Notas iniciais
Olá pessoal, aproveitem a leitura. Nos encontramos lá em baixo.

Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço — Luiz Gasparetto

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23 DE NOVEMBRO DE 2005

Papai disse hoje no jantar que foi promovido no seu trabalho e teremos que nos mudar para a França por causa do seu novo cargo. Isso me deixou um pouco assustado, não conheço muito sobre lá, sei que tem boa comida e uma torre maior que o prédio onde papai trabalha agora, mas isso é tudo o que sei.

Vamos nos mudar daqui três dias e o dia de Ação de Graças está chegando então perguntei a mamãe se ainda poderíamos comemorar a Ação de Graças mesmo estando em outro país, ela disse que sim e que mesmo que não estejamos vivendo na América ainda somos americanos e nossas tradições continuam vivas.

18 DE SETEMBRO DE 2008

Eu por acaso já disse como eu acho a França um saco? Qual é o problema dos Europeus?

Estou pedindo pro meu pai me ensinar a dirigir, quero dizer, na América pegamos nossa carteira de motorista aos 16 e falta um pouco mais de 2 anos para eu completar 16. Então porque não já ir treinando?

Quando eu perguntei isso a ele, sabe o que ele me respondeu? Que não estamos mais na América, por isso não seguiremos os costumes de lá. Idiota.

Porém, mamãe está mais feliz do que nunca, dá pra ver no brilho de seus olhos. Esse lugar faz bem a ela. Pelo menos ela está feliz.

28 DE FEVEREIRO DE 2009

A França não é tão má assim.

Eu não posso ser hipócrita com você, a minha mudança de opinião tem nome, Colin Connor. Nós nos conhecemos na escola na volta da despensa pelas festas de final de ano. Demorei pra compartilhar isso com você porque não queria me empolgar ou me adiantar sobre ele, mas ele parece um sonho real.

Nos conhecemos na aula de Francês, ele se sentou ao meu lado. Aqui as mesas são para dois alunos. Pudemos conversar um pouco enquanto a professora se virava para escrever no quadro negro, então percebi que ele era assim como eu, você sabe o que eu quero dizer, Diário.

Venho esperando pelas aulas de Francês todos os dias, assim passamos algum tempo juntos.

1 DE MARÇO DE 2009

Ontem quando estava andando pelo corredor da escola ele apareceu e segurou minha mão por alguns instantes. Meu coração deu saltos, juro. Eu nunca fiquei tão assustado e excitado ao mesmo tempo. Alguém poderia ter visto.

S ♥ C

13 DE MARÇO DE 2009

Colin me convidou para passar o dia de São Patrício com ele em um PUB Gay. Eu não sou um grande conhecedor ou apreciador de bebidas, eu comecei a furtar bebidas o bar particular do meu pai faz algum tempo, experimentei e não gostei muito pra ser sincero, mas continuei furtando as bebidas dele e despejando tudo na pia só para irritá-lo.

Mas isso animou bastante Colin o que me faz querer tentar gostar de beber. O Colin vale a tentativa.

19 DE MARÇO DE 2009

UAU!

Como começar? Enchi minha cara há dois dias e ainda me sinto um trapo atropelado por um trator.

Deus, eu nunca bebi tanto. Na verdade nunca bebi pra valer.

Desculpe pela caligrafia. E sinto muito se essa entrada parecer incrivelmente mal escrita e horrível, mas nossos depoimentos às vezes refletem como nos sentimos.

Não me lembro de muita coisa na verdade. Acho que depois de sairmos do PUB fomos a uma praça deserta e escura, o que me faz pensar que era uma praça e não simplesmente um terreno baldio é que havia bancos de madeira por lá e um laguinho. Não tenho certeza. Podia ser tanto um lago pequeno quanto uma poça de água grande.

Sei que nos beijamos.

Deus. Que beijo.

Que boca.

Estamos chapados demais pra ficar com vergonha. Não sei se ele seria capaz de se sentir envergonhado, pois mostrou muita perícia no que fazia.

A coisa começou a esquentar tanto que nossas mãos passaram para baixo da cintura.

A sensação de que um cara ficou com o pau duro por sua causa é no mínimo incrível. É quase uma sensação de poder. E é tão ridículo de ler quando de se escrever ou sentir, mas é o que é.

Nós não transamos. Acho que não. Eu me lembraria. Eu acho.

Mas lembro de que ele me fez um boquete delicioso. Não que eu tenha qualquer repertório no assunto. Pois não tenho.

Como disse: Estava chapado demais para me importar ou sentir vergonha na hora.

10 DE ABRIL DE 2009

Colin & Sebastian

COLIN SEBASTIAN 4EVER

SEBASTIAN SMYTHE-CONNOR

COLIN CONNOR-SMYTHE

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

4 DE JUNHO DE 2009

Eu tenho sido um pouco bobo nesses últimos meses, eu admito. Mas é o que se faz quanto está de amando alguém, certo?

Você sabe que não acredito em milagres, mas se acreditasse diria que Colin Connor é um.

Acho que mamãe percebeu algo de diferente em mim, provavelmente deve achar que é uma garota na escola, bem ela quase acertou. Mas falando nela, ela vem se sentindo mal há alguns dias. =(

30 DE JUNHO DE 2009

Último dia de aula no ano letivo. Colin e eu prometemos que vamos nos ver todos os dias das férias.

Provavelmente será o verão de nossas vidas.

17 DE JULHO DE 2009

Eu não tenho forças para falar isso em voz alta e quase nenhuma para escrever.

Minha mãe foi diagnosticada com câncer.

28 DE AGOSTO DE 2009

Passei o último mês cuidando da mamãe. Eu a acompanho em suas quimioterapias, pois meu pai vem se ausentando desde o final de setembro devido ao seu trabalho.

Eu não posso perder ela essa não é uma opção.

Mamãe não se abre muito sobre sua doença comigo, o fato de eu acompanha-la as quimioterapias é contra a vontade dela. Mas ela não me fala muito sobre.

6 DE OUTUBRO DE 2009

Mamãe teve certa melhora hoje. Passo quase todo o meu tempo útil com ela e o resto passo na escola, é o único tempo que passo com o Colin. A coisa entre nós está esfriando um pouco.

O que me faz lembrar do meu pai. Sua ausência me irrita e frustra, quem ele pensa que é? A minha mãe está doente.

26 DE NOVEMBRO DE 2009

É Ação de Graças. Pedi para mamãe que comemorássemos, ela hesitou no começo, mas acabou cedendo.

27 DE NOVEMBRO DE 2009

Peguei meu pai traindo minha mãe ontem. Você não imagina o nojo que sinto dele agora.

Hoje mais cedo fui visita-lo na empresa de advocacia em que trabalha, na verdade não foi uma visita social, fui confronta-lo. Estou farto da forma como ele vem tratando minha mãe desde que descobrimos sobre a sua doença. É desprezível que ele se ausente bem quando a própria mulher precisa da presença dele. Ele se ausenta nos jantares, nas sessões de quimioterapia, ele estava se tornando um completo estranho para nós. Não fico sentido por mim, acredite em mim, mas fico irritado pela minha mãe.

Depois de chegar da sessão de quimioterapia com a mamãe lá pelas oito da noite, fui confronta-lo, tive que pegar um ônibus até o prédio que trabalha, e sim ele ainda não me ensinou a dirigir, como disse: Se tornando um completo estranho dentro da própria casa.

FLASHBACK

– Por favor, o senhor Smythe.

– E quem devo anunciar? – disse o segurança do prédio no saguão do prédio.

– Ah, sou o filho dele, Sebastian Smythe.

– Me desculpe Senhor Smythe, não o reconheci, seu pai mostrou uma foto sua mas ainda era bem pequeno.Você espichou rapaz. – disse o homem sorridente.

– É né... – diz em tom de impaciência. – Posso subir?

– Pode sim, filho. Sabe qual é o andar? – diz o segurança em tom paternal.

– 12° andar, certo?

– Isso mesmo.

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Já tinha ido lá umas duas vezes no ano passado e sabia que alguma coisa tava estranha quando saí do elevador no décimo segundo andar.

FLASHBACK

– Alícia? – perguntou se aproximando da recepção visivelmente abandonada. Sebastian se aproximou do vidro da janela que separava a recepção da sala de seu pai. Entre as frestas das cortinas persianas ele pode ver claramente seu pai e Alícia.

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SIM! Eu peguei o meu pai levando um boquete da secretária dele. Traindo a minha mãe. Enquanto ela está enfrentando uma doença sem qualquer suporte por parte desse bastardo.

FLASHBACK

– MAS QUE PORRA É ESSA? – Sebastian invadiu a sala como um furacão.

– SEBASTIAN? – disse o pai com os olhos arregalados e empurrando a cabeça da secretária gulosa para longe. – Você não deveria estar aqui...

Enquanto o Senhor Smythe tentava se recompor,Alícia se retirou da sala antes que todos pudessem notar.

A vontade sincera de Sebastian era de sentar e chorar, mas ele sempre soube que não devia mostrar para os outros o poder que elas tinha sobre ele, foi o que a sua mãe sempre disse.

– É assim que tem passado os últimos meses? TRAINDO A MINHA MÃE, A SUA MULHER!

– Escuta Sebastian, você não entende... – o pai de Sebastian tentava falar embora Sebastian não o deixa-se.

– Escuta você, pai. A sua mulher está doente, você me ouviu dizer isso? Você ao menos se importa com isso? – ele fuzilava o pai com os olhos.

– Você precisa me escutar Sebastian... – tentou novamente em vão.

– NÃO! Você vai me escutar! – disse apontando o dedo para o pai. – É muita pressão pra você? É isso? Você não consegue lidar com a ideia da sua mulher ter câncer. Daí você sai fodendo com qualquer puta pra extravasar, é isso? – Seus olhos começaram a marejar não de tristeza, mas de raiva. – Nos últimos meses eu vi minha vida social ir para o ralo pra viver em prol da minha mãe, para ajuda-la, conforta-la e mostrar quem tem alguém aqui que está ao lado dela. Não pense você que eu espero receber um “muito obrigado” ou que eu faça isso por obrigação. Eu amo aquela mulher. E você, seu grande pedaço de merda, não esteve ao lado dela em nenhum momento.

– SEBASTIAN, NÃO FALE COMIGO DESSA FORMA EU AINDA SOU O SEU PAI.

– Você não age como um pai há muito tempo Anthony. Você começou a fracassar miseravelmente como pai desde que viemos para esse maldito país.

Sebastian sabia que estava indo longe de mais e viu isso no rosto lunático do pai, mas ainda assim continuou.

– Como você espera que ela melhore sendo que a pessoa que deveria apoia-la nem está lá para ela.

Foi o bastante.

– ELA NÃO VAI MELHOR, SEBASTIAN! – disse o pai passando as mãos em seus cabelos. — Ela não vai se curar, ela não pode ser curada. – algumas lágrimas desceram do rosto do homem que segurava os próprios cabelos do topo da cabeça num ato desesperado.

– O que? Você não sabe de nada! Sou eu quem a está acompanhando. – Sebastian o ridicularizou.

– Não filho, na verdade eu sei exatamente o que está acontecendo. Sua mãe é que não se abre para você. Você ao menos sabe que tipo de câncer ela tem? Ela nunca de disse, certo? Nós discutimos isso e ela não queria que você soubesse.

Sebastian olhava incrédulo para o pai.

– Acredite em mim, filho. – ele disse se aproximando de Sebastian que ainda estava em choque – Eu a amo. Sempre amei. Mas vê-la dessa forma...eu...eu não aguento. Ela vai ser tomada de nós não importe o que façamos.

– Você não aguenta ver alguém que ama morrer e por isso se afasta e nem tenta ficar ao lado dela enquanto ainda pode? – as lágrimas surgiam nos olhos de Sebastian.

– Eu sou fraco. Me desculpe, meu filho.

– Disso eu sei. – Sebastian disse secamente – Essa é a única desculpa que você tem “Eu sou fraco.”. E então pra superar tá arranjando uma substituta para minha mãe? O que é? Quem fazer o melhor boquete ganha o posto?

– Sebastian, pare agora com iss...

Sebastian saiu da sala de seu pai passando furioso pela recepção onde havia dois homens muito bem trajados esperando sentados e Alícia que também estava sentada em sua mesa um tanto encabulada. Sebastian não olhou para ela, mas ao passar por ela disse bem alto: “Tenha modos e vá se limpar ainda tem um pouco de porra do Senhor Smythe no canto da sua boca, Alícia.” e bateu em retirada do prédio.

Sebastian não sabia para onde ir. Pensou em algum lugar que se sentiria tranquilo para por a cabeça em ordem então pegou um ônibus para o PUB que Colin o levou no dia de São Patrício.

Ele não sabia dizer o que mais o irritava no momento. A traição nojenta que o pai havia fazendo com sua mãe ou o fato de que sua mãe o quisera manter no escuro.

“Por que mentir assim pra mim?” ele refletiu “Será que pra ela seria menos doloroso eu chegar da escola algum dia e encontra-la morta? O quanto isso pode ser melhor pra mim?”.

Ao chegar no PUB ele se senta em uma mesa retirada do bar e tira o diário surrado de dentro do seu bolso traseiro da calça jeans que usava. Passando ali a escrever uma entrada para 27 de novembro de 2009.

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Ao fechar seu diário o colocou de volta em seu bolso traseiro. Chamou uma atendente que veio anotar seu pedido: Café com conhaque.

Era estranho como aquele era o único lugar que ele poderia se sentir em acolhido no momento, mesmo que estivera lá uma única vez. Essa ideia fez Sebastian dar uma risada amarga enquanto bebida seu café igualmente amargo.

– É quase o inicio de uma estória trágica – ele disse para si mesmo.

Um casal particularmente empolgado adentrou no bar, os dois não paravam de trocar carícias entre si, Sebastian não deu atenção ao casal por estar absorto demais em seus próprios pensamentos.

O que ele poderia fazer agora? Deveria contar tudo a sua mãe? Ou a verdade pioraria seu estado defasado de saúde? As perguntas não paravam de surgir em sua mente e isso o levaria a loucura. Ele precisava desabafar.

Depois de terminar seu café e pedir outro, Sebastian sacou seu celular do bolso para enviar uma mensagem para Colin, eles não se falavam havia algum tempo, isso é verdade, mas que outra escolha ele tinha? Ele não fez muitos amigos por aqui então Colin era tudo o que restava a Sebastian.

Oi, sou eu, Sebastian.

Sei q n nos falamos tem algum tmp, mas eu estou surtando e preciso mt falar com vc.

Me encontra no PUB em meia hora?

Ele parou pra pensar o quanto Colin o fazia se sentir bem. Com ele, Sebastian se sentia compreendido, acolhido e desejado. Deveria ter se esforçado mais para passar mais tempo com Colin.

Cinco minutos de passaram e Sebastian não teve nenhum retorno de Colin. “Será que ele está me ignorando?”, pensou aflito.

Hey, Colin

Se lembra de mim?

Sei que nos afastamos um pouco, mas preciso mt msm falar com vc.

Mais três minutos se passaram sem qualquer resposta, então decidiu ligar para Colin. O telefone começou a chamar e instantaneamente um celular dentro do bar começou a tocar. Sebastian olhou a volta, o bar era um pouco escuro por isso mal conseguia ver o rosto das pessoas que estivessem longe dele.

Lá estava ele. O dono do celular que estava tocando. O cara que entrou se agarrando com outro cara no bar. Com a quase mesma altura de Sebastian, olhos e cabelos escuros e de pele clara. Colin Connor.

Notas finais
Ufa!O meu objetivo com esse capítulo é mostrar mais sobre a vida de Sebastian e sua família. A resposta pelo qual Sebastian é tão mau com as pessoas está em seu passado e iremos descobrir seus motivos juntos.Compartilhe suas ideias e opiniões aqui. Deixe suas críticas, sugestões e palpites.