Sebastian Smythe - Contos

12 Não importa, eu ainda vou te amar.


Notas iniciais
Oi pessoal, desculpe por estar postando na madrugada de sexta para sábado, mas apesar de ser um capítulo mais leve que o anterior, deu bastante trabalho. Boa leitura! ---- AVISO: Excepcionalmente nos dias 13 e 20 de novembro, não haverá a postagem dos capítulos treze e quatorze. Para mais informações acesse: http://mrfanfiction.tumblr.com/tagged/aviso Com esse novo canal podemos ter uma linha direta para uma melhor relação entre autor/leitor. Vide o tumblr anunciado para se informar e meus projetos atuais e futuros. Acesse: http://www.sebastiansmythe-fanfic.tumblr.com

Na tarde de domingo, o doutor Drake, faz as últimas considerações antes de assinar a alta de Blaine. A essa altura, todos os amigos de Blaine já haviam deixado o hospital, sendo eu o único presente ali com ele.

O doutor explica detalhadamente e com paciência os cuidados que Blaine deve ter até seu braço quebrado se recupere totalmente.

– Então, no geral, você está bem para ir Blaine. – o médico fala. – Mas vai precisar de muito repouso e nada de se esforçar. Não queremos que tenha uma recaída.

Se bem conheço Blaine, ele não respeitará a vontade do médico. Você já o viu parado por um segundo sequer? Pois é, nem eu. Blaine está prestes a abrir a sua boca para retrucar a ordem médica que acaba de receber quanto o interrompo dizendo:

– Tudo bem, doutor. – digo de imediato. – Eu cuido disso.

Os ombros de Blaine se curvam em desanimo e desagrado pela minha promessa ao médico. Ele sabe que o obrigarei a se manter quieto durante sua recuperação. Mesmo que isso seja uma tarefa impossível para ambos.

– E quanto tempo eu vou ficar com isso? – Blaine faz menção ao gesso envolto em seu braço direito em desagrado.

– Bem, isso vai depender do seu organismo. Isso leva de três a cinco semanas. – Drake fala enquanto Blaine demonstra todo o seu desagrado com a informação.

Logo Drake se retrata tento deixar Blaine um pouco menos infeliz com sua condição.

– Vamos fazer um meio termo. – ele fala calmamente. – Para garantir, vamos deixar um mês. Então você volta aqui e tiramos uma radiografia para vermos como está. Se tiver tudo okay, então tiramos antes de cinco semanas.

Blaine não se satisfaz com nenhuma alternativa que Drake o oferece parecendo uma criança mimada e mal criada. Aquele, naturalmente, não é o comportamento que Blaine está acostumado a ter.

Se observarmos, chegaremos à conclusão de que, entre nós dois, sempre sou eu quem tem comportamentos mais infantis. Ainda assim, é ele quem está agindo como uma criança agora. Mas isso deve ser efeito dos vários medicamentos que ele tomou desde que chegou no hospital.

– Sinto muito, é o melhor que posso fazer. – Drake fala constrangido pelo comportamento de Blaine.

– Guarde sua piedade para outro tolo, doutor. – Blaine diz irritadiço se levantando de seu leito.

Eu riria se aquilo não fosse uma reação real e mal educada de Blaine com o pobre coitado do médico que percebe que não fará qualquer progresso com Blaine. Ele volta sua atenção para os papeis que segura. Me aproximo com cautela envergonhado pelo comportamento infantil de Blaine.

– Ficar ranzinza faz parte dos efeitos colaterais do medicamento que ele tomou? – pergunto a ele em um tom que que Blaine não me ouça.

– Não. – o médico diz desconsertado. – Ele só deveria ficar um pouco grogue e sonolento.

Olho para Blaine que já está de pé e agitado enquanto caça seus sapatos para calça-los de volta.

– Desculpe por isso então. – digo sincero a Drake.

– Está tudo bem. – Drake fala assinando a os papeis de alta de Blaine.

– Bom, obrigado por tudo, então doutor. – digo estendendo minha mão para ele.

– Você pode me chamar só de Drake, Sebastian. – ele diz sustentando meu cumprimento. Seu aperto de mão é firme.

– É inapropriado, mas obrigado por tudo Drake. – digo sincero.

Mesmo que eu e Blaine não estejamos mais juntos, eu não me sinto muito confortável flertando na sua frente. Embora seja um sentimento infantil, gosto que Blaine esteja vendo aquilo. Eu sei, eu sou uma pessoa terrível.

– Principalmente por ter deixado todo aquele pessoal passar a noite aqui. – digo. – Foi importante para ele passar a noite rodeado com as pessoas que ama.

Blaine nos encara com os olhos semicerrados. É apenas quando o encaro de volta, que ele entra no banheiro acoplado ao quarto deixando, Drake e eu, a sós.

– Sem problemas. – ele dá mais um de seus sorrisos charmosos para mim. A ausência de Blaine o deixa mais visivelmente mais a vontade em minha presença. – Para um ex-namorado, você é bastante presente e atencioso.

– E não é isso o que os ex-namorados fazem? – pergunto e tom irônico.

Drake abre um largo sorriso enquanto ri do que digo.

– A verdade é que ele é a única pessoa que eu realmente conheço aqui e New York. – explico.

Ele se mostra realmente interessado.

– Você é de onde?

– De lugar nenhum. – digo. – Já estive em vários lugares, mas não pertenço a nenhum que já estive.

– Hmm... Ele não é só atraente, mas ele também é misterioso. – ele flerta.

Sou eu quem ri abertamente agora.

– Você parece uma sobremesa deliciosa com várias camadas para se deliciar, Sebastian. – ele me entrega um pedacinho de papel dando uma piscada breve. – E eu adoraria descobri-las.

Eu preciso ser sincero. Nunca ninguém me comparou com uma sobremesa. Não sei como me sentir a respeito disso. Olho para o pequeno papel e há um número de telefone nele.

– Sem pressão. – ele dá uma piscadinha antes de sair do quarto.

. . .

Enquanto caminhamos pelo corredor que dá acesso ao apartamento, apoio Blaine como se ele fosse uma peça frágil e fácil de quebrar. Isso o irrita um pouco, mas ele não chega a falar.

– Cuidado. – falo ao descermos o pequeno degrau do hall de entrada para a sala.

– Sebastian, tudo bem eu só machuquei meu braço. – ele diz simplesmente ao se sentar no sofá.

– Olha, o médico disse que você poderia voltar para casa hoje se prometesse não fazer esforço, então sossega.

– Eu não estou me esforçando. – ele diz impaciente.

Tiro o sobretudo que usei a noite passada na festa de Halloween. Tudo o que mais quero agora é tirar essa roupa estúpida e esquecer que aquela noite aconteceu.

– Eu só preciso tomar um banho e tirar esse cheiro de hospital de mim. – Blaine fala.

– Tudo bem. Eu também preciso de um banho. – Blaine me olha surpreso. – Separados. Você precisa de ajuda?

– Só para tirar a parte de cima. – ele fala.

Respiro fundo me aproximando dele. Blaine se levanta do sofá com minha ajuda. Seguimos para seu quarto, onde com ele parado em minha frente, tiro seu braço da tipoia com cuidado. Ele levanta os braços para o alto enquanto retirando seu suéter da Grifinória.

– Você realmente gosta de gastar dinheiro com essas coisas. – me refiro ao uniforme que veste.

– Eu comprei isso faz tempo. – ele fala dando de ombros. – Sabe o que seria legal?

– Não. – digo levantando o colarinho de sua camisa e desatando o nó de sua gravata em seguida. – O que seria legal?

– A gente visitar o parque do Harry Potter na Flórida. – ele fala com empolgação e certo brilho em seus olhos.

Dou risada, mas a feição de Blaine indica que aparentemente ele está falando sério.

– Eu não vejo isso acontecendo. – digo sincero.

– Não, escuta, nós podemos ir para orlando e você pode arranjar um uniforme para você. – ele parece uma criança falando. O quanto daquilo é efeito do remédio que o está deixando grogue? – Que casa de Hogwarts você pertence?

– Hogwarts não existe, Blaine. – digo jogando sua gravata no cesto de roupas sujas e começo a desabotoar sua camisa.

Aquilo parece realmente ofende-lo. Blaine faz biquinho. Na lateral de seu corpo, na altura de sua cintura, seguro a sua camisa a puxando para cima para tira-la de dentro da sua calça.

– Quero dizer, eu não sei, eu não sou fã dessa bobagem. – digo.

Isso também não o faz se sentir melhor. Na verdade só o magoa ainda mais.

– Ah... – respiro fundo tentando concertar. – Eu nunca parei para pensar. O que você acha, que casa eu pertenço?

Seu ânimo melhora instantaneamente. Um largo sorriso se forma e seus lábios enquanto me olha com animação.

– Bom, se fosse para eu adivinhar, diria que você se encaixaria na Corvinal, por que você é bastante focado e inteligente. Ou então na... – ele hesita ao se distrair.

Aparentemente eu desabotoando sua camisa o distrai tanto que ele sequer termina sua frase. Desabotoo sua camisa revelando seu peito nu a cada botão que desabotoo.

– Mas se quisermos ter certeza, a melhor coisa é você fazer um teste. – ele retoma o que dizia.

– Eu fico com a sua sugestão. – dou de ombros. – Para mim tanto faz.

Será que tem punição pior do que eu ter que olhar para seu corpo ali e sem poder desfrutar dele? Isso é uma tortura.

– Nada disso! – ele afirma energético.

Estou preste a soltar o último botão que prende a camisa, na altura de sua virilha. Quando estou a caminho de pegá-lo, Blaine se mexe e levanta sem querer a camisa, me fazendo esbarrar as costas de minha mão em seu pau.

– Sossega. – digo irritadiço. Meu comportamento deixa bem claro que aquilo não foi proposital.

– Desculpa. – ele pede parecendo não se importar com o toque inapropriado. – Olha, você faz o teste do Pottermore e descobrimos.

Tiro sua camisa finalmente não parando para contemplar a beleza de seu tórax despido.

– Eu não faço ideia do que seja Pottermore, mas agora, o que vamos fazer é tomar banho. – digo sério. – Depois fazemos o que quiser, certo?

Blaine me olha boquiaberto. Não entendo o que foi até o eco do que havia acabo de dizer fazer sentido em minha cabeça.

– Em banheiros diferentes. – me antecipo. – Separados.

– Claro. – Blaine pigarreia desconcertado.

– Senta aí. – o ordeno apontando para sua cama.

Blaine obedece enquanto me abaixo para desatar o cadarço de seus sapatos e os retiro em seguida de suas meias. Levanto-me em seguida observando para ver se há algo a mais que possa fazer por ele.

– Precisa de mais alguma coisa?

– Não acho que agora posso me virar. – ele olha para a calça social que veste ainda. – Obrigado.

– Tudo bem. – digo sem encara-lo muito deixando seu quarto e seguindo para o meu.

Se eu quero pular nele agora mesmo e trepar com ele até que não sobre nenhum fluido corporal em nossos corpos? Mas é claro que eu quero. Quem pensa que sou? Mas a todo instante que minha mente vaga por essa possibilidade, minha razão me obriga a imaginar Blaine beijando Kurt. E isso, meu amigo, é um puta banho de água gelada.

Em meu quarto, me livro de minha própria fantasia e me sentindo muito grato por isso. Quando estou a caminho de tirar minha cueca, ouço um gemido de dor vir do quarto de Blaine.

– Está tudo bem aí? – pergunto de meu quarto me interrompendo. Não ouço nenhuma resposta por alguns segundos até que ele responda.

– Não eu estou tendo problemas aqui. – Ele se queixa, mas já está na porta de meu quarto.

Me assusto com sua voz tão próxima de mim.

– Você não deveria estar aqui. – digo passando minhas mãos na frente de meu corpo as segurando em frente a minha virilha. – O que houve?

– Minha calça. – ele diz desviando seu olhar de meu corpo para a sua calça constrangido.

Aquilo é, no mínimo, conflituoso. Me aproximo enfiando os dedos no cinto de sua calça o tirando da passadeira e o desprendendo. Desabotoo sua calça em seguida. Posso jurar ter visto Blaine mordiscar seu lábio inferior, mesmo não estando olhando diretamente para seu rosto.

Mesmo que eu não queira que aquilo seja uma coisa sensual, ainda é. Nossos corpos estão distantes, mas ainda posso sentir o calor de seu. A respiração quente de Blaine bate em meu peito fazendo os pelos em meu corpo se arrepiar levemente.

Tudo o que consigo repetir em minha mente é “Não tenha uma ereção agora. Não tenha uma ereção agora. Não tenha uma droga de ereção agora. Droga Sebastian não fica de pau duro. Pensa em gatinhos mortos.”.

– Não pense e gatinhos mortos. – Blaine me censura.

– O que? – me engasgo. Como ele ouviu meus pensamentos?

Blaine tenta me desengasgar batendo a mão em minhas costas, mas infelizmente ele escolhe a engessada para fazer isso. Nos recuperamos em alguns minutos após a dor em seu braço quebrado passar e a dor em minhas costas por cerca de seis quilos terem sido atingidos com violência em minhas costas passar.

– Como é que...

– Você estava fazendo a cara que sempre faz quando tenta retardar orgasmos. – ele fala tranquilamente. E aquilo me incomoda absurdamente. – Você me disse que pensava em gatinhos mortos.

– Eu não estava pensando em gatinhos mortos. – minto. – Acho que agora você consegue agora?

Aponto para sua calça que ainda tem o zíper levantado. Aquela é uma tarefa simples e ele não precisa de mim para aquilo.

– Sim. Obrigado. – ele desvia sua atenção de meu corpo para meus olhos. – A gravidade faz o resto.

Sinto as pontas dos dedos de Blaine tocarem a palma de minha mão. Respiro profundamente fechando os olhos e balançando negativamente minha cabeça para ele. Blaine recua sua mão deixando o quarto constrangido.

Eu posso até ter sobrevivido à tentação, mas naturalmente aquilo gera uma grande tensão em mim e não me envergonho e nem me orgulho em dizer que a alivio toda me masturbando durante o banho.

Obviamente, toda a culpa volta quanto finalmente gozo debaixo do chuveiro. Meu coração bate violentamente em eu peito enquanto a água cai sobre minha nuca e tento retomar meu fôlego. Repouso minha mão sobre o registro do chuveiro me apoiando enquanto deslizo mais vagarosamente meus longos dedos da base até cabeça do meu pau.

Definitivamente me sinto menos tenso, mas nenhum pouco aliviado ou feliz. Eu acabei de me masturbar pensando no meu ex-namorado, pelo qual sinto uma grande variedade de conflituosos sentimentos. Isso é uma bela bagunça, não?

Quando saio do banho, Blaine ainda não saiu do seu. Me sinto faminto por toda a energia que gastei no banho. O que me faz correr até a cozinha para devorar alguma coisa dentro da geladeira.

Quando estou terminando meu terceiro sanduíche de manteiga de amendoim e geleia, escuto Blaine sair do banheiro. Quando ele passa pela sala de jantar para a sala de TV, parece que ele está me evitando.

Pelo menos dessa vez ele me poupou de ter que vesti-lo. Já que usa uma camisa branca simples de manga curta e uma calça cinza de moletom. O problema é que a calça marca com detalhes o seu corpo. O que eu fiz para merecer isso?

Se ele ficou chateado ou irritado por ter o evitado ele é um idiota. A única pessoa que deveria se sentir ofendida com isso, sou eu. Mas eu estou cansado de brigar com Blaine. Não quero mais joguinhos ou qualquer idiotice desse tipo, não depois de ontem.

– Oi. – falo finalmente.

– Oi – ele fala encarando o chão ruborizando.

“Okay, isso foi estranho.” Analiso em minha mente.

– Está com fome? Quer que eu faça alguma coisa?

– Não tudo bem. – ele fala se sentando no sofá.

Instantaneamente após sua recusa ouço seu estômago rugir de fome.

– Eu faço alguma coisa para mim depois. – ele anuncia ligando a televisão.

– Nada disso! – afirmo. – Você não vai se esforçar. São ordens médicas.

– Eu não vou seguir nada do que aquele idiota mandou. – Blaine fala irritadiço. – Ele nem deve ser formado ainda.

– Você pode ficar irritadinho o quanto você quiser, mas o fato é: Você não vai fazer esforço, vai tomar seus remédios e vai ficar sob a minha supervisão e observação. – digo severo.

– “Em observação.” – ele me imita. – Quer saber, ele pareceu querer manter VOCÊ em observação.

– Isso não é da sua conta, Blaine. – eu só não preciso lidar com isso agora. – Você fica sentado aí que eu levo alguns sanduiches para a gente.

– Tem razão, não é. – ele fala emburrado.

Blaine se queixa baixinho se tornando inaudível. Preparo alguns sanduiches de manteiga de amendoim com geleia e alguns queijos quentes. Coloco tudo sobre uma larga bandeja junto com dois copos com suco de laranja dentro. Quando repouso a bandeja sobre a mesa de dentro da sala, Blaine começa a devorar faminto.

– Parece que as aulas de culinária surtiram algum efeito. – brinco.

Seu mau humor desaparece conforme come. Blaine ri abertamente quase se engasgando com pedaço de sanduiche que engole.

– É o sanduiche ficou sublime. – ele fala.

– Sublime? – pergunto achando graça. – Essa é uma excelente critica para o meu singelo sanduiche.

– Foi o melhor que já comi. – ele afirma.

Balanço minha cabeça negativamente enquanto o acuso de ser mentiroso.

– É verdade. – Blaine toma um gole do suco devolvendo o copo para a bandeja em seguida.

– Olha, só existem três grupos de pessoas que considerariam esses sanduiches sublimes. – digo calmamente enumerando com meus dedos. – Primeiro grupo: Pessoas com larica. Segundo: Pessoas que não comem nada a mais de uma semana. Terceiro: Pessoas que acabaram de transar.

Blaine ruboriza mais uma vez.

– E todos esses grupos são apenas subgrupos do “grupo faminto”. – digo.

– Apenas aceite a droga do elogio, Sebastian.

– Tudo bem, eu vou fingir que acredito. – reviso os olhos brincando.

Me estico repousando meus calcanhares sobre a mesa de centro enquanto assisto a televisão.

– Olha, – Blaine diz repousando seu prato sobre a mesa enquanto limpa os farelos de sua camiseta. – não pense que eu esqueci.

– Esqueceu o que? – pergunto sonolento. Um cansaço descomunal bate em mim instantaneamente.

– Teste do Pottermore.

– Ah, certo. O que é Pottermore? Isso é uma daquelas coisas de Fanboy que você começava a falar e eu fingia entender enquanto minha cabeça está em outro lugar?

– Você fazia isso? – Blaine me encara com os olhos semisserrados.

– Olha, eu topo fazer esse teste se você tomar seu remédio. – tento mudar de assunto. – Então vamos fazer esse tal teste.

Blaine continua me encarando com seus olhos semisserrados, mas logo cede tomando seus medicamentos. Você realmente acha que ele perderia a chance de me ter fazendo suas coisas de nerd?

– Isso é tão empolgante. – Blaine cantarola enquanto me puxa para seu quarto.

Por algum motivo ele achou mais prático irmos até seu quarto, onde seu notebook está, do que eu o pegá-lo e leva-lo para a sala, onde já estávamos confortáveis. Bom, ele acabou de tomar um monte de remédios, eu não vou contrariar.

Ele ordena que sente em sua cama enquanto ele me auxilia a fazer o teste do site. É bem extenso e sem muito nexo. Blaine e eu entramos em algumas discussões do quanto aquilo tudo era ilógico. Aparentemente se você fala algumas verdades para um fã de Harry Potter, você é xingado de trouxa, seja lá o que isso significa.

– E agora? – pergunto.

– Já vai aparecer o resultado. – ele afirma empolgado. – E deu...

– Sonserina. – leio da tela do computador para Blaine que franze seu cenho para o resultado. – Essa não é a casa dos caras maus?

– É, mas nem todo mundo é mau. – ele tenta me animar como se aquilo tivesse me afetado.

– Gostei! – afirmo.

– Gostou? – ele parece surpreso.

– Claro. – concordo. Eu diria a mesma coisa para qualquer resultado, só para fazê-lo feliz.

Solto um grande bocejo. Eu estou realmente cansado agora.

– Como você está se sentindo? – pergunto.

– Eu estou bem. – ele soa sincero.

– Você precisa de alguma coisa?

– Eu estou bem, Sebastian. – ele assente. – Obrigado por tudo que fez por mim.

– Tudo bem. Você tem certeza?

– Sim, eu tenho certeza disso. – um sorrisinho frouxo se forma em seus lindos lábios.

– Tudo bem. – digo me levantando de sua cama. – Eu vou dormir agora, mas se você precisar de qualquer coisa, você pode me gritar.

– Tudo bem. – ele ri. – Obrigado por tudo.

– De nada.

. . .

Apesar de todo meu cansaço, minha mente caminha por lembranças perturbadoras da noite passada. Meus sonhos são violentos e assustadores. Meus olhos se abrem e tudo o que enxergo é escuridão. Bem, seria se não fosse por uma luz discreta vinda da sala.

Me levanto da cama caminhando pelo quarto. Tropeço, como de costume, em tudo o que há disponível para se tropeçar até a porta. Onde posso finalmente ver de onde a luz vem. Blaine está sentando no sofá assistindo a televisão no mudo.

– Hey, você está acordado. – digo ao me aproximar cauteloso. Por experiência própria um cara assiste a TV no mudo quando está assistindo a algum pornô no pay-per-view. – Está tudo bem?

Blaine não parece surpreso com a minha presença, até por que, acredito que minha caminhada da cama até a porta de meu quarto foi bastante audível.

– Ah, eu não consigo dormir. – ele diz me encarando.

– É, eu também. – desvio minha atenção dele para a televisão. – O que você está assistindo?

– Eu não faço ideia. – ele afirma. – Eu só sentei aqui e estou encarando a TV sem assisti-la. Você pode se juntar a mim, se você quiser.

– É, isso não soa tão ruim.

Sento ao seu lado enquanto assistimos em silêncio uma mulher co roupas muito curtas ordenha uma vaca em uma fazenda.

– Você sabe... – ele sussurra em um tom sombrio. – Eu escuto os gritos em minha cabeça ainda.

– Acredite em mim, eu sei. – digo soltando o ar pesadamente. – Os tiros também. Inclusive o choro daquelas pessoas.

– Isso vai me deixar louco. – ele afirma.

Afirmo com a cabeça, pois é o mesmo sentimento e pensamento que ronda em meu coração e mente acerca desse assunto. Ambos encaramos a televisão voltando a manter o silêncio entre nós por um longo período.

– Eu sinto muito por insistido que fosse aquela festa. – ele despeja as palavras em sua voz embargada como se as quisesse falar aquilo havia séculos. – Eu não posso deixar de pensar que se não tivesse o avisado e insistido para ir àquela festa, o teria poupado de vivenciar aquele inferno.

Olho para Blaine, e as lágrimas rolam de seus olhos caindo sobre sua calça. Vê-lo daquela forma quebra meu coração.

– Blaine... – chamo sua atenção, mas ele não quer me encarar. Ele só precisa chorar agora.

Sento mais próximo dele oferecendo-lhe um abraço que ele não recusa. Blaine encaixa seu rosto em meu ombro enquanto envolve minha cintura com seu braço e eu o envolvo suas costas com meus braços a acariciando tentando acalma-lo.

– Eu não saberia conviver com a ideia que passaria por aquilo sozinho. – afirmo num sussurro. – Eu me odeio por não ter conseguido te segurar e ficar ao seu lado.

Lembrar daquela noite e do que senti só faz o ódio em meu coração crescer por não ter estado ao seu lado.

– Eu fiquei deitado no chão do lado do Kurt e de outras pessoas que eu nunca vi na minha vida. – pigarreio para não deixar minha voz embargar. – Eu achei que ia morrer, Blaine.

Blaine balança a cabeça concordando com a minha última frase sem descolar seu rosto de meu obro. Assim como eu, ele também achou que morreria ali, naquela noite.

– Eu já me sinto um lixo por não estar ao seu lado. Era para eu estar ao seu lado. Segurado a sua mão por que não importa o que aconteça eu ainda continuo te amando, Blaine.

Ele me abraça mais forte e ficamos assim por um bom tempo. Ele chora enquanto nos abraçamos. Até que ele afasta seu rosto de meu ombro para me encara. Ele se aproxima encostando seus lábios nos meus. Eles estão úmidos pelas lágrimas. Não há reciprocidade de minha parte, afasto seu rosto do meu com delicadeza.

– Eu ia morrer do lado de um cara que eu odiava e que é o fantasma que sempre me assombra quando olho para você agora, Blaine.

– Sebastian...

– Olha, eu sei que a gente passou por muita coisa, mas eu não consigo Blaine. – digo sincero calmamente. – Sabe, isso só me fez pensar ainda mais. Eu não quero brigar mais Blaine. Mesmo que não sejamos um casal mais, nós podemos fazer essa convivência ser agradável.

Blaine me olha infeliz com o que estou lhe pedindo.

– Eu quero ser o seu amigo. E por favor, se a resposta for “Não”, não precisa cantar Bad Romance.

Consigo fazê-lo rir enquanto ele enxuga as lágrimas de seus olhos.

– Você sabe, Sebastian, uma vez, você olho nos meus olhos e me pediu exatamente com essas mesmas palavras “Só me dê uma chance.” Então eu estou aqui, bem aqui e agora, olhando dentro dos seus olhos e suplicando, Sebastian. Só me dê uma chance.

– Blaine eu estou te oferecendo a chance da gente esquecer isso e seguirmos como amigos e evitar qualquer dor de cabeça futura entre nós. Eu acho que já te perdoei pelo o que fez, mas não significa que eu confie em você para ser o cara que vou dividir minha vida de novo.

– Isso é tudo o que eu te peço. – ele pede insistido. – Eu não estou pedindo a você para me aceitar de volta. Estou pedindo que você me dê a chance para que eu o conquiste de volta.

– E se você não me conquistar?

– Eu te deixo em paz. – ele engole em seco. – Seremos apenas amigos.

– Tudo bem.

– Tudo bem? – ele parece surpreendido pela minha falta de relutância.

– É, eu acho. – concordo. – Como eu já disse. Eu estou cansado de brigar e sinceramente, se isso é importante para você. Vá em frente. Dê o seu melhor.

Blaine tem um sorriso estampado em seu rosto, mas seus olhos ainda estão úmidos, assim como o ombro de minha camiseta. Voltamos a assistir o péssimo programa.

– A policia chegou a falar o que realmente aconteceu dentro da fraternidade? – Blaine pergunta.

– Sim. – mantenho meu olhar preso na vaca. – Foi um lunático que estava procurando vingança por que a namorada o deixou, alguma coisa assim. A garota estava na festa, então...

– Ela está viva? – ele pergunta exaltado.

– É, ela vai ficar bem. Aquele maníaco doente a torturou e a machucou muito, mas ela vai sobreviver. – afirmo. Pelo menos foi isso o que Drake me disse. – Ela foi mandada para o mesmo hospital que você.

Voltamos a nossa atenção para a televisão. Agora moça que ordenha é abordada por um sujeito que usa roupas tipicamente rural, mas a ereção em sua calça é brutalmente visível.

– Eu to achando que isso aí não é um programa educacional sobre como fabricar queijo, Blaine. – mantenho me olhar vidrado na tela.

– Por quê? – ele pergunta confuso.

Pego o controle remoto entre nós e aumento o volume. O diálogo segue da seguinte forma: “Eu estava te observando e parece que você não está fazendo isso certo.” o homem afirma. “Você pode me ensinar a forma certa de fazer isso?” a moça pergunta inocentemente. Voltando a se sentar em frente a vaca. “Essa vaca não vai servir.” ele afirma a puxando com brutalidade pelo seu braço. O puxão a faz derrubar todo o leite que há no balde em seu corpo deixando suas poucas roupas transparentes. Na cena seguinte, em um curral abandonado, ela está ajoelhada no chão enquanto ele a manda pegar em seu pau.

– Você está convencido? – pergunto sem emoção.

– Sim. – Blaine faz cara de nojo.

– Por que você está assistindo a pornô hetero? – o encaro incrédulo.

– Eu não sabia. – ele enfia uma almofada em seu rosto.

– Tudo bem, Blaine. – dou uma tapinha amigável em suas costas. – Se esse filme não terminar com aquela pobre vaquinha matando eles, então será um péssimo filme.

– Desliga essa droga. – ele grita por debaixo da almofada.

– Tudo bem. – desligo a televisão e ficamos submersos na completa escuridão.

Alguns minutos se passam até que eu fale.

– Hey, Blaine...?

– Oi?

– Você lembra daquele dia em que te peguei assistindo pornô hereto? – pergunto rindo.

Blaine não me responde com palavras. Uma almofada voa atingindo minha cabeça em cheio. Eu sei. Eu mereci.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar, pessoal. Esse é feedback que tenho para saber no que melhor a fic, okay? Vou responder todos os comentários dos capítulos anteriores ainda amanhã. Obrigado a todos e até semana que vem. --- AVISO: Excepcionalmente nos dias 13 e 20 de novembro, não haverá a postagem dos capítulos treze e quatorze. Para mais informações acesse: http://mrfanfiction.tumblr.com/tagged/aviso Com esse novo canal podemos ter uma linha direta para uma melhor relação entre autor/leitor. Vide o tumblr anunciado para se informar e meus projetos atuais e futuros.