Sebastian Smythe - Contos

11 Uma Noite no Inferno - Especial de Halloween.


Notas iniciais
Estão preparados para ele? Pronto ou não aí vem ele te puxar pelos calcanhares e te arrastar para longe. Longe o suficiente para que ninguém possa ouvir quando você começar a gritar. Grite até seus pulmões estourarem, ninguém vai te ajudar. Deem boas vindas ao Halloween. Boa leitura e uma feliz Halloween, pessoal!!

Ao sair da aula, me deparo com Blaine e Kurt me aguardando no corredor. As pessoas andam por nós sem perceber a minha presença. Blaine segura a mão de Kurt enquanto me puxa para o canto na parede oposta a nós.

– O que está acontecendo? – olho de Kurt para Blaine.

– Eu estive pensando e acho que só existe um único jeito de resolvermos essa situação. – Blaine diz sorridente, como se ele fosse incapaz de esconder a felicidade que sente.

– O que? – pergunto confuso. Kurt está tão exultante quanto Blaine.

– Eu pensei, se você está bravo comigo por que beijei o Kurt, então nada mais justo que você beija-lo também. Assim podemos fazer as pazes.

– Oi? – o encaro tentando fazer sentido ao que ele acabara de dizer. – Você perdeu o juízo?

– Não, olha, se você beija-lo, então vai entender do que estou falando.

Olho a nossa volta e tudo parece normal, não há ninguém nos observando, aquilo não é uma piada armada.

– Se você não beija, eu beijo. – Blaine se vira para Kurt para beija-lo.

– Não! – exclamo.

Por um segundo aquilo não parece uma ideia louca e nem errada. Por um segundo não tenho nojo de Kurt. Ele se aproxima de mim e nos beijamos. Minhas mãos repousam sobre suas bochechas e as suas em volta de meu pescoço. Quando nossos lábios se afastam, Kurt passa sua língua em meus lábios e volta a me beijar.

No segundo seguinte meus olhos se abrem com espanto, me sentando na cama em um único impulso. Minha respiração ofegante e meu corpo soa frio. Passo meus dedos em meus cabelos que estão umedecidos de suor.

– Você está bem? – Blaine surge na porta sonolento. – Eu te ouvi gritar.

– Sim. – esfrego meu rosto tentando aliviar a tensão do choque. – Eu só tive um pesadelo.

– Hmm. – Blaine volta para seu quarto.

Procuro na mesa de cabeceira meu celular. Em seu visor acusa ser 01:13 de 31 de outubro. Me jogo de volta na cama murmurando: “Que comece os pesadelos.”

☠☠☠

Antes que você e pergunte o que Blaine faz em meu apartamento, eu explico o que aconteceu. Foi um punhado de má sorte misturada com azar.

Nas últimas semanas tenho buscado um novo colega de apartamento para me ajudar a cobrir as despesas, mas mesmo que eu tenha espalhado folhetos por toda a faculdade, ainda assim ninguém se candidatou. E conforme o final do ês se aproximava o meu desespero aumentava.

Então, semana passada, quando Blaine veio buscar suas coisas, ele acabou se candidatando para ser meu inquilino. Não que eu tenha gostado da ideia logo de início, mas que outra opção eu tinha? Momentos difíceis pedem atitudes drásticas.

A convivência com ele, apesar de tudo, tem sido mais tranquila do que imaginei que seria. Na verdade tudo fica mais fácil quando mal se conversa. Isso evita que discutamos. Nossas rotinas são completamente separadas, somos apenas dois caras que dividem o apartamento e nada mais.

– Sebastian, está ocupado? – ele me chama receoso enquanto estou deitado no sofá lendo o livro de artes performáticas para uma prova da próxima semana.

– Sim. – digo com os olhos fixados nas palavras do livro. – Mas você vai ficar me encarando até que eu possa ouvi-lo. Então, pode falar.

Repouso o livro sobre meu peito enquanto o observo devolver um estojo de DVD para prateleira de filmes.

– Eu estava pensando… – as palavras me fazem congelar de medo, eu não quero ter que começar uma discussão agora. – você já tem uma fantasia para o Halloween?

– Não. – afirmo categórico antes de voltar para a minha leitura. – Eu não preciso de uma.

– Por quê? – Blaine não sabe respeitar um livro em frente ao rosto de um cara?

– Por que eu não vou a aquela festa idiota. – digo sem emoção.

– Eu acho que deveria ir. – ele diz empolgado. – Vai ser muito legal.

É tradição das fraternidades da NYADA oferecerem festas para esse tipo de comemoração. Eu já fui na festa de Saint Patrick e não acabou muito bem. As festas são ótimas, não me leve a mal, mas eu não estou no clima para isso agora.

– Sim, festas de fraternidade costumam ser muito legais, mas eu não estou afim. Quero ficar em casa, assistindo filmes sangrentos e bizarros de terror enquanto como e bebo. Até que eu durma.

– É só uma vez ao ano. – Blaine insiste.

– Eu estou meio sem grana para isso. – lanço a desculpa que acredito que vá funcionar.

– Tem um monte de fantasia que não precisa comprar. – ele rebate. – O pessoal todo vai se reunir lá, então, sei lá, achei legal se todo mundo se reunisse.

Não consigo segurar a risada sarcástica que dou.

– Adoro as reuniões dos seus amigos. – digo com ironia.

– Não precisa ser sarcástico, Sebastian. – ele se ofende finalmente saindo da sala e se trancando e seu quarto.

Eu não gosto de trata-lo dessa forma, mas parece que ofendê-lo é a única maneira que o faz se afastar de mim e me deixar em paz. Se passam algumas horas até que ele saia novamente do quarto para ir à festa. Não vejo do que ele está vestido por que estou ocupado demais fingindo ler o livro que já terminei.

A minha noite não é muito gloriosa. Assistir aos filmes da franquia Jogos Mortais não me alegra muito. E ficar ali deitado achando que tudo e uma grande droga, não vai me fazer sentir melhor. O que de pior pode acontecer se eu for a essa festa?

Em meu quarto, vasculho a cômoda atrás de alguma coisa para vestir. Nada parece ser adequado para uma festa de Halloween. Jogo o sobretudo sobre a cama e aquilo me dá uma ideia interessante. “Pode ficar bom...”.

☠☠☠

É a fraternidade Ômega quem oferece a festa de Halloween essa noite. Do lado de fora há uma centena de abóboras exculpidas, provavleente fruto de trabalho escravo dos calouros. Há uma leve camada de neblina no gramado, gerado por um aparelho, além de algumas lápides espalhadas pelo lado externo da casa da fraternidade. Posso ouvir, mesmo do lado de fora, a música bombando do lado de dentro. Estaciono o carro longe, por que a rua está repleta de carros.

Conforme caminho pela casa, minha fantasia vai chamando a atenção de alguns convidados. É um conjunto de pessoas que nunca vi na vida misturadas com outra que nem sabia que eram estudantes. E é claro, há uma pequena parcela são os amigos de Blaine.

– Caramba, fantasia legal. – levo um tapa nas costas de um cara grandalhão, um típico membro da fraternidade Ômega. São todos ogros.

– Valeu. – digo limpando o ponche que ele me faz derramar em minha mão.

Isso me faz lembrar o porquê parei de frequentar esse tipo de festa. As pessoas, no geral, parecem se divertir. Para qualquer canto que eu olhe há u casal se agarrando ou algum cara tentando agarrar uma garota. Enfio um punhado de doritos em minha boca enquanto observo os outros de divertirem.

– Oi. Fantasia legal. – um cara vestido de Lady Gaga caveira se aproxima de mim com um largo sorriso no rosto.

– Obrigado. – digo o reconhecendo com certa dificuldade devida a maquiagem que usa.

– Não está me reconhecendo? – ele pergunta achando graça.

– Claro que sim, da última vez em que nos vimos, você me chamou de terceiro mamilo. – digo a Elliott.

– Isso mesmo. – ele ri achando graça de meu mau humor. – Você é o Tate de AHS Murder House, acertei?

Ele me observa atentamente. Assim como a dele, minha cara está pintada como uma caveira.Toda a roupa que visto é preta, calças, botas no estilo militar, camiseta e sobretudo. Usei muito gel para deixar meu cabelo todo para trás, assim como a de Tate, nas cenas em que ele fantasia em sua mente.

– Você é o primeiro. – digo aliviado por alguém reconhecer minha fantasia. – A maioria acha que sou o cara que fez aquele vídeo da Gaga.

– Não se importe. – ele diz amigavelmente. – Esse pessoal aqui é um bando de sem graça. Sabe, eu sou meio ligado com essas coisas sombrias e macabras e cara, isso aqui não está nada bom para um Halloween.

– Que charme. – comento sobre a parte dele gostar de coisas macabras. – Eu até concordo sobre a festa.

– Então, eu to doido para desligar essas musicas chatas. Eu queria colocar um ar dark pra valer nesse Halloween, o que acha? – ele tem um brilho estranho em seu olhar.

– Você está me chamando para boicotar a música da festa?

– Eu estou pedindo para cantar uma música comigo. – ele sugere entusiasmado. – Já que todo mundo acha que somos ‘personas’ do mesmo vídeo-clipe, então devemos incorporar isso.

– Eu não sei. – digo receoso. Na verdade mal ouço o que disse, já que tudo o que se passa em minha cabeça é como ele consegue andar naquele salto gigante.

– Qual é, vai ser divertido. – ele me agarra pelo pulso e me arrasta até a sala.

Desconectando o Ipod do home theater e plugando o seu próprio. Há vaias pela música ter parado. O background de Monster da Lady Gaga começa a tocar enquanto Elliott sobe na mesa de centro da sala, onde a festa.

– Don't call me GaGa. – ele canta em seu microfone. Não sei de onde ele tirou aquilo. – I've never seen one like that before.

Ele faz um sinal para que eu me aproxime, mas o que faço é recuar.

– Don't look at me like that – ele aponta para alguém entre a multidão de pessoas que o observa. – You amaze me.

Ele joga um microfone na minha mão me forçando a cantar o próximo trecho.

– He ate my heart – canto em tom grave. – He a-a-ate my heart

– You little monster. – Elliott canta.

– He ate my heart. – agora sou eu quem subo na mesa de centro. Não tenho certeza que aquilo vai nos aquentar, mas decido aproveitar o momento. – He a-a-ate my heart out

– You amaze me. – ele canta flertivo.

A música fica mais animada com a batida que inicia.

– Look at him. – aponto de Elliott para mim. – Look at me.

– That boy is bad – ele aponta para mim. – And honestly he's a wolf in disguise but I can't stop staring in those evil eyes.

Sinceramente a voz dele me faz ficar constrangido pela minha.

– I asked my boyfriend if he'd seen you round before, he mumbled something while we got down on the floor baby. – ele dança em cima da mesa enquanto o acompanho. – We might've fucked not really sure, don't quite recall but something tells me that I've seen him, yeah.

– That boy is a monster. – cantamos em unissono. – M-M-M-Monster. That boy is a monster. M-M-M-Monster. That boy is a monster. Er-er-er-er.

– He ate my heart. – ele canta.

– I love that boy. – canto.

– He ate my heart.

– Wanna talk to him, – sou eu quem flerta agora. – he’s hot as hell.

Pulo para o braço do sofá mais próximo enquanto Elliott canta: “He licked his lips. Said to me:”.

– Boy you look good enough to eat. – canto.

– Put his arms around me said:

– "Boy now get your paws right off me" – as pessoas riem do que falo.

Repetimos mais uma vez o refrão e as pessoas ao nosso redor realmente parecem gostar do que estão assistindo.

– He ate my heart. He ate my heart. – ele sobrepoem a mão sobre seu peito dando ênfase. – Instead he's a monster in my bed. I wanna Just Dance, but he took me home instead.Uh oh! There was a monster in my bed. We french kissed on a subway train he tore my clothes right off

Os convidados cantam junto com a gente. A sensação é incrível.

– He ate my heart then he ate my brain. Uh oh uh oh

– I love that boy – canto. – Wanna talk to him, he's hot as hell.

As pessoas ao nosso redor nos aplaudem soltando assovios em comemoração. Desço do sofá agradecendo Elliott por ter insistido que eu fizesse aquilo. Mas aquilo foi o bastante para mim. Caminho até lado de fora, mas sou interrompido.

– Sebastian?

– Oi. – viro em direção de quem me chama. Blaine me encara deslumbrado.

– Achei que você não viria. – diz surpreso. – Essa fantasia está incrível.

– Obrigado, a sua também, – o observo e não preciso nem de meio segundo para reconhecê-lo. – Harry Potter.

– Foi muito legal o que vocês fizeram lá dentro. – Blaine fala empolgado. – Foi um ótimo dueto.

– Obrigado.

– A gente podia fazer um.

– Não, chega de duetos por hoje. – dou um sorriso frouxo, dando meia volta para sair.

– Você já está indo? – há desapontamento em sua voz.

– Sim. – digo enquanto ele me segue. – Acho que perdi o gosto para essas coisas.

– Festas?

– Não, festas ruins.

Blaine ri e seu sorriso me faz derreter por dentro, mas me controlo. Enquanto saímos, alguém vestido com uma máscara e roupa de palhaço sinistro com uma serra elétrica passa por nós e entra para a festa. Se tiver um concurso de melhor fantasia, com certeza esse cara leva o prêmio máximo.

– Ta escuro aqui fora. – digo olhando para a rua que só não está totalmente apagada por que nas fraternidades vizinhas tem eletricidade. Todos os postes estão apagados.

– Eu acho que você deveria ficar e aproveitar o resto da noite. – ele insiste ignorando o que digo. – Fica só mais um pouco.

Contra minha vontade sou convencido a ficar só mais dez minutos. Na verdade só acho que Blaine queira uma carona de volta para o apartamento. Quando estamos de volta ao antro da festa, a casa se submerge em plena escuridão.

A primeiro instante achamos que faz parte da programação da festa, mas conforme murmurinhos surgem de dentro da casa, aquilo começa a ficar estranho.

Uma porta dentro da casa se fecha com violência. Um grito histérico corta o ar seguido de uma risada tão gélida que seria capaz de cortar a alma. “Não. Não!” ouvimos alguém gritar em desespero.

As pessoas começam a entrar em pânico quando ouvem o som de uma serra elétrica ser ligada. “O que é isso?” Blaine pergunta enquanto as pessoas correm contra nós tentando sair da casa.

– Blaine, não. – tento segurá-lo, mas ele é sevado pela maré de gente.

Em meio a gritaria e desespero das pessoas ao querem sair da casa, ouve-se dois tiros seguidos. Os gritos de pavor só aumentam. Não conseguimos enxergar nada a nossa frente, mas assim que os tiros foram disparados, instantaneamente as pessoas se lançam ao chão.

– O que está acontecendo? – ouço o cara ao meu lado sussurrar.

– Kurt? – sussurro.

– Sebastian? – ele pergunta no mesmo tom.

Balanço a cabeça positivamente colocando o dedo indicador na frente de meu dedo para que ele faça silêncio, não que ele consiga me ver. Ouvimos alguns passos sendo dados no andar de cima sobre nós. Mais tiros são disparados. Minhas pupilas estão tão dilatadas que já se acostumara à escuridão, me fazendo enxergar um pouco nela. Kurt tampa a boca com as duas mãos. É possível ouvir pessoas chorando baixinho dentro da casa.

Posso sentir meu coração bater disparado em minha garganta. Há um psicopata assassino na casa e não sei a onde Blaine está. Passos agitados são dados no andar de cima, em seguida um novo disparo. Vinte minutos se passam, tudo o que ouvimos são passos calmos no andar de cima enquanto no andar em que estamos as pessoas tentam se controlar.

Minutos depois ouvimos uma porta ser arrombada silenciosamente, o ruído que o arrombamento faz é insuficiente para chegar ao segundo andar, onde o atirador está. Sete homens armados adentram na sala, alguns sobrem as escadas que dão acesso ao andar superior, enquanto dois homens tiram as pessoas de lá de dentro em silêncio.

O policial tem que me arrastar para o lado de fora, por que eu não quero deixar o local até que tenha certeza de que Blaine já foi tirado lá de dentro. Quando encontro o grupo de seus amigos em um circulo próximo a uma viatura, corro até eles.

– Cadê ele? – agarro Sam pelos ombros enquanto busco Blaine com os olhos. – Cadê o Blaine?

– A ambulância acabou de leva-lo. – ele diz abalado.

Minhas pernas fraquejam e meu estômago revira me dando ânsia de vômito.

– O que? – pergunto mole pelo pequeno derrame que estou prestes a ter. – Ele foi atingido? Para que hospital o levaram?

– Calma, Sebastian. – Rachel repousa sua mão em meu obro para me acalmar. – Ele está bem.

– Os paramédicos disseram que ele vai ficar bem. – Kurt diz com os olhos inchados, enquanto Elliott conforta e seus braços. – Ele deve ter se machucado na hora do tumulto.

– Em que hospital ele está? – pergunto novamente.

– No Hospital Central Metropolitano. – Mercedes anuncia. – Nós vamos para lá depois.

Uma paramédica caminha em minha direção para ver se preciso de algo, mas nego qualquer ajuda que ela queira me dar. Corro até meu carro para ir ao hospital em que Blaine está.

☠☠☠

Vê-lo deitado na cama de um hospital é demais para eu aguentar. Blaine dorme no momento, só um sedativo poderia fazê-lo dormir agora. Ele ou qualquer um que presenciou a noite que acabamos de ter. O observo em silêncio. Seu braço direito está imobilizado.

Estado tão perto de perde-lo, me faz refletir o quando fui idiota ao tentar refuta-lo da minha vida. Eu não posso viver com a ideia de perde-lo. É cruel demais. Olha-lo ali deitado e impotente, não faz minha melancolia passar. Saio por alguns minutos do quarto para dar um telefonema e limpar a minha maquiagem de Halloween. Quando volto me deparo com Blaine acordado.

– Parece que eu vou ficar sem chocolate no Halloween desse ano. – ele diz fazendo biquinho enquanto fala grogue.

– Fico feliz que esteja bem. – e aproximo de seu leito.

– Obrigado Sebastian. – ele diz.

O trauma que passamos não posse ser escondido em nossas feições, mesmo quando tentamos sorrir um para o outro pelo simples fato de estarmos ali, vivos.

– Eu nunca achei que sentiria essa sensação novamente. – ele fala.

Blaine conta a vez e que acharam que um atirador invadiu a sua antiga escola e disparou uma arma. Mesmo ele esclarecendo que tudo não passou de um mal entendido, ainda assim foi muito traumático para ele e todos que estavam presentes.

– Será que amanhã você pode me dar uma carona para o apartamento? – ele pede. – Não vai ser fácil andar de metrô com meu braço desse jeito.

– Claro, sem problemas. – digo me levantando da poltrona que havia ocupado. Ando em direção a saída do quarto.

– Então eu e ligo amanhã, pode ser? – ele pergunta antes que eu saia de seu quarto.

– Ah, não precisa. – esclareço.

– Então como vai saber...

– Eu não vou a lugar nenhum, Blaine. – digo a ele em tom de uma promessa. Uma promessa das grandes. – Vou passar a noite aqui, com você.

Posso ver em seu olhar que aquilo o faz se sentir um pouquinho melhor, apesar de tudo. Saio do quarto afim de comprar doces de uma maquia no corredor do hospital que não aceita o meu dinheiro.

– A máquina está quebrada. – um rapaz alto e forte, com cabelos, olhos e barba castanhos se aproxima indicando que irá usar a máquina de café ao lado da de doces.

– Que ótimo. – bufo de frustração.

– Para que quer tanto doce? – ele parece se divertir com a minha frustração.

– O meu...meu amigo vai ter que passar a noite aqui e ele queria muito ter comemorado o Halloween.

– Se quiser eu posso te mostrar onde tem uma máquina que realmente te dê doces por aqui. – aquilo realmente soa coo sacanagem.

– Hmm? – o encaro.

– Na cafeteria. – ele sorri charmoso. – Tem uma máquina lá cheia dessas bobagens.

– Obrigado... – digo pegando minha nota de volta da máquina.

– Drake. – ele sorri. – Sou o Dr. Drake Jones.

– Obrigado doutor Drake Jones. – digo sem saber o por que ele ainda está falando comigo.

– Por favor, me chame só de Drake. – ele larga o copo de café recém comprado. – Mas eu ainda não sei o seu nome.

– Sebastian Smythe. – digo.

– Oi Sebastian. – ele dá um sorrio cheio de dentes.

Caminhamos até o final do corredor e andamos até um saguão, onde uma cafeteria enorme fica.

– Olha a máquina de doces fica bem ali, está vendo? – ele aponta para uma máquina encostada na parede da cafeteria.

– Sim. – afirmo. – Obrigado por me mostrar.

– Ah, Sebastian. – ele encosta as pontas dos seus dedos em meu braço antes que eu me vá. – Você não tomaria um café comigo?

– Ah tudo bem, a qualquer hora a gente pode fazer isso. – minto.

– Não, eu digo agora. Eu tenho um intervalo e pensei, já que te mostrei onde fica a máquina de doces, você poderia me fazer companhia. – ele parece tímido pela primeira vez. – Se você quiser é claro.

– Sim, claro. – concordo.

Ele trás dois cafés puros para nós. Isso em um cenário diferente teria me feito surtar de excitação. Mas não é o caso aqui. Esse tal doutor está obviamente flertando comigo, mas diferente do que isso seria para mim há tempos atrás, isso não significa nada para mim.

– Desculpa perguntar, mas você não é meio novo para ser médico?

– É na verdade eu sou médico residente. – ele esclarece. – O que significa que ainda sou estudante, mas já tenho autorização para praticar na área.

– Isso deve ser bem cansativo. – concluo.

– É sim. – ele sorri. – Ainda tenho que arranjar tempo para a academia. Acho que é por isso que não tenho tantos encontros.

– Você não tem encontros? – pergunto impressionado.

– Sabe, os caras não gostam muito quando o outro cara precisa sair durante a madrugada para atender a uma emergência.

– Isso deve ser um saco para você.

– É, mas foi a vida que eu escolhi para mim. – apesar de ter cara de uns vinte e sete anos, ele há tem algumas marcar em tono de seus olhos. –fBom, mas chega de falar de mim, o que você faz Sebastian Smythe?

– Eu sou estudante da NYADA. – falo.

– A faculdade de artes? – ele parece interessado.

Ele basicamente estava e extorquindo um encontro pela informação da máquina de doces, sério?

– Isso mesmo. – concordo.

– Legal, e eu você já fez alguma coisa que eu possa ter visto?

– Ainda não. – afirmo categórico. Tudo o que quero é comprar os doces e cair fora dali.

– Bom eu tenho certeza que com um rosto lindo que tem, logo te verei por aí.

Dou um sorriso amarelo para ele, ao que ele percebe imediatamente mudando de assunto.

– Então, o seu amigo, como ele veio parar aqui? – ele pergunta de forma mais profissional agora.

– Ele levou uma queda e acabou machucando o braço direito.

– Ah, eu acho que ele é o meu paciente. Ele vai ficar bem.

– Eu sei. – digo aliviado.

– Ele disse que houve um tiroteio na festa que ele estava. – ele pergunta curioso. – Deve ter sido horrível, coitado.

– É, eu estava na festa. – a mera menção daquele inferno me faz sentir péssimo.

– Você teve sorte. Ele também, mas com certeza o trauma vai ser difícil de passar. – ele analisa.

– Ele vai superar isso. Ele é muito forte. – respiro fundo tentando não lembrar do horror que foi perder Blaine no meio daquela multidão. Se eu o tivesse segurado a tempo, talvez ele não estivesse nesse hospital agora.

– Vocês são bem próximos, não é? – ele parece curioso.

– Talvez por que ele era meu namorado. – despejo a verdade, por que não estou mais afim de ficar ali.

– Entendi tudo agora. – ele recua na cadeira que ocupa.

Me livro de Drake o ais cedo que consigo, agradecendo pelo café, que sequer toquei. Corro até a balcão da cafeteria para pedir a balconista dois especiais do dia um chocolate quente chamado de “Delícia Assustadora” é um nome péssimo, mas parece delicioso. Compro algumas barras de snickers,kit kat, hershey, twix, milky way, musketeers. Além de alguns sacos de m & m’s e reese’s.

– Eu vou fingir que não estou vendo essa quantidade absurda de açúcar que está levando para o meu paciente. – Drake diz ao enquanto beberica seu café e assiste ao noticiário local que anuncia a morte do atirador que invadiu a fraternidade em que Blaine e eu estivemos horas atrás.

Ando o mais rápido que minhas pernas permitem sem que eu precise correr até o quarto de Blaine.

– Oi. – anuncio minha entrada.

– Oi, você demorou. – ele diz esfregando os olhos com a única mão disponível.

– Desculpa, eu tive um problema com a máquina de doces. Tive que ir até a cafeteria. – digo colocando as várias barras de chocolate em cima da mesa de cabeceira ao lado de sua cama.

Blaine fica maravilhado com todos os chocolates ao seu lado.

– Oi. – Blaine fala ao ver outra pessoa adentrar no quarto.

– Oi. E aí, cara. – Sam se aproxima da cama com ar de preocupação em seu olhar. – Como está?

– Eu vou sobreviver. – Blaine fica feliz em ver o amigo.

– Mas aposto que deve estar entediado. – ele afirma.

– Um pouco. – ele diz envergonhado por estar se queixando.

– E foi por isso que trouxe isso aqui para você. – ele tira da mochila que carrega um box com os oito filmes de Harry Potter.

Blaine abre um largo sorriso.

– Na verdade foi ele quem me pediu para trazer. – Sam aponta para mim rapidamente.

– Por quê? – Blaine olha de Sam para mim.

– Bom, acho que você, assim como nós, merecemos uma noite melhor do que a que todos tivemos. – afirmo ligando a televisão.

☠☠☠

Sentamos todos em poltronas em volta da cama de Blaine. Rachel, Mercedes, Sam, Elliott, Kurt e eu enquanto assistimos ao primeiro filme de Harry Potter.

– Como conseguiu que todos nós passássemos a noite aqui? – Elliott pergunta.

– É isso o que se ganha quando se tem o rosto que tenho. – digo enfiando um punhado de pipocas em minha boca. – E vamos deixar por isso mesmo.

Todos me encaram desconfiados.

Fazemos a maratona dos filmes de Harry Potter, mas não o assistimos de verdade, há mais conversa e comentários sórdidos sobre o filme do que qualquer coisa. Blaine não se irrita, na verdade ele parece muito feliz por estar tendo aquela experiência única. Enquanto inventamos teorias loucas a cerca da trama dos filmes.

Acho que é o que se ganha quando se tem uma experiência quase morte. Você cria empatia. Eu não gosto deles, só não desgosto o tanto quanto costumava desgostar.

Notas finais
Não chequem se há monstros de baixo de suas camas, não veja se há um monstro e seu armário. Se procurar, vão achar! Espero que tenham gostado desse pequeno presentinho que preparei para vocês. Agradeço muito a compainha de vocês pode sempre. Deixem seus comentários se assim desejarem. Até a semana que vem e se divirtam com responsabilidade nesse Halloween. Feliz Halloween!!!