Notas iniciais
Finalmente um novo capítulo! Eu sei que demorei demais pra fazer este aqui ( e ainda vai ter de ter mais para terminar... kkkk e era para ser apenas uma oneshot ). Eu estive muito ocupada com trabalho, problemas ( uns que quase me piraram ) e, não vou mentir... me tornei uma aficcionada de alguns autores americanos absolutamente maravilhosos... tradução: este cap. teria saído antes se eu não tivesse me perdido lendo fics em inglês numa época aí XD Mas a boa notícia é que o quarto capítulo ( que, espero, seja o final ) já está parcialmente escrito e portanto não vou levar tanto tempo para atualizar de novo. Quero agradecer os comentários lindos e a recomendação que esta fic recebeu. Isso me incentivou muito a continuar a história. Boa leitura, espero que gostem.

Sebastian estava deitado e Ciel recostado a ele, a cabeça descansando sobre o peito largo do servo. O criado afagava a macia cabeleira de seu jovem senhor enquanto observava-lhe o rosto. Os olhos estavam fechados e os longos cílios escuros contrastavam com a alvura da pele. Quanto tempo fazia desde a última vez que puderam se deitar juntos assim? Que ele pôde apreciar o rosto de seu mestre e amante assim: tomado pelo doce torpor que vem depois da fome do corpo ser saciada?

– Era bom quando tínhamos todas as noites apenas para nós dois, jovem mestre...

Ciel permaneceu com a cabeça apoiada em seu mordomo mas entreabriu os olhos levemente.

– Sim... era bom...

– Como seu servo, sei que não tenho o direito de lhe pedir nada... mas se eu pudesse, desejaria que o senhor fosse apenas meu... que não desse a mais ninguém o direito de tocá-lo, de observar seu rosto após o amor... de sentir o seu cheiro ou provar a sua pele...

Ciel permaneceu imóvel por alguns momentos e Sebastian aguardou. Na verdade ele esperava alguma resposta altiva de Ciel, dizendo para não falar bobagens e até já planejava o que responder-lhe. Mas Ciel, após um longo silêncio, apenas ocultou o rosto no peito do criado.

– Eu nunca desejei... fazê-lo sofrer assim... perdoe-me... – Foi o que o conde sussurrou.

Aquilo pegou Sebastian de surpresa. Seu jovem amo lhe pedindo perdão? E então ele sentiu lágrimas quentes banharem a sua pele.

Ciel estava chorando.

– Jovem... mestre...?!

– Perdoe-me...

Em sua longa existência Sebastian nunca teve tantas situações às quais não sabia como reagir como as que tinha ao lado deste mestre. Momentos depois ele apenas abraçou Ciel, que ainda trazia o rosto oculto em seu peito, pequenos soluços sendo ouvidos.

– Naquele dia... — Ciel sussurrou baixinho e o mordomo aguardou o que ele ia dizer – Hmm... não... não é nada... esqueça...

O jovem limpou o rosto com as costas da mão e fez menção de se levantar mas Sebastian o segurou, mantendo-o preso em seu abraço.

– Se não deseja falar, meu senhor... não será necessário... mas fiquemos juntos assim um pouco mais...

Ciel não lutou, mas abandonou-se nos braços de seu amado. Beijou levemente a pele clara de seu mordomo, roçando o nariz nela e aspirando-lhe o cheiro bom antes de aconchegar-se novamente naquele peito.

“Naquele dia...” – Sebastian intrigou-se. O calor do corpo do jovem, tão agradável, o fez cerrar as pálpebras. Ele ouviu Ciel exalar um profundo suspiro e se aninhar ainda mais em seus braços.

“Naquele dia...”! A qual dia seu jovem mestre estaria se referindo?

Com os olhos fechados o demônio passou a relembrar por sua prodigiosa memória os acontecimentos que antecederam o odiado casamento de seu lorde, tentando obter a resposta para a questão que se instalara em seu espírito.

* Sete meses atrás *

Sebastian bateu à porta do escritório de seu jovem amo e um momento depois entrou.

– Boa tarde, jovem mestre. Eu trouxe o chá.

Ciel tinha diante de si uma enorme pilha de papéis. Eram contratos a serem lidos e assinados, documentos e propostas para serem analisados, relatórios de vendas, cartas de fornecedores, listas e mais listas, folhas de pagamento de funcionários de suas fábricas e lojas, prognósticos bancários... em resumo, muito trabalho.

– Obrigado. – O jovem conde esfregou os olhos e alongou-se na cadeira, voltando a se debruçar sobre a papelada em seguida – Irei apenas terminar este contrato. Sirva. Estou com fome.

Sebastian se aproximou empurrando o carrinho do chá. Preparou rapidamente o bule e despejou a água fumegante sobre as folhas do chá e logo um aroma suave preencheu a sala. Em seguida tomou uma xícara e serviu a bebida ao lorde. Observou o amo sorver um gole sem afastar a atenção do documento que tinha diante de si. Sorriu... isso seria perfeito.

Agora viria o mais divertido.

– Jovem mestre, para o lanche desta tarde preparei bolo de laranja servido com creme batido levemente perfumado com favas de baunilha, também temos torradas e presunto defumado.

Cortou uma fatia do bolo e – aí estava a graça – colocou sobre ela uma generosa porção do creme. Serviu e aguardou com expectativa.

Ciel observou a fatia e voltou a ler, conduziu a mão até o prato mas não pegou o talher. Ao invés disso colheu um pouco do creme nas pontas dos dedos, os levou até a boca e os lambeu distraidamente.

Sebastian se remexeu e um sorriso largo surgiu em seu rosto. Adorava o modo como Ciel sempre fazia isso quando comia bolo de laranja. Desde criança ele costumava saborear primeiro o creme. O conde não parecia perceber o quanto isso podia ser sexy e o quanto isso atiçava os desejos de seu criado.

O nobre continuava a ler enquanto passava a língua, distraído, pelo dígito. O músculo vermelho colhendo o creme que derretia ao adentrar a boca quente e macia. Idéias cheias de luxúria preenchiam a mente de Sebastian enquanto ele observava a cena. A calça do fraque começando a incomodar o membro já desperto.

Ciel ergueu o olho profundamente azul e fitou o mordomo por um instante, baixando o olhar em seguida. Colocou os dois dedos na boca e sugou-os, estalando a língua ao retirá-los.

– Está salivando, Sebastian... Se deseja tanto provar um pouco do creme tem permissão para fazê-lo, não precisa ficar me olhando dessa forma deselegante.

O demônio inclinou-se e, com uma mesura, acrescentou:

– Perdoe-me, meu lorde... posso mesmo provar o creme?

– Faça como desejar... Estou muito ocupado e não tenho tempo para brincadeiras. – o conde respondeu arrumando os contratos que havia lido e assinado. Sebastian andou em direção à poltrona de seu amo e num movimento rápido a puxou, virando seu mestre de frente para si. Ciel arregalou o olho, azul como o oceano, e Sebastian agarrou seus pulsos firmemente e os segurou contra o encosto da grande poltrona. Antes que pudesse protestar, o mordomo colocou a perna entre as suas, apoiando o joelho no assento da poltrona, roçando levemente a intimidade do jovem. Ele se aproximou e lambeu a boca macia de Ciel.

– Havia um pouco de creme aqui, meu lorde... e devo dizer que ele é infinitamente mais doce em sua boca do que sobre o bolo. – ele sorriu como se não houvesse feito este ato de extremo atrevimento.

– Heh... – Ciel riu, o rosto adquirindo um tom róseo adorável – não é você mesmo quem diz que não devo me distrair ao trabalhar? Suponho que se você for a distração então tudo bem?

– Realmente, não é adequado distrair-se durante o trabalho. Mas estou apenas limpando o seu rosto, nada mais. – e ao dizer isto mordeu a fina tira do tapa olho, descobrindo o olho com o símbolo do contrato. A marca reluzindo em suave luminescência.

– Entendo... – Ciel deu-lhe aquele sorriso sarcástico, tão apreciado pelo criado – bem... eu creio que talvez ainda haja um pouco de creme aqui... – o jovem aproximou o rosto do de Sebastian e entreabriu os lábios num claro convite.

– Irei verificar... – a voz dele soou rouca de desejo.

A pequena distância foi vencida pelo servo. A boca ansiosa de Sebastiam cobriu a de seu senhor, provando, sugando, possuindo. A língua dele, quente, hábil, explorava atrevida. A de Ciel, macia, retribuía aquele toque, deslizando úmida, aceitando as carícias.

O demônio libertou um dos pulsos de seu mestre e desceu a mão para o laço em seu pescoço. Rapidamente o desfez, desabotoou os botões da camisa do jovem e adentrou-a. Acariciou a pele macia, deslizando aquela mão enluvada até tocar o mamilo sensível, acariciando-o com as pontas dos dedos em suaves movimentos circulares, sentindo-o enrijecer. Ciel gemeu em sua boca e o som fez o membro do mordomo latejar. Estava tão excitado que sentia-o dolorido. Forçou a perna um pouco mais entre as do amo, sentindo como ele também estava rígido e ansioso.

–Deite-se sobre a mesa... – Sebastian murmurou quase como uma ordem.

–Aqui?! Enlouqueceu?! Alguém pode entrar... – Ciel protestou antes de ser calado com beijos. As mãos do servo já tirando — lhe a camisa.

– Dei instruções para que o senhor não fosse incomodado... Agora deixe de ser um rapaz tão teimoso e deite-se... – Sebastian o agarrou levantando-o da cadeira, colando seus corpos e beijando-o.

–I-insensato...! – Ciel protestou, mas retribuiu o beijo com vontade. Sentiu as mãos do criado, ávidas, descerem até suas nádegas, acariciando-as, apertando-as e em seguida, levantando-o para a mesa. Seu pescoço foi atacado com mordidas, os dentes suavemente arranhando a pele... A boca sugava faminta e a pele branca como leite já ficando marcada.

Estavam entregues às deliciosas, inebriantes, sensações quando, inesperadamente, Sebastian parou e olhou para a porta. Uma expressão de incredulidade se formou no belo rosto. Momentos depois ouviu-se três batidas inseguras na porta.

– C-com licença, jovem mestre? – Meirin perguntou com um pouco de receio na voz. E já ia bater de novo quando a voz de Ciel foi ouvida.

– Entre, Meirin.

A criada entrou. Tudo estava perfeitamente arrumado, seu jovem senhor impecavelmente vestido e ajeitado e diante dele o chá da tarde. As únicas coisas diferentes que Meirin notou foram que o rosto de Ciel estava corado e sua respiração parecia um pouco acelerada e que Sebastian ( ele estaria com o rosto corado também? Ela se perguntou) estava semi oculto atrás da poltrona do amo ao invés de estar ao lado desta como sempre.

– Meirin, acho que eu havia deixado claras instruções a respeito de interromper o jovem mestre durante seu trabalho. – seu tom de voz era calmo, porém era evidente a repreensão nas palavras.

– P-perdão, jovem mestre! Perdão, Sr. Sebastian! Mas um emissário de sua majestade com uma mensagem muito importante e ele tem ordens de regressar com a reposta do jovem mestre ainda hoje... e como a tarde já está adiantada...

– Um emissário de sua majestade? Entendo... Você fez bem, Meirin, entregue — me a mensagem. – Ciel estendeu a mão para receber a carta e Meirin estranhou este gesto, pois normalmente Sebastian é quem pega a carta e a abre antes de entregar ao jovem conde. Mas o mordomo continuava atrás da poltrona de seu mestre sem fazer menção de sair de lá. Meirin então entregou a carta ao nobre.

–Pode se retirar. Diga ao emissário que Sebastian lhe levará a respota assim aque eu a redigir.

–Sim, jovem mestre! C-com sua licença!

Antes que ela pudesse deixar a sala Sebastian disse, suave, com um grande sorriso no rosto:

– Meirin, creio que as janelas da ala oeste estão empoeiradas. Lave-as todas antes do anoitecer está bem?

– Todas?! E antes do anoitecer?! – ela parecia não acreditar no que ouvira.

– Eu devo me repetir, Meirin? – Ele perguntou sorrindo amplamente.

– N-não... eu compreendi. Com sua licença, jovem mestre... – ela se retirou sabendo que este era o modo do Sr. Sebastian castigá-la por ter desobedecido suas instruções, mesmo sendo por uma razão importante.

– Você foi cruel com ela, Sebastian... Desta vez ela não agiu mal. – Ciel comentou, e com um ar divertido olhou o demônio enquanto abria a carta – e já esfriou o suficiente para poder deixar o seu esconderijo?

– O senhor é quem é cruel por zombar de mim desta forma, jovem mestre... – Sebastian sorriu e saiu detrás da cadeira, já totalmente recomposto.

Ciel deu uma pequena risada e terminou de abrir a carta. Começou a ler atentamente e depois de poucos momentos o seu rosto empalideceu. Isso não passou despercebido ao criado. Sebastian aguardou ate que o amo terminasse de ler a carta para enfim perguntar o que havia nela.

– Seu rosto está pálido, jovem mestre. Que missão a rainha designou para o seu mais leal servidor desta vez?

Ciel contraiu os lábios e nada disse. Ele fixava o nada como se pensamentos cruzassem sua mente rapidamente.

–Jovem mestre? O que foi? – a voz de Sebastian o trouxe de volta à realidade. Ele passou a carta para o mordomo e sussurrou.

– Leia...

Sebastian achou muito estranho e tomou a carta nas mãos, passando os olhos velozmente pela rebuscada caligrafia da idosa soberana.

“ Meu querido menino

Como está a sua saúde?

Os dias de primavera estão lindos em Londres e a Inglaterra pode aproveitar esta tranquilidade graças aos excelentes serviços prestados por você.

Sinto alegria e satisfação pois você sempre se mostrou leal e cumpridor de seus deveres perante ao Império Britânico. Mas um dever você ainda não cumpriu e isso enche meu coração de tristeza...

Refiro-me ao compromisso assumido perante mim e por mim abençoado: Sua união com Lady Elizabeth Midford.

Sua dorável noiva é sua parente e amiga de infância, graciosa e bela... cheia de predicados e digna de ser sua esposa. E acreditei que os veria unidos assim que você atingisse a maioridade.

Mas isso não aconteceu.

Quero crer que a demora em concretizar o meu desejo em vê — los unidos se deva ao fato do meu querido menino estar sempre envolvido nas tarefas que a coroa lhe atribui e não ao fato de estar se esquecendo de seus deveres para com a sociedade, a sua casa e sua soberana.

Então desejo resolver esta questão o mais breve possível.

É meu desejo que seu casamento aconteça em...”

Neste ponto Sebastian ergueu os olhos da carta para o rosto de seu jovem senhor.

– Ela, delicadamente, está lhe dando um ultimato. – Sebastian sussurrou calmo.

–Eu notei. – Ciel respondeu mal humorado, massageando as têmporas.

Ele sabia que esse dia chegaria, mas não que a rainha em pessoa o advertiria a esse respeito. Apesar de jamais ter esquecido o compromisso o conde o adiava..

Não percebera o passar do tempo, embriagado por beijos quentes, famintos e mãos macias que traçavam cada detalhe dos contornos de seu corpo. Por algum tempo tivera a ilusão de que mestre e servo poderiam permanecer juntos e em paz até que chegasse o tempo de cumprir o contrato.

– Temos menos de quarenta dias... o que devemos fazer, Sebastian? – o conde falou baixinho, como se fizesse essa pergunta a si mesmo e não ao mordomo. Sua rotina, sua vida... tudo mudaria ao final deste curto prazo. E Sebastian? Como Ficariam?

– Bem, devemos começar os preparativos hoje mesmo ou não conseguiremos fazer uma cerimônia digna de seu nome e posição. – Sebastian ponderou – devo chamar mademoiselle Nina, para que esteja aqui amanhã sem falta ou seu traje não ficará pronto a tempo. Espero que sua majestade também tenha avisado Lady Elizabeth ou ela não terá tempo de mandar confeccionar um vestido apropriado. Nesta época do ano há flores em grande abundância e facilidade para se obter as decorações e uma celebração na capela da Propriedade para a nata da sociedade e seus clientes mais proeminentes deverá ser adequado.

Ciel observou, estupefato, enquanto Sebastian continuava a enumerar as providências que seriam necessárias para a realização da indesejada cerimônia.

– S-Sebastian... o... o que significa isto? – sua voz tremeu. Uma ordem como aquela... que alteraria tudo... uma ordem para se ligar a outra pessoa por um laço sagrado e eterno... e tudo o que Sebastian tinha a dizer era a lista de preparativos para a cerimônia? Como se tudo fosse uma simples e tediosa recepção para convidados sem importância? Como se... como se ele não se importasse....

– Perdão? Não entendi o propósito de sua pergunta. – o servo olhou intrigado para seu amo. – O senhor sabe que um casamento da nobreza requer grandes providências e o tempo que sua majestade nos oferece é mínimo.

– Eu sei de tudo isso! – sua voz soou irritada – Sempre o mordomo perfeito! Mas... isso é tudo em que pensa? – o conde fazia esforço para que a voz permanecesse firme e não tremesse.

Sebastian sorriu. Seu jovem senhor esperava dele uma reação diferente? De que tipo? De ciúme talvez? Ele estreitou seus olhos e sua boca se abriu num grande sorriso, fazendo as pontas de suas presas se mostrarem.

Ciúme... um sentimento tão tolo e humano. Que advém da insegurança, do medo de perder para outros o objeto de seu afeto. Mas Sebastian admitia que sentia ciúmes sim.

Mas não da Srta. Elizabeth.

Desagradava imensamente ao servo o modo cobiçoso como outros olharam e olhavam até hoje o seu belo mestre. Sempre detestou o modo íntimo com que o Sr. Lau se dirigia a Ciel, tocando-o sem a permissão do jovem. Lançando olhares furtivos pelo corpo ainda em desenvolvimento. Havia ainda o Undertaker, tomando liberdades um tanto inapropriadas com seu amo, rindo ora do constrangimento deste, ora da expressão de insatisfação do mordomo.

Mas o pior de todos fora Lorde Aleister, visconde de Druitt. O nobre procurava a companhia de Ciel em festas e em eventos sociais aos quais o conde era obrigado a comparecer e, francamente, suas palavras e atitudes para com o jovem transpareciam suas segundas intenções de um modo que chegava a ser escandaloso. Sebastian ficara de tal modo incomodado que decidira que seria inadmissível que o Visconde permanecesse sem punição. Pouco depois os jornais londrinos ostentavam nas manchetes do dia a história de um acidente misterioso que resultara na hospitalização do abusado homem.

Manchetes estas que o demônio lera com um amplo sorriso no rosto. Ciel jamais soube da relação entre seu servidor e este fato.

– O senhor gostaria que eu tivesse outra reação? – havia um tom divertido na pergunta.

– Eu... apenas... – Ciel queria encontrar as palavras adequadas para falar. Primeiro fora a indiferença e agora aquele olhar zombeteiro de seu criado! Queria sim, dizer que esperava que ele se sentisse tão perturbado quanto ele próprio se sentia! Que esperava... ora, nem o próprio conde sabia direito o que esperava. Sabia apenas que devia ser algo diferente do que o mordomo demonstrara. Sentiu o rosto arder sob aquele olhar e o virou em outra direção. – Esqueça! Não é nada!

O lorde tomou a pena e principiou a redigir a resposta para sua majestade. Sebastian pensou ter notado um pequeno tremor em sua mão enquanto ele escrevia. Ao terminar, Ciel selou a carta com o sinete dos Phantomhive e entregou a ele.

– Leve ao emissário. Ou ele regressará a Londres em hora muito avançada.

Sebastian recebeu o envelope e deu um pequeno riso.

– De que está rindo? – Ciel perguntou. A indignação se somando à irritação.

– Jovem mestre... este casamento arranjado é necessário para a sua imagem diante de sua majestade e da sociedade britânica... é muito conveniente. – ele deu um passo, se aproximando do amo – E sempre soubemos que este dia chegaria.

Sebastian ergueu o rosto de seu senhor, mesmo notando-o contrariado, tomando seus lábios e beijando-o calmamente. Ciel aos poucos relaxou e correspondeu àquela boca macia e exigente. Após longos momentos o servo interrompeu o contato, depositando um pequeno beijo nos lábios ainda entreabertos do conde.

– Casar-se é um laço sagrado, é unir-se por toda uma vida... mas ninguém disse que isso precise ser um tempo longo... — Ciel arregalou o olho ao ouvir essas palavras sombrias e compreendeu tudo antes mesmo que o demônio concluísse, divertido, a sua sugestão – acidentes acontecem... mulheres morrem facilmente no parto... e um homem que enviúva ainda jovem não é algo incomum...

Ciel afastou-se de Sebastian como se o toque do servo o queimasse! Olhou estupefato para seu mordomo quase como se não o conhecesse.

– Como pode sugerir que eu faça tal coisa?! Que eu possa ferir Elizabeth?! – Ciel estava estarrecido. Sebastian sorriu como se julgasse seu mestre ingênuo. Se ele não podia fazer ou ordenar isto o demônio poderia muito bem tomar a frente e fazer tudo por conta própria. Ciel entendeu imediatamente a insinuação que havia naquele sorriso. Ele então se levantou, agarrou o tapa-olho e o arrancou e a marca do contrato reluziu com a força de sua vontade.

– Você está proibido de ferir Elizabeth! Isto é uma ordem! Entendeu?! – sua voz soou rouca e autoritária.

Sebastian olhou para seu jovem amo, desta vez sem sorrir. A marca em sua mão esquerda pulsou e reagiu diante da ordem, lançando a restrição que apenas o mestre poderia retirar ou que ele só poderia romper se Elizabeth ameaçasse a vida de seu contratante. Duas coisas que ele sabia não iriam acontecer.

– Yes, my lord. – Sebastian fez uma reverência, dirigiu-se à porta e saiu sem pedir autorização como de costume.

Ciel observou aporta se fechar suavemente. Baixando o olhar para a a mesa ele olhou a carta de sua majestade. Aquela carta maldita! Ele a pegou, rasgou — a, amassou o que restou e a atirou com raiva na direção da porta.

Abandonou-se na poltrona, cobriu os olhos com a mão direita e exalou um suspiro cansado.

– ... Sebastian...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Eu sei que poderia ter saído um belo lemon ali no começo mas achei que ainda não era a hora. E o capítulo 2 teve bastante limondada não é mesmo? A relação deles é muito complicada e na verdade um não deseja ferir o outro propositalmente, mas as situações sempre nos levam, independente dos nossos desejos. O próximo capítulo já está com cerca de 1500 palavras escritas e portanto não vai demorar tanto para sair quanto este levou. Estou decidindo se haverá ou não um lemon... mas com certeza, tensão e sentimentos descontrolados vai haver. Por favor comentem, ler os comentários me deixa muito feliz e com certeza é o melhor incentivo. Beijos