Notas iniciais
Oi pessoa, mais um capítulo para vocês! Nossa história finalmente entre no ponto crítico do relacionamento Seblaine. Eu sinceramente adoro essa parte. Aproveitem! Espero de gostem.

Repasso tudo o que aconteceu horas antes na porta da casa de Blaine em minha mente enquanto dirijo mecanicamente até o centro da cidade.

Blaine não ficara verdadeiramente irritado comigo por ter tentado beijá-lo. Quero dizer, ele talvez estivesse sim irritado comigo, mas ele estava mais puto consigo do que comigo.

“Tá! Ele tem medo de estragar tudo com o Kurt? Ótimo! Eu posso fazer isso por você, Blaine.”

“Ele vai te odiar por fazer isso. Você não ganha ele de nenhum jeito. O que você ganha?”

“Talvez no inicio, mas isso vai passar. Ele é nobre. Não vai guardar rancor e vai acabar me perdoando.”

“Você está indo longe de mais.”

“E quando é que eu não vou?”

Apago esses pensamentos da minha mente, eu tenho uma coisa mais importante para me preocupar agora e não posso me preocupar com o Blaine neste momento. Preciso me concentrar nos Warblers.

Como primeira tarefa por ser o novo líder, o conselho dos Warblers me incumbiu de selecionar o quanto antes uma lista com possíveis músicas para as regionais. E é nisso que preciso focar agora. Eu não tinha dado um duro para ganhar a liderança deles para que quando a tivesse simplesmente negligenciasse isso só porque um cara engomadinho que rejeitou o meu beijo.

Dirijo até uma livraria de grande porte no centro de Lima, afim de encontrar idéias para boas musicas.

. . .

Sigo para a seção de discos e começo a explorar o ambiente que é limpo, amplo e repleto de prateleiras recheadas com CDs e LPs. O lugar tinha cheiro de livros e CDs novos. Era quase como um orgasmo olfativo.

Vasculho os CDs desde os clássicos até o pop. Nada parecia se encaixar com o que eu estava precisando. Fico ali olhando tudo a minha volta insatisfeito.

– Posso te ajudar? – alguém atrás de mim pergunta.

Se tem uma coisa que eu mais deteste do que gente que me interrompe quando estou concentrado é vendedor que me interrompe quando eu estou concentrado. Eu estava concentrado. E ele estava me interrompendo.

Me viro irritado para encará-lo.

– Não! – digo antes de olhá-lo. O cara era um pouco mais alto que eu, tinha cabelos quase raspados mas ainda sim dava para ver que os fios eram loiros . Os olhos eram de um azul acinzentado perturbador de tão claros. Ele parecia ter acabado de sair de um conto de fadas da Disney, seu crachá dizia “Chuck”. – Sim! Oi, sim! Na verdade preciso sim.

Digo mudando completamente a minha atitude.

– No que posso te ajudar? – ele pergunta.

– Então, eu estou procurando alguma música inspiradora para uma competição regional, mas não consigo achar nada. – digo.

– Ah! Isso é muito legal. Que gênero você está procurando? – ele diz. – Talvez se procurar por gêneros seja mais fácil.

“Sério? Nem tinha pensado nisso. Ah, não, espera! Eu tinha sim.”

– Hmm... – cruzo os braços fingindo estar pensativo. – Que tal você me dizer o estilo que mais gosta? Talvez você tenha algo inspirador para me dar.

Olho para o crachá dele demoradamente para que ele veja.

– Chuck é de Charles. Certo? – pergunto.

– Isso! – ele coloca a mão no próprio crachá involuntariamente. – Bom, não sei se isso vai funcionar, mas agora eu estou ouvindo Guns N’ Roses.

– Isso parece ótimo. – Não, não parece, é muito pesado. – Que tal me mostrar um CD bom deles?

– Só um CD? Tá brincando? Todos são ótimos. – ele diz me mostrando o caminho. Eu o sigo.

– Okay! Eu estou em suas mãos Chuck. Me mostre o que você tem aí. – digo querendo causar duplo sentido na frase propositalmente. – Me mostre o CD mega foda deles.

Ele sorriso de forma charmosa para mim e se abaixa para procurar o CD.

“Nossa! Ele tem uma bunda gostosa.”

Chuck olha para trás e vê para onde estou olhando e se levanta. Eu sorrio para ele quanto me entrega um G N' R Lies.

– Aí está. – ele diz.

Dou uma lida na setlist do CD.

– Parece bom. – minto sorrindo para ele.

– Confia em mim, você vai adorar. – ele diz todo empolgado.

– Eu sei o seu nome mas você ainda não sabe o meu, digo. – estico minha mão para ele. – Sebastian.

Ele aperta a minha mão estranhando a minha atitude inesperada. Eu o encaro o despindo com o olhar.

– Oi Sebastian. – ele diz. – Então vai levar essa belezinha?

Ele diz apontando para o CD em minhas mãos. Olho para o CD que já havia esquecido estar em minhas mãos.

– Ah, sim, claro! – digo entregando o CD para ele.

Chuck segue para um caixa livre para registrar a compra. Eu o sigo novamente.

– Escuta, Chuck, você está livre hoje à noite? – pergunto.

Ele para por um segundo para processar a minha pergunta. Olha para os lados para ver se mais alguém poderia ter ouvido a minha pergunta.

– São $18,50. – ele diz ignorando a minha pergunta.

Agora era a minha vez de olhá-lo confuso. Pego a minha carteira e tiro 20 dólares dela e entrego para ele.

– Você não me respondeu. – insisto.

– Olha, amigo, — Chuck diz. – isso vai depender.

– Do quê? — pergunto.

– Ah, você disse que estava procurando música para uma competição. Você é um daqueles garotos de coral, não é mesmo?

– Sim, eu sou da Academia Dalton. – digo com certo tom de orgulho em minha voz.

– Então, você é até uma gracinha, mas eu tenho 23. Você provavelmente tem menos de 18. – ele finaliza. – Não vai rolar cara, foi mal.

– E se isso é tudo o que te impede de sair comigo, então te pego no final do seu expediente a que horas? Eu tenho 18 anos – minto.

Ele olha para mim descrente.

– Você? 18? – ele olha bem para mim. – Você quer eu acredite mesmo nisso?

Sorrio para ele. Abro minha carteira novamente tirando uma identidade falsa que me acusava ter 18 anos de idade.

– Estou atrasado na escola por que morei fora do país por um ano. Então esse é meu último ano. – continuo mentindo.

Ele analisa minha data de nascimento na identidade falsa e a devolve para mim.

– Meu expediente acaba as 18:00. Os funcionários saem pela parte de trás da loja.

Ele me entrega o troco e o CD dentro de uma sacola.

. . .

Estamos no quarto do apartamento de Chuck, não é muito grande, é um pouco desorganizado e bastante simples.

Ambos estamos completamente nus e ajoelhados em sua cama, um de frente para o outro, Chuck coloca os dedos de baixo de meu queixo levantando um pouco mais meu rosto para iniciar uma deliciosa seção de beijos e chupões em meu pescoço. Deslizo meus dedos pelas costas dele a acariciando no processo. Tanto eu quanto ele estamos excitadamente arrepiados.

Nossos corpos estão encostados, ele consegue sentir toda a excitação assim como posso sentir a dele.

O seguro pelos cabelos de sua nuca o afastando do meu pescoço. Ele gosta da sensação e me dá um sorriso selvagem. Beijo seu pescoço, mas não me demoro ali. Desço meus beijos para suas clavícula, peitoral e barriga com um tanquinho delicioso. Beijo cada um daqueles gominhos eroticamente. Chuck arfa enquanto me delicio com o seu corpo.

Chuck me puxa novamente pelo queixo e nos beijamos. Ele passa sua língua pelo meu pomo de adão. Segura meu pau passando as pontas de deus dedos pela cabeça dele. Fecho meus olhos. Arfo com tesão.

Ouvimos um barulho de chave na maçaneta da porta da frente do apartamento que não ficava muito longe do quarto de Chuck. Ele pula para fora da cama e tranca a porta do próprio quarto. Eu o encaro sem compreender.

– O que está havendo? – pergunto.

– Ah... – ele sorri sem jeito para mim.

Chuck começa a vestir as próprias roupas e outrora as despimos tomados pelo tesão. Chuck reúne minhas roupas em um bolo só e as joga para mim para que eu as vistas novamente. A outra pessoa já está dentro do apartamento, chamando por Chuck que corre para o criado mudo a procura de algo.

– Isso foi ótimo. – Chuck não olhava para mim, está desesperado procurando alguma coisa. – Eu espero que você não tenha ressentimentos por causa disso.

A pessoa do outro lado do quarto bate na porta.

– Chuck, querido? – é a voz de uma mulher.

– Sim! Peraí. – Chuck diz finalmente encontrando o que procura. Uma aliança. Ele enfia no dedo anelar da sua mão esquerda.

Eu não posso acreditar naquela situação toda. Continuo ajoelhado sobre a cama de Chuck, pelado, com minhas roupas emboladas em minhas mãos e boquiaberto.

– Vo... você... – sussurro para ele. – Você é casado?

Chuck dá de ombros com cara de “Foi mal não ter contado.”

– Quem se casa aos 23 anos? – pergunto intrigado em um sussurro.

– Eu preciso muito que você vá agora. – ele olha inquieto para a porta.

A mulher bate novamente na porta.

– Charle, pelo amor de Deus! Eu acabei que chegar de viajem, eu preciso descançar. – a mulher diz impaciente.

Enfio minha roupa no corpo em tempo recorde.

– Desculpa amor, você sabe como eu sou bagunceiro, só estou dando uma arrumadinha aqui. – Chuck diz.

– Abre logo! – ela ordena.

– E por onde você sugere que eu saia? – pergunto para ele.

Ele aponta pra a janela.

– Olha não sei se você percebeu mas estamos em um apartamento.

– Calma. – ele diz. – Tem uma escada de emergência, você pode descer por ela. Agora vai.

Abro a janela sem fazer barulho, passo minhas pernas para o lado de fora do prédio. Alguém me segura pelo cotovelo. Olho para trás.

É Chuck. Ele puxa meu rosto novamente e me dá um beijo de língua de despedida. Retribuo.

– Quando é que vai contar pra ela que você é gay? – pergunto.

– Eu não sou gay. – ele responde.

Olho para ele sem expressão.

– Sou bi. – ele finaliza.

– Bissexuais não são iguais ao Papai Noel? Não existem!? – digo.

– Bom, eu existo. – ele diz. – Agora vai! A gente marca pra outro dia?

Estou descendo as escadas, não o respondo.

. . .

Após aquela experiência particularmente humilhante, passo os dias daquela semana trabalhando na setlist para as Regionais, não tentei falar com Blaine na segunda, não queria forçar a barra tão cedo.

Na noite de terça-feira faço a primeira tentativa. O chamo pelo skype, vestido dessa vez. Ele atende.

– Oi! – digo surpreso.

– Oi. – Blaine não parecia bravo.

– Olha me desculpa por aquele dia, eu realmente passei dos limites e... – tento dizer mas Blaine me interrompe.

– Hey, Sebastian, está tudo bem! – ele sorri. Não o sorriso encantado com a minha presença como ele costumava fazer. Um sorriso comum.

– A nossa amizade é importante. – eu digo.

– Assim como é para mim. – Eu não conhecia aquele Blaine.

Ele continua:

– Eu só preciso que você entenda que somos amigos, unicamente amigos, e nada além disso. – ele diz sério. – Eu preciso que você entenda isso. E que não se iluda a respeito do que essa relação é.

Era irônico e doloroso ouvir aquilo, pois essas foram as mesmas palavras que eu dissera para Andrew no passado.

– Tudo bem, eu... – falo, mas ele volta a me interromper.

– Não diga que está tudo bem se de fato não estiver, Sebastian. Porque eu não tenho nenhum interesse que a nossa amizade continue se for pra você ficar fazendo investidas em mim o tempo todo.

Blaine estava sendo um completo idiota agora.

– Isso ficou bem claro para mim, Blaine. – digo secamente. – Sem investidas. Amigos.

Blaine me analisa por alguns segundos.

– Tudo bem, eu tenho que desligar agora. – ele diz. – Nos falamos depois, okay?

– Sim. Claro! – digo.

Blaine desliga a video-chamada.

Fecho a laptop com violencia, me levanto da escrivaninha de meu quarto derrubando a cadeira.

– Quem esse cuzão pensa que é pra achar que pode falar comigo dessa forma? – berro em plenos pulmões.

A sensação é dolorosa. Estar no lugar de Andrew. Ser Andrew.

Não sou como Andrew de ouvir com o rabo enfiado entre as pernas.

. . .

Na manhã seguinte após estar vestido para a escola, pego o celular e busco o número do Blaine na lista de contatos e aperto em “ligar”. Ele atende no segundo toque.

– Oi! – Blaine diz do outro lado da linha.

– Oi. – respondo. – É o Sebastian.

– Eu sei quem é. – Blaine ri. – Eu vi no identificador.

– Ah... – dou uma risada.

– Como você está? – ele pergunta.

– Bem, na verdade. – eu respondo.

Fazemos uma pausa.

– E você? – pergunto.

– Estou ótimo. – ele responde empolgado.

– Isso é ótimo! – digo com falso tom de animação. — Alguma coisa aconteceu?

– Na verdade sim. – Blaine confirma. – Essa semana, lá no clube do coral, estamos fazendo a semana do Michael!

– Isso é muito legal. – digo.

– Sério isso está me deixando maluco. Eu amo o Michael desde quando eu era...

Blaine falou, falou, falou, falou, falou mais um pouco, falou e falou um pouco mais.

– ... e eu estou tão animado! – Blaine finaliza.

Desligamos a chamada depois de um longo tempo.

“Bom, Blaine. Foi bom enquanto durou nosso momentos felizes, mas agora é guerra. E você vai perder.”

Talvez o meu erro esteja em querer procurar algo novo para os Warblers vencer as regionais. Os juizes não gostam de coisas novas, eles gostam de fórmulas. Analiso a setlist dos vencedores dos últimos 5 anos. Chegou ao resultado de que 80% dos vencedores cantaram músicas do mesmo artista.

Recordo do que Blaine havia me dito pelo telefone. Eles estavam fazendo uma semana dedicada ao Michael Jackson. Blaine é mais espero do que imaginei. Quando corais cantam M.J. eles ganham e Blaine já havia percebido isso antes que eu.

Se eu quero destruir o barco em que Blaine está então preciso conhecer a tripulação. Passo algum tempo pesquisando quem são os membros do New Directions. Alguém ali tem que ter o rabo preso.

Artie – o garoto de cadeiras de rodas – irrelevante;

Tina – a garota asiática – irrelevante;

Tina menino – o garoto asiático – irrelevante;

Rory – imigrante ilegal? – irrelevante;

Mercedes – a segunda melhor vocalista – alvo em potencial;

Finn – vocalista – é um alvo!

Rachel – vocalista – é um alvo!

Santana – parte da família está na cadeia – interessante.

Kurt – os médicos da maternidade ainda não sabem se gritam “É um menino!” ou “ É uma menina!”. – deve sentir dor!

Blaine – gay alfa. Deve voltar pra Dalton. – vai ser meu.

“É uma lista considerável.” — a analiso.

Olho para o relógio e já estou atrasado para mais um dia na Academia Dalton.

. . .

Estou sentado atrás de uma das pilastras do Lima Bean tomando o meu café quando escuto um grupo de pessoas conversando muito empolgadas. A voz de um deles pude reconhecer imediatamente.

– Tá bom. Lembrança preferida do Michael. Vai. – Blaine diz para o grupo.

– Quando eu tinha 1 ano, minha mãe me mostrou o especial dele de Motown. Foi quando ele fez o moonwalk no palco pela primeira vez na história... eu disse minha primeira palavra: “Caramba” – um garoto responde.

Continuo ouvindo a conversa atentamente.

– Eu tenho uma profunda dívida de gratidão com o rei do pop. – agora era Kurt quem falava. Mas pode não ter sido, posso ter confundido com a voz de uma garota, sei lá. — Ele foi o primeiro a usar a jaquetas militares incrustadas muito antes de Kurt Hummel torná-las icônicas.

Não. Definitivamente foi Kurt. Então uma garota diz:

– Tenho que ser sincera. Eu nunca entendi ele. – eu tinha a impressão que a garota seria linchada pelos amigos em alguns segundos.

Todos fizeram silencio.

– Não estamos mais falando com você. – o garoto volta a falar.

– Não. Eu acho que ele é um artista maravilhoso, — a garota se defende. – mas eu nunca entendi qual era a dele.

Tomo um grande gole de meu café me divertindo com aquela conversa.

– Ele era o melhor amigo da Liza Minnelli e da Liz Taylor. – Kurt diz.

– Não, o que eu estou dizendo é que eu só não me conectei com ele da forma que eu fiz com a Barbra ou com os Stephens. – a menina ainda tentava argumentar. – Sondheim. Schwartz.

Uma outra garota, em um tom muito mais agressivo que a primeira diz:

– Eu jogaria este café na sua cara, mas não vai te queimar o suficiente.

Seguro a minha risada. Essa garota era boa.

Me levanto da cadeira para ir até eles, dar um “Oi” para o meu amigão Blaine.

– Está bem, mas já que vocês estão tão empolgados com ele, — ouço a primeira garota dizer ao me aproximar deles. — eu uma boa idéia para as regionais.

– Ah, essa pode não ser a melhor idéia. – digo me encostando na pilastra que outrora estive sentado do outro lado. – Oi, Blaine.

Blaine me olha um tanto surpreso. Provavelmente com receio do que poderia fazer já que o precioso namoradinho dele estava ali.

– Oi, todo o resto. – digo. Eu não preciso disfarçar mais que gosto dos amigos dele e principalmente do Kurt. Ele pediu por isso.

– Responde uma coisa, ele mora aqui por acaso? – Kurt fala com Blaine. Então olha para mim. — Sério você está sempre aqui.

Kurt nãos está mais afim de fingir que gosta de mim na frente do Blaine. Divertido.

– Porque você não acha uma boa idéia? – o garoto de cadeiras de rodas, Artie, me pergunta.

– Porque nós vamos cantar Michael nas regionais. – respondo todo sorridente. — Vocês sabem que os Warblers serão os primeiros, então assim que eu soube quais eram os seus planos eu mudei a nossa setlist.

Digo tudo de forma encantadora.

– Desculpe, como... Como você soube? – a garota, Rachel, pergunta.

– Blaine me contou essa manhã. – dou uma piscadinha para Blaine que está branco como uma folha de papel. – Eu liguei pra pedir uma dica sobre como tirar vinho tinto do meu blazer e ele não parava de falar nisso.

– Ah... – Blaine hesita — Eu posso ter mencionado...

– Com que freqüência vocês tem se falado? – Kurt o questiona.

Olho para Kurt de digo:

– Ai meu Deus. – o olho fingindo estar chocado. — Oi, Kurt. Eu não te reconheci, você está vestido de menino hoje.

Me mantive sorridente para ele. A menina que reconheci como Santana se levanta de sua poltrona e vem para cima de mim dizendo:

– Tá bom mocinha, eu vou te mostrar um pouco agora da hospitalidade de Lime West.

– A não ser que você queira se juntar aos seus parentes na prisão, — digo muito calmamente. – com certeza não é a melhor idéia.

Ela recua e olha intimidada para o grupo de seus amigos. Eu continuo.

– Sabe, o meu pai é meio o que você poderia chamar de promotor público, mas se você tivesse uma piñata para entregar, eu tenho certeza que ela chegaria nos seus parentes. – digo.

Paro de sorrir. Quero que eles entendam o recado. Todos eles. Se Kurt não se dá mais ao trabalho de fingir que gosta de mim na frente de Blaine, então não preciso mais fingir também.

– Tá legal, — continuo — então é isso o que vocês devem saber: Eu sou o líder dos Warblers agora e eu estou cansado de jogar limpo.

Volto a sorrir de forma encantadora para eles.

Todos se levantam para sair da cafeteria.

– Ah qual é pessoa? – digo. – O que foi? Foi alguma coisa que eu disse?

Ninguém sequer olha para mim.

– Hey, Blaine. Te ligo mais tarde. – digo todo sorridente dando outro piscadinha para ele.

. . .

No dia seguinte, no coral, já estávamos treinando músicas do Michael Jackson.

Uh-huh, huh, huh, huh

Vejo parte do New Directions entrando em nossa sala.

Let me tell ya now

Uh-huh

Sorrio de forma encantadora para Blaine. Que se mantém sério. Saio da coreografia em meio dos Warblers e fico frente a frente com Blaine, canto para ele:

When I had you to myself

I didn't want you around

Sai de sua frente e passo para a frente de Rachel que se sente muito desconfortável com o meu exibicionismo.

Those pretty faces always made you stand out in a crowd

Agora é a vez de encarar Kurt, que estava me fuzilando com o seu olhar.

Me aproximo dele mas passo o dedo de baixo do queixo de Santana.

But someone picked you from the bunch

Faço um passo da coreografia me aproximando ainda mais de Blaine agora que sai do lugar que está para se afastar de mim. Eu o sigo com o olhar. Kurt o segue para o outro lado da sala.

When glance was all it took

Now it's much too late for me to take a second look

Volto para a coreografia com os rapazes cantando descaradamente para Blaine:

Oh, baby, give me one more chance

(Show you that I love you)

Won't you please let me

(back to your heart)

Oh, darlin', I was blind to let you go

(Let you go, baby)

But now since I see you in his arms

(I want you back)

Yes, I do now

(I want you back)

Eu posso levar um soco na cara, mas ainda com o risco me aproximo perigosamente de Blaine, dançando muito próximo dele quase encostando meu corpo no dele.


Ooh, ooh, baby
(I want you back)
Ya, ya, ya, ya

Recuo para voltar para a voltar para os Warblers.

(I want you back)

Na, na, na, na

Canto cada verso flertando com Blaine.

Tryin' to live without your love
Is one long sleepless night
Let me show you girl
That I know wrong from right
Every street you walk on
I leave tearstains on the ground

Ando até onde Santana está, coloco meus dedos sobre seus ombros a forçando a se sentar. Volto para a frente de Blaine.


Following the girl
I didn't even want around
Let me tell you now

Oh, baby, all I need is one more chance
(Show you that I love you)
Won't you please let me
(Back to your heart)
Oh, darlin', I was blind to let you go
(Let you go baby)
But now since I see you in his arms

Uh-huh
A buh, buh, buh, buh
A buh, buh, buh, buh
All I want
A buh, buh, buh, buh
All I need
A buh, buh, buh, buh
All I want
A buh, buh, buh, buh
All I need

Oh, just one more chance
To show you that I love you
Baby, baby, baby
Baby, baby, baby

I want you back

Se vocês quiserem aplaudir a hora é agora. – digo para Blaine. – Vão em frente.

Encaro Blaine que está impressionado com a nossa apresentação.

– Ou Blaine se você veio voltar para o grupo que você abandonou... – continuo.

Eu costumava ter muito orgulho de ser um Warbler. Não porque vocês são bons, mas por que vocês são realmente tipicamente comuns. – ele diz. Sorrio irritado. — Eu não sou nada comum. Nada.

Olho para os Warbler. Aquilo realmente me deixa irritado, mas não perco a pose.

– Vamos pessoal, vamos embora. – Blaine diz.

Todos estão ajudando o garoto na cadeira de rodas sair da sala. Eu não vou deixar eles saírem assim.

– E o que você acha Shaqueera*? – pergunto à Santana.

– Acho que vamos esfregar o chão das regionais com esse seu cabelo de príncipe da disney. – ela responde.

A resposta infantil dela não me afeta. Apenas rio para aquilo.

. . .

Mais tarde recebo uma mensagem de texto no celular.

Blaine: Nós precisamos resolver essa questão. Você e os Warblers encontre a gente no estacionamento do West Plaza às 20:00.

Eu: Okay.

Aviso aos Warblers do encontro, todos concordam. O conselho não toma ciência do assunto porque nos barraria imediatamente se soubessem.

Não importa o que eles queriam, seriam eles quem sairiam humilhados de lá.

. . .

As 20:00 horas estávamos todos descendo a rampa de entrada para o estacionamento.

– Bem, estamos aqui. – digo para Blaine e Santana.

– A gente tem que acertar uma coisa. – Blaine diz com marra. Era fofo. Fofo como um filhotinho de cachorro que acha que é um lobo mau. – Os dois grupos querem usar Michael e só um pode.

– Vamos lutar por isso. – Santana diz. – O vencedor ganha o rei do pop para as regionais.

– Bem, nós contra vocês dois? – pergunto debochando deles. – Vocês se acham maus assim? É isso o que eles ensinam naquela escolinha pública?

Digo de forma maldosa.

– É hora de ver quem é mau. – Blaine diz ainda com marra. Sério, isso está mais engraçado do que amedrontador. Mas ele fica gostoso com jaqueta preta de couro.

É uma batalha pelo Michael, eles começam a cantar Bad. Nos encaramos e improvisamos uma coreografia que nos permite esbarrar e provocar uns aos outros.

Ao final da canção Richard me entrega um saco de papel que contém um copo de raspadinha que preparei.

Blaine me observa e vê o que estou prestes a fazer. Kurt está de frente para mim e não percebe o que vai lhe acontecer.Jogo a raspadinha em seu rosto na altura de seus olhos. Blaine se joga em sua frente levando a raspadinha por Kurt.

“Idiota!”

Blaine cai no chão em pura agonia. Urra de dor apertando seus olhos. Eu fico alí estático. Eu não queria ferir ele. Era Kurt quem deveria estar se contorcendo de dor ali no chão e não Blaine.

Todos os membros do New Direction correm para socorrer Blaine. Alguns eles falam coisas inaudiveis para mim e outro diz “Eu não acredito nisso.”.

Os rapazes me puxam para sairmos dali.

. . .

Eu sabia que havia matado qualquer que fosse a chance que eu tivesse com Blaine.

Na quinta-feira recebo uma mensagem de texto da Santana pedindo para que a encontrasse no auditório da Dalton.

– Olá Andrew McCarthy. – ela diz entrando na sala. – Não sei se você soube que o Blaine pode perder um olho. O mesmo Baline que era o melhor amigo de vocês a menos de quatro meses.

Aquelas palavras caíram sobre a minha cabeça como um tijolo. Não tinha tido qualquer notícia sobre o estado de Blaine. Ela diz para todos os Warblers que estavam atrás de mim ouvir.

– Peraí, tá falando sério? – Trent pergunta preocupado. – Ele vai ficar bem?

Encaro Trent o repreendo com o olhar. Não podemos demonstrar fraquesa.

– Ah vai. Ele não se importa em não poder mais ver filme em 3D. – ela diz.

– Trent, deixa comigo. – digo ríspido.

– Que pena isso do Blaine. – digo fingindo pouco interesse. – Ele era bonitinho. Ele não devia ter entrado no meio do caminho, aquela raspadinha era para o Kurt.

Ela se aproxima mais de mim.

– Você pode até parecer um vilão de um filme cafona dos anos 80, mas devia saber que eu estou pronta dar uma de Danny Larusso na sua cara. – ela diz. Eu dou risada da cara dela. – Admita que você colocou alguma coisa naquilo. O que era, em? Vidro? Asfalto?

Viro as costas para ela ando em direção da saída.

– Corante número 6. – digo andando.

– Você é um mentiroso. – ela afirma.

Olho para ela novamente.

– Ela questionou a minha honra. – olho dela para os Warblers. – Eu exijo reparação na tradição dos Warblers.

– Você quer o que? Um duelo? Galera do violoncelo, fica aí que eu vou precisar de vocês.

– Todo mundo caí fora. – digo. – Não quero que me vejam fazer uma garota chorar.

Todos se retiram da sala após a minha ordem.

– Acaba logo com isso. Hum? – ela me desafia.

Começamos a cantar em sincrônica alternada Smooth Criminal. Nosso duelo se torna agressivo e até sensual. Santana é boa, eu admito, mas não para ela.

– Eu fui melhor. – ela diz tentando obter minha aprovação.

– Não chegou nem perto. – falo dando as costas para ela.

– Eu fui melhor. – ela insiste. – Agora me diz a verdade. O que você colocou naquela raspadinha?

– Sal grosso. – digo. – Mas tudo bem.

Os Warblers entram na sala novamente. Blaine havia me tido da humilhação diária que eles do New Direction sofriam pelo resto da escola por serem alvo de raspadinhas. Soltei a informação para os Warblers. E concordamos que os quebraríamos da mesma forma.

– Porque tudo bem? Eu acabei de dizer que ele teve que ser operado.

– Tudo bem, – digo pegando a nova raspadinha que eles haviam me trazido. – por que eu não pus nada nessa aqui.

Jogo a raspadinha na cara dela.

. . .

Naquele mesmo dia, à tarde, os Warblers são convocados para comparecer no auditório do New Direction.

– Que bom que vieram. – Artie diz acompanhado pelo resto do bando no palco.

– Isso aqui, o que quer que seja, vai demorar? – olho com puro desagrado para o ambiente. – Eu não aquento o fedor de escola pública.

– Não vai demorar, só precisam sentar e escutar. – uma garota loira diz.

Nos sentamos na primeira e segunda fileira do auditório. Faço um sinal para irem em frente.

– Não vamos cantar Michael nas regionais. – Artie diz.

– Não achei que vocês fossem se render tão fácil. – digo sincero, porém triunfante.

– A gente cansou das brigas e das trapaças. – É Kurt quem fala agora. Por que ele está falando comigo? – Nós somos corais deveríamos ajudar uns aos outros.

– Isso é o que chamamos de seguir o caminho nobre que eu me choquei aos saber que não tem nada a ver com dinheiro. – Noah diz. Ele era sesy pessoalmente.

– Só porque vocês vão cantar Michael, — Artie volta a falar. – não quer dizer que o entendam.

– E vocês entendem? – digo em tom de deboche.

– Sim. – Mercedes me responde. – E vamos te mostrar isso.

Reviro os olhos para aquela palhaçada.

I took my baby on a Saturday bang

Boy, is that girl with you?

Yes, we’re one and the same

Now, I believe in miracles

And a miracle has happened tonight

But if you’re thinkin’ about my baby

It don’t matter if you’re back or white

I am tired of this devil

I am tired of this stuff

I am tired of this business

So when the going get rough

I ain’t scared of your bother

I ain’t scared of no sheets

I ain’t scared of nobody

Girl, When the going get mean

Protection for gangs, clubs and nations

Causing grief in human relations

It’s a turf war on a global scale

I’d rather hear both sides of the tale

See, it’s not about races, just places, faces

Where your blood comes from is where your space is

“Eles acham isso bom?”

Balanço a cabeça negativamente e rio debochadamente.

I’ve seen the bright get duller

I’m not gonna spend my life being a color

Don’t tell me you agree with me

When I saw you kickin’ dirt in my eye

Kurt recobre seu olho ao cantar essa parte. Eu o assisto.

“Que ridículo.”

But if you’re thinkin’ about my baby

It don’t matter if you’re black or white

Trent se levanta de sua poltrona para se juntar aos New Direction o que acaba incentivando o restante dos Warblers que vão se levantando uma a um para se unir a eles no palco. O que me deixa muito puto.

I said if you’re thinkin’ of being my bother

It don’t matter if you’re black or white

Yeah, yeah

It’s back, it’s white

Eles se aplaudem ao sim da canção. Eu os aplaudo também, mas não em forma de elogio.

– Muito comovente – digo sem emoção.

– Que isso Sebastian. Desiste. – Nick diz.

– Esse é o tipo de atitude que nos fez perder as regionais no ano passado. – aponto do dedo para ele. Quem esse merda pensa que é?

Santana toma a frente.

– Eu posso chamar a polícia ou o seu diretor e te fazer ser expulso da escola ou até preso por atacar o Blaine com aquela raspadinha. – ela diz.

Sorrio para ela.

– Tudo isso seria terrível assustador se você tivesse alguma prova. – digo a ela.

Ela tira uma pequena fita do bolso de sua jaqueta.

– Você quer dizer como uma fita com você admitindo? – ela sorri triunfante para mim

Meu sorriso murcha imediatamente.

“Como?”

Ela entrega a fita para Kurt.

– Mas quer saber? – ele segura a fita em suas mãos. – Isso não seria tão divertido, vencer as regionais, se você não estiver lá para sofrer toda a agonia da derrota.

Eu queria socá-lo bem no meio da cara.

Kurt joga a fita para mim. Eu a pego no ar.

– Mas agora os seus amigos sabem exatamente o tipo de cara de você é. – Santana diz.

Alguns dos Warblers me encaram.

– Agora vaza do meu auditório. – Artie diz.

Me levanto da poltrona.

– Sai da escola! – ele ordena.

O encaro e sorrio me retirando do auditório.

“Eu espero que eles não sejam tão ingênuos para acharem que isso acabou.”

Notas finais
* Shaqueera - É um termo gay usado pelos norte-americanos para descrever alguém da comunidade gay que pensa ser mais do que é realmente. Pessoa espalhafatosa e etc... - - - E aí? O que achou? Tive que compactar ou simplesmente não colocar as músicas porque o capitulo ficaria assustadoramente grande. E não tem coisa mais chata do que leituras cansativas. Deixe sua opinião nos comentários e visite o Tumblr oficial da fic em seblaine4ever.tumblr.com! Continue acompanhando a fic e até terça que vem!