando o café.
– Bom dia... – falei beijando sua bochecha.
– Bom dia – disse ela sorrindo – tome seu café...
– Vovô já saiu? – perguntei pegando um pedaço de bolo de fubá.
– Já sim, hoje ele tem dois jardins pra cuidar – explicou colocando café na minha xícara.
– Assim que terminar vou fazer meus doces... – avisei e vovó concordou com a cabeça.
Comemos juntas e logo Rose se juntou a nós, depois de arrumar tudo comecei a preparar meus doces, Rose me ajudou com os brigadeiros enquanto eu preparava as tortilhas de morango.
Já era quase hora do almoço quando terminamos tudo, limpamos a cozinha e preparamos o almoço, vovó estava no quintal cuidando da horta, era o que ela mais gostava de fazer.
Vovô como sempre chegou na hora do almoço e comemos todos juntos, sempre foi assim, fazíamos as refeições juntos conversando e rindo, eu gostava disso, fui criada com muito carinho e devoção pela parte dos dois, e era muito grata por tudo.
– Vovô o senhor pode levar essas duas encomendas já que está indo ao centro? – pedi assim que o vi se preparar para sair.
– Claro meu anjo – disse pegando a cesta em cima da bancada.
– Obrigada vovô, vou aproveitar pra terminar os outros – expliquei e ele concordou beijando minha testa.
Passei a tarde terminando meus doces e deixando-os prontos para entregar no dia seguinte. Já era quase noitinha quando ouvi um barulho de carro, olhei pela janela da cozinha e vi um homem de terno preto aparentemente caro descer e caminhar em direção à porta da casa. Meio minuto depois a campainha tocava e fui atendê-la.
– Boa tarde senhorita... – disse ele fazendo uma pequena reverência.
– Boa tarde... – cumprimentei-o.
– Gostaria de falar com... – disse olhando um papel em suas mãos – Isabella Swan...
– Sou eu mesma... – falei a ele.
– A que ótimo... – disse com um pequeno sorriso – então isto é da senhorita... – disse me estendendo um envelope — Preciso que assine aqui – falou mostrando uma folha.
– O que é isso? – pedi confusa.
– A senhorita ira saber quando abrir o envelope, mas preciso que assine esta confirmação que recebeu. – explicou.
Peguei o papel e a caneta que me oferecia e assinei meu nome em uma linha pontilhada no final da página.
– Muito obrigada senhorita, até breve... – disse fazendo uma pequena reverência novamente. Vi seu pequeno broxe reluzente em forma de uma tulipa e então ele se virou e foi.
Fiquei parada na soleira da porta vendo o carro desaparecer na estrada, olhei o envelope em minhas mãos com meu nome no meio dele.
Fechei a porta e me virei encontrando vovó que acabava de entrar na sala.
– O que houve? – perguntou limpando suas mãos no avental que usava.
– Um homem acabou de me entregar este envelope, não sei o que é... – expliquei.
– Ele não disse o nome? – perguntou ela me olhando interrogativa.
– Não, mas estava bem vestido com um terno preto... – expliquei – há... E ele tinha um broxe de flor, parecia uma tulipa, não sei muito bem...
– Uma tulipa? – perguntou ela estranha.
– Sim... – concordei sem entender.
– Não pode ser... – disse ela pensativa.
– O que? – pedi confusa.
Vovó parecia concentrada em seus pensamentos olhando para a parede atrás de mim.
– Você já abriu o envelope? – questionou ela.
– Não, eu ia fazer isso agora... – respondi olhando novamente o envelope.
– Venha aqui querida... – disse ela me chamando para sentar no pequeno sofá da sala.
– A senhora esta me assustando – falei dando uma risada nervosa.
– Já devíamos ter conversado sobre isso há um tempo, mas achei que talvez isso não fosse acontecer, não com você... – disse ela mais para si mesma do que para mim.
– “isso” o que? – indaguei com a testa franzida.
– Você sabe que para se tornar rei o príncipe precisa se casar antes, não sabe? – perguntou ela e assenti concordando – pois bem, foi assim a mais de 30 anos atrás com nosso rei e nossa rainha...
– E? – disse incentivando-a.
– E... Para encontrar uma rainha é feito uma “seleção”, 15 garotas da província são chamadas para “morar” no palácio junto da realeza, e lá o príncipe escolhera sua futura mulher... – explicou com calma.
– Então... – falei pensando – Esse envelope...
– É uma carta de convocação... – disse ela olhando em meus olhos.
Eu estava sendo convocada para uma “seleção” no palácio que até cinco minutos atrás eu nem sabia que existia. O envelope em minhas mãos parecia começar a pesar mais do que era. Eu teria que me mudar para o palácio? Não sei por que, mas pensar nisso me dava um frio gigante na barriga.
– Bom eu vou deixar você ler o envelope com calma e depois conversamos ok? – disse ela apertando gentilmente uma das minhas mãos e saindo da sala.
Abri com calma o envelope, como se isso fosse adiar o que estava escrito ali.
“Isabella Swan”.
Por meio desta carta o príncipe de New Moon lhe convida á se juntar a família real em seu majestoso castelo para sua integração a “Seleção”.
Seu comparecimento será exigido no palácio em dois dias, logo ao nascer do sol um carro enviado pela família real será mandado para busca-la, poderá levar seus pertencer se assim desejar, mas garantimos que tudo que necessita lhe será dado.
Seu não comparecimento não será aceito sem justificativa plausível e irremediável. Pois acreditamos que seu dever como patriota e moradora de New Moon é honrar as tradições desta província.
Desde já agradecemos sua presença e atenção, a esperamos ansiosamente.
“Príncipe Edward Anthony Cullen.”
“Anthony” esse nome me lembrou do desconhecido de hoje, mas afastei esses pensamentos logo me concentrando no conteúdo do envelope, dois dias, eu tinha dois dias até ter que ir viver no castelo. Pelo menos por algum tempo, até o príncipe escolher sua futura mulher e rainha de New Moon.
Li a segunda folha que explicava algumas coisas, como que eu teria direito a um quarto só meu, duas criadas a minha disposição durante meu tempo de permanência no palácio, além de roupas e jóias adequadas aos padrões da realeza.
Meu coração se aliviou um pouco ao ler que minha família receberia uma quantia em dinheiro durante minha permanência no castelo, já que eu não estaria aqui para fazer os doces e vender pelo menos eles teriam uma ajuda de custo.
Suspirei guardando as folhas novamente no envelope e passei a minha mão pelo meu nome impresso no meio dele em auto relevo. A sensação de não saber como seria meu futuro não era muito boa, na verdade nada boa, mas era mais uma coisa que enfrentaria na minha vida e que daria meu melhor.
Não sabia se queria ser a nova rainha de New Moon, nunca tinha pensado nesta possibilidade, nem sabia que existia. Nunca havia me apaixonado, e não sabia como era a sensação, mas claro que sonhava com um casamento feliz como o dos meus pais. E agora me via indo para o castelo e possivelmente e milagrosamente me casando com o príncipe.
Isso se ele me escolhesse é claro, já que teria mais 14 garotas, provavelmente lindas e com condições melhores do que as minhas. Agora era esperar e ver no que ia dar, afinal era como vovô dizia:
Um dia de cada vez.
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