Sebastian Smythe

23 Take My Breath Away.


Notas iniciais
Por favor leiam as notas finais, pois há um aviso importente para vocês. Tenha uma boa leitura!

A urgência de nossos corpos em se aquecer é emergencial. Nem eu e nem ele estávamos preparados para aquele frio. Fecho a porta atrás de mim mantendo o frio congelante do lado de fora da casa.

Brrr! Eu estou congelando. – Blaine diz soltando minha mãe e as passando em seus próprios braços na tentativa de aquecê-los.

Quero poder continuar de onde paramos. Quero beijá-lo agora mesmo. Quero que ele ainda queira me beijar. Mas a única coisa que meu corpo me permite fazer é tremer de frio.

– Precisamos nos aquecer. – seu olhar é de súplica para mim enquanto treme.

– Pode usar o banheiro – digo apontando para o cômodo. – Há toalhas limpas no armário, é só pegar.

– Obrigado. – Blaine diz passando por mim e se deslocando até o banheiro.

– Vou deixar uma muda de roupa para você em frente a porta. – digo subindo os primeiros degraus da escada que dá acesso ao meu quarto.

Blaine assente com a cabeça e fecha a porta atrás de si. Meu estômago contorce me causando desconforto. Será que estava reconsiderando o que havia feito? Aquele pensamento é doloroso de mais.

No armário de roupas, separo uma muda de roupa para Blaine e uma para mim. Desço as escadas com as de Blaine em mãos e ao lado da porta deixo as deixo sobre a pequenina mesa que suporta quadros e um vaso com flores.

No andar de cima, sob o chuveiro de meu quarto, me sinto grato pela água quente que despenca e aquece meu corpo. Consigo respirar mais calmamente agora. O frio em volto de meu corpo é substituído agora pelo calor da água quente.

Não quero pensar sobre o que Blaine está pensando no andar de baixo, mas penso. Não consigo pensar em nenhuma variante em que o cenário em que acabemos não seja apocalíptica. Ao sair do banho e visto uma roupa grossa que consegue manter meu corpo aquecido. Não é nada atraente, mas aquece.

Eu poderia descer e ficar esperando Blaine sair só de toalha para pegar suas roupas, mas não faço. Se eles estiver repensando, que seja pelo cara que sou agora e não pelo tarado pervertido que eu era.

Desço para a cozinha, onde nunca havia me aventurado pela antes, e aos poucos começo a descobrir onde cada coisa fica nela. A geladeira está escassa. Não há muita opção. Procuro no dispensa. Nada muito útil exceto pelas cápsulas de diversos tipos de café, dentre eles algumas de chocolate.

– Isso deve servir. – digo levando a cápsula de chocolate para a cozinha.

Ligo a cafeteira elétrica e adiciono as cápsulas no compartimento apropriado. Em poucos segundos o chocolate começa a sair.

– Ah droga! – praguejo. – Xícara, Sebastian. Precisa de uma xícara pra segurar...

Corro para o armário de copos e pego duas xícaras, conseguindo salvar apenas metade do chocolate que jorra da cafeteira. Bufo frustrado pelo meu fracasso culinário, então recomeço o processo desde o início.

Quando as duas xícaras estão completas, acrescento pequenos marshmallows em cada xícara. Escuto a porta do banheiro em que Blaine ocupa ser aberta.

– Sebastian? – ele me chama.

– Oi! – respondo. – Eu estou aqui... Na cozinha.

– E onde é que fica? – há confusão em sua voz.

– Ah... – falo alto para que possa me ouvir. – pode ir pra sala que eu já estou indo.

– Ótimo. – Blaine se mantém em silêncio por alguns instantes até que fale novamente. – E onde é que fica isso?

Dou risada baixinho.

– Olha para trás. – tento transparecer seriedade em minha resposta.

– Aaah...! – Blaine exclama.

Demora alguns minutos até que eu chegue na sala, ao adentrar nela vejo Blaine olhando os quadros dispersos por ela.

– Oi... – digo para anunciar minha chegada. Trago comigo as xícaras de chocolate.

– Ah... – Blaine se surpreende com a minha presença ali. – Desculpa, eu só...

– Tudo bem, – digo sorrindo sincero a ele. Entrego a ele uma das xícaras. – Pode ficar a vontade.

– Ah, obrigado. – Blaine agradece pegando a xícara e bebendo dela imediatamente.

– De nada – digo repetindo seu gesto.

Aquilo não estava nada mal. Olho mais atento para Blaine, que mantém sua atenção para a xícara em suas mãos. A minha roupa tinha ficado grande de mais para ele o fazendo dobrar as mangas do moletom.

– Desculpa eu não tinha nada menor. – digo.

– Tudo bem, são confortáveis. – ele diz se sentando e bebendo seu chocolate. Blaine faz qualquer coisa, menos olhar em meus olhos. – Hmm... isso tá bom.

Sua atitude é incomoda para mim, mas não vou recuar. Não posso fazer isso.

– É uma receita antiga de família. – minto.

– Sério? – ele pergunta impressionado.

– Ah, não. – confesso. – Eu peguei pronto e a cafeteira fez todo o resto.

Digo rindo tentando fazê-lo rir também. Blaine ri.

Repouso a minha xícara sobre a mesa de centro e sigo até a lareira. Com apenas um botão, abro a válvula que libera o gás nela e com outro dou a ignição para que uma faísca inflame o gás e crie o fogo. Gradativamente a sala se enche de calor.

– Bem melhor! – digo me sentando ao lado de Blaine.

– Nós provavelmente precisamos dormir, para pegar a estrada cedo. – ele diz. – Então se você me arranjar um travesseiro e um cobertor eu fico bem no sofá.

– Você está brincando? Tem uns 6 quartos nessa casa... – digo o encarando.

– Ah... – ele continua encarando a própria xícara.

– Isso inclui o meu, se quiser dormir lá... comigo. – pego minha xícara de volta.

– Sebastian... por favor. – ele diz sem jeito.

– Eu não estou dizendo que é pra gente fazer alguma coisa. – digo sorrindo. – É que de todos os quartos o meu é o mais confortável.

– Eu fico bem no de hóspedes. Obrigado. – Blaine repousa sua xícara sobre a mesa lateral ao sofá e se levanta do sofá. – Ah... você pode me mostrar onde fica?

– Claro. – minha voz quase não sai de minha boca. – Mas fica mais um pouco.

Blaine não se sente muito confortável com aquilo. Me levanto do sofá deixando minha xícara na mesa de centro. Me aproximo dele.

– Isso está estranho pra você? – seguro sua mão novamente. – Não vai ficar me dando gelo por que te beijei, não é?

– Na verdade, fui eu que te beijou. – Blaine diz de forma dolorosa.

– Não é desse beijo que estou falando. – passo a mão pela nuca de Blaine. – É desse...

Nossos lábios se tocam e a primeiro momento não há reciprocidade por parte de Blaine. Até que ele sucumba tornando o beijo urgente em um ritmo não muito lento e nem muito acelerado o fazendo durar por minutos.

Não sei como aconteceu, mas quando me dou conta já estamos ambos deitados e abraçados no sofá. Nossos rostos estão próximos um do outro mantendo contato visual. Meus braços o envolve pela cintura. Blaine tem um de seus braço sobre meu peito e sua mão repousa sobre meu ombro.

Blaine tira a mão de meu ombro e passa seu polegar em meu lábio inferior enquanto olha meus lábios. Blaine morde o próprio lábio enquanto acaricia o meu. Acaricio o rosto de Blaine o admirando. Até que voltemos a nos beijar. Não há pressa em nosso beijo, temos todo o tempo do mundo agora. Nossos lábios e língua se exploram.

Se passam longos minutos até que o beijo termine. Blaine estica para pegar algo no criado mudo atrás de mim ao lado do sofá. Seu pescoço fica a altura de meus olhos. Não resisto. Passo meus lábios por seu pescoço e beijo a saliência de seu pomo-de-adão. Blaine estremece com o toque. Seja lá o que queria pegar havia desistido.

– Isso é golpe baixo. – Blaine arfa ficando quietinho para continuar recebendo as caricias.

Passo os dedos pelos cabelos de sua nuca, os agarro sem puxá-los. Passo a língua pelo pomo, aquilo definitivamente me excita e a Blaine também. A carícia com a língua se transforma em beijos por toda a extremidade frontal e lateral de seu pescoço. Blaine move sua pelves involuntariamente, mas consigo sentir uma protuberância. Isso me faz sorrio entre os beijos.

– Sebastian... – Blaine arfa tenta se afastar de meus beijos. – Nós não vamos fazer isso.

– Então diz isso pro seu...

Blaine se senta no sofá.

– Não, por favor. – tento puxa-lo de volta para cima de mim.

– Isso está ficando fora do controle. – Blaine diz.

– Tudo bem, só vamos ficar aqui.

Blaine sede e voltamos para nossa posição inicial. Sem beijos, apenas deitados. Os minutos se passam o silêncio se mantém na casa, mas não é um silêncio constrangedor. É um silêncio oportuno e preciso. Ouvimos apenas os sons do fogo que estala na lenha e a calmaria daquilo nos faz relaxar, levando Blaine ao sono em poucos minutos. O observo enquanto dorme em meu peito, não demora muito para que eu caia no sono também.

O relógio sobre a lareira marca 6:30 da manhã quando desperto. Blaine ainda dorme ao meu lado. Não consigo tirar o sorriso em meu rosto por tê-lo ali, mas ainda assim preciso me levantar. Aos poucos me desvencilho de Blaine para então ir a cozinha e preparo uma xícara de café fumegante.

Ligo a televisão no processo de preparação do café. Então me deparo com o mesmo problema que havia me deparado na noite passada. Não há comida. Enquanto isso na emissora local, o âncora noticia no jornal matinal:

“...a nevasca de ontem a noite surpreendeu a todos, se tornando um fenômeno fora de época.

Vamos agora, com a nossa correspondente, a repórter de campo Linda Brown.

A repórter está no que costuma ser a rua central de Lima, mas agora é uma grande imensidão branca.

Obrigada John, é a nevasca de ontem pegou todos de surpresa inclusive os meteorologistas locais. De acordo com os especialistas, a frente fria, apesar de incomum nessa época do ano, vem de um choque térmico do Alaska e do México, ocasionando o fenômeno que estamos vendo aqui em Lima.

Durante essa madrugada, ...

Desvio a atenção da televisão para olhar pela janela. Não está tão ruim assim, não o suficiente para que fiquemos presos em casa a ponto de não podermos voltar para New York. O que me faz querer que volte a nevar mais.

É só uma questão de tempo até que escavadeiras comecem a remover a neve das ruas para possibilitar o trânsito nelas. Se a neve não é um problema, ainda existe um: Comida. Retiro o celular no bolso da calça para entrar no sistema de delivery do Walmart.

“Deus abençoe a América.” Penso ao deslizar o dedo sobe a tela do celular ao escolher os itens para a entrega. Em que outro lugar um supermercado faz delivery com ruas cheias de neve? Só na América.

Uma hora passa até as compras do mercado cheguem. Aguardo o entregador na porta da frente, a abrindo antes que ele tenha a chance de tocar a campainha. Não quero que Blaine acorde. Sim, é piegas, mas quero surpreende-lo com o café da manhã.

Enquanto preparo panquecas para o café da manhã, o silêncio na casa faz com que minha mente vague até que ela seja invadida por lembranças.

Flashback

É sábado de manhã, o que significa que é dia de panquecada. Pelo menos foi assim batizado pelo pequeno Sebastian após tentar dizer aos pais que era o dia de panqueca certa manhã de sábado. Assim como era chamada as manhãs de sábado na casa dos Smythe.

Um Sebastian de cinco anos anda arrastando seu urso de pelúcia verde elétrico pela pequena sala da casa até a cozinha onde Anne, sua mãe, começa a preparar a massa de panquecas para o café da manhã.

Bom dia, querido!” a mãe diz ao ver-lo entrar pela estreita cozinha. Como de costume, o toma em seus braços e o enche de beijos. Sebastian tenta se soltar gargalhando por que os beijos lhe causam cócegas, mas a verdade é que ama os beijos de sua mãe. Suas gargalhadas são deliciosas de serem ouvidas pela mãe.

– Pare, mamãe! – ele diz sem ar de tanto rir deixando seu bichinho de escapar de sua mão.

– Opa! Peguei. – a voz masculina que invade a cozinha é de Anthony que segura o urso do filho antes que ele possa tocar o chão. – E eu? Não recebo todo esse amor?

A atenção de Sebastian e sua mãe se voltam para o homem parado na porta da cozinha.

– Como não poderia receber? – Anne diz sorrindo para o marido.

Anthony se aproxima deles e dá um beijo carinhoso na esposa. Ainda no colo da mãe, Sebastian exclama: “ECAAA!!!”, fazendo os pais rirem. O pai toma o filho em seus braços, bagunçando os cabeços loiros da criança.

– Um dia você não vai achar isso nojento. – o pai diz.

– Thony! – Anne repreende o marido.

– O que foi? – o homem pergunta de forma despreocupada.

– Eu não quero que você fique enchendo a cabeça dele com essas coisas tão cedo. – a mãe diz voltando a preparação do café da manhã.

– Ele vai aprender isso cedo ou tarde. – Anthony coloca o filho sentado no bando mais elevado no balcão da cozinha lhe dando um beijo no topo de sua cabeça.

– Que seja tarde, então. – ela finaliza aquele assunto.

– Tudo bem, querida.

Sebastian assisti aos pais se beijarem e se abraçarem, aquela não era uma cena rara para ele. Na verdade, raro seria a falta de demonstração de afeto dentro daquela casa.

– Então garotão – o pai diz o pegando em seus braços novamente. – Está pronto para a panquecada?

Panquecada!!! – Sebastian comemora levantando os braços para o ar.

Os pais riem simultaneamente com o ânimo do garoto para aquela ocasião. O pai repete o gesto do filho, erguendo o braço livre que não carrega Sebastian e comemora: “Panquecada!!!”. No embalo a mãe faz o mesmo.

– Está ansioso para hoje? – Anthony pergunta entusiasmado para Sebastian.

– Estou! – Sebastian afirma balançando a cabeça.

– O que os meus meninos tem planejado para hoje? – agora é Anne quem pergunta.

– Vamos jogar baseball. – Sebastian toma a frente e responde a ela.

– O garoto é bom, An. – Anthony volta sua atenção para ela. – Eu estou te dizendo...

– Mas é claro que ele é. – O sorriso bondoso de sua mãe faz Sebastian sorrir também. – Ele é um menino muito talentoso e pode fazer o que quiser.

– É eu não consigo ganhar dele. – o pai afirma fazendo palhaçada para o garoto.

Sebastian dá mais uma de suas gargalhadas gostosas.

Fim de Flashback

Saio de meu transe hipnótico, voltando para o presente. Blaine está de pé na porta de entrada na cozinha esfregando os olhos.

– Oi, bom dia – Blaine diz manhoso.

– Oi. Bom dia! – digo sorridente. – Dormiu bem?

– Sim, muito. – diz bocejando. – Hmm... Que cheiro bom. O que está cozinhando?

Blaine se senta na cadeira em frente a bancada. Ele apóia seu braço sobre a bancada e o outro segura o rosto com o punho fechado enquanto me olha cozinhar a sua frente no fogão.

– São panquecas! – exclamo sorridente.

– Hmmm... Eu gosto de panquecas! – Blaine olha para a frigideira sobre o fogão se divertindo com o modo que falo.

Eu não consigo tirar o sorriso bobo de meu rosto.

Bzzz – bzzz – bzzz” o celular no bolso em minha calça vibra insistente. Ao pega-lop desligo sem olhar a tela, o repousando sobre a bancada.

Sirvo a ele uma pilha de panquecas em um prato e a outro para mim. Blaine analisa aquela pequena obra de arte a sua frente em seu prato e começa a atacar. Me sento ao seu lado e repito o mesmo gesto com a minha própria pilha de panquecas.

– Hmm... – resmungo fazendo cara feia.

– Hmmm... – Blaine resmunga também. – É... você não fez panqueca.

– Definitivamente não. – concordo com ele encarando meu prato.

Blaine e eu bebemos o suco em nossos copos para tirar o gosto ruim de nossas bocas. Me sinto constrangido pelo meu fracasso culinário.

– Desculpa, eu tentei fazer uma coisa legal pra você, mas não deu muito certo. – sorrio sem jeito.

Blaine me olha e sorri de forma bondosa. Ele se levanta e toma frente ao fogão.

– O que está fazendo? – o encaro apesar da vergonha.

– Panquecas. – ele diz simplesmente.

– Você não precisa fazer, tem pão de forma, – aponto para o conjunto de sacolas em um balcão da cozinha. – Podemos fazer torradas, mais fácil e sem erro.

– Bom, alguém precisa te ensinar a cozinhar, por que aparentemente você acredita que sabe cozinhar enquanto obviamente não sabe. – Blaine ri ao dizer.

– Não precisa humilhar... – digo envergonhado.

Blaine ri e com certa habilidade, ele começa a preparar a receita. Agora é minha vez de observá-lo, não o que ele está fazendo, mas como faz. Ele parece uma orquestra sinfônica em perfeita harmonia, cada movimento, respiração e ação é regida e executada com perfeição no espetáculo que é Blaine Anderson. Eu sentado a sua frente sou seu único expectador. Eu não só gosto ou estou só afim dele. Naquele momento me dou conta de que estou apaixonado por Blaine.

– Você tem fermento? – Blaine me tira de meus pensamentos.

– Acho que sim. – respondo ruborizando por meus pensamentos. Talvez se eu estivesse fantasiando com ele pelado me oferecendo para pegar em seu pau eu provavelmente não ficaria tão ruborizado quanto estou agora.

– Pega para mim? – Blaine me olha.

– Como é? – pergunto alarmado. Será que eu estou pensando alto?

Blaine franze o cenho enquanto me observa.

– Fermento, Sebastian...

– Ah...Na prateleira de cima. – digo apontando para uma prateleira mais alta atrás de dele. – Quer um banquinho para alcançar?

Pergunto rindo, mas Blaine não acha graça.

– Quer panquecas de verdade? – ele pergunta em tom ameaçador.

– Nossa que azedo. – me levanto para pegar o que ele havia me pedido.

– Você começou. – ele rebate.

Pego o fermento e o entrego parando ao seu lado para observá-lo.

– Está parecido com o que fiz... – digo olhando a massa.

– A diferença é que sei o que estou fazendo. – Blaine diz sincero.

– Hmm... – enfio o dedo indicador no recipiente que comporta a receita sujando o dedo com a massa de panqueca. Aproximo o dedo do rosto de Blaine.

– Não faça isso! – ele me alerta. – Não...

Blaine recua seu rosto para longe de meu dedo a cada centímetro que aproximo a mão de seu rosto. Passo o dedo na ponta de seu nariz o sujando com a massa.

– Nããão!!! – Blaine exclama ao ser atingido.

Sem pestanejar, Blaine devolve o favor sujando minha bochecha com não apenas a marca de um dedo sujo com massa de panqueca, mas com cinco.

Ah, qual é!? – reclamo.

– Não comece o que não pode terminar, Sebastian – ele sorri voltando sua atenção para a receita.

– Então é guerra, Killer – declaro.

Blaine franze o cenho, talvez ser chamado daquela forma depois de tanto tempo lhe causa algum estranhamento. Pego um punhado de farinha e sopro sobre Blaine.

Coof coof coof. Farinha não! Isso sufoca. – ele diz tossindo.

– Desculpa. – digo baixando a guarda, mas pago caro pelo meu erro. Blaine rapidamente meleca o dedo com manteiga e o limpa em meu braço.

– AAAH!!! – olho meu braço atingido. Dramaticamente dou alguns passos para trás segurando o braço abatido. – Não! Isso é nojento.

– Renda-se! – Blaine ordena rindo.

– Jamais! – rebato. Pego o vidro de calda para panqueca, derramando seu conteúdo em meu dedo. Me aproximo lambuzando seus lábios com ela.

– Isso nem sequer foi um golpe. – diz.

Com um sorriso sacana no canto de meus lábios o observo limpar os lábios com a ponta de sua língua, antes que Blaine note a minha aproximação a seguro entre meu lábios. O beijando em seguida. Seus lábios ainda estão lambuzados. Passo a língua em seus lábios removendo o restante da calda neles. Agora, tanto sua boca quanto a minha, estão doces, o que torna nossos beijos adocicados.

– Eu preciso terminar isso aqui. – Blaine se esforça para falar entre os beijos.

– Hmm-hmm – respondo sem desgrudar nossos lábios. Envolvo sua cintura com meus braços.

– Sebastian... – Blaine tenta me afastar, mas falha.

Nos beijamos por mais alguns minutos até que ele consiga me afastar.

– Eu... vou... jogar... água... fria... em... você! – Blaine fala entre beijos.

– Tudo bem. – digo recuando. – Mas acho que subestima a minha vontade de querer beijá-lo pensando que pode inibi-la apenas com água fria.

Blaine sorri lindamente enquanto volta a sua atenção para as panquecas ao fogo. Volto a me sentar para observá-lo a cozinhar. Não demora muito para que comecemos a comer as panquecas, agora com gosto de panqueca. Comemos completamente sujos como duas crianças bagunceiras.

– Eu vou me limpar pra tirar essa meleca que você fez em mim. – só ao terminar a frase é que percebo o quanto aquela frase soa ambígua. – Desculpa, você entendeu o que eu...

– Eu entendi. – Blaine me interrompe rindo ao levantar para limpar os pratos.

– Já volto, eu te ajudo com isso. – digo saindo da cozinha.

– Eu cuido disso. – ele diz.

Demoro alguns minutos até que volte para a cozinha. Ao voltar Blaine parece um pouco abalado.

– Oi.

– Oi – Blaine diz aério.

– Hmm, tá tudo bem? – digo olhando ao redor, a louça permanece sobre a bancada.

– Sim... – Blaine pega parte da louça e começa a lavá-la.

Talvez seja só coisa da minha cabeça. Me aproximo dele e o abraço por trás enquanto lava a louça. Beijo sua nuca carinhosamente o fazendo estremecer.

– Sabe, eu quero falar isso para você faz algum tempo... – digo apoiando meu queixo sobre seu ombro.

– O que? – Blaine continua com sua atenção voltada para a louça.

– Sobre você se mudar do alojamento. – digo. – Acho que deveria ficar.

– Olha, Sebastian... – Blaine hesita em falar. – Acho que não vá dar certo...

– Eu sabia que diria isso. – digo calmamente. O solto e dou alguns passos para trás. – Então pensei em uma coisa melhor.

Blaine não está me olhando, tiro uma caixinha vermelha aveludada do bolso traseiro da minha calça. Me ajoelho sobre um joelho atrás dele.

– Blaine Anderson...?

– Sim? – ele dá meia volta para me encarar. Sua feição passa de plácida para espanto.

– Você me daria a extraordinária honra de...

Blaine está completamente horrorizado.

– O que você está fazendo? Sebastian, para com isso! – ele ordena. – Não se atreva a terminar essa frase. Eu juro que se você fizer iss...

– Não me atrapalha, você está estragando tudo! – digo sorrindo para ele.

– Ótimo! Agora levanta. – ele ordena mais uma vez.

– Blaine Anderson, você...

– Para com isso Sebastian! – Blaine está quase chorando.

Aquilo é estranho, sua reação.

– Fique quieto, Blaine. – agora sou eu quem ordena.

Blaine se cala.

– Você me daria a honra de rachar um apê comigo? – digo sorrindo.

Abro a caixinha e ao fazê-lo uma chave que repousa em seu interior é revelada.

– Sebastian... – balança a cabeça negativamente. – Eu não posso. A gente precisa parar com isso.

– Parar com o que? – me levanto para olha-lo.

– Fingir que somos um casal. – ele fala duramente. – Nós não somos.

– Isso é fácil de se revolver... – digo simplesmente.

– Eu só... – Blaine desvia seu olhar – Não quero mais fazer isso.

Respiro fundo ao cruzar os braços. Blaine não consegue me encarar.

– Sabe, Blaine... Você vai ter que me explicar melhor, me diz o que ta acontecendo. Por que eu achei que finalmente estivéssemos nos entendendo.

– Olha, – Blaine passa a mão em seus cabelos. – foi divertido até agora, mas acho que está na hora de terminar isso. Está na hora das coisas voltarem a ser como eram.

– Será que você pode falar o que quer dizer logo?

– O que quero dizer é que quando voltar para New York vou para o meu novo alojamento, você vai voltar a fazer as coisas que sempre pode fazer e todos saem ganhando. – Blaine diz com a voz alterada.

– Você está brincando, certo? – franzo o cenho o observando.

Blaine não demonstra estar.

– Blaine... O que mudou da minha ida ao banheiro até eu voltar?

– Nada mudou. – diz seco.

– Por que está fazendo isso? – avanço alguns passos. Blaine recua mantendo a distância inicial.

– Desculpa Sebastian. – ele realmente parece sentir.

– Isso é algum tipo de brincadeira? – insisto por que aquilo simplesmente não me desce.

– Eu vou ser o mais claro que consigo ser: Eu não gosto de você... – diz enfático. – Não do jeito que você gostaria que eu fizesse.

Aquelas palavras tem a mesma potência e efeito de um soco em meu estômago, me fazendo perder o ar.

– Então por que me beijou ontem a noite? – a voz sai esganiçada.

– Por que me senti culpado com toda aquela história que me contou sobre sua vida. Por que fui correndo ver Kurt e por estar com raiva dele. Eu não quero te usar dessa forma. – Blaine diz sem emoção. – Sinto muito por ter feito isso, mas não gosto de você. Nunca gostei. Apenas como amigos.

– Você acha que eu vou engolir isso? O jeito que me olhou ontem a noite...

– Essa é a verdade, acredite nela ou não, Sebastian.

Blaine não desvia o olhar, não pisca e não vacila. Ele parece dizer a verdade e a verdade me quebra em pedaços.

Solto o ar que veio prendendo em meus pulmões.

– Por que você nem sequer me dá uma chance?

– Mesmo que eu sentisse alguma coisa por você, nós dois sabemos que você daria um jeito de estragar tudo. – Blaine faz uma pausa para pegar ar. – Eu acabara o odiando para sempre e nem a amizade um do outro nós teríamos.

– Se eu estragasse tudo, — digo baixo. – seria eu quem me odiaria para sempre.

– Você vai encontrar alguém que dê o que você precisa, talvez já tenha encontrado. – Blaine diz voltando sua atenção novamente para a louça.

Encaro sua nuca sem compreender. Ando pela cozinha em silêncio, pego meu celular sobre a cadeira da bancada o enfiando no bolso da calça.

– Acho que está na hora de voltar para New York. – digo saindo da cozinha.

Notas finais
Olá queridos amigos leitores, eu não poderia estar menos feliz com a fanfiction e com o feedback de vocês. Agradeço muito a companhia de todos e cada um de vocês. Nossa fic está chegando ao fim pessoal, originalmente ela teria 25 capítulos. Acredito que esse número será mantido sendo um bom número de capítulos para contar a história de Sebastian. Obrigado novamente e até quinta-feira!