Notas iniciais
Pessoal, desculpem pelo capítulo grande, espero que não os canse muito, mas esse capítulo se trata de um “super-capítulo”, ou seja, ele é grande mesmo. Por isso que foi dividido em duas partes. Aproveitem a leitura, se divirtam, se revoltem, etc... Por favor , não deixem de ler as notas finais. ;)

24 de Setembro de 2015 – Sexta-feira. – Manhã da Véspera do Casamento.

Blaine arfa ruidosamente em prazer absoluto. Seus lábios quentes e secos tocam minha nuca mais uma vez em um beijo antes de se jogar ao meu lado, na cama. Se deitando de barriga para o alto.

– Esse...foi...sem...dúvida...o...melhor...que...já...tive. – Blaine diz ofegante.

– Sério? – pergunto curioso.

– Super sério! – afirma ofegante.

Não posso deixar de ficar orgulhoso com o feito. Encaixo meu rosto em seu pescoço o beijando meticulosamente. “Sossega” ele fala acariciando minhas costas e meus cabelos. “Você não quer tentar a sexta?” sugiro, mas ele se queixa por estar cansado demais para continuar. Descanso meu rosto em seu peito suado. Seu coração bate num ritmo frenético e aquilo é como música para mim.

– Quer água? – ofereço.

– Quero muito água. – ele suplica.

– Tudo bem, eu busco. – me levanto da cama dando-lhe mais um beijo antes de ir.

– Eu vou com você!

Seguimos direto para a cozinha. Pego duas garrafas d’água de dentro da geladeira e entrego uma a Blaine.

– Nós deveríamos ter dormido. – verbaliza ao olhar pela janela e ver o nascer do sol.

– Nós vamos pegar um voo em três horas, amor. – tomo um grande gole da garrafa em minha mão. – Podemos dormir durante o voo.

– São só uma hora e meia de voo. – ele me lembra voltando a me olhar.

– Ah, então acho que deveríamos ter dormindo um pouco mesmo. – o provoco.

Blaine revira os olhos enquanto bebe sua água. Acaricio sua mão sobre o balcão da cozinha.

– Posso perguntar uma coisa? – arisco.

– Não, eu não nunca mais vou fazer aquela posição de novo. Aquilo me machucou. – ele avisa.

– Não é sobre isso. Mesmo achando um exagero da sua parte. – fico na defensiva. – É sobre sua cueca.

Blaine olha para sua cueca como se houvesse algo de errado com ela. Como não identifica nada estranho, volta a me olhar.

– Por que você sempre a coloca depois da gente transar? Tipo, toda a vez? – aponto para mim mesmo. – Eu não estou usando nada.

– Eu não gosto de andar por aí pelado com o meu negócio balançando pra lá e para cá. – ele explica sério.

Por mais que eu queira rir, não sucumbo a minha vontade.

– Você está usando uma cueca samba canção. – aponto para ele agora. – O seu “negócio” vai balançar para lá e para cá de qualquer jeito, B. A diferença é que ninguém vai vê-lo, mas ainda dá para vê-lo balançar.

– Eu não me sinto confortável. – ele tampa sua garrafa vazia.

Pego as garrafas as jogando no lixo. Pego mais duas dando uma delas a Blaine novamente.

– Eu gostaria que se sentisse. – confesso. – Na verdade eu amaria andar pelo apartamento e me deparar com você pelado...

Ando até o pequena dispensa para pegar pão de forma e outros ingredientes na geladeira para fazer alguns sanduíches para nós.

– Ele é lindo. – falo em tom displicente. – O seu pênis. Ele é com certeza o melhor que já vi. Talvez seja pela sua mistura familiar euro-asiática que o torne tão exoticamente perfeito.

Blaine se contém para não cuspir a água em sua boca quando começa a rir.

– Falando em família... – ele fala sutilmente.

– O que tem?

– Acho que já está na hora de você conhecer a minha.

– Ah sim, claro. – brinco.

– Eu achei que você ficaria relutante quanto a isso. – ele diz animado.

– Não, espera, – o encaro alarmado. – você está falando sério?

– Estou, por quê? – ele dá de ombros.

– Blaine, seus pais já me conhecem. – minha vontade é de chacoalha-lo, mas resisto ao impulso.

– Como assim, do que você está falando? – ele repousa a sua garrafa sobre o balcão central. – Eles não te conhecem.

– Talvez não pessoalmente, – rebato imediatamente. – mas eles devem me conhecer como sei lá, talvez como “O cara que quase cegou o nosso filho.”.

Habilmente, Blaine constrói dois sanduiches empurrando um deles para mim. Sua feição transparece tranquilidade e calma. O oposto do que me sinto agora.

– Sebastian... – fala quando engole a primeira mordida que deu em seu lanche. – Eu nunca disse a eles o nome da pessoa que fez aquilo.

– Você está mentindo! – o acuso.

– Eu não estou mentindo, Sebastian. – diz ao dar mais um mordida no pão.

– Isso não vai ser nada bom. – passo as mãos em meus cabelos os deixando ainda mais irisados. – Isso não vai ser nada, nada, nada bom!

Minha barriga ronca ruidosamente, mas a fome não é o que me preocupa agora.

– Confia em mim... – ele insiste. – Vai dar tudo certo. Agora coma!

Quando a ideia começa a ser digerida, juntamente com o sanduíche que consegui comer em menos de um minuto, devida a imensurável fome pós-sexo, consigo ficar menos nervoso com a ideia de conhecer os pais de Blaine.

– Eu achei que você nunca mais fosse transar comigo. – confesso a ele.

– Por você deliberadamente ter ficado entediado na última vez que tentamos transar? – Blaine provoca.

– Você sabe que não foi isso o que aconteceu, B. – explico pela milésima vez. – E eu já pedi desculpas por ter feito isso.

– Sei... – fala em tom fingidamente desconfiado.

– Qual é? – falo na defensiva. – Você me castigou a semana inteira por causa disso.

– Tudo bem, nós já superamos isso, amor...

Flashback – Domingo – Quatro dias antes.

Na manhã seguinte, ao despertar, não abro meus olhos logo de imediato. Os sons que vem da rua para dentro do apartamento estão significativamente mais altos do que o de costume. As veias laterais de minha cabeça pulsão agressivamente junto com a sonoridade ambiente.

Não é necessário que eu abra os olhos para notar que Blaine havia dormido sobre mim. Com certo esforço, tento lembrar o que aconteceu na noite passada. Um pequeno flashback passa em minha cabeça, fazendo com que abra os olhos imediatamente ao me lembrar.

O quarto ainda está escuro, toda a luz externa é bloqueada pela cortina. Ao olhar para baixo, na altura de meu abdômen, vejo Blaine, que dorme tranquilamente jogado sobre mim. Seus lábios ainda estão colados em meu baixo abdômen, enquanto suas mãos somem dentro de minha cueca.

Rolo com ele na cama, o deitado sobre ela. Livre, finalmente posso me levantar e sair da cama. Caço minha calça e blusa que usava noite passada, enfio o um par de óculos de sol em meu rosto e pego a carteira a enfiando em meu bolso traseiro.

Blaine dorme profundamente e tranquilamente. Pego sobre a escrivaninha um bloco de post-it e escrevo em uma das folhas: Fui busca o café da manhã. Não levante da cama. Volto logo. –S. Olho aos redores afim de encontrar um lugar ideal para pendurar aquilo. Um lugar que ele veja sem dificuldades caso acorde enquanto estou fora.

Não me orgulho disso, mas não há lugar melhor para coloca-lo. Colo a pequena folha amarela no peito nu de Blaine. Beijo sua testa e deixo o quarto, logo em seguida o apartamento.

Infelizmente, quando volto com o café da manhã, Blaine já não está mais na cama. Ouço o som da descarga sendo dada no banheiro do quarto.

– Por que está de pé? – pergunto a ele ao vê-lo passar pela porta do banheiro para dentro do quarto. Minha voz causa a ele mais dor na cabeça.

– Eu precisei ir ao banheiro. – ele diz colocando a mão sobre a testa.

– Você não leu o meu recado? – pergunto chateado.

– Que recado? – ele parece confuso.

Dou um passo à frente e retiro o post-it de seu peito e o leio em voz alta. Blaine, porém, encara seu peito no local que o post-it esteve grudado segundos atrás e volta a olhar para mim.

– Eu sei que parece loucura falar isso em voz alta, – ele anuncia calmamente ao me encarar. – mas pelo o amor de Deus, Sebastian... Eu não sou um mural de avisos!

– Eu sei amor, é que eu queria te fazer uma surpresa. – tento explicar. Levanto a caixa rosa que trago comigo e sobre ela há dois copos de café fumegante. – Eu trouxe o seu favorito.

“Cronuts!?” ele pergunta exaltado. Suas pupilas dilatam rapidamente, dando um passo à frente com os braços estendidos para tomar a caixa de mim. “Cronuts!” afirmo exultante com a reação dele à mera possibilidade do doce. Contudo, há um preço que ele deve pagar por aquilo. Então conforme ele avança, eu recuo.

– O que está fazendo? – seu tom é de frustração.

– Eu tenho uma condição para te dar essas belezinhas aqui. – digo balançando a caixa dando ênfase.

– Não faça isso, Sebastian. – posso vê-lo engolir em seco ao olhar para a caixa. – Você sabe o quanto gosto disso.

Por uma fração de segundos Blaine simplesmente para de me perseguir. Com o cenho franzido ele olha para além da caixa em minhas mãos.

– Espera aí. – diz a mim. – Como você sabia disso, sobre os Cronuts? Eu nunca disse que gostava.

– Ah... – esfrego a testa enquanto tento pensar em uma resposta não muito assustadora. – Sabe, as inúmeras embalagens em nosso lixo me deu uma pista...

Boquiaberto com minha resposta, Blaine cruza os braços com os olhos semicerrados enquanto me encara. Disparando-me uma pergunta indignada em seguida. “Você vasculha o nosso lixo?”

– Não! – exclamo na defensiva. – É que quando você percebe que o lixo da sua cozinha tem uma quantidade absurda de caixas rosas... Aquilo meio que começa a te deixar curioso.

Ele cora violentamente e não me sinto um segundo sequer bem por fazê-lo se sentir daquela forma. Repouso a caixa sobre a cômoda com porta-retratos caídos, coisa que fui responsável. Resultado do meu pequeno showzinho na noite passada.

– Tudo bem, você é viciado em cronuts. E daí? – tomo suas mãos nas minhas. – Não me importa! Comprei isso por que isso é um pedido de desculpa por ter dormido a noite passada.

Blaine me analisa silencioso por um longo tempo até que eu quebre o silêncio.

– Nós podemos deitar, comer esses Cronuts, beber nosso café. E depois, se você quiser, nós podemos terminar o que começamos a noite passada. – acaricio seu rosto enquanto falo. – O que me diz?

– Para quê? – ele me olha chateado. – Para você dormir de novo, por que me acha um completo tédio na cama?

– Qual é? Você sabe muito bem que não foi isso o que aconteceu. Eu estava bêbado!

– Bom, para mim, parece que foi o que exatamente aconteceu.

– Então isso é um não?

– Isso é um Sim para o cronuts na cama e o café... – aguardo atentamente cada palavra que ele está prestes a dizer. – E um Não para o sexo.

– Por que? – insisto.

“Por que hoje nós dois vamos à clínica pública.” ele diz ao pegar a caixa e leva-la até a cama, onde começa a comer sem mim. Encaro de pé em frente a cama. Bline enfia um Cronuts inteiro na boca, aquilo tem pelo menos oito centímetros de comprimento. “Vamos fazer os nossos exames de rotina.” ele declara com a voz esganiçada por estar com a boca cheia.

– E por que hoje? – sento ao seu lado na cama. – Hoje nem é fim de mês.

O meu contraponto tem valor e Blaine sabe disso, mas ainda assim não dá o braço a torcer.

– Esse é o último final de semana disponível que teremos. – diz ao pegar mais um doce da caixa e preparando-se para devora-lo.

– Do que está falando? Ainda temos mais um final de semana antes de terminar o mês. – o lembro.

– Não, o próximo final de semana será o casamento das garotas. – ele diz chupando os dedos. Assisti-lo naquela orgia de Cronuts começa a me constranger. – Vamos estar muito ocupados para ter tempo para os exames.

– Me desculpa, mas quando foi que nós definimos que iríamos de fato nesse casamento? – o questiono.

– Quando Kurt me ligou ontem à noite, ele me convenceu a ir.

Ele diz a palavra mágica para me irritar: Kurt.

– O que? Que ridículo! – esbravejo. – Isso seria uma decisão tomada por nós dois. E não por que o seu ex-namorado liga para o nosso apartamento e te convence a ir.

– Por que você está surtando? – Blaine diz calmamente com a boca suja de cobertura de doce de leite. – O que ele disse foi sensato. Elas são minhas amigas e é importante que eu vá dar apoio a elas.

Respiro ruidosamente demonstrando todo o meu desagrado. Quando se trata dos amigos dele, minha vontade é absolutamente dispensável para Blaine.

– Eu não planejei isso para o nosso domingo. – deito na cama ao lado dele. Estico meu braço para pegar meu café. Sinto que estou prestes a perder meu braço se tocar em um Cronuts sequer.

– E o que você planejou? – Blaine relaxa ao ver que estou ali apenas pelo café.

– Sei lá... – respondo reflexivo. – Ficar na cama até tarde, transar, prepararmos o almoço juntos, transar de novo. Sabe, essas coisas...

– Desculpa, mas vamos preciso fazer esses exames hoje.

Fim de Flashback.

Aquele dia se resumiu a Blaine e eu enfiados em uma clínica médica apenas fazendo vários exames. Eu não acho ruim dele ter criado a rotina de que toda final de mês vamos juntos fazer exames de DST. É uma precaução necessária, mas é chato.

Aquela só foi uma prévia do nossa semana. Ele começou a inventar inúmeras desculpas para não ficarmos juntos. Inicialmente achei que fosse apenas por causa de eu ter dormido antes do sexo, mas outra coisa tinha acontecido naquela noite que não conseguia lembrar desde ontem à noite. O lance do: “Eu nunca amei ninguém como amo você.”

Acredito que seja de conhecimento geral que eu sou uma negação na cozinha, mas Blaine cometeu um grande erro ao me obrigar a assistirmos juntos Ratatouille, a animação da Disney. Se quer um conselho amigável, não acredite no que os filmes da Disney te dizem. Lamentavelmente eu descobri isso da forma mais dura possível.

Motivado pela mensagem inspiradora e encorajadora que o filme passa, de que “Todos podem cozinhar.”, fui tomado pela ideia louca de preparar alguma coisa especial para Blaine.

Flashback – Dois dias antes – Terça-feira.

– Bom dia! – digo ao ver Blaine se aproximar sonolento da bancada de nossa cozinha, enquanto preparo o café para nós. Seus cabelos estão bagunçados dando a eles um grande volume, seus olhos ainda se acostumam à claridade do dia que irradia das janelas para todo o apartamento.

– Bom dia. – ele esfrega seus olhos que vão do verde amendoado para um tom mais claro de verde, por causa da luz. – Você fez o café?

– Eu fiz sim. – imediatamente noto a cara de preocupação no rosto de Blaine.

– Você não deveria... – ele diz

– Mas eu quis. Tudo para agradar você, cabeludo. – digo todo sorridente.

– Obrigado Bas, eu aprecio o seu gesto, mas...

– Me agradeça depois... – digo cheio de energia. – Aqui, prova!

Empurro em sua boca um pedaço de rosquinha que eu mesmo havia assado. Aquilo realmente me deu trabalho para fazer. O assisto a mastiga-la em silêncio e com grande expectativa.

– O que achou? – pergunto animado.

– Deus, Sebastian... – ele cospe tudo em guardanapo.

– O que foi? – tento compreender sua reação negativa.

– Parece que acabei de colocar um pedaço de tristeza em minha boca. – ele corre para pegar uma garrafa de água e bebê-la toda.

– O que? Que absurdo, seu mentiroso. – pego o resto da rosquinha de sua mão e dou uma grande mordida nela.

Blaine cruza os braços enquanto me observa mastiga-la.

– Ah meu deus! – exclamo indignado botando tudo para fora.

– Eu te disse!

– Meu Deus! – digo tomando uma golada de água da torneira da pia. – Por que você me deixou colocar isso na boca?

– Eu disse...

– Se a morte tem um sabor, com certeza tem esse gosto. – arfo em desespero.

Fim de Flashback

Então Blaine simplesmente me inscreveu em várias aulas de culinária. E peço que se atenha ao S no final de aulas para indicar o plural excessivo de aulas que fui inscrito. Eu não entrei por vontade própria por que cozinhar não é o meu lance de jeito nenhum, mas Blaine alegou que era um bem a sociedade americana eu fazer aqueles cursos.

Por mais que tenha tentado, Blaine não foi capaz de me manter longe dele o tempo todo. Quando finalmente pudemos estar juntos, Blaine inventou de encontrar o presente perfeito para dar as noivas

Flashback – Quinta-feira. (Um dia antes.)

Minhas pernas doem em protesto pelo de cansaço. Blaine me fez andar o dia inteiro atrás de um presente perfeito que a essa altura acredito existir apenas em sua cabeça.

Entramos pela milionésima loja naquele dia. Há uma quantidade infinita de itens decorativos para casa. Vasos, quadros com pinturas, objetos de cerâmica... Tudo há um preço muito elevado.

– O que você acha desse cisne de cristal? – Blaine aponta para um imenso cisne de cristal no centro da loja.

– É sério? – pergunto cético.

Blaine olha a etiqueta que informa o preço do objeto. Assim como uma pessoa que acaba de levar um choque, Blaine a solta instantaneamente ao ver o preço.

– Talvez outra coisa... – ele sugere andando preguiçosamente pela loja em busca de outro item desnecessário.

– Por que não damos dinheiro para elas? – sugere cansado.

– Sério, dinheiro? – ele me olha como se aquele fosse o maior absurdo dito em toda a história da humanidade. – Que coisa mais horrível para se dar.

Conformado com a ideia de que não vamos terminar com aquilo tão cedo, encolho meus ombros enfiando as mãos nos bolsos da calça.

– É como dizer: “Não tive o trabalho de procurar alguma coisa legal para vocês, então toma aí cinquenta pratas. – ele faz uma imitação ruim da minha voz.

– Nós podemos escrever um cartão. – sugiro. – Ele pode dizer: “Procurei, mas não achei nada legal. Toma aí cinquenta pratas.”

“Sinceramente, Sebastian...” ele balança a cabeça negativamente enquanto me censura. Ando pela loja e não consigo compreender o por que entramos nela. Não há nada aqui legal para se dar.

– Eu só estou dizendo que é muito melhor ter dinheiro para comprar uma coisa que elas mesmas vão escolher e gostar, — exponho meu ponto de vista. – do que ficar horas em lojas procurando alguma coisa que elas nem vão usar.

– Não é pelo presente em si, Bas. – ele explica. – É um pedaço de nós que elas terão consigo ao construir sua nova vida juntas.

– Ah amor... – ando até Blaine. Seguro seu rosto entre minhas mãos enquanto digo: – Essa foi a coisa mais gay que você já disse para mim.

– Não enche. – Blaine ri afastando minhas mãos de seu rosto.

– Tudo bem. – olho ao redor na loja. – Do que lésbicas gostam? Além de outras mulheres, é claro.

– Elas gostam de qualquer coisa que outra mulher hetero gostaria. – ele fala sem emoção.

Tento encontrar alguma ideia boa em minha mente, mas nada de útil me ocorre.

– Será que as lésbicas sentem falta de um pênis durante o sexo? – pergunto distraído.

– O que? – ele pergunta esganiçado. – Que papo é esse Sebastian?

Ando pela loja, uma estante média nos separa. Blaine analisa atentamente alguns vasos enquanto olho abajures.

– Acho que elas devem usar consolo. – desabafo meu pensamento.

– Não importa como elas transam, Bas. – ele continuar encarando os vasos. – Nós fomos convidados para o casamento e não para a Lua de Mel.

– Você está certo.

Olho na prateleira que os separa e só há mais um monte de lixo caro. Pego um gato de porcelana feioso. Lésbicas gostam de gatos, certo?

– Então podemos dar consolo pra elas. – digo distraído com o gato em minha mão. – Um para cada!

– Isso foi grosseiro, Sebastian. – ele censura novamente.

– O que? – o encaro indignado. – Por quê? Nós podemos encomendar. Um de algum cara famoso que elas gostem.

Blaine se afasta de mim andando até o outro canto da loja. Dou um tempo até que o siga. Outra ideia ocorre em minha mente, mas nada relacionado ao presente para as garotas.

– Já pensou em ter o seu pênis imortalizado em um consolo de borracha? – desabafo minha ideia.

– Obviamente que não. – responde sem emoção.

– Seria legal. – digo aéreo.

– Você acharia legal, pessoas desconhecidas se satisfazendo com seu pênis de borracha? — seu tom é de indignação. – Tudo bem, esquece o que disse. Olha para quem eu estou perguntando isso.

– Eu só estou dizendo que gostaria de tê-lo imortalizado em látex, B. – esclareço.

Duas mulheres passam ao meu lado, mas é a mais idosa que me encara sem pudor. Inconscientemente a encaro. Foi um grande erro, por que ela dá uma piscadela para mim enquanto passa.

– Me ajuda. – suplico para Blaine que assiste a cena de camarote.

– De jeito nenhum. – ele se diverte. – Se achou isso ruim, imagine se tivesse o seu um pênis de borracha seu a venda.

– Eu não quero mais ter um. – concluo chateado.

– Ótimo. Fico feliz por termos tido essa conversa, Bas. – Blaine sorri caloroso. – Agora me ajuda a achar o presente perfeito.

Fim de Flashback.

Agora...

– O casamento vai ser em Indiana, não em Ohio. – lembro a ele.

– Nós podemos passar em Lima, pegar a minha mãe e seguir para Indiana. – ele sugere.

– Mas é quase duas horas e meia de viagem de carro. – me queixo.

– Você já dirigiu por dez horas! – agora é ele quem me lembra.

– Mas isso foi diferente.

– Qual é? Nós desembarcamos em Lima, passamos a noite juntos na sua casa. Amanhã pegamos a minha mãe e vamos para Indiana, no casamento.

– Ah...

– Tudo bem, eu não gosto de chegar a esse ponto, mas se você fazer. – ele respira fundo antes de falar novamente. – Se formos para Lima, então eu vou poder te mostrar como eu fico naquele uniforme de Cheerleader.

– Blaine Anderson, você está me manipulando com sexo? – pergunto o censurando. – Por que se estiver, eu aceito. Vamos para Lima!

. . .

Poucas horas depois já estamos no aeroporto, na fila de embarque, para o voo de New York para Lima, Ohio. O voo dura cerca de uma hora e meia até que estejamos no aeroporto regional de Lima.

No táxi, Blaine avisa a todos os amigos que está de volta à cidade. O que me deixa um pouco incomodando, confesso. Seu celular não para de apitar conforme novas mensagens deles vão chegando. Isso parece ser um ensaio para o final de semana que me aguarda. Blaine e seus amigos e no outro lado do cômodo um Sebastian excluído. Por que todos que conhecem Blaine não são o que eu poderia chamar de ‘meus fãs’.

– Acho que temos uma mudança de planos. – ele anuncia.

– O que houve? – tento espiar a tela de seu celular.

– Não vai dar para irmos direto para a minha casa para você conhecer a minha família. – ele se lamenta. – Eu meio que preciso ir ao Mckinley. Parece que a Tina está convocando uma reunião. Quer vir comigo?

– Não tudo bem, eu posso matar esse meio tempo na minha casa. – respondo aliviado.

Peço para que o motorista mude o curso da viagem para deixa-lo na antiga escola. Em poucos minutos estacionamos em frente ao prédio.

– Você tem certeza que não quer vir comigo? – ele insiste. – Seria legal...

– No lugar onde todo mundo me odeia? Não obrigado. – dou um sorriso amarelo.

– Eles não te odeiam, Bas. – ele tenta me animar.

– Sério? Você realmente acredita nisso?

Há uma pausa silenciosa entre nós. Blaine sabe que o que diz é absurdo.

– A gente se vê mais tarde? – ele pergunta simplesmente.

– Nos vemos mais tarde! Vou dar uma passada em casa para pegar o meu uniforme da Dalton para vestir para você. – beijo seus lábios em seguida uma piscadinha para ele.

– Até mais tarde. – ele se despede com mais um beijo carinhoso.

É realmente esquisito botar os pés nessa cidade de novo. As circunstâncias que me trouxeram aqui pela última vez foram unicamente para conquistar Blaine. O lugar me despertar mais más memórias do que boas.

Ao chegarmos em frente de casa, pago trinta pratas ao motorista ao sair do taxi. É triste como chegar a esse lugar nada de bom venha a minha mente.

Para meu desagrado a casa está cheia de vida. Ao adentra-la fica claro que uma festa definitivamente está acontecendo lá. Um grupo de pessoas bem vestidas seguram taças de cristal com champanhe em seu conteúdo. Um braço, até então, sem dono se entrelaça em volta de meus ombros.

– O primogênito chegou! – meu pai fala em alto e bom som. O suficiente para todos na sala voltarem suas atenções para nós dois.

As pessoas a nossa volta levantam suas taças em comemoração. O hipócrita está deliberadamente bêbado. Contra a minha vontade ele segura minha cabeça por trás e a puxa de encontro a seu rosto depositando um beijo em minha testa.

– O que você está fazendo? – pergunto irritado ao conseguir me desvencilhar de sua mão nojenta.

– Ah filho... – ele vira todo o conteúdo de sua taça goela a baixo. – Meu menino. Eu te amo tanto.

– Você está muito bêbado mesmo. – o encaro com repulsa.

– Sebastian. Eu te amo mesmo. – ele me segura pelos braços. – Por que não consegue enxergar o quanto eu amo você? Sempre amei.

– É que você tem um jeito estranho de demonstrar todo o seu amor.

– Você está certo. Mas eu quero que entenda que eu te amo! Desde quando você era desse tamanho. – ele mede com as mãos. – Você era uma gracinha e olha para você agora. Tornou-se um homem inteligente e atraente.

Se algum dia eu frequentar psicólogo, esse momento com certeza será abordado.

– Tanto faz. – tiro sua mão de mim. – Por que isso tudo?

– Ela está grávida! – ele anuncia. Se passam longos minutos até que eu possa digerir aquela informação. – Você vê o que temos aqui? É uma oportunidade, filho.

– Eu não vou brincar de família com vocês. – digo finalmente quando entendo a onde ele quer chegar. Você não é bom com famílias, cara.

– O que você sabe sobre família, Sebastian? – ele realmente parece furioso agora. – Sua vida acabou de começar, garoto. Acha que sabe mais do que eu? Você acha que pode vir aqui , na minha casa, e me falar como agir com a minha família?

– Exatamente. O que eu sei sobre família, certo? – digo sobressaltado. –Eu nunca tive uma. Você tem razão. Mas se tem alguma coisa que sei, é que no dia em que eu tiver uma família, vou ser um pai melhor do que você já foi ou será.

– Você nunca terá uma família de verdade, filho. – há pena em seus olhos agora. – Aceite isso. Essa foi a escolha que você fez a si mesmo quando decidiu que era gay.

– Quando eu decidi que era gay? – o encaro indignado. – Tudo bem, eu nem sei por onde começar, por que tudo o que você acabou de dizer é burro e estúpido.

– Por mais que você e seja lá com quem você queira formar uma família, vocês sempre serão uma coisa estranha aos olhos dos outros. – ele realmente acredita estar sendo bom comigo ao dizer aquelas coisas. – Eu estou te oferecendo uma segunda chance. Uma família normal.

– Eu nunca fui acostumado com coisas normais. – me desvencilho dele subindo as escadas que dão acesso ao andar de cima, onde fica meu antigo quarto. – Eu espero que essa criança tenha mais sorte do que eu tive. Não seja o cretino que foi para mim e para a minha mãe.

– A onde você está indo? – ele grita para mim atraindo a atenção dos convidados.

– Para o meu antigo quarto. – anuncio. – Estou indo embora de vez dessa casa e da sua vida para ser mais específico.

– Acha que pode ir? – ele ri desdenhoso. – Como é que vai se sustentar em New York? Pare de ser um moleque mimado e veja as coisas como elas realmente são, Sebastian.

Eu sabia que aquele momento chegaria, que ele se mudaria finalmente para aquela casa e quando aquele dia chegasse eu daria o fora de lá. Subo até meu antigo quarto, pego as malas guardadas no cloused, as jogo sobre a cama e começo a enchê-las com itens pessoais e de valor sentimental para mim. Aqui é definitivamente um adeus para mim.

Ouço alguém se aproximando da porta do quarto, estou pronto para expulsar seja quem fosse, mas me deparo com a figura mais improvável de pé ali. Maria, a empregada mexicana, que trabalhou na casa desde que a compramos. Ela me olha com as mãos pequeninas sendo segurada uma pela outra enquanto seus olhos se marejam de água.

– ¡Hola, Maria. – abaixo minha guarda a comprimentando.

– O que você está fazendo, menino? – Maria desata a falar fluentemente o idioma que até então parecia não conhecer. – Não pode sair assim, menino Sebastian. A onde vai morar? Como vai se sustentar?

– Ah... – a encaro boquiaberto. – Você...Você fala o meu idioma?

– Não pode virar as costas para a sua família. Família é tudo na vida de uma pessoa. – ela fala chorosa.

– Tudo bem. – digo sorrindo para ela. – Eles não são a minha família, Maria.

Ela se aproxima de mim para segurar meu rosto entre suas mãos enquanto me olha e chora. Na verdade ela me faz curvar para que meu rosto fique a altura de seus braços curtos.

– Maria, eu vou ficar bem! – prometo a ela.

A mulher baixinha enxugar os olhos e assoa o nariz em um lenço. Aos se recompor, ela enfia a mão dentro do bolso do avental que veste, de lá um bolo de notas de cem, que juntas devem somar no mínimo três mil dólares, e a emburra para mim.

– O que? Não! Maria, olha, eu não estou desamparado, tudo bem? Eu tenho um apartamento em New York e ainda tenho dinheiro que a minha mãe deixou para mim. – a faço colocar o seu dinheiro em seu bolso. – Você não deveria andar com tanto dinheiro assim. É perigoso.

– Eu não confio em bancos. – ela diz com seus sotaque carregado.

Maria fica para me ajudar a guardar o que preciso e quero levar comigo. Peço a ela que busque os álbuns de família dentre outras heranças que meus avós e minha mãe me deixaram.

Ela é uma mulher muito mais forte do que aparenta ser, apesar de sua baixa estatura, há uma força nas mulheres mexicanas que vai muito além do que suas aparenças podem dizer. Ela me ajuda a carregar as várias malas para o lado de fora da casa.

– Tudo bem... – digo a ela ao lado do taxi que me aguarda. – Me promete uma coisa?

Ela me encara assentindo com a cabeça por que a essa altura voltou a chorar.

– Prometa que vai cuidar dessa criança como cuidou de mim? Só Deus sabe o quanto ele ou ela vai estar perdido na mão desses dois.

Mais uma vez ela assente em resposta. Me dando um abraço apertado que faz os ocos de meu corpo estralarem. Prometo a ela que a visitarei sempre que vier a Lima. Então me resta uma última coisa a fazer antes de partir dalí.

– Me desculpa se te pentelhei enquanto morava aqui. – digo sincero. – E se te constrangi com a minha constante nudez.

Isso arranca um sorrisinho de seu rosto antes que eu entre no taxi e parta daquele lugar. Não sei, sinceramente, o que pode ser pior do que aquilo. Blaine e eu não temos um lugar tranquilo para ficarmos agora. Bom, eu não tenho um lugar para ficar agora.

Sei que falei para Blaine que não entraria naquela escola, mas eu estou sem opções no momento. Estou definitivamente sem teto e Blaine é a coisa mais próxima de um lar que eu já senti ter. Peço que o motorista me leve à antiga escola de Blaine.

As únicas vezes que estive aqui foi quando comprei maconha de uma cara bizarro que se autodenominava como ‘Ninja Rosa’ e quando o New Directions convocou a presença dos Warblers no auditório da escola.

É estranho pensar nessa época por que parece ter acontecido a várias vidas atrás. Muita coisa mudou até lá, mas algumas permaneceram intactas. Os alunos passam pelos corredores atarefados para seus afaseres, sejam lá qual for, não posso deixar de me sentir nostálgico e sentir falta da minha época de escola.

– Parado aí, preguiça pré-histórica. – alguém grita ferozmente. Procurando de onde aquilo havia vindo. Encontro uma mulher atipicamente alta com feições, cabelos e roupas masculinas.

– Você está falando comigo? – pergunto à mulher loura zangada que me encara.

– Mas é claro que eu estou falando com você. – ele diz ao marchar pesadamente em minha direção. Sim, ela marcha e não anda. – Você está vendo outra pessoa aqui que lembre, mesmo que remotamente, uma preguiça pré-histórica muito famosa na franquia de filmes A Era do Gelo?

– Do que você está falando? – aquilo era informação de mais para meu cérebro.

– Muito bem, nem eu. – ela simplesmente ignora a minha pergunta. – É exatamente com você com quem estou falando, já que esses olhos aqui não conseguem detectar ninguém mais parecido com aquela preguiça gigante do que você, Sid. E diga-se de passagem, a semelhança entre vocês não é remota, mas sim gritante.

– Desculpa, eu te conheço? – aquela mulher não faz o menor sentido.

– Não, mas eu conheço você Sebastian Smythe. – ela cutuca meu peito com o seu longo dedo ossudo. – E eu te digo uma coisa, moço: Você está pisando em um campo minado aqui.

– Você está me ameaçado? – aquilo só pode ser piada. Tem que ser.

– Achei que aquela escola de gays que você frequentava tivesse um sistema de ensino melhor. O seu raciocínio é péssimo. – em seu rosto gradativamente se molda um sorriso maléfico. – É claro que estou te ameaçando.

– Desculpa, isso não faz o menor sentido para mim. – digo me desviando dela seguindo para o auditório, onde Blaine disse que estaria.

Dou cerca de três passos quando ela desata a falar novamente.

– Você pode achar que está com o porcelana dois agora, mas não será por muito tempo. – ela fala. – As pessoas aqui viram o amor entre Klaine florescer e não vai ser uma versão capenga de Andrew Garfield gay que fará o amor verdadeiro entre essas duas almas lindas ficarem juntas.

Olho para trás, mas não paro de andar. Esposo um grande “O quê?”, mas não vou parar para ouvir uma resposta dessa louca.

– Eu tenho uma novidade para você, moço. – ela grita. – Eu não gostei de Andrew Garfield como homem aranha assim como eu não gosto de você como namorado do porcelana dois.

Esbarro em alguém que sai do auditório. Olho para frente e é Blaine.

– Desculpa, amor. – me desculpo ainda aturdido com o dia que estou tendo.

– Oi, você veio. – Blaine sorri carinhoso para mim. Seu sorriso me faz relaxar. Quando ele se inclina para me dar um beijo alguma coisa o interrompe. – Oi Sue.

Franzo o cenho e olho para trás, acima de meu ombro, exatamente onde Blaine mantém seu olhar fixo. Dou um salto para o lado colocando a mão sobre o meu peito, onde meu coração bate acelerado por causa daquela aparição bizarra sobre o meu ombro.

– Porcelana dois, Oi. – a mulher que Blaine chama de Sue o comprimenta.

– Ah, não me chama mais assim. – Blaine diz sem graça.

– Porcelana dois, você sabe que eu sou a melhor educadora que já pisou nessa escola. – ela reflete. – E sabe o que ser uma educadora faz?

– Ensina as pessoas? – Blaine a responde.

– Errado! Educadoras como eu apontam o erro e falha das pessoas, pessoas como você. E então eu concerto esses erros. – ela aponta para ele e para mim. – E isso... Isso não está certo! E é uma coisa que pretendo concertar.

– Você está fora de controle, Sue. – Blaine a desafia.

– Você não pode provar isso. – ela sorri. – Vamos concertar isso!

Então bate em retirada. Blaine me abraça acariciando minha mão ainda sobre meu peito que agora está menos acelerado do que antes.

– Você está bem? – ele pergunta.

– Acho que sim. – andamos em direção da saída da escola. – Ela me ameaçou.

– Essa é a Sue. – espero que ele dê alguma risada, mas seu semblante se mantém sério.

Conto a Blaine o que aconteceu em casa. Sobre a gravidez e todo o resto.

É quase noite quando chegamos ao conforto da casa de Blaine. Que estava vazia quando chegamos, por que, segundo ele, seus pais só chegarão mais tarde, e seu irmão mora na California. Blaine me leva para seu quarto.

– Uau! – digo ao adentrar no cômodo.

– O que foi? – ele parece de divertir com a minha reação.

– Ah... Eu acabei de notar que finalmente estou entrando no quarto de Blaine Anderson.

– Do que está falando? – ele ri. – Você vivia entrando em meu quarto no apartamento. Dividimos um alojamento e dividimos o quarto agora.

– Não. – dou alguns passos a frente. – Isso é definitivamente diferente.

– Como assim? – ele tenta entender.

– Quero dizer, esse é o quarto do Blaine Anderson: O líder dos Warblers e não Blaine Anderson: O meu colega de apartamento.

– E há diferença entre essas pessoas?

– Definitivamente sim. O primeiro Blaine me odiava.

– Você é tão bobo. – Blaine revira os olhos. – Eu não odiava você. Na verdade eu tinha uma quedinha por você.

– Eu não sabia disso... – digo interessado. – Me conte mais sobre isso.

Blaine caminha até seu armário. Há centenas de roupas e gravatas borboletas guardados lá dentro.

– Senta aí que eu vou te mostrar meu uniforme de Cheerleader. – ele pede.

– Tudo bem. – o observo atentamente. – Esperaí. Eu lembro dessa coisa aqui.

Aponto para um uniforme improvisado de heróis.

– Foi quando você e seu amigo Sam roubaram o troféu de volta na Dalton, não foi? – pergunto me divertindo com a lembrança.

– É verdade, foi sim. – Blaine ri.

– Por que ainda tem isso?

– Eu gosto. É o meu alter-ego. O pássaro noturno.

– Tipo o Batman? – pergunto.

– O pássaro noturno não tem nada a ver com o Batman. – argumenta na defensiva.

– Qual é, Blaine? – levanto de sua cama para pegar a fantasia. – É só uma maquiagem para o Batman. Morcego é uma criatura noturna...

– A diferença é gritante e você não quer perceber. – ele tira a fantasia de minhas mãos e a coloca de volta em seu armário.

Observo o restante de suas fantasias por um tempo em silêncio.

– Nossa, você tem um monte de fantasias. – digo apontando para um blazer azul marinho. – Mas essa daqui é com certeza a minha favorita.

– Meu uniforme da Dalton? – pergunta intrigado.

– Foi uma pena eu nunca ter te convencido voltar para lá. – digo reflexivo.

– A Dalton foi um lugar incrível para mim, foi um lugar de refúgio por um bom tempo. – Blaine fala de coração. – A Dalton sempre terá um lugar em meu coração, mas no Mckinley eu consegui me descobrir de verdade.

– Essa nostalgia toda não pode ser boa, B. – seguro suas mãos o fazendo prestar a atenção em mim. – Eu acho que a gente precisa fazer uma loucura essa noite.

– Que tipo de loucura? – Blaine pergunta curioso.

Assim como nos velhos tempos, abro um largo sorriso cheio de malícia para ele. Que me encara com os olhos semicerrados tentando me desvendar.

Continua...

Notas finais
Eu me sinto na obrigação de te dar a todos que conseguiram ler esse capítulo sem se queixar de seu tamanho um troféu. Mas,b rerei breve por que acredito que você não aguente ler mais nada agora. Sebastian Smythe – A fanfiction foi e é a visão que sempre quis dar ao Sebastian na série. Criei essa fanfic por que eu sentia a necessidade de ver isso de forma concreta, mesmo que apenas por palavras e é por isso que amo esse trabalho que produzi com o apoio de vocês. O meu objetivo é que essas fanfiction não seja apenas a minha visão, mas a de vocês também. Então o que estou pedindo é que compartilhem comigo, nos comentários, o que vocês querem ver em nessa fic. O que faltou para vocês na série e na própria fanfic? Agradeço se quiserem compartilhar isso comigo para que eu possa transcrever as ideias de vocês. Obrigado a todos pela companhia e apoio de sempre. Até sexta!