Sebastian Smythe
4 Rock Star
Notas iniciais

O clube do coral da Academia Dalton é o modelo exato de como a vida funciona lá fora para os adultos porque a) quem tem o poder nas mãos sempre vai determinar coisas que você pode e não pode fazer que no caso do coral é o “conselho”, b) eles fazem questão de te lembrar de que caso você não seja o membro mais importante da equipe a sua opinião não vale muita coisa e c) apesar de todas as merdas que acontecem ainda vale a pena continuar.
This thing called love I just can't handle it
This thing called love I must get round to it
I ain't ready
Crazy little thing called love
This thing (this thing) called love (called love)
It cries (like a baby)
In a cradle all night
It swings (woo woo)
It jives (woo woo)
It shakes all over like a jelly fish
I kinda like it
Crazy little thing called love
There goes my baby
She knows how to Rock'n'Roll
She drives me crazy
She gives me hot and cold fever
Then she leaves me in a cool cool sweat
I gotta be cool relax get hip!
Get on my track's
Take a back seat…
Brian interrompe a música sacudindo a mão para todos pararem de cantar.
– Senhores... – ele esfregou a testa com os dedos – Eu gostaria de saber quem está descompassado. Não é tão difícil seguir um ritmo.
Alguns olhares se voltaram para mim.
– Certo, culpem o garoto novo. – disse me recostando no braço de um dos sofás. – É realmente muito difícil lembrar do ritmo quando se tem que fazer tantos “Uhs” e “Ahs”.
Consegui ouvir algumas risadinhas abafadas, mas Brian não tinha gostado.
– Você acha que isso é brincadeira, Smythe? – ele disse me fuzilando com seu olhar.
– Não, mas deveria ser pelo menos divertido. – respondi.
– Divertido? Se quiser diversão procure fora desse coral, senhor. Pois aqui nós tratamos esse legado com honra e respeito. Quando cantamos usando esses blazers... – Brian ajeitou a lapela de seu blazer ao dizer isso. – estamos honrando o nome de Dalton. E não há melhor forma de honrar o nome de Dalton do que ganhando o premio máximo.
– Você me dá sono, Brian!
A raiva nos olhos de Brian era transparente.
– Isso é insubordinação! – disse Brain se voltando para o corpo de conselho.
John, um dos três membros do conselho, assentiu com a cabeça para Brian e voltou seu olhar para mim.
– Senhor Smythe, — John disse – se tiver algo contra a forma como esse coral funciona deverá solicitar uma audiência com o conselho para registrar suas queixas...
– Isso é ridículo – disse cruzando os braços.
– ...A sua insubordinação não será tolerada, senhor! – John continuou – Se quiser ter voz ativa dentro desse clube de coral deverá ter mais respeito.
– E uma posição melhor. – rebati
– Esse é o último aviso! – John alertou.
Nada foi dito, voltamos para a nossa versão de Crazy little thing called Love da banda Queen. Mas duas coisas ficaram claras para mim depois disso. Brian pode dar adeus ao seu papel de líder vocal porque eu vou ser a próxima estrela desse grupo.
NO DIA SEGUINTE...
Todo conquistador sabe que primeiro precisa-se conhecer o território hostil antes de querer domina-lo, por isso preciso conhecer mais sobre a história dos Warblers. Nada melhor do que falar com alguém que esteja tempo demais no grupo.
Entro na área reservada para estudos, a sala é grande e ampla, repleta de mesas e cadeiras de madeira. No canto da sala quase vazia Jeff's. Sterling, um dos membros dos Warblers está sentado sob a mesa próxima a uma janela.
– Olá você! – digo ao me aproximar dele usando o melhor sorriso que tenho.
– Ah, oi. – ele disse um pouco confuso por não ter percebido minha presença.
– Está ocupado? – digo apontando para a cadeira a frente dele.
– Não, está livre. – ele diz retribuindo o sorriso.
Sento-me na frente dele colocando os dois copos de café que vinha segurando.
– Espero que não ache ruim, mas tomei a liberdade de trazer isso para você. – digo empurrando um dos copos para ele.
Ele me olha por alguns segundos pouco confuso.
– Ah... isso... – ele olha para o copo e depois para mim – Isso é muita gentileza sua.
Uso o meu melhor sorriso novamente.
– Bom, eu me senti um pouco mal depois daquele clima chato que rolou no clube do coral então estou me desculpando com todos os membros e espero que aceite minhas desculpas.
– Realmente foi um clima chato, mas não precisava se desculpar. – Jeff olhou para baixo envergonhado — Sabe, não sou tão importante no grupo.
– E isso, meu amigo, é uma inverdade absurda. – tentei conforta-lo, mas tanto ele quanto eu sabíamos que isso era a mais pura verdade. Ele não pareceu acreditar muito em minhas palavras, então continuei. – Não entendo como todos vocês se submeteram a esse tipo de tratamento por tanto tempo, tipo... eu só estou há alguns meses e não estou achando que vá ficar mais tempo se esse tratamento continuar.
Ele balançou a cabeça negativamente e então disse:
– Sei que parece um pouco tirano o modo como eles dirigem o clube mas...
– Um pouco? – perguntei
– Cara...você precisa parar de interromper os outros, esse é o seu primeiro erro. – isso me fez calar. Então ele continuou: — Nem sempre as coisas foram assim como estão hoje...
Ele fez uma pausa para bebericar o até então intocado café que havia lhe trazido.
– As coisas eram diferentes quando o Anderson era nossa rock star. – ele disse sorrindo. – Sabe... Não que a gente podia fazer o que quiséssemos, mas o cara ouvia nossas ideias, sabe?
– Anderson?
– É! Blaine Anderson. Um cara muito gente boa, sabe? – ele continuou a beber o café.- Quero dizer, o cara era adorado por quase a escola inteira. E canta como um anjo.
Fiz uma nota mental para lembrar esse nome.
– E onde está esse senhor bonzão agora? – a pergunta fez Jeff franzir a testa e encarar seu copo de café.
– Ele pediu transferência, sei lá?
– Bom, eu não quero tomar mais seu tempo Jeff. – disse me levantando. – Muita gente que tenho que me desculpar ainda.
Passei o resto da manhã levando café para alguns membros mais antigos dos Warblers, como o Jeff. Tanto Trent como Nick e Richard me disseram, mesmo que de formas diferentes, que esse tal de Blaine Anderson era “o senhor bonsão” por aqui.
Mais tarde naquele dia usei o horário vago para continuar pesquisando sobre o assunto, então segui para a biblioteca da Dalton.
Busquei pelo anuário de 2010-2011 e lá estava o cara. Com expressões euro-asiáticas com um grande sorriso, cabelos pretos encaracolados. Abaixo da sua foto dizia “Blaine Anderson”. Não cosegui descobrir muita coisa sobre ele, nada além do que já sabia então fui obrigado a deixar a biblioteca e ter uma atitude drástica.
Peguei meu celular e busquei na agenda do telefone por Andrew, eu sei, é um mal necessário.
– Sebastian Smythe... – disse Andrew do outro lado da linha.
– Oi Andrew, ah... – passei a mão em minha nuca ao hesitar. – Sabe, eu preciso de algumas informações.
– Claro! O que precisa saber? – ele fez uma pausa por um minuto. – Peraí... não é herpes né? Se tiver com herpes não fui eu que te passei!
– Não é isso!
– Então... Você me passou herpes? Que droga cara!
– EU NÃO TENHO HERPES! Eu não te passei nada. – algumas pessoas que passavam por mim puderam ouvir. O que fez me arrepender de ter ligado para Andrew.
– Então o que é?
– Preciso de informações. Já ouviu falar em Blaine Anderson?
– O Warbler? Claro! O cara é uma lenda.
Tá mais um que baba pelo tal Blaine, ótimo.
– O que tem ele? – Andrew continuou.
– Estou querendo recriar a ascensão dele nos Warblers, preciso saber mais sobre esse cara já que praticamente a escola inteira o vê como um deus. – Esse tal Blaine já estava me dando nos nervos, ninguém pode ser tão perfeito.
– Você sabe, eu nunca fiz parte dos Warblers, mas tem alguns boatos sobre o ele. Cara reservado, canta muito bem...
Tive que interrompe-lo.
– Tá não precisa falar o óbvio....
– ...Não atrapalha, Smythe. Eu estou tentando te ajudar aqui. – depois de uma curta pausa ele continuou. – Não ia mau na disciplinas, fazia parte do clube de Box da Dalton, ele pediu transferência para uma escola pública, mas não sei dizer qual.
– Isso é tudo? – perguntei
– Ah... – ele pensou por alguns minutos. – Ele é bem atraente pra falar a verdade e, essa você vai gostar, ele joga no nosso time.
– Joga no nosso time? O que exatamente eu deveria entender com isso?
– Ele é gay.
– Por que eu iria gostar de saber isso? Isso não ajuda em nada.
– Hey, não fica bravinho comigo, Sebastian. Eu estou falando tudo o que sei sobre o cara.
– Okay, foi mal. Valeu pela ajuda. – desliguei o telefone.
ALGUNS DIAS DEPOIS...
– Senhores, peço que haja ordem! – Wesley, o líder do conselho diz com a voz sobressaltada batendo o martelo na mesa. – Peço que haja ordem ou serei obrigado a pedirem que se retirem.
As pessoas se calaram.
– Solicitei essa audiência com o conselho e com todos vocês, meu colegas – Ah quanta baboseira... — Por que estou disposto a melhorar minha posição dentro desse grupo, como me foi sugerido anteriormente. Para encurtar a conversa eu não estou mais disposto a ver meu talento ser desperdiçado nesse coral, por isso, senhores, venho aqui mostrar a todos vocês o meu valor e como posso ser melhor aproveitado dentro desse grupo.
Eu vou cantar uma versão mais rock roll de All My Mistakes da dupla Avett Brothers. Se segurem, rapazes.
Shooting off vicious collections of words
The losers make facts by the things they have heard
And I find myself trying hard to defend them
I made decisions some right and some wrong
And I let some love go I wish wasn't gone
These things and more I wish I had not done
But I can't go back
And I don't want to
'Cause all my mistakes
They brought me to you
I have some "friends" they don't know who I am
So I write quotations around the word friends
But I have a couple that have always been there for me
And I missed some fun 'cause I worked through the dawn
Expecting your praise when I returned home
But I paid the cost 'cause I got left alone for the songs
But I can't go back
And I don't want to
'Cause all my mistakes
They brought me to you
Todos – exceto Brian e o conselho – estavam delirando de excitação quando terminei a ultima palavra da letra da música, vários membros do grupo vieram me cumprimentar me dando tapinhas nas costas e apertos de mão.
Quando a ovação terminou, arrumei meu blazer e endireitei minha gravata. Olhei para os membros do conselho que pareciam impressionados, mas não tão excitados quantos os outros rapazes.
– E então? – perguntei a eles.
O conselho conversava entre eles e por fim foi Wesley que disse.
– Sua atitude é admirável, Sebastian. Realmente mostrou seu valor vocal a este grupo. – disse Wesley. – Decidimos que terá sua chance como segundo vocalista.
A sala entrou em um estouro de conversação, não consegui perceber se era protestos ou aprovação. Talvez fosse as duas coisas. Pude ver que Brain começou a discutir com os membros do conselho, me mantive apenas observando até que Wesley pedisse ordem novamente.
– Então, — disse eu. – estão me dizendo que ganharei alguns versos nas canções. Isso é ridículo – disse de forma calma.
– Você não deveria nem ganhar isso! – agora foi Brian que falou de forma agressiva.
– Não é você quem decide isso, Brian. – Wesley o reprendeu.
Isso fez Brian sair da sala de forma dramática e teatral, o que me fez sorrir. Ganhar o papel de segundo vocalista não era o meu objetivo, mas ainda isso já era um começo. Eu só preciso eliminar o Brian agora. Calma, eu não vou matar ele.
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UMA SEMANA DEPOIS...
Eu posso ser muitas coisas, mas não sou arrombador de escolas. Bem... agora sou.
Não tive escolha. Tudo o que eu tentei fazer para tirar Brian da liderança dos Warblers falhou, provavelmente ele deve ter o rabo preso com alguém do conselho. Então basicamente fui obrigado a chegar até isso.
Seguro a lanterna com os dentes enquanto tento abrir o armário de Brian sem fazer barulho. “Droga! Isso parece ser mais fácil nos filmes e seriados.” E então ouvi um “CLACK” estava destrancada!
– ISSO! – comemorei baixinho. Guardei as ferramentas no meu bolso traseiro da calça. Enfiei a mão no bolso da frente e tirei dez saquinhos de maconha e coloquei escondido dentro do armário de Brian. Você deve estar se perguntando onde foi que eu consegui essa maconha, certo?
FLASHBACK
Sebastian entrou em site de bape-papo regional lá ele conseguiu a informação de que conseguiria facilmente achar erva com um tal de “Ninja Rosa” todos os dias no horário do almoço próximo aos fundos da escola estadual William Mckinley. No dia seguinte ele conseguiu espaçar da escola no horário do almoço trocando seu uniforme da Dalton por suas roupas de uso diário.
Um homem ruivo e calvo com um suéter rosa preço sobre os ombros como os jogadores de tennis costumam usar estava parado nos fundos da escola. Não tinha cara de traficante, mas tinha cara de pedófilo.
– Ah... oi – disse Sebastian hesitante.
O homem de meia idade olhou Sebastian duas vezes de cima a baixo.
– O que você quer garoto? – o homem perguntou.
– Você é o ninja rosa? – Sebastian se sentia idiota por falar aquilo em voz alta.
– E quem quer saber? – o homem respondeu com outra pergunta.
“Okay, esse deve ser o cara.” Sebastian pensou.
– Olha, semana que vem eu vou fazer uma cirurgia no meu olho e vou precisar do remédio que você tem, os médicos nunca dão remédios fortes. – isso soava idiota até para ele.
– Você acha que eu sou idiota garoto? Chispa daqui.
Foi aí que Sebastian percebeu que teria que apelar, ele era um bom ator.
– Você não entende! – disse enchendo os olhos de lágrimas. – Eu tenho catarata juvenil, e... – ele estava com o rosto lavado de lágrimas agora. – ...e eu não aguento a dor...
O homem o segurou pelos braços.
– Pobrezinho! – disse envolvendo Sebastian em um abraço. Sebastian poderia jurar que sentiu o homem apalpa-lo enquanto deslizava as mãos pra abraça-lo. – Você vai ficar bom, querido.
– Eu não sei não...é muita dor... – disse com voz embargada. O homem não o havia soltado ainda.
Levar dez pacotes de erva medicinal foi a coisa mais fácil o difícil foi fazer o homem tirar as mãos dele.
FIM DE FLASHBACK
Tudo bem eu sei que isso não é nada bonito de se fazer, mas as pessoas dentro dessa escola têm parentes importantes e quando a escola receber um telefonema anônimo de que Brian Forks é um traficantezinho muito burro de maconha que anda vendendo baseado para os alunos da Dalton, eles vão querer abafar a história toda, mas não antes de expulsá-lo.
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NA TARDE SEGUINTE...
Como o esperado, na parte da manhã o diretor recebeu um telefonema anônimo de um cara que paguei dizendo que havia um vendedor de maconha dentro da Dalton. Todos os armários foram revistados e lá estava... Encontraram os dez saquinhos de maconha que eu havia implantado no armário dele além de um pacote com o dobro do que eu havia colocado lá. Que perda de tempo foi a noite passada, mas como eu ia saber que esse idiota era tão burro de deixar um lote inteiro de maconha no armário da escola?
Por fim o pai de Brian foi chamado na escola, nada de polícia, privilégios do dinheiro. Brian seria transferido para um nova escola em uma nova cidade.
Fui para a sala do coral no horário que costumávamos nos reunir, o assunto era Brian, é claro.
– É realmente muito ruim o que aconteceu ao nosso colega Brian, mas não podemos perder o foco! – disse.
– Ele foi um idiota, trazer essas coisas para e escola – alguém disse.
– Ainda estamos que escolher o nosso novo vocalista principal. – disse.
– Nós já temos o nosso novo vocalista, Sebastian. – Wesley anunciou.
Abri o maior sorriso que pude involuntariamente.
– E quem seria? – perguntei.
– Existe uma lista de sucessores de vocalistas que devemos seguir Sebastian, sabe segundas opções. Todos nós sabemos disso. – ele pegou uma folha com uma lista de nomes da ata do conselho.
Todos observarão atentos enquanto ele lia a lista.
– O próximo sucessor, o líder, a cabeça dos Warbles é o senhor Nick Duval! – ele declarou.
O meu maior e melhor sorriso virou um sorriso amarelo enquanto o resto da sala se enchia de aplausos e gritos de alegrias. Eu fiquei apenas ali. Parado. Enquanto todos comemoravam em volta do Nick.
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