Notas iniciais
Oi pessoal, é terrivel ter que escrever um capítulo final e um peso e dor que não desejo a ningém. Espero aproveitem cada segundo dele e se divirtam. Leia as notas finais também e tenha uma ótima leitura.

Meu coração dá um salto o vê-lo parado em minha frente. Tiro os fones de ouvido de minha cabeça. Balbucio “Blai...”, mas sou interrompido com os lábios de Blaine calando os meus. Posso sentir meu coração bater em minha garganta. Nos beijamos com urgência.

Ainda estou bravo com ele, mas estou feliz que esteja ali. Blaine está de muitas maneiras diferente, desde a ausência da gravata borboleta em seu pescoço até a forma com que seu cabelo está, mas o mais importante é sua atitude. Alguma coisa definitivamente mudou em Blaine e não foram apenas as roupas e o cabelo.

Um tanto quanto energético me conduz para a parede mais próxima que minhas costas possam se encostar. Não há pudor em suas ações tão pouco cuidado, com sua coxa direita encaixa em minha virinha, ele puxa minha perna esquerda a colocando na altura de sua cintura. Suas mãos agarram minha bunda me puxando contra si. Blaine quer que eu monte em sua cintura, mas sou mais alto e pesado que ele, o que acabaria machucando nós dois. Faço contrapeso mantendo meus pés no chão.

– Oi. – digo entre o beijo para tentar nos acalmar.

– Oi – Blaine responde ofegante sem tirar seus lábios dos meus.

– O que está fazendo aqui? –afasto meus lábios dos seus para olhá-lo.

Blaine levanta a chave que eu havia deixado com ele para me mostrar.

– Bom... – Blaine diz – Há algum tempo atrás você me convidou para dividir o apartamento com você.

Ele a encara por alguns instantes e volta a me olhar.

– Espero que não esteja muito tarde para aceitar a proposta.

Blaine tem uma de suas mãos envolta de minha cintura enquanto a outra segura a chave, minhas mãos repousam em seus ombros. Nos olhamos nos olhos em silêncio enquanto tento decidir meus sentimentos com relação a Blaine que vacila entre paixão e raiva.

Há apenas silêncio entre nós. “Sebastian, diga alguma coisa.” Blaine implora e posso sentir seu hálito quente em meu rosto ao fazê-lo. Não há o que ser dito. Deslizo minha mão por seu peito até seu braço direito, passando as pontas de meus dedos da altura de seu cotovelo até sua mão, onde nossos dedos se entrelaçam. Seus poros se irisam ao toque lento e suave.

Com o dedo indicador da mão livre o deslizo acompanhando o desenho da mandíbula de Blaine. Nossos rostos se aproximam, os lábios se rosam sem que sucumbamos ao nosso desejo de nos beijar. “Você tem certeza disso?” meus lábios se esbarram nos dele enquanto movo meus lábios para falar. “Sim!” seus lábios acariciam os seus ao afirmar. Nossos lábios se beijam novamente, há um misto de excitação e euforia entre nós. Respirações aceleradas e descompassadas.

Me prendendo contra a parede ele desliza sua mão até minha nuca onde agarra meus cabelos. Tiro sua jaqueta tornando mais fácil sentir seu corpo por de baixo de sua roupa. Minhas mãos explorem seu tronco até suas costas onde as passo por dentro de sua camisa.

Blaine levanta minha blusa desajeitado. Interrompemos o beijo para que ele possa tira-la. Não conseguimos entrar em um ritmo em que ambos nos adequemos. Não quero que ele perca sua empolgação, mas nesse ritmo vamos terminar antes mesmo de começar. Então tomo o controle.

Seguro os punhos de Blaine, com um movimento rápido o conduzo de forma que agora seja ele quem está encurralado na parede. Blaine tem um olhar sedutor em seus olhos e eu o sustento. Ele não se mexe, tudo o que o prende contra a parede é a minha pelves e pernas que pressionam as dele, nossos troncos não se tocam. Tiro sua camisa, revelando o tronco e braços bem definidos. Blaine passa seus lábios pelo meu pescoço, seguro seus cabelos enquanto faz isso.

Não quero perder nenhum segundo daquilo, mas é inevitável que eu não feche os olhos. Os toques e os beijos de Blaine em meu corpo despertam ondas elétricas em meu corpo que o eletrificam tornando todo toque mais intenso. Meus dedos brincam nos cabelos macios e finos de Blaine até que ele se afaste de meu pescoço.

Quero beijá-lo e é exatamente o que faço. Dou-lhe um breve beijo em seus lábios, mas não quero e nem preciso parar em sua boca. Meus lábios percorrem de seus lábios para sua mandíbula enquanto habilmente abro o botão de sua calça. De sua mandíbula exploro seu pescoço até o tórax com beijos. Nossos corpos tomam distância agora para que possa me abaixar. Me ajoelho a sua frente, seu abdômen à altura de meus olhos, mas o que observo são as veias saltadas que surgem no baixo abdômen de Blaine e desaparecem dentro de sua calça.

Mordisco meu lábio inferior, passo meu polegar por cima de uma das veias a seguindo com o dedo, mas sou interrompido pela calça. Abro seu zíper sem abaixar a calça, Blaine está visivelmente excitado e não o farei esperar mais. Ele veste uma cueca preta, com o dedo indicador e o médio juntos, a puxo para baixo pelo elástico para deixar seu pau sair.

Num movimento rápido seu pau sai enrijecido lá de dentro. Não o seguro com a mão. O prendo pela cabeça entre meus lábios, esfregando e lambendo-a com a língua. Blaine arfa, posso ouvir, enquanto passo a língua por toda a superfície dela. Talvez eu devesse ter lhe oferecido uma cadeira, por que eu realmente gostei do meu novo brinquedo que vou demorar para me cansar de brincar com ele.

Após alguns minutos atingimos um ritmo intenso, Blaine arfa e solta gemidos o que só faz aumentar meu tesão. Infelizmente Blaine não aguenta muito até que lave a parte esquerda do meu tórax com gozo. “Desculpa.” ele arfa acariciando meus cabelos. Ele não tem pelo o que se desculpar.

Ele não demonstra sinal de exaustão ou cansaço. A expressão em meu rosto é de pura malicia assim como o sorriso torno em meus lábios. Blaine não se sacia rápido, o que é uma grande coisa, por que eu também não sou fácil de se saciar. Me levanto a sua frente, ele está ofegante, mas quer muito mais. Nos livramos das roupas que nos restam no corpo.

Completamente nus frente a frente. Com um braço em volta de sua cintura, puxo sua perna na altura de minha cintura. Blaine se monta em minha cintura entrelaçando suas pernas em volta dela. Ele me olha nos olhos enquanto sorri, sustento seu olhar e retribuo seu sorriso.

Ele tem meu rosto entre suas mãos para me beijar meticulosamente enquanto nos levamos cegamente para meu quarto. Me deito em horizontal na cama com Blaine sobre mim. Ele se senta sobre minha pelves enquanto acaricio seu tronco por todo seu tronco.

Blaine me devora com seu olhar, tenho em meus lábios um sorriso sacana que faz Blaine se debruçar sobre mim e beijá-lo. Não deixo que se afaste de meu rosto, o seguro pela nuca para continuar nos beijando, ele não tenta se afastar, mas há espaço suficiente entre nós que permite que ele possa pegar meu pau sobre meu abdômen e comece a deslizá-la de cima a baixo com firmeza. A pegada de Blaine é forte e incrível, mas ele não se demora com esses movimentos.

Levanto as coxas quase as encostando em meu tórax e com os pés na altura da cintura de Blaine que se encaixa entre elas. Os movimentos da pélvis de Blaine passam de suaves a frenético em poucos minutos. Agarro com força a parte externa de seu bíceps enquanto ele soca em mim. Blaine urra e geme alto enquanto os meus gemidos são mais baixos do que o dele. Há marcas e vergões dos meus dedos pelos seus braços, grito “Me fode!” enquanto Blaine mantém o ritmo. Seguro o ar em meus pulmões, tudo diminui de velocidade para mim, todo ruído se diminuiu em meus ouvidos, o turbilhão que se forma dentro de mim sai em erupção. Meu gozo lava o abdômen de Blaine assim como o meu. Retomo o ar rapidamente, tudo volta a sua frequência e velocidade normal, olho para Blaine que tem a expressão de dor em seu rosto. Estou o apertando forte de mais, afrouxo minhas mãos e sua expressão de dor se vai.

Blaine para com o movimento, mas mantém seu pau em mi. Ele geme ruidosamente de olhos fechados, então sinto seu gozo escorrendo pela minha bunda para a cama. Se senta sobre minha pelves, passando meu pau pra dentro de sua bunda, é Blaine quem conduz o movimento cavalgando em mim. Não estamos nem perto de nos saciar.

. . .

Desperto várias horas depois, ainda um pouco confuso olho para o lado e procuro Blaine. Não ninguém deitado ao meu lado. Talvez tudo não tivesse passado de um sonho. Um sonho molhado, mas ainda assim um sonho.

Me levanto da cama, mas estou completamente nu. Procuro pela minha cueca, mas não a encontro, ando até o armário para pegar uma nova. Há um cheiro gostoso vindo para cozinha do apartamento, ando até lá.

– Oi – digo ao ver Blaine na frente do fogão. Agradeço por aquilo não ter sido apenas um sonho.

– Oi – Blaine diz sorridente.

– Desculpa, eu cai no sono — digo me aproximando dele.

– Não se desculpe. – ele diz bondoso.

Sim, na noite passada fui eu quem pediu arrego primeiro e acabei dormindo. Blaine é muito mais entusiasmado nesse sentido do que eu imaginei.

– Hmm... que cheiro bom é esse? – olho na frigideira sobre o fogão.

– Estou improvisando uma coisa aqui para nós. – ele diz dando um beijo carinhoso em meus lábios.

– Hmmm... Gosto! – meu estômago ronca ruidosamente.

– Como sabe se gosta se nem sabe o que é? – ele diz em tom de desafio.

– Por que é você que esta fazendo. – digo simplesmente.

– Então agora vai ser assim? – ele diz apontando uma espátula em minha direção. – A gente se entende e você fica cafona?

Aquilo definitivamente me faz rir.

– Ah qual é? – falo tentando parecer sério. – Eu só estou tentando ser gentil com a gororoba que você está aprontando aí.

– Ei! – Blaine me repreende. – Desculpa, mas de nós dois é você quem não sabe cozinhar.

– Você está certo. – concordo.

Fazemos alguns segundos de silêncio até que Blaine diga:

– Quer provar? – Blaine pergunta com uma colher cheia em suas mãos.

– Quero! – digo levantando a mão para pega-la, mas Blaine não a entrega a mim. O que faz é levá-la até a minha boca. E eu é quem sou o cafona.

– Cuidado que ta quente. – diz ao colocá-la em minha boca. O gosto está incrível, mas não é com ela que me delicio. – Isso ta gostoso.

– Eu sei. – Blaine diz cheio de si.

– Blaine Anderson: Homem multitalentoso. O que mais será que ele consegue fazer? – o observo encantado enquanto continua cozinhando.

– Eu sei fazer muitas coisas. Coisas que vão além do conhecimento humano... – Blaine brinca.

Passo minhas mãos em seus cabelos, o que faz Blaine arrepiar de leve.

– Você deveria deixá-lo assim. – falo. – Não usar mais gel. Você fica incrível assim.

– Acho que vou usá-lo assim agora. – ele reflete.

– Legal. Mas e quanto as gravatas borboletas? Eu não gostava no inicio, mas eu meio que gosto delas agora. – digo o observando.

– De vez em quando quem sabe... – sua atenção está voltada ao que prepara.

Fazemos mais alguns segundos de silêncio.

– Peraí, — digo teatralmente. – você disse que você sabe fazer coisas que vão além do conhecimento humano!? O que isso quer dizer? Isso faz de você uma criatura de outra espécie? Eu transei com uma criatura de outra espécie?

Blaine ri gostosamente o que me faz rir também.

– Isso explicaria muita coisa. – digo o olhando desconfiado. – Coisas que vi naquele quarto que nunca havia visto antes em minha vida. Sabe, eu acho que podemos ser advertidos por todo o barulho e bateção que fizemos...

– Ah meu Deus, Sebastian... – Blaine me olha alarmado.

– Eu só estou dizendo... – digo dando de ombros. – Você é muito escandaloso.

– Nossa eu não acredito que você está falando isso. – Blaine ruboriza absurdamente.

– Eu só estou brincando. – confesso.

– Onde é que eu estava com a minha cabeça quando... – ele começa, mas o interrompo.

– Entre as minhas pernas. – afirmo.

– Deus, Sebastian. – Blaine me encara de olhos arregalados.

– Desculpa eu não resisti. – seguro minha barriga de tanto rir.

– Você está sendo idiota. – ele afirma.

– Desculpa, é que eu acabei de descobrir que transei com uma criatura de uma outra espécie. Acho que estou tendo a reação apropriada. – digo, mas tudo o que Blaine faz é revirar os olhos e continuar cozinhando.

Dois mês depois...

– Blaine, você viu onde está a minha outra meia? – grito do meu quarto para ele.

– Por que eu saberia? – ele me responde da sala.

– Eu não sei, talvez tenha se misturado nas suas na lavanderia. – grito de volta olhando em volta.

– Não está comigo. – ele grita mais uma vez. – Você já está pronto? Não quero me atrasar.

– Eu to quase. – minto calçando a calça. – Preciso achar a minha meia.

– Calce outra. – ele sugere.

– Você deve me achar muito burro pra me sugerir uma coisa tão óbvia. – tento ganhar tempo.

– Então não vista a droga da meia e vamos logo. – Blaine diz perdendo a paciência.

– Grosso!

Alguns minutos depois saio do quarto completamente vestido, mas com a gravata borboleta em meu colarinho desatada.

– Me desculpe, — Blaine diz arrependido. – Eu estou nervoso com a apresentação de hoje a noite.

– Tudo bem. – digo andando em sua direção e apontando para a gravata em meu pescoço. – Será que pode...?

– Nossa. – Blaine me olha, ele nunca me viu vestido em black-tie antes. – Claro.

Com habilidade, Blaine manuseia minha gravata para atá-la.

– Você está muito bonito. – Blaine diz sorrindo.

– Eu sei. – me divirto.

– Não sei por que eu ainda inflo o seu ego já inchado. – ele diz revirando os olhos.

Seguro Blaine pelo queixo e o beijo carinhosamente seus lábios.

– Você está incrível. – digo com a voz um pouco mais sedutora. – Preciso te avisar que eu estou lutando com todas as minhas forças para não arrancar o seu lindo smoking e te arrastar para a minha cama.

– Então acho melhor a gente sair agora. – Blaine sugere sabiamente.

– Provavelmente, mesmo sabendo que isso vai ser terrível. – andamos em direção da porta de saída.

– Não fala isso. Eu também vou me apresentar, esqueceu?

– Não, claro que não. Você vai ser a melhor coisa que vai acontecer nessa noite, mas o resto vai ser um porre.

– Não fala assim. — Blaine pede.

– Falo sim. – insisto. – Cara, eu devo te amar mesmo para querer enfrentar quatro horas de gente ruim que acha que sabe cantar.

Blaine não me responde, apenas franze o cenho enquanto tranca a porta do apartamento. Se passam alguns segundos até que eu entenda o que aconteceu. Blaine e eu ainda não havíamos falamos abertamente com palavras que nos amamos e eu o peguei desprevenido. Andamos em silêncio pelo corredor até o elevador.

– Gostei do perfume. É novo? – tento quebrar o silêncio entre nós.

– Sim. – ele diz encarando o painel do elevador que esperamos.

– Legal. – digo automaticamente.

O elevador finalmente chega. Entramos, mas alguém grita para que o seguremos. É Blaine quem segura a porta para que uma mulher entre.

– Oi, obrigada por segurar para mim. – Elizabeth, nossa vizinha diz.

– Não foi nada. – Blaine diz cordialmente.

– Ah, olha para vocês. – ela diz nos encarando. – Estão muito elegantes, meninos. A onde estão indo?

– Em um conserto clássico. – respondo.

– Nossa, isso é diferente. – ela diz.

– Esquisito é a palavra mais adequada. – afirmo.

– Não sabia que vocês gostavam disso. – ela continuar puxando papo.

– Nós não gostamos. – Blaine diz. – Na verdade estamos indo por que eu me apresento hoje a noite, não sou um cantor clássico, mas fizeram questão da minha presença.

– É, antes de ver Blaine vamos ouvir uma mulher gorda gritar por horas... – afirmo sem emoção.

– Sebastian, isso foi rude. – Blaine me censura. Eu não importo que faça isso, na verdade adoro quando faz.

– Desculpe. Você tem razão – pigarreio. – Ouvir uma mulher sobrepeso gritar por horas.

Elizabeth ri bastante até que o elevador chegue no térreo onde todos descemos dele e nos despedimos na portaria do prédio. É Blaine quem dirige meu carro, ficamos em silêncio por muito tempo.

– Você falou sério ou só foi jeito de falar? – Blaine finalmente desabafa.

Eu não preciso perguntar do que Blaine se refere. Aquilo não saiu de minha cabeça na mesma forma que aparentemente não saiu da dele.

– Não, eu...Eu te amo, Blaine. – afirmo com convicção.

Blaine para de me olhar e foca sua visão na rua. O canto de seu lábio se curva em um sorriso.

– Uau! Eu não sei como reagir a isso. – ele diz sério.

– Tem duas possíveis reações. – o encaro com certa preocupação.

– Bom, eu não sei o que dizer... – ele mantém seu olhar fixo na rua. – Acho que você me entendeu completamente errado.

– Como assim? – sinto meu corpo perder calor.

– Eu não sei o que pensa o que está acontecendo entre nós dois, mas definitivamente não era para se levar para esse lado. – Blaine fala sério, mas vacila com um sorriso no canto de seus lábios.

– Para com isso, Blaine. Agora! – ordeno.

– É que é estranho, nós nunca dizemos declaradamente em que pé nossa relação estava, mas para mim somos amigos com tratamento especial. – Blaine continua. – Por isso dormimos em quartos diferentes. Se fossemos um casal, nós ocuparíamos o mesmo quarto e a mesma cama, certo?

Aquilo começa a me assustar pra valer.

– Isso não tem graça. – o alerto.

– É realmente não tem. – Blaine olha me olha alguns segundos antes de voltar sua atenção ao transito. – Sabe, eu acho que eu tenha culpa nisso também por nunca ter falado para você em que pé a situação estava.

– Você está falando sério? – aquilo começa a me deixar puto de verdade.

– Sim. Tão sério quanto essa sua carinha lindinha séria que você está fazendo agora pela mentira que estou te falando. – Blaine não segura mais sua risada.

– Seu idiota. – reviro meus olhos volto a me encostar no banco.

Percorremos alguns quarteirões da cidade de New York em completo silêncio.

– Eu talvez não consiga dizer o quanto sem que eu consiga me aguentar sem chorar, mas tudo o que consigo dizer agora sem que eu fique igual a uma criança chorona, mas ainda assim o suficiente é que eu te amo, Sebastian. – Blaine diz com a voz balançada.

– O que disse? – volto a olhá-lo novamente. – Desculpa eu estava te chegando mentalmente.

Blaine ri abertamente.

– Eu disse que te amo.

– Eu ouvi da primeira vez. – agora sou eu quem não consegue disfarçar o sorriso em meus lábios e nem quero.

Blaine solta o câmbio do carro para segurar minha mão que repousa sobre minha coxa. Me reclino para beijar rapidamente seus lábios.

– Olha, eu preciso te falar uma coisa, mas quero que saiba que só não te disse antes por que não queria te aborrecer. – Blaine diz.

– Pode dizer.

– Eu convidei meus amigos para virem assistir ao concerto. – Blaine diz.

– E por que isso iria me aborrecer? – dou de ombros.

– Ah... por que eu meio que... – ele gagueja.

– Você meio que o que? – o encaro.

– Ah... eu meio que convidei o Kurt também. – ele diz se desculpando com o olhar.

– Tudo bem. – digo. Aquilo não está nada bem. – Você tem falado com ele? Não que isso me incomode, mas eu gostaria de saber se estivesse.

Sim, aquilo me incomoda e muito.

– Não, eu não estou. – Blaine diz sincero.

– Tudo bem. – digo.

– Tudo bem. – ele concorda.

. . .

– Kurt. – digo ao Kurt se sentar na cadeira da platéia ao meu lado.

– Sebastian. – Blaine diz azedo.

Não trocamos mais palavras por quase toda a apresentação. Blaine não se juntou a nós durante toda a noite por que tinha que se concentrar e preparar em seu camarim e provavelmente lubrificar sua relação com as pessoas certas. A apresentação é mortalmente tediosa, mas eu não preciso morrer de tédio ali.

– Nossa você deve estar se mordendo de raiva, não é? – o provoco baixinho, mas o suficiente para que Kurt me ouça.

– Raiva de que? Fui eu quem terminou com ele. – Kurt rebate rapidamente.

– Não seja hipócrita, você quis voltar com ele no mesmo instante que terminou. – insisto.

– Pense o que quiser, eu vou ficar sentado aqui enquanto te ignoro.

Fazemos silêncio novamente, mas Kurt não se aguenta por muito tempo.

– Você pode estar com ele agora, mas nunca vai apagar que eu fui o primeiro amor dele. Nós fomos o primeiro um do outro em todos os sentidos. E isso é uma coisa que não se pode apagar. – Kurt ataca.

Meus lábios se esticam em um sorriso maldoso.

– Sabe o que dizem da primeira vez, não é? É estranho e mais doloroso do que gostoso. Sexo, Kurt, é uma coisa que se melhora com a prática. A primeira vez de ninguém é boa. É uma coisa que se aperfeiçoa com a prática e eu vou te dizer, nós temos praticado. Muito.

– Argh! – Kurt arfa em desagrado. – Fica quieto.

– Não, é sério. – insisto. – Eu tenho que te agradecer por não ter feito muito sexo com ele enquanto estavam juntos, por que eu posso ensiná-lo agora.

– Você nunca vai ser a pessoa que ele merece. Não sei o que fez para que ele ficasse com você, talvez você esteja até o chantageando, mas nunca será merecedor dele. – Kurt cospe de irritação.

– Aham... – digo sem me importar. – Só o chantageei uma vez. Foi quando fingimos que eu era o dono do apartamento e ele era o inquilino, mas ele não tinha dinheiro para pagar o aluguel, então... Sabe como é ele precisou me pagar de uma outra forma.

– Só cala a boca. – ele ordena.

Fazemos silêncio.

– Foi o que eu disse a ele depois dele dizer que não tinha dinheiro pro aluguel. – forço ainda mais.

Alguns dos amigos de Blaine chegam para se sentar ao nosso lado. Alguns me reconhecem e não disfarçam ao acharem estranha minha presença ali.

Blaine fecha o conserto com sua apresentação ele levanta toda a platéia para aplaudi-lo de pé. Ao fim do espetáculo todos seguimos para seu camarim. Todos entram a minha frente para abraçarem e parabenizarem Blaine por sua apresentação.

Fico na porta o olhando, depois de algum tempo Blaine me vê ali. Faço menção com a cabeça para que ele saia do camarim comigo. Atrás de mim escondo um boque de tulipas brancas. Blaine se desvencilha dos amigos para me encontrar no lado de fora.

– O que é essa expressão no seu rosto? – Blaine diz achando graça.

– É de orgulho. – digo sorrindo. — Você foi incrível!

Blaine ruboriza.

– Isso aqui é para o cantor mais incrível de toda a noite. – entrego-lhe o buque. Blaine fica encantado com o mimo.

– Elas são lindas! – ele diz sorridente. – Obrigado, Sebastian.

Blaine me abraça passando seus braços em volta de seu pescoço. Nos beijamos carinhosamente, mas com devoção ao que fazemos.

– Wow! – alguém exclama da porta do camarim de Blaine. – Pessoal...

Blaine e eu olhamos em direção da porta sem nos separar. Há várias cabeças nos observando.

– O que é isso? – Sam pergunta pasmo. – Vocês estão juntos agora?

– Sim. – Blaine diz antes que eu diga.

– Cara, isso é errado. – Sam se exalta. – Foi esse cara que quase te cegou, que fez um inferno na sua vida e na vida de tomo mundo aqui, foi ele quem roubou o nosso troféu...

– Sam, chega! – Blaine diz se afastando de mim para encarar seus amigos.

– Na verdade, não fui eu quem roubou o troféu de vocês. – digo.

– Pessoal, eu amo vocês, mas é sério. – Blaine argumenta. – Quero que o tratem de forma decente...

– Blaine... – o interrompo.

Blaine me olha. Balanço a cabeça negativamente para que ele pare de falar.

– Sabe, eu não acredito que Blaine deva me defender, – digo a eles. – mas a verdade é que eu sou uma pessoa diferente agora. O que eu era antes... Eu era um delinquente, essa é a verdade. Eu não espero que vocês gostem de mim, até por que nunca dei motivos para que o fizesse, mas Blaine é uma pessoal importante para todos nós. Nada mais do que o justo do que respeitem a decisão do amigo de vocês.

Eles se entreolham. Blaine para ao meu lado e segura minha mão entrelaçando nossos dedos.

– Blaine, você é meu amigo... Mas cara, isso não está certo. – Sam afirma novamente.

– O que não está certo é você dormir no meio da apresentação. – Blaine diz a Sam. – Pensou que eu não notaria?

– Isso foi... – Sam começa a rebater, mas é interrompido por Rachel.

– Bom, acho que está claro que Sebastian é alguém importante na vida de Blaine agora, por mais perturbador que isso soe. – ele olha para mim e desvia seu olhar para seus amigos. – Então por que não esquecemos isso tudo e vamos todos comer e beber para comemorar?

. . .

Blaine está bêbado como um gamba, o arrasto para dentro do apartamento.

– Ah que maravilha. Casa! – Blaine diz mole.

– Isso, casa. – concordo com ele.

– Essa foi a melhor noite da minha vida. – Blaine diz desafinado. – Eu cantei em um palco de verdade para pessoas que sem importam com música, consegui reuni meus antigos amigos ao mesmo tempo e voltei para casa acompanho com um cara super gatinho.

– “Super gatinho”? De onde você tirou isso, de uma revista adolescente para meninas? – o provoco.

– Um cara super gostoso. – Blaine diz se deitando ao chão.

– Sim, melhorou. – digo ao tentar impedi-lo de se deixar ao chão.

– Que por coincidência é o meu namorado. – ele aponta para a minha cara enquanto fala.

– Namorado? Achei que não iríamos usar títulos. – Blaine faz peso para que eu não o levante.

– Pro inferno isso. – ele diz gritando. – Você é o meu namorado. Sabe o que mais?

– O que? – pergunto rindo.

– Eu sou o seu namorado. – Blaine diz balançando a cabeça positivamente.

– Tudo bem então, namorado. – digo tentando o levantar. – Você precisa tomar um banho gelado.

– Não. – Blaine se arrasta pelo chão tentando se afastar de mim. – Nunca me pegará vivo!

– Isso é sério? – olho a cena patética frente aos meus olhos.

– Sério! – Blaine se arrasta pelo chão.

– Amor, olha para mim. – o faço se virar ficando de costas para o chão. – Você ta ferrando todo o seu smoking assim. Seja um bom menino e eu prometo que te recompenso.

– Aaaah. – Blaine diz triste.

O ajudo se levantar, passando seu braço em volta de meu pescoço para que possa se apoiar ao andar. No banheiro o ajudo a se despir o colocando de baixo do chuveiro. A água gelada cai sobre sua cabeça desfazendo os cachos de seus cabelos.

– Se sente melhor? – pergunto após alguns minutos.

– Um pouco. – ele treme de frio e aquilo corta meu coração.

– Tudo bem, acho que é o suficiente. – digo fechando a água do chuveiro. Blaine se enxuga enquanto busco um pijama que aqueça seu corpo.

Após estar vestido, ajudo Blaine a se deitar no sofá da sala. Blaine assiste a televisão enquanto faço café para ele.

– Eu quero ovos e bacon. – Blaine diz do sofá.

– Não é café da manhã. Só café para você.

– Falta quantas horas pro café da manhã?

– Muitas. Agora toma isso aqui. – digo levando uma xícara de café até ele.

Blaine bebe uma grande golada, mas quase o cospe de volta.

– Açúcar! – ele pede.

– Não, sem açúcar.

– Sem ovos, sem bacon e sem açúcar. Por que me odeia, Sebastian? Me mata logo.

Balanço a cabeça negativamente. Acaricio seus cabelos enquanto tenta beber o café novamente.

– Pronto. – Blaine repousa a xícara na mesa de centro da sala.

Seguimos para meu quarto. Onde enquanto Blaine se deita em minha cama, eu tiro meu smoking para vestir um pijama confortável. Me deito na cama e nos alinhamos em conchinha.

– Sebastian? – Blaine balbucia.

– Oi.

– Cadê a minha recompensa?

– Ah...quando você acordar terá ovos com bacon te esperando na cozinha. Pode ser?

– Hmmm...pode! – beijo sua nuca. Blaine cai no sono, eu não me demoro para dormir também.

Na manhã seguinte, o cheiro dos ovos com bacon vindos da cozinha fazem com que Blaine desperte.

– Bom dia, raio de sol. – digo erguendo minha xícara de café para Blaine.

– Muito alto. – ele diz colocando a mão em sua cabeça.

Dou risada.

– Quem manda beber tanto? – o provoco.

– Você bebeu a mesma quantidade que eu, por que não ficou como eu? – ele se senta de maneira caótica no banco em frente ao balcão da cozinha.

– Por que eu tenho prática. – pego um prato para servi-lo.

– Eu te odeio. – ele diz massageando suas têmporas.

– Tarde de mais, você já disse que me ama. – repouso o prato a sua frente.

Blaine come com vontade dando leves bebericadas em sua xícara cheia de café, doce dessa vez.

– Por incrível que pareça, isso aqui ta bom. – ele diz com a boca cheia de bacon.

Dou risada.

– Obrigado. – digo enfiando algumas fatias de pão de forma na torradeira. – Então, quais são os seus planos pra hoje?

– Morrer, talvez... – Blaine diz esfregando sua cabeça.

– Não seja dramático. – insisto.

– Eu sei que a minha cabeça vai explodir a qualquer momento, então pode ser a qualquer momento. – Blaine me encara, então responde a minha pergunta. – Não tenho nada pra hoje, e você.

– Nada. Acho que hoje é um domingo preguiçoso. – termino o café em minha xícara. – Quer ficar em casa e assistir uns filmes? Mudos.

Blaine me olha com um brilho em seu olhar.

– Essa foi a melhor idéia que eu já ouvi em toda a minha vida! – Blaine sorri para mim.

Toda vez que Blaine me olha desse jeito faz meu coração acelerar, é inevitável. A torradeira lança as torradas para fora de si, as pego e coloco em um novo prato e as entrego para Blaine.

– Então eu vou pegar os filmes e você termina seu café. – Encostamos nossos lábios em um breve beijo.

Ando até meu quarto, pego alguns filmes mudos, travesseiros e um cobertor. Na sala ouço a campaninha ser tocada persistentemente. Blaine atende a porta e a sala se mantém em silêncio por alguns instantes. Blaine murmura alguma coisa e a voz que o responde é familiar.

– O que está fazendo aqui? Achei que já tivesse voltado para Lima. – ouço Blaine dizer.

– Eu precisava vir aqui antes de voltar para Lima. – é Kurt quem diz ofegante.

– O que você quer me dizer? – Blaine pergunta. Luto contra meu instinto de ir até lá.

– Tudo bem... – Kurt diz. – Eu te amo! Eu...eu ainda amo você. Eu cometi um grande erro antes, mas agora está tudo bem então... então você ... quero que volte comigo.

Minha mandíbula trinca assim como meus punhos. Luto contra a minha vontade. Blaine não diz nada e não há barulho vindo da sala. Talvez eles estejam... Não, eu não posso ser controlador. Blaine tem que fazer isso por si mesmo.

– O que você diz? Diz alguma coisa. – Kurt insiste.

– Kurt, não. – Blaine finalmente fala.

– Não? – Kurt tenta entender.

– Kurt, eu te amei como nunca havia amado ninguém na minha vida. – Blaine diz calmo. – Foi o meu primeiro e grande amor, não quero que pense que tenho ressentimento por ter rompido com o nosso noivado. Pois não tenho. Você sempre será uma pessoa importante na minha vida, mas eu consegui seguir em frente.

– Você... – Kurt exalta sua voz a tornando mais nítida para mim. – Ele não te merece.

– E você merece? – Blaine mantém sua calma. – Depois do que fez, de como me dispensou. Não pode achar que pode comparar.

– Eu já disse, eu cometi um erro. – Kurt tenta se explicar.

– Ele também... – Blaine exalta um pouco sua voz.

– Eu nunca te machuquei, deus ele quase te cegou. – Kurt insiste.

– Kurt, por favor... Vá embora. – Blaine volta ao seu tom tranquilo de antes. Demora alguns minutos para que eu finalmente ouça a porta ser fechada.

Saio do quarto em silêncio. Me encosto no batente da porta do cômodo.

– Uau! – digo.

Blaine não havia percebido minha presença ali e se assusta ao me ver.

– Me desculpa por isso. – ele diz sem jeito.

– Nunca se desculpe comigo novamente. – afirmo. – Você não me deve desculpas.

– Você ficou bravo? – Blaine se aproxima.

– Não. Só estou refletindo sobre o que disse. – digo sincero.

Ficamos em silencio.

– Quero dizer, eu entenderia se você saísse por essa porta com ele. – é doloroso dizer aquilo. – Eu não ficaria feliz, mas entenderia.

– Isso não vai acontecer. – Blaine diz se aproximando. – Eu não vou a lugar nenhum. Eu estou com você.

– Tudo o que está dizendo só vai te levar a um único lugar, Blaine Anderson. – digo enfático.

– E a onde é isso? – Blaine pergunta receoso.

– Ser beijado. – digo sorrindo para ele.

Blaine abre um largo sorriso, dou alguns passos até ele e nos beijamos com paixão. Meu coração bate aliviado, respiro mais calmo enquanto a adrenalina em meu corpo diminui gradativamente. Eu amo Blaine Anderson, meu coração bate acelerado da mesma forma que fizera da primeira vez que o vi.

Talvez minhas intenções com ele não tivessem sido as melhores desde a primeira vez que o olhei, mas ele mexeu comigo. Do jeito que nenhum outro cara fez antes. A idéia de perde-lo é insuportável, não sabemos se daqui mais um mês estaremos juntos, mas sei que enquanto ele escolher estar ao meu lado, eu escolho ser o melhor cara que já esteve com ele.

Notas finais
Ai meu coração. Mas calma ainda tem o Epílogo que será postado segundos depois desse aqui ser publicado. Então vá para o próximo e capítulo que é o Epílogo. Obrigado a todos por agraciarem essa fanfiction com sua leitura, obrigado a todos vocês. Não vamos chorar agora, vá ler o próximo.