Sebastian Smythe - Contos
5 Eu nunca...
Notas iniciais

É uma manhã incomum para a época do ano. Apesar do frio e chuva que tem feito durante o mês, esta manhã de outono é particularmente seca e quente. Ando entre as arquibancadas tentando equilibrar em minhas mãos uma grande bandeja de papelão, que comporta dois enormes copos com cervejas e garrafas d’água geladas, e porções de batatas fritas. Com certa dificuldade consigo encontrar nossos assentos.
– Voltei. – anuncio minha chegada ao me sentar. Ofereço a Blaine o que trago na bandeja.
– Graças a Deus! – Blaine diz pegando a garrafa d’água, bebendo-a quase inteira. – Eu estou morrendo aqui.
Blaine se queixa enquanto enxuga o suor em sua testa e termina de beber a água em sua garrafa. Acaricio suas costas enquanto ele avança para seu copo de meio litro de cerveja.
– Vai com calma com essa aí. – digo rindo com a pressa com que ele toma a cerveja. – Toma, isso vai ajudar...
Me levanto para pegar o boné, recém comprado do NY Giants, em meu bolso traseiro de minha calça. Coloco o boné azul, idêntico ao que uso, com NY bordado na parte da frente, na cabeça de Blaine. “Aqui está! Eu falei para você vir de boné.”, continuo acariciando suas costas enquanto ele se hidrata. “Eu não tenho bonés, Bas.” diz mal humorado.
– Agora você tem. – digo apontando o boné em sua cabeça. – Você é oficialmente um torcedor do Giants agora.
– Eu ainda não decidi se sou um torcedor deles. – Blaine retruca um pouco menos irritadiço pelo calor agora.
– Você mora em New York agora, Killer. Precisa torcer para um time daqui. – digo bebendo minha cerveja.
– Mesmo que isso fosse verdade, por que isso não é uma regra, eu ainda poderia torcer para outro time de New York. – ele provoca.
– Blaine, querido, não brinque com coisa séria. – digo repousando a cerveja em meu colo.
– Qual é, Sebastian. Pensa bem... – ele analisa. – É uma cidade nova e eu sou um cara aberto a novas experiências. New York tem uma infinidade de times. Quem sabe eu prefira torcer para os Jets.
Olho sério para Blaine, que não recua e nem se intimida, nos encaramos por alguns minutos até que um esboço de sorriso se forma no canto de seus lábios. “Você é um idiota!” afirmo voltando a beber mais da cerveja.
– Ah, você ficou bravinho? – Blaine usa seus dedos para cutucar minha barriga. – Eu não estou dizendo que não gosto do Giants, é um time ótimo...
– É o melhor da liga! – me interrompo ao tomar um gole da cerveja.
– Não amor... – Blaine me olha com pena. – Enfrente os fatos, o Patriots é o melhor time da liga. É por isso que ganharam o Super Bowl deste ano.
– Tanto faz, agora é uma nova temporada. – digo a ele. – E nessa temporada o Giants vai chutar a bunda dos Patriots!
Blaine deixa escapar uma gargalhada debochada, mas a segura quando o encaro bravo. “Mesmo que isso aconteça...” diz tomando o copo de minhas mãos e bebendo nele. Por que o seu já está vazio.
Seja lá o que ele tenha para falar sobre aquilo, não quero ouvir, e deixo transparecer nitidamente em meu rosto minha vontade. Blaine entende a mensagem e muda o assunto.
– Tanto faz. – ele diz dando outro grande gole em minha cerveja. – Fico feliz que seja fã dos Giants, você fica lindo de azul. Definitivamente azul é a sua cor, Bas!
Ele passa a mão sobre a camiseta azul royal com o número 10 do quarterback Manning, que visto. “Obrigado.” digo sincero. Blaine dá um beijo rápido em meus lábios, mas o suficiente para deixar o gosto de cerveja dos seus lábios no meu.
– Tudo bem... – digo pegando meu copo de volta com certa relutância de Blaine. – Fica com a minha garrafa de água.
Os jogadores entram novamente no campo prontos para o segundo tempo. Todos da torcida se levantam. A posse da bola é do NY Giants. O quarterback consegue fazer um passo impressionante e o receptor vança impressionantes 32 jardas até que seja interceptado.
– Vai Giants! – grito com os punhos erguidos assim como tantos outros torcedores ao nosso redor.
– Caramba... – Blaine fala animado com o feito do jogador. – Isso foi incrível!
Na linha de vinte jardas para a área de touchdown, os jogadores se alinham preparando a próxima jogada. A torcida grita em coro ritmado com palmas: “Giants...Giants...Giants!”.
O quarterback procura um receptor disponível, mas quase todos estão sendo bloqueados pelos jogadores do time adversário. Há uma brecha e ele aproveita. A bola é lançada, o jogador 32 a pega no ar driblando a defesa, percorre quinze jardas restantes e: “TOUCHDOWN!!!” a palavra explode da torcida. Nem Blaine é capaz de não vibrar com a comemoração.
– Ah, eu adoro football. – confesso quando minha exaltação diminui.
– Caramba, eu sentia falta disso! – Blaine afirma com um largo sorriso estampado em seu rosto.
– Você jogava na escola? – pergunto enquanto o outro time arma sua jogada.
– Ah, na verdade não. – Blaine diz um pouco envergonhado. – Mais ou menos... É complicado.
– Então? – pergunto confuso.
– Eu... – ele fala relutante. – Eu era Cheerleader.
A cerveja que passa pela minha garganta, volta imediatamente se dividindo pela minha boca e nariz. Tusso tentando me livrar de qualquer cerveja que possa ter entrado no lugar errado, Blaine bate em minhas costas me ajudando. Quando finalmente não há mais risco de afogamento, desato a rir.
– Isso... – tento tomar fôlego enquanto gargalho. – Isso é verdade?
– Sim, — diz sério. – eu fiz parte das Cheerios no William Mckinley.
– Caramba! – olho para ele tentando me controlar. – Que bizarro.
– Tudo bem, eu sei que não é muito comum um cara ser Cheerleader, mas não precisa exagerar né?
– Desculpa. – tento manter minha cara séria. – Você tem razão.
Assistimos à partida em silêncio por alguns minutos até que eu infelizmente não me aguento e pergunto: “Você usava aqueles topzinhos com mini-sainhas?” Blaine revira os olhos e se mantém calado enquanto bebe água.
– Não. – ele diz após longos minutos. – Mas eu usava uma roupa bem justinha.
Não há como confundir, ele está definitivamente usando sua voz em seu tom sensual.
– Tudo bem, isso ficou interessante. – digo animado. – Você ainda tem esse uniforme?
– Talvez. – ele provoca. – Por que você quer saber?
– Ah, sabe... – digo manhoso. – Seria legal, sabe, se você decidisse usa-lo para eu ver.
– Só ver? – ele sabe que me pegou e não vai facilitar para mim.
– Não... – digo mordendo meu lábio inferior. – Se você deixar, eu posso fazer muito mais do que olhar.
– Acho que não vai acontecer. – suas palavras soam como um balde de água gelada em mim.
Sei que mereci aquilo, por isso não insisto. Os Cowboys, o time adversário, não conseguem marcar nenhum ponto em seu turno do segundo down. Um pequeno intervalo é dado para o terceiro e penúltimo down.
– Antes de vir para New York você tinha algum time? – tento começar uma conversa casual com Blaine.
– Mais ou menos. – ele aceita minha reaproximação cautelosa. – Eu assistia aos jogos do Ohio S. Buckeyes.
– Buckeyes? – o encaro decepcionado. – Que coisa mais decadente, Killer. Eu estou oficialmente envergonhado por você.
Blaine sabe que estou brincando por que sorrio enquanto o provoco.
– Qual é? – pergunta indignado. – Lima não tem um time de football na liga profissional. Então a gente torcia para o time do estado.
– Isso é deprimente! – exagero, mas não muito. Eu realmente estou abalado por ele ser um ex-torcedor do Buckeyes. – Sua família também é fã deles?
– Não. – Blaine diz cauteloso. Ele sabia que havia cometido um erro, eu só não sei qual. Tudo em sua expressão diz: ‘Eu não deveria ter dito isso’. – Minha família não é chegada em esportes. Exceto por mim.
– Então “nós” significa você e quem? – pergunto.
– Ah, você sabe... – ele hesita bebendo um pouco mais de água. – Eu, Sam...
Aquilo está longe de ser a verdade completa.
– Quem mais? – insisto.
– Ah. – Blaine encara sua garrafa vazia e a joga de volta na bandeja de papelão. – Isso não é importante, Sebastian. Isso está no passado.
– Me fala. – insisto novamente. – É o Kurt?
– Não. – ele está evidentemente desconfortável com aquele assunto, mas isso não me faz recuar. – Bom, ele assistia por que eu gostava de assistir.
– Tudo bem. – me esforço para que isso seja verdade. – Não tem nada de demais. Não sei o porquê não quis me contar.
Blaine me olha e fica claro que aquilo não é tudo.
– Era sempre eu, Kurt, Finn, Sam, Burt... – Blaine desabafa. – Eu só não queria que ficasse chateado.
– Por que eu ficaria chateado? – particularmente consigo pensar em milhares de motivos. – Espera, quem é Burt?
– O pai do Kurt. – as palavras saem duras da boca de Blaine.
– Legal. – minto.
– Tá vendo? É por isso que não queria falar. – Blaine esbraveja.
– O que foi que eu fiz? – pergunto na defensiva.
– Não se faça de inocente, Sebastian. – Blaine realmente está bravo agora. – Sua obcessão em competir com o Kurt...
Ele não prossegue e eu não insisto para que o faça. Sei que aquilo é, de certo modo, verdade, mas não darei o braço a torcer. Não tocamos nesse e qualquer outro assunto que não seja football, até que o jogo termine em um placar de 37 a 16 para os Giants. O que faz de mim um homem muito feliz até aquela tarde.
. . .
Blaine e eu andamos pela calçada, trocamos carícias e beijos enquanto andamos. Se quer um conselho, se vier para New York, não ande beijando alguém. Alguém esbarra em mim brutalmente, o que faz meus dentes baterem contra o lábio superior de Blaine. Infelizmente esse choque faz com que um corte superficial se abra em seu lábio.
– Desculpa. – eu e o outro cara dizemos em uníssono. Ele diz para mim enquanto eu digo para Blaine, que cobre sua boca com a mão, estancando o recém corte adquirido.
– Kurt? – Blaine diz e sua voz sai abafada.
Olho de Blaine para a pessoa que havia trombado em mim.
– Blaine? Oi! — Kurt o cumprimenta soltado a mão do rapaz ao seu lado. Com cabelos quase totalmente raspados nas laterais de sua cabeça, mas ainda com cabelos pretos arrepiados no topo de sua cabeça. Ele é um pouco mais alto que Blaine, sua barba está por fazer, mas é notável que é bem cuidada. Kurt se abaixa para pegar sua bolsa que havia caído com o choque, o cara o ajuda a pegá-la.
– Oi Kurt. – Blaine sorri agora apenas com um dedo sobre o corte. – E oi, Elliott.
– Oi Blaine. – o cara que Blaine chama de Elliott o cumprimento um pouco constrangido, mas ainda assim sorridente. – Nossa, que confusão.
– Puxa que legal encontrar vocês aqui! – Blaine diz simpático. – Vai ter ensaio para Pamela Lunsbary?
Nada daquilo faz o menor sentido para mim. Blaine parece muito animado com a ideia de eles estarem ensaiando para Pamela Lunsbary, o que fica claro não ser a cantora, mas seja lá o que isso signifique, o deixa muito entusiasmado. Ele não percebe que eles estão de mãos dadas. Pigarreio e Blaine me olha.
– Ah, Sebastian, esse é o meu Sebastian, namorado. – ele diz confuso, por estar um pouco bêbado. – Meu namorado, Sebastian.
– Oi Sebastian! – Elliott estende sua mão. A aperto em um comprimento. – É um prazer te conhecer.
– Igualmente. – não faço ideia de quem seja ele, mas sei que não querem que Blaine descubra que ele e Kurt estão juntos.
– Na verdade não estávamos indo ensaiar... – Elliott diz cauteloso olhando para Kurt. – Estávamos indo tomar café. Por que vocês não se juntam a nós?
– Acho que não seja a melhor ideia. – digo imediatamente. – Nós precisamos voltar pro nosso apartamento.
– Qual é? É só um café. – Elliott insiste.
Blaine me olha pidão o que me faz ceder e aceitar a oferta. Não consigo pensar em nada mais indigesto do que tomar a minha bebida favorita: café, com uma das pessoas que eu mais odeio: Kurt.
Entramos na cafeteria mais próxima que encontramos e pedimos quatro cafés que são levados na mesa que ocupamos cerca de quinze minutos depois. Blaine vai ao banheiro nesse meio tempo para estancar o pequeno corte em seu lábio. Me ofereço para ajuda-lo, mas ele recusa. Blaine alega que eu preciso conhecer Elliott, por que ele é um cara super legal.
O quanto Blaine vai achar Elliott um cara legal quando descobrir que ele e Kurt estão juntos? Não vale o esforço pensar nisso, não vai levar muito tempo até que ele perceba.
– Você está bem? – pergunto a ele quando se junta a nós na mesa novamente.
– Estou sim. – ele afirma repousando sua mão em minha coxa me tranquilizando. – Foi um cortezinho bobo.
– Isso não é incrível? Encontrar vocês aqui. – a alegria de Blaine é reflexo da cerveja que tomou mais cedo. – É tão legal!
Concordo sorrindo, mas nenhum pouco sincero, para Blaine.
– Você está bêbado, Blaine? – Kurt pergunta em tom crítico.
– Na verdade sim. – Blaine ri sem nenhum motivo aparente. – Sebastian e eu assistimos a um jogo de football hoje e, escuta só isso... Você sabia que eles vendem copos de meio litro de cerveja?
Ninguém na mesa acha aquilo engraçado, ninguém exceto Blaine, que ri alegremente.
– É claro que o Sebastian comprou... – Kurt diz seco me encarando sem emoção. Elliott percebe o clima que se forma naturalmente entre eu e ele. Provavelmente ele deve ter o tocado por debaixo da mesa, por que Kurt o olha e sua agressividade recua naturalmente.
– Bas, você precisa ouvir esse cara aqui cantando. – Blaine diz apontando para Elliott. – A voz dele é tipo... UAU!
Blaine balança a cabeça negativamente para enfatiza o quão incrível a voz de Elliott é. “Incrível!” ele acrescenta sincero.
– E desde quando vocês se conhecem? – pergunto.
– Bom, na verdade, eu conheci Kurt primeiro na lanchonete em que ele trabalhava... Foi só depois que acabei conhecendo Blaine por que eles... – ele não chega a terminar a frase. – Entrei na banda que o Kurt estava montando e voilá.
– É eles são tipo melhores amigos, — Blaine afirma inocentemente. – assim como o Sam e eu somos melhores amigos. Sabe?
– Eu realmente espero que não seja da mesma forma. – digo a Blaine euquanto bebo meu café. Ele não tende do que estou falando.
Kurt sabe que vou falar, e não quer que eu o faça, por isso pigarreia e se levanta da mesa.
– Acho que já está na hora, né? – ele diz para Elliott.
– É ... – Elliott concorda sem entender. Kurt não precisa falar duas vezes para que ele esteja de pé ao seu lado.
– Nos vemos por aí. – digo com meu sorriso diabólico estampado em meus lábios. Kurt enfia a mão no bolso da calça para pegar a carteira. – Não se preocupa, essa fica por minha conta!
Digo dando uma piscadela para ele.
– Obrigado. – as palavras saem dolorosas de sua boca. – Ah... vocês irão no casamento da Santana e da Brittany?
“Não!” “Sim!” eu e Blaine respondemos simultaneamente respectivamente.
– Ah... nós recebemos o convite hoje de manhã... – Blaine explica olhando de mim para Kurt e Elliott. – E não tivemos tempo de decidir ainda.
– É. – concordo.
– Bom, se forem, nos encontramos lá. – Kurt diz.
– Legal, eu acho uma ótima ideia! – minto.
Ambos saem do café deixando eu e Blaine a sós. Peço mais um café, sem açúcar dessa vez, para Blaine.
– Como estava o café? – a moça do caixa pergunta educada quando vou pagar as bebidas.
– Desconfortável. – falo sincero, mas ainda assim me mantenho sorridente.
. . .
Passamos o resto da noite assistindo a musicais que Blaine gosta, durmo uma ou duas vezes durante os filmes. O que deixa Blaine chateado.
– Acorda! – ele me chacoalha pela terceira vez. – Você estava dormindo!?
– Desculpa, eu estou cansado. – digo na defensiva.
– Em que parte você dormiu? – ele pergunta todo mandão. – Eu vou voltar para você assistir dessa vez.
– Hmm... – penso na última coisa que assisti. – Quando foi aquela coisa do leão rugindo para tela no meio do circulo?
– O que? – Blaine derruba o controle remoto na mesa de centro por puro desgosto. – Isso é o logo da produtora do filme, Sebastian.
– Desculpa, B. – tento segurar sua mão, mas ele não permite. – É que eu estou cansado e não acho isso muito legal.
– Esse era para ser um dia nosso. – ele diz emburrado. Ele está certo e realmente sinto muito por estar estragando isso para ele.
– Me desculpa mesmo. – digo sincero. – Talvez devamos fazer alguma outra coisa.
– O que você sugere? – ele pergunta sem me olhar. Tudo depende da minha resposta para conseguir tira-lo dessa chateação.
Penso por alguns minutos até que algo que não se relacione com sexo surja em minha cabeça.
– Já sei! Ainda naquela vibe da gente se conhecer... – tenho novamente a atenção de Blaine, mas seu olhar sobre mim é desconfiado. – Vamos jogar “Eu nunca...” é um ótimo jeito da gente se conhecer.
Blaine sorri. Significa que gostou da ideia. ‘Eu nunca...’ basicamente implica em alguém dizer alguma coisa que nunca fez na vida, se alguém que estiver no jogo já tiver feito o que a pessoa A não fez, então toma um shot de alguma bebida. Caso de ninguém na roda ter feito o que a A diz não ter feito, então ela terá de beber uma dose.
Corro até a cozinha trazendo para a sala de volta dois copos de dose e uma bela garrafa de Vodka russa. Nos sentamos em volta da mesa de centro, no chão, para começar. Sou eu quem começa:
– Eu nunca beijei uma garota. – confesso uma coisa banal, sabendo que eu terei de beber a dose.
Surpreendentemente Blaine vira seu copo de uma vez só.
– O que? – pergunto incrédulo. – Quem você beijou?
– Rachael Berry. – diz tentando manter a vodka em seu estomago.
– Rachael Berry? Você só pode estar brincando comigo. – gargalho.
– Eu sei, eu sei. – ele ri junto comigo. – Eu estava bêbado.
– Você é o bêbado pervertido. – o acuso.
– Sou sim. – ele engatinha até mim. Seguro seu rosto entre minhas mãos enquanto ele me beija.
– Tudo bem, sua vez. – anuncio.
– Eu nunca transei em um lugar público. – ele diz.
– Droga, Anderson! – praguejo enquanto pego uma dose e a tomo.
Blaine enfia as mãos na frente do rosto tampando sua boca que está aberta pela surpresa.
– Você é inacreditável! — ri abismado. – Isso é sério?
– Super sério! – concordo ao sentir a bebida queimar em meu estômago.
– Onde? – ele pergunta curioso.
– Em tantos lugares... – tenho certo orgulho ao confessar.
– Tarado!
– Você não faz ideia. – falo rindo.
– Na verdade eu tenho sim.
– Tudo bem, minha vez. – anuncio novamente. – Eu nunca transei a quatro.
– Não olha para mim... – Blaine aponta para o copo a minha frente. – Pode beber!
Assim como ele manda, bebo mais uma dose. Conforme o jogo acontece, descobrimos coisas sórdidas e divertidas um sobre o outro. Minha vida sexual tem sido muito mais aditada do que a de Blaine tem sido, mas ele tem boas histórias para contar. Após várias doses de Vodka começa a ficar realmente difícil de se concentrar em qualquer coisa. Eu e ele rimos a toa a toda hora.
– Eu nunca andei pelado na rua. – ele confessa em sua vez.
Tento buscar em minha memória algum momento que tenha feito isso e nada vem a minha mente.
– Em também nunca. – falo mole. – Pode beber!
– Droga! – Blaine diz engolindo sua dose. – Transar em lugar público sim, mas ficar pelado “Deus que me livre.”?
– Isso mesmo! – levanto meu copo vazio e bato contra o de Blaine fazendo um brinde a isso.
– Tudo bem, minha vez. – encho mais uma vez meu copo. As ideias começam a se esgotarem, então começo a jogar sujo com Blaine. – Ah... eu nunca substitui um ser humano por um fantoche.
– Isso não é junto! – Blaine fala. Contra a própria vontade ele bebe mais uma dose. – Não queira levar a brincadeira para esse lado, Smythe.
– Bom, parece que eu já levei. – o desafio.
– Muito bem... – ele diz tentando me encarar sem balançar. – Eu nunca joguei raspadinha alterada no olho de alguém.
– Okay, isso foi golpe baixo. – digo enfiando mais uma dose goela a baixo.
– Quer desistir? – ele desafia.
– Você me viu gaguejar? – o enfrento. – Tudo bem. Minha vez! Eu nunca achei gravatas borboletas legais!
– Qual é? – Blaine fica sinceramente ofendido. Ele vira mais outra. – Elas são super legais! Seu idiota.
– Claro que são, a menos que você seja o Doctor Who. – esclareço.
– Tudo bem, tudo bem. – Blaine pigarreia antes de falar. – Eu nunca escondi dos meus pais que era gay. Pode beber, bonitão.
– Espera aí. Eu não escondo do meu pai que sou gay. – falo.
– Ele sabe que você é gay?
– Não, mas...
– BAM! – Blaine grita do nada. – Então beba, garoto da França!
Lembrete para mim mesmo: Nunca mais devo dar bebida alcoólica para Blaine. Ele fica um cuzão quando fica bêbado.
– Já sei, se você não quer beber, então conta para ele. – ele fala simplesmente.
– E como você quer que eu conte para ele? – eu sequer estou pensando agora.
– Liga para ele. – Blaine fala dando de ombros.
– Blaine, você... – enfio a mão em minha boca para tampa-la para não vomitar.
– Liga. Liga. Liga. – Blaine cantarola enquanto bate palmas como uma criança chata.
Reviro os olhos e pego o telefone que ele me oferece, disco o número o deixando no viva-voz. O telefone toca algumas vezes antes de ser atendido.
– Alô? – é uma mulher que atende.
– Alô! O Anthony está? – pergunto.
– Está. Quem fala?
– Sebastian.
– Só um minuto Sebastian. – ela pede.
– Anthony? Você chama o seu pai pelo nome? – Blaine pergunta chocado.
– Sim, por quê? – pergunto sem emoção.
– Não, nada disso. – Blaine diz em tom autoritário. – Chame ele de PAI.
– Blaine... – tenho um discurso pronto para falar, mas ele me corta.
– Vai, se não, não vai valer.
Bufo ruidosamente.
– Alô? – meu pai pergunta do outro lado da linha. – Sebastian?
– Oi pai. – a última palavra sai relutante.
– Ah... Oi. – ele diz confuso. – Oi filho, como você está?
– Eu estou ótimo. Então, ah...espera aí.
Blaine escreve no bloco que está em suas mãos e o coloca em frente aos meus olhos em seguida. “Pergunte como ele está.”
– E você, como está? – a pergunta sai relutante de minha boca.
– Eu estou bem. – ele diz desconfiado. – Aconteceu alguma coisa? Sua voz está estranha.
– Não aconteceu nada. – digo. — Na verdade eu só liguei para te contar uma coisa.
– Pode falar.
– Não que isso seja importante, ou da sua conta... – Blaine me cutuca apenas mexendo seus lábios para me dizer: “Seja legal!”. – Mas eu só te liguei pra falar que eu sou gay.
Faço o barulho de uma bomba estourando, para dar o tom correto para a notícia. Blaine ri ao meu lado. Do outro lado da linha, ele não diz nada.
– Não vai falar nada? – pergunto.
– Você precisa que eu diga algo? – ele responde com outra pergunta.
– Hmm... Não.
– Se precisa que eu diga alguma coisa, tudo o que eu posso dizer, é que eu já sabia. – ele diz sem emoção. – Mas eu esperava que fosse apenas mais uma de suas fases.
Blaine e eu nos encaramos sem compreender.
– O que? Como assim você sabia? E como assim mais uma das minhas fases?
– Quando você era adolescente eu te peguei se masturbando em seu quarto olhando para a foto daquele... Zack... Efron.
Blaine ri tanto que cai no chão. Eu, porém, não consigo falar nada.
– Achei que já tivesse passado dessa fase. – ele conclui. – Só mais uma coisa...
– O que? – pergunto receoso.
– Semana que vem eu vou te fazer uma visitinha aí.
– O que? – agora sim estou em pânico. – Por que? Para que?
– Por que você está bêbado Sebastian. – seu tom de voz é de irritação. – Eu não estou te bancando aí para você ficar enchendo a sua cara ao invés de estudar.
– Não! – o proíbo.
– Eu não estou pedindo, Sebastian. – diz severo. – Eu estou te comunicando.
– Eu não preciso de você aqui.
– Vou mesmo assim. Eu quero te ver e preciso contar uma coisa muito importante para você.
Com uma breve despedida desligo o telefone. Nos olhamos em silêncio.
– Eu falei que era uma ideia ruim. – falo finalmente deitando no chão.
Gargalhamos por mais alguns minutos.
– Tudo bem, acho que valeu – Blaine diz bebendo uma nova dose.
Blaine deita no chão e engatinho para cima dele. Beijo seus lábios minuciosamente enquanto ele esfrega sua coxa em minha virilha. Ele me olha sensualmente, mordisca meus lábios e diz:
– Eu preciso mijar. – o que inevitavelmente nos faz rir ainda mais.
Rolo para o lado saindo de cima de Blaine que com certa dificuldade se levanta precisando da ajuda do sofá para se erguer para finalmente ir até o banheiro. O telefone toca sobre o criado mudo ao lado do sofá. Estico minha mão para pegá-lo, mas tanto o telefone quando a base caem sobre a minha cara.
Instintivamente praguejo pela dor que nunca vem. Felizmente meu corpo está tão intoxicado pelo álcool que ele sequer manda a informação de que estou sentindo dor.
– Hmm... legal! – digo para a ausência de dor. Aperto o botão do telefone para atende-lo – Alô?
– Oi, Blaine? – alguém diz do outro lado da linha.
– Não! – reconheço a voz de Kurt imediatamente.
– Passa o telefone para ele, preciso falar com ele.
– Mas não vai. – digo esticando minhas pernas sobre o sofá.
– Sebastian, isso é importante. – ele implora.
– Isso não vai ser possível. Ele esta mijando no momento. – informo.formalmente. – Me diz uma coisa, sobre o seu namorado, o Elliot... Como é o pau dele?
Blaine demora cerca de cinco minutos até que volte para a sala.
– Não precisa responder. Tudo bem, prefiro ficar com o que eu tenho em mente. – falo mole. – Qualquer coisa menos do que eu imaginei me fará perder o respeito por ele.
Olho para o lado e Blaine se aproxima de mim sorridente.
– Ele ta aqui, — falo para Kurt. – Vê se fala logo por que a gente ta muito afim de transar.
Passo o telefone para Blaine. Com as pernas sobre o sofá, começo a desabotoar a calça jeans que se torna absurdamente impossível de ser desabotoada.
Blaine conversa com Kurt por longos minutos enquanto luto para desabotoar a maldita calça que visto, quando finalmente consigo, uma nova luta começa para tira-la. Com ela na altura dos meus joelhos dou alguns chutes no ar tentando me livrar delas, mas falho. Uma calça nunca foi tão difícil de ser tirada como esta.
Quando finalmente desisto, por que tira-la tornou-se uma tarefa impossível e inviável, acho que passou da hora de Blaine desligar o telefone. Então me ajoelho a sua frente e encaro sua virilha.
– Eu já converso com você já, já. – prometo à virilha de Blaine.
Me levanto de forma decadente e vergonhosa até que consiga encarar Blaine. Sobre cabeça dele posso ver o meu reflexo pelo grande espelho preso a parede. Estou descabelado e com o olhar caído, nada atraente. Mas não consigo me importar. Retiro o telefone de Blaine e o coloco em minha orelha.
– Desculpe o seu tempo esgotou, compre mais fichas e tente novamente mais tarde. – falo. – O telefone será desligado em vinte segundos nessa sua cara feia.
– Sebastian, devolva o telefone para ele. Isso é sério. – Kurt ameaça.
Pego o dedo indicador de Blaine e o pressiono contra o botão “off” do telefone.
– Você desligou? – Blaine ri.
– Você desligou!
– Eu tenho uma última... – anuncio enchendo mais uma dose em um copo. – Eu nunca amei alguém como eu amo você, Blaine!
Blaine me olha por longos segundos e encara o copo. Há conflito entre seus sentimentos em seu rosto, posso ver claramente. Blaine não sabe se leva a mão até o copo ou a deixa a onde está. A seguro entre minhas mãos, olhando em seus olhos.
– Você não precisa considerar esta... – digo sincero.
– Sebastian, eu... – Blaine começa, mas não quero que termine.
– Está tudo bem. – digo. — Você me ama?
– É claro que eu te amo! – ele me olha com carinho.
– Isso é o suficiente para mim agora. – confesso.
Beijo seus lábios com paixão o qual ele retribui com mesma intensidade. Nossas mãos exploram invasivamente o corpo um do outro. Com um movimento ágil, apesar da minha embriagues, seguro Blaine em meus braços.
– O que você está fazendo? – Blaine pergunta confuso em meus braços.
– Nós vamos para o quarto transar. – falo para ele. – E muito!
O carrego até o quarto. Caímos duas vezes durante o caminho. O jogando sem qualquer cautela na cama, o que faz quicar da cama para o chão.
– AI! – Blaine pragueja.
– Você está bem? – corro o máximo que minhas calças arriadas me permitem.
Blaine não sente dor, assim como eu, o que faz gargalhar.
– Isso foi legal! Faz de novo. – ele pede.
Recuso seu pedido o ajudando a se levantar. Segurando meu rosto enquanto me beijando com desejo, ele me puxar para cima de si sobre a cama.
– Peraí, peraí. – ele diz me afastando de um beijo que não quero que tenha fim.
– O que foi? – digo abrindo apenas um olho para encara-lo.
– Faz aquele negócio que eu gosto. – ele pede mordiscando seu lábio.
– Que negócio? – pergunto confuso.
– Dança pra mim. – ele pede manhoso.
– Sério?
– Sim, você fica muito sensual dançando. Principalmente quando é só pra mim. Isso me deixa muito excitado... – é um milagre que Blaine ainda consiga ruborizar mesmo estando bêbado como um gambá.
– É você quem manda. – me ponho para fora da cama em um salto. Blaine disse as palavras mágicas para mim: “Me deixa excitado”.
Blaine comemora. Levanto minha calça e a abotoo sem qualquer dificuldade desta vez. Ligo o home theater andando até a frete da cama, onde Blaine se ajeita confortavelmente na cama para assistir ao meu showzinho.
Os movimentos são um pouco descoordenados, mas qual é? Eu estou bêbado. Giro com os calcanhares fixos ao chão, no processo esbarro na cômoda, atrás de mim, o que faz alguns porta-retratos caírem de cima do móvel. Paro em uma pose típica do Michael Jackson.
Blaine vibra com excitação, com movimentos sensuais, em minha cabeça pelo menos, levanto a camisa. Que faz Blaine assoviar e aplaudir para mim.
– Esse é o meu homem! E a gente vai transar muito! – Blaine grita para o prédio inteiro ouvir.
Nós dois rimos ainda mais. Noto um volume considerável se formando sobre a calça de Blaine na área da braguilha. Arranco os tênis e meias para subir na cama. Onde ele me olha com atenção enquanto danço. Tento abrir o botão da calça novamente e sem sucesso mais uma vez é Blaine quem vê a dificuldade e se aproxima e a desabotoa para mim, sem deixar de dar uma boa apalpada no volume que se forma em minha calça.
Instintivamente ele passa a língua entre seus lábios para umedecê-los. “O que você tem aqui pra mim?” pergunto em um sussurro ao me sentar em seu colo e passar a mão em sua virilha. Blaine me encara apenas rindo.
Blaine não é o tipo de cara que vai sussurrar sacanagens no pé do ouvindo de alguém, ao invés disso, ele ri. E é exatamente o que ele está fazendo agora, rindo.
– Qual é Killer? – repouso meus braços em seus ombros. – Você está quebrando todo o clima.
– Desculpa. O que você quer que eu faça?
– Fala uma sacanagem para mim, qualquer uma. – peço.
– Eu não sei fazer isso Sebastian. – ele diz chateado. – Não intencionalmente.
– Só tenta... – insisto.
– Tudo bem... – Blaine toma fôlego antes de falar. – Eu te acho muito gostoso.
– Ah, isso foi bom. Mas ainda pode melhorar. – digo dando um beijinho em seus lábios.
– Isso te excitou?
– Não muito amor. – confesso. – Não precisa ficar com vergonha. Pensa bem...
Tiro sua camisa esfregando meu tórax contra o seu. Meu rosto se encaixa perfeitamente na curva de seu pescoço e seu ombro, onde me concentro em beija-lo. “Me diz... O que você tem aqui para mim?” pergunto entre os beijos que dou em seu pescoço enquanto passo a mão sobre seu pau sob a calça.
– Um... – ele hesita antes de falar. – Uma coisa grande e quente que você vai adorar.
– Hmm... – seu esforço começa a surtir efeito. – E eu posso tê-lo agora?
– Ainda não, você ainda precisa ser disciplinado. – seu som é sensual.
Dou um sorrisinho que Blaine entende de forma errada. “Desculpa, eu disse alguma coisa errada?” ele diz preocupado. “Não. De jeito nenhum.” Afirmo mordiscando seu lábio inferior. Sua confiança aumenta com minha aprovação e antes que eu perceba sou jogado de costas na cama.
Blaine beija meticulosamente cada parte de meu abdômen. Seus lábios estão quentes e úmidos, fecho meus olhos enquanto me delicio com seus beijos e carícias que me deixam a vontade e relaxado. Muito relaxado, tão relaxado que não percebo quando simplesmente pego no sono.
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