Notas iniciais
Não poderíamos finalizar essa fic sem um capítulo narrado pelo Blaine, certo? Então aí está. Boa leitura!

Meu nome é Blaine Anderson e você sabe muito bem como Sebastian e eu nos conhecemos. Mas como toda história, essa também tem mais de um lado. Você sabe, uma mesma história pode ser contada de várias formas por ter pontos de vistas e perspectivas diferentes. Só depende de quem a conta.

Foi em uma visita a Academia Dalton que acabei conhecendo Sebastian. Ele, assim como eu quando estudei lá, fazia parte dos Warblers. Sebastian é o tipo de pessoa que quando se conhece faz com que seu estômago congelar seguindo da perda do ar até que as mãos comecem a soar. Foi exatamente assim que ele fez sentir no dia em que nos conhecemos.

Puxa, é meio constrangedor falar isso abertamente pela primeira vez. Não que eu tenha problemas em dizer que me senti atraído por Sebastian, bom talvez seja um pouco, mas principalmente por que eu namorava Kurt na época.

Por favor, não me julgue mal. Eu jamais cogitei a possibilidade de trair Kurt, até então o amor da minha vida. Sim, Sebastian era um garoto atraente e admitir isso para mim mesmo me fez sentir péssimo, por que eu sabia que suas intenções não eram nada platônicas comigo. Mas era inofensivo de minha parte, quero dizer, eu jamais faria qualquer coisa. Então por esse motivo, me permiti manter contato com Sebastian.

Assim como um Louva-Deus que é atraído pela luz e calor emitidos por uma lâmpada, da mesma forma eu agia com Sebastian. Ele era a luz e eu o Louva-Deus que não entende o que vê, mas sabe que é algo incrível e reluzente frente aos meus olhos. Como eu poderia me afastar? Como não querer me aproximar de alguém tão empolgante? Sebastian era tudo o que eu não tinha coragem de ser.

Não demorou muito para que nos tornássemos amigos. Sua amizade me fazia muito bem, ainda que ele vivesse dando suas investidas em mim. Sim, isso é terrível, porém verdade. Quando se leva investidas de alguém tão atraente como Sebastian isso certamente massageia o seu ego e era exatamente o que acontecia com o meu. Era inevitável que com o seu charme e bom papo me fizesse me sentir bem comigo mesmo. Seu enaltecimento a mim era um mimo que gostava de receber.

Tudo estava bem até o dia em que ele resolveu surtar e tentou jogar uma raspadinha batizada no rosto de Kurt, mas fui eu quem a levei em meu olho. Não havia nada no mundo que eu não fizesse por Kurt e sei que era recíproco. A amizade, que eu acreditava ser inofensiva, se tornou indiscutivelmente nociva. Algum tempo passou até que Sebastian mostrasse arrependimento pelo o que havia feito, eu o desculpei de coração, mas me sentia incapaz de poder confiar nele novamente.

Em New York, morando com Kurt ainda tive alguns encontros com Sebastian pela cidade. Foi uma surpresa inesperada e boa de o reencontrar. Tudo andava de forma harmoniosa e tranquila até que Kurt decidiu romper o noivado. Eu queria morrer.

Por um lado me sentia sem chão, mas por outro eu estava literalmente sem teto. Foi então que me vi obrigado a sair da minha zona de conforto e enfrentar o mundo pela primeira vez sem a sensação de que não importava o quanto tentasse me colocar para baixo, por que eu sabia que no final do dia, quando eu voltasse para casa, teria alguém que me confortaria. Alguém que seguraria minhas mãos, olharia nos fundos dos meus olhos e diria que tudo ficaria bem. Então de uma hora para outra eu não tinha mais nada.

Existem pessoas que acreditam em destino e outras que acreditam em fazer o seu próprio destino, naquele momento eu não sabia a qual grupo dessas pessoas eu pertencia. O que sei é que oportunidades aparecem de vez em quando e talvez esse seja chamado de obra do destino. Mas as coisas não acontecem se você não tiver atitude para pegar na mão dessa nova oportunidade e pular para dentro dela, ou então ela passará por você. Essa deve ser o que chamam de fazer seu próprio destino.

Bom, lá estava eu, sentado na sala de espera da reitoria da universidade. Sem dinheiro tive que me candidatar para ficar em um dos alojamentos da NYADA.

– Blaine Anderson. – a reitora me chamou de dentro de sua sala.

Nervoso e sem saber o que esperar, me levantei da cadeira que ocupada e caminhei para dentro de sua sala. Ela não parecia muito simpática, mas também não parecia que iria me devorar vivo.

Kurt ainda era uma ferida aberta e dolorosa, mas tive que mencioná-lo algumas vezes para que ela entendesse o motivo de eu estar solicitando um alojamento da faculdade no meio do semestre. Provavelmente minha dor mental se transformava em física, pois ela me encarava com pena.

Sem fazer mais perguntas ela deixa na sala sozinho tempo o suficiente para que minha mente comece a reviver toda a dor daquela noite em que Kurt e eu rompemos. Então toda a dor volta novamente, me fazendo sentir ao mesmo tempo constrangido e humilhado naquele momento. Largado a própria sorte. Quando ela volta, me oferece três fichas de ocupantes de quartos livres.

Ao ler as fichas logo identifico na segunda que o aluno vem do mesmo estado e cidade que eu. Aquilo me chamou a atenção. Meus olhos se fecharam no nome do estudante: Sebastian Smythe. A improbabilidade daquilo era indescritível para mim, “Um rosto conhecido é melhor que um desconhecido.”. Eu conclui.

Então aí está a variável improvável. A variante que o destino preparou para mim. A que me agarrei firme para que não passe novamente.

É claro que fui obrigado a fazer todo aquele teatrinho com Sebastian no dia em que me mudei para lá, não queria admitir que queria sua companhia. Que seu rosto conhecido era uma coisa que precisava naquele momento da minha vida, mas logo percebi que não tinha sido uma boa idéia.

Conforme o tempo foi passando, pude ver de perto vida boêmia que Sebastian. Era muito pior do que eu imaginava e o me entristeceu era que era evidente que ele não se sente feliz com o tipo de vida que levava.

Não sei se foi minha presença lá ou se foi por qualquer outro motivo alheio, mas Sebastian começou a mudar. Demonstrava mais interesse pelas coisas a sua volta e principalmente por mim. Foi um grande amigo, que me ajudou em momentos em que eu estava criticamente mal. Mas, você sabe disso. Sebastian me tirou da lama em que eu estava me afundando. E assim, sem perceber e contra minha própria vontade, aos poucos fui me apaixonando por Sebastian Smythe.

Sebastian se tornou o chão que me faltava, mas ele é o tipo de cara que vai fazer despedaçar seu coração e sinceramente eu não aguento ser magoado novamente. Qualquer pessoa inteligente e sensata se manteria longe de homens como ele.

Agora

Fecho o pequeno caderno encadernado em couro preto com urgência e o guardo do bolso de minha calça ao ouvir passos no corredor do alojamento.

– Oi... – digo me levantando da cama. – Ah, já terminou de colocar suas coisas no carro?

Ele não se dá ao trabalho de olhar para mim, passando por mim a procura de qualquer coisa que possa ter esquecido no quarto. A viajem de Lima para New York foi longa e cansativa, Sebastian e eu não nos falamos mais do que o extremo necessário. Sei que ele está puto comigo e eu entendo que esteja, mas não precisa ser dessa forma.

– Então...Eu não te pediria isso, mas pode me ajudar com as caixas? – digo apontando para minhas caixas.

– Vai pro inferno. – Sebastian diz saindo do quarto.

É doloroso me afastar dele dessa forma, mas eu sei o que é ter que ficar sem alguém de quem eu amo. Eu não estou dizendo que Sebastian me ame, mas sei como é a privação de se estar com quem se importe. Não quero machucá-lo e não quero me machucar. É muito improvável que eu seja a pessoa certo para estar com Sebastian.

. . .

– Ah, oi novato você já chegou. – o meu novo colega de quarto, que aparentemente é o tipo de pessoa que gosta de manter contato físico excessivamente agressivo com outras pessoas, tem um e noventa de altura e provavelmente cem quilos de puro músculo. – Slane, certo?

– É Blaine... – digo tentando me desvencilhar de seus braços enormes.

– Não importa. Olha Slane, meu nome é Mark. Você precisa saber que as regras do quarto são: Não há regras! – ele diz bagunçando meus cabelos.

– Por favor, não faça isso. – digo arrumando meus cabelos.

– Por favor? Cara para que tanta educação? – ele diz abrindo seus braços e ao fazê-lo quase acerta meu rosto com sua mão enorme. – Aqui é o reino dos garanhões... Somos machos cara, arrotamos e peidamos sem nos desculpar, falo?

– Nossa, mas isso é...

– Eu sei, eu sei. INCRÍVEL. – ele diz se afastando a procura de alguma coisa ao lado de sua cama. – Tanto faz, olha eu costumo trazer muitas garotas para cá, então quando tiver usando o quarto deixo uma gravata na fechadura para te avisar.

– Ah...Isso...

– É eu sei, mas quando trazer uma garota para cá pode fazer o mesmo que eu não incomodo não. Sou um cara bem na minha. – ele pega uma mochila debaixo de sua cama e a joga por cima de seu ombro. – Nossa, mas não coloca essa gravatinha borboleta na maçaneta não. Quem passar na frente vai achar que isso aqui é quarto de boiola. Por que você usa isso? Isso é muito gay cara.

– Olha...

– Tá eu só vim aqui pegar meu uniforme pro jogo. – ele diz abanando a mão para que eu me cale. – Você joga? Você nem tem porte pra isso. Beleza, to indo nessa.

Mark sai do quarto me deixando atordoado. Provavelmente eu havia acabado de me lançar para dentro do que seria meu inferno pessoal.

Uma semana depois...

Estou exausto pelo dia que tive, tudo o que mais quero é tomar um banho quente e me jogar na cama e dormir o quanto puder. Lidar com Mark exige muita energia, para poder relevar as bobagens que saem de sua boca.

Ao passar pela porta do alojamento me deparo Mark completamente nu em pé em frente a uma garota sentada em sua cama. Mark a segura pelos longos cabelos loiros tingidos enquanto empurra sua cabeça com violência contra seu pênis para dentro da boca da garota.

Apesar de estar de costas para mim, Mark olha para trás para ver quem havia entrado no quarto.

– Cara, a gente ta meio ocupado aqui. Volta depois.

Não quero e nem vou discutir com ele. Boquiaberto e constrangido fecho a porta do quarto. Vago pelo campus a noite inteira até que eu caia no sono no sofá da cafeteria.

– Você fuçou o meu celular. – acordo com a acusação.

– O que? – digo levantando o rosto sobre a mesa ainda grogue. Uma folha de guardanapo fica grudada em meu rosto.

Sebastian está parando ao meu lado me encarando com o seu celular em sua mão.

– Por isso fez isso tudo... Seu idiota.

– O que? Do que você está falando.

Sebastian vira a tela de seu celular para si passando o dedo pela tela. Pela saída do som o celular começa a fala:

Sebastian, seu cão sarnento miserável! Como se atreve a por os pés em Lima sem me visitar ou sequer me avisar?

Olha, eu não sei como você está, por que não fala comigo a anos. Faz quanto tempo que terminamos? Você já resolveu aquele assunto com aquele cara? Por que se tiver e não deu certo, como eu imagino que não tenha dado... Então eu tenho que dizer que estou querendo você de volta.

Não sei onde eu estava com a cabeça quando deixei você, mas fala sério, você e aquele Blaine não tem nada a ver. Quer saber de uma coisa?

Eu tive um sonho interessante ontem a noite... sonhei que a gente tava transando na Dalton. Como se a gente já não tivesse feito isso pra valer. Eu to tirando grama da minha bunda até hoje e aposto que você também.

Sabe, eu ando meio sozinho nos últimos meses e estive pensando sobre a gente. Acho que precisamos nos encontrar e fazer as coisas como costumávamos fazer. O tempo todo. Sem parar.

Desculpa, eu estou meio bêbado. Sabe como é? Ninguém sabe melhor do que você. Tudo bem. Acho que é isso.

O homem no telefone faz uma pausa.

Droga, eu não deveria ter falado isso. Me liga.

Beep

Sebastian guarda o celular em seu bolso.

– Foi por isso? Você pegou o meu celular quando sai da cozinha e ouviu essa maldita mensagem? Por isso agiu daquela forma.

Sinto meu rosto esquentar.

– Olha Sebastian, certamente você e esse cara tem alguma coisa para resolver e eu não vou ficar no meio disso.

– Blaine, me escuta, ele estava bêbado. Nada do que disse deve ser levado a sério.

– Tudo bem, mas as coisas que ele disse... – tento me acalmar ao falar, não quero começar a chorar ou me irritar de mais. – Como eu posso competir? Eu não sou como os caras que você costuma sair, não sou tão interessante. Não somos parecidos, temos pouco em comum.

– Olha, não se trata de uma competição. – Sebastian diz tentando fazer com que eu o entenda. – Sim, nós terminamos por que ele sabia que eu ainda tinha sentimentos por você, mas você realmente acredita que foi o que ele me disse que me fez querer investir em você? Acha que eu não teria autonomia sobre minhas próprias decisões?

– O que eu estou tentando dizer é que um dia você vai perder essa sua obsessão idiota por mim e quando esse dia chegar eu já poderei ter colocado sentimentos reais dentro de uma relação em que você vai se deparar ao perceber que já se cansou, por que não sou interessante o suficiente para você. – tento esconder minhas emoções, mas minha tentativa é falha.

– Eu não tenho uma obsessão por você, não seja ridículo. – ele diz irritadiço.

– Ah não? – pego do fundo de minha mochila o caderninho em couro preto de Sebastian e o lanço sobre a mesa. – Isso aí diz o contrário.

Sebastian encara seu diário petrificado e ruborizado.

– Você roubou isso!? – ele balbucia.

– Eu não roubei nada. – digo na defensiva – Naquele dia, na sua casa, você quis que eu o lesse, então fiz.

Sebastian encontra uma forma de lidar com a humilhação e volta a me encarar.

– Você não deveria ter feito isso. – ele diz pegando o caderno e o guardando em seu bolso. – O que você disse aquele dia na minha casa, aquilo foi maldade. Foi cruel. E eu não acredito que seja verdade.

– Sebastian... – começo a falar mas ele me interrompe antes que eu possa terminar.

– Isso é a vida real e não um contos de fadas. Encare os fatos como eles realmente são. Eu gosto de você e você gosta de mim. – Sebastian tenta segurar minha mão sobre a mesa, mas a afasto.

– Isso não é suficiente para mim. – digo amargamente. – Nós simplesmente não somos compatíveis e eu não quero me machucar com isso.

– É estranho você dizer isso, por que parecia que nos encaixavamos perfeitamente aquela noite na minha casa. – Sebastian diz sem se importar com o quanto ambíguo a frase soe. – Não é sobre quem é a pessoa que é certa por você e sim por quem você se apaixona. Que inferno, Blaine.

Nos encaramos por alguns minutos em completo silêncio.

– Só diga o que realmente sente por mim. Se não for o que eu estou pensando, então eu te deixo em paz.

Ainda não estou pronto para quebrar meu silêncio.

– Tudo bem, se você não vai falar, então eu falo. – ele me encara. – Eu não posso fazer isso sem você. Não encontro mais sentido em ficar nessa cidade sem você.

– Não seja ridículo. – digo ruborizando. Há intensidade nos olhos e nas palavras de Sebastian. – Você nem tentou.

– Eu não preciso. – ele segura minha mão que voltou para cima da mesa, mas agora não recuo. – E nem você precisa ficar rachando um quarto com um babaca.

Sebastian enfia a mão no fundo de seu bolso e tira de lá uma chave.

– O que é isso?

– O que você está vendo. – ele diz colocando a chave em minha mão e a soltando em seguida. – A chave pro meu apartamento... se mudar de idéia.

– Olha para nós, Sebastian... – digo a ele dando um sorriso entristecido. – Que chance isso tem de dar certo?

– Nós só estamos começando a nossa vida. O que perde se tentar? Se arrisca. – ele pede. – Ninguém pode garantir que vai dar certo, ninguém pode dizer isso com certeza sem que minta. E eu não quero mentir para você. O que me diz? O que tem a perder?

– Meus sentimentos não são para barganhar em uma aposta. – digo sério a ele.

– A vida é uma aposta, Blaine. Você aposta todo dia de manhã quando acorda e sai da sua cama que vai voltar para casa e tudo vai ser bom. Essa é a posta que todos fazemos. Eu aposto nisso também e quero apostar em algo além. Apostar que a gente pode dar certo...

– Eu não sou esse tipo de homem, Sebastian. – coloco a chave sobre a mesa. – Sim, talvez eu tenha medo do mundo lá fora, talvez eu queira uma vidinha tranquila por que qualquer coisa que possa fugir do meu controle me assusta.

Me levanto do sofá da cafeteria ando até a saida. Sebastian me segue.

– Nós já terminamos, Sebastian.

– Eu sei. – ele diz me alcançando e parando na minha frente. – Só fica com isso, ta bom?

Ele coloca mais uma vez a chave em minha mão. Eu a encaro na palma de minha mão por alguns minutos, então olho para onde Sebastian deveria estar, mas ele já esta a metros de distância de mim. Enfio a chave em meu bolso e volto para meu alojamento.

. . .

Mais uma semana se passa, mas a conversa com Sebastian continua fresca em minha memória. Talvez eu esteja exagerando de fato, mas eu não faço o que faço para puni-lo de alguma forma. Eu só estou me protegendo.

Enxáguo meus cabelos com a água quente que cai do chuveiro, minha mente vaga por pensamentos reflexivos sobre Sebastian e nossa conversa na semana anterior na cafeteria.

Por que estou pensando muito? Isso é a vida, certo? Erros e acertos. São tentativas e isso é o que é viver. Não há garantia que eu não vá ser magoado ou magoar alguém. A vida não é quantas vezes caímos e sim quantas vezes nos levantamos, sacudimos a poeira e seguimos em frente.

Sempre reclamei com Kurt que nunca nos arriscávamos, que nunca éramos espontâneos e ousados. E como estou vivendo minha vida agora? Dentro de uma forma que me molda, sem sair da risca determinada por mim mesmo. Pode dar tudo errado e é muito provável que dê, mas nunca saberei se não tentar. Então o que tenho a perder?

Quando se sente aquele frio na barriga, então é por que a coisa vale a pena ser feita. Pego a toalha e a enrolo em volta de minha cintura. Passo a mão sobre o espelho embaçado por causa do vapor da água quente. Me encaro por alguns segundos.

– Viva um pouco! – ordeno ao meu reflexo.

Visto uma camiseta básica branca, uma calça jeans clara e uma jaqueta de couro marrom com um sapato do mesmo tom. A gravata borboleta fica guardada dentro da gaveta. Me encaro no espelho. Decido não usar o gel.

Apenas com o dinheiro do metrô, a chave e o endereço saio decidido pelas ruas de New York. Se sinto capaz de matar um leão. Tomo o metrô até o endereço. Minha coragem não vacila.

Já no prédio, dentro do elevador, um casal de garotas seguram as mãos, uma delas segura um filhotinho de cachorro em seus braços enquanto a outra o acaricia e conversa com ele com a voz que as pessoas costumam guardar apenas para falar com bebês e cachorros. Aquilo é fofo, e me enche com mais coragem.

Ao descer do elevador, procuro a chave em meu bolso. Enfio-a na fechadura, ao abri-la o apartamento me deparo com Sebastian cabisbaixo andando em direção da porta procurando alguma coisa no fundo de sua mochila. Ele provavelmente está de saída. Meu coração acelera, ando até ele. Sebastian está com fones de ouvidos o que isola qualquer ruído que eu tenha feito ao entrar em seu apartamento. Quando finalmente percebe minha presença ao me aproximar dele, Sebastian deixa sua mochila cair pelo susto.

– Blai...

Não lhe dou a chance de terminar, apenas o seguro pelo rosto e o beijo vorazmente.

Notas finais
Oi pessoal, sinto muito pela demora na entrega desse capítulo. Estou tendo alguns problemas para finalizar a fic por que é um tomento terminar fics, fazer tudo o que foi dito ser amarrado e fazer sentido. Eu estou tentando fazer o meu melhor e tentar postar para vocês o capítulo final ainda nessa quinta-feira. Obrigado a todos pela compreensão e companhia de vocês.