Sebastian Smythe - Contos
2 Um passo adiante.
Notas iniciais

A meia luz a sala é iluminada apenas por pequenas velas artesanais perfumadas. Sobre o carpete macio há um lençol de seda pérola e sobre este há pétalas de rosas vermelhas espalhadas no qual estamos sobre. Sebastian fez todo o trabalho de decoração e eu tenho que confessar, ele sabe mesmo dar ar de romance a um ambiente. Ele não é o tipo de cara que transa sob pétalas de rosas, mas fez por que eu sou.
Todo o seu esforço para me fazer sentir bem e confortável ao seu lado é realmente muito mais do que eu esperei que ele fosse capaz. Sinceramente eu entrei nessa relação com as expectativas baixas, de certo modo eu esperava que Sebastian estragasse tudo logo na primeira semana, mas a verdade é que ele realmente tem me surpreendido.
Sebastian está deitado de bruços com a cabeça repousando sobre seus braços. A luz trepidante das velas fazem as gotículas de suor em seu rosto brilharem. De olhos fechados ele arfa em prazer se deliciando com os movimentos firmes e repetitivos que faço com minha pelve contra sua bunda. Meus lábios percorrem sua nuca e ombro, onde disperso por entre eles alguns beijos molhados. Não há pressa em nada que eu faça.
Seus olhos estão fechados, mas ainda assim posso ver seus globos revirarem sob as pálpebras. Em seus lábios há um sorriso bobo que logo é desfeito para soltar um prazeroso “Ahhh. Isso!” de puro prazer. Intensifico um pouco mais e sua resposta é rápida. Seu cenho se contrai o franzindo enquanto mordisca o lábio inferior.
Então eu simplesmente paro com todo e qualquer movimento.
– O que estamos fazendo? – pergunto em voz alta, mas a pergunta é para mim e não para ele.
– Sexo, Killer... – Sebastian diz rouco. – E ta muito gostoso.
Desencaixo nossos corpos para sair sobre Sebastian que abre um dos olhos para me espiar. “Não, não é isso...” afirmo me sentando encolhido ainda sobre o largo tecido que reveste o carpete.
– O que você ta fazendo? – Sebastian me olha alarmado. – Como assim ‘O que estamos fazendo?’ Não está claro?
– Não, não é isso... – me encolho ainda mais abraçando meus joelhos.
– Estamos transando. – ele diz simplesmente. – Que parte do seu p...
– Sebastian... – o censuro, mas não o intimido. Minha censura apenas sobrepõem ao que diz, mas não o faz se calar.
– ...dentro da minha... – ele insiste.
– Sebastian! – persisto sem resultados.
– ...você não entendeu? – ele me encara sério, agora apoiado sobre seus cotovelos, mas ainda deitado de bruços. – Achei que estivesse explicito.
Respiro fundo tentando retomar minha calma e paciência.
– Me escuta. Isso é sério. – o olho com um olhar significativo.
– O que está acontecendo? – há um tom de preocupação em sua voz agora.
– Isso não está legal para mim. – confesso.
“Tudo bem, a gente troca de posição.” Sebastian diz simplesmente de forma inocente ficando se joelhos mantendo seu olhar sobre mim esperando que eu me junte a ele. Balanço a cabeça negativamente. “Não, olha tudo o que temos feito no último mês que estamos juntos foi fazer sexo.” desabafo, mas Sebastian que me olha deixa tombar a cabeça um pouco para o lado igual a um filhotinho de cachorro que tenta entender algo novo que acaba de ver.
– O que tem? – ele pergunta sem compreender.
Não que ele não se importe, pelo contrário, ele se importa. Mas o que sei é que todo mundo tem um jeito que acha melhor para demonstrar que gosta de alguém, o jeito do Sebastian é sexo. Ele passa horas, dias e até mesmo semanas para inventar formas diferentes e muito criativas para me excitar. Esse é o jeito dele e tudo bem, mas a minha forma de dizer: ‘Hey, me importo com você.’ definitivamente não da mesma forma.
– Eu sou o tipo de cara que procura profundidade em um relacionamento. – tento esclarecer a ele. — O que está parecendo é que nossa relação se baseia no sexo e... parece que isso não está indo a lugar nenhum.
– Olha, eu tenho certeza que você estava me tocando muito profundamente segundos atrás. – Sebastian tenta me fazer rir, mas não consegue.
– Isso é sério! Por favor vamos falar sério agora. O sexo é incrível, mas sexo sem profundidade não me faz feliz. – Sebastian finalmente parece compreender a onde quero chegar.
– O que sugere? – pergunta ao se sentar de frente para mim.
– Que nos conheçamos mais, talvez. – sugiro.
– Mas eu te conheço muito bem. – ele afirma.
Ergo a sobrancelha em tom de desafio.
– Certo. Qual é o nome da minha irmã? – blefo.
– Essa é fácil... – Sebastian soa confiante.
– Então?
– Ah... – Sebastian faz uma longa pausa em busca da resposta em sua cabeça.
– Eu não tenho uma irmã. – finalmente falo após longos minutos de silêncio entre nós dois.
– Fingido! – Sebastian me acusa cruzando os braços. – Isso é um bom sinal, eu sabia e é por isso que não me veio nome nenhum a cabeça.
Aspiro o ar ruidosamente com a boca demonstrando toda a minha frustração com aquilo “Está vendo?”. Há culpa em seu olhar, mas Sebastian não perde o senso de humor que se torna um inconveniente para a situação.
– Nem vem, — ele começa. – eu sabia que você não tem irmãos.
– Eu tenho um irmão. – informo.
– Irmãs! – ele tenta concertar em vão.
Me levanto seguindo até o banheiro para tomar banho. Essa noite está oficialmente terminada.
– Ah qual é? Você faz isso bem no meio do sexo... – Sebastian ainda tenta argumentar uma discussão já perdida. – Blaine! ... Volta aqui, por favor! ... Blaine! Arg!!!
Então há apenas silêncio. Abro o chuveiro e o silêncio é quebrado pelo som da água que bate no chão do box.
– Olha, tudo bem. Eu concordo que a gente deva conservar mais, mas você não poderia ter escolhido outra hora? – Sebastian irrompe pela porta do banheiro adentro. – Vamos voltar para a sala, por favor.
– É sério o que está me pedindo? – o encaro cético.
– Acho que não. – Sebastian encolhe os ombros e fecha a porta ao deixar o cômodo.
. . .
Nada mais romântico do que acordar em uma manhã de domingo e espiar meu namorado que dorme tranquilamente no quarto ao lado do meu. Na verdade eu consigo pensar em um milhão de coisas mais românticas do que isso. Ainda me sinto mal pelo jeito que a noite passada terminou, mas não deixo que isso afete o meu bom humor.
Dizem que o mundo é conforme o enxergamos, talvez isso seja uma grande baboseira, mas quero acreditar que não. Você sabe, eu sou um cara muito otimista e positivo e percebo que isso tem contagiado Sebastian desde que começamos a namorar, então talvez a chave para uma boa vida seja encara-la com positividade. Todo meu otimismo que o contagia o faz fazer coisas que jamais faria antes e eu acredito que isso seja uma coisa incrivelmente boa. Não que eu espere ou queira que Sebastian seja uma pessoa diferente do que ele é, pois não quero.
Com isso em mente começo a preparar nosso café da manhã. Tudo começa a exalar um cheiro gostoso. Na cafeteira, o café cai quentinho e fumegante na jarra; na máquina de wafles os wafles que ficam dourados enquanto são assados lentamente. Na frigideira sobre o fogo, bacon e ovos estalam enquanto são fritos. Os aromas se misturam e espalham por todo apartamento.
Conforme cada coisa fica pronta, cada uma a seu próprio tempo, vou montando a bandeja com porções para dois. Canecas com café fumegante, pilhas de wafles com camadas generosas de geléia de frutas vermelhas sobre cada uma e ovos com bacon. Observo para ser se não esqueci de nada e não posso deixar de ficar orgulhoso de meu trabalho.
Abro a porta do quarto de Sebastian, que ainda dorme, e repouso a bandeja sobre sua mesa de computador. Abro as cortinas de seu quarto e a luz que entra enche o cômodo de vida.
– Não! – Sebastian resmunga cobrindo a cabeça com o travesseiro.
– Vamos lá, bonitão. – tento o descobrir. – É hora de acordar.
– Não! Hoje é domingo, eu quero dormir até amanhã. – ele insiste choramingando.
– Nada disso! – consigo finalmente arrancar o travesseiro sobre seu rosto. – Está fazendo um dia lindo lá fora e a gente vai sair e aproveitar esse dia maravilhoso!
Tudo o que consigo ouvir de Sebastian são resmungos abafados.
– Olha, eu fiz o café da manhã, então por que você não age como um bom garoto e senta na cama para que a gente possa tomar nosso café?
Sebastian descobre seu rosto sem vergonha, ele ainda está sonolento, mas mesmo assim sorri para mim.
– Esse cheiro bom é aqui dentro? Achei que fosse em algum vizinho.
– Do que você está falando? Entre nós dois é você a desgraça na cozinha. – o provoco.
Sem prévio aviso Sebastian me atinge no rosto com seu travesseiro.
– Essa sua falta de fé em mim é perturbadora, Anderson.
– Essa citação foi incrível, – admito. – mas obviamente uma tentativa desesperada pela caneca.
– Droga! Você percebeu...
Desde nosso primeiro mês juntos, Sebastian e eu “disputamos” para decidir quem usaria a caneca ‘O Melhor namorado do mundo.’ que originalmente foi dada a mim de presente por ele. Mas a dei para ele depois que me surpreendeu com aquela encenação de Star Wars que ele me presenteou. Por fim decidimos que a caneca é um troféu e título transferível para cada vez que um de nós a mereça. É uma coisa boa, eu sei, mas é a nossa coisa boba.
– A onde você está indo? – o observo sair de sua cama. – Não vai querer tomar café?
– Relaxa, Killer. – ele diz tranquilamente. – Você já fez o café da manhã, então agora eu levo para você na cama.
Sorrio para ele o beijando ao passar por mim. Deito em sua cama enquanto o observo trazer a bandeja para a cama e se deitar ao meu lado.
Passamos a manhã toda na cama falando banalidades, ouvindo música e trocando caricias.
– É melhor a gente levantar. – digo me levantando. – Você me ajuda a montar a cesta de piquenique?
– Claro. Espera, a gente vai fazer piquenique? – ele se levanta procurando uma roupa para vestir.
– Sim, vamos no Central Park ter um dia ótimo. – em um único segundo que desvio minha atenção de Sebastian, olho para a janela do quarto. – Ah... Caramba! Eu não acredito nisso.
– Isso! – Sebastian comemora ao observar o mesmo que eu. O censuro com o olhar, o que o faz se retratar de imediato. – Quero dizer... Ah não, mas que droga!
– Tudo bem, Sebastian... – digo olhando a chuva que lava consigo a promessa de um dia perfeito no parque. – Você não precisa fingir que isso não te deixou feliz. Era tudo o que você queria...
Pode parecer imaturo da minha parte, mas sério, aquilo era importante para mim. A chuva é capaz de varrer todo o meu ânimo e empolgação para debaixo o tapete me obrigando a me refugiar em meu quarto, ler um livro e cair no sono.
É somente no meio da tarde que acordo com o celular apitando. O encontro jogado ao meu lado na cama. Na tela uma mensagem curta de Sebastian diz: “Venha para o meu quarto.”. Tratando-se de Sebastian aquilo só significa alguma coisa então apenas o ignoro sua tentativa por sexo. O celular torna a vibrar: “Não é sexo.” ele acrescenta em uma nova mensagem. Ainda o ignoro por que é triste de dizer, eu sei, mas eu já caí nessa e não pretendo cair novamente. Uma nova mensagem chega: “Não vai ser que nem da outra vez, eu juro!” ele insiste parecendo ler meus pensamentos.
Ele não vai desistir se o conheço, reviro os olhos e saio da cama. Ao sair de meu quarto, sigo para o quarto de Sebastian, mas não antes de pegar um borrifador de água na cozinha.
Armado com o borrifador, entro em seu quarto que está muito mal iluminado, não por que as cortinas encobrem toda luminosidade do lado de fora das janelas para dentro. Ao contrário. As janelas estão despidas de cortinas e tudo o que há no céu de New York são nuvens carregadas e escuras. A chuva que cai é continua e intensa, relâmpagos são a única coisa que traz alguma claridade para a cidade agora além das luzes dos postes públicos que foram acionados precocemente.
– Que dia horrível! – digo angustiado com toda aquela escuridão me rodeando. – Você deveria acender a luz aqui...
– Não! – Sebastian segura minha mão que está a meio caminho do interruptor de luz. Ele não a solta mesmo depois que eu desisto de acender o cômodo. – Eu fiz uma coisa para você.
Ele anuncia, então começo a prestar mais a atenção ao nosso redor. Há algo de diferente no quarto de Sebastian além da escuridão em si.
– O que houve aqui? Cadê a sua cama? – pergunto.
– É melhor eu te mostrar do que falar.
Sebastian avança alguns passos para o centro do quarto, onde costumava ficar sua cama e bate a canela em alguma coisa que o faz soltar uma dúzia de palavrões. Tampo minha boca com a mão para abafar a risada que quero soltar.
– Você está bem, Bas? – pergunto engolindo a risada.
– Eu vou ficar. – ele diz.
Em um segundo o quarto é pura escuridão e no segundo seguinte há uma iluminação suave vinda de dentro de... de... Na verdade eu ainda não consigo identificar do que exatamente.
– O que é isso? – pergunto a Sebastian.
– Isso é um forte. Eu construi um forte para nós.
Sebastian não consegue me ver, mas meu rosto se ilumina de alegria. Sob várias camadas de lençóis brancos nos deitamos no fundo da tenda que é a cama de Sebastian. O teto é revestido por pequeninas lâmpadas de led que a mantém iluminada em uma medida perfeita, nem de mais e nem de menos. Sebastian se junta a mim fechando a tenda ao adentrar nela, se deita ao meu lado.
– O que achou? – ele me olha ansiosos.
– Bas, eu... – tudo ali me deixa aconchegado e confortável. Talvez não queira sair daqui nunca mais. – Eu amei!
Sebastian me observa sorridente. Ele me olha como se maravilhasse com minha expressão em meu rosto.
– E o que fazemos? – pergunto finalmente.
– Bom, você disse que precisamos nos conhecer mais e já que o seu programa para hoje foi literalmente por água à baixo, — ele diz apontando para a direção da janela que já não conseguimos ver. – então pensei que seria uma boa idéia a gente fazer isso aqui, sabe... Conversar.
– É sério? – meu sorriso se abre ainda mais.
– Super sério! – ele insiste.
– Obrigado. – digo o beijando carinhosamente.
– Então, por onde começamos?
Conversamos por horas e não vemos as horas passarem. Falamos sobre coisas simples, sem importância e importantes. Discutimos o possível sentido da vida e o que acreditamos no que acreditamos no que deve haver após a morte. Conhecemos coisas básicas um do outro e coisas que nos fazem felizes como o musical preferido na Broadway, cor favorita, filme de ama, música que nos faz perder o ar e o coração acelerar, entre outras coisas. A conversa flui de forma descontraída e interessante.
– Tudo bem, eu já sei um monte de coisa sobre você, mas eu quero alguma coisa intima. – digo finalmente.
– Íntima? – Sebastian me encara intrigado.
– Sim.
– Tipo a cor da cueca que eu estou usando? – ele aparenta falar sério.
– Não, você me entendeu. – digo.
– A resposta é nenhuma. – Sebastian diz dando uma piscadela para mim. – Nenhuma.
– Sebastian! É sério. – digo tentando ignorar a informação que acabei de absorver e imaginar em minha cabeça.
– Eu sei, eu sei. Eu só estava brincando. – ele diz sorrindo para mim. – Na verdade é preta.
Mordisco meus lábios com a imagem que se forma em minha mente. Balanço a cabeça tentando voltar minha atenção ao que importa.
– Okay, Ah... eu não consigo. – Sebastian fala em desabafo.
– É claro que você consegue. Confia em mim... – insisto.
– Tudo bem... – ele respira fundo antes de falar. – Eu acho que seria melhor se você fizesse as perguntas.
– Me conte qualquer coisa que se sentir à vontade para me contar. Não é tão difícil.
– Tá... Eu acho que nunca superei a morte da minha mãe. – as palavras saem dolorosas de sua boca.
O silêncio criado à nossa volta é sombrio e ensurdecedor. Seguro sua mão entre as minhas. Eu tinha ido longe de mais com aquilo, o forcei a tocar naquele assunto, que mesmo que eu não tenha vivenciado nada parecido, sei que é muito doloroso.
– Eu o culpo pela morte dela, o meu pai, mas eu sei que desconto minha raiva nele. – há dor em cada palavra que ele profere.
– Desculpa, eu não deveria ter insistido... – acaricio seu rosto tentando o fazer se acalmar. – Você não precisa continuar se você não quiser. Me desculpe.
– Tudo bem. Acho que eu precisava falar isso. Sabe, eu e ele não temos uma relação de pai e filho. – Sebastian repousa sua mão sobre a minha que acaricia seu rosto. – Eu até duvido que ele saiba onde eu esteja morando agora. Não que ele se importe em saber ou que eu me importe e queira que ele saiba.
– Eu achei que fosse com o dinheiro do seu pai que estava vivendo aqui. – falo recioso.
– E é... – ele diz simplesmente. – Essa é toda a nossa relação. Ele é um caixa eletrônico que tiro dinheiro para pagar minhas contas.
– É um modo horrível de se referir ao seu próprio pai. – deixo escapar toda a minha surpresa.
– Eu sei, mas é a verdade. Eu não falo com ele desde quando vim para New York. – confessa.
– Eu sinto muito em saber disso.
– Não sinta. – Sebastian retira minha mão de seu rosto e a beija carinhosamente. – Isso não me chateia. Fico feliz que ele se mantenha longe de mim.
Uma grande parte de mim acredita no que diz, mas a pequena parcela em mim que não acredita grita que aquilo realmente faz mal a ele. Mas não quero insistir nisso. Não agora.
– Tenho que confessar, eu amei essa ideia. – digo a ele.
– Pode dizer, eu sou incrível! – Sebastian se gaba.
– Tudo bem, você é incrível! – me aproximo dando-lhe um beijo longo e demorado. – E... eu acho que você merece a caneca.
– Isso!!! – ele comemora.
Caímos na risada por alguns minutos.
– Sabe, acho que a gente pode repetir isso mais vezes, mas só que da próxima vez a gente pode incluir uns óleos de massagem, algumas roupas de couro, um chicote. Eu nunca brinquei com um chicote.
– Por que tudo para você tem que acabar em sexo? – pergunto pasmado.
– Me desculpe, mas você pode me culpar por não conseguir manter as minhas mãos e boca muito tempo longe desse seu corpo delicioso? – ele acaricia meu rosto com o dedo seu dedo indicador.
– Tudo bem, Sebastian, isso foi ótimo. – digo irritadiço saindo do forte. – Mas amanhã eu preciso acordar cedo.
– Espera aí. – ele me segura pela mão. – A gente ainda não terminou.
– Se for...
– Não é. Eu prometo. – ele sai do forte. – Espera aqui que eu já volto para te busca.
Deito na cama à espera de Sebastian. Não demora mais do que dez minutos até que ele volte para me buscar. Andamos até a sala aos tropeços e esbarrões pela falta de iluminação no quarto, o que muda drasticamente quando chegamos na sala de jantar. Há uma grande janela em frente a mesa de jantar e nunca usamos, por que fazemos nossas refeições no balcão da cozinha.
Diferente do que é de costume, em frente à janela, há uma toalha vermelha e branca quadriculada. Onde alguns pratos repousam sobre com frutas, torradas e café. Ainda chove do lado de fora, mas o céu exibe agora o nascer do sol. Eu o encaro surpreendido.
– Você queria fazer um piquenique, então... – Sebastian responde a pergunta que havia feito apenas em minha mente.
– Ah Bas, isso está lindo. – digo sorridente.
– Bas? Isso quer dizer que não está mais bravo comigo?
– É, eu não estou mais bravo com você.
– Então, por favor, senhor queira se sentar nessa confortável almofada. – ele me guia até a almofada da esquerda se sentando sobre a almofada à minha frente em seguida.
– Isso está incrível. – admito. – Você com certeza merece aquela caneca.
Fico de joelhos no chão e engatinho sobre a toalha para me aproximar dele. Dou-lhe um beijo carinhoso em seus lábios sorridentes.
– Acho que vou ter que cancelar tudo hoje. Estou morrendo de sono. – confesso.
– Me desculpa por isso. – ele diz sincero.
– Não se desculpe, de verdade, eu amei tudo o que fez.
– Posso contar mais uma coisa? – ele pergunta.
– Claro, por favor.
– Existem especificamente três coisas que eu amo nessa vida. A primeira é essa... – Sebastian diz se levantando e abrindo a janela deixando o frio da manhã entrar. – Bem a nossa frente.
– A noite? Escuridão? – sugiro.
– Não. A noite me fascina, mas não é isso. É o vento. – ele volta a se sentar. – O jeito que o vento gelado me faz sentir, esse tipo de vento só tem no inverno ou nas madrugadas. Me faz... me faz sentir diferente.
– Muita coisa está ficando clara agora. O porquê de você sempre querer transar com as janelas abertas e...
– Exato. – Sebastian ri. – A segunda: Arte. E sei que essa nós compartilhamos. Arte no geral, qualquer e toda forma de arte, por que as pessoas costumam colocar sua alma em suas artes, então vemos a alma do artista apenas olhando para a sua arte. E eu vi a sua Blaine Anderson, quando canta, e você tem uma alma linda.
Ruborizo violentamente enquanto ele me olha. Sorrio sem graça, mas ainda assim sustento seu olhar.
– E a terceira? – tendo mudar o foco de mim.
– Hmm... – ele reflete por um segundo. – Parece inapropriado agora...
O mistério em seu rosto e sorriso torto me fascina. Sebastian desvia seu olhar e olha para além da janela. O nascer do sol. Desvio meu olhar para o céu também. Assistimos juntos o nascer do sol do conforto de nosso apartamento.
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