Sebastian Smythe

17 Um bom filho à casa retorna?


Notas iniciais
Chegamos ao fim de mais uma fase na vida de Sebastian nesse capítulo. Leia também as notas finais por que tem uma surpresa lá para vocês. Boa leitura!

Andrew e eu estamos sentados em um sofá encostado na parede, no canto mais reservado do Lima Bean Café, onde Andrew me ouve falar horas a fio sobre Hunter. Quando chegamos no Café ainda havia claridade no lado de fora, mas agora as janelas exibem apenas um céu escuro e muito limpo, revelando várias estrelas em sua superfície. Havia contado quase tudo para Andrew, exceto pela parte em que Hunter chamara a faculdade que ele, Andrew, estava ingressando de patética.

– Isso é horrível! – Andrew diz segurando minha mão que repousa sobre o sofá.

– Eu sei... – digo pensativo encarando meu copo de café.

Tento pensar em alguma coisa, qualquer uma, que possa fazer Hunter recuar, mas não consigo. Andrew apenas acaricia minha mão com seu polegar enquanto me observa quieto.

– Posso fazer alguma coisa pra te ajudar? – ele se mostra solicito como sempre.

– Não. Ninguém pode Andrew. – digo o encarando agora. Ele sempre tenta resolver as coisas mesmo não podendo fazer nada a respeito disso. E esta é a qualidade que mais amo nele. – Só eu posso dar um jeito naquele babaca.

– Tem que haver algum jeito de tira-lo de lá. Eu não estou dizendo para você apelar para os vandalismos que você costumava fazer, mas deve haver alguma coisa... – Andrew toma um gole de seu chocolate quente. – Por que eu não suporto te ver desse jeito.

Dou um sorriso afetuoso para ele e aperto sua mão carinhosamente.

– Obrigado. Mas vai ficar tudo bem. – garanto a ele. – Eu dou um jeito.

Andrew me fita por alguns segundos e me dá um sorriso caloroso.

– Eu te amo! – ele anuncia.

– Também te amo! – eu confesso.

Nos beijamos brevemente.

– Sabe, não deveríamos estar desperdiçando nosso tempo juntos com isso, já que você está prestes a me abandonar. – digo brincando.

Andrew não ri.

– Não fala assim... – ele pede. – E nós não estamos desperdiçando nosso tempo. Qualquer coisa que tenha pra me dizer, você pode e deve me dizer.

– Calma! Eu só estou brincando. – o olho achando estranha sua atitude. – Vamos nos ver todos os finais de semana, não é o ideal, mas já é alguma coisa.

– Isso! – Andrew diz aéreo.

Silêncio.

Andrew se ajeita no sofá de modo que suas pernas e seu tronco fiquem voltados para mim.

– Escuta... – ele diz colocando minha mão sobre sua cocha e a segurando com as duas mãos. – Eu tenho uma coisa pra te pedir... Uma fantasia que tenho... Antes de eu ir...

– Olha, Andrew, eu já te disse milhares de vezes que eu não vou me vestir de Legolas para você. Eu não sei qual é essa sua tara doentia por Senhores dos Anéis e eu não quero fazer parte disso. Por Deus eu nem pareço com o Orlando Bloom.

– Ei! Ei, calma! – Andrew diz rindo. – Não é isso. E eu já desisti te fazer você entrar naquela fantasia de Legolas que tenho...

– Que você deveria, desesperadamente, jogar fora...

– Não me interrompa, Smith. – diz sorrindo. – O que quero pedir é uma coisa mais significativa para nós dois. E sinceramente, não acredito que você vá negar.

. . .

Domingo, 7 de outubro de 2012.

– Eu não acredito que estamos fazendo isso! – sussurro para Andrew andando atrás dele.

– Nem eu. – ele diz, observando o cenário antes que seguimos a diante.

– Como vamos fazer isso? – pergunto esperando seu comando.

– Do jeito normal, ué. – ele diz ainda olhando a volta.

– “Do jeito normal” – digo o imitando. – Como se fizéssemos isso o tempo todo.

Andrew ri.

– E não fazemos?

– Tá. Mas agora é diferente.

– “Tá. Mas agora é diferente.” – agora é Andrew que me imita.

– Você sabe o que eu quis dizer.

O local está completamente vazio. Adentramos pelo campo eufóricos.

– Vai querer desistir? – ele me desafia.

– Eu sou de desistir de alguma coisa? – eu não recuo. – Onde coloco esses equipamentos?

Trago comigo pares de equipamentos de lacrosse como capacetes, luvas e crosses.

– Pode jogar aqui no chão mesmo.

– Tá bom. – digo os soltando no chão. – E agora?

– E agora? Bom, você disse que quer entrar no time de lacrosse, certo?

– Isso mesmo! – digo inocentemente.

– E você é bom, Smythe? – Andrew pergunta em tom soberbo.

– Sou sim, sou muito bom em atividades físicas. Tenho muita resistência. – aquela brincadeira já estava começando a me deixar excitado.

– Vamos ver... – ele analisa meu físico. Bom, chega de papo. – Andrew enfia o dedo na passadeira do cinto de minha calça e me puxa para si. – Você fica muito gostoso com esse blazer, mas eu quero te ver fora dele, novato. – Andrew diz e em seguida me beija com desejo arrancando o blazer da Dalton que estou usando.

Ele se deita no gramado do campo de Lacrosse e me puxa para cima de si pela gravata. Nossos lábios não conseguem se desgrudar por um longo tempo. Rolamos pela grama algumas vezes alternando para um tirar a roupa do outro até a brincadeira ganhar mais intensidade.

. . .

Alguns dias depois...

Hunter me convoca para uma reunião particular sobre o futuro dos Warblers, não que ele se importe com os Warblers ou com a minha opinião. Eu só não sou descartável para ele por ter informações que ele considere importantes.

Hunter havia expulsado todos dos Warblers, mas redimiu a entrada de todos depois de uma audição com cada um deles. Não ficou muito claro o objetivo dele com isso até que ele confessar que tinha sido tudo apenas uma estratégia de batalha. Em uma guerra que só existe dentro de sua cabeça doentia.

Eles precisam acreditar serem merecedores dessa nova fase.” Hunter me explicou. “Eu queria separar os fracos dos que tem estômago para fazer o que é necessário. Homens!”. Mas aquilo tudo fazia ainda mesmo sentido do que antes.

– É o seguinte, Smythe. – Hunter diz apontando uma poltrona para que eu me sente nela. – O que faremos é tão simples que até você poderá entender.

– Qual é o grande plano, gênio do crime? – digo sarcástico.

– Nós pegaremos o troféu das Nacionais do Nova Direções. – ele diz com um sorriso torto nos lábios.

Não me censuro em rir de sua cara.

– Sério? Esse é o seu plano diabolicamente infalível? – o encaro. – Roubar o troféu? Não, espera aí. Você sabe que troféus são apenas um símbolo e não um artefato que traz consigo um pode transferível de vitória, certo?

– Não seja tão sem criatividade e superficial. – ele diz ríspido. – Isso é apenas uma isca.

Reviro os olhos.

– Isca para o que, Hunter?

– Para a pegar o prêmio maior, idiota.

Hunter sabia que tinha ido longe. Nos encaramos por alguns segundo.

– E o que seria? – pergunto.

– Pense, Smythe. O que é um elemento fatality que sempre fez com que os Warblers ganhassem...?

Ele me dá um segundo para pensar. Não penso. Então ele responde por mim: “Blaine Anderson!”.

Começo a rir de sua cara novamente com todo o deboche possível.

– E por um segundo sequer você acredita e pretende que esse seu planinho cafona funcione?

– Acho melhor você rezar para que isso aconteça. – ele diz em tom ameaçador. – Por que se não funcionar, o meu plano B será um pouquinho mais drástico.

Aquilo me preocupa por um instante.

– Hunter... o que vai fazer?

– Sebastian, por favor... eu fui enviado pelo conselho dessa escola para desafundar esse clubinho ridículo que você afundou como um barquinho de papel em um tanque de tubarões. – ele se levanta e avança em minha direção. – Eu vou fazer a única coisa que esperam de mim: O que for preciso! Assim como todos vocês terão de fazer também.

– Você é loco! – digo me levantando para sair da sala. Aquela conversa insana havia terminado.

– Eu não preciso dizer que não deve contar o que foi conversado aqui com ninguém, certo? – ele diz antes que eu saia da sala.

. . .

Sábado, 13 de outubro.

Estou deitado na cama enquanto Andrew agrupa seus pertencer em caixas de papelão para a sua mudança. Eu não estou ajudando, por que quando estava, ao Andrew colocar uma coisa dentro de alguma caixa eu tiro duas.

– Amor, eu fico muito feliz por você querer que eu fique, mas assim você não está ajudando. – ele diz.

– Esse é o plano. – digo.

– Tudo bem. Então só fica deitado aí sendo lindo, enquanto eu faço o trabalho duro.

– Beleza! – me jogo na cama e o observo.

Andrew me olha abismado por ter concordado com aquilo. Mas continuar a empacotar suas coisas mesmo assim.

– O que é isso? – Andrew tira de minha prateleira de livros um caderno de capa dura em couro cru marrom.

– Ah... – olho para o caderno um pouco constrangido. – Nada de demais.

– Posso abrir? – ele pergunta percebendo o meu constrangimento.

– Não! – digo um pouco alarmado demais.

– Nossa! – ele analisa o caderno. – Vai me dizer o que é isso?

Eu não digo nada e Andrew não cede. Com o caderno em sua mão ele continua me encarando e eu sustendo seu olhar. Alguns minutos se passam até que finalmente eu ceda.

– É um caderno com memórias... – digo.

– Tipo um diário? – ele pergunta quase rindo.

– Não. Não é um diário. – o corrijo imediatamente. – É um caderno normal com algumas lembranças.

– Ah ta. – Andrew analisa o caderno em sua mão. Então volta a sua atenção para mim novamente. – Você quer dizer um diário, então?

– Não é a droga de um diário. – digo irritadiço.

– Ta bom. – ele diz colocando o caderno sobre a cama. – Não é um diário.

– Obrigado.

Andrew volta a colocar seus pertences nas caixas.

– O que tem nele? – Claramente Andrew não havia esquecido o caderno. – Coisas picantes?

Andrew sugere com um sorriso malicioso em seus lábios.

– Mais ou menos. São as lembranças mais importantes que tive e algumas são picantes. – admito.

– E eu estou nele? – Andrew parece animado com a idéia.

– Talvez. – agora sou eu quem lhe dá um sorriso malicioso.

– É bom que eu esteja. – ele diz continuando a sua arrumação. – Tudo bem, vamos parar de enrolação. Eu preciso terminar de empacotar minhas coisas. Pode me ajudar?

– Claro. – digo me levantando da cama novamente.

– E Sebastian? – ele diz sem me olhar.

– Hmm? – pergunto.

– Onde quer que eu coloque o seu diário? – Andrew não consegue segurar o próprio riso.

Reviro os olhos.

– Amor, não precisa ter vergonha de parecer gay pra mim. – ele diz rindo.

– Idiota. – digo colocando mais coisas dele nas caixas.

– Ei! Calma! – Andrew segura minha mão me forçando a voltar minha atenção a ele. – Eu tenho um segredo dos grandes e quero te contar. Posso confiar em você?

Se Andrew dependesse da arte de atuar para sobreviver, provavelmente ele morreria de fome. Ele simplesmente não consegue segurar sua risada quando está prestes a dizer alguma de suas palhaçadas.

– Claro, pode. – digo a ele.

– Ah... Eu sou gay.

– O quê? Você? Gay? – finjo surpresa.

– Sim. – ele diz passando as mãos em seus cabelos. – Eu sei eu disfarço bem, mas a verdade é que eu sou gay. Espero que você entenda.

– Você, Andrew Eisenhower, meu namorado... Está me dizendo que é gay?

– Sim, eu estou Sebastian Smythe, namorado meu.

– Isso é... – esfrego meu rosto dramaticamente em minhas mãos. – Revoltante!

Rimos por alguns minutos, não por ser engraçado, mas por ser idiota.

– Graças a Deus que você investiu no esporte, por que você é péssimo em atuação.

– Nem vem, eu sou um ator incrível. – Andrew retruca.

– Não, não é. – aviso ele.

Alguns minutos depois terminarmos o processo de empacotamento.

– Não está esquecendo de nada? – olho para os cantos em busca de qualquer objeto pessoal que Andrew pudesse estar esquecendo.

– Relaxa! Eu não esqueci de nada. E se tiver esquecido eu busco depois ou se você puder, pode deixar lá em casa. – Andrew segura meu rosto em suas mãos.

Sorrio triste para ele.

– Não fica assim. E a propósito... essa camiseta que está usando... – Andrew diz se segurando para não rir. – É minha!

Aquilo já não me incomodada mais.

Colocamos todas as caixas em meu carro e seguimos para a casa de Andrew, onde em mais algumas horas nós dois empacotamos mais livros, roupas e outros objetos pessoais dele.

Estamos do lado de fora de sua casa, onde eu, Andrew, sua mãe e sua avó se despedem dele.

– Você dois tratem de tomar cuidado no caminho. – sua mãe diz.

– Pode deixar, mãe. – Andrew diz.

– Pode ficar tranquila. – eu digo.

– Cuidem um do outro. – ela diz segurando a mão de Andrew e a minha. Seus olhos estão marejados de lágrimas. – E Sebastian, assim que chegarem lá, por favor, me ligue para saber que vocês chegaram bem. Por que eu sei que se depender do Andrew, eu vou ficar sem saber notícias de vocês pelo resto do dia.

– Ah eu ligo sim. – prometo a ela.

– Obrigada, querido. – ela diz me abraçando e passando a mão em meu rosto em seguida. – Você é um menino bom.

Quando comecei a namorar com Andrew eu não só ganhei um namorado, eu ganhei uma família também. E aquilo era ótimo.

Dou espaço para que se despeçam de Andrew, já que eu teria mais algumas horas com ele. Angela, mãe de Andrew, volta sua atenção para o filho agora.

– Ah, o meu garotinho... – ela diz se aproximando de Andrew colocando o rosto do filho entre suas mãos enquanto o olha. Então começa a chorar. Andrew a abraça tentando confortá-la.

– Mãe... – Andrew tenta trazê-la a si novamente. – São apenas algumas horas de distância. Poderia ser pior.

Aquilo se prolongou por mais alguns longos minutos até que finalmente Andrew e eu conseguíssemos sair dali para pegar a estrada.

. . .

A viagem é tranquila como o esperado, chegamos ao campus por volta de uma hora e meia depois. Não há muita coisa em volta do centro universitário além de fraternidades. Para conseguir qualquer coisa de fora é preciso pegar a estrada e dirigir para o centro da cidade de Lima.

– Bom... aqui estamos... – digo estacionando o carro.

– É... – Andrew não olha para o campus e nem para mim. Ele olha pelo pára-brisa do carro, mas seu olhar é vazio e distante.

– O que foi?

– Olha... eu... Nós precisamos conservar, Sebastian.

– Você está repensando sobre a faculdade? Por que para mim tudo bem! Eu posso te esconder na minha casa enquanto todos pensam que você está aqui. Todos ganham. – digo dando partida no carro.

– Não. – Andrew desliga o carro. – Eu estou animado pela faculdade e tenho certeza sobre isso.

– Então diz isso para a sua cara por que você parece que acabou de sair de um enterro.

– Eu preciso falar uma coisa... sobre aquele cara... O Blaine.

– O que tem ele? – era estranho ouvir aquele nome depois de tanto tempo.

– Eu fiquei sabendo ele terminou com o namorado. – Andrew diz.

– Como é que você ficou sabendo disso?

– Um amigo em comum, me disse.

– Que? Como assim? Você fica conversando com seus amigos sobre o Blaine?

– Olha, isso não é o relevante agora. Está bem claro que ele ainda mexe com você...

Abro minha boca para protestar, mas Andrew me interrompe para que eu não o faça.

– E está tudo bem, Sebastian. – ele sorri triste para mim. – Eu só não posso admitir que você fique se enganando por querer ser fiel a mim.

– Isso não faz o menor sentido. – digo a ele.

Andrew me ignora e continua.

– Vá atrás dele, esclareça as coisas. Veja se é isso mesmo o que você busca para você e então se não for ele o cara... Então eu estarei te esperando.

– Que droga, Andrew. – aquilo é doloroso de se escutar. Sim eu sinto atração pelo Blaine, mas agora eu estou com ele. – Você está terminando comigo? Por que agora? É algum tipo de vingança por ter te enrolando por muito tempo?

– Ah... vamos levar isso como se eu estar te dando espaço para se descobrir, Sebastian.

– Você está delirando? – enfio minha mão em sua testa, a temperatura está normal.

Andrew tira minha mão de sua testa e a segura entre suas mãos como se fosse algo valioso, raro e frágil. Ele fecha seus olhos e respira fundo e solta o ar pesadamente.

– Eu confesso não ser muito fã dessa idéia, — ele volta a me olhar novamente. – mas eu vi como você ficou mexido quando soube que aquele Hunter queria trazê-lo de volta para a.

Andrew respira fundo novamente, não quer chorar. Nenhum de nós dois quer.

– E eu sou grato por se manter fiel a mim por todo esse tempo, eu sinceramente achei que você me daria mais trabalho. – ele ri sem achar graça realmente. – Enfim, nós somos jovens e essa é a hora de experimentar e errar, por que depois nós teremos que nos decidir pelo o que queremos para nós. E teremos que lidar com essa escolha pelo resto de nossas vidas.

Ainda não posso acreditar no que Andrew está fazendo. Mesmo assim ele continua.

– Essa é uma nova fase para mim e para você. Precisamos fazer isso agora do quer ir adiante com um monte de incertezas e dúvidas nos perseguindo. Se já vai ser difícil comigo na faculdade daqui, imagine quando você for para uma faculdade de New York ou California? Eu não quero ser uma decisão tomada pelo medo.

Andrew toma fôlego.

– Deus, eu te amo Sebastian! E é por isso que preciso deixá-lo ir.

Nossos olhos estão marejados e sei que não há nada que eu possa dizer para mudar sua decisão.

– Você é um idiota! – digo a ele de forma branda.

– Eu sei. – ele concorda.

Nos beijamos pela uma última vez.

– Liga pra sua mãe. – digo passando meu celular para ele.

Andrew obedece enquanto saio do carro para descarregá-lo da bagagem de Andrew.

. . .

22 de Novembro de 2012

– Ele está aqui! – Jeff diz ao passar por mim.

– Okay. Avisa à aquele babaca lunático. – digo a Jeff que ri ao me ouvir xingar Hunter. Ninguém estava satisfeito com o modo que Hunter dirigia o clube, mas não podíamos fazer muita coisa além de reclamar entre nós.

– Pode deixar. – Jeff diz seguindo para a sala de coral.

Me posiciono no saguão que liga a sala de coral com a escada caracol, onde Blaine deverá aparecer a qualquer momento. Cerca de dez minutos depois, lá está Blaine, descendo os degraus da escada quando me percebe no final dela.

– Sebastian! – ele diz parecendo não muito surpreso. – É claro que foi você.

– Não, não fui. Eu juro.- digo tentando parecer o mais sincero que consigo. — Eu virei essa página, lembra?

– Ah claro. – ele diz sem me encarar.

Blaine termina de descer as escadas e continua andando pelo saguão em direção a sala do coral. Eu começo a andar ao seu lado.

– Sem mais bullying, chantagem ou agressão este ano. – digo a ele.

– Isso deve ser muito entediante para você. – Blaine olha para todos os cantos, como se estivesse esperando receber o bote, mas o único lugar para onde ele não olha é para mim.

O fito enquanto andamos, sorrio para ele, mas ele sequer vê.

– É! Isso é. – digo tentando quebrar o gelo entre nós. – Ser legal é um saco.

Blaine não ri. Sequer olha para mim.

Andamos mais alguns passos até que eu desista daquilo e diga:

– Ele está te esperando. – digo parando na frente da sala de coral.

– Quem? – Blaine para junto a mim.

– O cara que você veio procurar. – digo sem rodeios. – O capitão dos Warblers.

Isso faz Blaine me olhar nos olhos pela primeira vez.

– Eu achei que você fosse o capitão dos Warblers. – ele diz surpreso e confuso ao mesmo tempo.

Mas agora sou eu quem desvia o olhar do dele.

– É uma longa história... – digo dando um sorriso frouxo.

Faço um sinal com a cabeça para que ele siga em frente. E ele o faz.

O observo entrar na sala, Hunter o recepciona jogando todo o seu papo sobre o New Directions não serem merecedores do troféu e que estamos fazendo um favor ao aceitar Blaine de volta aos Warblers. Hunter deve acreditar que aquilo funcionará. Ao contrário de mim.

Eu não estou dizendo que não gostaria de ter Blaine conosco novamente. Seria uma oportunidade única em vários sentidos. E sinceramente, eu não sei de qual outra forma podemos ter algo em comum para que possamos nos aproximar.

Jeff, Nick e Richard se juntam a mim na porta da sala, conforme Hunter havia nos obrigado a fazer. Entramos na sala juntos, como um grupo de bolos que cercam sua presa. Mas sou eu quem fala:

– Nós todos conhecemos o verdadeiro Blaine, Blaine. – digo me aproximando dele. – Ambicioso, motivado. Você é um garoto Dalton.

Apesar de ter sido Hunter quem mandara eu dizer aquilo, aquilo era algo no qual eu realmente acreditava ser verdade.

Uma pessoa convicta de suas próprias decisões não teria ficado da forma que Blaine estava agora. Ele hesita se mantém quieto e pensativo.

– Mostrem o blazer. – Hunter ordena.

Jeff traz consigo um novo blazer da Dalton feito para o Blaine. Ele o estende para que eu o pegue.

– Isso não vai funcionar comigo. – Blaine afirma.

– Então não há risco de experimentar, certo? – Hunter rebate.

Pego o Blaine das mãos de Jeff e me coloco atrás de Blaine para ajudá-lo a vesti-lo. Posso ouvir a cérebro de Blaine pensando. Um conflito de valores, idéias e certezas se chocam dentro de sua cabeça.

– É o seguinte, amigo. – Hunter passa seu braço em volta dos ombros de Blaine enquanto ambos andam juntos para um canto da sala.

– Você sabe que o troféu nacional foi um golpe de sorte. E sabe que vamos ganhar esta seccional.

Hunter tira seu braço dos ombros de Blaine e senta-se em uma das poltronas.

– Agora, — ele analisa Blaine. – eu não quero ver uma lenda da Dalton abandonado no último ano. Eu quero você no time vencedor, o nosso.

Me sinto constrangido por estar fazendo parte daquilo, mas ainda havia uma possibilidade. Uma estranha e duvidosa possibilidade de Blaine voltar para nós.

– Você sabe o que ficaria ótimo com um blazer novo da Dalton? – digo a Blaine. – Uma música improvisada.

– O que? Não. – Blaine nos olha alarmado.

– Uma música com os velhos amigos? – insisto.

– Pessoal, eu não vim aqui para cantar uma canção. – Blaine olha de mim para os rapazes.- Eu posso pegar o trof...?

A sala se enche com o restante dos membros dos Warblers para fazerem o som à capela.

Blaine faz um movimento com as mãos para que nos sentemos. Obedecemos.

There's a place that i know

It's not pretty there and few have ever gone

Blaine anda entre os dois sofás em que estamos todos sentados, ele começa a se soltar.

If i show it to you now

Will it make you run away

Blaine, em um movimento gracioso, se vira e casa o botão de seu novo blaizer de forma hábil. Vê-lo daquela forma aquele o meu coração.

Or will you stay

Even if it hurts

Even if i try to push you out

Will you return?

Blaine se aventura em uma coreografia com parte dos garotos. Me levanto do sofá e ando em direção de Blaine. Aquilo tudo fluia muito naturalmente para ele.

And remind me who I really am

Blaine segue em minha direção também.

Please remind me who I really am

Meu sorriso está radiante para ele. Ele sorri de volta, mas desvia de mim ao nos aproximarmos de mais.

Everybody's got a dark side

Do you love me?

Can you love mine?

Nobody's a picture perfect

But we're worth it

You know that we're worth it

Will you love me?

Blaine faz outro movimento para que nos dispersarmos. Obedecemos novamente.

Even with my dark side?

Don't run away

Don't run away

Just promise me you will stay

Promise me you will stay

Will you love me?

With my dark side?

Blaine se entrega a experiência. É visível que aquilo é ele, aquele lugar pertence a ele. Como se a cada segundo e nota daquilo fluísse em suas veias por que essa era a coisa certa.

Ooh whoa

Everybody’s got a dark side

Do you love me?

Can you love mine?

Nobody’s a picture perfect

But we're worth it

You know that we're worth it

Will you love me?

Even with my dark side?

Blaine descasa o botão de seu blazer. Nos aproximados dele ao final da música.

Don't run away

Don't run away

– O que foi o que te disse? – digo a ele. – Perfeição.

Mas ele não cede. Cai em si. Blaine tira seu blazer e o estende para Hunter o pegar de volta.

– Fique com isso. – Hunter se nega a pega-lo. – Já é seu.

Não consigo desfarçar o meu desapontamento com a recusa da oferta, mas não estou surpreso.

– Não acha que já é hora de voltar para a sua casa? – Hunter continua com a sua lavagem cerebral falha. – Blaine Warbler?

Sorrio pra Blaine e ele retribui tímido pela simples idéia de cogitar aquela situação.

O levo até a saída da academia.

– Você está bem? – pergunto a ele.

– Não finja que se importa, Sebastian. – ele diz ríspido.

– Bom, mas eu me importo. – digo sincero. – Eu não espero que você me trate de forma melhor, mas quero que saiba que meu sentimento é sincero, Blaine.

Blaine ri em deboche. Respiro fundo.

– Tudo bem. Precisa de carona pra voltar pra escola? – pergunto.

– Não, eu prefiro ir a pé.

O observo em silêncio.

– Eu sei que não está bravo comigo, por que sei que me perdoou a vários meses atrás. Então qual é a do gelo? – o pressiono.

– Não é nada Sebastian. – Blaine se esquiva da pergunta.

– É o Kurt? – Blaine me encara surpreso ao ouvir o nome do ex-namorado. – Soube que terminaram. Você está bem? Quer conversar?

“Sutil, Sebastian... Parabéns.”

– Adeus, Sebastian. – Blaine sai andando pela rua.

– Ta. Tchau. – dou de ombros.

Notas finais
O capítulo teve que sofrer cortes por que ficaria muito extenso e isso cansa os olhos de vocês, eu sei. Por isso, como prometido, a surpresa de vocês de uma parte que teve que ser cortada. O parágrafo em que Andrew e Sebastian estão no campo de Lacrosse: https://goo.gl/ZmHeCh Não esqueça de comentar e/ou divulgar a fic se possível. Obrigado a todos e terça-feira a gente se vê de novo.