Sebastian Smythe - Contos

9 Uma semana em New York City - I


Notas iniciais
Sim, meus queridos e queridas! O nosso querido Andrew ganhou um capítulo todinho só para ele, que na verdade, será dividido em dois caps, isso por que ele é um personagem qerido e importante. Para quem não lembra, Andrew é o ex-namorado de Sebastian e um grande amigo. Ele apareceu na fanfiction anterior a esta 'Sebastian Smythe - A fanfiction'. Então não o odeiem. Boa leitura!

LIMA, OH. 12 de outubro

Você já perdeu alguém? Alguém que te viu crescer, que esteve ao seu lado desde que você é capaz de se lembrar, que deu todo o amor e apoio que alguém possa precisar. Alguém que te amava e que você amasse também?

Eu não conhecia a sensação até ontem. Quando saí da aula de anatomia, na universidade, minha mãe estava me esperando do lado de fora. Foi quando conheci essa sensação devastadora.

Bem, eu nunca senti tanto a partida do meu pai, não é a mesma coisa. Quando ele nos abandonou, minha avó se tornou uma segunda mãe para mim. Já que a minha mãe estava garantindo que eu tivesse o que comer e vestir. As coisas para nós nunca foram fáceis, mas ainda assim consegui entrar na Dalton com uma bolsa integral de estudos, o que me levou a ganhar uma bolsa na Universidade de Lima também.

Você pode achar que estar ao lado de pessoas com realidades totalmente diferentes da minha me fez, de alguma forma, me sentir uma vítima. A verdade é que nunca me senti desprivilegiado pela forma que as coisas aconteceram em minha vida, na verdade, me sinto muito sortudo por todas elas terem acontecido da forma que aconteceram.

Estar perto daqueles garotos, da Academia Dalton, sempre me fez sentir sortudo. Sortudo por que pude ver de perto o quanto aqueles garotos, que tinha tudo ao alcance de suas mãos, mas na verdade não tinham nada. Garotos cheios de problemas ou querendo se meter em algum.

Sebsatian foi o vaso mais quebrado que encontrei naquele lugar. E agora, pela primeira vez, consigo entender o que ele tem tentado me dizer ha muito tempo, sobre a perda de alguém que se ama. A linha tênue entre a vida e a morte é uma piada sádica que não tem um pingo de graça. Você para e percebe como tudo é frágil e vulnerável. Há uma hora tudo está bem e no segundo seguinte... BAM! Já era. Tudo muda.

A única coisa boa nesse mar de tristezas é que pude ver Sebastian novamente, após três anos. Entro na pequena sala de estar que exala um forte aroma de café. Lá está ele. Quieto tomando café da caneca que segura enquanto observando os quadros espalhados pelo cômodo.

Me encosto no batente do vão de passagem do hall para a sala, cruzando os braços enquanto o observo em silêncio. Sebastian solta um risinho enquanto observa uma foto antiga, em que a minha versão de cinco anos está vestida como um peregrino para uma peça de Ação de Graças na pré-escola. Ele sempre gostou dessa foto.

– Oi. – falo calmamente para não assusta-lo. – Vai ficar aqui? Disse que podia me esperar no meu quarto.

– Eu sei, – ele diz ao se afastar da foto e se sentando no sofá. – mas achei que seria ficar estranho com a sua mãe aqui.

– Ela não se importaria. – me jogo no sofá ao seu lado. – Falando nisso, cadê ela?

– Disse que ia ao mercado. – ele toma uma grande golada da caneca em sua mão. – Mas acho que ela só não quer ficar em casa. O que é compreensível, eu fiquei assim também quando perdi minha mãe.

– Hmm. – me reclino no encosto do sofá enquanto passo os dedos pelos meus cabelos.

– Como foi o banho? – ele pergunta casual. É realmente bom o quanto ele se esforça para tentar me animar.

– Bom. – digo apático.

– Café? – ele oferece a caneca para mim.

– Não, valeu. Eu não quero ficar acordado. – recuso. – Além do mais eu tomei um monte de calmantes.

– Tudo bem. – ele volta a tomar seu café. – Eu tava com saudades do café da sua mãe.

– O café dela é horrível. É muito forte. – falo sem emoção.

– Eu sei. Por isso que eu gosto. – ele diz rindo.

Como mágica sua risada me faz abrir um sorriso. O observo em silêncio enquanto faz careta ao beber o café. É engraçado, mas também é de dar pena.

– Sebastian, você não precisa tomar o café ruim dela só por que ela te forçou. – retiro a caneca de sua mão tão rápido que ele nem percebe.

Deposito a caneca sobre a mesinha de centro voltando a me reclinar no sofá.

– Não arranque o café de um cara que precisa muito de cafeína, cara. – ele dá um soquinho na minha perna antes de recuperar a caneca.

Tudo o que mais preciso agora é de um colo que eu possa me sentir acolhido. A boa notícia é que, para a minha sorte, o melhor colo do mundo está a apenas trinta centímetros de distancia de mim. A má notícia é que há três anos o dispensei para que ele pudesse ficar com outro cara e eles ainda estão juntos. Eu tenho que parar de ser o moçinho.

– Eu entendo agora. – falo olhando para o teto. – O que vivia me dizendo.

– O que?

– Sobre essa dor. É um novo tipo de dor. – suspiro ruidosamente. – Entendo o por que da minha mãe não querer ficar em casa e tudo o mais. São lembranças de mais.

– Eu sinto muito, Andrew. – ele lamenta.

– Sabe, vai ser um saco ficar nessa casa esses dias. – me queixo.

– Você não vai voltar para o campus?

– A universidade me deu três dias livres pelo luto, então... Vou ter que ficar aqui.

Sebastian bebe mais do seu café enquanto pego o controle remoto da televisão. Começo a passar os canais com a programação uma pior do que a outra, até que optamos pela mais ridícula possível.

Era uma coisa que costumávamos fazer quando tínhamos algum tempo livre. Ficávamos em casa assistindo a uma novela mexicana e mudávamos para o idioma original, enquanto tentamos descobrir o que está acontecendo.

– Não seja ridículo, não foi isso o que ela disse. – retruco.

– Mas é claro que foi! – diz quase aos berros e rindo.

– Deus, Sebastian. – digo passando a mão em meus cabelos com indignação e me descabelando. – A Maria Lurdes não vai ser sequestrada por um nacho gigante.

– Você, por acaso, consegue se ouvir? – ele diz sério. – Não seja ridículo, Eisenhower. É claro que ela vai!

– E sou eu quem é o ridículo aqui? – pergunto indignado.

– Sim. – ele diz enfático.

Assistimos até o final do capítulo que finaliza com o emocionante e inesperado, sequestro de Maria Lurdes por Oscar Luis, o vilão, que surpreendentemente se vestiu como um nacho gigante para se disfarçar como mascote de um restaurante.

– O que? – questiono incrédulo. – Como isso é sequer possível?

– Quem é o ridículo agora, hmm? – Sebastian bagunça ainda mais meus cabelos afim de me irritar.

– Você continua sendo o ridículo. – afirmo.

– Tudo bem. – ele diz desligando a televisão e se virando para mim. – Eu estive pensando e sei que isso pode soar a coisa mais louca do mundo, mas... Por que você não passa essa semana em New York comigo?

Aquilo é, no mínimo, inesperado, mas uma fagulha dentro de mim se acende. Nunca sai do estado de Ohio para nada na minha vida, mas o motivo para isso sempre foi muito claro. Dinheiro. Ou melhor, a falta dele.

– Eu não sei Sebastian. – hesito.

– Você vai! – não sou eu e nem Sebastian quem afirma, mas sim minha mãe. Ela surge pela porta de entrada da sala com apenas uma saca com compras de mercado. – Eu não quero você enfornado aqui dentro.

– Não é legal ouvir a conversa dos outros, mãe. – falo sem emoção para ela. Talvez, por um segundo que seja, ela tenha esquecido que não temos dinheiro para isso.

– Não importa! – ela responde ríspida.

Vejo Sebastian segurar a caneca com o café que havia desistido de tomar horas atrás e voltando a toma-lo. Sebastian contorce o rosto enquanto bebe o café gelado, tentando não atrair a atenção de ninguém.

Minha mãe é durona, sempre foi. Mesmo Sebastian jurando que não tinha medo dela, agora está bem claro que sim, ele tem. Ainda mais com ela falando ríspida daquela forma.

– Eu sou a sua mãe e estou mandando você ir a New York para espairecer um pouco. – ela acrescenta. – Com juízo.

– Mãe, as passagens são caras. – tento lembra-la.

– Eu tenho juntado milhas e já temos o suficiente para passagens de ida e volta.

– Bom, – olho para Sebastian, que a essa altura já tomou seu café, e me olha com cautela. – então eu acho que vou para New York com você.

Sebastian abre um largo sorriso, assim como minha mãe.

– Eu tenho certeza de que vocês vão se comportar muito bem. – ela diz para nós.

– Sim. Pode ficar tranquila, Angela. – Sebastian diz antes mesmo que eu possa abrir minha boca para responde-la. Aquilo me faz sorrir.

• • •

Mais tarde, naquela noite, em meu quarto, Sebastian e eu conversamos antes de nos deitarmos para dormir.

– Eu ainda não acredito que vou para New York. – falo.

– Acredite. – ele diz sorridente. – Você vai conhecer um monte de gente sem educação.

– Você não gosta de lá? – pergunto confuso.

– Eu amo aquele lugar, – ele tira o terno o pendurando sobre a cadeira da escrivaninha. – mas sei que tem um bando de gente lunática e sem educação lá.

– Você tem um jeito esquisito de mostrar o seu amor pelas coisas. – digo enquanto me visto uma camiseta de manga longa confortável e uma calça moletom para dormir.

– É, eu sou assim.

– Você quer uma roupa confortável? – o observo enquanto tiras os sapatos. – Vai dormir com esse terno que foi ao enterro?

– Eu posso tirar se isso te incomoda, – ele diz cauteloso. – mas nosso voo sai em cinco horas, então acho que nem vou dormir.

– Não, tudo bem. – digo sincero. – Na verdade você fica muito sexy nesse terno. Seria um desperdício fazê-lo tirar.

Ele sorri envergonhado enquanto balança a cabeça negativamente e encara o chão. Sebastian não me censura por ter flertado com ele, não se foi por pena ou por que alguma coisa mudou. Talvez aquela porta que trancamos ainda possa ser reaberta entre nós.

– Se você não vai dormir, então pode ficar me fazendo companhia até que eu durma? – não me culpe por tentar.

– Claro. – ele diz solicito.

Sebastian se deita ao meu lado na cama. Repouso minha cabeça sobre seu peito enquanto ele me envolve pela cintura. “Obrigado por ficar.” sussurro baixinho enquanto ele acaricia meu braço sem malícia. Algumas horas passam até que eu caia finalmente no sono.

• • •

Uma mistura de sonhos conturbados me faz acordar. Minha camiseta está encharcada de suor no peito e nas costas. Esfrego meu rosto tentando recobrar a onde estou. Olho para o relógio e são apenas onze da noite. Esfrego meu rosto, chamo Sebastian, mas ele não responde. Acendo o abajur no criado-mudo ao meu lado e não há sinal de que Sebastian estivesse ainda ali. Seus sapatos e terno haviam sumido com ele.

Me levanto da cama aos tropeços. É uma noite fria que está fazendo, sou obrigado a pegar um casaco para vesti-lo enquanto ando pela casa à sua procura.

– Sebastian? – o chamo da porta do banheiro. Ninguém responde.

Do lado de fora da casa, ouço alguém tossindo violentamente repetitivas vezes. Olho pela janela do lado de fora, na calçada, vejo Sebastian sentado. Ele tem entre seus dedos um cigarro que leva até a boca. Meus olhos se arregalam enquanto tento processar aquela informação bizarra.

Sebastian deita sobre a calçada com as pernas estendidas na rua, enquanto traga novamente. Irrompo delo jardim marchando até ele. Antes que eu possa falar qualquer coisa, ele abre os olhos, se assustando com a minha repentina aparição e exclamando “Puta merda!”, enquanto repousa a mão sobre seu coração. A cinza quente do cigarro cai sobre seu peito o queimando instantaneamente.

– Ah, cacete! – pragueja ao se sentar para tira-la de cima de si.

– O que está fazendo? – pergunto ríspido.

– O que acha que estou fazendo? – responde amargurado, já prevendo o quem vem pela frente.

– Desde quando você fuma? – Arranca o cigarro de sua mão e o lanço no meio da rua.

– Esse foi o meu primeiro. – ele aponta para o cigarro recém atirado na rua, calmamente – Você está poluindo a rua.

– E você o seu pulmão. – dou um tapa doido em seu ombro. – Por que está fazendo isso?

– Por que não pude comprar vodka no aeroporto. – Sebastian responde sem emoção e sem dar importância a gravidade para o que estava fazendo para si.

– Você perdeu a cabeça? – as palavras são cuspidas com raiva de minha boca. – Essa porcaria mata. Nós acabamos de sair de um funeral. Você quer outro?

Sebastian não retruca, não esbraveja e argumenta. Ele me olha quieto enquanto discurso o quanto aquilo é errado e o quanto burro ele é por fazer isso. A única coisa que ele faz é enfiar seu rosto em suas mãos, o escondendo. Sei que ele vai começar um discurso de que não se importa, que para ele aquilo não faz diferença, mas nunca chega a discursa-lo. Para a minha surpresa, seus ombros começam a balançar freneticamente enquanto, aparentemente, chora.

– Sebastian? – o chamo espantado. Me agacho ao seu lado repousando minha mão em suas costas.

– Desculpa, é só que eu não sou bom em lidar com isso. – ele fala entre soluços – Eu não estou conseguindo ligar com isso.

– Isso o que? – pergunto alarmado.

– Blaine. – ele tenta enxugar os olhos, mas novas lágrimas se formam em seus olhos.

– Tudo bem, eu preciso mais do que “Blaine” para entender o que está acontecendo. – digo tentando acalma-lo. Eu não sou muito bom nisso.

– O Blaine terminou comigo. – ele tenta se controlar, mas também não é muito bom nisso. – Ele falou que achava que ainda sentia alguma coisa pelo Kurt, então pediu um tempo. O que é só outro jeito de terminar com alguém. Você dá esperança a ela, mas na verdade tudo acabou.

Tudo começa a fazer sentido para mim. Sento ao seu lado passando meu braço em torno de suas costas, tentando conforta-lo. Pelo que posso me lembrar, Kurt é o ex-namorado de Blaine, o que torna a situação muito pior, por que, até onde eu sei, Sebastian odeia esse tal de Kurt.

– Eu sinto muito em saber disso, – digo sincero tentando consola-lo – mas isso não é desculpa para viver chapado.

– O que mais eu posso fazer? – sua voz começa a voltar ao normal conforme volta ao controle de si. – Eu não consigo estudar, comer ou dormir. Eu não durmo sem remédio ou não durmo sem cair de bêbado.

Então, novamente, me deparo com aquele garoto inseguro e quebrado que conheci anos atrás na Academia Dalton. Eu consigo ter uma visão muito clara e nítida do que Sebastian quer. Ele quer o que você quer, eu quero e que todos nós queremos para nós mesmo: Ser amado.

– Olha para mim, Sebastian! – ordeno puxando seu rosto para me encarar. – Você é um idiota! Mas é um cara incrível e se ele não quer você, é ele quem sai perdendo.

– Não precisa tentar me animar, eu preciso sentir essa dor. – ele consegue se desvencilhar de minhas mãos. – E você tem a sua própria dor para sentir.

O obervo em silêncio o grato frágil e carente na minha frente. O problema de Sebastian é que ele é cabeça dura e não importa o que eu diga e o quanto eu diga que aquilo tudo é bobagem, não vou convencê-lo.

– Tudo bem. – digo me levantando. – Me dá o maço de cigarros que esqueço o que vi aqui.

– Não. – ele diz irritadiço.

– A menos que você queira – o aponto ameaçadoramente. – que eu acorde a minha mãe e diga que você estava fumando, no seu lugar, eu me entregaria esse maço agora.

Eu não me orgulho de ter tido que apelar para a minha mãe, mas quais outras alternativas eu tinha? De qualquer forma isso funciona. Sebastian me entrega contragosto o maço e o lanço dentro da lata de lixo externa da casa.

Sebastian me conta o que aconteceu no casamento e como Blaine o dispensou. Sua reação àquilo é, no mínimo, plausível e aceitável. Eu no seu lugar teria ficado dez vezes pior. Mas o pior de tudo é que, apesar do Blaine ter sido o cara mais babaca de toda a galáxia, Sebastian ainda o ama.

– Acho melhor você voltar para cama e dormir. – ele diz cabisbaixo.

– Você vem comigo. – o puxo para se levantar. – Não confio em você sozinho de novo.

Acaricio suas costas enquanto entramos em casa, subimos as escadas e voltamos ao meu quarto.

– Você só está tendo um mês ruim. – digo o ajudando a tirar seu paletó.

– Na verdade, eu estou tendo uma vida ruim, Andrew. – ele afirma desanimado.

Uma vez já deitados na minha cama, acaricio seus cabelos macios enquanto deposito um beijo carinhoso em sua bochecha, que está gelada por ter ficado tempo demais exposto ao frio que faz lá fora. Não posso negar que a sensação de tê-lo de volta, deitado na cama, ao meu lado é incrível, mas ainda assim me sinto mal pela sua dor.

O observo em silêncio na escuridão. Se ele não está mais com Blaine, isso significa que há esperança para nós dois. A minha mais sincera vontade é que agarra-lo ali e agora, mas que tipo de amigo eu seria se fizesse isso agora? Um não muito bom, eu garanto.

Acaricio seu peitoral com carinho enquanto mordisco meu lábio inferior, tentando me contralar para não executar nenhuma das ideias que rondam em minha cabeça.

New York, NY – 13 de Outubro.

Sebastian abre a porta de seu apartamento para que eu entre primeiro. É realmente incrível. Muito parecido com um loft, seu espaço é bem aberto. Ao lado da porta de entrada, com apenas uma pequena elevação de diferença do resto do apartamento, fica a cozinha. Há duas portas que dá passagem a dois cômodos no lado direito do apartamento.

Os ambientes do apartamento são designados apenas pelos moveis dispostos nela. Uma grande janela, perto da mesa de jantar, mostra a bela vista que o lugar tem da cidade.

– Então é aqui que você mora agora? – olho em volta enquanto coloco minha mochila em cima do sofá.

– É sim. – Sebastian diz trancando a porta do apartamento logo após entrarmos. – O que achou?

– Já vi piores. – o provoco.

– Idiota. – ele revira os olhos sorrindo.

– Nossa, tem um monte de garrafa espalhada aqui. – digo ao passar entre o sofá e a mesa de centro.

– É, desculpa por isso, — ele diz, mas não se importa de verdade. – eu passei uma fase ruim.

– Tudo bem, qual vai ser a nossa programação? – digo me largando no sofá super confortável.

– Que programação? – ele pergunta confuso ao se aproximar.

– Como assim? Você vai me levar para conhecer os pontos turísticos da cidade.

– Ah, tudo bem, mas eu ainda vou ter que ir para a faculdade. – ele alerta.

– Qual é? – dramatizo. – Eu vim para a cidade de New York para ficar enfornado dentro do seu apartamento sujo? Eu quero assistir um musical na Broadway, ver de perto o Empire State, passear pelo Central Park, tirar uma foto com a Estátua da Liberdade e a ponte do Brooklyn atrás de mim. Quero andar pela Times Square, visitar o memorial do 11 de setembro, visitar o estádio dos Yankees.

– Nossa! – Sebastian ri com toda a minha animação. Sua risada é tão gostosa que me faz relaxar os músculos em meu corpo. – Tudo bem, a gente visita todos esses lugares. Mas a temporada de baseball já acabou, então acho meio difícil a gente conseguir entrar no estádio dos Yankees.

– Eu já fico feliz se formos a loja deles.

– Tudo bem. – ele diz sorridente.

– E tem mais uma coisa. Eu quero muito mesmo visitar a Metropolitan.

– Metropolitan? – ele pergunta confuso.

– Sim! É o terceiro melhor bar gay da América. – ele franze o cenho como se nunca tivesse ouvido falar daquele lugar. – Nunca foi lá?

– Não. E não acho uma boa ideia a gente ir.

– Por que não?

– Por que eu não estou a fim de me lançar no meio de caras cheios de tesão. – ele fala desanimado. – Eu acabei de ser chutado, não quero ficar falando não a noite inteira.

– Confia em mim, eu não vou deixar ninguém chegar perto de você, prometo.

– Claro, — ele ironiza. – até que você encontre um cara pra montar.

– Vai, Sebastian, eu não vou te abandonar. – insisto. – E quero muito conhecer esse bar, por favor. Eu nem sei quando vou ter dinheiro para voltar para esse lugar.

– Tudo bem. – ele diz contra a própria vontade. – Eu tenho que ir para a aula, mas gente vai quando eu voltar da aula.

Sebastian segue para seu quarto, sabe-se Deus o por que.

– E o que eu faço até lá? – olho em volta.

Ele não me responde, tudo o que ouço é Sebastian falar um “Mas que merda!”. Me levanto do sofá pra segui-lo. Encontro Sebastian encarando um monte de malas em seu quarto.

– O que é isso? – olho das malas para ele.

– São as coisas que esqueci na casa do Blaine. As coisas que peguei antes de sair da casa do Anthony. – ele explica sem emoção.

– E o que tem?

– Acho que ele só está querendo se livrar de mim. – ele fala sinceramente magoado.

Sebastian encara as malas em silêncio até que sacuda a cabeça negativamente e me encara com um aspecto novo e renovado, como se aquilo não o tivesse afetado, o que é uma grande mentira, por que aquilo o afetou.

– Você não vai ficar aqui. – ele diz sorrindo. – Você vai comigo para a aula e depois a gente decide o que faz.

– Sério? – arfo em desagrado.

– Qual é? Vai ser legal.

Mesmo não acreditando, nenhum segundo sequer, em sua promessa de que aquilo “vai ser legal”, ainda assim concordo. É incrível a velocidade que se chega aos lugares aqui com o metrô. Se você superar o fato das inúmeras pessoas esquisitas ao seu lado, então você vai apreciar um passeio pelo metrô de New York

• • •

Eu diria que o dia foi bastante comum, talvez tenha sido para um aluno da NYADA, mas não para mim. Os alunos são impressionantes e muito talentosos, realmente dá para ver novos talentos de Hollywood surgindo dali. Acompanho Sebastian de perto a todo momento, por que tudo ao meu redor me impressiona. É somente durante o horário do almoço que temos uma folga para voltarmos a conversar.

– Você precisa parar de ficar de boca aberta. – ele diz levantando meu queixo para que eu feche a boca enquanto vejo uma garota se contorcer no meio do corredor. Aquilo, em mundo nenhum, é normal.

– Eu não percebi. – digo constrangido. Aquilo tudo é muito além do que eu estou acostumado.

– Vamos almoçar. Eu to morrendo de fome. – ele diz abrindo caminho entre a multidão para passarmos.

– Tem que estar mesmo. Você ensaiou uma dança por três horas e meia. – digo inconformado. – Como é que você aguenta isso?

– Bom, você deve treinar o mesmo tempo, todos os dias. – ele explica. – É a mesma coisa.

– Mas treinar esportes não exige tanto, como memória e essas coisas. – afirmo.

– É simples, a repetição deita tudo mais fácil.

Entramos em um restaurante, no lado externo da universidade, mas ainda dentro do campus. Ocupamos uma mesa no canto, perto da janela, enquanto esperamos o nosso pedido.

– Mas isso parece um saco. – contraponho.

– Eu gosto de dançar, você gosta de correr atrás de uma bola com um bastão com uma rede na ponta. Tanto faz. – ele diz rindo.

– Tudo bem. Vamos fingir que é a mesma coisa. – digo sorrindo antes que mude de assunto. – Falando em dançar, nós vamos no Metropolitan hoje?

Um grande não categórico vai sair de sua boca, mas junto minhas mãos para implorar. Abro um largo sorriso enquanto uso a minha cara de criança pidona, o que infalivelmente faz Sebastian ceder.

– Tudo bem. – ele concorda finalmente.

– ISSO! – comemoro.

• • •

É desrespeitosa a quantidade de pessoas bonitas que circulam dentro do Metropolitan. Eu não posso deixar de encarar todos os caras que me atraem, o que faz Sebastian chamar a minha atenção cinco ou quinze vezes. A noite é apenas para rapazes, então não há nenhuma garota em todo local.

– Caramba, esse lugar é incrível! – digo pela milionésima vez naquela noite.

– Meh. – Sebastian dá de ombros enquanto bebe uma doze de cowboy no bar.

– Meh? – repiro rindo.

– Meh! – ele concorda.

Cutuco sua cintura enquanto tento arranca-lo do bar para que ele dance comigo.

– Você vai ficar aí bebendo a noite toda?

– Esse é o plano. – ele concorda pedindo uma nova doze para o bartender.

– Será que você não percebe o que está fazendo? – pergunto incrédulo. – Você fica aí, se privando de toda a graça da vida, por que um idiota decidiu que não estava tão afim assim de você?

– Me deixa, Andrew. – ele pede desanimado.

– Não, eu não vou deixa. – sento no banco ao seu lado. – Qual é o problema com você? Você é jovem, gostoso e talentoso. Tem milhares de caras gostosos aqui dentro que gradeariam ate a morte para que você olhasse para eles.

– Andrew, vai dançar, vai. – ele não dá a mínima para o que digo.

– Nós sabemos que só existe um único meio de eu parar de te infernizar.

– Você venceu. – ele bufa antes de se levantar.

Sebastian e eu vamos para o centro da pista de dança. Ele é melhor dançarino que eu, sempre foi e mesmo bêbado ele faz isso muito melhor do que eu. As músicas mudam de Will I. Am., Lady Gaga, Beyoncé, Nicki Minaj, Madonna, mas é quando o DJ toca C’mon da Ke$ha, que a galera surta na pista de dança.

Saw you leaning against that old record machine

Saw the name of your band written on the marquee

It's a full moon tonight so we gettin' rowdy

Yeah, we gettin' rowdy, get-get-gettin' rowdy

Dançamos libertando todas nossas frustrações, preocupações e almas no processo. Sebastian move os lábios cantando a letra junto com a música. Ele mau consegue conter sua felicidade enquanto dançamos.

Feeling like I'm a high schooler sipping on a warm wine cooler

Hot 'cause the party don't stop, I'm in a crop top like I'm working at Hooters

We been keepin' it PG but I wanna get a little frisky

Come gimme some of that, yum like a lollipop, let me set you free

Envolvo seu pescoço com meus braços. Meus dedos se prendem nos cabelos de sua nuca. Sebastian me olha abobado. Beijo a lateral de seu queixo sem desgrudar meus lábios de seu rosto. Subo meus lábios até que toquem os de Sebastian.

C'mon 'cause I know what I like

And you're looking just like my type

Let's go for it just for tonight

C'mon, c'mon, c'mon

Now don't even try to deny

We're both going home satisfied

Let's go for it just for tonight

C'mon, c'mon, c'mon

Seus lábios passam pelos meus com pressa, nossas línguas se encontram fazendo meu corpo se acender. Dançamos a música totalmente fora do ritmo por que estamos ocupados demais nos beijando.

I don't wanna go to sleep

I wanna stay up all night

I wanna just screw around

I don't wanna think about

What's gonna be after this

I wanna just live right now

C'mon

Em poucos minutos estamos invadindo o banheiro feminino, que está vazio. Nos beijamos com urgência. Sento sobre a larga bancada com várias pias. Puxo Sebastian para mim o encaixando entre minhas pernas, entrelaçando-as com ele entre elas.

Do lado de fora do banheiro, o som abafado de Can’t Feel My Face do The Weeknd toca. Eu não posso imaginar quantas vezes eu me imaginei fazendo isso novamente com ele. Minhas mãos passam pelo seu corpo o explorando, é notável o ganho de músculos que ele teve desde a última vez que coloquei as mãos em seu corpo.

Sebastian abandona minha boca para explorar meu pescoço enquanto segura minhas mãos na pia, me impedindo de movimenta-las. Sempre gostei do jeito dominador dele. Tudo o que sou capaz de fazer é ficar quietinho enquanto ele faz o que bem entende comigo.

Fecho os olhos enquanto ele explora meu pescoço. Arfo em prazer, mas alguma coisa me distrai, me fazendo abrir os olhos. Dois homens entram no banheiro, mas ao nos ver, o da frente diz : “Já está ocupado.” Sebastian não dá a mínima em nem se interrompe.

Quando ele permite que eu mova minhas mãos novamente, encho minha mão com o seu pau sob a calça jeans que veste. Quando tento tira-lo para fora, Sebastian recua. “Assim não.” ele pede segurando minhas mãos sem força. “Qual é, Sebastian? Nós estamos solteiros e faz um tempo considerável que não transo.”. O puxo para voltarmos a nos beijar, mas ele se afasta novamente algum tempo depois.

– Eu não acho que isso foi uma boa ideia. – ele contorce o rosto.

– Sebastian, você se lembra do que falamos quando a gente terminou? – tento convencê-lo. – Se não desse certo com aquele cara, a gente voltaria.

– Eu sei, mas não é tão fácil assim. – ele afirma.

– Então faça ficar fácil. – digo irritadiço.

– Andrew. – ele segura meu rosto entre suas mãos. – Eu amo ele. E não dá para simplesmente esquecer isso só para a gente foder. Ainda mais num banheiro de uma boate.

Afasto suas mãos de mim irritado.

– Falou o cara que trepou com um desconhecido em no depósito de um bar. – digo descendo da bancada.

– Eu não sou mais esse cara, Andrew. – ele tenta argumentar.

Respiro fundo enfiando meu rosto entre minhas mãos o esfregando. Se eu quero tê-lo de volta, não vai ser desse jeito que vou conseguir.

– Desculpa, eu não fiz isso da forma certa. – digo calmamente. – Só vamos voltar pro seu apartamento.

– Me desculpa. – ele pede.

– Ta tudo bem, Sebastian. – digo tentando acreditar naquela mentira. – Vamos, seu gambá bêbado.

• • •

Na manhã seguinte, enquanto bebo uma caneca de café forte sentado em um banco da cozinha, vejo Sebastian se arrastando do seu quarto para a cozinha.

– Bom dia, princesa. – o comprimento achando graça de seu estado lixo humano.

– Ah, fala baixo! – Sebastian tampa seu rosto o esfregando. Aquilo só me faz achar mais graça.

– Nossa essa ressaca deve estar de foder, em? – me levando para servir-lhe café.

– Shhh! – ele suplica.

Sebastian começa a falar, mas somos interrompidos por um barulho na maçaneta da porta. Alguma coisa é empurrada contra fechadura e poucos segundos depois a porta está sendo aberta.

Me contorço para ver quem adentra pelo apartamento. Um cara de cabelos muito escuros cacheados entra com muitas malas atrás de si. Rapidamente, ele encontra o olhar pasmo de Sebastian, que o encara.

– Oi. – ele diz constrangido.

– Oi? – Sebastian diz confuso.

– Oi! – digo. Ambos me olham como se não tivessem notado minha presença lá antes.

Ele me encara sério. Alguma coisa me diz que me ver ali, lhe causa dor. Ele volta a olhar para Sebastian para dizer:

– Você está ocupado? – ele pergunta pouco a vontade com a presença de um cara desconhecido fazendo companhia a Sebastian.

– Não. – Sebastian diz vidrado em Blaine. – Esse é meu amigo Andrew. Andrew, esse é o Blaine.

– Oi Andrew. – Blaine olha rapidamente para mim para voltar a olhar para Sebastian.

Há sofrimento e arrependimento em seus olhos. Eu provavelmente deveria inventar qualquer desculpa ridícula para sair dali e deixa-los à sós, mas eu quero muito ver isso.

– Oi, Blaine. – digo acenando sorridente para ele.

– Será que eu posso falar com você? – Blaine pede a Sebastian voltando sua atenção para ele.

– Não, não pode. – Sebastian diz ríspido. – O que você está fazendo aqui?

– Sebastian, eu estou ligando para você há semanas. – Blaine fala desesperado com certo tom de irritação em sua voz. – E você não atende. Eu fiquei preocupado

– Hmm. – Sebastian vocaliza sem se importar. – O que está fazendo aqui?

– Eu vim trazer o resto das suas coisas que deixou na casa dos meus pais. Como você pode ter percebido, eu já deixei algumas coisas aqui. – Blaine aponta para o quarto de Sebastian que tem uma porção de malas. – E pelo visto, acho que vou ter que retirar as minhas coisas também. Algumas pelo menos.

– Ah, sim. – Sebastian fala sem emoção, mas eu o conheço bem. Ele está morrendo por dentro com aquilo. – Obrigado por trazer minhas coisas. Pode fazer o que veio fazer.

Sebastian volta para o quarto. Blaine e eu nos encaramos em silêncio até que ouvimos a porta do banheiro em seu quarto se fechar. Blaine arrasta algumas caixas para dentro da sala. Eu o observo atentamente em silêncio. Quando ele termina, caminha até a cozinha.

– Então... – ele pega uma caneca na prateleira do armário. – Como vocês se encontraram aqui?

– Na verdade, — digo dando um gole em meu café – o Sebastian foi até Lima para o enterro da minha avó.

– Eu sinto muito! – há empatia em sua voz.

– Obrigado.

Dou um sorriso amigável para ele. Blaine está pensando em algo por que se mantém calado enquanto me observa beber o café.

– Então, o que você está fazendo em New York? – ele me estuda com atenção. – Você estuda aqui?

– Não, eu estou no terceiro ano de educação física na universidade de Lima. – explico repousando a garrafa quase vazia sobre o balcão.

Blaine parece ficar mais deprimido do que já está quando me ouve dizer o nome da universidade de Lima.

– Você está bem? – pergunto.

– Sim. – ele diz voltando sua atenção para mim novamente. – É só que eu tinha um amigo que estudava lá.

Assinto com a cabeça, sem realmente entender. Por que ficar esquisito só pelo fato de lembrar do seu amigo? Tanto faz, não é da minha conta.

– Bom, é muito bom conhecer um amigo do Sebastian. – ele diz forçando um sorriso. Não é um sorriso falso, mas um que dói a ser dado. – Ele não tem muitos amigos, então...

– Na verdade acho que sou o único amigo dele. – falo baixinho para que Sebastian não nos ouça. – Mas se todos os caras que ele se envolveu se tornassem seu amigo, então ele seria o cara mais popular do mundo.

Blaine me encara confuso sem dizer uma palavra. As palavras fazem conexão em sua cabeça até que ele finalmente consiga dizer alguma coisa.

– Ah, desculpa, – ele gagueja. – mas vocês eram...

– Sim, a gente namorou por um bom tempo. – digo sorridente.

– Ah...

– Espera aí. Ele nunca te contou sobre mim? – o observo com atenção.

– Na verdade sim, – ele diz confuso. – mas eu não sabia que você era aquele Andrew.

– Sou exatamente aquele Andrew. – digo simpático.

Blaine me analisa quieto, até que perceba que está me encarando tempo demais. Ele anda até a geladeira atrás de si, onde ele pega um pote de iogurte. Eu analiso em silencio até que ele volte para o balcão em que me apoio.

– Olha Andrew, você não me conhece, mas eu realmente amo ele. – ele despeja as palavras rapidamente em um tom que apenas eu possa ouvi-lo.

– Eu acredito nisso. – respondo compreensivo.

– Você acredita? – ele parece surpreso.

– Acredito! – digo sincero. – Quero dizer, o Sebastian é um cara incrível e só um louco para não se apaixonar e ama-lo.

Ele me analisa por mais alguns instantes parecendo aliviado por eu compreende-lo.

– Você é o melhor amigo dele... – ele continua. – Será que poderia me dar uma ajudinha?

– Ta brincando? – solto uma risada baixa por toda a minha incredulidade com o pedido dele.

– Não. – ele parece ofendido agora. – Por quê?

– Desculpa, mas você estragou tudo com ele. – dou de ombros enquanto falo tranquilamente. – Não me leva a mal, mas eu ainda gosto dele. Não vou entrega-lo de bandeja para você pela segunda vez.

– Do que está falando?

– Ele nunca de contou, não é? – pergunto cético. – Tudo bem eu te conto a história. Eu terminei com ele e disse para ir atrás de você. Foi a maior idiotice que fiz, mas fiz por que eu sabia que ele sentia alguma coisa por você. Você teve a sua chance e você arruinou tudo. E fim de história.

Blaine me encara com certa raiva em seus olhos enquanto balança a cabeça negativamente para mim.

– Você não é amigo dele. – ele vocifera. – O que está fazendo não é coisa de amigo.

Se ele pudesse, pularia em meu pescoço enquanto rio com deboche de sua cara.

– Eu pedi para você não me levar a mau, cara. Eu quero o melhor para ele e vi que estar ao meu lado não é mais a melhor coisa para ele, naquela época. – explico sério a ele. – Por isso o deixei ir. Mas você deixou de ser a melhor opção para ele quando foi se atracar com o seu ex-namorado.

– O que eu fiz, — ele pondera as palavras que cospe com ódio de sua boca. – mesmo não sendo da sua conta, foi errado. Eu me arrependi do que fiz, mas ainda assim eu o amo.

– Qualquer coisa que envolva Sebastian Smythe é da minha conta. – dou uma piscadinha para ele enquanto me levanto. – E, bem vindo à realidade, parceiro. Eu também o amo.

– Babaca, idiota. Fica longe dele. – Blaine vocifera dando um soco no balcão em um tom que até Sebastian é capaz de ouvir de seu quarto. – Você é um cretino.

– Primeiro: Eu aprendi com o mestre. – apronto para o cômodo em que Sebastian ocupa. – Segundo: Não vai rolar. Terceiro: De novo, eu aprendi com o mestre.

– Você acha que ele vai ficar com você? – ele pergunta furioso. – Acha que quando ele descobrir o que está fazendo, vai te querer?

Aproximo-me cauteloso de Blaine, o suficiente para que um sussurro seja o bastante para que ele ouça.

– Sebastian seria a última pessoa a julgar os métodos de alguém que está tentando conquista-lo. Isso é outra coisa que aprendi com ele. – o encaro intensamente. – E se você realmente gostar dele, vai dar o fora.

Blaine não recua. Nos encaramos a poucos milímetros de distância um do outro.

– Vocês estavam se beijando? – a voz de Sebastian surge atrás de mim.

– Não seja besta, Smythe. Você sabe que são os altos que me atraem. – recuo dando meia volta para encara-lo.

– E está tudo bem aqui? – ele nos observa desconfiado da porta de seu quarto.

– Está? – pergunto a Blaine, que me encara furioso.

– Sim. – a palavra sai dura de sua boca.

– Tudo bem. Ah, Blaine, vai demorar muito? – ele pergunta casualmente.

– Não, eu já estava de saída. – Blaine responde agressivamente.

– Beleza. – Sebastian me encara desconfiado. – Andrew vem aqui ver o que eu achei.

Adentro no quarto de Sebastian, o que é incomum, já que ele vivia com a ajuda de empregados fazendo tudo por ele. Ele se ajoelha no chão e tira de dentro de uma das malas que está desfazendo, um álbum de fotos. Ele pega algumas fotos soltas no meio dele e as entrega para mim.

A primeira é uma daquelas fotos em sequencia. A tiramos na noite de Halloween em uma cabine. Sebastian veste uma fantasia de policial, com o uniforme tradicional azul e quepe. Eu, porém, visto um macacão laranja de prisioneiro de penitenciaria estadual.

Na primeira imagem Sebastian quase encosta a língua em minha bochecha enquanto faço cara de nojo para a câmera. Na segunda ele se espicha para frente enquanto acaricia seus próprios mamilos e revira os olhos. Eu, porém, passo a língua em seu cassetete, o que vem com a fantasia e não o que você está pensando. Na terceira, subimos no banco de dentro da cabine, Sebastian apoia as mãos em seus joelhos e empina a bunda para que eu o encoche. A quarta e última estamos de volta ao chão encostando nossos lábios em um beijo enquanto uso seu quepe.

– Que coisa mais brega. – falo.

– Com certeza. – ele assente.

Passo para próxima foto que é basicamente uma selfie de nós dois deitados na grama. Foi Sebastian quem a tirou, ele sorri lindamente para a câmera enquanto sorrio com um dos olhos fechados por que o sol está batendo sobre ele. A foto foi tirada na primeira semana do verão. A gente tomou tanto sorvete naquele dia que eu não conseguia pensar em sorvete pelo resto do verão. Na mesma proporção que aquilo trás nostalgia, trás dor.

– Por que ainda guarda isso? – pergunto a ele sem demonstrar o quanto aquilo me afeta.

– É bom ter recordações. – ele diz dando de ombros.

A foto seguinte nós dois estamos na sua antiga cama. Ele ainda está dormindo, ambos estamos sem camisa, essa é toda a nudez que a câmera revela, mas com certeza estávamos sem nada. Sebastian dorme tranquilamente, com o seu rosto virado para mim enquanto sorrio para a câmera com cara de quem acabou de acordar. Ambos estávamos com os cabelos absurdamente desarrumados e com a cara amassada.

– É claro, acabei de perguntar isso ao cara que tem um diário. – o ridicularizo como sempre faço.

– Não começa vai. – ele pede rindo.

– Tudo bem, eu não vou falar o quanto cafona você é. – digo devolvendo as fotos a ele. – Você tinha a maior cara de criança aqui. Não que você tenha mudado muito.

– Você também não mudou muito. – ele se concentra em tirar seus pertences de dentro da mala.

– Mas você ta mais bonitão. – digo o cutucando seu ombro, o que o faz sorrir.

Da sala, escutarmos a porta bater ao Blaine deixar o apartamento. Sebastian olha para a sala.

– Valeu. – ele diz distraído. – Vamos para sala.

– Tudo bem. – finjo não perceber que ele não devolveu o elogio. Me sento no sofá enquanto ele liga a televisão.

Ele caminha até o balcão da cozinha e pega um molho de chaves deixado sobre ele. Aquilo não estava ali antes.

– Caramba, eu nunca te vi tão sério com alguém. – falo para ele.

– Que é, vai ficar do lado dele?

– Não, claro que não. – digo rapidamente. – Se eu aprendi alguma coisa nessa vida é que nunca devo arranjar briga com a pessoa que faz e trás minha comida, a enfermeira que vai me espetar com uma agulha e nunca brigar com o meu guia turístico.

– Sábia decisão. – ele murmura com o molho de chaves em sua mão.

– Em que ponto turístico você vai me levar hoje? – pergunto como se aquelas chaves, que Blaine havia largado para trás, não o perturbassem.

– Ah... – ele volta a me olhar como se tivesse percebido minha presença apenas agora ali. – A gente pode ir no Impire State e depois no Memorial do 11 de Setembro.

– Legal. Vai ser um grande dia...

Continua...

Notas finais
Chegamos ao fim de mais um capítulo e espero que tenham se divertido e gostado dele. Na próxima semana a segunda e última parte da narrativa contada por Andrew será postada. Deixe seus lindos, pertinentes e construtivos comentários, com críticas, elogios, etcs... Participe me deixando saber o que você pensa. Obrigado e até semana que vem.