Sebastian Smythe - Contos

1 Em uma galáxia muito, muito distante...


Notas iniciais
É muito bom estar de volta. Espero que gostem dessa nova fase. Contos individuas e independentes de Blaine e Sebastian em seu relacionamento.Neste conto/cap. eles estão em seu primeiro mês de namoro e sinceramente achei adequado a forma como eles comemoram isso.Tenha uma boa leitura.

Blaine diz que é saudável que mantenhamos nossos espaços individuais, para mim isso só é outra forma de dizer: Não vem que não tem. Por mim a gente dormiria e acordaria todos os dias na mesma cama. Blaine sabe que quando isso acontecer o que realmente vai rolar é que teremos menos horas para dormir. Mesmo que mantenhamos nossos espaços individuais, essa manhã é uma exceção à regra de Blaine.

Eu não estou dormindo, mas também não estou acordado, ainda assim posso ouvir o leve ranger da porta ao Blaine passar por ela, assim como percebo o som de seu andar suave pelo meu quarto até que sorrateiramente ele entre debaixo do edredom que me cobre.

– Bom dia. – Blaine sussurra deitado ao meu lado.

Abro meus olhos e um Blaine descabelado com um lindo sorriso em seu rosto e olhos brilhantes é a primeira coisa que vejo nessa manhã. Ele me assiste despertar apoiando sua cabeça sobre a mão e o braço apoiado na cama. “Bom dia.” respondo com a voz rouca dando-lhe um largo sorriso enquanto ele acaricia meu peito nu.

Hoje faz um mês que Blaine e eu estamos juntos e ao me lembrar disso o meu sorriso dobra de tamanho. Ele se esgueira para meu lado não ficando satisfeito até que se deite sobre mim.

– Parece que alguém acordou de bom humor hoje... – Blaine me estuda com o olhar.

– E parece que eu não fui o único. – o observo mesmo ainda tendo dificuldade em acostumar meus olhos com a luz que entra da janela para o quarto.

Blaine sorri sem jeito. Eu simplesmente amo quando ele fica sem jeito comigo.

– Tem uma cama toda para você deitar em cima. – digo segurando o rosto de Blaine enquanto ele segura meus braços pelos pulsos. – Mas você escolhe deitar bem a onde eu estou.

– Sim. É que o resto da cama não tem você nela. – Blaine afirma.

– Não posso culpá-lo, seu argumento é válido.

Sorrimos um para o outro. Acaricio seu rosto com delicadeza, passando a ponta de meus dedos pelos desenhos de seu rosto: sobrancelhas, nariz, olhos, boca... Blaine mantém os olhos fechados, igual a um filhote de cachorrinho quando ganha carinho. Posso ver seus braços ficarem arrepiados com minhas carícias em seu rosto.

Eu o observo por vários minutos em silêncio o que faz meu coração desparar. Olhá-lo não me cansa jamais. Ele é lindo! Tudo nele é impecável. Eu poderia simplesmente dizer que ele é um ser humano perfeito, mas a verdade é que Blaine Anderson não é perfeito. Blaine tem defeitos, vários deles, mas eu os amo. Cada um deles. E é isso o que o torna tão lindo e impecável para mim.

Ele abre seus olhos novamente e me observa em silêncio assim como eu o observo. Há coisas incríveis em novos relacionamentos assim como terríveis. Tudo é novidade, toda emoção é intensificada. Inclusive o medo, medo de se precipitar em dizer aquela palavra cedo de mais...

Blaine esfrega sua coxa em minha virilha. A feição em seu rosto é tão clara e nítida quanto a sua intenção. Deslizo minhas mãos pelas suas costas as enfiando por dentro de sua cueca samba canção agarrando sua bunda deliciosa.

– Você deveria me acordar assim mais vezes. – sugiro a ele.

– É só por que hoje é uma ocasião especial. – Blaine explica.

– Deve ser mesmo, a final de contas não é todo dia que acordo com uma delicia de homem como você na minha cama. – o provoco.

– Calma aí. Como assim “deve ser”? – Blaine me olha incrédulo.

– O que foi, por que parou? – olho de seus olhos para sua coxa que parou de ser roçada em minha virilha.

Toda a paixão em Blaine se vai em segundos. Tomado pelo desapontamento ele se senta sobre minhas coxas. “Me diz que essa é só mais uma das suas brincadeiras distorcidas que você sempre faz.” Minha feição de ‘o que diabos você está falando?’ se mantém em meu rosto.

– Mas é claro, eu estou lidando com Sebastian Smythe... – Blaine diz saindo de cima de mim, mas eu o impeço.

– A onde você vai? – o seguro na lateral de suas coxas. Blaine porém tira minhas mãos de suas pernas. – Que agressivo!

Blaine tenta se levantar novamente, mas o forço a se manter sentado sobre mim.

– Sebastian, eu tenho aula hoje. Preciso...

– Tudo bem, mas antes de você ir eu preciso te dar uma coisa... – me estico para pegar um embrulho dentro da gaveta de escrivaninha e o entrego para Blaine. – Para você.

– Seu... – ele diz irritado e aliviado se mantendo sentado sobre mim.

– Um obrigado já serve. – sorrio me divertindo com sua irritação. Acaricio sua coxa passando minha mão de baixo da perna da cueca de Blaine enquanto o observo abrir seu presente.

– Eu achei que não compraríamos presentes... – Blaine diz.

– Eu sei, mas é que eu achei seria adequado e nem foi caro. – explico.

Blaine não gosta que eu dê presentes para ele principalmente se forem caros. Mesmo sendo contra presentes dados por mim, Blaine ri de imediato ao ver o conteúdo do embrulho: um par de canecas. Uma delas diz “ O melhor namorado do mundo.” enquanto a outra tem estampado: “ O namorado do melhor namorado do mundo.”

– A do melhor namorado do mundo é minha, como você deve ter imaginado. – digo brincado.

– Convencido. – Blaine belisca meu peito.

– Ai! – digo esfregando a área dolorida. – Eu só estou brincando.

– Eu sei. – Blaine diz se inclinando sobre mim. É hipnotizante a forma como ele me olha. Nossos lábios finalmente se tocam e nos entregamos a uma sessão incontrolável de amassos.

– Tudo bem, — Blaine se afasta depois de algum tempo retomando seu fôlego. – eu preciso tomar banho. Tenho aula hoje.

– Ah, tudo bem... – acaricio seu rosto dando-lhe um beijo de despedida. – Eu vou ficar com saudades

– Deixa a saudade para depois, nós dois ainda não terminamos com isso. – Blaine me segura pelo braço e me arrasta para dentro do banheiro.

. . .

Preciso esclarecer que eu não sou o tipo de cara ciumento e controlador. Gosto de pensar que sou bastante flexível e confiante quando o assunto é namoro, mas eu também sou um cara que se importa em satisfazer todos e quaisquer desejos sexuais, até os mais sórdidos, do meu namorado. Por que... Bom, você sabe o por que. Você já me conhece.

Eu estou planejando isso a semana inteira, faltei na faculdade só pra fazer essa maluquice. Tudo bem se você não estiver entendendo por que, na verdade, eu nem estou sendo muito específico.

O que hoje mais cedo costumava ser nosso apartamento agora está parecendo um cenário de Star Wars. Com luzes de emergência vermelhas piscando e fumaça sendo liberada por falsos dutos de ar que instalei mais cedo por toda parte do apartamento, agora se assemelha com um setor danificado da Estrela da Morte. Aguardo ansioso Blaine chegar da faculdade pronto para a surpresa.

Fico de prontidão em frente à porta a porta de entrada vestindo minha armadura de Stormtrooper com uma arma cenográfica empunhada em mãos. Não demora muito até que a porta seja destrancada e Blaine entre no apartamento.

– Meus Deus, o que é isso? – Blaine diz sobressaltado ao entrar em nosso apartamento. Tiro o capacete para encará-lo. – Deus, Sebastian! Você me assustou.

– Desculpa, eu não quis te assustar. – digo sincero só me dando conta agora o quanto deve ter sido assustador para ele.

Blaine mantém a mão sobre o seu coração e então começa a olhar à sua volta.

– Por que está vestido assim? – ele volta a me encarar. – E onde foi que arranjou isso tudo?

– Comprei na internet. – digo, mas o som da minha voz sai abafada por causa do capacete que volto a vestir.

– Tudo bem, mas por que? – ele me olha desconfiado.

– Por que aparentemente o meu namorado é um nerd que gosta de Star Wars. – digo dando de ombros. – E esse é o presente dele pelo nosso primeiro mês de namoro.

– Você já me deu um presente e espera aí... – Blaine me olha constrangido. – Como você sabe disso?

– Por que eu andei olhando o histórico do seu navegador e vi que você lê fanfictions de Star Wars. – digo naturalmente.

A mascara não me permite ter uma visão perfeita, mas não preciso enxergar para saber que Blaine ruboriza violentamente.

– Você não deveria... – Blaine começa, mas não deixo que termine.

– Tudo bem, eu só queria te fazer uma surpresa. – digo sincero. – Eu não estou te julgando por isso e nem pelo resto de coisas sinistras que vi em seu navegador. Só vamos tentar nos divertir um pouco, Jedi.

Jogo a fantasia de Anakin Skywalker para Blaine que está animado de mais para se importar em brigar comigo agora. Ele arranca a roupa do próprio corpo, que é um espetáculo à parte para mim, e veste seu novo traje.

Com um sorriso enorme em seus lábios, Blaine, admira a própria roupa que veste.

– Seu traje veio com arma...Eu adoraria ter um sabre... – ele diz olhando a arma cenográfica em minha mão.

– Aqui está o seu – digo jogando para ele o sabre do personagem que tem a “lâmina” em cor azul.

Tiro um pequeno pedaço quadrado de papel de um dos bolsinhos do cinto da minha armadura e retiro novamente o capacete para minha voz soar audível.

– O que é isso?

– A trama. – digo.

– Trama? Nós vamos fazer um RPG? – Blaine leva suas mãos até a boca pela surpresa, o brilho em seus olhos são impagáveis.

É uma guerra! Em uma missão suicida de eliminar o ditador Darth Vader, ou pelo menos o maior número de danos possíveis ao inimigo, um grupo numeroso de Jades é enviado até o coração da Estrela da Morte. Onde um duro confronto entre Jedis e aliados do império ocasiona numerosas baixas em ambos os lados, além de grandes danos à base imperial.

O cenário é de caos e destruição, tubos de gás rompidos deixam a visão turva e nebulosa em partes facilitando a fuga, mas tornando imprevisível a aproximação do inimigo.

O Jedi Anderson, líder da missão, consegue despistar um pequeno grupo de Stormtroopers em sua fuga. Para abrir as comportas de saída serão necessárias sete chaves que poderão ser encontradas em cada cômodo, mas outros não terão nada. Lembre-se: Seja rápido! O último Jedi tem uma hora para sua fuga.

Que a força esteja com você!

Entrego a Blaine seu sabre de luz e jogo a ficha da trama a trás de mim em qualquer lugar. Blaine entende o que aquilo significa. Ando até o interruptor de luz a desligando. Todos os ambientes se enchem de escuridão, tudo o que enxergamos é a neblina constante saindo dos geradores e luzes vermelhas de segurança que piscam. No home theater a trilha sonora instrumental da série toca tornando inaudível nossos passos.

Naturalmente cada cômodo do apartamento há armadilhas que denunciam a localidade de Blaine, ao abrir uma porta um alarme dispara sendo possível silenciá-lo apenas se a porta for fechada novamente.

– Ah, isso é sujeira! – Blaine pragueja ao disparar o alarme pela segunda vez. Sigo o som enquanto ele ainda existe.

Abro a porta que me deparo e o alarme torna a disparar. Eu não sei dizer de onde e de que jeito, mas sou atingido no rosto. O impacto é tão grande que caio de costas com a pancada. Não há neblina no quarto apesar da densa escuridão, Blaine tropeça em minha perna fazendo cair num baque surdo ao chão.

– Parado! – ordeno apesar da dor. Blaine não obedece, sinto ele se levantar rapidamente na tentativa de fuga. Faltam apenas uma chave, não posso permitir que ele escape.

O seguro pelo tornozelo, instintivamente Blaine me dá uma espécie de coice para se libertar da minha mão que acaba acertando meu ombro, mas Blaine cai novamente. Rapidamente me aproximo dele segurando sua mão, Blaine me empurra da maneira que consegue, mas falha ao conseguir me afastar dele. O seguro com mais força, Blaine entende que é para usar sua real força.

Acontece que eu não sabia que ele tinha tanta força, então acabo descobrindo da forma mais árdua. Blaine acerta um soco em meu queixo, mesmo com o capacete o soco causa danos ao meu rosto, mas ele também se machuca pela armadura. Desnorteado eu afrouxo a mão dando a oportunidade perfeita para que Blaine me empurre para longe de si. Caio para trás enquanto ele se levanta.

Blaine não tem sucesso ao tentar sair do quarto, aproveito sua falha para me levantar e o segurar pela nuca. Com um golpe certeiro ele acerta seu cotovelo na altura de meu nariz. Blaine começa a levar aqui à sério de mais.

Meu nariz arde dolorosamente e quando estou pronto para pedir arrego, Blaine me prensa contra a parede com o seu braço travando meu pescoço. Aquilo parece estar o está excitando, achava que Blaine não é o tipo de cara que curtisse violência. Acho que estava errado.

Comigo sobre seu controle, Blaine liga seu sabre de luz, tornando tudo ao nosso redor visível, mas não o bastante. Blaine está ofegante e há um brilho de excitação em seus olhos, seu rosto está lavado de suor e sua respiração ofegante.

– Eu deveria matá-lo agora mesmo. – Blaine diz.

– Sim, você deveria. – digo ofegante. – Por que se vacilar, por um segundo que seja, juro por Deus que sou eu quem vai te matar.

Blaine ri sarcástico. Juro que não sei onde Blaine aprendeu a fazer essas coisas, mas com um golpe certeiro ele atinge meu joelho me fazendo cair de joelhos no chão. Arfo de dor. Ele pega as algemas que eu havia deixado cair no chão e algema minhas mãos atrás do meu corpo.

– Eu vou, mas não antes de ver o que há debaixo desse capacete. – Blaine tira meu capacete. Meu rosto tem vários pontos de sangramento o que faz Blaine se horroriza ao vê-lo.

– O que está esperando, Jedi? Anda, me mata! – digo engolindo seco. Com um sorriso cruel nos lábios. – Quando me matar mais mil como eu virão atrás de você. Não tem como você sair daqui vivo.

Blaine não consegue se concentrar mais em nosso jogo. Ele se joga de joelhos em minha frente me encarando, o arrependimento em seus olhos é evidente.

– Me desculpa. – ele acaricia meu rosto ferido.

Não quero que ele se sinta mal, quero dizer, meu rosto está ardendo, mas não é uma dor devastadora.

– Você é fraco! – o provoco não dando importância. – Tem certeza que é um Jedi?

– Me desculpa! – Blaine balbucia avaliando os danos que havia causado. – Me desculpa!

Um efeito sonoro nos indica que uma tropa de Stormtroopers se aproximam. Blaine o ignora completamente.

– Seu tempo está acabando Jedi! – insisto. – Acha que me machucou? Não machucou. Você bate como uma menina.

Uma menina que conseguiu causar um corte sobre a minha sobrancelha esquerda, sangrar meu nariz e outro corte na maça do meu rosto. Blaine entende que quero seguir adiante.

– Eu não vou te matar. – Blaine diz me segurando pela nuca e me dando um beijo. Muito mais intenso e demorado do que eu esperava que fosse.

– Por que isso? – pergunto tentando recuperar meu fôlego.

– Eu... eu não sei. – Blaine gagueja.

O encaro intrigado por alguns minutos então volto a beijá-lo intensamente. O alarme toca mais uma vez.

– Você precisa sair. – digo a ele. — Eles estão vindo. Vá na frente que eu te dou cobertura!

Blaine tira as algemas de meus pulsos rapidamente me libertando. Pelo minha arma e visto meu capacete de novo enquanto Blaine empunha seu sabre de luz.

– E você? – ele me encara.

– Eu me preocupo com isso – digo a ele.

– Não você... – Blaine me segura pela mão, mas eu a solto instantaneamente.

– Vai!!! – ordeno.

Abro a porta disparando o alarme novamente, disparo a arma repetidas vezes contra uma tropa imaginária. Blaine já está longe de mim quando me dou conta.

– Parado aí! – grito.

– Que bom, você conseguiu... – Blaine sorri aliviado.

– Eu disse parado! – grito novamente energético. – Se der mais um passo eu vou atirar.

Blaine entende o que aquilo significa. Com um movimento simples de sua mão, Blaine simula estar usando a força, respondo conforme ele deseja. Torço meu pulso derrubando a arma no chão. Com mais um movimento, vou parar no chão de joelhos agonizando com uma falsa dor. Ele se aproxima e tira meu capacete. Ele finge surpresa ao ver meu rosto.

– Como isso é possível? Você não é ele, mas você são idênticos.

Blaine pega um par de algemas em um dos compartimentos de minha armadura e a prende em meus pulsos. A campainha toca. Com o sabre de luz em mãos, Blaine atende a porta. Nossa vizinha, Elizabeth se assusta ao vê-lo e ao fundo eu algemado e ajoelhado no chão.

– Oi... – Blaine diz envergonhado.

– Oi! – digo ainda ajoelhado no chão.

– Meninos, por favor, eu estou tentando fazer a minha sobrinha dormir. Será que vocês podem fazer menos barulho? – ela diz com cansaço estampado em seu rosto.

– Desculpa, nós estávamos... – Blaine tenta se explicar, mas ele sabe que não há modo digno de se fazer isso, por isso se interrompe.

– Eu sei muito bem o que estavam fazendo. – Elizabeth diz sem emooção. – Acho difícil alguém no prédio não saber, mas hoje tive que cuidar da minha sobrinha. Então só hoje, por favor...

– Nós vamos fazer silêncio, desculpe. – Blaine promete.

– Foi mal. – digo dando tchau com as mãos ainda algemadas.

Quando Blaine finalmente fecha a porta eu já sumi de suas vistas voltando a ser o primeiro Stormetrooper. Instintivamente ele liga seu sabre ao me ver me aproximar, por não conseguir me identificar.

– É você? – Blaine me encara desconfiado.

– Não temos tempo. Precisamos sair daqui. – abro a mão e mostro a ele a última chave.

– Você virá comigo? – ele me estuda com o olhar.

– Eu atirei contra outros de mim. – olho para os lados. – Sou um traidor agora. Não há lugar aqui para mim.

– Para onde você vai? – Blaine diz colocando todas as chaves nas falsas fechaduras da porta.

– Para longe daqui. – afirmo.

Blaine e eu saímos do apartamento, descemos no elevador e saímos correndo pelas calçadas de Nova York. Atraímos os olhares de curiosos por todo lugar que passamos rindo e correndo até que finalmente entremos no metrô e descermos na estação próxima ao Prospect Park.

Não paramos de rir até chegarmos em cima de uma pequena ponte que atravessa um lago no meio do parque. Ficamos ali quietos olhando o movimento da água. A essa altura Blaine volta a ser Blaine e eu volto a ser eu.

– Obrigado por isso. – Blaine agradece.

– Você não precisa me agradecer. – digo sincero.

– Mas eu sinto que devo. – ele diz com um sorriso bobo em seus lábios. – Ninguém nunca fez isso por mim.

– Tudo bem... – digo sorrindo, mesmo que isso faça meu rosto doer.

– Ta doendo muito? – ele me olha preocupado.

– Nem ta. – minto, não por ego, mas para não o fazer se sentir pior do que já está.

Blaine não acredita.

– Quando foi que aprendeu a lutar? – pergunto a ele.

– Eu fazia box na Dalton. – ele diz dando de ombros.

– Ah, que beleza... – digo me sentindo um idiota. – Eu fui brigar com um lutador de box.

Dou risada o que faz Blaine rir também.

– Você fica excitado com essas coisas? – pergunto finalmente.

– Acho que sim. – Blaine diz envergonhado.

– Legal. Você pode me dar uma chave de braço quando quiser. – digo com um sorriso sacana nos lábios dando-lhe um tapinha em sua bunda.

Blaine ri.

– Não, não com isso. Star Wars... – ele diz as ultimas palavras baixinho.

– Ah Deus, isso é pior do que eu esperava que fosse. – o encaro rindo.

Blaine ruboriza violentamente.

– Tudo bem, não precisa ficar assim. Não é de todo mau, não é? Eu até deixo o seu sabre de luz conhecer o meu lado negro...

– Meu Deus, você sempre tem que ser tão vulgar... – Blaine enfia as mãos em sua cara se sentindo mais constrangido.

– O que foi? Não seja hipócrita, Blaine. – o forço a tirar a destampar seu rosto. – Você ama toda a minha vulgaridade.

Blaine revira os olhos e então nos olhamos em silêncio.

– Sebastian... – Blaine começa, mas não termina.

– Hmm?

Nós dois sabemos o que ele dirá, mas as palavras não saíram de sua boca. “Eu te amo” eu quero dizer, mas tenho medo que seja cedo de mais para falar.

Blaine sai de sua posição de apoiar os braços na grade de segurança da ponte e gentilmente se aconchega em meu peito. Seu rosto que fica a altura de meu peito provavelmente está sendo machucado pela dura armadura que visto. Envolvo sua cintura com meus braços. Então ficamos ali, quietinhos observando o calmo movimento da água e revezando para olharmos o céu estrelado sobre nossas cabeças.

– Que se dane toda a franquia, é essa história que George Lucas deveria contar. O caso entre o Jedi e um Stormtrooper.

Blaine ri, sua risada me faz sorrir satisfeito.

– Bom, acho que está na hora de te dar o seu presente. Eu sinceramente me sinto envergonhado depois de ter recebido o melhor presente do mundo. – Blaine diz encarando a água. – Quer saber? Deixa pra lá, você merece coisa melhor.

– Nada disso! Eu quero o meu presente. – insisto.

– Eu não sabia que você faria alguma coisa tão magnífica... eu me sinto um namorado péssimo.

Blaine sabe que não gosto quando ele se auto-deprecia então rapidamente retira da sua bolsa um embrulho quadrado e me entrega. É um álbum de fotos vazio.

– Eu sei que essas coisas são importantes para você e são para mim também. Espero que não tenha sido muito precipitado, mas ...

– Obrigado. – digo o abraçando. – Eu amei! Acho que podemos começar a preenche-lo.

Pego meu celular e enfio meu capacete de volta na cabeça.

– Sebastian? — ele me chama.

– Oi? — digo me preparando fazendo o 'paz e amor' para a câmera do celular.

– Eu eu gosto muito de Harry Potter também...

– Meu deus... — Eu o encaro encredulo, mas a máscara não permite que a minha cara de indignação saia na foto que Blaine tira.

Notas finais
Recentemente eu li no Wikipedia americano que o Blaine realmente gosta de ler fanfictions de Star Wars, não é invenção minha. Quando li isso eu sabia que era exatamente sobre isso o que eu deveria escrever. Enfim, agradeço a quem se juntar a essa nova jornada de Sebastian e Blaine. Se você quiser poderá acompanhar a história de como eles chegaram até aqui lendo a fanfiction Sebastian Smythe – A fanfiction. - Capítulos todas as sextas-feiras. Até lá!