Notas iniciais
Quero dizer que sou completamente obcecada por Sebastian x Ciel. Viva o yaoi!!! XDNesta fic temos um momento curto e doce entre Ciel e lizzy ( o que é natural, não me matem! ) mas isso apenas irá atiçar ainda mais o ciúme de um certo mordomo... Mas eu prometo que o que realmente pega fogo é o lemon entre o jovem conde e seu dedicado ( e enciumado ) servo, que virá no cap. seguinte.Por isso não desistam e por favor leiam até o fim.Promessa de fujoshi!

–Com licença, jovem mestre....? – o servo bateu à porta do escritório de Ciel.

–Entre, Sebastian...

Este entrou trazendo o carrinho e, ajeitando-o, principiou a preparar o chá. Enquanto aquecia a água lançava olhares para Ciel que, absorto na leitura, não notou os olhos rubros a perscrutar seu corpo.

O tempo passara e Ciel já contava 19 anos. Havia se tornado bem mais alto, ainda que não tão alto quanto o mordomo, seu corpo se desenvolvera e os traços de seu rosto amadureceram. Ciel se tornara a imagem viva de seu pai Vincent. Tão parecido que chegava a causar espanto aos antigos companheiros de seu pai que tinham a impressão de que Vincent habitava novamente a mansão Phantonhive. As únicas coisas que os diferenciava era a ausência do pequeno sinal abaixo do olho esquerdo e o profundo azul dos olhos de Ciel. Uma tonalidade única e rara que Sebastian jamais vira em outros olhos apesar de já ter vivido por tanto tempo neste mundo.

Como seu jovem mestre crescera, Sebastian refletia enquanto derramava a água fumegante no bule, o cheiro suave e delicioso do chá enchendo o ambiente, o tempo passara rápido demais... lembrava-se de seu pequeno mestre... delicado e magro, corando e desviando o olhar a qualquer insinuação ou toque. Lembrava-se claramente da vez em que, num ímpeto, por não aguentar mais se conter, avançara contra seu pequeno senhor e tomara seus lábios num beijo furioso e necessitado pouco se importando se isso assustaria ou não a criança. O rubor tomando o rosto delicado, a surpresa e o medo estampados nos olhos infantis. Lembrava-se também do quanto fora difícil e delicioso seduzir aos poucos o seu Ciel... lentamente... avançando pouco a cada vez... lutando contra o desejo de simplesmente tomá-lo e fazê-lo seu, independente da vontade do menino.

Conseguira. O pequeno conde se tornara seu. Apenas ele, beijara aqueles lábios rosados, percorrera a pele tão branca e macia, marcando-a. Os gemidos de prazer e dor de seu mestre eram doce música... que apenas Sebastian deveria ouvir.

Se aproximou e serviu o chá. Ciel lançou um olhar breve para o criado, sorriu rapidamente, aceitou a xícara e sorveu o líquído em silêncio. Os lábios belos, sedutores... entreabertos... tocavam a fina porcelana e Sebastian percebeu que até disso sentia ciúme. Na verdade não sabia explicar como suportava tudo aquilo sem fazer nada! Será por que o contrato o obrigava a obedecer seu senhor? Será que por saber que era necessário para as convenções sociais da época e da nobreza inglesa? Por que Ciel não podia ser apenas seu?

Ouviu o leve som vindo pelo corredor e sua expressão, sempre calma e controlada, se alterou por uma fração de segundos... o leve bater na porta e a voz de seu mestre ouviu-se...

– Entre, Lizzy....

A porta se abriu e uma moça jovem e bela entrou... Lizzy também havia crescido, não era mais a menina irritante de poucos anos atrás. Aos 20 anos era gentil e suave. Uma perfeita lady na verdade.

– Ciel, eu estava procurando por você...

–Desculpe, eu estava ansioso para continuar lendo o último livro do Sr. Arthur. Acabei vindo para cá e me esqueci do passar do tempo. – Ciel se levantou e foi em direção da jovem, não sem antes olhar, pelo canto dos olhos, a expressão de seu servo. Sebastian viu a boca dele se curvar, imperceptível... ninguém notaria. Mas o demônio não era qualquer um, então notou. E seu peito se contraiu enquanto observava o nobre caminhar em direção a sua esposa.

O conde era agora mais alto que sua prima. Tomou as mãos dela nas suas e beijou-lhe a testa com carinho. Lizzy fechou os olhos e sorriu e Sebastian começou a recolher a porcelana do chá, trincando os dentes.

– Podemos... nos recolher? – a voz de Lizzy soou tímida e ela baixou os olhos. Ciel sorriu-lhe e isso aqueceu o coração dela.

–Certamente... continuarei a leitura amanhã. Sebastian, você está dispensado pelo resto da noite. Pode ir descansar... – Ciel disse acenando-lhe com a cabeça e em seguida abrindo a porta para que sua esposa passasse. Mais uma vez o nobre o olhou e saiu sem dizer mais nada. Sebastian voltou a se concentrar em sua tarefa e notou com desgosto que havia entortado a colher devido á força com a qual a segurara.

No quarto do casal, Lizzy observava Ciel de costas abrindo os botões do colete. Amava imensamente o seu esposo e o dia em que ele a desposara fora o mais feliz de sua vida. No entanto... havia algo... se não fosse isto sua felicidade seria a mais perfeita e completa deste mundo.

–C-Ciel...?

–O que é? – Ciel se virou para ela, os botões da camisa já abertos e o laço do pescoço desfeito... o coração dela se acelerou ao ver-lhe o peito. Ah... todas as vezes era como se fosse a primeira. Mas ela desejava falar-lhe e não podia se distrair com essas coisas.

– Você me faz muito feliz... eu te amo tanto... mas... – ela torceu o tecido do vestido nas mãos e prosseguiu – mas há algo que está me incomodando... não sei... como dizer...

Ciel observou Lizzy e notou que ela estava realmente nervosa e indecisa... como se tivesse medo de falar o que a incomodava. Na verdade, o conde já imaginava o que ela ia dizer. Até demorara muito para ela tocar no assunto. Suspirou e incentivou-a a falar.

– Diga-me o que é... eu a desagrado ou não tenho correspondido ás sua expectativas, Lizzy? – sua voz saiu suave e rouca. Ciel tinha consciência plena do quanto esse tom de voz a seduzia.

–Não! Não é você! Você é sempre perfeito... é... – uma pausa e ela acrescentou, baixando os olhos – É Sebastian.

Ciel já sabia.

–Ele fez algo a você? Lhe faltou com o respeito?

–Não... mas... – ela calou-se e Ciel se aproximou e pousou as mãos em seus ombros.

–Fale-me, Lizzy...

–Bem... quando éramos pequenos... eu realmente adorava Sebastian. Ele era tão gentil comigo e me deixava bem á vontade. Mas de meio ano pra cá... precisamente depois do nosso casamento... ele se tornou frio e severo comigo. Eu tenho a impressão... de que ele está com ciúmes de você... – Seu rosto corou violentamente devido á insinuação que havia em suas palavras... – Ele quer estar todo o tempo com você e parece detestar quando eu me aproximo... Eu acho que ele... – sua voz tremeu e ela não conseguiu pronunciar a sua suspeita.

Após alguns longos momentos de reflexão, onde Ciel avaliou o rosto envergonhado da jovem ele murmurou...

–Lizzy, não o entenda mal... Sebastian é o mais leal de meus servos. Ele é a minha sombra. Meu braço direito. Eu preciso estar sempre com ele e ele se sente á vontade estando comigo. Você agora é a Lady desta mansão e não mais uma menininha... ele se distanciou por respeito. Somos Lorde e Lady agora e ele não nos tratará mais com aquela familiaridade da infância. Compreende?

– Sim... acho que você tem razão. Estou sendo tola. – Lizzy suspirou e havia ainda dúvida no tom de sua voz.

O olhar de Ciel abrandou-se. As razões que o levaram a desposar sua prima foram muitas... Imposição da sociedade nobre, que não o aceitaria como um lorde sem esposa, compromisso com sua majestade, que fora quem lhe abençoara e firmara o noivado, a mente de seu tempo que não aceitaria seu amor por um homem... Ciel poderia ser preso e perder título e terras se isso se tornasse conhecido... mas também por saber o quanto Lizzy o amava. Sabia que ela não se casaria com outro e seria infeliz por toda a vida se fosse rejeitada. Ciel amava-a apesar de que de forma diferente e desejava fazê-la feliz ainda que de forma incompleta.

– Venha, minha senhora... esqueça-se de tudo isso... – sua voz soou rouca mais uma vez, estreitou a jovem esposa, abaixou-lhe a alça do vestido e passou os lábios pela pele dela notando que esta se arrepiava.

Desabotoou-lhe o corpete e o vestido caiu-lhe aos pés. O rubor tingiu as faces da moça novamente. Ciel segurou seu rosto entre as mãos e beijou-a com carinho. Pegou as mãos delicadas dela e as pousou no próprio peito fazendo as pontas dos dedos correrem pela pele ainda macia. Ela sorriu amplamente... era tão bom tocá-lo e ser tocada por ele. Ciel sempre fora seu sonho. Ele era sempre gentil, atencioso... Ela amava seu rosto, seu corpo... ela o amava simplesmente! Seria fácil esquecer-se de tudo... Ciel sabia fazê-la esquecer-se... pelo menos até a manhã seguinte. O jovem esposo deitou-a no leito e gentilmente cobriu o corpo delicado com o seu próprio e ela fechou os olhos e se entregou completamente.

Mais tarde, Lizzy repousava a cabeça no peito de seu marido, cansada mas feliz. Ele mantinha os olhos fechados e brincava com uma mecha dos cabelos dela.

– Não vou mais pensar naquilo. Você está certo sobre tudo. — ela sussurrou. Ali ao lado de seu amor, não parecia haver dúvidas, incertezas... apenas braços quentes que a envolviam e o cheiro suave e querido da pele dele.

– Que bom. Não desejo vê-la preocupada. Agora durma. Levantaremos cedo... – Acariciou-lhe os cabelos dourados.

Lizzy anuiu com a cabeça e breve estava entregue a um sono pesado e satisfeito. Ciel aguardou mais um pouco e então gentilmente se desvencilhou dela sem despertá-la. Cobriu-a para que não se resfriasse, vestiu uma calça e um robe e deixou o quarto.Ele caminhou pelo corredor escuro até o outro lado do andar... bem longe de seu aposento particular. Parou por um momento e então sussurrou...

– Sebas... — Não pôde terminar. Sebastian surgira do nada e já o agarrara prensando-o na parede, possuindo-lhe a boca furiosamente. A surpresa inicial do nobre foi se desfazendo e ele correspondeu o beijo de forma intensa abraçando os ombros do demônio. A língua do mordomo acariciava a sua e ele gemeu.

–Por que me provoca tanto? — o servo murmurou em meio ao beijo — Está querendo me enlouquecer?

Ciel segurou-lhe o rosto entre as mãos e explorou-lhe a boca com sua própria língua.

–Um servo... hmmm... não deve... hhmmm ... questionar seu senhor!

Sebastian agarrou-lhe os pulsos e os prendeu na parede e acima da cabeça do nobre, com força suficiente para marcar-lhe a pele. Atacou-lhe o pescoço com mordidas, beijos... marcando -o. Pressionou a perna entre as de Ciel forçando -as a se abrirem.

–Meu lorde, se não devo questioná-lo, talvez eu possa puni-lo... Mordeu-lhe mais uma vez e em seguida tomou-lhe os lábios novamente sem esperar a resposta de Ciel. Quando as bocas se separaram por um momento Ciel sussurrou...

–Sebastian... Se- Sebastian, espere... – Ciel tentava falar enquanto era calado pela boca furiosa do mordomo. — Não aqui... o quarto .. — Sebastian soltou-lhe os pulsos, visivelmente contrariado. Dirigiu-se á porta do quarto próximo. Ambos entraram e o mordomo a fechou a chave. O quarto era amplo e possuía uma cama com dossel, os lençóis exalavam um perfume suave de roupa recém lavada, estava perfeitamente arrumada. Havia velas acesas nos castiçais e a lareira também estava acesa. Era como se o quarto tivesse sido preparado para receber alguém. Havia uma poltrona de alto espaldar a um canto do quarto e junto a ela uma mesa.

Ciel notou que Sebastian estava mesmo muito irritado, seus olhos faiscavam na pouca claridade do quarto. O jovem senhor foi sentar-se na poltrona, cruzou as pernas e murmurou, com um meio sorriso.

– Normalmente você é tão controlado... tão senhor de si mesmo e suas emoções. Mas não tem sido assim, ultimamente. Como é que você sempre me repreendia quando eu era uma criança? Oh, sim... "Isso é muito inapropriado para você".

Sebastian sorriu e estreitou os olhos rubros. Seu mestre crescera e se tornara um lorde digno de admiração. Mas este lado atrevido ninguém conhecia tão bem quanto o mordomo. Aquele sorriso cheio de ironia, a mão apoiando o rosto e o olho profundamente azul a fixá-lo com ar de superioridade.

Ah... lambeu os lábios... o sabor da boca do nobre ainda presente em seus lábios. Sentia uma vontade enlouquecedora de lançar-se sobre o jovem, rasgar-lhe as roupas, tomá-lo e fazê-lo gritar seu nome...

– E por isso o senhor me castiga? – Sebastian frisou a palavra senhor, cerrando o punho. Seu peito ardia de ciúme. Ciel deveria ser apenas seu! O enchia de despeito e raiva saber que seu pequeno, agora homem, dividia o leito com outra pessoa. Saber que ele era tocado por outras mãos, que ele beijava outros lábios... era-lhe insuportável. Sentia que poderia vir a atentar contra a vida de sua “senhora” a qualquer momento... a única coisa que o impedira até então era a sua maldita estética de mordomo perfeito. Matar a esposa de seu senhor não seria... aceitável... Mas não saberia dizer por quanto tempo isto serviria como impedimento á sua fúria...

Ao ouvir isso o sorriso de Ciel desapareceu. Não... Não era para castigar Sebastian. Não era para causar-lhe mágoa ou raiva. Não era por esse motivo que ele o olhava... Na infância realmente deliciava o jovem conde fazer coisas que irritassem ou perturbassem o seu criado perfeito... mas esse tempo fora antes.

Antes de seu pequeno corpo despertar para as sensações estranhas da adolescência. Antes de Sebastian arrebatar seus lábios em beijos quentes... Antes de seu corpo conhecer o toque de suas mãos macias e hábeis... Antes dele expulsar do pequeno o medo e as lembranças da violência sofrida na tenra idade...

Antes de aprender com ele o que era prazer...

Antes que seu coração entendesse... que...

– Acredita mesmo que eu o estou castigando? – Ciel murmurou sério.

– Ah, o senhor não está? – a voz de Sebastian soou descrente. – Se não é castigo, então é pura provocação! – deu um passo na direção de seu mestre.

– Sebastian...

– Todas as vezes que você oferece sua mão a ela ao descerem da carruagem... que você valsa com ela... Que ela o abraça... que você sorri para ela! Todas as vezes! Você me olha! Não é provocação isso?! – Sua voz tinha um tom furioso. Ciel jamais o vira alterado dessa forma. Sebastian sempre externava seus desgostos com finas ironias e irritante zombaria. Essa era a primeira vez que o via realmente irritado.

– Quando você a beija...

–Eu nunca a beijei diante de você! – Ciel respondeu prontamente, seu tom também se alterando.

– ... mas você a beija! Eu sei! – Com um gesto furioso, Sebastian varreu o alto da lareira com a mão atirando ao chão um pequeno busto que o ornamentava. Este se partiu com um som ameaçador.

Houve silêncio.

Pesado.

Notas finais
Bem aqui está o primeiro capítulo desta fic ( que deveria ter sido uma one... puxa, como eu falo heim?)Talvez eu receba pedradas pelo momento íntimo de Ciel e LIzzy, mas eu realmente achei importante mostrar que Ciel realmente tenta ser um bom esposo, tanto quanto possível. E que ele não a odeia como tantos dizem.Ele a ama... ainda que ame a Sebastian de forma mil vezes maior.Sebastian está tão possuído pelo ciúme que não enxerga coisas que estão um tanto óbvias para quem estiver atento... Mas é assim que são todos os que sentem ciúmes não é mesmo?Quero agradecer imensamente a Chibi Lord, que me apoiou e contribuiu com idéias para esta fic. Muito obrigada! Você não sabe o quanto foi importante para mim.Minha alma gêmea... estamos unidas por nosso amor ao nosso conde. Obrigada!