Sebastian Smythe

3 Amantes Solitários


Notas iniciais
Esse capítulo contém algumas referencias ao rei Elvis Presley. Aproveite e se divirta!

A parte boa de quando se é o novato em uma nova escola cheia de caras que se vestem da mesma forma é que você consegue se camuflar. Sei que muitas pessoas, não apenas jovens, gostam ver as roupas como uma forma de se expressarem, bem eu não sou esse tipo de pessoa.

Quero dizer, eu não preciso me camuflar, sério você já deu uma olhada em mim? Enfim, gosto da aparência que tenho, muito obrigado, e gosto de ser gay! É claro, você não me verá desfilando por aí com a bandeira LGBT em minhas costas e levantando os punhos no ar pra gritar “viva os gays”, mas ainda sim sou muito orgulhoso de quem eu sou.

Mas o lance na Dalton é que se quiser se destacar você tem que mostrar do que é capaz ou então será só mais um cara com blazer e gravata azul e vermelha e eu não estou disposto a ser só mais um nessa massa de blazers azuis. Por isso me inscrevi logo na primeira semana para entrar no time de Lacrasse, esgrima e o clube do coral deles. Além disso, acredite em mim, essa é uma boa maneira de conhecer novos caras.

– Isso foi o seu pai? – Andrew disse levantando-se em um salto.

– Relaxa! – digo o puxando pela mão de volta para a minha cama. – Não precisa ficar com medo de ser pego. Meu pai só aparece em alguns finais de semana.

O convenço a voltar para a cama passando minhas mãos pelo seu abdome com músculos definidos, passo meus lábios pelo seu pescoço.

– Você é muito confiante sobre isso. – ele disse puxando meus cabelos. – Já se assumiu pra ele?

Essa pergunta me fez parar e olhar para os olhos dele pela primeira vez.

– Ah, não... – disse me deitando ao lado dele – Mas eu não conto porque tenho medo. Pois não tenho medo dele.

– Então o que é? – ele insistiu

– Não conto simplesmente pelo fato de que ele não tem a minha amizade. Nós não somos amigos. – me ponho a sentar na cama – Assim como ele não sabe que sou gay ele também não sabe que azul é minha cor favorita e que Indie Rock é o meu subgênero musical favorito ou até mesmo que meu prato favorito é hambúrguer com fritas.

Sinto sua mão passar pelas minhas costas.

– Então no dia que conhecer alguém que é pra valer não vai apresentar ao seu pai. – ele se aproximou ficando de joelhos na cama colando seu abdome em minhas costas. — Pelo o que você disse ele é tudo o que te restou de família.

Andrew mordiscou minha orelha antes de dizer:

– Como é que você espera que alguém que você ame, alguém que te ame fique vivendo de forma incógnita para seus familiares? – agora ele passava as mãos pelo meu tórax – Afinal, amar é ser ridículo, não é? É pegar a mão da outra pessoa em público e gritar o mais alto que puder o quanto você está pateticamente apaixonado por essa pessoa.

– O amor é ridículo e você é ridículo – disse sincero, mas isso o fez rir.

– Não seja mau.

– Beleza, fui pegar o único cara desse mundo que está procurando por compromisso sério. – disse me virando e o derrubando na cama ficando sobre Andrew.

– Não espero nada de você, Sebastian. – ele disse com um olhar selvagem que fiz questão de retribuir – Nada além de uma trepada sem compromisso.

– Um pouco menos de conversa, um pouco mais de ação.

– Elvis?

– Elvis!

Mergulhamos numa seção de longos amassos até que nossa excitação não se contivesse apenas com beijos, passadas de mão e esfregadas e finalmente pedir por mais.

UMA SEMANA DEPOIS...

Conheci Andrew uma semana após minha entrada na Academia Dalton ele é o capitão do time de Lacrasse, como disse, atividades extracurriculares são uma ótima maneira de conhecer outros caras.

Andrew e eu não voltamos a ficar juntos depois daquela noite.

Flashback

O corredor estava deserto quando Sebastian estava voltando para seu armário onde havia esquecido seu livro de Cálculo I, mas ele nunca chegou até seu armário.

Uma mão, até então sem dono, o puxou pela gravata para dentro do almoxarifado.

– Mas que p... – Sebastian disse para o quarto escuro

– Sem compromisso! — Era a voz de Andrew, Sebastian pode reconhecer sem ao menos vê-lo.

Andrew o beijou de forma voraz, o que Sebastian não teve dificuldade nenhuma para retribuir. Sebastian podia sentir a ereção de Andrew em sua coxa.

– Você.../beijo/ Não.../beijo/ Vai... /beijo/ Ser... /beijo/ — Sebastian segura a cabeça de Andrew – um daqueles caras que ficam grudandos, né? – ele aproveita para recuperar o fôlego.

Andrew se desvencilha das mãos de Sebastian e volta a beija-lo.

– Não... /beijo/ Se... /beijo/ Preocupa. /beijo/ Só... /beijo/ Diversão... /beijo/ — Andrew aumentava a intensidade da pegação.

Fim Flashback

Quero dizer, a gente ficou só naquilo mesmo.

Flashback

Andrew e Sebastian saíram do treino de Lacrasse, eles caminhavam juntos para o vestiário masculino e repassavam as ultimas jogadas da partida.

O último jogador acabava de sair do vestiário quando os dois entraram.

– A gente se vê quarta, Flich. – disse Andrew para o rapaz que deixava o vestiário

– Até quarta, capitão. – o rapaz disse ao sair.

– O seu próximo alvo? – disse Sebastian.

– Estou detectando ciúmes, Smythe?

– Não. Você está detectando alívio e um pouco de solidariedade para com aquele pobre garoto – disse Sebastian apontando para a porta onde o rapaz havia desaparecido das vistas deles.

Isso fez Andrew rir.

– O cara é hetero. Não estou de olho nele. – disse se despindo do uniforme.

A resposta de Andrew fez Sebastian murchar os ombros enquanto fazia o mesmo, mas antes de tirar a cueca enrolou uma toalha branca em sua cintura.

– Nada do que eu já não tenha visto – Andrew disse apontando para toalha desnecessária na cintura de Sebastian.

– Cada um num Box, ok? – Sebastian alertou.

– Nem precisa falar duas vezes. – Andrew concordou.

Fim de Flashback

Oi, dá uma licença aqui porque quem ta contando a história aqui sou eu! Não quero flashbacks. E outra coisa, nada aconteceu nesse dia. Está vendo? Foi um flashback totalmente desnecessário que você coloc...

Flashback

O som que ecoava pelas paredes do vestiário era da água que saia do chuveiro e o som que a pele humana faz quando se choca repetidas vezes contra a pele de outra pessoa.

– Isso! ISSO! Me fode! – Andrew estava de frente para a parede e de costas para Sebastian

– Gosta assim? Hãm?- Sebastian aumentou a velocidade dos movimentos de seu corpo — Gosta de ser fodido assim?

Andrew empinou mais a bunda para ganhar mais daquilo.

– Eu disse pra você ficar no seu Box. – Sebastian disse.

– Eu estou no meu Box. – Andrew tentou abafar um gemido – Foi você que veio pro meu...

Fim de Flashback

Eu... eu não quero continuar com essa narrativa.

UMA SEMANA DEPOIS...

– Oi Sebastian – Andrew se aproximou para abrir seu armário no vestiário

– Oi. – disse sem olhar para Andrew.

– O que houve? Dia ruim?

– Mês ruim. – eu estava concentrado em ignorar Andrew e vestir meu uniforme.

– Nossa. Que mau isso, cara. – ele se aproximou um pouco mais de mim. – Mas eu acho que sei o que pode te animar.

– Não, cara! É exatamente isso que tá ruim. – me virei para olha-lo.

– Como assim? – Andrew recuou dois passos.

– Como assim? Sério? — eu o encarei. – Por onde começar? Ah, tá! Já sei. Por algum motivo muito maluco parece que eu virei o seu brinquedinho sexual e não importa o quanto eu diga NÃO, você não para de insistir.

– E vai dar chilique por isso?

Algo me dizia que essa não era primeira e nem a última vez que Andrew ouviu essas palavras.

– Eu não estou dando chilique. – disse em tom baixo.

– Parece muito com um chilique. – Andrew analisou.

– Talvez seja um chilique.

Isso fez Andrew rir.

– Sinto muito se forcei a barra. Às vezes faço essas coisas por impulso.

– Sinto muito por ter dado um chilique.

– Tudo bem, você fica sexy dando chilique.

– Não começa.

– Desculpe. É que é muito difícil encontrar alguém que vale a pena, sabe?

– Como assim? – eu o encarei.

– Você é um cara legal Sebastian, acredite em mim eu não estou apaixonado por você, esse foi nosso trato lembra? Mas ainda assim é muito difícil não se apaixonar por você.

Isso me fez corar.

– Amor é para gente ridícula, lembra?

– Então sou ridículo.

– É achei que isso já estava em comum acordo.

– Eu ai gostar muito se nós nos apaixonássemos um pelo outro.

Eu não sou famoso por ter muito tato com as pessoas e seus sentimentos, mas pude perceber que essa situação merecia um pouco mais de tato da minha parte.

– Olha Andrew... Eu adoraria me apaixonar por você, mas não posso. Não posso abrir meu coração. Não posso ficar vulnerável assim, eu sou completamente desacreditado com relação ao amor. O meu coração foi partido de todas as formas e doeu demais. Ainda dói.

Andrew se aproximou de mim de forma cautelosa e me abraçou em um abraço forte. E sussurou “Oh, e ainda que esteja sempre lotado. Você sempre pode achar um quarto. Onde amantes de coração partido, desabafam sua tristeza.”

Isso me fez rir.

– Elvis?

– Elvis!

Selamos nossos lábios em um último beijo ardente. Bem, eu gostaria que esse tivesse sido nosso último beijo, mas não foi.

Passamos algumas semanas indo até o Café Lima Bean onde passamos várias horas contando como conseguimos nossas cicatrizes em nossos corações. Fiquei relutante no inicio, eu confesso, mas como Elvis disse “Eu estou tão solitário que poderia morrer.” E assumir essa carência de um pouco de atenção fere meu ego idiota. Ele não precisava saber de todos os meus problemas assim como eu não precisava saber de todos os dele, mas ter alguém para te ouvir as vezes faz você seguir em frente.

Notas finais
Referencia de música: A Little Less Conversation e Heartbreak Hotel do Elvis Deixe sua opinião sobre esse capitulo.