Segundo Travesseiro
2 Parte 2
Notas iniciais
Já que vocês insistem...mais um pedacim...mais só amanhã. Bj amores.
Frank deitou-se ao ver o mais velho fazer o mesmo e afundou a cabeça com mais força em seu travesseiro quando Gerard mexeu-se incomodamente procurando por uma posição. Ele segurou uma risada ao imaginar o quão infantil ele estava parecendo outra vez, revirando-se lá e cá. Se ele continuasse assim, arruinaria a pouca sonolência que havia tomado Frank nas últimas horas.
- Gerard?- Huh.- Aquiete suas pernas, por favor. Eu estava planejando dormir.- Oh. Desculpe.O menor mordeu o lábio. Parecera muito rude? Esperava que não, mas o problema era que a maldita casa mudara o comportamento de todos, inclusive o dele. Se antes já não era o homem mais paciente de todos, agora então seu pavio estava mais curto. Okay, ele também costumava ser meio grosso quando sabia que alguém estava lhe escondendo algo. E Gerard certamente estava inquieto dessa maneira — não só na cama — porque guardava algo.Não era só a curiosidade que corroía Frank. O assunto em questão ia além disso, atingia a confiança que eles tinham uns nos outros. Porque desde que seus pés entraram na casa, haviam feito uma promessa: seriam honestos. Acabariam com qualquer segredo. Haviam passado da fase de meros amigos, seriam uma família unida e uma família unida não podia ter cochichos ou coisas secretas.Gerard estava quebrando a promessa, Frank tinha certeza. Só não tinha como provar isso.- Frank, aquiete as suas pernas agora.A culpa não era dele, afinal de contas. Era Gerard. Ele deixava Frank assim balançado. A idéia de que estivesse escondendo algo perturbava o mais novo. E se fosse grave? Way tinha mania de omitir certos fatos por achar que sempre podia resolvê-los sozinho, mesmo que não pudesse.Frank engoliu, sua mente frenética formulando as palavras que há alguns dias estavam presas na garganta:- O que está havendo com você, Gerard?O pesado silêncio que se seguiu era quase tocável.- Eu também não sei, Frank, e isso me assusta. – uma mão abafou seu ofego. – Sabe, meus pesadelos têm ficado piores, o clima aqui está dos mais insuportáveis. Esse lugar está destruindo alguma coisa dentro de mim e eu não sei o que é.O menor sentiu as pernas finalmente congelarem quando ouviu Gerard pronunciar aquilo. A angústia estava evidente em sua voz, que tremia em determinados pontos devido ao nervosismo. Teve uma vontade súbita de envolver os braços ao redor dele e chegou até a virar-se para Gerard. Entretanto desistiu no último segundo, quando o maior também virou-se para ele, fazendo seus rostos ficarem a poucos centímetros de distância.- Auto-confiança. – Frank forçou-se a dizer. – É disso que essas paredes se alimentam. É isso que ‘eles’ querem. Que você perca a sua auto-confiança. – Desde que coisas estranhas começaram a acontecer, todos os cinco reuniam-se dentro de uma sala onde passavam por um tipo de sessão de terapia. Era nessa hora que seus desejos mais estúpidos e seus pensamentos mais íntimos eram revelados. Foi durante uma dessas sessões que perceberam que tinham inimigos invisíveis a enfrentar. Eles. – Mas você não pode se deixar abater. Você não vai se deixar abater. Gerard fez um barulho nasal. Estava sorrido, decerto. Frank apertou os olhos e conseguiu enxergá-lo deficientemente sob a meia luz. Calculou exatamente a posição do rosto do amigo, para não correr o risco de errar o lugar:- Esqueça isso – ele falou, beijando a testa de Gerard, hesitante. Ele estava suado e por um instante Frank sentiu falta dos fios negros e longos que costumavam ficar pregados ali. – e vá dormir. Boa noite. – acrescentou apressadamente, antes que dar a chance dele retorquir.Virou-se para ele e obrigou-se a adormecer. O mais rápido possível.--- Frank estalou os dedos. Batucou-os na mesa. Passou-os pelos cabelos, deixando-os desalinhados apenas para depois se preocupar em pôr os fios em ordem. Levantou-se inúmeras vezes para mexer em nada especial, procurando qualquer coisa que o distraísse.Ao longe, ele podia ouvir o som abafado de uma guitarra. Ray. Fazia duas horas que o rapaz estava no andar de cima, trancado numa sala com Gerard.Gerard.Gerard. O mais novo sentou-se, apoiando o rosto nas mãos. Estava ficando louco, só podia ser. Ou era o fato de estar vinte e quatro horas por dia vendo-o, falando com ele, convivendo intensamente ou demasiadamente. O fato era que… de alguns dias para cá, começara a ter pensamentos estranhos rondando sua mente e sonhos mais esquisitos ainda rondando suas noites.Noite passada ele sonhara com Gerard.E Frank acordara suado e… rígido. Pelos deuses, o que estava a acontecer com ele? Não era pelo fato de ser Gerard, nem pelo que ele tinha sonhado. Era porque tudo dentro daquelas paredes aparentava ser incrivelmente real e Frank acordara desejando que aquilo fosse realidade. Ele não sabia o que pensar de si mesmo e então resolveu que essa noite não deixaria Gerard vir para o seu quarto. Seria muito perigoso e ele não queria colocar tudo a perder por causa de uma besteira. - Frank? Frank. Você estava dormindo sentado? – uma voz perguntou divertidamente.
Ele piscou, erguendo o rosto para ver Ray dentro da cozinha, com Gerard às suas costas. Estava tão imerso consigo mesmo que não notara quando a quietude voltara a imperar na propriedade.Voltando à Terra, o menor encontrou os dois remexendo pelos armários, atrás de algo realmente comestível. Não sabia quando tinham abastecido a despensa pela última vez, mas sabia que precisavam enchê-la novamente o mais rápido possível para a sobrevivência de todos ali.- Eu… Ham. Vou lá pra cima.Patético. Desde quando gaguejava assim?- Nãããão mesmo. – disse Ray e Frank ficou estático. Ele fechou uma portinhola branca do armário e empertigou-se – É a sua vez de fazer algo para o jantar, lembra-se?Não, ele não lembrava.- Sério? Mas eu já disse que não sei cozinhar.- Faça waffles. – Gerard sugeriu, balançando a cabeça. – Acho que é a única coisa que dá para fazer com o que temos aqui.Ray encarou-o descrente, visto que tinham comido waffles no café-da-manhã, waffles no almoço e… waffles de novo? Ew.- Acho que vou vomitar. – ele anunciou, pousando uma mão no estômago e se retirando da cozinha com agilidade.Merda. Isso era tudo o que Frank não queria, pelo menos não agora. Insegurança tomou-o quando Gerard moveu-se pela cozinha para xeretar na geladeira. Frank encarou as paredes, passando os dedos pelo tecido de sua roupa para enxugá-los. Seu sonho começava na cozinha. Frank afastou-se de maneira sorrateira, insistindo que deveria mesmo começar a preparar alguma coisa se não queria que os outros pegassem no seu pé durante dias. Não que waffles realmente exigissem um enorme esforço, mas…Concentrou-se no projeto de jantar, passando os olhos vez ou outra para saber o quão distante Gerard estava. Viu-o esticando-se para guardar uma caixa de cereais no alto de uma das prateleiras e não resistiu em fitar toda sua extensão. Mas Gerard tinha aquele instinto de quem sabe que está sendo observado e Frank não queria ser pego no flagra. Estava tendo um déjà vu e não apreciava isso.- Acho que não vou jantar hoje. – o mais velho pronunciou, por cima do ombro de Frank, fazendo o coração dele palpitar e quase levando-o a um ataque. – Prefiro ficar sem comer se isso for o nosso banquete.
Notas finais
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