Sebastian Smythe - Contos
7 O casamento - parte 2
Notas iniciais

É um longo caminho que percorremos de Lima ao estado de Indiana. Blaine ocupa o acento do passageiro enquanto eu o banco traseiro atrás de sua mãe, que dirige.
– Eu estou tão animada. – Pam, a mãe de Blaine, diz.
– Jura, mãe? – Blaine diz procurando uma estação no rádio. – Achei que não fosse a favor do casamento gay.
As coisas começam a fazer mais sentido sobre a família de Blaine. Mesmo ele insistindo que eu me abra com ele; ele mesmo não fala muito sobre o relacionamento com a sua família.
– Você sabe o que penso sobre esse assunto. – ela afirma. – Mas você também sabe o quanto gosto de me vestir bem. Esses eventos são ótimos para isso.
– É eu sei, mãe. – Blaine concorda sem emoção com a mãe.
Ele finalmente encontra alguma coisa no rádio na estação mais famosa local. O rádio é a única coisa que emite som dentro do carro por longos minutos, até que Pamela quebre o sagrado silêncio que estávamos.
– O que houve com Kurt? – ela pergunta curiosa.
– Nós rompemos o noivado. – Blaine fala sem emoção olhando pela janela a fora. – Agradeço se não tocarmos no assunto.
– Ah, que pena. – ela se lamenta enquanto tento não levar aquilo para o lado pessoal. – Eu realmente não entendo. Você fez tanta algazarra para ser transferido para aquela escola pública. Só para ficar com ele. Achei que pelo menos o casamento sairia.
– A senhora está tocando do assunto... – Blaine a alerta.
“Sim, a senhora está!” penso olhando pela janela desejando que ela nunca tivesse tocado no nome de Kurt.
– Tudo bem, não se ofenda, querido. – ela estica seu braço para trás e repousa sua mão sobre meu joelho. – É que o meu filho aqui simplesmente não divide nada comigo.
– Ah, tudo bem... – falo rouco.
– Desde quando a senhora quis ouvir sobre a minha vida amorosa?
– Eu sempre quis ouvir tudo a respeito de você e seu irmão. – ela esbraveja na defensiva. – Vocês sabem muito bem que sou uma mulher ocupada , mas ainda assim me importo com os meus meninos.
– Tudo bem, mãe. – Blaine só quer finalizar aquele assunto.
– Você está tentando me fazer parecer uma vilã aqui. – ela não vai simplesmente deixar aquilo de lado.
– Eu não estou não mãe. – ele contrapõem.
A discussão perdura por incontáveis minutos, onde ambos tentam me envolver a seu favor em vários momentos da discussão que só é cessada de forma desagradável.
– Tudo bem então, senhor sabe-tudo. – ela interrompe Blaine enquanto ele se queixa. – Não quer dizer que meu filho seja gay, que eu vou querer me importar menos com a vida amorosa dele, mas eu não preciso saber de todos os detalhes. Com o Cooper também é assim. Quer ver só uma coisa? Sebastian, diga para mim... Sua mãe, por acaso, fica a par de todos os seus relacionamentos?
Blaine a encara com os olhos arregalados . Pamela não entende o que aquilo significa. Após o momento constrangedor passar revolvo falar finalmente.
– Na verdade... – limpo minha garganta pigarreando de leve. – Minha mãe faleceu há alguns anos. Mas ela costumava a perguntar sobre meus relacionamentos, mas não tudo sobre eles. Na verdade ela nunca soube que eu sou gay.
O silêncio no carro é mortal. Pam está evidentemente desconcertada pela pergunta inconveniente que fez, enquanto Blaine move sua boca em um “Desculpa!”
– Sinto muito, querido. – ela diz a mim. – Sinto muito pela sua perda.
– Obrigado. – digo sincero.
A discussão cessa e o rádio é o único que fala por cerca de quarenta quilômetros.
– É uma pena que seu pai não queira ter vindo. – é Pam quem revive a conversa novamente. – Vou precisar arranjar um parceiro de dança.
– Do que está falando, mãe? – A mudança na voz de Blaine é notável. Está definitivamente mais amigável agora. – A senhora sempre foi uma ótima dançarina. Ao contrário do papai. Você nunca precisou da ajuda dele para arrasar na pista de dança.
Pam toma a mão do filho e a beija sorridente. Pelo menos a minha tragédia familiar inspira melhoria no relacionamento de outras.
– Obrigada querido. – ela aperta a bochecha de Blaine. – Você e seu irmão puxaram o talento de vocês de mim! Mas mesmo com todo meu talento, ainda assim, vou precisar de um parceiro de dança.
– Obrigada pelo elogio que, de alguma forma, se tornou um elogio a você mesma. – Blaine sorri irônico.
A risada que ela solta é revigorante e contagiosa.
– O que me diz sobre o jeito que dança, Sebastian? – ela pergunta. – Você dança bem?
– Acho que sim. – gostaria de que ela não tivesse me chamado para a conversa novamente.
– Acho que isso é o suficiente. – ela sorri abertamente para mim.
– Está brincando? Ele é o melhor dançarino que eu já vi na vida. – Blaine se sente aliviado por me incluir em uma conversa decente dessa vez. – Ele é incrível dançando.
– Então acho que encontrei o meu parceiro de dança! – ela diz animada aumentando o volume do rádio que começa a tocar Lean On de Major Lazer. – Essa é a minha música! Uuuuh!!!
Ela dança enquanto abandona as mãos do volante. Olho alarmado para Blaine que segura o volante imediatamente, como se aquilo já fosse um costume dela conhecido por ele.
Paro de contar na décima vez que Pamela se exalta por mais uma de suas músicas serem tocadas no rádio. Abandono o pânico que sinto toda vez que ela abandona o volante para curtir a música. O que me faz começar a refletir que, se morrermos, será menos estressante do que se preocupar e temer em toda hora dela tentar nos transformar em mais uma estatística do trânsito.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
Chegamos ao local a poucos minutos da cerimônia iniciar. Ajudo a Pam descer do carro enquanto Blaine é recepcionado pelos seus amigos do antigo clube glee. “Obrigada, querido. Você é um cavalheiro!” ela diz enquanto sou obrigado a deixar Blaine para trás com seus amigos enquanto a acompanho para dentro do celeiro, onde seu salto não possa afundar na lama ou grama do lado externo.
O local aparenta exatamente com o que realmente é. Um celeiro. Mas ainda assim ficou convidativo e bonito para a ocasião. O lugar está repleto de cadeiras enfileiradas e enfeitadas com laços e capas brancas. Sob nossas cabeças há varais com pequeninas luzes que dão a sensação de céu estrelado. Um longo tapete vermelho abre caminho entre as cadeiras da entrada até o altar.
Quando Pam me libera, posso finalmente me juntar a Blaine. Mas, para meu infortúnio, ele se encontra no meio de outros caras que se vestem igual a ele. Terno do smoking e camisa branca com calças e gravata borboleta preta. Os padrinhos do casamento.
Afim de não os interromper. Fico o aguardando encostado em uma cerca de madeira próxima.
– Se eu fosse você, eu não encostaria nessa madeira com esse terno caro. – alguém fala para mim. Olho ao redor até achar quem havia dito aquilo. – Essa madeira vai desfia-lo todo.
– Elliott, certo? – pergunto ao me desencostar da cerca.
– Isso mesmo. E você é o Sebastian. – ele sorri carismático ao se aproximar. – Você vai ficar sozinho aqui?
– Não, na verdade eu estou esperando o Blaine. – aponto para ele entre os amigos.
– Bom, então você vai ficar sozinho. – ele diz simplesmente. – Não vai pegar bem para você ficar ‘urubuzando’ o seu namorado enquanto ele revê os antigos amigos.
– Eu não estou ‘urubuzando’ ninguém. – analiso aquilo com um instante. – O que sugere que eu faça?
– Podemos fazer companhia um para o outro. – ele sugere. Aquilo não soa nada mal, na verdade.
– E onde está o seu namorado?
– Kurt é o decorador da festa, então ele está se preocupando em deixar tudo perfeito. – ele diz desanimado.
– Entendo... – olho mais uma vez para Blaine que parece se divertir muito com seus amigos. – Parece um bom plano.
É realmente impressionante o quanto Blaine estava certo sobre Elliott ser um cara legal. As histórias que ele conta são realmente incríveis e inacreditáveis, seriamos amigos, se ele não fosse o namorado de Kurt.
– Eu vou dizer isso, mas quero que não se ofenda. Okay? – pergunto. Ele afirma afirmativamente com a cabeça.
– Por que raios você namora o Kurt? Quero dizer, você é um cara legal e ele... bom, ele não é.
– Para com isso. – ele ri. – Kurt é um cara maravilhoso.
– Acho que não estamos falando do mesmo Kurt. – sugiro.
– Olha, eu sei que vocês três tem uma história, mas qual é cara? Isso foi no ensino médio. – ele dá um tapinha amigável em meu ombro. – Supera.
Balanço negativamente a cabeça. Provavelmente ele não conhece a história toda, mas não serei eu que irei conta-la a ele. Um sinal toca de dentro do celeiro soa, alertado a todos os convidados que a cerimônia começará em breve. Blaine passa por nós entre os demais padrinhos.
– O que eu sei é que essas pessoas amam a ideia de Kurt e Blaine juntos. – ele diz ao me observar olhando Blaine com seus amigos. – E nós dois somos o terceiro mamilo que ninguém quer que haja.
– O quê? – o encaro horrorizado com sua metáfora terrível, mas ele já está caminhando para dentro do celeiro.
Pam ocupa um assento da terceira fileira enquanto eu ocupo um da sétima e última fileira. Entre tantas cabeças em minha frente consigo encontrar uma brecha entre elas para dar uma olhada em Blaine, que ocupa o um lugar na fila de padrinhos. Composta por todos os antigos membros do New Directions, inclusive Kurt.
No centro do altar, Artie e Mercedes, com o apoio da banda, cantam com perfeição a melódica música At Last de Etta James. Todos se levantam para receberem e acompanharem a entrada das noivas.
Consigo espiar Blaine , que está exultante, mais uma vez antes de me ater a Brittany que começa a fazer sua caminhada até o altar acompanhada de William Schuester.”My heart was wrapped up in clover” Artie canta enquanto a garota ao meu lado, que se diz chamar Sugar Motta, se agarra em meu braço na esperança de conter suas emoções o apertando. “Wrapped up in clover, baby” Mercedes canta suavemente.
Brittany passa por nós finalmente, o que me dá mais uma brecha para olhar para Blaine novamente. Ele cochicha alguma coisa no ouvido de Kurt que concorda com ele. “I found a dream, Oooh. That I could speak to…” ambos cantam em uníssono enquanto Santana adentra e faz sua caminhada acompanhada de pelo treinador Sheldon Beiste.
– Isso está tão lindo! – Sugar choraminga baixinho para que apenas eu ouça. Na verdade eu nem sei o porquê ela está falando comigo.
Eu não sei qual o efeito que o casamento tem sobre as mulheres que sempre as fazem chorar, mas... Esquece o que disse. Observando ao meu redor e vejo pelo menos cinco caras lacrimejando. “And then the spell was cast. Yes it was… Yeah”.
Brittany e Santana, lado a lado, no altar trocam olhares de cumplicidade entre si. Os sorrisos em seus lábios são duramente difíceis de não contagiar o restante de nós que as obcerva em grande expectativa. “You're mine. Uhh. At last, you're mine. At last, ooh”.
Um homem de meia idade calvo põem-se no cetro do altar, na frente das garotas, que entregam seus buques às madrinhas. Com um breve movimento com as mãos ele indica que todos podem voltar a se sentar. “Amados amigos...” ele inicia a cerimônia com entusiasmo. “É assim que deve-se começar essas coisas, certo?”.
– Duas vezes em minha vida tive a sorte de encontrar o amor da minha vida. – ele sorri para a mulher de cabelos curtos ao nosso lado, que sorri de volta para ele. – E nas duas vezes, casei com o meu amor.
Aquele discurso só me faz querer estar ao lado de Blaine e principalmente que ele não estivesse em pé ao lado de Kurt.
– E eu sabia o quanto que era sortudo por conseguir fazer isso, – ele sorri abertamente para todos agora. – mas eu não sabia o quanto eu era sortudo até ter que atravessar a fronteira para vir até aqui para oficializar o casamento desse amável casal.
O homem faz uma pausa antes de recomeçar.
– Quero agradecê-las, Santana e Britt. – diz sincero para elas e para todos. – Eu gostaria de agradecê-las por serem tão corajosas e tão honestas. Por estarem aqui, diante de todos, e mostrar-nos que o amor e o casamento são maiores do que aquilo que acreditávamos ser. E também muito mais simples.
O discurso finalmente começa a surtir efeito em mim. Maldito seja o espírito maligno que ronda casamentos que desperta nos convidados a vontade de se casarem também. Eu nunca pensei na ideia de casar. Nunca pensei. Tive um péssimo exemplo em casa, que me fez desacreditar na instituição do matrimonio completamente, mas alguma coisa definitivamente está mexendo comigo e me fazendo pensar no assunto.
– Amor e casamento é quando duas pessoas dizem um ao outro: Eu te amo, por que eu te amo. – ele afirma. – E eu sei que isso será uma aventura emocionante, mas eu não quero fazer isso, a não ser que eu faça isso com você.
Mordisco meu lábio inferior procurando Blaine com o olhar. Não penso em casar com Blaine, mas quero estar com ele. Nunca sequer tocamos no assunto por que ainda é muito cedo para isso e além de esse assunto para Blaine deve ser delicado por algum tipo de bloqueio que o seu noivado deva ter criado a ela.
– E agora, os votos, por favor. – o juiz pede.
Santana toca as mãos de Brittany em suas mãos enquanto começa seus votos.
– Brittany, por muito tempo eu fui infeliz. Eu fui oprimida, humilhada e mal compreendida, mas não era isso o me fazia se sentir infeliz. Era como eu me sentia sobre mim mesma. Era sobre como eu não era verdadeira comigo mesma a cada dia da minha vida. Eu simplesmente vivia uma mentira por medo do que as pessoas pesariam sobre mim. Isso começou a mudar no instante que conheci você, Britty.
A cada nova frase que Santana profere, mas adeptos a chorar se unem ao clube da choradeira. Santana termina seus votos para então Brittanny iniciar o seu.
– Santana, você sabe. Antes de te conhecer o mundo parecia um lugar assustador e confuso. Aconteceu tão rápido. Isso me fez me sentir estúpida. Só porque meu cérebro funciona diferente. Passaria por sofrimentos só para ter a pequena chance de estar aqui me casando com você.
Os votos de Brittany são tão insamos quanto ela, mas de alguma forma, Santana consegue achar algum sentido no que ela diz por que ela abre um largo sorriso.
– Brittany Susan Pierce, – o juiz volta a falar. – Você aceita Santana como a sua legítima esposa, jurando ser-lhe fiel na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza?
– Eu aceito! – Brittany coloca a aliança no dedo de Santana.
– E você Santana Lopez, aceita Brittany como sua legítima esposa, jurando lhe ser fiel na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza?
– Eu aceito! – Santana repete o gesto de Brittany ao colocar a aliança no dedo de Brittany.
– E agora, pelo poder investido em mim, — ele declara. – pela internet e pelo estado de Indiana. Sob o olhar de Deus, se ele acredita no amor, então aprovará totalmente o casamento amoroso desse adorável casal. Eu as declaro esposa e esposa. Vocês já podem se beijar.
O local explode em aplausos, gritos e assovios com toda a euforia dos convidados ao fim da cerimônia. A essa altura, não sinto mais o meu braço que Sugar apertou na cerimônia inteira.
– Oi. – anuncio minha chega para Blaine que está em um circulo entre seus amigos.
Blaine olha em minha direção se virando para me olhar. “Oi!” ele responde animado me abraçando forte. E eu sei que é idiota a minha linha de raciocínio, mas seu abraço me faz sentir que a última hora em que ele esteve ao lado de Kurt nunca aconteceu.
– Isso foi tão lindo. – ele diz me beijando. – Não achou?
– É, foi legal. – minto não expondo o quanto realmente havia gostado daquilo.
Os convidados são instruídos a deixarem o celeiro para que o local seja organizado para a festa. Consigo ficar mais alguns instantes com Blaine antes que ele precise de afastar de mim novamente.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
Um homem de meia idade, muito pequeno e asiático bate incessantemente em sua taça de champanhe para que todos façam silêncio. Mesmo com todos em silêncio ele continua por mais alguns instantes.
– Olá. Meu nome é Pierce Pierce e sou o pai da Brittany. – ele diz. – Só disseram para vir e comprar um brinde, mas acabei de ligar para a loja e está fechada. Então, gostaria de dizer algumas palavras.
O homem sorri bondoso para a filha que ocupa a mesa principal ao lado de sua esposa.
– Brittany? Eu estou tão feliz que você e Santana tenham finalmente se encontrado. Você está absolutamente deslumbrante nesse vestido. – ele diz emocionado. – E honestamente? Posso falar pela minha esposa quando digo que você é a mais linda aqui. E não acho que seja só a mais linda. Acho que de longe é a mais linda.
Ele começa a apontar para todas as convidadas enquanto fala.
– Quero dizer, se olhar para todas as outras garotas aqui, ninguém vai contestar. – ele sorri. – Quero dizer, algumas delas, são tão sem graça...
Pierce aporta para Sue ao dizer: “Você sabe do que estou falando.” Olho para Blaine segurando minha gargalhada que está presa em minha garganta. Blaine balança a cabeça negativamente para que eu não ria. A esposa de Pierce, corre até o marido e cochicha alguma coisa em seu ouvido, então retorna ao seu lugar.
– Recentemente fui informado de que ninguém é mais feio e para eu parar. – ele levanta sua taça no ar. – Para fechar, quero que tomem cuidado com essas velas, pois com toda essa madeira seca e feno aqui, o lugar acenderia como uma tocha. E morreríamos em minutos. Saúde.
Com certeza todos ficam muito chocados com o discurso do pai de Brittany, está estampado no rosto das pessoas sentados ao nosso redor. O jantar é servido alguns minutes depois após a reorganização do lugar ser feita. Mesas são postas ao redor do lugar deixando um grande espaço no centro para a pista de dança.
– Então, está feliz por ver todos os seus amigos de novo? – pergunto enfiando uma garfada de fetutine em minha boca. Nunca havia participado de uma cerimônia de casamento antes e muito menos um banquete de festa de casamento. Provando a comida percebo que perdi muitos anos de comida boa que deixei de provar.
– Sim, é muito bom vê-los novamente. – Blaine beberica de sua taça de champanhe. – E estou muito feliz por ter vindo comigo. Obrigado.
– De nada. – sorrio acariciando sua coxa por debaixo da mesa com minha mão. Falando em amigos…
– Hmm? – responde com a boca cheia de comida agora.
– Desde quando Kurt e Elliott são “amigos”? – Sim, o fato de Blaine não saber que eles são um casal me incomoda. Sim, eu me sinto inseguro com Kurt perto de Blaine, quem pode me julgar por isso? Se ele tem algum interesse por Kurt, é bom que ele saiba que Kurt já seguiu em frente.
– Ah, Elliott se candidatou para fazer parte da banda de Kurt, mas você já sabe dessa história. – fala descontraído.
– Não. – digo ao limpar a boca após suja-la com molho. – Não essa amizade. A amizade colorida que eles estão tendo.
– Amizade colorida? – Blaine franze o cenho me encarando. –Do que está falando?
Aponto para a mesa do outro lado do ambiente onde Kurt e Elliott riem juntos de alguma coisa.
– Eles não tem uma amizade colorida. – Blaine explica. – Eu também achei que ele estava tentando alguma coisa com Kurt quando... Bom, você sabe. Mas Elliott é uma cara realmente incrível.
– Aham. – concordo sem emoção. – Amor a gente precisa fazer esse macarrão em casa. Eu estou tendo um orgasmo gastronômico comendo isso aqui.
– Obrigado! – Blaine diz aliviado. – Era essa palavra que eu estava tentando buscar para definir esse fetutine. Realmente está uma delícia. Vou pegar a receita com a cozinheira depois, pode deixar!
Conforme as pessoas terminam de jantar, algumas começam a se juntar para dançar. Blaine e eu seguimos para a pista de dança quando Thinking Out Loud é tocada. Blaine a canta enquanto nos envolvemos em uma dança lenta. “I fall in love with you every single day. I just wanna tell you I am.” ele sussurra em meu ouvido junto com a música enquanto a dançamos.
“So honey now. Take me into your lovin' arms” Blaine sussurra ao envolver com firmeza seus braços em torno de meu pescoço. “Kiss me under the light of a thousand stars. Place your head on my beating heart. I'm thinking out loud. Maybe we found love right where we are.“
– Se eu não te conhecesse, diria que está dando em cima de mim, Anderson. – sussurro o provocando.
– Eu flertando com você, Smythe? Que piada. – ele provoca encostando sua cabeça em meu peito. – Nem em seus mais ousados sonhos.
Beijo o topo de sua cabeça.
– Eu já disse o quanto você fica lindo nesse terno? – ele pergunta.
– Algumas vezes, na verdade, mas não faz mal nenhum você falar de novo. – brinco.
– Bom, você fica incrivelmente lindo nesse terno. – ele sorri. – E vai ser realmente uma pena quando eu tiver que arranca-lo de você hoje à noite.
Suspiro involuntariamente, o que faz Blaine ri achando graça pelo meu constrangimento por ter deixado aquilo escapar. Ele vira seu rosto em direção ao meu coração e beija meu peito sobre o terno. Aquilo me faz sentir menos constrangido. “Eu te amo!” anuncio a ele.
A setlist com canções lentas e de amor continuam. Pam me aluga para dançar quando Blaine precisa ir ao banheiro ou quer comer mais, mas há outros momentos que ela simplesmente o manda se sentar por que precisa de mim para alguma música que ela goste muito.
– Oi. – digo ao ter Blaine em meus braços novamente para mais uma música lenta. – Senti saudades!
A música é Over The Rainbow. Somewhere over the rainbow. Way up high, there's a land that I heard of once in a lullaby.
– Eu também. – ele sorri. – Desculpe pela minha mãe...
Somewhere over the rainbow skies are blue, and the dreams that you dare to dream, really do come true.
– Não se desculpe. Ela é incrível e cheia de vida. – acaricio seu rosto o beijando em seguida. – Adoro isso nela.
– Você só está falando isso por que ela é a minha mãe. – ele me acusa.
– Talvez, mas eu realmente gostei dela. – confesso.
– Ela é meio extravagante as vezes, — ele diz dando de ombros. – mas ela tem o coração no lugar certo.
Somewhere over the rainbow bluebirds fly. Birds fly over the rainbow. Why then, oh why can't I?
– É claro que ela tem. Ela deu a luz a você. A pessoa que me faz mais feliz nessa vida e com certeza a pessoa que mais amo nela. – nossos olhares são intensos. – Como uma pessoa que é capaz de dar a luz a tal pessoa incrível pode não ter o coração no lugar certo?
Blaine sorri radiante para mim enquanto o observe com afeto.
– E sobre o que o pai da Brittany disse... – falo. – Sobre as garotas. Ele tinha razão.
– Sebastian... – Blaine me censura dando um tapinha em meu ombro, ao tentar segurar sua risada.
– Se ele dissesse sobre a mulher mais bonita daqui, com certeza a sua mãe chutaria a bunda de todas aqui com a maior facilidade.
If happy little bluebirds fly. Beyond the rainbow. Why, oh why can't I?
– Só não deixa ela te ouvir, por favor, se não ela vai falar sobre isso pelo resto da vida. – ele pede. – Tudo o que ela precisa é alguém inflando o ego dela.
– Tarde de mais, Blaine, querido. – ela diz ao nosso encalço. – Sebastian, eu preciso de você para a próxima música. O DJ me garantiu que essa é última música lenta e a curtição vai começar já, já.
– Ah meu Deus... – Blaine agoniza. – Mãe, será que a senhora pensou que eu gostaria de dançar com o meu namorado?
– Mas você está dançando, querido. – ela diz solidaria. – Não seja egoísta. Se não quiser que eu dance com ele, então posso dançar com aquele rapaz da força área.
Ela aponta para o canto, onde Noah Puckerman acena e pisca para Pamela.
– Não. – Blaine desata minhas mãos de sua cintura praticamente me entregando a sua mãe. – Tudo bem, ele pode dançar com você.
A música finaliza. Artie começa a cantar Hey Ya!
– Vamos lá! – ela diz me puxando para o centro da pista de dança para acompanha-la.
Todos a nossa volta se animam com o ritmo novo na setlist.
– Sua estatura é ótima, querido. Mesmo eu usando esses saltos não consigo me sentir uma travesti perto de você. – ela diz alegremente.
Sinceramente não consigo identificar se aquilo foi ou não uma piada para eu rir, mas o fato é que eu não consigo parar de rir com o que ela disse.
Uma hora se passa e é apenas quando Pam vai apresentar um número musical que me vejo livre para procurar Blaine. O porcuro por todo o celeiro e não encontro. Saio do local para ir até o banheiro da casa, talvez Blaine esteja lá.
– Essa festa está pegando fogo! – a mãe de Santana anuncia no microfone. – E nós ensaiamos um pequeno número para vocês.
– E temos convidadas muito especiais. – Pam anuncia. – The Troubletones!
As ouço do lado de fora do celeiro. Ando exausto de tanto dança pelo vasto gramado da propriedade a procura de Blaine. Não o encontro em parte alguma, não até que na direção do horizonte, o veja sentado em um banco em frente ao lago da propriedade.
“Hey!” grito para que ele possa me ouvir. Ando muito até que chegue ao está sentado. Ao perceber minha aproximação, Blaine enxuga seu rosto na manga de seu smoking.
– Tudo bem? – pergunto ao me aproximar. – O que houve?
Blaine não me olha por longos minutos. Sento ao seu lado e se passa alguns minutos sem que ele diga uma palavra.
– Me desculpa. – ele sussurra em sua voz trêmula.
– Pelo o que? – tento olhar em seu rosto, mas ele continua com o rosto abaixado.
– Eu achei que poderia lidar com isso, mas não posso. – ele respira fundo. Aquilo realmente começa a me assustar.
– Do que você está falando? – seguro sua mão úmida pelas lagrimas.
– Você não viu? – Blaine me encara pela primeira vez naquela conversa. – Kurt com o Elliott...
– Sim, eu vi. – o fito ainda sem entender. – Eles estão juntos. O que tem?
A tristeza de Blaine vira raiva em poucos segundos.
– Caramba eu não acredito nisso. – diz ao se desvencilhar da minha mão e enfiar o rosto em suas mãos. – Aquele hipócrita, falso, mesquinho.
– Certo. Eu não estou entendendo nada. – me reclino no banco que sentamos.
– Ele jurou para mim. – Blaine continua com seu discurso zangado me ignorando. – Como eu fui idiota. Ele disse que não tinha interesse no Kurt e agora eles estão jutos?
As coisas começam, finalmente, a fazer sentido para mim. De uma forma altamente dolorosa. Blaine com ciúmes de Kurt por estar com outro cara é a última coisa que precisava escutar hoje. Na verdade a última coisa que preciso ouvir durante toda a minha vida.
– Okay. Vamos ver se eu entendi direito. – me levanto do banco de jardim parando em sua frente o encarando. – Você ta puto porque um cara está saindo com o seu ex-namorado?
– Não. – responde na defensiva. – Eu estou puto por ele ter mentido para mim. Por que aparentemente Kurt é atraente para ele.
– Você tem noção o quanto babaca você está sendo?- é tudo o que consigo proferir após longos minutos boquiaberto o encarando.
– Eu estou errado?- ele se faz de vítima.
– Ah, deixa-me pensar... – respiro fundo tentando me acalmar. – Ah... SIM!
Falho miseravelmente.
– Você deveria supostamente ficar do meu lado. – Blaine está totalmente fora de si.
– E você supostamente deveria não se importar com quem o seu ex-namorado sai ou não. – mal posso acreditar que eu realmente tenha que falar isso para ele. – Eu não acredito que realmente estamos tendo essa conversa.
– Me desculpa, ta bem? Eu achei que não me importava, mas aparentemente me importo. – Blaine está berrando agora. Ele apresenta alguns sinais de embriaguez, mas bebida jamais o faria se importar com algo que realmente não se importa. Ele grita: – Feliz?
Esfrego meu rosto aturdido. Aquilo é demais para eu aguentar.
– Sim, claro. – ironizo. – A definição para o que estou sentindo agora se encaixa perfeitamente com a descrição de felicidade.
– Eu vou te pergunta e peço que seja franco comigo. – digo ao me sentar ao seu lado novamente. – Não importa o quanto isso doa em mim.
– Sebastian, por favor, não. – ele choraminga.
– Você ainda ama o Kurt? – as palavras saem duras de minha boca.
– Eu não sei. – ele diz chateado. – Talvez...
Olho para o lago a nossa frente. Uma mistura de ódio e raiva fluem agressivamente por cada molécula de meu corpo. Respiro fundo tentando manter o controle.
– O que você quer fazer com isso? – Blaine pergunta magoado consigo mesmo.
– Eu não sei. – respondo seco, porém sincero.
– Desculpa, Sebastian, eu não sei se consigo fazer isso. – ele desabafa. – Acho melhor a gente dar um tempo.
Fico calado, as palavras caem sobre mim com o peso de toneladas caindo sobre mim. Suas palavras continuam me quebrando e dilacerando por dentro.
– Eu não voltarei para New York com você... – ele anuncia terminando seu longo discurso.
– Você está dizendo que está pausando tudo na sua vida, a faculdade, a sua carreira como cantor, eu... Só por que se sente em dúvida com os seus sentimentos? – o questiono finalmente. – Olha, eu não me importo se ainda sente alguma coisa por ele, por que eu sempre soube disso. Desde o momento que nossa relação começou...
Minha declaração faz Blaine soltar mais algumas lágrimas.
– Você até pode não se importar, mas eu não posso conviver com isso. – ele diz enxugando seu rosto duramente. – Não posso viver ao seu lado enquanto sei que estou te magoando.
– Isso não me magoa. – minto.
– Você mente muito mal, Sebastian. – Blaine retoma sua calma soltando o ar pesadamente pela boca. – Por favor, para de fingir que isso não te afeta.
– E o que você quer que eu diga, ham? – o confronto farto daquela discussão. –Quer que eu diga que isso dói? Pois dói, Blaine. Doi muito saber que apesar de todo o esforço que tenho feito pra ser o seu namorado, pra ser uma pessoa melhor, por que eu sei que você merece isso... Mesmo assim o que eu ganho é você dizendo que ainda ama o seu ex-namorado.
– Eu não sei se o amo, Sebastian. – ele tenta argumentar.
– Você não precisa dizer isso para mim, é evidente. Assim como é evidente o quanto isso me afeta quando você esta perto dele ou até o menciona. – esbravejo. – Eu sou inseguro quanto a isso por que eu sei que você nunca vai me amar da mesma forma que você o amava.
– Sebastian... Por favor, não me odeie.– ele tenta se explicar, mas o impeço.
– Não, agora você escuta. – vocifero. – Você não queria me ouvir? Então aí vai: Eu sei disso tudo e eu já aceitei isso. Mas você não pode achar que pode entrar na minha vida, tomar as proporções e importância que tem nela e sair de uma hora para outra sem achar que eu não vou acabar te odiando por isso.
Blaine se mantém calado por longos minutos.
– Me desculpa, Sebastian. – é o que diz quando finalmente quebra o silêncio dilacerante entre nós. – Mas essa é a coisa mais honesta que posso fazer. Por você e por mim.
– Tanto faz. – digo andando me afastando dele. Dou alguns passos e paro. – Sabe, eu até diria “Espero que vocês sejam felizes, juntos.”, mas estaria mentindo. Eu só estaria sendo um mentiroso. Como você.
– Sebastian, a onde você está indo? – ele grita para que eu ouça. O ignoro.
Enfio as mãos nos bolsos de minhas calças enquanto atravesso a propriedade até deixa-la para trás. Consigo resistir bem a vontade de chorar por alguns minutos logo após minha raiva passar. As lágrimas escorrem teimosas dos meus olhos vidrados no asfalto de piso. A área é rural, então leva alguns minutos até que eu encontre um ponto de ônibus, que possa me levar para o aeroporto internacional de Indiana.
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