Sebastian Smythe
6 O retorno do Warbler.
Notas iniciais

Na manhã seguinte despertei mais disposto do que nunca. Olhei para o lado e encontrei Andrew mergulhado num profundo sono. Aproximei-me de Andrew carinhosamente deslizando minha mão e dando alguns beijos pelo tórax dele.
As carícias surtirão o efeito desejado por mim fazendo com que Andrew despertasse.
– Oi você. – Andrew disse sonolento.
– Oi você! – respondi sorridente. — Dormiu bem? – perguntei dando um selinho nos lábios de Andrew.
– Incrivelmente bem. – Andrew estranhou a minha atitude, mas ainda assim ele se deixou levar.
Andrew passou seus dedos pelos meus cabelos bagunçados.
– Eu até te ofereceria um café da manhã na cama, mas nós dois sabemos que eu não sou esse tipo de cara. – digo rindo
– E aí está ele! – Andrew revirou os olhos e sorriu.
– Tá bom, eu vou tomar banho e depois nós podemos ir até o Lima Bean Coffee, o que acha?
– Acho uma ótima ideia. E você paga.
– Tudo bem – digo me levantando indo para o banho.
. . . . . . . . . .
Nesta manhã eu simplesmente não consigo prestar a atenção no que Andrew está falando, só consigo ver que ele está mexendo a boca enquanto penso.
A resposta para meu problema estava de baixo do meu nariz o tempo todo: Blaine Anderson. Eu preciso descobrir para onde ele foi transferido.
Talvez eu tenha que invadir a sala do diretor para puxar esses dados e encontrar a ficha do tal Blaine. Mas vou precisar da ajuda do Andrew.
Será que ele me ajuda?
Ah claro que sim, ele não consegue me dizer não.
Eu ainda não acredito que ele perdeu um encontro por minha causa e ainda veio me ajudar naquela noite.
Esse otário deve estar muito afim de mim mesmo.
‘Sem me dar conta, dou um sorriso largo e tomo uma golada de meu café.
Eu não o culpo.
E você não está afim dele?
É claro que não!!! Não seja estúpido, cérebro.
Você gosta dele, mas tem medo de admitir. Ele entende e apoia suas ambições... Que outro cara faria isso?
Qualquer amigo! Eu não estou o descartando como amigo.
– Sebastian! – Andrew estala os dedos na frente de meus olhos.
– Ah, oi. Foi mal! – pigarreio – Eu me distraí.
Andrew suspirou em tom de fadiga.
– Tá, eu estava dizendo que hoje tem treino extra de Lacrosse. A temporada já vai começar e você precisa treinar alguns passes.
Nossa olha esse pomo de adão dele. Fica subindo e descendo a cada silaba que ele diz. São movimentos quase eróticos.
– Ah,sim! Treino. Hoje. Vou estar lá – digo afastando esses pensamentos da minha mente.
. . . . . . . . . .
Mais tarde na reunião diária dos Warblers tudo pareceu muito tranquilo e harmonioso. Nada parecia fora do lugar, o que queria dizer que Nick ainda não havia descoberto as mensagens em seu celular.
– O que trouxe hoje para vocês rapazes, é puro ouro. – Nick diz ao colocar uma fita K7 no aparelho de som. A sala se encheu com o som de background de Hungry Like The Wolf de Duran Duran. – Clássicos de 1983, senhores!
Darken the city, night is a wire
Steam in the subway, earth is a afire
Do do do do do do do dodo dododo dodo
Woman, you want me, give me a sign
And catch my breathing even closer behind
Do do do do do do do dodo dododo dodo
In touch with the ground
I'm on the hunt I'm after you
Smell like I sound, I'm lost in a crowd
And I'm hungry like the wolf
Straddle the line in discord and rhyme
I'm on the hunt I'm after you
Mouth is alive with juices like wine
And I'm hungry like the wolf
Stalked in the forest, too close to hide
I'll be upon you by the moonlight side
Do do do do do do do dodo dododo dodo
High blood drumming on your skin, it's so tight
You feel my heat, I'm just a moment behind
Do do do do do do do dodo dododo dodo
In touch with the ground
I'm on the hunt I'm after you
Scent and a sound, I'm lost and I'm found
And I'm hungry like the wolf
Strut on a line, it's discord and rhyme
I howl and I whine, I'm after you
Mouth is alive, al lrunning inside
And i'm hungry like the wolf
Hungry like the wolf
Hungry like the wolf
Hungry like the wolf
Burning the ground, I break from the crowd
I'm on the hunt, I'm after you
I smell like I sound, I'm lost and I'm found
And I'm hungry like the wolf
Strut on a line, it's discord and rhyme
I'm on the hunt, I'm after you
Mouth is alive with juices like wine
And I'm hungry like the wolf
A sala se enche de aplausos.
– Isso foi demais!
Muitos comemoram dizendo frases semelhantes, por um momento deixei-me levar pela animação geral, por que aquilo realmente tinha sido demais.
O burburinho não se estendeu muito, pois a segunda música havia começado. Come on Eileen do Dexy's Midnight Runners
Poor old Johnny Ray sounded sad upon the radio
He moved a million hearts in mono
Our mothers cried,
And sang along who'd blame them?
You've grown, so grown
Now I must say more than ever
(Come on Eileen) Toora Loora Toora Loo-Rye Aye
And we can sing just like our fathers
Come on Eileen, I swear (well he means)
At this moment, you mean everything
You in that dress, my thoughts I confess
Verge on dirty
Ah come on Eileen
These people round here, wear beaten down eyes
Sunk in smoke dried faces, so resigned to what their
fate is
But not us, no not us, we are far too young and
clever
(Remember) Toora Loora Toora Loo-Rye-Aye
Eileen I'll hum this tune forever
Come on Eileen, I swear, well he means
Ah come on let's, take off everything
Pretty red dress Eileen (Tell him yes)
Ah come on let's, ah come on Eileen
Pretty red dress Eileen (Tell him yes)
Ah come on let's, ah come on Eileen, please
Come on, Eileen taloo-rye-aye
Come on, Eileen taloo-rye-aye
(Now you have grown, now you have shown, oh, Eileen)
Said Come on, Eileen taloo-rye-aye (repeat in
background)
You've grown...
So grown (Show, how you feel)
Now I must say more than ever
Things 'round here have changed
I said too-ra-loo-ra-too-ra-loo-rye-aye
Come on Eileen, I swear (well he means)
At this moment, you mean everything
You in that dress, my thoughts I confess
Verge on dirty
Ah come on Eileen
Come on Eileen, I swear (well he means)
At this moment, you mean everything
You in that dress, my thoughts I confess
Well, they're dirty
Come on Eileen
A sala irrompeu em mais aplausos. Aquilo de aplaudir já estava ficando chato. Sentei-me no braço de um dos sofás pela sala esperando pela próxima e última música iniciar: Uptown Girl de Billy Joel
Uptown girl
She's been living in her uptown world
I bet she's never had a backstreet guy
I bet her momma never told her why
I'm gonna try for an uptown girl
She's been living in her white bread world
Olhei para a porta e foi só ai que me dei conta da presença de um rapaz mais baixo que eu com os cabelos castanhos muito escuros com muito gel que não estava com o uniforme da Dalton, cuja aparência não me era estranha, ele nos observava com certo brilho nos olhos.
De onde é que eu conheço ele mesmo?
Puta merda! Isso não é possível!
Quais são as chances?
As long as anyone with hot blood can
And now she's looking for a downtown man
That's what I am
Levantei-me estupefato e encantado com a raridade daquele acontecimento. Esquecendo-me completamente de acompanhar os Warblers na cansão e na coreogafia.
And when she knows what
She wants from her time
And when she wakes up
And makes up her mind
Sem pensar caminhei até ele, me senti preso naquele transe da mesma forma que uma mariposa voa em direção à luz. Andei em direção dele da mesma forma hipnótica em que um leão anda em direção a sua presa. Então começo a cantar:
She'll see I'm not so tough
O seguro pela mão e o puxo para a sala, atraindo a atenção de todos que ainda não haviam notado a presença do rapaz. Continuo cantando.
Just because
I'm in love with an uptown girl
Continuo o levando para junto dos Warblers, então todos fazemos parte da coreografia novamente.
You know I've seen her in her uptown world
She's getting tired of her high class toys
And all her presents from her uptown boys
She's got a choice
Uptown girl
You know I can't afford to buy her pearls
But maybe someday when my ship comes in
She'll understand what kind of guy I've been
And then I'll win
Eu não consigo tirar os olhos dele, isso é verdade, mas ainda continuo impressionado com a probabilidade. “Pega leve Sebastian, não vai assustar o cara e perder a sua chance.” Saio da coreografia para flertar com a pobre secretária que estava na hora e local errados enquanto canto:
And when she's walking
She's looking so fine
And when she's talking
She'll say that she's mine
She'll say I'm not so tough
Just because
I'm in love
With an uptown girl
She's been living in her white bread world
As long as anyone with hot blood can
And now she's looking for a downtown man
That's what I am
Okay, vai lá e mostra um pouco mais do que sabe fazer.
Dou um giro e salto acrobático enquanto ele mantinha seus olhos em mim, lançando uma piscada de olho no final. Flertar com quem pode te ajudar nunca é ruim ou demais.
Uptown girl
She's my uptown girl
You know I'm in love
With an uptown girl
Ao final da música Nick foi o primeiro a chegar perto do rapaz, dando-lhe um abraço.
– Vocês arrasaram, como sempre! – o rapaz disse retribuindo o abraço.
– Ah, nós ficaríamos muito melhor se você voltasse ao grupo. – disse Trent Nixon para ele.
Todos os Warblers, inclusive eu, formamos um circulo em volta do recém-chegado.
– Essa é a sua triunfante volta a Dalton? – Trent continuou. – Por favor!
Aquilo foi quase patético, mas o restante dos Warblers concordaram com Trent.
– Na verdade, eu vim aqui para convidar vocês para a minha noite de abertura no McKinley. – ele tirou bolo de convites de seu bolso. – Amor, Sublime Amor. Eu reservei um bloco de ingressos só para os Warblers.
Trent estendeu a mão para receber os ingressos do rapaz.
– Eu ia adorar se vocês aparecessem. – ele finalizou.
– A gente vai! – disse olhando em volta buscando o apoio dos Warblers que concordaram com a cabeça de imediato.
Fixei meu olhar no rapaz e disse usando o meu melhor sorriso:
– Uma vez um Warbler sem um Warbler,certo?
– Legal! – o rapaz diz parecendo encantado. – É isso aí.
Os Warblers começaram a se dispersarem para a distribuição dos ingressos. Fico onde estou aproveitando a oportunidade.
– Blaine Anderson. – digo estendendo minha mão direita. – Sebastian Smythe.
– Oi, — Blaine diz retribuindo com um aperto de mão. – você é calouro?
Dou um sorrisinho charmoso.
– Eu pareço um calouro para você?
– Ah... – Blaine hesitou.
Isso o deixou visivelmente envergonhado.
– Entrei nesse ano, se é o quer saber. – mantenho meu sorriso caprichoso em meus lábios. – Mas não estou no primeiro ano.
– Ah, isso é muito legal. – Blaine diz tentando se livrar da ruborização em suas bochechas. – Está se adaptando bem?
– Não posso reclamar. Os rapazes têm sido muito legais comigo. A escola é ótima. – minto.
– Eu fico feliz por você. Quero dizer, eu sei bem como a transferência de escola pode ser um pouco conturbada.
– Epa. Parece que alguém está com problemas na nova escola. – digo em tom solidário o olhando nos olhos.
– Ah, não é nada de mais.
Ficamos em silencio. O analisei por alguns segundos e então disse:
– Ah... Eu não quero parecer estranho para você, mas o que diria de me acompanhar com um café na cafeteria da Academia?
Ele não precisou pensar muito para aceitar.
. . . . . . . .
A cafeteria estaria deserta se não fosse pelo barrista na bancada de café. Nós nos sentamos em uma das mesas, um de frente para o outro, após pegarmos nossos cafés.
– Fico feliz por ter aceitado vir tomar café comigo. – digo
– Ah, imagina. – Blaine diz tomando um gole de seu café.
Esse cara é muito tímido.
– Você é uma lenda na Dalton. – digo.
– Olha, eu... – Blaine não termina a frase.
– Ah, não seja modesto. – digo dando um sorriso radiante para ele.
Reclino-me sobre o encosto da cadeira o olhando de forma voraz.
– Eu tava tipo: “Eu não sei quem é esse tal de Blaine, mas parece que ele é o gostosão em pessoa e canta como um anjo.” – continuei olhando para ele de forma voraz.
A medida que conversávamos ficava mais evidente que ele era um cara tímido e de poucas palavras.
– Ah... – ele ficava ruborizado enquanto ria sem jeito.
– Então... – continuei – foi uma pena não ter conhecido ele.
A forma como ele ficava vermelho e sem graça me divertia. É divertido quando você flerta descaradamente com uma pessoa e ela simplesmente não consegue reagir.
Sorri para ele me divertindo com aquele jogo.
Não vai funcionar muito fazer joguinhos com ele. Ser direto vai ser o melhor jeito de fazer isso.
– Tá bom. Já que eu estou lutando para recriar a sua ascensão meteórica, eu preciso te perguntar. – ele mantinha o contato visual comigo enquanto eu falava. – Porque você saiu da Dalton?
Blaine parou para pensar um segundo sobre o assunto.
– Você estava entediado com todos os “engomadinhos” daqui. Ou é porque você despedaçou corações para ficar? – me mantive o olhando intensamente.
Blaine riu sem graça.
– Ah, não foi bem assim. – bebi um gole do meu café enquanto ele falava. – Vamos dizer que eu sinto falta da Dalton todo dia, mas o McKinley é onde o meu coração tá agora.
– Sou todo ouvido. – disse mostrando falso interesse.
– O problema é que lá tem muitas coisas que não tem aqui, na Dalton. – ele esfregou a testa. – Sabe, eu não estou reclamando, mas a Danton sempre terá o seu lugar no meu coração.
Assenti com a cabeça sem o interromper.
– Mas há muitas coisas que há lá que não aqui. Boas e ruins. Mas as boas conseguem compensar as ruins...
Quem tédio!
Me perco em meus próprio pensamentos.
Ele com toda essa timidez, deve ser um cara travado. Como ele pode ser o “Rock Star” dos Warblers. Será que ele era assim quando era um Warbler? Tá na cara que ele é travado, olha essa gravata borboleta.
Noto que ele parou de falar por um instante.
– Eu entendo. – digo.
– Entende? – ele me analisa.
Droga!
– Sabe, eu sei como é ser o cara novo na escola e ninguém dar a mínima para o que você tem pra dizer. – tomo mais um gole do meu café. – Eles ficam tipo: “Fica quieto novato!”.
Blaine concordava com cada silaba que eu proferia.
– É exatamente esse sentimento.
Isso foi por pouco.
Blaine continuou a falar sobre os dramas dele que eu realmente não dou a mínima.
Espero ele terminar.
– Eu agora tenho que ir para a aula de Lacrosse, mas podemos nos ver de novo? – sorrio para ele. – Eu com certeza podia pegar algumas dicas suas Blaine, sabe... De Warbler para Warbler.
Blaine parecia hipinotizado e encantado.
– Cla...claro! – ele gaguejou.
Me levantei da mesa recolhendo minha mochila e café.
– Obrigado pelo café. – disse ele levantando o copo dele no ar.
– Foi um prazer. – digo dando uma piscada para ele e imitando o gesto dele.
Sigo para o vestiário masculino para colocar a roupa de treino de Lacrosse.
Enquanto me vestia alguns pensamentos não saiam da minha mente. A) Os Warblers precisam acreditar que somos melhores amigos. E b) Alguma coisa naquele garoto me intrigou, não sei se foi a timidez que o deixa com jeito de bom moço, (e esses são os mais divertidos de se levar para o mau caminho), ou se foi o charme euro-asiático dele, mas isso não importa realmente agora.
Termino de me vestir e sigo para o campo de Lacrosse.
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