Secret.
51 Um passado que deveria ser esquecido. Part² (Fim)
Ela andava em passos apressados pela base, ainda lembrava exatamente oque havia acontecido no dia anterior, tantas coisas, mas agora estava mais preocupada com Annabely, sabia que a pequena menina estava traumatizada com oque lhe havia acontecido, sabia que ela nunca conseguiria esquecer, mas de certa forma parecia que seria mais facil... ou mais difícil de superar, já que Annabely sofreu os abusos muito cedo.
Ela havia comprado um urso rosa para a pequena e também estava levando doces escondido na bolsa, com certeza a comida da Shield era péssima. Deu um pequeno sorriso assim que chegou na ala da enfermaria, foi até um balcão aonde havia algumas enfermeiras vestidas de branco.
-Bom dia, gostaria de saber aonde fica o quarto de Annabely.-disse e fez um careta, não sabia o sobrenome da pequena.-Ela chegou ontem, foi abusada pelo pai.
-A sim.- uma mulher falou, Andressa a avaliou enquanto a mesma digitava algo no computador, ela era loira, tinha os olhos azuis, o rosto era fino e se encaixava perfeitamente nos lábios levemente carnudos e avermelhados, a outra era morena e tinha os olhos castanhos, usava também uma roupa branca e falava ao telefone, as duas era bonitas, concluiu passando as mãos no cabelo os jogando para trás, já que o mesmo havia se desprendido enquanto andava apressada pela base.
Agora avaliando bem a ala, era como um hospital mesmo, da vez que havia sido espancada por Rachel, não havia ficado na base, mas sim em um hospital, já que Tony havia feito questão.
-Agente Andressa.-a loira chamou Andressa que ergueu uma sobrancelha imaginando com ela sabia o nome dela, mas se deu conta que a meses atrás quando havia se machucado em missão havia ido para a enfermaria da Shield e lá encontrou as duas.
-Sim, enfermeira... Host.-respondeu dando um pequeno sorriso para a loira que sorriu também.
-Quarto 7, é só ir direto pelo corredor.-apontou para o corredor que estava nas costas de Andressa.
-Obrigado.-ela disse dando de costas e começou a andar pelo corredor, acomodou o urso de pelúcia em baixo dos braços e quando chegou no meio do corredor viu o quarto 7, havia uma janela de vidro, ela pode ver Annabely, o quarto era para duas pessoas, mas o outro leito estava vazio, Annabelly tinha os olhos fechados, parecia dormi, ela pode ver o braço quebrado da mesma que estava engessado e tinha uma tala que prendia no pescoço.
A morena adentro o quarto em silêncio, andou e parou ao lado da cama da menina, sentou e segurou a mão dela que abriu os olhos rapidamente recuando a mão de forma amedrontada.
-Andressa.-disse com a voz baixa e logo deu um sorriso.
-Sou eu.-deu um beijo na cabeça da pequena que ainda ria de forma tranquila.-Não estava dormido?
-Não, não consegui dormi, estava esperando por você.-Andressa observou a menina, ela parecia tanto com ela quando era menor, os olhos verdes, o cabelo castanho escuro e a mesma história.-E tinha medo de que ele pudesse voltar para me machucar.
-Ele não irá mais voltar Annabely. Pode ficar tranquila. Está segura agora.
-Você está aqui.-Andressa sentiu a mão se apertada pela de Annabely como se soubesse oque ela já passara.
-Estou.-riu para ela.-Lhe trouxe um presente.-disse pegando o urso que estava dentro de um saco metálico com um laço.-Espero que goste.- entregou o mesmo para a pequena que se animou a sentar na cama, mas que fez uma cara de dor. Andressa sentiu os olhos queimarem assim que negou as lagrima, ela sabia exatamente que Annabely estava completamente dolorida, sabia que essa erra a pior parte.-Logo não irá doer mais.-disse ajudando a pequena a abrir o pacote, ela tirou o urso e entregou a mesma, viu os olhos brilharem com fascinação, viu a alegria queimando nos olhos verdes de Annabely, e se sentia satisfeita e também até feliz com isso.
-Obrigado Andressa.-a voz soou cheia de animação enquanto ela abraçava o urso com o braço bom.-É lindo.
-Também achei. Quando vi na loja, disse a mim mesma que ela fora feito para você.- ainda ria quando o celular dentro da bolsa tocou, pegou o mesmo e viu que era Clint.
~Ligação ON.
-Oi Clint.-disse sorrindo olhando a menina que estava encantada com o urso.
-Aonde você está?
-Pode ficar calmo maninho, não fugi. Vim apenas ver Annabely. Trouxe um urso para ela.
-Tudo bem.-a voz de Clint soou aliviada.-Como ela está?
-Um pouco com dor.-agora estava fora do quarto, ainda olhando a pequena brincar com o urso.-Completamente dolorida.-escutou a respiração de Clint pelo telefone.-Mas logo irá passar
-Ainda bem.
-Talvez, ela não fique tão traumatizada com oque aconteceu a alguns anos para frente.-era essa parte que Andressa queria acreditar.
-Ou talvez não, talvez ela fique.- Clint se limitou a dizer as palavras.
-Igual a mim? Mas, eu prefiro acreditar que irá ficar tudo bem.
-Vai ficar. Quando irá voltar para casa?
-Passarei mais um tempo com ela, talvez uma hora no máximo, depois irei da uma volta pela cidade, espero que intenda que eu preciso...
-De tempo?
-Espaço. Mas não se preocupe que eu voltarei. Até porque não tenho para onde ir.-riu junto a Clint e logo encerrou a ligação.
~Ligação OFF.
Voltando a entrar no quarto, Annabely agora assistia TV abraçada com o urso. No aparelho passava Bob Esponja, a menina ria como se nada lhe havia acontecido, Andressa sentou ao lado dela na cama e ficaram as duas conversando e assistindo ao desenho enquanto comiam doces que ela havia levado.
Acabou pegando no sono ao lado de Annabely. Quando acordou visualizou o relógio na parede do quarto sem graça da Shield, que marcava que ela havia dormido durante uma hora. Annabely dormia por cima do braço engessado agarrada a ela, Andressa desceu da cama e ajeitou a pequena na mesma, deixou o urso do lado da pequena e uma barra de chocolates em baixo do travesseiro. Deu-lhe um beijo na testa mas parou assim que escutou a voz a chamar.
-Sim Belly.-viu o sorriso nos lábios da pequena assim que escutou o apelido que a morena havia posto nela.
-Você vai embora?
-Sim, mas amanhã voltarei para ve-la, pode ficar tranquila. Tudo bem?-a pequena assentiu e voltou a fechar os olhos, Andressa deu-lhe mais um beijo na testa e saiu do quarto.
Assim que passou pelo balcão se despediu com um aceno de cabeça das enfermeiras e saiu da ala da enfermaria. Se sentia mais tranquila agora depois de ver Annabely. Andou em passos apressados pelo resto da base, havia avistado Steve e Natasha, mas assim que percebeu que os mesmos não a tinham visto, se retirou da base, depois falaria com eles e principalmente com Natasha, precisava agradecer, mas não agora, agora precisava de um tempo para pensar, tempo para refletir. Entrou na B.M.W preta e acelerou, sabia exatamente para onde ir, tinha saudades do lugar, fazia tempo que não ia no mesmo, talvez um ano? Ou um pouco menos, preferia mas quando estava a noite, mas o dia estava nublado e frio, da forma que ela adorava, talvez assim pudesse claria mais a cabeça, talvez pudesse esquecer a ideia maluca de parti sem dizer adeus.
....
-Stark.-ele escutou a voz soa atrás dele, revirou os olhos não estava afim de falar com ninguém e não havia feito piadas novas para poder zua com o soldado.
-Agora não picolé.-disse fazendo um bico e continuou a andar pela base, estava a caminho do laboratório, iria terminar um projeto com Bruce. Sentiu o sangue ferver assim que sentiu as mãos de Steve lhe pararem no corredor.-Oque você quer cubo de gelo?
-Sua piadinhas não me afetam mais.
-Você está incapaz de sentir algo, ainda está congelado capitão. Não fisicamente, mas parou no tempo. Me surpreende muito você ter conseguindo transar com a ruiva, como foi, ela estava por cima com certeza não é mesmo?-Mas ele se calou assim que sentiu o punho de Steve lhe acerta o rosto.-Sua mão ainda está congelada também.-disse colocando a mãos na mandíbula e a apertando, até que o capitão tinha uma direita forte. Pensou ainda sorrindo.
-Você é um babaca.
-Tá na hora de rever os insultos.
-Você não cresce.
-Fale logo oque você quer, não tenho o dia todo picolé.
-Ta destruindo a sua própria vida e acha que insultando as pessoas vai se sentir melhor, que vai conserta oque está fazendo? Eu sei oque está fazendo.-Aproximou o rosto do moreno que engoliu em seco.-Você cheira a medo e a fracasso.
-E você cheira... A nada, afinal gelo não tem cheiro.-soltou um riso sem graça. Steve balançou a cabeça em negativo, estava com vontade socar a cara de Tony novamente, mas optou por não fazer.
-Andressa precisa de você.-disse olhando o mesmo que arregalou os olhos.
-Oque aconteceu com ela?
-Saberia, se não tivesse negado as minhas e as ligações de Jenny e Natasha.
-Desembucha picolé.-disse segurando o capitão pela gola da camisa. Steve apenas riu.
-Porque não atendeu?-insistiu, enquanto tirava as mãos de Tony da gola da blusa.
-Não é da sua conta, agora me conta oque aconteceu.- eles se encararam durante alguns segundos até Steve começar a falar.
-Ela contou, contou oque tanto a perturbava.-mas Tony não disse nada, permaneceu calado esperando que Steve terminasse oque havia começado.-O pai de Clint. Ele a estuprava.-Steve falou a palavra com repulsa.
Tony não disse nada, não conseguia pensar direito, não escutava mais nada a não ser a frase "Ele a estuprava" se repeti vezes na cabeça.
-Você devia ver o estado dela Tony, quando chegamos estava no chão agarrada à Clint.-Steve disse olhando o moreno que tinha os olhos arregalados.-Ela pediu a Natasha que te chamasse, mas você não atendeu, perdi a conta de quantas vezes liguei para você, perdi as contas de quantas vezes Natasha e Jenny ligaram para você, ela precisava de você ontem, ela chamou por você, mas você estava com...-Steve se calou.
-Aonde ela está?
-Ela dormiu no apartamento do irmão.-Antes de Steve terminar de falar, Tony já andava pelos corredores da Shield, em busca da saida, no estacionamento entrou no carro e acelerou em direção ao apartamento de Clint.
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Ele estava no laboratório, estava afundado em mais uma de suas pesquisas junto a Tony, mas o amigo até agora não havia chegado, estava atrasado, mas isso já era normal de Tony Stark. Dez minutos depois ele escutou quando a porta foi aberta.
-Levando em conta, dessa vez até que você não se atrasou tanto, lata velh...-Mas ele se calou assim que viu que não era Tony que havia entrado no laborátorio.
-Levando em conta que você não estava olhando, eu vou deixar passar que você tenha me confundido com seu amigo.-a voz soou suave e descontraída.
-Catherine. Me desculpa, pensei que fosse Tony.-disse um tanto envergonhado ajeitando os óculos e dando um sorriso tímido.
-Tudo bem. Eu queria me desculpar por ontem.-caminhou até o lado do mesmo e sentou na cadeira que ali havia.-Andressa precisava de mim.
-Ela está bem? Oque aconteceu com ela?-ele também sentou na outra cadeira que também havia ali de frente a Catherine.
-Não Bruce, Andressa não está nada bem. Quando ela era menor, o pai do irmão abusava dela. Ela contou, sei que isso era oque mais a atormentava, mas sei também que ainda falta coisa, mas não posso força-la a dizer.-ela cruzou as pernas, dessa vez não estava de vestido nem de saia, estava de calça, Jeans.
-Oque acha que pode ser oque ela não contou?-os olhos desviaram das pernas de Catherine, para as próprias mãos.
-Não faço ideia Bruce.-ela se levantou passando as mãos sobre o cabelo, Bruce olhou a mesma, ela estava totalmente diferente, até mesmo no dia anterior em que eles haviam tido um encontro, que fora interrompido pela ligação de Natasha, ela parecia mais formal, entretanto, naquele momento ela estava de jeans, camiseta, tênis e um casaco, parecia até mesmo uma adolescente, mesmo com 36 anos, ele podia ver o corpo esguio marcado pela camiseta e pela calça jeans, e ele a desejava.-Bruce.-escutou a voz da mesma.
-Sim.
-Você está bem?
-Sim, é que você está tão...
-Desarrumada?
-Informal, jovem. Nem mesmo ontem você estava assim.
-Não tive uma noite muito boa, a tarde ao seu lado foi ótima Bruce, mas a noite, descobrir que Andressa era abusada, e lembrar da forma que ela estava assustada. É uma pena que isso tenha acontecido a ela. Agora intendo o porque dela ser agressiva e fechada.
-Sinto muito por ela.-disse sincero.
-Mas, ontem, não conseguimos terminar nosso encontro.-riu para Bruce.
-Não, não conseguimos.-ele concordou rindo junto a ela.
-Poderíamos marcar outro dia?
-Quando quiser.-disse ajeitando os óculos no rosto como sempre fazia, isso já era como... Uma mania.
-Ótimo. Tenho que ir agora, tenho que conversa novamente com Andressa.-Disse e saiu porta a fora.
Bruce apenas riu com a ideia de está apaixonado, ele sabia que homens como ele, homens? Só existia ele daquela forma, riu pensando na verdade e sentindo o gosto amargo na boca, ele devia se afastar de Catherine, mas a verdade era que ele não conseguia e nem queria.
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Ele estava na sala, sentado de frente a televisão desligada, a xícara com café em sua mãos já havia esfriado, tornando o liquido amargo e sem graça. Ele ainda podia escutar o choro da irmã, ainda podia ouvir o pedido dela, na primeira vez que tivera um pesadelo quando ainda morava com ele, ainda podia sentir o pescoço molhado pelas lágrimas dela, e sempre o mesmo pedido "por favor, para está doendo."
Ele acordou dos pensamentos assim que escutou as batidas na porta, as batidas eram impacientes, com pressa e até mesmo desespero. Clint andou rápido, não queria dizer nada, assim que abriu a mesma deu de cara com Tony.
-Aonde ela está.-ele perguntou sem rodeios, saber que a morena chamou por ele e ele não estava porque estava com... O destruía por dentro.
-Não está aqui. Foi até a base vê a menina que salvamos ontem e disse que daria uma volta pela cidade, pois precisava de espaço.-Clint respondeu sem emoção nem sentimento algum.
-Como ela está?
-Saberia se estivesse ontem ao lado dela.
-Barton...
-Como acha que ela está? Ela era estuprada, ela está péssima, não estava preparada a falar. Agora nem mesmo sei se ela irá voltar.- ele ainda lembrava quando havia falado com a irmã mais cedo, a voz dela estava cheia de sentimentos e duvidas, ela havia dito que iria voltar, mas ele sentiu que aquilo poderia ser palavras que ela poderia deixar para trás, com medo de voltar.
-Eu acho que sei aonde ela está.-Tony já estava praticamente no elevador novamente quando disse as palavras. Ele sabia o lugar aonde procurar, então se pois a ir o mais rápido possível.
A cidade ficava para trás a cada metro que o carro andava, ele acelerou o mais rápido possível, pedia a Deus, se é que existia um, para que ela estivesse lá, para que ela não tivesse ido embora. Oque ele mais queria agora era acolher ela nos braços e fazer tudo ficar bem. Estacionou o carro, e começou a subir, levou alguns escorregões, afinal, a terra estava molhada devido a chuva que havia caído no começo da manhã. O vento estava frio, mas mesmo assim ele continuou a subi. Quando finalmente conseguiu chega no topo, agradeceu mentalmente assim que viu a imagem da morena sentada de costas para ele enquanto observava a imagem de NY, os cabelos voavam com o vento frio, mas ela não parecia se importa, a verdade é que ela não parecia sentir nada, Tony se aproximou lentamente, sentou ao lado dela e viu o rosto pálido dela que estava molhado pelas lagrimas. Ele a abraçou, ela tentou recua, mas ele a abraçou com força até ela ceder e chorar nos braços dele.
-Aonde você estava, Tony?
-Por ai. Passei a noite em um hotel.-ele não havia mentido, mas a noite não havia passado sozinho.
-Porque? Porque você me deixou ontem? Eu precisava tanto e você.
-Estou aqui agora.-segurou o rosto da mesma com as mãos, ela estava fria e mais do que nunca vulnerável.-Você está fria. Vamos para a torre.-disse tentando levantar e ajudando a mesma.
-Não vou para a torre, não agora, tenho que ir para o apartamento de Clint, tenho... Catherine... Vamos conversar mais.-disse respirando fundo, abraçando o próprio corpo.
-Não precisa ir, não hoje. Vamos para a torre?-pediu enquanto tirava o casaco que vestia e colocava sobre os ombros da morena.
-Não, disse a Clint que iria voltar.-olhou nos olhos de Tony que apenas assentiu em silêncio.
Eles voltaram no carro de Tony, por mais que a morena dissesse que devia levar a B.M.W. Mas Tony disse que não importava e que depois mandaria Happy ir buscar. No caminho de volta ela não disse nada, a única coisa que fez foi suspirar assim que percebeu que estava próxima do apartamento de Clint e que reviveria mais uma vez o terrível passado. Tony estacionou e entrou logo atrás dela.
-Jow.-disse dando um meio sorriso ao porteiro que riu de volta, mas que desfez o sorriso assim que viu Tony.
Subiu abraçada a Tony até o apartamento de Clint, bateu a porta com pesar, que foi aberta pelo irmão, ele a abraçou e ela logo viu Catherine.
-Doutora.-riu para a mesma e entrou no apartamento.
-Andressa. Como passou a noite?-Catherine perguntou colocando a xícara de café em cima da mesa de centro que havia ali, se levantou pegando nas mãos da morena.
-Bem. Dormi a noite toda.-e ela agradeceu mentalmente por isso, não houve pesadelos.
-Isso é bom, muito bom mesmo.-Catherine disse com a mesma voz suave de sempre.
-Preciso ir ao banheiro.-deu um sorriso sem graça e andou até o mesmo. Entrou com a bolsa mesmo, trancou a porta. colocou a bolsa em cima da pia e tirou de lá um frasco de calmantes, havia comprado naquele mesmo dia, depois de comprar o urso que havia dado a Annabely, despejou quase o conteúdo todo na mão, respirou fundo se olhando no espelho enquanto acariciava os pequenos comprimidos, ela havia prometido a Marie que nunca mais faria isso, mas a dor era tão intensa que ela sentia que aquela era a única forma de acabar com tudo.-Seria tão mais fácil.-agora ela olhava para as mãos com os comprimidos brancos. Pensou em Clint, pensou em Tony e até mesmo em Catherine que estavam lá fora. Mas não fez, jogou os comprimidos no vaso e deu descarga. Lavou o rosto, pegou o frasco que ainda tinha metade dos calmantes e voltou a guarda na bolsa.
-Está bem?-Tony perguntou assim que a viu voltar para a sala.
-Aham.-disse forçando um sorriso e sentou no sofá de frente a Catherine.-Podemos começar doutora.
-Tudo bem. Como está se sentindo?
-Transparente.
-Se sente melhor em ter contado seu segredo?
-Acho que eu devia me sentir mais tranquila, mas não me sinto.
Houve um momento de silêncio, Andressa não olhava para ninguém, parecia mais distante do que no dia anterior e isso preocupou a doutora.
-Porque você acha isso? Porque não se sente tranquila?
-Porque vejo pena nos olhos de vocês. Por favor não sintam pena de mim, eu já fiz isso por anos demais.-se levantou e começou a andar de um lado para o outro.-Eu me sinto rastejando em busca de ajuda que nenhum de vocês pode me dá.
Catherine sabia muito bem sobre oque Andressa estava falando. Sabia que a morena pensava em suicídio, viu nos olhos tristes dela.
-Era dia.-ela começou a falar.-Foi logo após a primeira noite que ele havia me estuprado, eu estava sentada no chão, os lençóis da cama ainda estava sujos de sangue e eu me sentia completamente dolorida. Eu havia dormido ali, estava frio, mas eu não sentia, acordei com os passos dele dentro do meu quarto. Fui incapaz de levantar o rosto para olha-lo. Quando percebi já estava chorando, senti as mãos dele na minha cabeça, eu recuei.-Tony sentiu o coração doer, lembrou da vez que havia agarrado a morena na cozinha da torre, o pedido desesperado dela para que ele parasse, a forma que ela recuou dele, agora tudo fazia sentido.- Eu pedi para que ele não me machucasse novamente. Mas ele riu de novo, e disse que não ia me machucar, disse que só queria brincar mais de novo. Eu disse que não, ainda estava nua e suja, rezava mentalmente para que a mamãe chegasse logo, mas ainda era cedo demais e ele tinha tempo demais para abusar de mim e foi isso que ele fez, assim que eu levantei e tentei fugir ele me agarrou com uma mão só Ainda posso senti o toque dele em meu braço.-segurou o braço direito enquanto a expressão de dor vinha a tona.- ainda posso me lembrar da voz dele "Por favor minha pequena. Não me faça te bater." -repetiu as palavras que um dia tanto a atormentaram.- Eu tentei bater nele, tentei chutar, mas parei assim que ele me puxou pelo cabelo e me jogou na cama, eu não tive tempo de reagir novamente, ele enfiou os dedos em mim.-ela sentiu um arrepio tomar o corpo.-Doeu tanto, pois na noite anterior ele havia me estuprado e eu ainda estava toda dolorida. Eu queria morrer, eu queria que ele me matasse, a ter que passar por aquilo novamente. Ele continuou a tirar e enfiar os dedos em mim, várias e varias vezes. Eu não me movi mais, deixei que ele fizesse oque ele quisesse, sentia dor, mas resolvi desliga a mente.-ela se calou e voltou a se sentar de frente a Catherine.
-Quantas vezes isso aconteceu Andressa?
-Não sei, foram tantas. Mas eu passei a não me importa mais, durante anos.-ela fechou os olhos e as lágrimas voltaram a cair.
Tony, foi para a cozinha não aguentando mais escutar, se perguntou como ela não havia enlouquecido com aquilo tudo.
-E quando voltou a se importa?
-Quando tinha 15 anos, eu o empurrei da escada, no intuito de mata-lo, disse que se ele não me deixasse em paz, faria pior. Ele ficou com medo.-riu segurando o choro.-Ele ficou com, medo, de mim.
-Mas...
-Por favor doutora. Eu não suporto mais falar disso. Não me peça mais para falar, por favor.-pediu murmurando tentando não mais chorar.
-Tudo bem, tudo bem.-repetiu as palavras sentando ao lado da morena. Acariciou os cabelos dela.-Tudo bem, Andressa.-esperou que a mesma se acalmasse um pouco.- Ele não pode mais lhe machucar, eu sei que é difícil, mas você tem que deixar essa parte da sua vida para trás, você tem que esquecer ela, apaga-la.
-Não tem como. Os pesadelos... Sempre voltam.-disse ainda chorosa.
-Claro que tem, você apenas está assim pois se sentiu pressionada e o caso de Annabely a fez de lembrar de tudo exatamente como acontecia, mas você conseguira superar. Com o tempo, e paciência, tanto sua, quanto dos que estão a sua volta.-Catherine olhou Clint que permanecia num canto da sala, calado, paralisado, Tony havia voltado e agora estava de frente a morena abaixado de mãos dadas com ela.-Lembre-se, ele não pode mais lhe macucar.
-Nos sonhos pode.
-Não, não pode, não pode Andressa. Diga a você mesma que não pode. Ele não pode mais lhe fazer mal algum. Entendeu?-perguntou agora com a voz firme e a morena assentiu.-Ele não pode mais lhe machucar, nem nos sonhos, não sinta medo Andressa. Não sinta. Você ficara bem?
-Sim.
-Porque?
-Porque ele não pode me fazer mais mal.-ela respondeu como uma criança que aprendia uma lição.
-Isso mesmo. Ele não pode lhe machucar mais. Você era apenas uma criança e ele se aproveitou do fato, e mais ainda que você estava desprotegida. Você intende que não era a sua culpa?
-Sim.
-Intende que ficara bem?-ela assentiu novamente dando um pequeno sorriso para a doutora.-Você precisa dormi, descansar. Entendeu? Precisa se alimentar. Pense em coisas boas. Irá fazer isso?
-Sim.
-Eu espero mesmo que faça, espero mesmo que fique bem, Andressa. E preciso que confie em mim, que me ligue, mesmo que... Para falar qualquer coisa, gostaria muito que me contatasse por vontade própria, estarei sempre esperando para conversa com você.-Até porque Catherine sabia que ainda faltava coisas a serem ditas.
-Ficarei bem.-ela riu e recebeu um abraço da doutora.
-Agora vou embora.-Catherine riu.-Me ligue, estarei esperando.
-Obrigado Catherine.
-Eu que agradeço a você por confia em mim.-deu um ultimo sorriso e se levantou, olhou para Clint que ainda permanecia calado no canto.-Clint, poderia me acompanhar até a porta?-pediu ao mesmo que assentiu e caminhou junto a psicologa até a porta, ele parecia inquieto dentro de si.-Oque eu disse a Andressa, é o mesmo que digo para você. Durma, descanse, se alimente, esses dois dias foram difíceis para todos nós.
-Ficarei bem.
-Espero mesmo. Me telefone se precisar conversar. E lembre-se, Andressa precisa de vocês, então, fique forte e ajude-a a superar isso.-deu um ultimo aceno de cabeça para o arqueiro e foi embora.
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