Sebastian Smythe
18 New York
Notas iniciais

Três anos depois...
Janeiro de 2014
Dizem que a melhor fase de nossas vidas é a infância, nela somos livres das obrigações, preconceitos e até mesmo responsabilidades. Sempre alguém estará lá por nós para fazer tudo e qualquer coisa por nós. Bem, para mim, quem diz isso diz por que ainda não viveu a própria vida de forma plena e intensa.
Sair da escola, entrar na faculdade, mudar para uma nova cidade... Cara, eu só estou meio semestre aqui, mas posso dizer que vivi e tive mais experiência nesse curto espaço de tempo do que em todos os anos anteriores em minha vida. Crescer é incrível.
Agora estou cursando o segundo semestre do programa de Artes Cênicas na NYADA, o que quer dizer que quando eu concluir o programa daqui dois anos, eu estarei apto para ser um ator.
Você provavelmente deve estar se perguntando como consegui entrar na NYADA mesmo sem os Warblers ganharem as nacionais e mesmo após o escândalo que repercutiu nos jornais locais de Lima. A verdade é que apesar daquilo ter desfigurado a imagem da Academia Dalton e dos Warblers no país, eu fiquei muito feliz por ver Hunter se dar mau e ser levado ao tribunal.
Sinceramente? Eu não sei explicar o que houve para me aceitarem. Talvez me acharam talentoso. Talentoso o suficiente para a universidade se mostrar interessada em mim como seu aluno.
Desde que me mudei para New York a vida tem sido bastante diferente. As pessoas me respeitam, sou mais seguro de quem sou e o mais importante é que as pessoas não me julgam pelos meus erros passados. Até por que tudo ficou para trás. Tudo está enterrado.
Caminho pelo corredor do prédio cheio de alojamentos, moro no último quarto do corredor do terceiro andar no lado impar. O prédio não é muito grande e nem muito pequeno. É mais largo do que alto, comporta trinta quartos e cada quarto comporta até dois estudantes.
Diferente da maioria das pessoas que vem para estudar aqui, eu, não optei pelo alojamento por falta de renda, mas por que a idéia de dividir um apartamento com um estranho me era absurda. Tive a sorte de conseguir um alojamento vazio então acabei ficando com ele.
– Oi Erik – comprimento meu visinho de porta de alojamento.
– Oi Sebastian – ele responde passando por mim tentando equilibrar uma pilha enorme de livros em seus braços raquíticos.
Não é muito bonito aqui, mas é arrumado. Pelo menos durante os dias de semana. Se der sorte, em finais de semana, você pode pegar alguém transando de porta aberta enquanto anda pelos corredores daqui.
Paro em frente a porta de meu quarto enfiando a mão no bolso da calça em busca das minhas chaves. As encontro no fundo de meu bolso junto com um monte de papeis. Faço um lembrete em minha mente para limpar os bolsos das minhas calças mais tarde.
Passo pela porta, mas antes mesmo de terminar a simples tarefa de adentrar no quarto chuto alguma coisa que é lançada contra a parede oposta fazendo um barulho seco ao se chocar contra ela. Tateio a parede em busca do interruptor de luz. Encontro o que havia chutado assim que o quarto se ilumina. É um envelope com o brasão da NYADA estampado nele.
“Não pode ser coisa boa...” digo a mim mesmo ao me abaixar para pegar o envelope. Com um movimento rápido rompo o selo que lacra o envelope. Removo o papel também timbrado com o símbolo da NYADA. É um aviso que diz:
Prezado Senhor Smythe,
Conforme fora informado ao senhor quando solicitado o alojamento em nossas instalações, o mesmo está sujeito a compartilhamento entre outros alunos que necessitem ou desejem serem hospedados durante seus anos de educação na NYADA University.
Por falta de procura dos demais alunos, o Senhor teve o privilégio de ocupar um de nossos quartos sozinho, sendo este capacitado para comportar duas (2) pessoas. Porém, a procura vem aumentando nas últimas semanas e por essa razão, a partir de hoje, o senhor terá que dividi-lo com colega.
Esperamos que se adaptem o quanto antes. Segue em anexo com esse aviso a ficha do seu novo colega de quarto, contendo informações básicas sobre ele.
Para maiores informações ou reclamações, por favor contatar a ouvidoria da NYADA Univerity pelo telefone (01) 7346-2445 ou pelo e-mail ttus@nyada.com.
“Ótimo! Vou ter que dividir o quarto com um cara que nem conheço e que pode me matar enquanto estou durmo.”
Amasso a folha junto com o envelope os lançando direto para a cesta de lixo. Começo a retirar minhas coisas espalhadas na cama do novo cara. Sento em minha escrivaninha e ligo meu Mac passando horas ali.
Minha atenção só é dispersada da tela do computador no fim da tarde quando ouço o barulho de chave sendo posta na fechadura da porta, não olho para a porta mas sei que foi aberta.
O cara novo entra empurrando suas coisas para dentro do quarto de forma desordeira e com má vontade.
– Oi! – ele diz desanimado encarando suas próprias bagagens.
Reconheço sua voz de imediato. Encaro a tela de meu computador petrificado até finalmente o encare, mas ele já está me encarando há alguns segundos. Igualmente petrificado até que ele rompa o silêncio.
– Você só pode estar de brincadeira comigo. – ele diz boquiaberto. – Sebastian?
– Blaine? – as expressões de nossos rostos não os abandona.
Nos encaramos por mais alguns minutos.
– Você é o meu colega de quarto? – ele diz.
– Parece que sim. – meus olhos começam a arder pela falta de piscá-los.
Blaine continua na porta do quarto e eu continuo sentado na cadeira de minha escrivaninha.
– Isso não pode estar acontecendo. – Blaine esfrega seu rosto com as mãos. – Você não está me perseguindo, está?
Blaine diz isso por que por diversas vezes nos encontramos em Nova York, o que é um feito impressionante já que nessa cidade há tantas pessoas.
Flashback
Sebastian está na Starbucks da Quinta Avenida fazendo seu pedido rotineiro no balcão de pedidos à barista que está lhe atendendo. O fluxo de pessoas que entram é tão grande dentro da cafeteria que o sininho preso a porta de entrada não se silencia por muito tempo.
Blim-blém!
Blim-blém!
Blim-blém!
“Sebastian? Sebastian Smythe?” O rapaz usa roupas aninhadas e uma gravata borboleta e é consideravelmente mais baixo que Sebastian. Ele para atrás de Sebastian encarando sua nuca. Sebastian está debruçado no balcão enquanto espera seu pedido. “Oi?” Ele diz saindo de sua posição ao ouvir seu nome para olhar o rapaz.
– Ah, nossa! – Sebastian entra em choque instantâneo ao se deparar com aquele rapaz. – Blaine Anderson!
Blaine sorri abertamente para Sebastian que retribui o sorriso com a mesma intensidade.
– Nossa! – Sebastian balbucia tentando se recuperar do choque. – O que está fazendo aqui?
– Eu estou estudando e morando aqui, sabe... NYADA. – Blaine diz contente.
– Isso é incrível! – Sebastian exclama.
A conversa dura longos minutos onde Blaine descobre que Sebastian também está inscrito na NYADA no programa de Artes Cênicas. Sebastian descobre por conta própria que Blaine e Kurt ainda não estavam casados, o anel ainda continuava em sua mão direita, aquilo de certo modo deixara Sebastian feliz.
Fim de Flashback
Ou naquela vez em quem nos encontramos no meio da rua...
Flashback
Era fim de tarde do dia dos namorados quando Sebastian sai de uma floricultura carregando em suas mãos um buque de flores, uma caixa de bom-bons eróticos e um bichinho de pelúcia embalado da cintura para baixo.
Ele anda colocando o cartão de crédito de volta em seu bolso da calça quando tromba com alguém na calçada o fazendo derrubar tudo o que carregava.
– Olha por onde anda! – Sebastian pragueja.
– Me desculpe! – o rapaz educado tenta ajudá-lo a pegar suas coisas do chão. – Sebastian?
– Blaine? – Sebastian ruboriza instantaneamente ao reconhecê-lo. – Não. Deixa que eu arrumo essa bagunça.
Sebastian tenta afastá-lo para longe de seus pertences espalhados pela calçada. Consegue ser mais rápido que Blaine e os pegar.
Obviamente Blaine percebe o comportamento estranho de Sebastian e presta mais atenção ao que o rapaz traz em suas mãos.
– Comprou para alguém especial? – Blaine diz apontando para os itens.
– Ah...tecnicamente sim. – Sebastian queria sair Dalí o quanto antes.
– “Tecnicamente sim” que romântico. – Blaine ri. – Vocês estão saindo a pouco tempo? Dá pra entender o seu nervosismo. Isso é ótimo, eu me lembro quando Kurt e eu começamos a namorar, ainda era tudo muito novo e...
– Blaine... – Sebastian chama a sua atenção para que pare de falar tanto. Ele simplesmente não queria saber sobre a relação dele com o Kurt.
– Sim? – Blaine diz solicito.
– Nada. – Sebastian conclui que não vale a pena chamar sua atenção. – O que está fazendo?
– Ah eu estava indo nessa floricultura, sabe para os preparativos do casamento... – Blaine diz com um sorriso radiante em seus lábios.
– Sei... E está se divertindo com isso? – Sebastian pergunta por educação.
– Está brincando? – Blaine diz afoito. – Isso está uma loucura! Parece que o Kurt largou tudo na minha mão, mas eu não o culpo. Ele é ótimo. Quero dizer, estamos os dois nervosos, sabe como é...
– Não eu não sei como é. – Sebastian diz sem emoção. A única relação significativa que teve foi com Andrew. E seus planos eram decidir que filme iriam assistir. A coisa mais ousada que planejaram fora uma transa no campo de Lacrosse da Academia Dalton, o que não chegava ao nível de dificuldade de se planejar um casamento.
– Bom, mas um dia vai saber. Se der tudo certo entre você e o ... – Blaine diz arrastando Sebastian de suas lembranças para a realidade. Em um movimento rápido ele enfia a mão no meio das flores que Sebastian carrega e retira de lá o cartão. Para a surpresa de Blaine o cartão não acompanha com alguma dedicatória romântica ou com palavras doces. O cartão estava repleto de versinhos absurdos e obscenos, o que fez Blaine corar completamente. – ... Senhor Pau Gostoso. Deus, Sebastian! Isso é horrível.
Sebastian tenta recuperar o cartão, mas Blaine consegue driblá-lo.
– Isso é pessoal, Blaine. – Sebastian diz severo agora.
– Ah, eu concordo. – Blaine diz devolvendo o cartão para dentro do pequeno envelope com cupidos e devolvendo este para o meio das flores. – Por que escreveria uma coisa dessas pro seu namorado?
– Por que ele não é o meu namorado!? – Sebastian odeia cada segundo daquilo.
– Então, por que isso tudo? – Blaine diz apontando para os presentes.
– Nós estamos saindo há algum tempo e não queremos passar o dia de hoje sozinhos. É meio que pra rir da cara do dia dos namorados.
Blaine ignora o que Sebastian tem a dizer e analisa o restante dos presentes.
– Posso ver isso? – Blaine aponta para uma caixa preta com estampas de pimenta dedo-de-moça nela.
– Não. – Sebastian diz emburrado.
Blaine retira das mãos de Sebastian a caixa de bom-bons de embalagem preta escrito “Chocohot”, ele abre a embalagem e a fecha imediatamente após uma breve olhada em seu conteúdo. Dentro havia pequenos pênis de chocolate que estavam graciosamente espalhados pela caixa.
– Meu Deus, isso nunca mais vai sair da minha cabeça. – Blaine diz olhando para além da caixa com expressão vazia.
– Qual é, é só diversão. – Sebastian se defende.
– Sebastian, você deveria procurar uma relação onde isso seja significativo para os dois.
– Você está me dizendo como devo viver os meus relacionamentos?
Novamente Blaine o ignora voltando sua atenção para outro item.
– Esse é um daqueles bichinhos de pelúcia com um consolo de borracha preso à cintura, não é?
– Hmm... – Sebastian murmura.
Blaine arregala os olhos por falta de uma negativa de Sebastian. Pigarreia e diz:
– Tudo bem. Eu preciso ir...
– É, eu também.
Ambos seguem para caminhos opostos da calçada.
Fim de Flashback
Houveram vezes que o vi, mas entrei no primeiro corredor ou rua antes que ele me visse. Como na vez em que fui almoçar em uma lanchonete temática aqui. Ele e alguns dos ex-membros do New Directions, estavam no meio de uma canção.
Flashback
É hora do almoço e Sebastian caminha pelas calçadas super-lotadas de New York. Ele entra em uma lanchonete temática e surpreende com algumas pessoas, incusive funcionários do local, dando socos e palmas ritmadas ao som de We Will Rock You.
Um dos fregueses começa a cantar:
Buddy you're a boy make a big noise
Playin' in the street gonna be a big man some day
You got mud on yo' face
You big disgrace
Kickin' your can all over the place
Singin'
Sebastian reconhece o grupo cantando que é composto pelos velhos membros do New Directions, incluindo Blaine Anderson. Depois do último encontro desastroso deles, Sebastian não quer o ver novamente.
– Ah não! – Sebastian diz baixinho e recua saindo da lanchonete.
Fim de Flashback
– Eu... que? – me ofendo pela acusação. – Não, é claro que não.
– Ah, isso é um pesadelo, seguido por vários pesadelos dentro e outros pesadelos. Que na verdade estão acontecendo em um pesadelo só.
– Achei que estivesse morando com o Kurt. Ou já se casados – digo.
– Pois é, eu também achei. – Blaine senta na cama se jogando a ela. Sua expressão é alguém que andou chorando por um longo tempo. – Mas aparentemente somos crianças ainda...
Aquilo foi estranho, até para o Blaine. Olho para suas mãos e encontro, ou melhor, não encontro nada ali. A falta do que o levara até ali.
– Sei que tivemos nossas diferenças no passado, mas acho que não é tão ruim assim. – digo a ele. – Até por que não sei se você consegue pegar outro quarto.
– Olha Sebastian, eu não posso ficar. Eu sei que está tentando ser legal, e eu agradeço, mas eu não sei nós dois podemos nos sentir confortáveis com essa situação. – Blaine diz segurando seu rosto nas palmas de suas mãos.
– Eu achei que nós dois estivéssemos na boa. Desde quando pediu minha ajuda e a dos Warblers para fazer o pedido de casamento pro Kurt. Somos amigos, certo?
Flashback
Os Warblers, após a sua reestruturação, se reúnem na sala de costume de suas reuniões. Sebastian está sentado sobre a mesa que o conselho se reúne para liderar e deliberar nas reuniões. Em suas mãos, Sebastian, segura uma ata com a lista de sons para as competições amistosas que estão organizando, já que os Warblers foram desclassificados e não competirão pelo resto do ano letivo.
Um grupo de pessoas irrompe sala adentro cantando Help dos The Beatles. Sebastian logo localiza o autor daquela comoção toda: Blaine Anderson. Aquilo não poderia ser mais inadequado para Sebastian, que ainda alimentava a idéia de que poderia estar com Blaine.
– Precisamos de uma votação oficial, mas em nome da fraternidade e para limpar o nome dos Warblers, quando digo que acho que devemos ajudá-lo.
– Trent! – Sebastian se aproxima fazendo Trent se calar. – Combinamos que eu falaria.
Sebastian havia conquistado seu cargo como líder dos Warblers assim quem Hunter fora descoberto e denunciado pelo New Directions.
– Todos a favor em ajudar o Blaine? – Sebastian pergunta.
Todos presentes na sala levantam suas mãos o mais alto que podem.
Sebastian sorri amavelmente para Blaine e o que Blaine faz o coração de Sebastian saltar e bater mais forte.
– Obrigado Sebastian... – Blaine diz abraçando Sebastian fervorosamente. Aquilo aquece o coração de Sebastian.
Mas Sebastian não sabia no que estava prestes a ajudar Blaine fazer.
Fim de Flashback
– Eu só acho que não seja uma boa idéia. Você sabe, o diabo trabalha de forma misteriosa.
– Deus. – o corrijo.
– Que? – ele me olha confuso.
– É Deus quem trabalha de forma misteriosa. O ditado é... Deixa pra lá.
– Não, é diabo mesmo. Me desculpa, Sebastian. Mas nós dois sabemos que quando se trata de você...
– Ei! – digo o interrompendo. – Vai com calma. Não precisa ofender.
– Me desculpa. É que tudo, absolutamente tudo na minha vida está desmoronando. E... – Blaine desata a chorar.
Aquilo é chocante para mim. Blaine é um cara confiante e vê-lo desmoronar daquela forma é bizarro e revoltante. Me levanto da cadeira e sento ao seu lado na cama.
– Hey, ... – tento animá-lo dando um tapinha em seu ombro.
– Não! – Blaine sai de seu pranto e se levanta de imediato da cama. – Certifique-se de manter suas mãos e qualquer outra coisa sua para si.
Blaine se transforma em um cara ríspido agora. Enxuga as lágrimas em seus olhos e rosto.
– Você não precisa dizer duas vezes. – digo a ele. – Eu não vou onde eu não quero ir.
– O que? – ele pergunta confuso.
– Eu não tenho interesse nenhum em você. Eu só estou sendo um ombro amigo. – esclareço.
– Mas quer saber de uma pergunta interessante...Por que será que toda a vez que vocês terminam você acaba me encontrando?
– Eu não estou a fim de ter essa conversa com ninguém, principalmente com você. – Blaine esbarra em uma de suas malas espalhadas na entrada do quarto ao tentar tomar mais espaço de mim.
– Nossa quanta marra para um cara sem teto. – digo cruzando os braços ao levantar da cama.
– Eu vou resolver isso, deve haver outro quarto. – Blaine diz saindo determinado do quarto.
– Você tem o meu total e pleno apoio, Blaine Warbler. – grito para que ele possa me ouvir do corredor.
– Para de me chamar assim. Isso faz anos, vê se cresce. – ele grita de volta.
Não consigo evitar de rir. Fecho a porta do nosso quarto com um sorriso de orelha a orelha em meus lábios.
Algumas horas se passam até que Blaine volte para o quarto. As janelas do quarto exibem um céu escuro lá fora quando ele retorna.
– Então? – pergunto jogando uma camiseta sobre outras que já estão sobre minha cama. Tendo decidir qual usar.
– O que é isso? – Blaine para estático na porta do quarto.
– Isso o quê? – pergunto desviando minha atenção das camisas para ele.
– Você sabe o quê. – Blaine me olha rapidamente de cima a baixo e desvia o olhar.
– Cara, eu acabei de sair do banho. – digo me olhando enrolado na toalha. – Relaxa!
– Só veste uma roupa. – ele diz voltando para o corredor. E volta apenas quando o aviso que estou vestido.
– Okay. Então, o que disseram? – pergunto.
– Disseram que estão sem quartos vagos no momento, — Blaine entra no quarto e senta-se em sua cama. – que tive sorte de conseguir esse aqui e ainda por cima a mulher que me atendeu disse que se eu não estiver contente com o quarto que a universidade oferece, então ela pede que eu o desocupe, para que outro estudante possa ocupá-lo por que segundo ela: “a procura está grande.”
– Hmm... Você não consegue bancar um flat ou alguma coisa? – digo colocando um relógio no pulso.
– Não. Os preços estão muito altos e dividir um apartamento com um estranho é loucura. Prefiro me arriscar fazer um gargarejo com a água de um mictório de um banheiro público a isso.
– Nossa! Nojento. Mas você veio morar aqui. – digo a ele.
– Sim, pelo menos sabia que iria dividir o quarto com um estudante.
– Sei. – sento na beirada da minha cama para alçar meus sapatos. – Você pode ficar de olho nos quadros de avisos que ficam espalhados pela universidade. Tem um pessoal que sempre coloca uns avisos de quartos vagos.
– É, vou fazer isso. Eu só preciso colocar minhas idéias no lugar. – Blaine murmura.
– Sem problema, essa noite você vai ter o quarto só pra você. – finalizo minha arrumação colocando perfume. – Não vou te incomodar. Já estou de saída.
– A onde você vai? – Blaine me olha novamente depois de algum tempo.
– Tá brincando? Isso aqui é New York, Blaine. Ou se preferir um self-service gay.
– E por que alguém preferiria chamar assim? – Blaine pergunta horrorizado.
– Por que a cidade está cheia de caras gostosos e solteiros aqui e é um crime passar as noites em casa. Quer ir comigo? – pergunto já sabendo a resposta.
– Não Sebastian. – Blaine responde seco.
– Espera aí um segundo. – Blaine diz me fazendo volta para o quarto que já havia deixado. – Se nós queremos que isso funcione, teremos que definir algumas regras.
– Você quer dizer como um acordo de colegas de quarto? – pergunto de forma irônica.
– Exatamente. – ele afirma.
– Isso não é meio ridículo e desnecessário? – insisto.
– Não e não. Precisamos estabelecer algumas regras para não atravessar o limite e o espaço um do outro. – ele explica.
– Você quer dizer, passar uma linha que divida o quarto em meu lado e seu lado? – Blaine não percebe que estou tentando fazê-lo de bobo. – Por que se for isso não vai funcionar já que a porta da saída e entrada fica do seu lado e a porta do banheiro fica do meu lado.
– Não foi isso o que eu quis dizer. – ele tenta me fazer entender.
– Então esclareça. – peço.
– Farei assim que você parar de me interromper. – Blaine com tom de irritação agora.
Nos olhamos por alguns segundos em completo silêncio. Blaine considera aquilo como um sinal para continuar.
– Muito bem... – Blaine recomeça. – A minha idéia é de que façamos...
– Grosso! – digo fingindo estar ofendido.
– SEBASTIAN! – Por Deus, eu estou tentando fazer isso dar certo até que a coordenação possa me realocar para um novo quarto, então, por favor, pelo menos uma vez na vida finja que se importa e facilite as coisas para que não precisemos piorar as coisas.
– Você é quem manda! – digo cruzando os braços.
– Okay! Primeiro: Respeitar os horários de dormir, sem som alto depois das 10 horas; Segundo: Se for trazer alguém para o quarto tente me avisar para que eu não precisar surpreender você e um outro cara sem roupa;
– Ou um bando de outros caras. – digo rindo. – Sou chegado nisso.
– Tanto faz. – Blaine diz abanando a mão em um rápido para apagar aquela idéia de sua mente. – O que me leva para o terceiro item: Nada de andar sem roupa. Quarto: Manter a porta do banheiro fechada e respeitar enquanto o outro estiver lá dentro. Em geral, tente ser o menos possível você mesmo.
Aquilo me ofende
– Uau! – digo.
– Tem alguma coisa a acrescentar? – é evidente que Blaine perde totalmente sua paciência comigo.
– Não. – digo me apoiando no batente da porta. – Parece que você pensou em tudo! Mais alguma coisa?
Blaine me olha desconfiado.
– Sim. Sem joguinhos. – ele acrescenta.
– Ótimo, me parece bem razoável. Onde é que eu assino? – continuo ironizando aquela palhaçada.
– Não precisa assinar nada. É um acordo verbal. – ele fala.
– Okay. Então você tem a minha palavra.
Saio do quarto antes que Blaine invente mais alguma coisa.
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