Secret.

50 Um passado que deveria ser esquecido. Part¹


Os gritos se misturavam com as palavras que ele nunca pensou que poderia escutar da boca da irmã, palavras que ele ainda pensava ser mentira. Ele olhava em volta, mas não via nada, só ouvia o choro da irmã e ainda escutava o desabafo dela "Seu pai, Clint, seu pai", se repetir várias e várias vezes.

Não podia ser, isso era mais forte do que ele podia pensar, era mais forte do que ele podia aguentar. O pai estuprar a irmã.

–Andressa.-chamou a mesma que o olhou com o rosto vermelho e os olhos também.

–Clint, ele... Doía tanto. Você não voltou, porque você não voltou? Porque Clint? Eu te esperei.-desfez o abraço e recuou para trás.

–Me desculpa, me desculpa, eu não podia saber. Ai meu Deus. Andressa.-a abraçou novamente, queria a proteger, não queria mais que nada de ruim acontecesse a ela.

Ela chorou mais, afinal, era a única coisa que podia fazer, chorar, aquilo de certa forma a deixava tranquila, mesmo sabendo que teria uma forte dor de cabeça, mas não ligou, chorou mais ainda, talvez aquele fosse o choro reprimido de todos os anos de puro terror que ela já havia vivido.

A campainha tocou mas eles não escutaram. Jenny caminhou até a porta a abrindo. Natasha estava junto a Steve, ela estava preocupada. Quando recebeu a ligação de Jenny estava dormindo junto ao loiro no apartamento do mesmo, se lembrava de dar praticamente um pulo da cama assim que Jenny falou que Andressa e Clint precisavam dela o mais rápido possível.

–Aonde eles estão?-perguntou nervosa. Jenny apenas abriu mais a porta dando a visão dos irmão sentados no chão abraçados.

–Oque aconteceu?-Steve perguntou, mas Jenny permaneceu em silêncio, talvez fosse incapaz de relatar tal fato.

Natasha adentrou o apartamento caminhando até os irmão, abaixou até os mesmos, Clint a olhou mas não parecia está ali, parecia fora do corpo, Andressa permanecia soluçando e chorando com o rosto afundado no peito de Clint.

–Andressa.-chamou a mesma que a olhou assustada.-Venha comigo.-pediu mas a mesma negou com a cabeça e abraçou mais a Clint que permanecia imóvel.-Andressa, venha.-estendeu a mão a morena que largou de Clint lentamente e levantou, Natasha a abraçou e a levou para o quarto de hospedes que até meses atrás pertencia a Andressa.

–Natasha.-chamou a ruiva.

–Sim.

–Por favor, chame o Tony.-a voz saiu como nada mais que um sussurro amedrontado.

–Sim, ligarei para ele, agora durma um pouco, vai se sentir um pouco melhor quando acorda.-Esperou a mesma adormecer em meio aos soluços e voltou até a sala, aonde Clint agora estava sentado no sofá e Jenny estava ao lado do mesmo. Ele ainda parecia distante, Jenny chorava em silêncio e Steve estava sentado em outro sofá de frente ao arqueiro observando tudo, ele foi incapaz de perguntar oque havia acontecido, nunca havia visto Clint daquela forma, parecia... Devastado.

–Clint.-Natasha andou até ele, mas o mesmo não respondeu, sentou ao lado dele assim que Jenny se levantou e caminhou até a cozinha. Olhou para Steve, como se dissesse para ele ir falar com a loira, o mesmo levantou e foi até a cozinha,e ela logo voltou a atenção a Clint.-Oque aconteceu?

–Natasha.-a voz soou abafada em tom de choro.

–Preciso que me conte oque aconteceu, Clint.-Juntou a mão na do arqueiro que a olhou.-Me conta.

–Ela...- Ele sentiu o nó na garganta, estava se controlando para não chorar.

–Jenny me ligou a vinte minutos atrás me dizendo que você e a Andressa não estavam bem e que eu tinha que vim pois ela não sabia oque fazer. Agora preciso que me conte oque aconteceu Clint. Por favor.

–Meu pai Natasha. Meu pai.-falou as palavras num sussurro entre-cortado.

–Oque tem seu pai, Clint? Ele voltou?

–Ele estuprava ela, Natasha. Meu pai estuprava a minha irmã.

–Oque?-Natasha se viu boquiaberta, não conseguia crer no que havia acabado de esculta.-Clint.-tentou falar mais que o nome do arqueiro, mas sentia a garganta seca.

–Ele a estuprava.-repetiu levantando e passando as mãos pelos cabelos.-Natasha.-colocou uma mão sobre a boca.-Isso tudo foi por minha culpa, eu a deixei, disse que ia voltar para busca-la, mas nunca tive coragem e olha só oque aconteceu.

–Isso não é sua culpa Clint.-levantou e encarou o mesmo.-Para tá bom.

–É claro que é Natasha. Você não está intendendo, eu disse a ela que me esperasse, disse que ia voltar. Ela ficou me esperando mas eu não voltei por medo de enfrentar o passado, enquanto ela aguentava a tudo sozinha, enquanto ela aguentava ele abusar dela.

Clint parecia transtornado, a voz do arqueiro saia em tom alto e desesperado, por mais que tentasse acreditar, aquilo parecia uma mentira que ele sabia que era verdade.

–Para okay, você não tinha como saber. Não tinha, Clint.-segurou o rosto dele nas mãos.-É claro que se você soubesse que isso acontecia, você teria voltado.

–Será que teria?-questionou a si mesmo.

Será? O Medo que ele sentia do pai era tão grande a ponto de não voltar sabendo que a irmã era abusada? Não, ele faria de tudo para cuidar de Andressa, morreria por ela, só para vê-la sorrir, ele nunca teria deixado isso acontecer.

–É claro que teria. Clint, isso não é sua culpa, nem a de ninguém a não ser a do seu...-Natasha parou de falar, não sabia como chamar o homem que fez isso a Andressa, pai, com certeza não se encaixaria.- A não ser a do homem que fez isso com Andressa. Isso não foi e não é a sua culpa, intendeu?-perguntou com a voz firme olhando o mesmo nos olhos.-Intendeu Clint? Me responde.-Ele fez positivo com a cabeça e abraçou a ruiva que tentava se manter o mais firme possível, mas a verdade é que ela também queria chorar, ela nunca poderia imaginar que isso havia acontecido com a morena... Mal sabia eles que aquilo não era nem o começo.


2 Horas depois (Apartamento de Clint Barton)


–Você conseguiu entrar em contato com Stark?-a ruiva perguntou a Jenny e a Steve. Eles balançaram a cabeça negativamente.-Aonde que esse lata velha se meteu?!-Perguntou a si mesma. Caminhou e sentou ao lado de Clint que estava sentado no sofá do apartamento com uma xícara de chá em mãos, Natasha estava praticamente obrigando ele a tomar o chá, Andressa permanecia no quarto dormindo. Jenny e Steve já haviam tentado entrar em contato com Tony mas nada, parecia que o moreno havia se desligado do mundo.-E se nós chamássemos a doutora Catherine? Ela é da base, acho que Andressa precisa conversar com alguém sem ser nós

–Não acho uma boa ideia, ela fica nervosa quando acha que estão a imprensando.-Clint disse olhando a caneca em mãos, ele queria andar e fazer alguma coisa para ajudar a irmã, mas ele não estava bem como gostaria, a noticia havia sido forte, e mesmo Natasha lhe dizendo que ele não tinha culpa de nada ele achava que tinha uma parcela de culpa em tudo, afinal, Andressa estava esperando ele voltar.

–Não faça isso.-encarou ele.-Não tente encobrir isso, ela demorou para contar, se ela contou agora...

–Ela não estava preparada. Se sentiu encurralada, sentiu que abandonaríamos ela, por isso contou.

–Mas isso não muda o fato de que ela contou e de que temos que ajuda-la. Não podemos fingir que isso não aconteceu, não podemos fazer igual a ela, ela escondeu e isso não fez bem. Não a ajudou em nada. Olha como ela estava Clint. Me desculpa mas irei chamar Catherine aqui.

–Tudo bem.-disse de cabeça baixa, ele não iria discordar de Natasha, sabia que não estava em condições de tomar decisões, qualquer que fosse, não agora.-Oque você acha que ela deveria sentir, para não ter contado antes?

–Medo, talvez vergonha. Quem pode saber a não ser ela que passou por isso tudo? Acho que de certo modo, ela gosta de conversar com Catherine, mesmo depois do que aconteceu, a ultima conversa delas não foi tranquila? Oque poderia fazer dessa não ser?-questionou levantando e pegando o celular no bolso da calça.

Ela tinha o número da doutora, as vezes conversava com a mesma, lembrava da primeira vez que tivera que ter um contato com a mesma sem que a Shield mandasse, por vontade própria.


~Ligação ON:

–Natasha, a quanto tempo.-a voz doce de Catherine soou na linha e Natasha deu um pequeno sorriso, ela gostava da psicologa, ela sempre a ajudava com problemas inquietantes para a ruiva, principalmente depois dos Chitaures em NY, não era só Stark que não havia ficado bem.

–Doutora.-disse dando um leve sorriso e deixando alivio transparecer na voz.

–Parece... Aliviada em falar comigo Natasha, oque aconteceu? Faz tempo em que não nos falamos, você está bem?

–Estou sim doutora, mas preciso saber se está na cidade.

–Estou, porque?

–Uma amiga precisa de você. Andressa Barton, ainda lembra dela?

–Impossível esquece-la, oque aconteceu a ela, ela está bem? Vai fazer dois mês se não me engano que não nos falamos.

–Não muito doutora, precisamos de você aqui. Ela contou oque aconteceu, estou no apartamento do irmão dela, o agente Barton, estamos todos... Abalados. Pode vim o mais rápido que conseguir? Ela está dormindo e acho que se acorda vai fugir não querendo falar mais.

–Tudo bem, já estou a caminho.

–Sabe ainda o endereço do Clint?

–Sei sim. Até Natasha.-a voz soou suave e logo a ligação foi encerrada.

~Ligação OFF.


Natasha encerrou a ligação e olhou para Clint que agora estava em pé em frente a sacada, estava com os braços cruzados e com o olhar distante, Jenny caminhou até o mesmo e o abraçou. Sentiu as mãos de Steve lhe acolhendo, ela enterrou o rosto no peito do mesmo sem se importar se Clint e Jenny veriam e deixou as lágrimas escorrem.

–Calma.-o loiro sussurrou no ouvido dela.-Vai ficar tudo bem. Andressa é forte lembra?-fez positivo e enxugou as lágrimas rapidamente, odiava chorar, ela se sentia vulnerável demais.

A campainha tocou fazendo os mesmos se assustarem por um momento, Steve andou até a porta e a abriu. Se surpreendeu assim que constatou quem era.

–Thor?-Capitão disse.

–Aonde ela está?-o Deus perguntou parecendo aflito.

–Ela quem?

–Andressa, capitão. Aonde ela está?

–Como... Como sabe que ela não está bem?

–Senti que algo aconteceu a ela.-o loiro disse adentrando o apartamento encarando os mesmos que o olhavam com estranheza.-Eu sou um Deus, posso sentir quando um amigo não está bem.-explicou.-Ela me chamou, pude sentir.

–Ela está no quarto, está dormindo.-Clint disse baixo.

–Thor.-a voz soou baixa, todos olharam para a morena em pé na porta do quarto de hóspedes, ela tinha os olhos inchados e o cabelo desgrenhados caídos sobre os ombros, os olhos verdes estavam sem brilho e demostrando dor intensa. Embora os outros estivessem na sala, Andressa apenas olhava para Thor, o mesmo andou até ela e a abraçou.-Você veio.-disse abafado.

–É claro que vim.-deu um beijo na cabeça da morena.-Você me chamou lembra?-ela assentiu com a cabeça e o puxou para o quarto se deitou na cama e Thor sentou na beirada da mesma, enquanto acariciava os cabelos dela que fechou os olhos. Não disse nada apenas sentiu o carinho de Thor.

–Obrigado por vim. Obrigado por está aqui Deus.-deu um leve sorriso mas logo começou a chorar.-Obrigado Thor.-Levantou o abraçando.

–Não chore, o pior já passou. Estou ao seu lado.

–Deus, você nem parece um Deus, parece tão humano falando assim.

–Até mesmo um Deus pode ter sentimentos e falar como os humanos pequenos.

–Humanos pequenos? Me acha pequena?

–Muito pequena.-riu para ela que riu de volta.

Clint apareceu na porta, ela parou de sorrir e fechou os olhos, quando voltou a abri-los Thor levantava, lhe deu um beijo na testa e disse que estaria do lado de fora.

–Você...-Clint começou a dizer, mas se calou assim que viu a morena, com um pequeno bico nos lábios reprimindo a vontade de chorar, viu os olhos tristes como no dia em que ele havia ido embora, há 12 anos atrás.

–Desculpa.

–Pelo oque?-perguntou sentando ao lado dela.-Por contar a verdade?

–Exatamente. Da forma que disse, sei que na hora não pensei, sei que está se sentindo culpado...

–Mas isso foi...

–Não foi por sua causa Clint.-disse séria, segurando o rosto do irmão entre as mãos.-Você não poderia saber.

–Eu devia Andressa.

–Não, não devia.-abraçou ele.-Já foram tantos anos, mas seria mentira dizer que ainda não sinto nada, que não sinto medo e... Vergonha. Mas isso não é por sua causa. Foi pensando em você que eu consegui sobreviver todos os 12 anos separados, foi pensando em te encontrar Clint, pensando em te ver de novo mano, que eu consegui está aqui.-Clint a abraçou com força e chorou em silêncio.-Não chora.-pediu olhando o arqueiro que passava as mãos nos olhos tentando disfarçar as lágrimas.

–Você sempre foi mais forte do que eu não é mesmo? Queria ter estado ao seu lado todos esses anos, mas eu não consegui voltar, eu tive medo Andressa, medo de ele voltar a me bater, medo dos socos. Medo da fúria dele. E nem me dei conta que ele poderia está fazendo algo ruim com você. Que ele poderia está tirando a sua inocência. Eu sinto tanto.

–Clint.-Natasha apareceu na porta do quarto.-Ela chegou.

–Quem chegou?-Andressa perguntou olhando o irmão.

–Andressa, eu chamei a doutora Catherine.-Natasha falou.-Pensei que você precisasse conversar com alguém que não fosse nós.

–Está tudo bem Naty.-a morena deu um pequeno sorriso e levantou da cama. Ela sentia que ela tinha que falar tudo, que tinha que por para fora todo aquele pesadelo.

–Está tudo bem para você falar com, Catherine?-Clint perguntou olhando a irmã, ela assentiu, ele a abraçou pela cintura e caminharam até a sala em passos lentos. Sentaram no sofá e Catherine sentou a frente da morena e Clint.

–Olá Andressa.-Catherine começou. Viu quando a morena deu um pequeno sorriso, abaixou a cabeça e apertou a mão de Clint que estava ao lado dela.-Você quer ter essa conversa?-perguntou olhando a morena que ainda estava de cabeça baixa, olhando para o chão.

–Quero.-a voz saiu baixa.

–Você quer ou precisa?-Catherine juntou as mãos uma na outra em cima das pernas cruzadas cobertas pelo vestido azul bebe.

–Os dois.

–Prefere que esta conversa seja apenas eu e você?

–Não, quero que todos escutem, pois não sei se sou capaz de repetir tudo novamente.-respondeu e olhou para Natasha.-Ele não vem não é?-se referiu a Tony.

–Desculpe, não conseguimos entrar em contato com ele.-Natasha disse dando um sorriso triste.

–Tudo bem, podemos começar doutora.-sorriu mais uma vez pequeno olhando para Catherine. Ela estava bonita, pensou olhando a psicologa, os cabelos estavam soltos pelos ombros de forma natural, os olhos estavam alegres e cheios de vida, o rosto estava com mais vida e cor.-Você está muito bonita doutora.

–Obrigado Andressa.

–Não pode dizer o mesmo de mim, não é? Estou um lixo.-todos riram do que a morena falou, mas ela sabia que era verdade, estava completamente acabada, os olhos estavam inchados e cheios de olheiras, o cabelo estava desgrenhado de uma forma que ela julgava horrorosa.

–Todos nós temos dias ruins, só depende do nós mudarmos eles.

–Mudar.-riu sarcasticamente.-E se não podermos mudar oque já foi feito? Se não pudermos mudar oque já aconteceu doutora, oque temos que fazer? Esquecer?

–Andre...

–Mas um dia tudo volta. Não me diga que o tempo é o remédio, pois não é, e nem nunca será. Tudo que eu passei está vivo demais. Toda dor, eu ainda posso sentir, então não me venha com isso que com o tempo vai passar, que o tempo irá curar, pois não irá, nunca.

–Okay, preciso que se acalme um pouco.

–Não me peça para ficar calma doutora, eu já estou.-falou sorrindo, respirando fundo. Pensou com ela mesma que a finalidade da frase, "preciso que fique calma" era deixar a pessoa nervosa.

–Tudo bem.-Catherine se levantou e sentou ao lado da morena, pegou em uma mão dela que estava fria e passou uma mão no cabelo da morena que abaixou o rosto.-Agora, preciso que me conte oque aconteceu.-Catherine usou um tom suave e continuou a acariciar os cabelos da morena, colocou uma mecha de cabelo que estava tampando o rosto da mesma para trás da orelha, sentiu a mão de Andressa dando um leve aperto na mão dela.-Fale, não tenha medo.

–Meu pai... O pai de Clint me estuprava.-Disse num suspiro entrecortado, respirou fundo ainda olhando para o chão.

–Sinto muito, sinto muito mesmo.-Catherine apertou a mão da morena, como se tentasse dar forças para ela.

–Ele me estuprava, não posso dizer abusava pois seria até bonito, mas oque ele fazia comigo... Era horrível, nojento e errado.-agora não havia mais a postura de mulher forte e determinada naquele momento, agora, Andressa, era apenas uma menininha de 12 que relatava os abusos que lhe aconteceram e que talvez até tivessem destruído toda a vida dela.

–Bem, eu aceitaria uma bebida, acho que Andressa precisa também, será que poderia pegar uma para nós Natasha?-Catherine pediu e a ruiva foi até a cozinha e voltou com dois copos de conhaque.-Beba isto.-disse para Andressa assim que a ruiva lhe estendeu o copo, ela não exitou, pegou o copo e bebeu o liquido em um gole só.-Preciso que me conte mais Andressa. Quando começou os abusos?

Clint sentiu que poderia começar a chorar a qualquer minuto mas apenas respirou fundo e continuou ao lado da irmã, segurando firme a mão fria dela.

–Não, precisa contar sabe disso.-O arqueiro falou no ouvido da morena.

–Sei, mas eu preciso, quero que saiba porque eu fiz aquilo hoje.-deu um leve sorriso e voltou o olhar para o chão.-Foi... Foi... Depois que Clint foi embora. Eu ficava sozinha, brincava sozinha no quintal de casa com minhas bonecas e todas as noites eu orava para que ele voltasse.-Olhou para Clint.- Depois que você foi embora, mamãe começou a trabalhar a noite, pra cuidar de dia de mim, seu pai chegava da oficina e dormia. No dia em que tudo começou, mamãe saiu mais cedo para o trabalho, ela sempre me colocava na cama para dormi, lembra?-Olhou para Clint que riu e assentiu.-Cantava, Hey Jude pra mim. Eu amava, e quando não era ela, era você.-riu com as lembranças.- Naquele dia, ela teve que ir mais cedo, nós precisávamos de dinheiro, o aluguel estava vencido, e o dinheiro que seu pai ganhava ele gastava tudo em bebida, e mamãe precisava fazer hora extra no emprego. Ela pediu para que ele me colocasse na cama e pediu para que ele não bebesse, como pedia todos os dias, e ele nunca escutava. Mas, ele não bebeu naquele dia Clint, não bebeu. Eu jantei, assisti um pouco de TV e ele me mandou escova os dentes e ir para a cama que iria me dá um beijo de boa noite. Eu fiz tudo, e fui para o quarto me ajoelhei, como todas as noites eu orei para você voltar logo.-Secou um lágrima que escorria.-Aquela mesma oração que você havia me ensinado, lembra? "Agora, eu me deito para dormir. Peço a Deus para minha alma guardar. Se eu morrer antes de despertar, peço a Deus para minha alma levar." "Deus, por favor, proteja o meu irmão aonde ele estiver, e que ele volte logo para me buscar. Amém."-repetiu a oração entre as lágrimas e sorria.- Eu não sabia rezar direito, mas... eu pedia com todo o meu coração.-ela parou de falar e varreu a o olhar pela sala, Natasha e Steve estavam próximos a porta, Thor permanecia em pé próximo a sacada com os braços cruzados, Jenny estava num sofá a frente e tinha os olhos marejados.

–Continue Andressa.-Catherine disse.

–Tudo bem. Assim que eu acabei de orar, ele chegou. Eu senti medo, ele sorria pra mim e eu não consegui sorrir de volta, porque eu sentia meu coração bater mais rápido. Ele perguntou oque eu estava fazendo, eu disse que estava orando por você Clint.-olhou o irmão rapidamente.-E ele me disse que você não voltaria, nunca. Eu disse que você voltaria, disse que não ia me deixar sozinha, mas ele disse que não, que você não iria voltar. Eu chorei e falei para ele parar de falar aquelas coisas. Ele pediu para mim parar de chorar e disse que iriamos brincar, disse que seria uma brincadeira muito legal.-ela estava ofegante, lembrar daquele dia não era nada bom.-Ele andou até a porta e a fechou, voltou até mim que estava sentada na cama e sentou, o sorriso nunca sumia da boca dele Clint, nunca, era grande e assustador. Ele colocou as mãos debaixo do meu vestido florido e foi subindo até as minhas coxas, acariciou elas, eu me encolhi na cama e falei que não queria brincar, eu falei, eu falei eu juro que falei, mas ele não parou.-balançou negativamente a cabeça.-Não parou. Eu corri, levantei da cama e fui até a porta, tentei abrir ela mas estava trancada.-disse num fio de voz segurando a cabeça com as mãos.- Eu disse que estava com dor de cabeça e que não queria brincar, ele disse que se brincássemos iria passar, mas eu disse que não, que não queria. Ele me jogou na cama e se aproximou lentamente e disse "isso é um segredo só nosso, ninguém pode saber, você não pode contar para a mamãe, tudo bem?" eu disse que ia contar tudo a ela, disse que não ia guarda segredo, ele falou que ia matar a mamãe assim como fez com meu pai e que depois me mataria e ia atrás de você para te matar Clint. Eu chorei muito, muito até minha cabeça doer, mas isso não impediu, não adiantou de nada, ele deitou em cima de mim na cama tampou minha boca.-agora ela não expressava nada, ela apenas olhava para fora da sacada.-Eu o empurrei, o aranhei, mas não adiantou, ele segurou minhas mãos para cima da cabeça e arrancou meu vestido o rasgando, fez a mesma coisa com a minha calcinha.

–Já chega, Andressa!-Clint disse chocado, ele não queria mais saber, não queria saber o quanto a irmã havia sofrido, quanta dor ela havia passado.

–Deixe ela falar, Clint.-Catherine falou olhando o arqueiro que levantou do sofá e foi para a sacada parecendo pegar ar para digerir oque estava ouvindo.-Fale, Andressa.

–Eu senti uma mão dele, eu não conseguia gritar doutora, não consegui, meu coração estava tão acelerado. Ele passava as mãos sobre mim, passava as enormes mãos sobre os meus pequenos seios e os apertava.-Soltou um suspiro entrecortado, agora as lágrimas corriam livres pelo rosto que havia voltado a ser pálido.-Doia muito, ele disse que não ia doer. Senti as mãos dele em minhas pernas as abrindo com brutalidade, eu tentei as fechar, mas ele era forte, forte demais. Eu sentia tudo pulsar, mas quando ele... Ele...-todos sabiam oque era, quando ele havia estuprado ela.-A dor foi tão grande que, eu gritei, minha garganta estava seca, era como se rasgassem a minha carne como...-Catherine a abraçou, enquanto a mesma sussurrava.-Ele não parava, eu gritava mais e mais alto, até ele tampar a minha boca com as mãos, eu podia sentir o gosto salgado do suor dele, eu podia sentir o gosto de graxa em minha boca. A dor era tão forte que eu não conseguia enxerga nada, estava tudo preto. Pedia para ele parar mas não adiantava. Não adiantava.-repetiu as palavras chorando.

–Tudo bem Andressa, está tudo bem.-Catherine disse enquanto Clint voltava até a irmã e a abraçava.

–Clint, doía tanto, tanto.-sussurrou com o rosto enterrado no pescoço do arqueiro.-Tanto.-disse num suspiro abafado.

–Já chega por hoje, okay?-Catherine falou, e escutou o choro de Andressa ecoar por toda a sala, percebeu que o choro naquele momento era de uma menina assustada e não de uma mulher decidida que demonstrava ser.-Andressa.-chamou a mesma que a olhou rapidamente.-Você, podemos conversar mais amanhã?

–Acho que já chega doutora.-Clint disse olhando a doutora negativamente.

–Eu estou tentando ajuda-la Clint. Confie em mim.-falou e o mesmo assentiu positivamente, mas ela logo voltou a atenção para Andressa.-Você aceita continuar amanhã Andressa?

–Sim.-disse, mesmo a vontade sendo de dizer não.

–Amanhã então voltarei. Descanse Andressa, assim como todos vocês.-disse olhando os demais da sala. Pegou a bolsa que estava em cima do sofá e foi até a porta junto a Natasha e Steve.

–Andressa. Venha para o quarto.-Clint disse mas ela se recusou.

–Posso?-Thor perguntou a Clint olhando a morena sentada no sofá. Clint assentiu e o Deus pegou-a no colo.

–Thor não.-disse ainda com a voz de choro. Mas ele não escutou, levou a mesma até o quarto e a pôs na cama.-Obrigado.

–Não agradeça, estarei aqui sempre quando precisar, e quando acorda também, agora durma.-disse a ela que assim o fez.

...

Clint ainda permanecia na sala, olhou para a porta aonde viu a doutora conversando com Natasha e Steve. Caminhou até eles.

–Isso tudo que ela passou, é um grande trauma, não pude perguntar tudo a ela e nem sei se poderei, algumas coisas as vezes é melhor não serem... Desenterradas.-Catherine disse olhando Clint.-Não se sinta culpado, sei que parece que... Não foi sua culpa Clint. Pelo que já conversamos nos encontros que Fury mandava você ir, você não tinha a minima ideia de que tudo isso pudesse acontecer.

–Eu sabia que ele era um monstro, mas não imaginava que chegava a esse ponto, ao ponto de estuprar uma menina inocente.

–Não podemos saber oque se passa na cabeça desses homens...

–Monstros.-Natasha disse como se corrigisse a doutora.

–Não podemos saber oque se passa na cabeça deles, mas de uma certa forma me parece que isso feito a Andressa foi... Vingança, ódio, desprezo. Não consigo definir um ao todo, talvez tenha sido todos os sentimentos misturados. Mas temos que saber o porque...

–Ele era um maldito.

–Tem certeza. Não pode ter sido algo feito por alguém que poderia ter o tornado assim tão... Negativo?

–Não sei doutora.

–Tudo bem, vamos todos descansar agora tudo bem? Durma Clint, durma bastante. Se force a dormi, vai precisar.-Deu um breve sorriso e logo foi embora em passos firmes.

Ela acordou, e como havia pensado no dia anterior, estava com uma maldita dor de cabeça, essa era a dor que sempre a acompanhava, maçante e atormentadora, ela apertou as mãos nas têmporas, a velha companheira, pensou dando um leve sorriso. Levantou se sentindo um pouco tonta, os olhos estavam embaçados e inchados, sentiu frio e se agarrou com o casaco que usava, andou para fora do quarto em passos lentos. Se sentia enjoada de tanta dor que sentia.

O apartamento de Clint estava silencioso, com certeza ele e Jenny deveriam está dormindo, se assustou assim que escutou alguém a chamar.

–Droga Thor.-disse pondo uma mão sobre o peito e andou até o loiro que estava na sala sentado no sofá.-Oque...

–Disse que estaria aqui quando acordasse.-deu um leve sorriso assim que ela sentou ao lado dele.-Você está com uma aparência...

–Horrível eu sei.-revirou os olhos.

–Eu ia dizer cansada, cansada demais.-passou a mão no rosto dela que riu.-Humanos, pequenos e que cansam rápido demais.-disse no intuito de anima-la.

–É.-ela disse triste.-Meu Deus.-dessa vez pareceu exasperada.

–Oque foi?

–Annabely.-disse, ela havia esquecido da menina, disse a pequena que iria visita-la a noite, mas com os acontecimentos, ela acabou esquecendo.-Tenho que visita-la.- Ela disse levantando do sofá e caminhou até o banheiro, Thor a parou na porta.

–Preciso ir.-disse e ela o abraçou apenas.

–Obrigado.

–Não agradeça. Estarei de volta, antes mesmo que pense em mim.

–Não funcionou pois já pensei.-cruzou os braços o encarando, mas logo sorriu. Thor lhe deu um beijo na testa se afastou e desapareceu.- Esse deve ser o lado bom em ser um Deus.-deu de ombros terminando de entrar no banheiro, fechou a porta, se despiu e entrou no box, abriu o chuveiro no máximo e deixou a água cair sobre o corpo, encostou as mãos na parede e respirou fundo com o rosto pra baixo.

Ela percebeu que finalmente estava conseguindo se libertar do passado, o caso de Annabely só foi bom para ajuda-la, como um empurrão, a finalmente falar, mas ela também sabia que não havia sido por apenas o fato de Annabely, mas também pela pressão em cima dela, tanto de Clint, quanto de Tony.

Tony, o nome do moreno ecoou pela cabeça dela, aonde o moreno poderia está? Lembrou de Natasha dizendo que não havia conseguindo encontra-lo, ela precisava dele tanto no dia anterior, terminou o banho se enrolou na toalha, catou a roupa em cima da pia do banheiro e saiu do mesmo, se assustou assim que viu Jenny, a loira deu um sorriso sem graça e a morena respondeu.

–Bom dia.-Andressa disse sem graça, ainda lembrava de quando havia chegado no apartamento de Clint e havia ameaçado Jenny "Olha, se você dificultar as coisas para mim, eu posso dificultar as coisas para você."

–Bom dia.- observou a morena e abaixou a cabeça.

–Não, não sinta pena de mim.

–Me desculpa.

–Tudo bem.-disse caminhando para o quarto.

–Você quer uma blusa para vestir, uma calça?-Jenny perguntou a morena.

–Eu agradeceria muito.-riu e adentrou o quarto. Jenny a lembrava demais alguém, até mesmo a voz, mas quem?-Para de surta Andressa, isso não é hora.-repreendeu a si mesma colocou as peças intimas, teve que ser aquelas mesmas, afinal, não iria pegar peças de Jenny e no apartamento de Clint não havia mais roupas dela, apenas alguns livros e porta retratos que ela havia deixado lá.

–A Desculpa.-Jenny falou assim que entrou no quarto e viu a morena terminando de por o sutiã.-É, vim lhe trazer a roupa.-Estendeu as peças para Andressa que riu.

–Tá tudo bem. Somos mulheres afinal.-pegou a roupa das mãos de Jenny que riu afirmando.-Obrigado.-agradeceu mais uma vez e começou a por a roupa, era um jeans preto e uma blusa da mesma cor de manga preta.-Bem a minha cara essa roupa.

–Não gostou?

–Gostei, coube e é realmente a minha cara, gosto muito de preto.-prendeu o cabelo em um coque desgrenhado.-Agora preciso sair.

–Am. Sair? Acho que Clint...

–Preciso ver Annabely, prometo que volto.-Pegou a bolsa que estava jogada no chão.-Diga a Clint que não irei fugir.-deu um pequeno sorriso e saiu do quarto, foi até a geladeira de Clint pegou um suco e vasculhou o armário em busca de biscoito doce, achou um pacote desceu, encontrou Joey na portaria e ficou conversando com o mesmo enquanto o táxi que havia pedido não chegava. Viu assim que o táxi estacionou, se despediu do mesmo e entrou no veiculo que logo acelerou assim que ela disse o destino.

Notas finais
Gente houve um erro de digitação, no cap 48.
A idade da Andressa é 24 e não 27 okay?! Bejus, espero que tenham gostado.