Notas iniciais
Ao final da leitura deste capítulo, vou pedir um minuto a mais de seu tempo e atenção para ler as notas finais. Boa leitura!


Uma semana depois.

“A onde você está Sebastian?” Wesley, membro do conselho dos Warblers perguntava aflito do outro lado da ligação. “Estou à caminho!” digo para ele se acalmar. Mas não estou a caminho, estou acabando de passar pela entrada do Lima Bean Café para resolver finalmente todo e qualquer problema que tenho com o New Directions. “Só preciso resolver uma coisa urgente e já chego para a reunião dos Warblers. Até mais.” desligo a ligação sem esperar alguma resposta por parte de Wesley.

Assim como havia imaginado, Rachel e Kurt estão sentados em uma mesa distraídos com uma revista. Aproximo-me deles sem ser percebido.

– Ah, não seja invejoso. – Rachel diz para Kurt. O assunto em questão eu desconhecia, mas a revista que folheavam era de vestidos de noivas. E era justamente por esse motivo que estava aqui. Não me surpreenderia se ela falasse que Kurt está sendo invejoso por que era ELE quem gostaria de usar o vestido do debate.

– Ah, olha só... – falo atraindo a atenção de ambos para mim. – Se não é a jovem Barbra Streisand e a Betty White velha.

Rachel está sem reação por me ver ali em frente aos dois, mas Kurt, como o esperado, revira os olhos.

– Onde está o Ciclope gay... – olho em direção da rua procurando por Blaine teatralmente. – Ainda tropeçando à caminho daqui?

Eu não estou afim de ver Blaine novamente. Digo isso apenas por que sei que isso irrita Kurt.

– A gente tem que parar de vir aqui. – Kurt fala com tom de indignação para Rachel.

– Rachel, eu, ah... – dou continuidade a conversa ignorando Kurt. Estendo o envelope, que estava carregando, para Rachel. – Trouxe um presente de noivado para você.

Minha expressão é de puro deleite com toda aquela minha encenação. A olho como se fossemos melhores amigos e realmente tivesse feito algo muito especial por ela. Sei que Rachel vai entrar em puro horror dentre alguns segundo.

– Hmm... tá bem. – ela diz inocentemente pegando o envelope de minha mão e o abrindo. Rachel puxa o conteúdo do envelope para fora e o que sai é uma foto de Finn Hudson, ou pelo menos a cabeça dele, no corpo de um homem nu sobre saltos altos vermelhos. Kurt arfa “Não!” surpreso enquanto Rachel exclama um “Ah meu Deus!” horrorizada. Kurt continua em sua negação patética “Não! Não!”.

Rachel lembra-se que ainda estou ali em frente deles e me encara novamente.

– Essa foto foi alterada. O negócio dele não é tão pequeno e nem... – Rachael falava indignada apontando para a foto enquanto Kurt tampava a genitália de “Finn”. –... nem marrom.

– E esse sapatinho não ia caber no pé dele. – Kurt complementa.

Okay. Acho que eles não entenderam o objetivo da piada. Vou ter que explicar.

– Imagine só a partir de agora toda a vez que alguém buscar no google por “Finn Hudson” a pessoa será levada a essa foto aí – digo sinicamente apontando para a foto na mão deles. – e mais uma dúzia de outras.

Eles se entreolham horrorizados.

– É a beleza da internet. – digo com um sorriso reluzente em meu rosto. – Fica com a gente para sempre.

Rachel se mantém calada por alguns segundos e parece perceber a onde quero chegar.

– O que você quer, Sebastian? – ela pergunta sem rodeios.

Garota esperta!

– Eu quero uma vitória garantida nas Regionais. – digo finalmente. – E então eu quero que você desista. McKinley está em vantagem esse ano. Você vai aparecer com gripe asiática ou qualquer outra coisa que a Tina Otária-Chang teve.

– Olha, isso é sujeira. É terrorismo musical. – Rachael protesta.

– Você suja o nome de toda a comunidade gay. – Kurt me olha abismado.

– E você dá à comunidade gay um estilinho moderno que só pode ser visto no Carnaval de Porto-Rico. – digo a Kurt.

– Desculpa, eu não prestei a atenção. – Kurt rebate. – Eu estava olhando para os seus dentes gigantes de cavalo.

O ignoro como de costume e continuo: “Você tem 24 horas para desistir, Rachel, ou eu aperto o botão de upload.”

– Olha, eu não preciso ficar sentada aqui ouvindo essas bobagens! – Rachael se levanta sendo seguida por seu cachorrinho, Kurt.

– Ah, qual é pessoa? Não precisam sair por minha causa. – digo enquanto eles guardam suas coisas com urgência para sair dali o mais rápido que podiam. Passam por mim e seguem para a porta de saída. – Qual é meninas? Achei que fossemos amigos.

Digo rindo. O que atrai a atenção dos clientes a minha volta. A atenção de todos está voltada para mim, então digo: “Barista, uma rodada de café para todo mundo. Por minha conta.” Todos a minha volta comemoram, mas saio do café em seguida deixando o barista muito irritado.

. . .

Dia seguinte

Aquela é uma linda manhã, o sol ainda se mostra tímido enquanto o vento é gélido no alvorecer parisiense. Estou sentado no banco praça da praça, em Paris, cuja qual estive anos atrás. Na ocasião eu estava bêbado, mas lembro que o lugar estava muito escura e deserto. Da última vez, Colin estava comigo.

Diferente da última vez, agora é manhã, algumas pessoas passavam por mim e diziam “Bonjour” e eu as respondo “Bonjour monsieur” ou “Bonjour madame”. Alguns casais passeavam com seus filhos pequenos ou seus animais de estimação. Tudo está em perfeita harmonia. O vento faz meus cabelos voarem de um lado para o outro, o cheiro de perfume das flores do parque está no ar. É suave e gostoso.

Olho para o lado, que outrora era Colin quem me acompanhava naquele lugar agora era Blaine quem andava em minha direção.

– Oi. – digo sorrindo para ele.

– Oi! – Blaine está exultante, se inclina para me beijar. Ele é delicado ao me beijar, mas não deixa de ter paixão. Seus lábios são macios e carnudos. Passo a mão em sua nuca.

– Nossa! – digo ao fim do beijo mordendo meu lábio inferior. Me sentia capaz de devorá-lo, ali mesmo, com todos nos assistindo.

Blaine apenas sorri para mim e senta-se ao meu lado repousando sua mão na parte interna da minha coxa esquerda.

Apenas nos olhamos. Há cumplicidade em nosso olhar. Só nós dois sabemos como nos gostamos não é algo que alguém possa entender ou explicar além de nós.

– Por que estamos aqui? – Blaine me pergunta.

Eu não sei responder a essa pergunta. Olho para a frente, encaro o lago límpido a nossa frente.

“Por que estamos aqui?”

– Por que eu estou aqui com você? – Blaine parece sair de um transe hipnótico se afasta horrorizado.

Tento segura-lo pela mão.

– Por favor. – digo em tom de súplica.

Blaine ri maldosamente de minha cara. Seu rosto está completamente transformado agora.

– Você não merece isso. – ele me olha com um tom sombrio em seus olhos. – Você se acha merecedor do amor? Você acha que merece ser amado?

Eu sabia que a resposta para ambas as perguntas era não. Me mantenho calado.

– Blaine...

Não estou mais segurando a mão de Blaine. Ele não está ao meu lado mais, ainda seguro uma mão, mas a mão que seguro é a de Colin. A solto imediatamente. Recuo alguns passos, mas esbarro em alguém. Olho para trás e é Andrew atrás de mim. Andrew me olha com profunda tristeza, atrás dele vejo meu pai que me olha com nojo. Olho para Blaine novamente, mas nenhum deles está mais ali. Minha mãe ocupa lugar deles.

– Mãe? – digo com a voz engasgada.

Caminho até ela. Seus olhos estão vidrados, sem vida. Ela está morta!

Fecho meus olhos. Não quero estar ali mais. Um som repetitivo martela em minha cabeça.

Abro os olhos. Estou em minha cama com o peito, costas e rosto lavado de suor. Consigo respirar aliviado, mas não o suficiente. Olho pela janela e é noite. O barulho continua insistente.

Tateio o criado mudo em busca do meu celular.

– Alô? – digo grogue.

Eu não consigo identificar se a pessoa do outro lado responde “Alô” ou se está gruindo.

– Alô? – repito.

– Se..ast...an – a pessoa do outro lado arfa.

Que brincadeira idiota era aquela?
Olho o número no identificador de chamada, mas para a minha surpresa o número tinha nome: Andrew.

“Andrew?”

– Andrew? – digo colocando o celular de volta na minha orelha. – Que brincadeira é essa?

– Po favo – disse ofegante. Ele devia estar muito chapado pra estar me ligando. Andrew continua com a voz embargada – Pegasus Lima Westside

A ligação cai.

– Alô? Andrew? – encaro meu telefone.

Salto da cama, Andrew não me ligaria por nada, visto a primeira calça e uma camiseta que encontro. Pego a chave do meu carro e visto o tênis enquanto desço as escadas.

“O que ele está fazendo no Pegasus? Aquele bar é nojento e fica num lugar péssimo.”

Ligo o rádio enquanto atravesso a cidade para resgatar um Andrew bêbado.

. . .

Uma quadra antes de chegar no bar, vejo um grupo de homens com pedaço de pau e bastões na mão procurando por alguma coisa, ou pior, por alguém. Passo direto por eles.

Aquilo, na verdade, é uma coisa bem comum para o cenário que me encontro. Esse lado da cidade é onde a maioria dos imigrantes latinos ilegais se refugiam e estabelecem suas residências. O que me faz pensar do “por quê” Andrew vir para cá. Todo cidadão de Lima sabe que a periferia de westside é pra se ficar bem longe.

Entro no estacionamento do bar e vejo um homem sentado no chão e largado na parede do estacionamento. Desço do carro em busca de Andrew. Nada. Ligo para ele e no mesmo segundo ouço um telefone tocando pelo estacionamento. Olho em volta e nada do Andrew. Ninguém ali a não eu e o homem largado no chão. O homem estava com as roupas rasgadas, não pude ver como ele é, pois o rosto estava abaixado, mas era loiro como Andrew.

– MERDA! ANDREW! – corro até o cara no chão.

– ANDREW? – Levando o rosto dele, ele está apagado e coberto de sangue. – Não! Não, não! Não!

O sacudo. Ele ainda respira.

– Quem fez isso com você?

Ao fundo ouço o berro de outro homem.

“Ótimo. Ajuda.”

Olho para trás e vejo o mesmo grupo de homens potencialmente armados. Um deles estava apontando para a nossa direção.

– Mas que porra é essa? – sussurro espantado.

O grupo de homens param por um segundo e então começam a andar em passos largos em nossa direção.

Não há muito tempo para eu pensar, mas está muito claro o que está para acontecer ali. Passo o braço de Andrew em volta do meu pescoço e o ergo o mais rápido que consigo. Não vamos conseguir chegar até o meu carro antes deles. O peso de Andrew não me ajuda muito.

Abro a porta do passageiro e jogo Andrew para dentro. Não há tempo para eu entrar pelo lado do motorista, então entro também pelo lado do passageiro, machucando ainda mais Andrew no processo. Sinto uma mão grande e pesada agarrar minha camisa. Fechando a porta atrás de mim prendendo a mão do homem na porta.

O homem urra de dor. Me desvencilho da minha camiseta passando para o banco do motorista. Os outros homens estão cercando o carro. Um deles berra para mim enquanto os outros tentam soltar a mão do idiota preso na porta:

– Joga esse viado pra fora do carro e você não sai machucado. — Ele diz apontando para Andrew.

Não sei o porque ele realmente achou que eu colaboraria. Dou a partida no carro, mas eles estão barrando a minha saída. Acelero o carro sem soltar o freio de mão.

A carro começa a ser atingido por chutes, e pedaços de pau são lançados contra os vidros.

“Vamos morrer de qualquer jeito.”

Avanço o carro alguns centímetro para cima deles. Escuto um estalo vindo da porta e um urro ainda maior do homem preso a ela. Alguns gritam: “TÁ LOCO?”

“Vocês não estão me dando opções, não é?”

As investidas para quebrar os vidros do carro aumentam e as primeiras rachaduras começam a aparecer.

“Bom, isso é legítima defesa.”

Solto o freio de mão e enfio o pé no acelerador para sair de marcha ré do estacionamento. O homem é puxado junto com o carro. Com o carro em movimento abro a porta do passageiro para o homem conseguir tirar a mão dalí. Escudo alguém gritando de dor. Não sinto um grande solavanco do carro passando por cima de alguém. Provavelmente um pé estraçalhado. Passo a primeira marcha e saio cantando os pneus.

O meu corpo está em pura adrenalina. Olho para o lado e Andrew que ainda está desacordado. Saímos daquele bairro. Paro o carro.

Passo o cinto de segurança em volta de Andrew.

– Hey. – dou um tapinha no rosto dele. – Andrew!

Nada.

“Ótimo Sebastian, o cara já está todo fudido e você ainda mete um tapa na fuça estourada dele.”

Pego uma garrafa d’água no porta-luvas do carro. Jogo um pouco da água na cara dele. Andrew acorda.

Relaxo os músculos aliviado.

– Você está bem? – o escuto preocupado.

– Se...ast...an. – Andrew disse meu nome exatamente como fizera no telefone. Eu achei que estivesse bêbado, mas não. A boca dele estava muito inchada e ensanguentada por isso mal conseguia falar.

Andrew não diz mais nenhuma palavra e apenas começa a chorar. Eu poderia ter começado a chorar também, porque aquela era a minha vontade sincera, mas me contive.

– Vai ficar tudo bem. – seguro o rosto dele em minhas mãos. – Vou te levar pro hospital.

Ele balança a cabeça negativamente.

– Você precisa! – digo a ele. – Pode estar com hemorragia.

Ele insiste ainda chorando.

– Não posso te levar pra sua casa nesse estado. – digo.

Ele arregala o único olho aberto, porque o outro está fechado de tanto apanhar, e balança o rosto negativamente mais uma vez.

– Quer ficar na minha casa hoje? – pergunto a ele.

Ele não concorda e nem discorda. Considero aquilo como um sim. Dou partida no carro.

– Tudo bem então, vamos para a minha casa. – minto para ele.

. . .

Dou a entrada de Andrew no hospital em que a mãe dele trabalha como enfermeira, passam algumas horas até me dêem alguma notícia.

Estou sentado na sala de espera ao lado da máquina de café que já ganhou no mínimo uns 50 dólares de mim nas ultimas horas.

– Sebastian!? – a mãe de Andrew anda até minha direção. – Querido, você ainda está aqui?

Me levando ao vê-la, coloco meu copo descartável de café na cadeira ao lado da que eu ocupava.

– Oi. Sim. – digo. – Ninguém me disse como ele está. Eu... Você viu ele?

Ainda estou em choque com o que aconteceu.

– Ah, meu querido... – os olhos dela se enchem de água. – Ele vai ficar bem, mas ele está muito debilitado agora. É um menino forte.

Ela diz tensa.

– O que aconteceu? – ela pergunta. – Vocês estavam juntos? O que aconteceu?

Ela começa a me questionar e era o que eu temia. Como dizer para a mãe de um cara que você resgatou o filho dela no estacionamento de uma boate gay por que um grupo de homofóbicos o haviam atacado? P.s.: A mãe não sabe que o filho é gay.

– Bom, eu não sei bem o que aconteceu. Eu não sai com ele. – digo quase engasgando. – Ele me ligou e me pediu para buscar ele, então fui...

Ela me fita e sabe que estou omitindo fatos dela. Em vez de tentar espremer mais alguma coisa de mim, ela simplesmente me puxa para um abraço banhado por lágrimas. “Muito obrigada!” ela diz entre soluços.

Continua...

Notas finais
Primeiro quero me desculpar com todos os leitores dessa fic, pois fiquei sem atualiza-la cerca de dois meses, peço que continuem acompanhando a fic como vocês tem feito desde o inicio dela, pois ela não irá ser interrompida ou descontinuada novamente. Infelizmente tive que voltar a minha atenção a assuntos importantes da minha vida particular e fui obrigado a deixar a fic em segundo plano. A partir de hoje a fic volta a ser publicada normalmente todas as terças e quintas as 6 horas da tarde. Obrigado mais uma vez pelo apoio extraordinário de todos vocês!