Sebastian Smythe
15 Impacto - parte 2
Notas iniciais

– Você está péssimo. – digo me aproximando do leito de Andrew.
– Eu sei. – ele coloca uma bolsa de gelo sobre o olho e a boca.
Fico ali o observando. Eu tinha milhares de perguntas para fazer.
– Como está se sentindo? – repouso minha mão no braço dele.
– Incrível. Nunca estive melhor. – Andrew responde.
Dou um sorriso fraco.
– Pelo menos eu sei que o seu senso de humor não foi afetado com a surra.
Andrew deu de ombros e se arrepende imediatamente por ter feito tal gesto brusco. Sua expressão se transforma a de completa dor. Dou um minuto para ele se recuperar.
– O que você estava fazendo lá? – digo com um certo tom de irritação na voz. – Aquele lugar é péssimo!
Andrew fecha o olho bom tentando evitar me olhar.
– Andrew? – insisto.
– Tá! – ele diz contrariado. – Eu sai pra conhecer uns caras, nada de demais.
– Então você sai pra pegar homem em um bairro da pesada? – pergunto indignado. Isso é algum tipo de fetiche bizarro? Ou é só burrice mesmo? Como é que alguém tão burro ainda está vivo? Ah não, pera aí. Você quase morreu pela sua burrice.
– Eu não conheço tantos lugares como você Sebastian – ele diz sem me olhar.
Enfio meu rosto em minhas mãos e o esfrego tentando retomar minha calma.
– E por que eles te atacaram?
– Não sei. – ele diz desviando o olhar. Andrew é um péssimo mentiroso.
– E você quer que eu engula isso com o que? Seco mesmo?
Andrew revira o olho bom.
– Tá... eu posso ter tentado flertar com um deles.
Enfio minha cara em minhas mãos novamente.
– Você é um idiota, sabia?
Andrew teve que concordar comigo dessa vez.
– Mas você sabe quem é mais idiota do que eu? – o tom da voz de Andrew estava começando a se alterar. – Você!
– Eu? Por que? – o encaro e Andrew me encara pela primeira vez e ele está puto.
– Por que? Você apareceu na minha casa semana passada e ainda me beijou, seu cretino. Você tem idéia do duro que eu dei pra deixar pra lá nós dois?
Agora sou eu quem não consegue fita-lo. Sento na cadeira ao lado de seu leito e ficamos calados por alguns longos minutos.
– Você sabe que você vai ter que dar parte na polícia, né? – quebro o silencio entre nós.
– Tudo bem.
Me recosto na cadeira e o olho por alguns minutos.
– Sento sua falta. – admito colocando a mão em seu braço.
Ele segura a minha mão com a sua mão esfolada.
– Sento a sua também.
. . .
Dia seguinte...
Ouvimos um boato a manhã inteira de que um garoto do Thurston High School havia tentado suicido no dia anterior. Não houve aula normal aquele dia na Academia Dalton. Todos os alunos foram convocados para o auditório para ouvir palestras a cerca do assunto.
Não consigo imaginar o por que alguém consideraria suicídio uma opção válida como uma saída para seus problemas. E foi isso o que ouvimos o dia inteiro. Todas as escolas de Lima debateram a cerca do assunto nesse dia. Pelo menos foi isso o que nos foi informado.
Naquela tarde não teve ensaio dos Warblers, mas nos reunimos na sala de nossos ensaios para conversar sobre o assunto do dia. A identidade do garoto em questão não foi mencionado a manhã inteira até Angelo, o quarterback do time de futebol americano da Dalton, conseguir a informação de algum estudante da Thurston High School. David Karofsky era o garoto que tentara se matar.
O nome não me era familiar de nenhum modo. Alguns garotos procuraram por ele no Facebook e pelo sobrenome não foi difícil encontrar-lo. O celular que mostrava o perfil do garoto passava de Warbler a Warbler. Não o reconheci de imediato. Levou alguns minutos para me lembrar dele. Aquela noite no Scandals.
– Alguém sabe o por que ele tentou fazer isso? – pergunto para os Warblers.
– Angelo disse que foi por que ele saiu do armário. – Jeff diz.
– Mas ele não tentou se enforcar dentro do armário? – alguém diz, mas não presto a atenção em quem. Estou absorto em meus próprios pensamentos. Como se um tijolo tivesse acabado de descer na minha goela à baixo, me sinto enjoado. Meu estômago se retorce. Me sinto febril.
Ando para longe do grupo de rapazes que debatem sobre os motivos do rapaz tentado se matar. Me jogo em uma poltrona desocupada no corredor vazio da Academia. A cena se passa repedidas vezes em minha mente, da noite em que conheci David no bar e como havia o dispensado.
Tateio o bolso de minha calça à procura de meu celular, busco um número em minha agenda.
. . .
Deixa eu te explicar uma coisa, de uma piriguete para outra. – Santana imrrompe pelo Lima Bean Café direto para a mesa onde estou sentado. – Toda essa maldade ridícula tem que parar.
Olho a volta da mesa em que estamos e vejo quase todo o clube Glee ao nosso redor.
– Exatamente. – digo a Santana. – É por isso que eu te chamei.
Santana parece não acreditar em nada do que irei dizer.
– Primeiro: Blaine, — digo olhando diretamente para ele. – me desculpe pelo seu olho.
– Isso não vale nada para mim. – ele diz secamente.
– Só me dê uma chance. – digo sincero. – Eu não tenho desculpas além de que foi uma brincadeira que saiu completamente do controle.
Todos se entreolham. Me estudam para ver se estou falando sério ou não.
– Segundo, – continuo. – as fotos do Finn foram todas destruídas. Eu quero que os cantores ganhem de forma justa. E vamos pedir doações para a fundação Born This Way, da Lady Gaga.
Kurt olha para Blaine para ser se estou surtindo efeito em seu namorado, mas não estou. Não é um truque. Não dessa vez.
– Ganhando, perdendo ou empatando... – digo a eles. – vamos dedicar nosso show para o Dave Karofsky. Achei que vocês quisessem se unir a nós.
– Espere o truque final. – Kurt diz para Blaine. – Sabe que vem alguma coisa por aí.
– Não. – digo a Kurt. – Não dessa vez. Por muito tempo tratei tudo como uma grande piada.
Conto a eles sobre meu encontro com David Karofsky a várias semanas atrás. O que faz minha atitude ser completamente justificável para a maioria deles.
– É tudo diversão até não ser mais. – finalizo.
. . .
Sábado – Auditório do Colégio William Mckinley – Regionais.
– E agora vamos conhecer os juízes para a Regional do Centro-oeste 2012! – diz o apresentador da competição. – Comissária Adjunto de Zoneamento, Melba Jackson-Wright!
Como de costume o palco se explode em aplausos. Então ele continua:
– Presidente Local de Bombeiros de Ohio 109... Senhor Harl Beindorf! – ouvimos mais aplausos. Estamos todos reunidos atrás da cortina que separa os bastidores e o palco. Houve pouco tempo para ensaiar as novas coreografias e músicas, desde que exigi ao comitê dos Warblers que mudássemos nossa setlist em honra ao David Karofsky. — E melhor apresentador de filme de horror do centro de Ohio... Svengoobles!
Finalmente ele nos anuncia: “E agora, de Westerville, Ohio, os Warblers, da Academia Dalton!”.
Há mais aplausos enquanto as cortinas se abrem, nos revelando para o público. Os rapazes começa harmonizar a melodia da música Stand.
Come on, stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Don't give up,
You're gonna see tomorrow
That you'll be on your feet again
Sometimes the world's gonna knock you over
But you will see who you are your friends
Come on, stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
You have the power to face your demons
No matter how they go on time
And rid yourself of your fear and weakness
So you can start to live your life
A platéia se levanta acompanhando o ritmo da música com palmas.
Come on! stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Come on! stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Pick up your will
And put on your face
If you need to, just take my hand
It's time to demonstrate, don't hesitate
Just get up and say: Yes, I can
Come on! stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Come on! stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
O público rompe em mais palmas e a sensação é extasiante. Avanço para a frente do palco para lhes dar um recado antes da próxima música.
– Obrigado. – digo. – Só gostaria de lembrar para, por favor, fazerem uma doação em uma de nossas cestas. Estão ao redor do auditório. É só procurar pelo blaizer da Dalton. Por favor, doem o que puderem.
Volto para junto dos Warblers para Glad You Come.
The sun goes down
The stars come out
And all that counts
Is here and now
My universe will never be the same
I'm glad you came...
Blaine se levanta junto com os outros. Vê-lo nos aplaudir me enche de alegria e alivio. Ele havia me perdoado, afinal.
You cast a spell on me, spell on me
You hit me like the sky fell on me, fell on me
And I decided you look well on me, well on me
So let's go somewhere no-one else can see, you and me...
Turn the lights out now, now I'll take you by the hand
Hand you another drink, drink it if you can
Can you spend a little time, time is slipping away
Away from us so stay, stay with me I can make
Make you glad you came...
The sun goes down
The stars come out
And all that counts
Is here and now
My universe will never be the same
I'm glad you came
I'm glad you came...
Turn the lights out now, now I'll take you by the hand
Hand you another drink, drink it if you can
Can you spend a little time, time is slipping away
Away from us so stay, stay with me I can make
Make you glad you came...
The sun goes down
The stars come out
And all that counts
Is here and now
My universe will never be the same
I'm glad you came
I'm glad you came...
I'm glad you came
So glad you came
I'm glad you came
I'm glad you came...
The sun goes down
The stars come out
And all that counts
Is here and now
My universe will never be the same
I'm glad you came
I'm glad you came...
Saímos do palco com todos nos aplaudindo de pé e aquilo era incrível.
. . .
Nos sentamos no palco onde mais cedo o Novas Direções estivera sentados, sendo agora eles a se apresentarem no palco.
[Rachel:]
I came to win, to fight, to conquer, to thrive
I came to win, to survive, to prosper, to rise
[Rachel with New Directions:]
To fly, to fly
[Santana:]
Oh yo, yo
[Artie:]
I used to think that I could not go on
[Santana:]
I wish today it will rain all day
Maybe that will kinda make the pain go away
[Artie:]
And life was nothing but an awful song
[Santana:]
They got their guns out aiming at me
But I become near when they aiming at me
[New Directions:]
If I can see it
[Blaine:]
Me, me, me against them
Me levanto para aplaudir Blaine. A platéia em peso se levanta para aplaudi-los também.
Me against enemies, me against friends
([New Directions:] Then I can do it)
Somehow they both seem to become one
A sea full of sharks and they all smell blood
([New Directions:] If I just believe it)
They start coming and I start rising
Must be surprising, I'm just surmising
([New Directions:] There's nothing to it)
[Blaine and Santana:]
I win, thrive, soar, higher, higher, higher
More fire
[Rachel and Santana:]
I came to win, to fight, to conquer, to thrive
I came to win, to survive, to prosper, to rise
[Finn and New Directions:]
I believe I can fly
([Rachel:] Fly)
I believe I can touch the sky
I believe I can fly
([Rachel:] Fly)
I believe I can touch the sky
[Artie:]
See I was on the verge of breakin' down
[Santana:]
Paint they own pictures, then they crop me in
But I will remain where the top begins
[Artie:]
Sometimes silence can seem so loud
[Santana:]
I am not a word, I am not a line
I am not a girl that can ever be defined
[New Directions:]
If I can see it
[Blaine:]
I hear the criticism loud and clear
That is how I know that the time is near
([New Directions:] Then I can do it)
See we become alive in a time of fear
And I ain't got no motherfickle time to spare
([New Directions:] If I just believe it)
Cry my eyes out for days upon days
Such a heavy burden placed upon me
([New Directions:] There's nothing to it)
[Blaine and Santana:]
But when you go hard your nay's become yea's
Yankee Stadium with Jay's and Kanye's
[Rachel and Santana:]
I came to win, to fight, to conquer, to thrive
I came to win, to survive, to prosper, to rise
[Finn and New Directions:]
I believe I can fly
([Rachel:] Fly)
I believe I can touch the sky
([Mercedes:] Ooh)
I believe I can fly
([Rachel:] Fly)
I believe I can touch the sky
([Mercedes:] Touch the sky)
[Finn:]
I believe I can fly
[Mercedes with ND girls:]
Get ready for it, get ready for it
[Artie:]
Then I can be it
([Mercedes with ND Girls:] Get ready for it, I came to win)
If I just believe it, there's nothing to it
([Mercedes with ND Girls:] Get ready for it, get ready for it, get ready for it)
[Mercedes:]
Get ready for it!
Yeah!
[Artie and New Directions:]
I believe I can fly
([Rachel:] Fly)
[Finn and New Directions:]
I believe I can touch the sky
([Mercedes:] Sky)
I think about it
([Rachel:] Fly)
Every night and day
Spread my wings and fly away
([Mercedes:] Ooh)
[Finn and Artie with New Directions:]
I believe I can soar
([Rachel:] Fly)
([Mercedes:] Get ready for it)
I see me runnin' through that open door
([Mercedes:] Get ready for it)
([Mercedes:] Fly)
I believe I can fly
([Rachel:] Fly)
([Mercedes:] Get ready for it)
[Finn:]
I believe I can fly
. . .
A expectativa é enorme e todos estamos nervosos pelo resultado. Todos subimos no palco, de um lado estamos nós, Os Warblers, e do outro eles, Nova Direções.
Svengoobles, o apresentador de filmes de terror, é trazido para o palco dentro de um caixão cenográfico de onde ele sai para anunciar o resultado da competição.
– Eu viajei de uma longínqua terra por águas turbulentas do oceano apenas para trazer o resultado dessa magnífica competição. – ele diz abrindo o envelope com o resultado.
Olho para Blaine e ele sustenta meu olhar. Havia muito tempo desde a última vez que nos olhamos daquela forma. Blaine pode negar o quanto quiser, mas nós temos alguma coisa que ele insiste em recusar, mas é hora de recuar. Parecia que uma vida inteira havia se passado desde a época que éramos amigos ou seja lá o que éramos. Interrompemos nosso contato visual para ouvir o resultado.
– Em primeiro lugar, os Nova Direções! – Svengoobles diz sem delongas.
A platéia estoura em aplausos, uma assistente de palco me entrega o troféu de segundo lugar enquanto Svengoobles entrega o troféu de primeiro lugar para Blaine. Os Warblers se lamentam enquanto os Nova Direções festejam sua vitória.
Blaine anda até nós, mas se dirige a mim estendendo sua mão para eu apertá-la em um comprimento.
– Vocês foram incríveis! – ele diz sincero.
– Vocês também. – digo com igual sinceridade apertando sua mão.
Blaine sorri. Retribuo seu sorriso. Ele dá a volta para voltar para seus amigos.
– Blaine...? – o chamo.
Blaine para me olhar.
– Nós estamos bem? – pergunto hesitante.
Blaine abre seu rosto num sorriso e anda até mim me dando um tapinha em meu ombro.
– Nós estamos bem! – ele diz. Balanço minha cabeça afirmativamente.
Blaine volta para junto de seus amigos finalmente. Olho para os Warblers.
– Desculpa pessoal, eu sei que devem estar bravos comigo, mas não deu... – digo, mas Trent me interrompe. Como sempre.
– Não se desculpe cara. Somos uma equipe. Se um cair todos caem juntos.
Balanço a cabeça concordando com ele. Dou uma última olhada para o palco e me sumpreendo ao ver meu pai lá. Agora que a platéia estava começando se esvaziar pude vê-lo em pé.
Ele acena para mim animado. É estranho, mas retribuo o aceno.
. . .
Duas semanas depois...
Toco a campainha da casa de Andrew.
É Andrew quem atende a porta.
– Oi – ele diz surpreso.
Ele ainda estava com o rosto machucado, mas ainda assim muito melhor do que na noite em que o encontrei desmaiado no estacionamento daquela noite.
– Oi – digo todo sorridente para ele.
– O que está fazendo aqui? – pergunta.
– Ah... – começo a falar, mas sou interrompido por uma figura muito baixinha que surge atrás de Andrew.
– Quem é? – ela abre espaço dando um “Chega para lá” em Andrew.
A mulher estava com um rolo de macarrão empunhado em sua mão.
– Se veio mexer com o meu neto eu te boto pra correr. – Ela me ameaça com o seu rolo de macarrão.
Eu acho a cena hilária, mas não me atrevo a rir, pois sabia que tratando-se de uma senhora idosa, elas não costumam hesitar em usar seus guarda-chuvas e rolos de macarrão contra as pessoas.
– Calma vó! – Andrew fala para a mulher. – Esse é o Sebastian. Ele é meu amigo.
– Oi. – sorrio para ela.
Ela me estuda com o olhar.
– Foi ele quem me salvou dos caras maus, vó. – Andrew explica.
Os olhos daquela pobre idosa se enchem de água e em um movimento muito rápido ela me prende em um abraço sufocante.
“Quando foi que as avós ficaram tão fortes?”
– Deus o abençoe, meu filho! – ela diz. Fico sem reação. – Deus te abençoe!!!
– Tudo bem, vó. – Andrew diz tentando a afastar de mim. – Deixe esse magricela respirar.
Ela se afasta de mim tentando alinhar minha camisa que ela havia amarrotado no abraço.
– Ah, mas entra! – ela diz. – Não fiquem aqui fora pegando friagem.
Conhecendo a família de Andrew, fica muito evidente o por que dele ser tão pegajoso. Andrew vem de um lar cheio de amor e zelo, não é de se espantar que ele haja da mesma forma. O que ainda assim me deixa um pouco desconfortável por não estar habituado a tanta demonstração de afeto.
– Eu não vim para ficar, na verdade eu só passei para falar um coisa com o seu neto. – falo para ela e aponto para Andrew – Eu não pretendo demorar.
– Mas que bobagem! – Ela diz. – Fica! Eu acabei de tirar uma torta do forno. Você gosta de torta?
– Gosto, eu... – Andrew nos interrompe.
– Vó... – ele a olha como se ela fizesse aquilo o tempo todo e aquela era a hora em que ele a lembrava “Vó, para! Você está fazendo aquilo de novo.”
– Tudo bem. Tudo bem! – ela diz entrando apressada para dentro da casa. – Mas eu vou trazer leite e a torta de maçã para vocês.
Me divirto com aquilo enquanto Andrew revira os olhos. O outro olho já estava quase que todo aberto.
– Desculpe por isso. – ele diz.
– Não se desculpe. Ela é incrível. – digo sinceramente. – Queria eu ter alguém para me defender com um rolo de macarrão.
Nós dois damos gargalhadas.
– Tudo bem, o que você veio me dizer?
Aquilo era difícil e eu não sabia por onde começar.
– Essas ultimas semanas tem sido uma loucura para mim... – passo os dedos pelos meus cabelos nervoso. – e eu finalmente pude ver o que você vem tentando me dizer e o que eu não conseguia entender. Vi a pessoa que me tornei e não quero ser mais essa cara cheio de coisas ruins me cercando. Eu estou cansado de ser o cara que as pessoas tomam distância por que acham que vou fazer algum mau a elas, e com razão. Estou farto...
Andrew parece confuso.
– A onde eu quero chegar é que eu estou tentando reverter todo o dano que causei ou pelo menos amenizar isso. – seguro a mão de Andrew. Minha mão está gelada pelo nervosismo. – Você foi uma das poucas pessoas que me fez sentir bem comigo mesmo por um longo tempo. Mesmo eu te tratando tão mal...
Andrew olha para as nossas mãos e volta a me olhar.
– Eu não posso permitir que outra coisa como essa aconteça a você. – acaricio o rosto dele onde está machucado. – Por que eu sei que aqueles caras fizeram com você foi exatamente o que eu fiz com os seus sentimentos naquela outra noite no estacionamento do Lima Bean.
Andrew se mantém calado.
– Não estou dizendo que eu seja a melhor pessoa para você, mas é algo que eu realmente queira tentar. Pra valer dessa vez.
Andrew está sorrindo agora. Ele sabe onde quero chegar e não vai facilitar para mim. Vai me fazer falar tudo sem me ajudar.
– E o que isso significa? – ele dá um sorriso sacana para mim.
– Você vai me obrigar a dizer não vai? – pergunto.
– Acho que sim. – ele diz. – Porque não faço a mínima idéia do que está falando, então...
– Tá... – arfo – Quer ser o meu namorado?
– Oi? – ele franze o cenho. – Desculpa, eu não ouvi direito. Pode repetir, só que mais alto dessa vez?
Respiro fundo. Faço um lembrete em minha mente para quando Andrew estivesse bom novamente eu desse um soco nele por isso.
– Você quer ser o meu namorado, Andrew? – repito.
Andrew está sorrindo de orelha a orelha. Ele abre a boca para falar mas quem fala é a sua avó que está atrás dele.
– Minha nossa senhora! – ela exclama.
Andrew e eu, que não havíamos notado a presença dela ali. Ela carregava uma bandeja com dois pratos com pedaços de torta fumegantes e dois copos com leite. Andrew e eu estamos estáticos e petrificados.
– Olha vó, eu... – ele começa a se explicar.
– Menino! – a avó diz severamente. – O rapaz te fez uma pergunta. Responde por que é falta de educação não responder os outros.
Ela nos fita e nós a fitamos.
– Mas que belezinha. – ela diz olhando para Andrew que me olha sem compreender.
Andrew me olha ainda mais confuso e eu sustento o olhar.
– Está tudo bem para a senhora? – ele pergunta a ela.
Ela dá um sorriso doce para ele e diz: “Meu filho vê se vocês terminam logo com isso aí. E depois entrem para comer essa torta lá dentro na mesa.” E desaparece dentro da casa.
Nos recuperamos do choque. Nos olhamos novamente.
– Então? O que me diz? – pergunto.
Ele me analisa.
– Qual foi a pergunta mesmo? – ele brinca.
– Andrew! – digo irritadiço.
– Por favor, só mais uma vez! – ele pede.
Reviro os olhos e repito: “Quer se o meu namorado?”. Andrew dá um passo para trás e diz: “Não, obrigada. Passa semana que vem que a gente vê.”, então fecha a porta na minha cara.
– Qual é!? – digo para a porta recém fechada na minha cara.
Andrew abre a porta com um sorriso sacana em seus lábios.
– Tudo bem, eu estou brincando. – ele sorri para mim.
– Então? – eu o olho. – A sua própria avó disse: “Uma belezinha”.
Ele ri. A risada dele me faz sorrir.
Andrew se aproxima de mim com um sorriso nos lábios e diz: “Sim!”. Nos beijamos brevemente. Não posso exigir muito de Andrew que ainda está machucado. Com os nosso rostos muito próximo um do outro nos olhamos por algum tempo.
– Sabe, eu estou com vontade daquela torta. – digo.
– Vamos entrar então. — ele abre espaço para que eu possa entrar e fecha a porta atrás de mim após eu passar para dentro.
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